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Gálatas 4:8-20: As Dores de Um Parto Cristão

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • 2 de jun.
  • 18 min de leitura

Série em Gálatas: A Mensagem da Cruz 01 de Junho de 2025 – IBJM




Você chegou a esse mundo causando dor à sua mãe. As mulheres que tiveram filho sabem o que é a experiência do parto.

 

As contrações começam mais espaçadas e mais leves—uma contração a cada 30 minutos e elas duram uns 30 segundos. Mas conforme o tempo passa, elas aumentam a frequência até ficar em uma a cada 3 minutos.

 

A duração também aumenta. No início, a contração dura 30 segundos. Agora as contrações passam de um minuto. E conforme o parto chega mais perto, não só a frequência e a duração aumentam. A intensidade da dor aumenta também.

 

Nós entramos nesse mundo causando dor à nossa mãe.

O parto é uma experiência que mistura sangue, suor e lágrimas.

 

Existe uma experiência mais forte, mais intensa e mais duradoura do que ter filhos físicos: a experiência dos filhos espirituais. A experiência de ver Deus criando cristãos.

 

Paulo está sofrendo muito por causa dos Gálatas. Tanto que ele compara a dor dele a dor do parto:

 

[19] meus filhos, por quem, de novo, estou sofrendo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês. [20] Bem que eu gostaria de estar agora aí com vocês e falar em outro tom de voz, porque estou perplexo com vocês.

 

Paulo está sofrendo contrações (dores) de parto de novo por eles. É como se os Gálatas tivessem que nascer de novo... de novo!

 

• No capítulo 1 ele disse que estava SURPRESO com o fato de eles estarem quase abandonando a graça de Cristo.

• No capítulo 3 ele disse que parece que eles foram ENFEITIÇADOS para acreditarem nas obras como o meio de se tornarem filhos de Deus.

• Agora Paulo fala em um tom cheio de emoção: ele está PERPLEXO. O coração dele está sofrendo contrações.

 

O amor dói.

 

Assim como você parece não acreditar quando alguém que você ama muito—um filho, um parente, um amigo—está tomando decisões que você tem certeza, são decisões ruins que terão consequências ruins. Seu coração dói.

 

O amor também traz alegria. As mães saindo com seus bebês no colo saem também cheias de alegria. E durante a vida, os filhos podem ser enormes fontes de alegria. Mas nesse mundo, o amor anda junto com a dor. Tanto na família de sangue. Quanto na família da fé. Nosso coração às vezes sente a dor das contrações do parto até que Cristo seja formado.

 

Esse trecho de Gálatas é como um bisturi abrindo o coração do apóstolo Paulo. O tom é emocional. Ele continua usando teologia e a Bíblia e a experiência deles com o Senhor para chamar os Gálatas a não abandonarem a Cristo. Mas ele escreve esse trecho com o coração sendo contraído. Assim é o amor.

 

Objetivo de Paulo é fazer os Gálatas (e nós) continuar confiando só em Cristo para a salvação e não pensar que eles precisam obedecer a lei para serem salvos.

 

Paulo está usando o relacionamento que ele tem com os Gálatas a favor dos Gálatas—para o bem deles. Não é isso que o amor faz?

 

Como um pai e uma mãe faz com o filho que tanto ama. Como um irmão e uma irmã em Cristo faz com o irmão na igreja que tanto ama.

 

Em 1 Coríntios 13, Paulo tratou o amor como se ele fosse uma pessoa—dizendo que o amor não se irrita, o amor sofre e crê e espera e suporta. Vamos personificar o amor em Gálatas 4 também.

 

A primeira atitude do amor:

 

1.     O AMOR ARGUMENTA (VV. 8-10)

O amor argumenta no sentido de que, quando você ama, você ensina, explica, instrui, tenta persuadir. O amor não é inconveniente e chato e briga à toa. Não esse tipo de “argumentar”.

