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Gálatas 4:21-31: Uma Alegoria: Sara e Agar

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • 9 de jun. de 2025
  • 19 min de leitura

Série em Gálatas: A Mensagem da Cruz 08 de Junho de 2025 – IBJM

Eu gostaria de começar essa mensagem tentando descrever o CÉU. O livro de Apocalipse fala do céu como um lugar de beleza incomparável. O céu é um lugar feito pelas mãos de Deus.

 

O céu é como uma cidade em que toda ela brilha como um diamante. Ele é cercado de muralhas cheias de pedras preciosas. Os portões são feitos de pérolas. A praça é toda de ouro puro. E no meio dessa praça, está a árvore da vida. Do trono de Deus sai um rio—o rio da água da vida—que brilha como cristal.

 

Além da beleza do lugar, no céu existe a beleza daqueles que habitam no céu. Primeiro, os anjos. Querubins perto do trono, serafins de 6 asas e todo o tipo de criaturas angelicais cheias de glória.

 

Além dos anjos, o céu é o lugar dos santos. É o lugar onde todos aqueles que já morreram e creram em Jesus estão. E eles estão completamente tomados de amor. A ar do céu é o ar do amor. É a única coisa que eles respiram. Se nós já experimentamos tanta alegria em relacionamentos nesse mundo, imagine o céu—um lugar sem pecado.

 

Aqui você sofre por tantos motivos. Mas naquela lugar bendito, o pecado e as consequências do pecado ficam do lado de fora. O céu é o reino do amor, o reino da alegria e o reino da paz. Nunca nada de ruim ou triste ou mal entra naquela cidade celestial.

 

Mais importante do que tudo e todos, o céu é o lugar onde Deus está. O céu é o lugar onde Cristo está, agora, sentado no trono e reinando com o Pai. Essa é a razão por que o céu é um lugar de beleza incomparável.

 

Toda a beleza do céu—a beleza do lugar, a beleza dos anjos e a beleza dos cristãos glorificados—toda essa beleza tem uma só fonte: Cristo refletindo a glória de Deus em todas as direções do céu.

 

Você não gostaria de viver em um lugar assim? Esse é o destino de todos vocês que confiam no Senhor Jesus como aquele que morreu naquela cruz por você.

 

O segundo lugar que eu devo descrever é o INFERNO. Se nós somos incapazes de imaginar as glórias do céu, nós somos incapazes também de conseguir imaginar os horrores do inferno.

 

O inferno é um lugar tão real quanto o céu. A Bíblia fala do inferno como um lugar de constante tormento e dor. Como um lago de fogo. Um lugar de escuridão. Uma prisão. Um lugar de choro e ranger de dentes. Se o melhor no céu é a presença doce do amor de Deus, o pior no inferno é a presença de Deus em toda a sua fúria santa. O lugar onde Satanás, os demônios e aqueles que não creem em Cristo passaram a eternidade em um sofrimento que nunca vai acabar.

 

Nossa vida é complexa. Tantas decisões que você precisa tomar. Tantas alternativas e tantas escolhas: o lugar onde você mora, a pessoa com quem você casa, a igreja que você se envolve, trabalho e milhões de outras decisões.

 

Mas aqui vai uma simplificação: em termos do destino eterno de cada um de nós, existem somente duas opções. Ou você vai passar a eternidade no céu ou você irá passar a eternidade no inferno.

 

Diante da complexidade que é a nossa vida, é bom lembrarmos das simplificações realistas que Deus nos dá na Bíblia: nossa trajetória nesse mundo vai terminar em um desses dois lugares.

 

Não só existem apenas dois destinos, mas existem também apenas 2 caminhos: o caminho da fé e o caminho das obras. O caminho da fé em Cristo, que nos leva ao destino do céu, e o caminho das obras, que nos leva ao destino do inferno.

 

Nesse trecho de Gálatas, Paulo usa duas mulheres—Sara e Agar—para nos mostrar que só existem dois caminhos de vida que levam a dois destinos opostos. Paulo usa essas duas mulheres para mostrar:

 

• O contraste entre viver segundo o meu esforço e confiar nas promessa de Deus.

• O contraste entre a escravidão e a liberdade.

• O contraste entre a carne e o Espírito.

