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Jó 11: Fogo Amigo

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • há 3 dias
  • 17 min de leitura

Série em Jó: Sofrimento Soberano 15 de Março de 2026 – IBJM


Joseph Caryl foi um pastor puritano durante o século XVII. Ele pregou uma série em Jó que durou 24 anos em um total de 424 sermões.

 

Eu estou contando o caso desse pastor para deixar vocês mais tranquilos. Alguns de vocês podem pensar—“ele vai pregar só o capítulo 11 hoje!?”. Eu não vou levar 24 anos para terminar o livro de Jó.

 

Meu plano é levar, no máximo, 15 anos. Não... Nós vamos andar um pouco mais rápido. Meu plano é pregar 20 sermões. Bem menos que 424. De nada. Eu amo vocês também.

 

O recheio do livro de Jó—entre o pão da introdução e o pão da conclusão—trata de uma série de diálogos entre Jó e seus três amigos. No final aparece um quarto amigo chamado Eliú. E depois de Eliú, antes do livro terminar, Deus finalmente fala com Jó.

 

Mas a maior parte do tempo (do capítulo 3 até o 31), Jó está conversando com seus três amigos: Elifaz, Bildade e (hoje nós vamos ouvir pela primeira vez) Zofar. A temperatura das conversas está aumentando.

 

Eu vou ilustrar a atitude de Zofar com um incidente que aconteceu na Segunda Guerra Mundial.

 

OPERAÇÃO COBRA

Os aliados planejaram uma operação que eles chamaram de Operação Cobra. O objetivo era romper a barreira que os alemães tinha feito para encurralar as tropas aliadas na Normandia.

 

Dia 24 de julho de 1944, 1.500 aviões de bombardeiro dos Estados Unidos chegaram na Normandia para lançar bombas e abrir uma brecha nas defesas dos alemães.

 

Mas por causa da fumaça dos ataques do dia anterior e alguns erros humanos, alguns pilotos lançaram as bombas no lugar errado. Em vez de acertar as tropas alemães, eles acertaram o próprio exército americano que estava no solo. Eles acabaram matando o general, mais de 100 soldados e quase 500 ficaram feridos.

 

Esse tipo de erro militar, quando um país mata (sem a intenção) pessoas do seu próprio país, ficou conhecido como Fogo Amigo. É o que Zofar está fazendo.

 

Zofar está disparando fogo amigo contra Jó. Ele não tem uma intenção má. Mas ele está derrubando Jó. Ele está matando Jó com as palavras dele.

 

Não basta ter boa intenção. Nossos palavras precisam refletir a verdade. A verdade de quem Deus é e como ele se relaciona conosco. A fumaça da nossa ignorância e da nossa arrogância pode nos levar a causar grande estrago em nossos relacionamentos—incluindo pessoa que nós amamos—dentro de casa e dentro da igreja.

 

O MAIS FRIO DOS TRÊS

Eu disse que a temperatura das discussões está aumentando, mas pode dentro, Zofar é o mais frio dos 3 amigos. O coração dele é uma enorme pedra de gelo—duro e frio. Jó dele perde tudo o que ele tinha, perde todos os 10 filhos, está com o corpo coberto de tumor do pé a cabeça e Zofar usa as palavras dele para fazer uma coisa: atacar Jó. Quem tem amigos assim não precisa de inimigos.

 

Vocês vão ouvir um sermão em um texto que Deus diz que está errado. São palavras inspiradas por Deus. Ele quer nos ensinar através da resposta de Zofar. Mas ele quer nos ensinar como não falar e como não sentir e como não pensar sobre quem Deus é e sobre quem nossos amigos em Cristo são.

 

Na resposta de Jó nos capítulos anteriores, nós vimos que os pensamentos de Jó não estavam muito organizados. O quebra-cabeça de 1.000 peças que Jó tinha montado com a imagem de Deus foi embaralhado e misturado. Jó está confuso.