 

Você usa a verdade para argumentar e trazer a pessoa para a direção correta quando ela está se afastando do Deus vivo:

 

[8] Mas, no passado, quando não conheciam a Deus, vocês eram escravos de deuses que, por natureza, não são deuses. [9] Mas agora que vocês conhecem a Deus, ou melhor, agora que vocês são conhecidos por Deus, como é que estão voltando outra vez aos rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo querem servir como escravos?

 

Paulo, por amor, está argumentando:

 

Meus irmãos, ou meus filhos na fé, vocês eram controlados (como escravos) por deuses da mitologia grega que nem existem—vocês adoravam Diana, Afrodite, Atena, Zeus. Zeus não é Deus.

 

Esses deuses têm boca, mas eles não falam.

Eles têm olhos, mas eles não veem.

Eles têm mãos, mas eles não podem fazer nada—porque eles não existem.

 

Mas eu fui até vocês, preguei o evangelho da graça—a evangelho da fé em Cristo como morto por pecadores na cruz. E vocês creram. Vocês foram libertados. Vocês foram salvos pelo único Deus verdadeiro e seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.

 

O Deus que fala através da sua Palavra.

O Deus que vê todas as coisas.

O Deus que criou tudo porque ele existia antes de tudo.

 

Agora, vocês conhecem a Deus. Ou, ainda melhor! Deus conhece vocês. Vocês conhecem a Deus e Deus conhece vocês.

 

Mas agora vocês querem voltar para a escravidão?

 

Contra que escravidão Paulo está argumentando? Eles não está falando que eles estão indo para o mercado popular da Grécia para comprar uma estátua de Zeus.

 

[10] Vocês guardam dias, meses, tempos e anos.

 

Paulo está falando de voltar para a lei e guardar os dias do calendário judeu. Ele está falando do sábado e das festas judaicas.

 

No tempo da Antiga Aliança, era o que os judeus deviam fazer. Existia um calendário que eles deveriam seguir. Mas agora que Cristo veio, esse calendário ficou para trás. Jesus, o Cordeiro da Páscoa chegou. Jesus, nosso descanso—nosso Sábado—chegou.

 

Se vocês segurarem o calendário judeu, vocês vão largar Cristo. Legalismo e paganismo são mais parecidos do que parece.

 

São duas formas de se rebelar contra a Palavra do Senhor e voltar para os rudimentos do mundo (v. 10)—esse mundo que é dominado pela escravidão ao pecado e forças espirituais do mal. Paulo está dizendo que tanto os falsos deuses quanto a mensagem da falsa salvação pela obediência têm forças espirituais malignas por trás.

 

Porque nos dois casos, a pessoa está se afastando do Deus que liberta dos pecados e se juntando a uma prática que escraviza—seja se ajoelhando diante de uma estátua (paganismo) seja tentando impressionar a Deus com a nossa obediência (legalismo).

 

O que o amor faz quando alguém do povo de Deus está se desviando da Palavra do Senhor é argumentar—persuadir, explicar, instruir.

 

Você ensina seu filho a segurar a colher para comer. Você ensina seu sobrinho a andar de bicicleta. Nós ensinamos as crianças a falar o alfabeto. Quão mais importante é ensinarmos as pessoas que nós amamos a seguir a Cristo e se submeterem a Palavra de Deus com fé.

 

Povo de Deus, que haja entre nós um amor que argumenta. Que argumenta com amor, mas argumenta. Que usa a Bíblia e oração e busca convencer da verdade.

 

E quando alguém vier até nós para amorosamente argumentar, que o nosso coração seja rápido em considerar. Não vamos voltar para o mundo e para a escravidão do pecado.

 

Efésios 4:15—Mas, seguindo a verdade em amor [falando a verdade em amor], cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.

 

2.     O AMOR ALERTA (V. 11)

Às vezes, o que o amor precisa fazer é alertar, chacoalhar, despertar, avisar do perigo de nos afastarmos de Deus:

 

[11] Receio que o meu trabalho por vocês tenha sido em vão.

