Jó 8: O Problema do Mal e a Justiça de Deus
- Pastor Alex Daher

- há 3 horas
- 16 min de leitura
Série em Jó: Sofrimento Soberano
01 de Março de 2026 – IBJM
Nós queremos justiça. Todo mundo quer justiça.
• Um político que é claramente corrupto e culpado é absolvido. Como nós reagimos? Isso não é justo!
• Você fica sabendo que alguém menos competente foi promovido no trabalho só porque é amigo de alguém importante. Como nós reagimos? Isso não é justo!
• O juiz deu pênalti, mas o vídeo depois mostra que o jogador se jogou, ninguém encostou nele. Como nós reagimos? Isso não é justo!
• Você tem certeza de que não fez nada de errado, mas alguém acusa você injustamente. Como você reage? Isso não é justo!
De onde vem esse nosso senso de justiça?
Vem de Deus. Deus nos fez assim. Como um autor cristão disse: “Nós sabemos que as coisas nem sempre são justas, mas nós sentimos profundamente que elas deveriam ser” (Ash, Job, 133).
E aí vem o problema. Um problema chamado de “o problema do mal”. Como Deus pode ser justo e ao mesmo tempo permitir tantas injustiças—tanta maldade—nesse mundo?
Esse é o principal ataque daqueles que não creem que Deus existe.
Esse problema do mal pode ser resumido em 4 frases:
1. Se Deus é poderoso, ele pode evitar o mal.
2. Se Deus é bom, ele quer evitar o mal.
3. Mas o mal existe.
4. Conclusão: Um Deus poderoso e bom não existe, porque se ele existisse, o mal não existiria.
O problema do mal não é um desafio para os filósofos se divertirem. O problema do mal é um problema real que todos nós sentimos na pele. Como Jó.
Se existe uma experiência que todos nós temos em comum, essa experiência é o sofrimento: dor crônica, doença terminal, divórcio, abuso, filhos longe do Senhor, infertilidade, traição, rejeição, perda, dívida, problemas no casamento, problemas na família, problemas no trabalho, problemas na escola (a parte inicial da lista em https://www.thegospelcoalition.org/article/safe-be-sad/).
Não tem para onde fugirmos do problema: se existe um Deus e esse Deus é poderoso e bondoso, então por que ele não usa o poder dele para evitar tantas coisas horríveis?
Nós precisamos lidar com essas duas “existências” juntas: a existência do mal e a existência de Deus. Como pode existir um Universo com um Deus justo e bom e o Mal?
Bildade tem respostas a oferecer a Jó e a nós para esse problema do mal, mas nós vamos precisar ouvir com muito cuidado porque, apesar de popular, a teologia de Bildade é perigosa.
UM RESUMO DA HISTÓRIA
Faz quase 3 meses desde o último sermão em Jó. Antes de entrar na passagem de hoje, vamos nos lembrar do que aconteceu até aqui.
O livro de Jó começa falando da piedade e da prosperidade de Jó. Jó tem muito temor a Deus. Ele é um crente verdadeiro. E Jó tem também muitos bens—ovelhas, camelos, bois; e muitos filhos.
Em uma conversa no céu entre Deus e Satanás, Satanás acusa Jó de só amar a Deus porque Deus encheu a vida dele de conforto. Satanás diz: “Deus, tira o que Jó tem, e ele irá blasfemar contra o Senhor”.
Deus permite e Jó perde tudo—todos os bens e todos os filhos. Jó responde com tristeza e com fé, em uma das reações mais lindas de um cristão em toda a Bíblia. Ele se levanta, rasga o manto, rapa a cabeça, prostra-se em terra, adora o Senhor e diz:
— Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:20-21).
A única coisa que restou na vida de Jó foi a saúde dele. Mas por pouco tempo. No capítulo 2, de novo, Satanás acusa Jó de amar a Deus porque ele ainda está com saúde. Ele diz: “Deus, tire a saúde dele, e agora Jó irá blasfemar contra o Senhor”.
Deus permite e Jó perde a saúde. O texto diz que Satanás “feriu Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça” (Jó 2:7).
Jó continua respondendo com tristeza e com fé. A esposa dele sugere que ele amaldiçoe a Deus e morra.