• O contraste entre a lei e a graça.

 

E por trás de todos os contraste, está o contraste entre o céu e o inferno. O contraste entre uma vida com Deus e uma vida sem Deus—para sempre.

 

O que nós diríamos de alguém que vai passar 3 dias em um hotel e usa todo o tempo dele comprando armários novos para o quarto, colocando quadros na parede e pintando o quarto de outra cor?

 

Você diria que não faz sentido. Você vai ficar pouco tempo nesse lugar e está gastando tanto tempo e dinheiro e energia.

 

Esse mundo é um quarto de hotel. É temporário. 3 dias. Passa muito rápido. Não faz sentido gastarmos um enorme tempo, dinheiro e energia em coisas que irão passar. Nós devemos nos preparar e ajudar os outros hóspedes desse mundo a tomarem o caminho certo para chegar no lugar certo—para se encontrarem com a Pessoa certa: o nosso Deus.

 

Vamos olhar para essa passagem em Gálatas como se o apóstolo Paulo estivesse pregando um sermão. (E ele está!) Vamos dividir o sermão do apóstolo Paulo em 3 partes: Paulo lê o texto, explica e aplica. É basicamente o que ele está fazendo aqui.

 

(1)   Primeiro, ele narra a história de Abraão, Sara e Agar.

(2)   Depois ele interpreta (como o que ele chama de uma alegoria).

(3)  E depois ele apela para os Gálatas: “Voltem! Voltem para o caminho da fé, o caminho da graça, o caminho do céu”.

 

1.     LEITURA DA BÍBLIA: GÊNESIS 16 a 21 (VV. 21-23)

 

A porta de entrada de Paulo é uma pergunta. Ele entra perguntando:

 

[21] Digam-me vocês, os que querem estar sob a lei: será que vocês não ouvem o que a lei diz?

 

Veja o movimento que o apóstolo Paulo faz: a primeira vez que ele usa a palavra lei,

 

[21] Digam-me vocês, os que querem estar sob a lei...

 

ele está usando no sentido dos mandamentos da Lei: as exigências da Antiga Aliança de serem circuncidados, não comer porco e guardar o sábado, etc.

 

Mas na segunda vez que ele usa a palavra lei,

 

[21] (...) será que vocês não ouvem o que a lei diz?

 

ele usa em um sentido mais amplo, no sentido dos 5 primeiros livros da Bíblia que também eram chamados de a Lei de Moisés—os livros que Moisés escreveu. E Paulo, então, cita a história de Abraão que está em Gênesis, antes das leis de Moisés que vieram no livro de Êxodo, o livro seguinte.

 

[22] Pois está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outro da mulher livre. [23] O filho da escrava nasceu segundo a carne; o filho da mulher livre nasceu mediante a promessa.

 

A história de Abraão e seus dois filhos de duas mulheres começa no capítulo 16 de Gênesis e vai até o capítulo 21—o capítulo que ouvimos na leitura bíblica antes no culto.

 

Paulo resumiu a história de 6 capítulos em 2 versículos. Paulo está presumindo que nós conhecemos bem essa história. Eu vou expandir um pouco o resumo de Paulo e tentar resumir a história com um pouco mais de palavras porque isso irá nos ajudar a entender a interpretação dele nos próximos versículos.

 

A história de Abraão começa com esse grande Deus fazendo uma grande promessa para esse pequeno homem. Deus chama Abraão e diz:

 

— Saia da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai e vá para a terra que lhe mostrarei. Farei de você uma grande nação, e o abençoarei, e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção! (Gênesis 12:1-2).

 

Abraão tinha 75 anos quando ele ouviu essa promessa: “Deus irá fazer de mim uma grande nação”. Na época, Sara, a esposa dele, tinha 65 anos. Parecia uma promessa muito difícil de ser cumprida, mas eles confiaram no Senhor.

 

Mas passou um ano, e Sara não engravidou. E o segundo ano, e Sara não engravidou. E 3 anos depois, e nada. Até que se passaram 10 anos. E confiar no Senhor ficou mais difícil. Nós sabemos o que é isso.