 

Paulo trabalhou muito. Ele derramou sangue. Ele derramou suor. Ele derramou lágrimas. Ele viajou. Ele pregou. Ele ensinou. Mas se aqueles que pareciam que tinham recebido com fé, abrirem mão da mensagem da graça para seguir outra mensagem, então o que aconteceu antes terá sido em vão.

 

Se eu abandonar a Cristo, eu perco tudo.

A fé verdadeira é a fé que não larga da verdade da cruz.

O amor não deve se irritar (1 Coríntios 13), mas o amor deve alertar.

 

Se você vê alguém atravessando uma rua sem ter visto um carro, você alerta: “Para!”

 

A maior alegria nessa vida é ver alguém abandonando a vida do mundo e abraçando a vida com Cristo. A maior alegria nessa vida é ver alguém seguindo Jesus pela fé. Mas se essa é a maior alegria, então nossa maior tristeza é ver alguém largando Jesus e voltando para o mundo. Abrindo mão da maravilhosa graça e segurando o pecado que leva à morte. Por isso o amor alerta.

 

John Bunyan, autor do livro Peregrino, disse:

 

Se qualquer daqueles que foram despertados por meu ministério retrocedem depois disso, como muitos às vezes retrocedem, posso dizer verdadeiramente que sua perda foi para mim mais do que se um de meus próprios filhos, gerado de meu corpo, tivesse ido para sua sepultura (Beeke, Pregação Reformada, p. 336).

 

O coração de Bunyan está no lugar certo. Que o Senhor nos dê lágrimas para chorar pelas almas daqueles que estão retrocedendo. E se você está ouvindo isso e pensando:

 

“Esse sou eu. Eu estou retrocedendo. Pouco a pouco, eu percebo, nos últimos dias ou nos últimos meses, eu estou retrocedendo. Eu estou me afastando do Senhor, me afastando da Palavra dele, me afastando do povo dele”.

 

Por favor, pare. Por favor. Pela glória de Deus e o bem da sua alma. Volte. Ele é um Salvador cheio de misericórdia. Ele perdoa todo aquele que se arrepende e restaura todo aquele que pede perdão. Deus abraça filhos pródigos. E ainda coloca um anel no dedo, sandália nos pés e canta de alegria. Volte para onde você nunca deveria ter saído. Para perto do seu Senhor.

 

O amor de Paulo fez Paulo alertar os Gálatas. Que o nosso amor uns pelos outros nos faça alertarmos uns aos outros, se a ocasião exigir.

 

Que nosso amor nos faça ir aos nossos irmãos e alertarmos, com graça e verdade, do perigo de nos afastarmos do Senhor Jesus e vivermos no mundo, vivermos no pecado—nesse reino de escravidão longe do nosso Libertador e Rei.

 

E se alguém vier nos alertar, que o Senhor nos dê graça e humildade para ouvir e voltar correndo para perto do calor do amor de Cristo.

O amor argumenta. O amor alerta.

 

3.     O AMOR EXEMPLIFICA (V. 12)

 

[12] Sejam como eu sou, porque também eu sou como vocês. Isto é o que lhes peço, irmãos.

Vocês percebem o calor do amor de Paulo. “Isto é o que lhes peço, irmãos”. Ele está com o coração doendo (com contrações) por causa do que os Gálatas estão fazendo. Querendo seguir as lei de Moisés para serem aceitos por Deus? Querendo ser perdoados obedecendo em vez de crendo?

 

[12] Sejam como eu sou, porque também eu sou como vocês.

 

Que situação interessante! Olha o mundo em que vivemos!

 

Paulo, um judeu, vive como um gentio. Paulo não se coloca debaixo da lei. Paulo não vê problema em comer carne de porco com molho barbecue. Nem linguiça defumada. Nem espetinho de camarão. Paulo não está impondo ninguém a ser circuncidado. Ou guardar o sábado. Apesar de Paulo ser judeu.

 

Mas os Gálatas—que são gentios—querem viver com os judeus. Paulo está dizendo:

 

“Vocês estão indo para o lado errado. É para lá. É para Cristo, essas coisas ficaram para trás. Sejam como eu. Eu judeu, não vivo debaixo da lei, por que vocês querem viver?”

