Efésios 1:3-14: O Propósito da Vida
- Cláudio Rodrigues
- há 2 dias
- 14 min de leitura
15 de Fevereiro de 2026 – IBJM
A frase “É bom demais para ser verdade” se encaixa perfeitamente no texto que temos em mãos porque as afirmações do apóstolo Paulo neste trecho são grandiosas demais para a compreensão do homem natural.
Está escrito, e por isso cremos, que Deus quer ter seres humanos com Ele, como filhos (v. 5), sendo que Ele tem um Filho eterno (v. 3), com quem tem comunhão desde a eternidade. Como entender isso?
Também está escrito, e por isso cremos, que Deus quer salvar esses homens, que são pecadores (v. 7). Dito de outra forma, os homens ofenderam a dignidade de Deus, fizeram pouco da Sua glória, que, segundo John Piper é a soma da grandeza de Deus, a beleza de Deus e Seu infinito valor. Como entender isso?
Desde o dia do pecado (Gênesis 3.6), o propósito para o qual o homem foi criado, manifestar a glória de Deus (Isaías 43.7) foi perdido. Gênesis 1.28 diz: “... Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra...” Encher a terra significa espalhar a glória de Deus sobre toda a Terra, como Habacuque bem disse (Habacuque 2.14). Mas como espalhar a glória de Deus se a Bíblia diz que “... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”? (Romanos 3.23)
Algumas frases ditas pelo homem natural demonstram, claramente, que ele perdeu a noção de que existe para a glória de Deus. Algumas: “Morreu, acabou!”, sendo que não acabou. A morte é o começo da eternidade, com Deus ou sem Ele; “Sextou”, quando essa frase quer dizer “vou perder o bom senso por dois dias e só vou tentar me conectar com a realidade novamente no domingo à noite”; “Deus não existe, é uma invenção do homem”; “Deus está morto”.
Chegamos, então, ao ponto de entender que Deus não pode querer nos adotar como filhos, nem pode salvar pecadores, e a manifestação da glória de Deus por parte da criatura não é mais possível. Três coisas impossíveis de acontecer.
O texto de Efésios em foco trata de como Deus torna o impossível possível e o porquê disso.
A base do texto está na expressão “em Cristo” que significa, para Paulo, a ligação indestrutível entre Deus, através de Seu Filho, Jesus, e homens pecadores. Os crentes estão unidos a Cristo de uma maneira que é impossível não estarem (Romanos 8.35,38,39). A expressão “em Cristo” aparece, neste excerto, 10 vezes em 12 versículos (vv. 3,4,5,6,7,9,10,11,12,13). Paulo repetir 10 vezes a mesma expressão significa que ele cria que, à parte de Cristo, não há possibilidade alguma de que as coisas que ele cita sejam possíveis (a filiação do homem a Deus, a redenção de pecadores e a manifestação da glória de Deus por parte da criatura). Paulo não baseia a atuação de Deus no caráter do homem, não infere que Deus aja apoiado em cumprimento de metas humanas. Ele sabe que para Deus não há impossível (Lucas 1.37).
Para Paulo, estar em Cristo é o contrário de estar em Adão (Romanos 5.12,17).
O caráter trinitário do trecho é identificável:
1) a obra do Pai, 3-6;
2) a obra do Filho, 7-12;
3) a obra do Espírito Santo, 13,14.
1) a obra do Pai, 3-6
Há um porquê para Deus desejar nossa companhia. O v. 3 diz que Deus é o Pai do Senhor Jesus. Ele é Pai eternamente. O teólogo inglês Michael Reeves, em seu livro “Deleitando-se na Trindade”, afirma que a criação é o transbordar do amor de Deus. É como se Deus não pudesse Se conter; Ele criou para fazer o que faz de melhor: amar.
Seu amor é suficiente para Ele, na criação, abençoar a criatura (Gênesis 1.27,28: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra...). A palavra “abençoou”, na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento), é a mesma palavra usada em Efésios 1.3 para dizer que Deus é bendito. Abençoar e bendizer querem dizer “falar bem”. A criatura bendiz o Criador, isto é, reconhece que Ele é o único digno de ser bendito, ou seja, o único a respeito do qual se deve falar bem (Εὐλογητὸς, eulogetos. Εὐ = bom, bem; λογητὸς = palavra, falar), por causa de Seu caráter imutável e de Seus motivos, intenções e propósitos sem mistura.