Mas Jó respondeu: — Você fala como uma doida. Temos recebido de Deus o bem; por que não receberíamos também o mal? Em tudo isto Jó não pecou com os seus lábios (Jó 2:10).
Quando os 3 amigos de Jó ficam sabendo o que aconteceu com ele, eles viajam para se encontrar com Jó. A dor de Jó era tão grande, que eles não conseguiram falar nada por 1 semana. Eles ficaram sentados com Jó chorando por 7 dias e 7 noites, chorando com os que choram.
Esses dois primeiros capítulos de Jó são essenciais para entendermos todo o livro. Eu vou resumir em 4 verdades. Nós precisamos carregar essas verdades debaixo dos nossos braços durante todo o nosso tempo no livro de Jó:
1. Jó é um adorador. Ele é um crente verdadeiro.
2. Satanás é real. Ele é capaz de causar grande mal a nós nesse mundo.
3. Deus é soberano. Ele reina sobre o bem e sobre o mal.
4. Crentes sofrem. É o que está acontecendo com Jó. Ele ama muito a Deus. E ele está sofrendo muito.
Nós chegamos no capítulo 3, e Jó já não está respondendo tão bem. O sofrimento dele é tão grande que ele não quer mais viver. Ele quer descanso da dor.
E partir daí começa uma série de diálogos (ou debates) entre Jó e seus 3 amigos: Elifaz, Bildade e Zofar.
O primeiro a falar foi Elifaz. Para Elifaz, Jó está colhendo o que ele plantou. Para ele estar colhendo tanto mal, é porque Jó plantou mal. Jó deve ter pecado muito. (O que nós sabemos que não é verdade).
A teoria de Elifaz é que Deus está disciplinando Jó e Jó precisa se arrepender para a vida dele melhorar. (O que nós sabemos que não é verdade. Essa não é causa do sofrimento de Jó).
Nos capítulos seguintes—capítulos 6 e 7—Jó fica frustrado. Frustrado com o sofrimento dele, frustrado com os amigos dele e frustrado com o Deus dele. Jó não entende por que ele está sofrendo tanto. Ele acha injusto.
Agora Bildade, o segundo amigo de Jó, vai falar. Ele começa com uma repreensão.
1. REPREENSÃO (vv. 1-2)
Jó 8:1-2—Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse: “Até quando você falará estas coisas? E até quando as palavras da sua boca serão como um vento impetuoso?”
Assim como Elifaz, o primeiro amigo, Bildade também não dá espaço para Jó expressar a dor dele. Bildade não começa com:
• “Eu lamento por tudo o que você está passando, meu amigo”.
• Ou: “Que dor enorme a sua, meu irmão amado”.
• Ou: “Eu vou orar para Deus sustentar você”.
Não. Bildade começa bravo e dando bronca. Ele quase mandou Jó calar a boca: “Até quando você falará estas coisas?”
E chama as palavras de Jó de um “vento impetuoso”: “As palavras de Jó têm força, mas elas são vazias”. Como o vento.
Nós precisamos ser repreendidos em algumas situações. Toda a Escritura é útil para o ensino, REPREENSÃO, correção e educação na justiça (2 Timóteo 3:16).
Mas existe algo que parece que Bildade não sabe que existe: misericórdia, gentileza, humildade, mansidão. Bildade deveria ter, no mínimo, temperado a repreensão com compaixão.
Mas não foi o que ele fez. E ele emenda a repreensão com uma explicação para o mal na vida de Jó e no mundo.
2. EXPLICAÇÃO (vv. 3-7)
A tese central dele está no versículo 3:
8:3—Será que Deus perverteria o direito? [Não, porque Deus é justo.]
Será que o Todo-Poderoso perverteria a justiça? [Não, porque Deus é justo.]
A tese de Bildade para lidar com o mal é: Deus é justo. Ponto. O Deus Todo-Poderoso não perverte a justiça. Ele é sempre justo. Ponto.
Então, se alguém está sofrendo (como Jó), é porque essa pessoa praticou o mal. Deus dá o que cada um merece. Ele é justo.
E se alguém está com a vida boa, é porque essa pessoa é boa. Deus dá o que cada um merece. Ele é justo.
Essa é a explicação de Bildade para o problema do mal: coisas ruins acontecem com as pessoas ruins e coisas boas acontecem com as pessoas boas.