 

Vários de nós estão, neste momento, esperando. Esperando um problema de saúde ser resolvido. Ou de relacionamento ser resolvido. Esperando um desejo bom ser satisfeito pelo Senhor—seja de se casar ou ter filhos ou ter um emprego melhor.

 

Esperar no Senhor não é fácil. É o certo. Mas não é o fácil.

 

A espera tem, às vezes, força suficiente para empurrar nosso coração e nos tirar dos caminhos do Senhor. De nos fazer desviar do caminho que Deus colocou diante de nós—o caminho da fé, o caminho que leva ao céu—e nos levar para o caminho das obras, o caminho da força do nosso braço. Nós cansamos de orar e esperar e nós tentamos resolver por nós mesmos.

 

Voltando para a história de Abraão e Sara, foi exatamente o que aconteceu com Abraão e Sara. Eles criaram um caminho diferente do caminho de Deus, eles forçaram um atalho para (entre aspas) “cumprirem” a promessa de Deus de dar um filho a eles de maneira pecaminosa.

 

Abraão e Sara, na época se chamavam Abrão e Sarai, tinham uma serva—uma escrava egípcia—chamada Agar. Então Sara teve um plano. Um plano da carne. Ela disse para Abrão:

 

— Eis que o Senhor me impediu de dar à luz filhos. Tome, pois, a minha serva; talvez assim eu possa ter filhos por meio dela. E Abrão concordou com o plano de Sarai (Gênesis 16:2).

 

Abraão dormiu com Agar e ela teve um filho. Um filho chamado Ismael.

 

O tempo continuou passando, e Sara continuou tendo que esperar. Até que, 14 anos depois, quando Abraão tinha 99 anos (e Sara estava com 90 anos), Deus apareceu para Abraão. 25 anos depois da promessa de dar um descendente para eles:

 

Deus disse a Abraão: — A Sarai, sua mulher, você não chamará mais de Sarai, porém de Sara. Eu a abençoarei e darei a você um filho que nascerá dela.

 

Então Abraão se prostrou com o rosto em terra, e riu, dizendo consigo mesmo: “Pode nascer um filho a um homem de cem anos? E será que Sara, com os seus noventa anos, ainda poderá dar à luz?”

 

Depois repetiu a promessa.

Logo depois, Sara riu e disse para ela mesma:

 

— Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?

 

Então o Senhor perguntou a Abraão: — Por que Sara riu, dizendo: “Será verdade que darei ainda à luz, sendo velha?” Por acaso, existe algo demasiadamente difícil para o Senhor? [E Deus repete a promessa] Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a você, e Sara terá um filho (Gênesis 18:10-14).

 

E Deus cumpriu. Nada é difícil demais para ele. Sara ficou grávida aos 90 anos e Abraão tinha 100 anos. Imaginem se fosse hoje. Dona Sara, cabelinho grisalho, pele enrugada, 90 anos, chegando no culto grávida. E o marido, Sr. Abraão, 100 anos, entrando de mão dada com ela.

 

No tempo determinado, Deus realmente cumpriu. Assim como Jesus chegou também na plenitude do tempo (Gálatas 4:4). Povo de Deus, esse é um bom lembrete para nós na espera. Nosso Deus controla o tempo. Ele nunca está atrasado. Ele nunca perde a hora. Ele sabe o que ele está fazendo, mesmo quando nós não entendemos.

 

Voltando para Abraão, Sara e Agar. Em uma história dessa em um mundo desses, não é de se estranhar que houve um conflito entre Sara e Agar e um conflito entre Ismael (filho de Agar) e Isaque (filho da Sara).

 

Sara viu o filho de Agar zombando de Isaque e disse para Abraão expulsar Agar e o filho da casa deles. Abraão ficou incomodado.

 

Mas Deus disse a Abraão: — Não fique incomodado por causa do menino e por causa da escrava. Faça tudo o que Sara disser, porque por meio de Isaque será chamada a sua descendência (cf. Gênesis 21:1-3,5,7-12).

 

Esse é um resumo da história que Paulo resumiu mais resumido ainda em dois versículos.

 

O filho de Abraão com Agar (Ismael) foi fruto da obra do homem—da carne.

O filho de Abraão com Sara (Isaque) foi fruto da obra de Deus—da promessa dele.