Acontece que Ele abençoa, ou seja, fala bem da Sua criatura, criada à Sua imagem, porque esta haveria de refletir a glória de Deus – não havia pecado ainda; está-se falando de Gênesis 1. Não se trata de equiparar Deus e a criatura, mas de salientar, no caso de Deus, Seu caráter, e, no caso da criatura, sua missão. Quando a criatura fala bem de Deus está exaltando a glória de Deus; quando Deus fala bem da criatura está exaltando Sua própria glória, que o homem deveria proclamar. Num caso e no outro, o importante é a glória de Deus.
O estranho é Efésios 1.3 dizer que Deus “... nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”. A palavra “abençoou” e a palavra “bênçãos” também são a mesma palavra que o “bendito” do início do versículo, no grego. Como pode ser? A criatura caiu em pecado e sua justiça está longe da justiça de Deus; é chamada de “... trapo de imundícia...”, em Isaías 64.6.
A solução está na parte final do verso: “... nos lugares celestiais em Cristo”. Já foi dito que “em Cristo” quer dizer unido a Ele com uma ligação que não pode ser rompida. A frase “... nos abençoou... nos lugares celestiais em Cristo” quer dizer: Cristo está sentado como Rei no trono ao lado do Pai nos lugares celestiais. Nossa união com Ele nos leva, espiritualmente ressuscitados, a desfrutar a comunhão com Cristo (Efésios 2.6). É o reino da experiência espiritual; não é um lugar físico, mas uma região de realidades e experiências espirituais. É o ponto em que a vida terrena com sua miséria foi invadida pelo poder do céu. É o lugar onde, efetivamente, os crentes estão. É bom notar que só se pode estar nos lugares celestiais se for “em Cristo”.
Esse lugar, esse ponto, também é onde se pode ter vitória contra as regiões celestiais do mal, Efésios 6.12. Ou seja: lutar contra o inimigo da alma humana só é possível com a certeza da união com Cristo.
Paulo está se referindo à realidade em que Deus fala palavras de perdão e limpeza para os salvos. Como pode ser? Isso chega ao ponto de Deus dizer, para quem está em Cristo, a mesma palavra que dissera antes do pecado, para Adão. Em outras palavras, o Pai reconhece a obra de Cristo na cruz como eficaz para eliminar a condenação do pecado, o poder do pecado e a presença do pecado, quando observa Seus filhos eleitos. É claro que os homens continuam pecando na vida deste lado da eternidade, mas “... Deus... chama as coisas que não são como se já fossem” (Romanos 4.17).
A palavra humana não tem poder para mudar a situação do homem em pecado, mas a Palavra de Deus cria aquilo que ela ordena (Gênesis 1.3; Salmo 33.9; João 11.43,44. O último texto citado fala da ressurreição de Lázaro. A palavra de Jesus criou vida para o morto. É isso que significa “o Senhor nos abençoou”: é nova vida, vida eterna.
O homem, morto em seus delitos e pecado (Efésios 2.1), pode voltar a viver; há esperança. A condição: estar em Cristo.
A nova criação (II Coríntios 4.6) é muito mais difícil que a primeira, em Gênesis 1. Esta foi criada do nada, aquela, de uma massa putrefata. Esta foi criada externamente, aquela precisou que Deus entrasse no homem para Ele mesmo resplandecer porque as trevas do pecado são as maiores que jamais existiram. A mesma luz a respeito da qual Apocalipse 21.23 diz: “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado e o Cordeiro é a sua lâmpada”. A primeira criação não precisou que o Filho de Deus morresse; a segunda custou a vida de Jesus, o Deus-Homem.
Como Deus faz isso? Em duas etapas: uma antes da fundação do mundo e outra no tempo estabelecido por Ele para salvação de cada um.
Salvação Promulgada antes do Tempo, 1.4-6
Eleição (ou escolha, na NAA) e predestinação são dois termos bíblicos; portanto, não há como negar que sejam reais e verdadeiros em si mesmos. O problema é a interpretação humana do que sejam um e outro.