Será? Sempre? Essa teologia é suficiente para entender quem Deus é e como ele governa o mundo?
O que Bildade faz agora é uma das coisas mais cruéis em todo o livro de Jó. Ele aplica essa teologia da retribuição—“pecou, levou”—aos dez filhos de Jó que morreram de repente:
8:4—Se os seus filhos pecaram contra ele [contra Deus], também ele os entregou ao poder da transgressão que cometeram.
Mas nós sabemos que isso não é verdade. Eles morreram porque Satanás matou os filhos de Jó derrubando a casa em cima deles, não porque Deus estava julgando os filhos de Jó porque eles cometeram uma transgressão (um pecado).
A conclusão de Bildade é horrível, mas é consistente. Ele está operando de acordo com a teologia dele. Ele está lendo o mundo a partir do entendimento que ele tem de Deus. Todos nós fazemos isso.
PENSAMENTOS SOBRE DEUS
A.W. Tozer escreveu um livro sobre os atributos de Deus chamado “O Conhecimento do Santo”. Ele começa o livro dizendo:
O que vem à sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre você.
O que vem à sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre você.
Ele tem razão. Nada é mais importante nessa vida do que nosso entendimento de quem Deus é. Nada irá impactar mais meus sentimentos e minhas decisões e maneira como em encaro a vida e lido com a dor e a alegria do que meu entendimento de quem é o Deus que governa esse mundo.
Para Bildade, as pessoas sofrem SEMPRE por causa do pecado. A palavra “sempre” aqui é importante. Para Bildade, é assim que Deus é e essa é a ÚNICA maneira como Deus lida conosco. Se você está sofrendo, é porque Deus está punido você pelo seu pecado.
É uma teologia bem-organizada. Bem-clara. E bem-errada.
Bildade é um grande incentivo para nós estudarmos a Bíblia para termos uma teologia melhor. Vejam como ideias erradas sobre Deus tem consequências devastadoras.
Se as palavra de Jó são um “vento impetuoso”, as palavras de Bildade são como uma flecha e o arco é a língua dele. As palavras que ele mira e lança em Jó penetram a alma de Jó e causam ainda mais dor a ele.
Nós não queremos ser conselheiros assim com nossos irmãos que sofrem.
E nós não precisamos de conselheiros assim quando nós estamos sofrendo.
Agora Bildade pega a tese dele e aplica do outro lado. Se quem peca é punido, quem fizer as coisas certinho será abençoado:
8:5-7—Mas, se você buscar a Deus e pedir misericórdia ao Todo-Poderoso, se você for puro e reto, ele, sem demora, despertará para ajudá-lo e restaurará a justiça da sua morada. O seu primeiro estado parecerá pequeno comparado com a grandeza do seu último estado.
Essa é a Teologia da Prosperidade em forma compacta. Seja bom e Deus vai restaurar. Não tem uma música famosa assim: “Restitui / Eu quero de volta o que é meu”?
Nós precisamos de uma resposta melhor para o problema do mal. Deus é justo. Isso é verdade. Mas simplesmente dizer que Deus é justo e cada um está recebendo nessa vida o que merece—quem faz o mal recebe o mal e quem faz o bem recebe o bem—isso é simplista demais.
• José amava o Senhor, mas foi vendido como escravo e foi preso injustamente.
• Jó ama o Senhor, e o sofrimento dele não é por causa de um pecado dele, como nós sabemos pelos capítulos 1 e 2.
• Jesus amou perfeitamente a Deus, e sofreu como ninguém.
Cristão, não use essa teologia de Bildade para ler o seu sofrimento e o sofrimentos dos outros.
Sim, Deus nos corrige e nos disciplina. Mas nem todo sofrimento é consequência de um pecado seu.
Bildade não tem uma categoria na teologia dele para pessoas que amam a Deus e sofrem porque Deus tem bons propósitos com aquele sofrimento: de santificar você, de aproximar você dele, de equipar você para ajudar outras pessoas que também sofrem, de mostrar a graça dele sustentando você na aflição.
Nós precisamos de uma resposta melhor do que a de Bildade para lidar com o problema do mal.
Mas Bildade tem os pensamentos bem-organizados. Ele vai defender a tese dele usando a tradição. Elifaz (o primeiro amigo) apelou para uma visão que ele teve. Bildade apela para o passado.