 

Até agora é como se Paulo tivesse lido o texto de Gênesis. Na continuação da passagem, do versículo 24 até o versículo 27, Paulo interpreta a história de Abraão, Sara e Agar como uma alegoria das alianças: Sara representa a Aliança com Abraão (que é cumprida em Jesus) e Agar representa a aliança com Moisés no Monte Sinai.

 

2.     INTERPRETAÇÃO: UMA ALEGORIA DAS ALIANÇAS (VV. 24-27)

 

[24] Estas coisas são alegóricas, porque essas mulheres [Agar e Sara] são duas alianças. Uma se refere ao monte Sinai, que gera para a escravidão; esta é Agar. [25] Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com os seus filhos. [26] Mas a Jerusalém lá de cima [quem Sara representa] é livre e ela é a nossa mãe. [27] Porque está escrito: “Alegre-se, ó estéril, você que não dá à luz; exulte e grite, você que não sente dores de parto; porque os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os filhos da que tem marido.”

 

Antes de entrar na interpretação alegórica de Paulo, vamos nos lembrar qual é o objetivo de Paulo com essa passagem. Por que Paulo está usando Abraão, Sara e Agar para falar de alianças e escravidão e liberdade?

 

OBJETIVO FINAL

 

Porque existe um grupo de homens de Jerusalém—os judaizantes—que estão dizendo que para você ser justificado você precisa guardar a Lei de Moisés. Para você fazer parte do povo de Deus (um filho de Abraão), você precisa praticar obras da lei. Salvação por esforço humano.

 

Por toda a carta aos Gálatas, Paulo está dizendo que “não”. A mensagem do evangelho não é a justificação pela guarda da lei, mas justificação pela fé em Cristo.

 

Gálatas 3:7—Saibam, portanto, que os que têm fé é que são filhos de Abraão.

 

O objetivo de Paulo, então, é mostrar que voltar para a lei da aliança com Moisés para tentar ser justificado leva à escravidão—como Agar era uma escrava. E crer na aliança da graça que Deus fez com Abraão e cumpriu em Cristo leva à liberdade, como Sara era uma mulher livre. Esse é o objetivo final de Paulo.

 

O que parece estranho é o caminho que Paulo usou para chegar a essa conclusão. Quando você lê a história de Sara e Agar em Gênesis, não parece que essas mulheres representam a aliança com Moisés e a aliança com Abraão.

 

Paulo interpreta essa duas mulheres de forma, ele diz, “alegórica”.

 

INTERPRETANDO ALEGORICAMENTE

 

[24] Estas coisas são alegóricas, porque essas mulheres [Agar e Sara] são [representam] duas alianças.

 

Hoje, nós usamos a palavra alegoria para falar de um tipo de interpretação que pega um texto e sem nenhum compromisso com o significado real do texto faz conexões criativas para ilustrar aquilo que ele quer.

 

Eu vou dar uma exemplo de alegoria: eu estava em um casamento vários anos atrás, e o homem que estava celebrando o casamento leu a passagem do casamento em Caná da Galileia em que Jesus transformou água em vinho. E ele disse: “Vejam que tinham 6 talhas (6 potes de pedra) em que Jesus transformou água em vinho. Vocês também deve ter no casamento de vocês 6 talhas”: A talha do amor—e ele falou sobre o amor, a talha do perdão—e ele falou sobre o perdão, a talha da sabedoria, a talha do romance...

 

Mas as 6 talhas na passagem do casamento em Caná da Galileia não apontam para 6 coisas que você deve ter no seu casamento. Essa não é uma interpretação natural do texto. No bom Português, ele forçou a barra para falar o que ele queria falar.

 

Isso é alegoria. Dar um significado diferente (criativo) para o texto sem conexão com a intenção do autor do texto. Mas não é isso que Paulo está fazendo. Paulo não usa o Antigo Testamento de forma absurda ou arbitrária. Paulo não distorce o texto e inventa interpretações.

 

Paulo está fazendo conexões legítimas e, a partir daí, ele usa a história de Sara e Agar para ilustrar a liberdade que o evangelho de Jesus traz.