 

Veja a importância de nós vivermos o que nós pregamos. Essa é a benção da consistência entre o que nós falamos e como nós vivemos.

 

Paulo pode falar “seja como eu sou” porque ele vive o que ele prega. Ele adorna a doutrina com a integridade dele. Ele veste o conhecimento com um comportamento que flui de um coração sincero. Não perfeito. Mas real. Genuíno. Sincero.

 

Um exemplo imperfeito e ainda cheio de falhas, mas um exemplo do que é andar com Cristo se arrependendo dos pecados e crendo nas promessas de perdão.

 

Paulo não está preocupado em chamar a atenção para ele. Paulo não está procurando aplausos. Mas porque ele ama os Gálatas, ele quer que os Gálatas não imitem os legalistas. Paulo quer que eles imitem aqueles que confiam no morte de Cristo na cruz como o pagamento do nosso pecado.

 

Para nos ajudarmos outras pessoas a andar com o Senhor, nós precisamos andar com ele. Eu não posso dizer o caminho de um lugar que eu não sei chegar.

 

Por isso, amor exemplifica. Em público, sim, mas também no privado. O amor ama quando você está só com sua família em casa e não tem mais ninguém vendo. O amor ama quando só tem você e mais outra pessoa.

 

Por isso que andar com Cristo—na Palavra e em oração e na igreja em comunhão—é um ato de amor a Deus, mas também um ato de amor ao próximo.

 

Marido, o que sua esposa mais precisa é de um homem que ande com Deus.

Esposa, o que seu marido mais precisa é de uma mulher que ande com Deus.

Pais, o que seus filhos mais precisam é que vocês andem perto de Cristo. E a glória dele irá refletir no rosto de vocês.

Filhos, a maior alegria que vocês podem dar para os seus pais—e o maior bem para você mesmo—é fugir do pecado e andar perto de Cristo.

 

Nós aprendemos a andar com Cristo entendendo doutrina e imitando exemplos. Eu aprendo a amar as pessoas vendo Brian, Caique e Douglas amando vocês. E vocês se amando. E nós nos amando. E uns amando os outros. Nós aprendemos a ser santos como Deus é santo ficando perto de outros santos—imperfeitos, mas santos.

 

Povo de Deus, sejamos imitadores de Cristo. E que as pessoas possam também imitar Cristo a medida que elas veem uma imagem dele (mesmo ainda em construção) em nós.

 

O amor argumenta. O amor alerta. O amor exemplifica.

 

4.     O AMOR RECONHECE (VV. 12-15) 

O amor reconhece a graça de Deus no passado para encorajar o outro a perseverar no presente. O amor reconhece o que Deus fez na vida daquela pessoa e usa evidências da obra de Deus na vida daquela pessoa para convencê-la a continuar andando com Cristo.

 

Final do v.[12] (...) Vocês não me ofenderam em nada. [v. 13] E vocês sabem que eu lhes preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física. [14] E, por mais que a minha enfermidade na carne lhes tenha sido uma provação, vocês não me trataram com desprezo nem desgosto. Pelo contrário, me receberam como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus. [15] O que aconteceu com a felicidade que vocês tinham? Porque posso dar testemunho de que, se fosse possível, vocês teriam arrancado os próprios olhos para me dar!

 

Paulo não fala o que ele tinha. No versículo 13 ele fala de uma “enfermidade física”—uma doença. Algumas pessoas acham que era um problema nos olhos porque no versículo 15 ele diz que os Gálatas teriam arrancado os próprios olhos para dar para Paulo, se pudessem.

 

Mas arrancar os olhos é provavelmente a maneira de Paulo dizer para eles: “Vocês me amaram—vocês me receberam com tanto amor—que vocês fariam qualquer coisa por mim, mesmo que custasse muito a vocês—mesmo que vocês tivessem que tirar um olho e me dar para eu voltar a enxergar”.