 

Zofar é como Bildade e Elifaz. Eles não estão confusos. Na verdade, eles parecem bem convictos do que eles pensam. Mas só porque alguém tem certeza de que está certo não significa que essa pessoa está certa.

 

Zofar é também bem-organizado. Se você olhar para o texto, você vai conseguir perceber a resposta bem arrumada de Zofar. Ele está fazendo 3 coisas com Jó:

 

• Do versículo 1 ao 6, ele faz uma acusação.

• Do versículo 7 ao 12, Zofar dá uma aula. Uma aula de teologia.

• E do 13 até o 20, ele termina pregando um sermão para Jó.

 

1.     UMA ACUSAÇÃO (vv. 1-6)

Zofar começa atirando—disparando contra Jó:

 

[1] Então Zofar, o naamatita, tomou a palavra e disse: [2] Será que todas essas palavras ficarão sem resposta? Por acaso, tem razão o falador [chamando Jó de tagarela]? [3] Você pensa, Jó, que o seu palavreado fará calar os homens? E, quando você zomba, pensa que não haverá ninguém que o envergonhe?

 

Eu sei que nós não temos o tom de voz no papel, mas só de ler essas palavras nós conseguimos ouvir os batimentos cardíacos de Zofar mais acelerados. Ele está inconformado, irado, alterado com Jó.

 

A mente de Zofar não está em consolar Jó, em ajudar Jó a lidar melhor com a dor e os pensamentos dele. A mente de Zofar está em vencer a discussão. Provar que ele está certo e provar que Jó está errado.

 

Esse não é o lugar certo do nosso coração se nós quisermos ajudar as pessoas. Quando o nosso coração está nesse lugar—irado, alterado—nós não conseguimos realmente ouvir o que as pessoa estão dizendo. Nós só ficamos pensando no que nós vamos responder.

 

Espingarda engatilhada só esperando a hora de interromper, elevar a voz, disparar de volta e vencer a disputa derrubando meu adversário—que, na verdade, é uma pessoa que eu amo, mas estou tratando como se fosse meu adversário. Isso é fogo amigo.

 

Ah, mas você também...

E você sempre faz a mesma coisa...

Você nunca fala nada de bom...

 

Você já fez isso em uma discussão ou em um conflito? Eu não estou realmente ouvindo a pessoa e me colocando no lugar dela. Eu estou só esperando uma brecha nas palavras para entrar e atirar, como meus olhos cheio de fumaça por causa do meu orgulho.

 

Se nós queremos ajudar crentes sofrendo que estão falando o que não devem—como é o caso de Jó e de tantas pessoas à nossa volta—nós precisamos colocar as espingardas no chão e nos armarmos de oração, amor e um ouvido amigo.

 

Veja a prova do crime de Zofar. A prova de que ele não está nem ouvindo o que Jó está falando:

 

[4] Pois você diz: ‘A minha doutrina é pura, e sou limpo aos olhos de Deus.’

 

Vocês sabem quando Jó falou isso? Nunca. Nenhuma vez. Não foi isso que Jó disse. Jó nunca disse que a doutrina dele é pura. Jó está bem confuso.

 

E Jó nunca disse: “eu sou limpo aos olhos de Deus”—como se ele não tivesse nenhum pecado: perfeição.

 

Jó disse que ele é inocente no sentido de que ele não cometeu um pecado que justificasse esse sofrimento tão grande, mas não que ele é “limpo”—completa perfeição. Jó sabe que ele é um pecador. Mas Jó sabe também que ele é um adorador—um crente verdadeiro. Foi só isso que ele disse.

 

Zofar representa Jó falsamente. Nós precisamos tomar cuidado, mesmo quando nós discordamos de alguém, de não colocar palavras na boca daquela pessoas que ela não falou como Zofar está fazendo. Nossos sentimentos mais aflorados nos levam a fazer isso. E isso não é certo.

 

Zofar continua acusando Jó e ainda pensa que Deus está junto com Zofar querendo derrubar Jó.