 

O início do versículo 24:

 

[24] Estas coisas são alegóricas

 

Poderia ser traduzido como “essas coisas pode ser interpretadas figuradamente”, mais próximo do que hoje nós chamaríamos de tipologia: eventos ou pessoas ou alguma realidade do Antigo Testamento que aponta para Jesus e a Nova Aliança.

 

A INTERPRETAÇÃO

 

Vamos entrar na interpretação: Primeiro, ele fala de Agar representando a aliança que Deus fez com Israel no Monte Sinai—a aliança da lei de Moisés.

 

[24] Estas coisas são alegóricas, porque essas mulheres são [representam] duas alianças. Uma se refere ao monte Sinai, que gera para a escravidão; esta é Agar. [25] Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com os seus filhos.

 

A Jerusalém atual são os judeus que ainda querem se justificar diante de Deus através da lei. Isso é escravidão. Eles são filhos de Agar—eles são escravos junto com a mãe deles. Filho de uma mulher escrava é escravo também.

 

[26] Mas a Jerusalém lá de cima [quem Sara representa] é livre e ela é a nossa mãe.

 

A Jerusalém atual (a Jerusalém da Terra)—que é de onde os judeus legalistas são; eles são escravos. A mãe deles é Agar. Mas nós (Paulo está dizendo) somos parte da Jerusalém lá de cima—a Jerusalém celestial que é livre, que é salva. A nossa mãe não é Agar (a mulher escrava). Nossa mãe é a Sara (a mulher livre).

 

• Agar representa a escravidão da lei de Moisés.

• Sara representa a liberdade da salvação pela fé em Cristo.

Duas mães. Dois caminhos. Dois destinos.

 

A PROVA DA TIPOLOGIA

 

A prova que Paulo não está fazendo uma alegoria não-bíblica vem agora. Ele cita uma passagem em Isaías para sustentar a interpretação dele. Nós somos livres como nossa mãe Sara. Por quê? Ele cita Isaías 54:1:

 

[27] Porque está escrito: “Alegre-se, ó estéril, você que não dá à luz; exulte e grite, você que não sente dores de parto; porque os filhos da mulher abandonada são mais numerosos do que os filhos da que tem marido.”

 

Essa passagem de Isaías está no contexto da promessa de Deus de libertar Israel do exílio (que representa morte) e de fazer de Israel (o povo de Deus) um povo numeroso (o que representa a vida).

 

Israel, no exílio da Babilônia, está sendo comparada uma mulher abandonada pelo Senhor. Sem capacidade de produzir vida—estéril. A lei não trouxe vida para eles—pelo contrário, por causa da desobediência deles, e lei trouxe abandono, exílio e morte.

 

Agora, veja isso! Sabe qual é o único lugar no Antigo Testamento fora de Gênesis onde Sara é citada pelo nome? É no contexto dessa passagem de Isaías. Paulo sabe o que ele está fazendo!

 

Um pouco antes de Isaías 54, em Isaías 51, ouçam o que Deus promete para Israel e reparem quem é a mãe do povo de Deus:

 

Isaías 51:1-3—“Escutem, vocês que procuram a justiça, vocês que buscam o Senhor: olhem para a rocha da qual vocês foram cortados e para a pedreira de onde foram tirados. Olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, que os deu à luz. Porque Abraão era um só, quando eu o chamei, o abençoei e o multipliquei. Porque o Senhor terá piedade de Sião; terá piedade de todos os seus lugares desolados. Fará o seu deserto como o Éden, e os seus lugares áridos, como o jardim do Senhor. Ali haverá júbilo e alegria, ações de graças e som de música.”

 

Nessas passagens de Isaías, Deus está usando vários tipos de imagem para prometer trazer Israel da morte para a vida—um tipo de ressurreição:

 

• Da morte do exílio para a vida na Terra Prometida.

• Da morte do deserto para a vida no jardim do Éden.

• Da morte de uma mulher abandonada para a vida em um casamento com Deus.

• Da morte do ventre de Sara para uma vida gerada milagrosamente em uma mulher 90 anos.

 

Em uma palavra: Deus está prometendo ressuscitar o povo dele—trazer vida. Não através da nossa carne, mas através da promessa da graça de Deus—do milagre do poder da graça de Deus.