 

Mas apesar da doença de Paulo ter sido uma tentação para eles desprezarem Paulo ou verem Paulo como um fraco cheio de problema, eles receberam Paulo como um anjo (um mensageiro) de Deus.

 

Ainda mais! Eles receberam Paulo como o próprio Senhor Jesus Cristo. Quando Paulo falava, eles receberam a palavra como se Cristo estivesse falando com eles. Isso é fé. Isso é felicidade.

 

Duas lições preciosas aqui:

 

PRIMEIRA É: quando alguém fala a Palavra de Cristo de forma fiel, é Cristo falando de forma real.

 

Final do v. 14—(...) Pelo contrário, me receberam como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus.

 

Faz 2 mil anos que o Senhor Jesus, com seu corpo glorificado, se assentou no trono dele à direta de Deus nas alturas.

 

Ele está no céu, sim. Mas isso não significa que ele está distante. Ou que ele parou de falar. Ele continua falando. E ele está perto. Jesus fala através da Palavra dele. Faz 2 mil anos que a Palavra dele vem criando um povo. Faz 2 mil anos que a Palavra de Deus salva e santifica.

 

Foi assim que eu fui salvo. Foi assim que você foi salvo. E é assim que nós somos santificados.

 

Jesus disse:

 

Mateus 10:40—Quem recebe vocês [discípulos] é a mim [Jesus] que recebe; e quem recebe a mim recebe aquele que me enviou [Deus].

 

Toda a vez que a Palavra de Deus é aberta a boca de Deus é aberta! E Deus fala! Nosso Deus é diferente dos falsos deuses da mitologia grega. O nosso Deus realmente fala.

 

A Palavra do Senhor continua agindo nesse mundo, e ela faz isso através daqueles que ensinar e pregam.

 

A SEGUNDA LIÇÃO É: esse Deus que fala através da Palavra age através da fraqueza—da fraqueza humana.

 

Paulo não chegou nas igrejas da Galácia como grande orador, um filósofo eloquente, um grande homem cheio de pompa e poder. Paulo chegou lá com poder, mas o poder não estava nele. O poder estava na Palavra.

 

Paulo chegou na Galácia doente. Uma enfermidade na carne ao ponto de ser uma tentação para ser desprezado. É isso que é um mensageiro de Deus? Esse homem fraco e pobre e que não impressiona ninguém?

 

Sim! Deus não trabalha através da nossa força. Deus trabalha através da nossa fraqueza—da nossa dependência dele.

 

Que isso seja um encorajamento para todos nós:

Você acha que você não tem muito a oferecer a Deus?

Você se acha pequeno e fraco e não-impressionante?

Então você é um candidato a ser um instrumento nas mãos de Deus.

 

A Palavra de Deus para você é:

 

2Coríntios 12:9—“A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

 

Que o poder de Cristo repouse sobre nós e que, desse poder, nós possamos viver em um amor que argumenta, alerta, exemplifica e reconhece a graça—a graça que é suficiente—na vida uns dos outros.

 

5.     O AMOR TAMBÉM PROTEGE (VV. 16-17)

 

[16] Será que, por dizer a verdade, me tornei inimigo de vocês? [17] Esses que se mostram tão zelosos em relação a vocês não estão sendo sinceros. O que eles querem é afastar vocês de mim, para que vocês se interessem por eles.

 

O “zelo” dos legalistas entre os Gálatas não era sincero.

 

Mas Deus ama sinceridade. Nós ainda temos manchas de pecado no nosso coração. Mas sinceridade—um amor por Cristo e pelas pessoas—sobe aos céus como um aroma agradável a Deus. Nosso Pai se agrada do nosso amor imperfeito, mas sincero.

 

E quando nós estivermos do lado daqueles que estão tentando nos proteger, quando alguém vir falar a verdade para nós em amor, que a nossa reação não seja olhar para essa pessoa como inimigo, mas como um amigo fiel e leal.

 

Provérbios 27:6—Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.

 

Judas beijou Jesus, e era um enganador. Paulo está corrigindo—ferindo—os Gálatas com a verdade, mas ele é um homem de amor. Melhor alguém que me fere com a Palavra para que o mal saia de mim e a graça me costure, do que aqueles que bajulam para benefício próprio para me levar para um caminho mau.