 

[5] Mas quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra você, [6] e lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme!

 

Zofar quer que Deus fale com Jó. Jó também quer falar com Deus. Mas Jó quer falar com Deus para se defender. Mas Zofar está seguro de que Deus irá condenar Jó. Que amigo é esse Zofar!

 

Mas o pior ainda está por vir. Eu não acredito que Zofar fez isso:

 

Final do v.[6] (...) Saiba, portanto, que Deus permite que seja esquecida parte da sua iniquidade.

 

Ou, como uma outra tradução da Bíblia diz:

 

Saiba, portanto, que Deus impõe a você menos do que a sua culpa merece [ESV]

 

Isso é crueldade. Zofar perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Ele olha para Jó, esse crente confuso, passando por um sofrimento enorme, e ele diz:

 

“Jó, fique sabendo, meu amigo, que você está recebendo ainda menos do que você merece. Você deveria sofrer ainda mais por causa do seu pecado. Jó, você merece uma vida ainda pior”.

 

Como a vida de Jó poderia ser ainda pior? O que mais Deus poderia ter feito com Jó? (Talbert, Beyond Suffering, 107). Jó está segurando a vida por uma corda fina e Zofar acha Jó perde ainda mais dor.

 

Às vezes, quando eu pergunto para alguém: “Como você está?”, a pessoa responde: “Melhor do que eu mereço”.

 

Eu diria que essa é uma resposta teologicamente correta. Não tem nenhum problema você responder assim. Demonstra um coração que reconhece que não merece nada do Senhor e Deus tem sido misericordioso.

 

Mas não vamos aplicar esse pensamento para alguém que está no meio de uma grande dor. Alguém está chorando por alguma perda:

 

“Meu amigo, você sabe que, por causa do seu pecado, sua vida deveria ser pior”.

 

Ainda mais quando não existe uma relação direta entre o sofrimento daquela pessoa e um pecado dela, como é o caso de Jó e o caso de muitos de vocês.

 

A névoa da ignorância e da arrogância de Zofar impede que ele veja Jó corretamente—com os olhos do amor, da graça e da verdade.

 

Nesse mundo, ser acusado injustamente é uma experiência tipicamente cristã. Cristo, nosso Senhor, foi acusado de maioral dos demônios. Na cruz, debocharam dele. É difícil ser acusado injustamente, mas não deveríamos ficar surpresos.

 

Zofar é um poço de insensibilidade. Ele chega a ser cruel. Um exemplo para nós de como não lidar com cristãos que sofrem, mesmo quando eles falam algumas coisas que não deveriam.

 

Que cada um de nós:

 

[E]steja pronto para ouvir, mas seja tardio para falar e tardio para ficar irado (Tiago 1:19).

 

Incluindo as pessoas que estão iradas. Essa é uma arte espiritual difícil, mas possível com a ajuda do Senhor.

 

Zofar terminou a acusação. Agora ele resolve dar uma aula para Jó. Uma aula sobre Deus. Nem tudo na teologia de Zofar é ruim.

 

Zofar pega o início do versículo 6:

 

[6] e [Deus] lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme!

 

E ele expande em uma aula. Zofar fala para Jó puxar a cadeira e se sentar que agora o professor Zofar irá ensinar sobre a verdadeira e multiforme sabedoria de Deus:

 

2.     UMA AULA (vv. 7-12)

 

[7] Será que você pode desvendar os mistérios de Deus ou descobrir a perfeição do Todo-Poderoso?

 

Não, ninguém pode. Esse é um bom ponto, Zofar.

 

[8] A sabedoria de Deus é mais elevada do que os céus; o que você poderá fazer?

 

Nada. É verdade. Zofar, você tem razão.

 

Continuação do v.[8] (...) Ela é mais profunda do que o abismo; o que você poderá saber?

 

É verdade também. Zofar tem razão de novo.

 

[9] A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar.