3. TRADIÇÃO (vv. 8-10)
Jó 8—[8] Por favor, pergunte agora aos que são de gerações passadas e atente para a experiência dos pais deles... [10] Será que os pais não o ensinarão, falando com você?
“As gerações passadas—nossos pais e avós—acreditavam no que eu estou falando, Jó. Você precisa acreditar também, Jó”.
Bildade está dizendo que a teologia dele é antiga. E por isso, ele é verdadeira.
Mas nossas tradições não são infalíveis. Elas podem ser úteis, mas elas não são infalíveis.
NOSSA RELAÇÃO COM A TRADIÇÃO: DOIS PROBLEMAS
Nós precisamos fugir de dois erros quando estávamos lidando com o passado—com as nossas tradições:
O primeiro erro é IGNORAR o passado.
Subestimar as tradições. Pensar que o mais novo é sempre melhor. Esse é um perigo especialmente no nosso mundo tão tecnológico.
O Iphone 17 é melhor do que o Iphone 16, então tudo o que vem depois é melhor do que aquilo que veio antes. Esse é um pensamento perigoso. No caso do Iphone, pode ser, mas existe muita sabedoria no passado. E existem tolices no presente.
Se vocês, crianças e jovens, forem sábios, vocês vão fazer muitas perguntas para os mais velhos e considerarem o que eles têm a dizer. Existe valor na tradição. Se nós, como igreja, formos humildes o suficiente para aprender com aqueles que vieram antes de nós—com os Reformadores, os Puritanos, os Batistas dos séculos anteriores, nós seremos grandemente abençoados.
Mas se um primeiro erro é subestimar a tradição, um segundo erro é superestimar.
Elevar a tradição a uma posição acima da Palavra de Deus.
Eu fiquei sabendo esses dias de um homem que foi embora revoltado de uma igreja batista porque o pastor estava ensinando que a igreja deveria ser liderada por um grupo de homens em vez de ter um único pastor.
O pastor mostrou na Bíblia que o modelo do Novo Testamento para uma igreja local é que ela seja liderada por um grupo de homens biblicamente qualificados. O homem que foi embora dizendo: “Eu sei que isso é bíblico, mas isso não é batista”.
Esse homem criou na mente dele uma tradição e ele ficou tão preso à ela, que ele não estava aberto a ser moldado pela Palavra de Deus.
O que é irônico é que os batista do passado diriam que é bíblico, sim, ter um grupo de homens liderando a igreja. Se esse homem tivesse voltado ainda mais no passado, ele veria que o pastor, além de bíblico, era batista também.
O argumento de Bildade tem o mesmo problema. Ele apela a tradição como se ela fosse uma prova da teologia ruim dele.
A tradição deve ter seu lugar certo: visível e acessível—onde nós podemos observar, mas sempre debaixo da Bíblia, nossa autoridade máxima.
• Nós cremos que Deus é soberano na salvação, não porque os Reformadores disseram. Mas porque eles disseram o que está na Bíblia.
• Nós batizamos aqueles que professam fé em Cristo, não porque nós somos batistas. Mas porque está na Bíblia.
Tradições são úteis. Infalível, só a Bíblia.
E agora Bildade vai usar a natureza para ilustrar a teologia dele e o que está acontecendo com Jó.
4. ILUSTRAÇÃO: NATUREZA (vv. 11-19)
• A partir do versículo 11, Bildade fala dos ímpios secando como plantas sem água. O papiro e o junco crescem em um ambiente úmido. Mas se você tirá-los desse ambiente, eles secam rápido e morrem. Os ímpios secam de repente também quando eles pecam e Deus tira as bençãos deles.
• No versículo 14, Bildade compara a confiança dos ímpios com uma teia de aranha. Se você se apoiar em uma teia, ela vai arrebentar. Ela é muito frágil. A mesma coisa foi acontecer com aqueles que não confiam em Deus, eles não vão resistir. A esperança deles vai se partir como uma teia.
• E no versículo 16, ele compara os incrédulos com uma de uma planta viçosa, grande, que parece firme (inabalável)—parece que estão bem, mas que quando é arrancada, ela não deixa rastro. É isso que acontece com aqueles que não temem a Deus. Deus irá arrancá-los da terra e não irá sobrar nada.