 

Você conhece alguma ovelha que está tentando ter algum tipo de relacionamento com lobos? Ou ouvindo ensino de lobos?

 

O amor protege. Galinhas protegem seus filhotes. A leoa protege os leõezinhos. Nós devemos proteger nossos irmãos e irmãs—as ovelhas de Cristo—dos lobos. Nós protegemos uns aos outros com oração, com a verdade da Palavra de Deus—o que às vezes significa ter conversar difíceis.

 

Essa proteção tem um risco. Essa proteção tem um custo.

 

Para os proteger, o Senhor Jesus teve que sofrer. Quando os fariseus—também legalistas na época dele—tentavam enganar as ovelhas dele, o Senhor Jesus se transformava de um Cordeiro para um Leão. E ele protegia. E ele era atacado de volta.

 

Satanás vão atacar aqueles que se colocam na linha de frente para proteger o rebanho de Cristo. Vai acabar sobrando dardos inflamados na sua direção. Desvie deles se agarrando em Jesus, e volte para a batalha.

 

E, às vezes, as pessoas que você está tentando proteger vão atacar você. Como os Gálatas fizeram com Paulo, pode ser que elas olhem para você como inimigo, não um amigo. Às vezes, as pessoas não vão ouvir você.

 

Mas continue amando. Vale o risco. Vale o custo. As ovelhas do Senhor ouvem. Elas mudam de direção. Elas param de ouvir as vozes erradas—as vozes do mundo—e passam a ouvir a voz do Bom Pastor.

 

O que Deus espera de nós é que nosso amor proteja.

 

Eu lembro, no início da minha vida cristã, eu comecei a ver uns vídeos de um pastor na internet. O primeiro vídeo que eu assisti, eu achei maravilhoso. Eu fiquei emocionado. E eu continuei assistindo. E eu comentei animado para um amigo que estava me discipulando. Ele disse: “Alex, cuidado com esse homem. Ele não é um pastor fiel”.

 

Ele me protegeu. Ele me amou. E ele tinha razão. Aquele homem não era fiel à Palavra de Deus. Ele era, como os falsos mestres entre os Gálatas, um enganador.

 

Que o Senhor coloque compaixão no nosso coração pelas ovelhas que estão sendo atacadas por Satanás e seduzidas pelo mundo e enganadas pela própria carne.

 

Vale a custo. Vale a pena. Mesmo que fiquem marcas de mordida dos lobos em nosso braço—porque eles vão atacar você. Vale o custo de tirar uma ovelha indefesa da boca de um lobo.

 

Povo de Deus, vamos nos amar e nos proteger.

 

A última ação do amor nessa passagem está presente, de uma maneira ou de outra, em todas as outras atitudes do amor.

 

Sexto e último:

 

6.     O AMOR DÓI (VV. 18-20)

 O amor argumenta, alerta, exemplifica, reconhece, o amor protege e amor dói.

Deus determinou que, nesse mundo, amor e dor vão andar juntos.

 

[18] É bom ser sempre zeloso pelo bem e não apenas quando estou com vocês, [19] meus filhos, por quem, de novo, estou sofrendo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês. [20] Bem que eu gostaria de estar agora aí com vocês e falar em outro tom de voz, porque estou perplexo com vocês.

 

Essa perplexidade de Paulo é um reflexo da perplexidade de Jesus diante da incredulidade do povo de Israel. Jesus chorou por Jerusalém e disse:

 

Jerusalém, Jerusalém! Você mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram! (Mateus 23:37).

 

Como Jesus fez, Paulo também compara a dor que ele está sentido pelos Gálatas como uma mãe com seus filhos. Paulo fala da dor dele como as dores de um parto.

 

Paulo está perplexo. Ele quase não consegue acreditar no que está acontecendo. Como os Gálatas, que apareciam tão estabelecidos no evangelho da graça, tão firmes no perdão pela cruz de Cristo, agora estão se deixando levar por ventos de doutrina que vão afastá-los de Deus.