Eleição e predestinação estão ligadas à eternidade porque a Bíblia diz em Efésios 1.4,5 que foi antes da fundação do mundo que esses conceitos nasceram. E nasceram por causa da vontade do Pai (v. 11), que foi quem elegeu (isso está escrito, não há como negar), e nos elegeu em Cristo, isto é, a eleição não depende do que o homem faz ou venha a fazer, mas de quem Cristo é – Ele é da mesma essência que o Pai; por isso, digno de ser colocado pelo Pai na condição de Mediador entre a ira do Pai e a condição miserável do pecador. Cristo é a razão da eleição. Dito de outra forma: ninguém pode ser eleito por causa de qualquer coisa que seja ou faça, mas pode ser eleito por causa da dignidade do Filho, escolhido pelo Pai para essa obra.
O Pai e o Filho concordaram na eternidade a respeito das pessoas que eles, depois da criação, desejavam salvar – e vão salvar.
Não quer dizer que o ser humano seja passivo e seja obrigado a aceitar, sem exercitar a razão, aquilo que Deus decidiu. Pelo contrário, no processo de redenção Deus dá ao homem a capacidade de querer ser salvo. Deus muda a disposição do coração do homem, de maneira que este passa a querer aquilo que Deus tem para ele, quando antes não queria. O coração, antes cheio de ira contra Deus, reage ao amor de Deus, amando-O (I João 4.19).
Embora eleição e predestinação sejam conceitos muito próximos, há uma sutil diferença entre eles (“... nos elegeu..., v.4, e nos predestinou...”, v. 5. São duas ações de Deus). A eleição é o ato da escolha em si de determinadas pessoas. A eleição tem um para quê: tornar o eleito “santo e irrepreensível” (1.4), isto é, torná-lo aquilo que ele nunca foi, e nunca desejou ser, mas agora deseja, fugindo da corrupção do mundo para a santidade que reconhece nAquele que o salvou.
A predestinação diz respeito ao propósito da eleição que é tornar o salvo um filho de Deus (1.5), não com características próprias que sejam agradáveis a Deus, mas com as características do Filho eterno (Romanos 8.29; I Jo 3.2). É ou não é inacreditável?
A resposta humana é “louvor da glória da sua graça” (1.6). A graça está no plano de Deus em querer salvar pecadores, enviando Seu Filho (João 3.16). Eleição e predestinação, que resultam em nossa adoção como filhos e fornecem a base para uma vida santa e irrepreensível, expõem a majestade superlativa da graça, glória, sabedoria e poder de Deus. Elas estão de acordo com o bom prazer da vontade de Deus (v. 9). A vontade ou desejo de Deus em nos levar à filiação não é por mérito que possuamos, mas surge de sua pura bondade, originando-se única e exclusivamente da liberdade de seus pensamentos e deliberação amorosa (v. 11).
Louvor da glória da sua graça quer dizer adoração ao “... Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus” (I Timóteo 1.17).
2) a obra do Filho, 7-12
Temos a redenção em Jesus, o Filho (v. 7). A redenção é um ato de conciliação com Deus, ou seja, duas partes inimigas, Deus e o homem (Isaías 63.3; Romanos 5.10), entram em acordo para poderem viver em comunhão (Amós 3.3). A condição que precisa ser superada é a ira de Deus, que se manifesta do céu “sobre toda impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1.18), ou seja, sobre todos os homens. A necessidade é voltar a ter comunhão com Deus para ficar livre da Sua ira no dia do juízo: I Tessalonicenses 1.9,10.
A restauração da comunhão entre Deus e o homem está na obediência do Filho em querer humilhar-Se, tornando-Se homem (Filipenses 2.6,7), sendo obediente até à morte (Filipenses 2.8), ressuscitando e subindo para sentar-Se no trono ao lado do Pai, de onde rege o universo com poder e sabedoria infinitos.
A redenção, ou conciliação, é feita através de dois atos: a expiação e a propiciação. A expiação é o ato da morte de um animal em lugar do homem, que é o verdadeiro pecador. No Antigo Testamento, Levítico 16.11. No Novo Testamento, Jesus: Hebreus 2.17. A expiação tem a ver com remover algo ou tirar algo. Em termos bíblicos, trata-se de remover a culpa por meio do pagamento de uma penalidade ou da oferta de um sacrifício.