 

Quando nós lemos essa citação de Paulo de Isaías 54 no contexto, faz mais sentido o que Paulo está fazendo em Gálatas. Paulo está lendo a história de Sara e Agar em Gênesis e juntando com a promessa de libertação do exílio (de uma ressurreição!) em Isaías.

 

Isso não é uma alegoria absurda. Isso é uma alegoria biblicamente embasada. É verdade que, em Gênesis, Agar não representa diretamente a aliança com Moisés. Mas ela representa indiretamente. A conexão da lei com Agar é a escravidão. Nem a lei nem Agar libertam e salvam. A promessa da salvação foi para o filho que nasceria de Sara.

 

O MEIO: O SUBSTITUTO

 

Falta mais uma peça em Isaías para a conexão com Gálatas se encaixar ainda melhor. Nós conectamos a obra da graça de Deus trazendo vida ao ventre de Sara com a obra da graça de Deus trazendo vida ao povo que estava em um tipo de morte no exílio—longe de Deus.

 

A pergunta que nós não respondemos é como. Como Deus prometeu fazer essa ressurreição da morte para a vida—essa restauração do exílio para habitar com Deus de Isaías 51 e Isaías 54? Essa promessa de gerar muitos filhos para ele mesmo e fazer do povo de Deus um grande povo, uma grande nação, como ele tinha prometido para Abraão e Sara.

 

A resposta está, de novo, no contexto da passagem entre Isaías 51 e Isaías 54. Existe um capítulo entre Isaías 51 e Isaías 54 onde Deus responde como irá acontecer essa grande salvação, essa libertação, essa ressurreição do povo de Deus.

 

Vamos ler os versículos imediatamente antes de Isaías 54:1, o versículo que Paulo citou em Gálatas.

 

Isaías 53:10-12—Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito. O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei a sua parte com os grandes, e com os poderosos ele repartirá o despojo, pois derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores. Contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

 

Isaías está profetizando sobre um homem—que Deus chama de “meu Servo, o Justo”. Esse homem irá morrer (ser esmagado) e depois irá ressuscitar. Ele irá justificar muitos e a ele prolongará seus dias.

 

Esse Servo foi traspassado pelas transgressões do povo de Deus, contato com os transgressores na morte e levou os pecados de muitos sobre ele mesmo. Existe uma pessoa (e só uma!) que se encaixa nessa profecia. É a mesma pessoa que trouxe vida e libertou os Gálatas e trouxe vida e nos libertou: O Senhor Jesus Cristo.

 

O fim do exílio—a volta do povo de Deus para a presença de Deus—se cumpre no evangelho da graça do Senhor Jesus Cristo, e não pelo esforço humano. Não foi o filho que Agar teve, de forma natural, que cumpriu a promessa de Deus. Foi o filho que Sara teve, de forma sobrenatural, que cumpriu a promessa.

 

A promessa da mulher abandonada de ter muitos filhos se cumpriu (e está se cumprindo!) através da conversão dos gentios na Galácia e através de nós, gentios no Brasil. A lei causou a morte. Mas o evangelho está causando vida (cf. Schreiner, p. 304). É o evangelho de Jesus que nos ressuscita e nos liberta, não a obediência a lei.

 

DUAS MÃES

 

Partindo da imagem que Paulo está usando, ou você é um(a) filho(a) de Sara ou você é um(a) filho(a) de Agar. Ou você está andando no caminho da fé ou no caminho das obras. Ou você está indo em destino ao céu ou em destino ao inferno.

 

Se você estava no caminho errado—pensando que são as coisas que você faz que vão levar você para o céu, você precisa parar agora. E mudar para o caminho da fé—confiar só no Servo de Deus, Jesus. Crer que ele teve que morrer para libertar você do seu pecado.

 

E se você está andando pela fé e confia em Cristo, não saia do caminho da graça, o caminho da fé que leva a glória do céu onde Cristo está.

 

Depois de ler a Bíblia e interpretar a Bíblia, agora vem aplicação. Paulo faz um apelo:

 

3.     APELO: “VOLTEM!” (VV. 28-31)

 

[28] Mas vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque.

 

Paulo dizendo que nós, gentios, não-judeus—nós somos filhos da promessa como Isaque. Aqueles que querem se justificar diante de Deus através das suas obras—pensando que Deus irá perdoá-los porque eles estão sendo bonzinhos—esses são filhos de Agar, eles não são os herdeiros verdadeiros.