 

Qual é o problema no que Zofar disse? Nenhum. No conteúdo, nesse ponto da teologia dele, ele está certo. Ele parece até o apóstolo Paulo em Romanos 11 (Ash, Job, 133):

 

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!

Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos!

“Pois quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? (Romanos 11:33-34).

 

Zofar está dizendo que a sabedoria de Deus é mais alta que o céu, mais profunda que o abismo, mais longa que a terra e mais larga que o mar. Deus é infinitamente sábio. Amém, Zofar. Deus é!

 

Agora Zofar aplica essa sabedoria a Jó e a nós:

 

[10] Se ele passa, prende alguém e chama a juízo, quem o poderá impedir?

 

É verdade, ninguém pode impedir se Deus pegar alguém para julgar. Deus é mais forte, não tem como lutar contra Deus e vencer. Mas por que Zofar está falando isso? Agora Zofar coloca as cartas na mesa:

 

[11] Deus conhece os homens falsos [como você, Jó] e, sem esforço, vê a iniquidade [como a sua iniquidade, Jó].

[12] Mas os tolos se tornarão sábios quando a cria de uma jumenta selvagem nascer homem.

 

Zofar é um zombador. Não tem graça o que ele está fazendo: Sabe quando os tolos se tornarão sábios? Quando uma jumenta tiver um filho e nascer um bebê—um ser humano. Ou seja. Nunca.

 

Zofar usa verdades sobre quem Deus é para atacar Jó. Infelizmente, para a nossa tristeza, é possível usar teologia correta da maneira errada. É possível ferir pessoas com a verdade. Infelizmente nós temos essa capacidade.

 

• Deus é infinitamente sábio, Jó. Essa parte é verdade.

• Então, Jó, ele sabe da sua falsidade e por isso pegou você para julgar e acabar com você. Essa parte não é nada verdade! Jó não está sofrendo por causa da falsidade dele.

É por isso que nós precisamos de sabedoria. Nós precisamos de boa teologia—de conhecimento da Bíblia—e de sabedoria para aplicar (viver!) o conhecimento. Porque é possível usar verdades sobre Deus de maneira errada.

 

Eclesiastes 9:18—Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas.

 

Armas de guerra—como no caso dos 1.500 aviões de bombardeio na Segunda Guerra Mundial—sem a sabedoria necessária (sem a informação necessária) é perigoso e destrói muitas coisas boas e muitas pessoas que Deus criou.

 

É o que Zofar está fazendo com Jó. É o que nós não queremos fazer na IBJM.

 

TRAVE NO OLHO

O que nós podemos fazer para evitar que, mesmo sem querer, nós acabamos disparando fogo amigo?

 

Nosso Mestre pregou um sermão 2.000 anos atrás que podemos nos ajudar hoje—e teria ajudado Zofar também. Esse sermão está no evangelho de Mateus. Vamos abrir lá.

 

Mateus 7:1-5—[1] Não julguem, para que vocês não sejam julgados. [2] Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos. [3] — Por que você vê o cisco no olho do seu irmão, mas não repara na trave que está no seu próprio? [4] Ou como você dirá a seu irmão: “Deixe que eu tire o cisco do seu olho”, quando você tem uma trave no seu próprio? [5] Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu olho e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.

 

Esse é um dos problemas de Zofar que nós queremos evitar. Zofar julga Jó—aplica palavras duras à Jó—que ele não aplica antes para ele mesmo. E assim ele não percebe o que ele está fazendo.

 

Ele quer humilhar Jó com a multiforme sabedoria de Deus, provando para Jó que ele não sabe nada e que a sabedoria de Deus é infinita. Mas aparentemente Zofar sabe tanto quanto Deus. Porque ele tem explicação para tudo, inclusive para o sofrimento de Jó.

 

Ele pergunta para Jó:

 

[7] Será que você pode desvendar os mistérios de Deus (...)?