Em contraste, a propiciação tem a ver com o fato de Deus deixar de ter inimizade com o homem, mas passar a ser a favor do homem, por causa do sangue derramado na expiação. No Antigo Testamento: Levítico 16.14. No Novo Testamento: Romanos 3.24,25. Jesus apresentou Seu sangue ao Pai para ser a causa da eterna redenção dos pecadores: Hebreus 9.12,14,24. Através do processo de propiciação, somos restaurados em comunhão e favor nEle.
Em conjunto, a expiação e a propiciação são os passos da conciliação.
v. 7: lê-se que a oferta que Jesus fez de Si mesmo, através do derramamento de Seu sangue, manifestou Sua graça sobre os homens, graça que o verso 8 chama de abundante.
A obra de Jesus, no entanto, é muito maior do que a salvação dos homens. É de se notar que em Gênesis 3.17 Deus diz “... maldita é a terra por causa de ti”, repreendendo Adão. Mas não apenas a terra se tornou maldita por causa do pecado de Adão; toda a criação foi contaminada por causa da desobediência do primeiro homem: Romanos 8.19-23.
Deus, através de Cristo, quer restaurar toda a criação; é o que diz 1.9,10. Deus quer tornar a congregar em Cristo todas as coisas, porque todas as coisas foram feitas para o Filho. A redenção de Jesus, portanto, atende a esse propósito: II Pedro 3.13. O glorioso resultado: Apocalipse 5.12,13, texto que diz que vamos ouvir toda criatura do céu, da terra, de debaixo da terra e do mar cantando; é inacreditável, mas a obra de Jesus é ainda maior. O texto diz que as coisas que existem nessas esferas (céu, terra, debaixo da terra e mar) também vão cantar: cometas, o planeta Saturno, a areia da praia, as maçãs, os morangos, o ar, o monte Everest e a fossa Mariana.
O contrário desse cenário inacreditável é choro e ranger de dentes: Mt 25.30).
Tudo, essa realidade impossível de ser entendida, é para os eleitos e predestinados: v. 11. Jesus é o Herdeiro “original” de todas as coisas: Hebreus 1.2. É justo. Ele venceu. Mas... pecadores serem herdeiros? O inconcebível: Gálatas 4.6,7; Apocalipse 3.21.
v. 12: a glória de Cristo, que é eterna, foi vista por homens pecadores: João 1.14. João diz isso do tempo em que Jesus estava vestido da natureza humana passível de morrer, como, de fato, morreu. Foi um vislumbre da glória. Mas todo vestígio de fraqueza desapareceu após Sua ressurreição, e os eleitos e predestinados verão a totalidade da Sua glória, como Homem, quando Ele voltar: I João 3.2; II Tessalonicenses 1.10
3) a obra do Espírito Santo, 13,14.
O Espírito Santo é a Pessoa da Trindade, na economia da Trindade, isto é, no plano de salvação de Deus, responsável por entrar no pecador para convencê-lo de três coisas muito importantes: João 16.8: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo”.
Qual é o pecado? João 16.9: “... não creem em mim”.
O que é a justiça? “João 16.10: “... vou para meu Pai...” Em outras palavras, Jesus estava inaugurando um caminho que estava fechado desde Gênesis 3.23: “O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden...” É um novo e vivo caminho: Hebreus 10.20.
O que é o juízo? João 16.11: “... o príncipe deste mundo está julgado”.
O Espírito Santo aponta para Cristo: João 16.14.
O v. 13 indica o caminho para a salvação:
a. ouvir a palavra da verdade. Ouvir a palavra da verdade é a única forma de salvação: Romanos 10.13,14; Dt 30.19.
b. crer no que foi pregado. Jesus ensinou, desde o início do seu ministério, o que fazer para a salvação: Mc 1.15. Também, respondendo a um questionamento da multidão que o acompanhava (João 6.28: “... Que faremos para executarmos as obras de Deus?”), disse: João 6.29: “... A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou”.
Fé é mais que mera confiança, é mais que uma compreensão meramente intelectual de um fato; é a resposta obediente às exigências divinas de arrepender-se dos pecados e entregar a vida para Deus.