Essa é a explicação (errada!) de Bildade para o enorme sofrimento de Jó. Ele pecou, Deus fez ele secar como uma planta sem água. Deus fez a esperança dele arrebentar como uma teia de aranha. Deus arrancou as bençãos deles da terra.
Nós sabemos que nada disso é verdade. E Como Bildade é organizado, ele conclui com uma conclusão.
5. CONCLUSÃO (vv. 20-22)
O resumo da teologia dele:
8:20—Eis que Deus não rejeita o íntegro, nem toma os malfeitores pela mão.
Ele aplica a tese dela agora aos dois grupos.
Primeiro: o que Deus faz com o íntegro?
8:21—Ele encherá a sua boca de riso e os seus lábios de alegria.
Segundo grupo: o que Deus faz com os malfeitores?
8:22—Os que o odeiam se cobrirão de vergonha, e a tenda dos ímpios não subsistirá.
Na eternidade, isso é verdade. Alegria para aqueles que creem em Cristo. Vergonha e condenação para aqueles que não creem.
Mas de acordo com Bildade, nesse mundo e nessa vida, Deus NUNCA faz o íntegro sofrer, Deus SEMPRE pune o malfeitor.
Esse sistema teológico do Bildade. O sistema da dupla retribuição: coisas boas acontecem para quem é bom, coisas más acontecem para quem é mal.
Então, se Jó está recebendo o mal, é porque ele não é íntegro.
Sabe o que é irônico? O livro de Jó começa dizendo, logo no versículo 1, que Jó era um homem íntegro e reto, que temia a Deus. Mas Bildade não tem uma categoria para pessoas que amam muito a Deus e sofrem muito.
Mas nós não podemos nos esquecer! Bildade é amigo de Jó. Ele acha que está fazendo o bem para Jó. Ele quer convencer Jó que ele está sofrendo por causa do pecado dele para ele se arrepender, pedir perdão a Deus, a vida dele voltar a ser um mar de rosas.
“Jó, tem uma esperança: se arrependa, abandone o seu pecado e Deus vai ‘restituir o que é seu’”.
Esse é o conselho de Bildade. Vejam como uma visão errada sobre Deus e como ele governa o mundo têm consequências sérias e eternas.
O que vem à nossa mente quando nós pensamos sobre Deus é realmente a coisa mais importante sobre nós.
Nós precisamos de uma teologia mais robusta para lidar com o mal e o nosso sofrimento na nossa vida e no mundo.
A teologia de Bildade pode ser bem quadradinha. Simples. Bem-organizada. Mas ela é bem-errada também. Ela não é verdadeira.
POPULAR E PERIGOSA
Mas ela é bem popular.
Ela é popular no Brasil, na África e ao redor do mundo. Ela é como um vírus comum no ar: se nossa imunidade espiritual não estiver boa, nós podemos facilmente ser infectados por essa teologia. Nós precisamos ficar atentos aos nossos pensamentos.
Por exemplo, se alguma coisa não dá certo na minha vida: o meu carro quebra, eu recebo menos dinheiro naquele mês do que eu imaginei, os problemas de relacionamento que eu tenho não se resolvem, se a minha vida está difícil, pensamentos do tipo podem começar a me infectar:
“Deus não está sendo justo. Deus não está me amando como ele deveria. Eu faço as coisas para Deus, e olha o que ele está me dando em troca”.
Esses pensamentos vem da teologia de Bildade. A teologia da barganha: ande na linha, e Deus dá prosperidade. Pise na bola, e na hora ele derruba você.
ATÉ OS DISCÍPULOS
O vírus dessa teologia está tão espalhado no ar, que até os discípulos do Senhor Jesus acabaram sendo infectados no ar de Jerusalém.
Jesus e os discípulos estavam caminhando e viram um homem cego. Eles param Jesus e perguntam:
[2] (...) — Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou os pais dele?
Eles veem um homem cego de nascença—alguém que sofre. E na mente deles, só existe uma opção: alguém pecou—ou ele ou os pais, mas alguém pecou.
Não é esse o sistema de Bildade? Coisas ruins acontecem só com pessoas ruins.
Mas a teologia de Jesus é muito melhor. Ela é centrada na glória do Pai dele.