 

Gerar filhos na fé dói. Amar irmãos e irmãs da fé dói. Envolve sofrimento e angústia. Envolve compaixão e oração. Envolve paciência com os pecados do outro, assim como o Senhor tem paciência conosco. Envolve perseverança: continuar orando e buscando e esperando o Senhor agir, mesmo quando o irmão ainda não está respondendo bem ao amor.

 

A DOR DO SENHOR

O amor dói. E se nós precisamos de um incentivo para amar mesmo quando dói, olhe para a dor que o Senhor Jesus passou para nos amar. Quanta dor ele enfrentou.

 

Os cravos nas mãos e nos pés. A dor da humilhação e da vergonha. Sim, a dor da crucificação é insuportável. Mas quem é capaz de medir a dor que Jesus enfrentou não só nas mãos e nos pés e nas costas. Mas a dor na alma ele experimentou quando Deus virou as costas para ele? Quando ele clamou “Deus meu, Deus meu” e o céu ficou em silêncio?

 

Que mistério é a cruz! E que amor!

 

A dor da separação é sempre proporcional ao amor que você tem por aquela pessoa. Se um amigo (uma amiga) sua, que você não tem muito contato, morre, você vai sentir. Nós sentiríamos, mas a vida continua. Você não ficaria prostrado no chão.

 

Mas se em vez de um amigo distante, eu perco a minha esposa? A dor agora é insuportavelmente maior. É como se tivessem cortado e arrancado uma parte da minha alma. Essa dor derruba.

 

Agora pense no amor que Jesus tem por Deus. Pense na força e na profundidade e na intensidade do amor que Jesus, o Filho, tem pelo Pai. É um amor divino. Perfeito. Quanto mais forte o amor, maior é a dor da separação.

 

Quando Jesus foi levantado naquela cruz, a dor rasgou a alma do nosso Senhor Jesus com a violência da ira santa de Deus. O Filho amado de Deus sendo tratado como aquele que carrega todo o nosso pecado. Nunca uma pessoa sofreu tanto. E nunca uma pessoa nos amou tanto.

 

De todos os lugares desse mundo e de todos os momentos da história, a cruz é o lugar onde nós vemos o maior amor. Mas é também o lugar onde nós vemos a maior dor. O amor dói.

 

Mas veja também a alegria do outro lado cruz:

 

• Veja a alegria do Senhor Jesus quando ele saiu da sepultura no terceiro dia—triunfando sobre a morte e o mal.

• Veja a alegria do Senhor Jesus quando ele, depois de ter ressuscitado, se colocou no meio dos discípulos com seu corpo glorificado e disse: “Que a paz esteja com vocês!” (João 20:19).

• Veja a alegria do Senhor Jesus quando ele entrou pelos portões do céu e viu o Pai e disse: “Eu fiz tudo o que o Senhor me enviou para fazer. Eu venci” e ele foi coroado o como o Rei da Glória.

• Veja a alegria de Jesus vendo a imagem dele sendo formada em nós e a certeza de que a imagem dele será completada em nós e ele será o primogênito entre muitos irmãos.

 

O amor dói. Mas é um dor que vale a pena. O custo é alto. Mas a glória é maior. Foi assim que Jesus viveu. E assim que Jesus nos chama a viver.

 

CONCLUSÃO 

Ovelhas do Senhor, contemple o amor de Jesus por você. Quanta dor! Quanto amor! E que o amor dele por nós nos domine ao ponto de olharmos para outras ovelhas e irmos até elas argumentando, alertando, exemplificando, reconhecendo, protegendo e doendo.

 

Doendo até o dia em que ele irá reinar entre nós e irá expulsar a morte, o luto, o pranto e a dor. E nós viveremos em um mundo, criado por ele, onde a única coisa que vai existir, será o amor.

 

Um amor mais forte, mais intenso e mais duradouro do que as dores do sangue, do suor e das lágrimas que você derramou nesse mundo por amor.


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