O objetivo da fé é Cristo, é crescer em santidade para a semelhança cada vez maior com Cristo: Efésios 4.12,13. Em outras palavras, a vida da pessoa é transformada de glória em glória, quando ela contempla a glória de Cristo na Palavra de Deus: II Coríntios 3.18.
c. ser selado com o Espírito Santo. O selo é a garantia do crente no dia final: Efésios 4.30. O Espírito Santo é o selo que garante o cumprimento da promessa de Deus (I João 2.25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”). O selo é a garantia de que a salvação, para quem a alcança, não pode ser perdida (v. 13).
Ser selado significa, primeiro, ser atestado ou declarado genuíno. Wesley diz que selar indica “total impressão da imagem de Deus na alma do crente”. Ser selado pelo Espírito Santo significa, segundo, pertencimento total a Cristo; não sermos mais propriedade nossa, mas propriedade dEle: Gálatas 2.20; I Coríntios 6.19,20.
v. 14. Penhor: “entrega de bem como garantia de cumprimento de obrigação; tudo aquilo que assegura o cumprimento de uma promessa”. O sinal ou pagamento parcial é a garantia de que depois haverá o pagamento total; a coisa dada está relacionada com a coisa garantida— o presente com o futuro —, como a parte com o todo. A presença do Espírito é a garantia de que, no dia da redenção, os crentes têm assegurada a entrada no reino do Senhor porque são possessão de Deus (v. 14), e toda mão estranha que ainda pode estar sobre a vida do crente será tirada (prisão, perseguição, opressão).
Em meio às tribulações e dúvidas que se podem ter neste lado do céu (porque “... em esperança somos salvos...”, Romanos 8.24), o Espírito é a garantia de que não se perderão os que creem no Senhor Jesus: Romanos 8.15,16.
O dom presente do Espírito é só uma pequena fração do dom futuro. Romanos 8.23 também expressa ideia semelhante: “... nós... que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo”. Temos uma parte, e gememos; um dia teremos o todo, e não gemeremos mais: Apocalipse 21.4: “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas”.
Conclusão
Essa graça, manifestada pela bendita Trindade, é cheia de glória, isto é, mostra o caráter de Deus, a grandeza de Seu poder exposto através de um amor infinito e incondicional. Quão terrível seria um deus com todo o poder e sem amor; quão insuportável seria a vida.
Tudo que Deus faz tem infinito valor, valor eterno. A salvação é para sempre, assim como a perdição: Mateus 25.46.
Também fica claro a beleza da Trindade, representada pela beleza de Cristo, o Deus-Homem, nosso representante na cruz e no céu. Na cruz não parecia haver beleza nenhuma: Isaías 52.14. Ele foi esmagado, “agradou (ao Pai) moê-lO” (Isaías 53.10). Um Cordeiro morto, furado, sangrando. Nenhuma beleza.
Mas este Cordeiro também é um Leão vencedor (Apocalipse 5.5) que voltará, não mais na feiura do pecado que não era dEle, era nosso, mas cheio de glória: Mateus 24.30; 25.31; Lucas 9.26: “... o Filho do Homem (virá) na sua glória e na do Pai...”
Apocalipse 19.11-16: “¹¹ E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. ¹² E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito que ninguém sabia, senão ele mesmo. ¹³ E estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. ¹⁴ E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro. ¹⁵ E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. ¹⁶ E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores”.
I Coríntios 10.31: “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a gloria de Deus”.
Não importa o quão profunda sejam as trevas que assolem um pecador: o amor de Deus, a redenção do Senhor Jesus e o testemunho do Espírito Santo são mais poderosos que qualquer nível de perdição.
John Newton, um homem que tratava outros homens como sub-homens, porque era mercador de escravos, foi alcançado pela graça infinita de Deus, tornou-se pastor e foi importante na vida de muitas pessoas, através da pregação da Palavra e do aconselhamento bíblico. Deus elege e salva quem Ele quer. John Newton escreveu um dos hinos mais famosos e lindos da História: Amazing grace (graça maravilhosa). A primeira estrofe diz:
Graça maravilhosa (quão doce é este som)
Que salvou um miserável como eu
Eu, uma vez, estive perdido, mas agora fui achado
Era cego, mas agora eu vejo
Alguém disse: “Minha memória está quase desparecendo, mas lembro de duas coisas: que sou um grande pecador e que Cristo é um grande Salvador”.
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