[3] Jesus respondeu: — Nem ele pecou, nem os pais dele; mas isso aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus (João 9:1-3).
Deus usa o sofrimento para manifestar as obras dele. Deus é tão poderoso e tão bondoso e tão infinitamente sábio, que ele é capaz de usar o mal para o bem.
Nós precisamos guardar nossos pensamentos para não pensar como Bildade e os pregadores da prosperidade, e pensarmos como Jesus.
Como pecadores e sofredores, nós precisamos de uma mensagem melhor do que a mensagem de Bildade: “Deus é justo. Os bons recebem o bem e os maus recebem o mal. Ponto”.
Essa mensagem não traz nenhuma esperança para quem peca e nenhum conforto para quem sofre. Mas graças a Deus, a Bíblia tem uma outra mensagem. Uma mensagem muito melhor!
Deus certamente é justo. Nisso, Bildade está certo. Mas Bildade diminui Deus. Ele é também o Deus:
(...) Compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a maldade, a transgressão e o pecado (Êxodo 34:5-7).
Bildade não conhece esse Deus.
Na teologia de Bildade não existe espaço para graça. Tudo é baseado no que você faz. E se não tem espaço para graça, então não pode existir uma pessoa que queira (por pura graça) ser punida no lugar de outra pessoa.
Não é isso que Bildade está dizendo? Que inocentes não sofrem?
Essa teologia não tem lugar para um Salvador inocente que sofre (por nós!) mesmo sem nunca ter pecado. Jesus não cabe na teologia de Bildade.
E uma teologia que não tem lugar para Jesus não serve para nada, a não ser jogar fora. Nós precisamos de uma teologia que tenha lugar para uma cruz—para um homem perfeitamente íntegro que sofre como um sacrifício inocente no nosso lugar.
Uma teologia sem cruz não pode salvar. Uma teologia sem Jesus, nós não queremos.
Mas graças a Deus que Deus é muito maior do que Bildade e qualquer um pode imaginar. Ele criou um plano, desde a eternidade, para continuar sendo justo e ser o justificador (perdoador) de pecadores como nós. Só a infinita sabedoria de Deus para fazer isso!
E o plano é esse: ele mesmo—o Deus inocente—se faz homem como você, vive uma vida justa no seu lugar e depois vai para um cruz sofrer pelos seus pecados.
Assim, Deus pune o seu pecado em Jesus—e ele continua sendo justo, e Deus perdoa você e continua sendo gracioso.
Existem mistérios na maneira como Deus governa o mundo. Nenhum de nós entende tudo o que Deus está fazendo. Mas quando o mal bater à nossa porta, nós precisamos de uma teologia que tenha uma cruz—onde um Deus poderoso e bondoso e inocente sofre o mal para nos salvar.
Essa é a mensagem que cada um de nós precisa. Confie e continue confiando que Jesus, o Inocente, foi julgado e morto no seu ligar, e Deus declara você perdoado e justo como Jesus. Inocente.
Vocês percebem como a cruz de Cristo é a resposta final de Deus para o problema do mal. Deus derrotou o mal na cruz no corpo de Cristo. Deus usou o mal—Satanás, Judas, judeus, romanos—para derrotar o próprio mal. Esse é o Deus poderoso e bondoso que governa esse mundo e a nossa vida.
Pendurado no madeiro, com um só golpe, Jesus paga o mal do nosso pecado e derrota Satanás, o Maligno.
E ele continua, de forma misteriosa e maravilhosa, usando o mal para propósitos bons.
A existência do mal não prova que Deus não existe. A existência do mal é o palco que Deus usa para mostrar ainda mais que ele existe. O Deus absolutamente santo usa o mal e o pecado para mostrar as obras dele—quem ele é, especialmente através do maior mal que já foi feito nesse mundo: a crucificação do Filho de Deus.
E se Deus usou um sofrimento tão grande como o do Senhor Jesus para trazer um bem tão grande quanto a nossa eterna salvação, então ele pode (e vai!) usar o seu sofrimento para trazer o bem.
Essa é a mensagem nos dá conforto e esperança.
Nós queremos justiça. Mas nós queremos graça também. Nós precisamos de graça. E na cruz do nosso Salvador inocente, a justiça e a graça de Deus se encontram. Para a nossa alegria e para a glória dele.
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