 

Eles estão fazendo coisas na carne—como o nascimento de Ismael. Aquilo não foi a graça de Deus, foi pela carne. Obra humana. Esforço humano. Mas não é assim que nós nos relacionamos com Deus.

 

Vocês não nasceram da carne. Vocês nasceram pelo Espírito de Deus. Quando vocês estavam mortos, Deus ressuscitou vocês—da morte para a vida—através da fé em Cristo. Vocês são um milagre. Como Isaque.

 

O PADRÃO DA PERSEGUIÇÃO

 

Mas o padrão que nós vemos na relação entre Ismael e Isaque—o filho da mulher escrava perseguindo o filho da mulher livre—continua:

 

[29] Como, porém, no passado, aquele que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece agora.

 

E acontece agora também. Os cristãos são perseguidos até hoje. Mas não desistam. Aguente o deboche na escola, na faculdade, no trabalho e na família. Não abandonem Jesus. Não abram mão da graça. Só tem um caminho que leva a herança do céu.

 

[30] Mas o que diz a Escritura? Ela diz: [Ele cita Gênesis 21:10] “Mande embora a escrava e seu filho, porque de modo nenhum o filho da escrava será herdeiro com o filho da mulher livre.”

 

De modo nenhum chegaremos a Deus através do nosso esforço, nossa carne, nossos planos, nossos esquemas. O modo certo e seguro é pela graça, pela fé, por Cristo.

 

O peso do nosso pecado é pesado demais para nós conseguirmos jogar fora. Mas Cristo, como seu braço estendido na cruz, consegue.

 

[31] Portanto, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre.

 

Nós somos filhos espirituais de Abraão e Sara, a mulher livre. A mulher que ouviu a promessa de Deus. A mulher que experimentou o milagre da ressurreição.

 

Agora que nós já somos libertados do pecado, que loucura—que suicídio espiritual—seria nós abandonarmos nosso Senhor para sermos escravos novamente.

 

Não troque Jesus pelo mundo. Não troque Jesus pelo pecado. Não troque a liberdade que Jesus comprou com o sangue dele pela escravidão em que você estava. Não é à toa que Paulo está perplexo com os Gálatas.

 

CONCLUSÃO

 

Esse contraste que Paulo faz entre a escravidão da lei e a liberdade do evangelho me lembrou de uma história que, até onde eu sei, é real, e que ouvi uns anos atrás sobre a uma mulher escrava na época sombria em que africanos era escravizados.

 

Um homem rico foi a um mercado de escravos onde estava acontecendo um leilão. As pessoas estavam dando lances. Esse homem rico ouviu um homem falando com o amigo sobre as maldades que faria com uma escrava que ele tinha acabado de dar o lance para comprar.

 

O homem rico foi lá e deu um lance muito maior e comprou a escrava. Ele levou a escrava até a casa dele. Na casa, ele levou a escrava para o escritório. Ela cuspiu no rosto dele. Ele limpou o rosto, assinou um documento e deu para ela e disse: “Você está livre”.

 

Ela cuspiu no rosto dele de novo. Ele limpou e disse: “Você não entende? Você está livre. Pode ir”. A escrava ficou um tempo olhando para o documento até que finalmente ela entendeu. “Você me comprou para me libertar?” “Sim”.

 

Ela caiu no chão no espírito de alegria do versículo 27. “Alegre-se, exulte e grite!” Ela abraço as pernas daquele homem e não parava de chorar. Até que ele disse: “Eu não vou a lugar nenhum. A partir de hoje eu serei a sua serva e de sua família”.

 

Irmãos, nós também estamos livres. Livres para viver para Cristo. Se nós estamos indo para o céu, esse lugar de beleza e glória onde nós vamos estar com Cristo por toda a eternidade, vamos viver para ele nesse mundo também por quantos dias ele nos der.

 

Vamos continuar crendo no Deus que nos ressuscitou da morte para a vida, o Deus que nos libertou da escravidão, o Deus que faz filhos:

 

aos que creem no seu nome [de Cristo], os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (João 1:12-13).


Igreja Batista Jardim Minesota

Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144

Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo

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