 

A resposta que ele espera de Jó é: “Não, eu não posso desvendar os mistério de Deus”. Mas, aparentemente, Zofar pode desvendar todos os mistérios, tanto que ele sabe que Jó é um tolo e que está cheio de iniquidade—quando nós sabemos que Jó é um homem íntegro e reto que teme a Deus e se desvia do mal, como Deus falou sobre Jó 3 vezes nos primeiros 2 capítulos.

 

O Senhor Jesus tem a sabedoria que nós precisamos:

 

[1] Não julguem, para que vocês não sejam julgados. [2] Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos.

 

Se Zofar tivesse aplicado para ele mesmo antes de aplicar para Jó, ele não teria desperdiçado essa oportunidade excelente de ficar calado.

 

Antes de tirarmos o cisco do olho do nosso irmão, nós devemos nos assegurar que não tem um tronco de madeira dentro do nosso, como Jesus disse.

 

• Para de falar desse jeito gritando comigo! Quando você está falando do jeito errado também.

• Aquela fulana é fofoqueira, né? Mas você não percebe que você está fazendo uma fofoca sobre a fulana fofoqueira.

 

Zofar está sendo ignorante (ele não tem conhecimento) e arrogante (ele não tem humildade para reconhecer que ele não tem conhecimento para julgar Jó). Essa fumaça de ignorância e arrogância na mente de Zofar impedem ele de perceber que ele está disparando contra o próprio amigo.

 

EM NOME DE DEUS

Eu vejo mais duas implicações importantes para nós aqui:

 

Primeiro, como nós devemos ser cuidadosos para falar em nome de Deus. Se Deus falou, nós devemos falar. Mas como Calvino disse, se Deus não falou, nós devemos nos calar.

 

Existem muitas pessoas corajosas que disparam um tal de “Eis que te digo” e dão uma profetada. Falam em nome de Deus o que Deus não falou.

 

Mas existem versões mais sutis do mesmo problema. Nós podemos falar mais do que nós deveríamos quando nós realmente não sabemos o que Deus pensa. Em nossos conselhos. Em nossas respostas às perguntas das pessoas.

 

Eu lembro de uma vez em uma sala de aula, no seminário, um aluno fez uma pergunta para o professor. Foi uma pergunta difícil. O professor ouviu. Parou. Ficou um tempo em silêncio. E todo mundo ficou em silêncio para ouvir o que ele iria falar. E depois de um tempo ele disse: “Eu não sei”.

 

Uau! Isso é humildade. Foi tão encorajador ficar sem saber a resposta daquela pergunta. “Eu não sei” é uma excelente resposta quando “eu não sei”.

 

Ninguém sabe tudo. Só Deus é Deus. Nós seremos mais amorosos se nós incluirmos mais em nosso vocabulário a essa expressão bendita de 3 palavras: “Eu não sei”, porque nós realmente não sabemos muitas coisas. Sejamos humildes e reconheçamos a nossa ignorância.

 

Mas existe um outro lado dessa equação. Quando você está no lado de quem ouve. E essa pessoa está falando algo cheia de convicção como se fosse o que Deus pensa.

 

Especialmente aqueles que têm uma consciência mais sensível, podem confundir a voz de pessoas que dizem falar em nome de Deus com a voz de Deus. Seria como se Jó agora começasse a acreditar que ele realmente tem um pecado escondido que ele não está confessando. Mas ele não tem!

 

Que o Senhor nos ajude a calibrarmos a nossa consciência para ficarmos sensível ao que realmente é pecado e termos liberdade nas áreas em que Deus não disse que é pecado.

 

Zofar terminou de dar aula. Agora ele vai pregar (Anderson, Job, 171).

Ele muda o chapéu de professor para pregador.

 

• Zofar começou fazendo uma acusação.

• Depois ele deu uma aula. Uma aula sobre a infinita sabedoria de Deus—que ele esqueceu de ensinar para ele mesmo.

• E ele termina—a partir do versículo 13—com um sermão.

 

Um sermão de 8 versículos com o título: “Arrependa-se”. Esse é o tema da pregação de Zofar.

 

3.     UM SERMÃO (vv. 13-20)

 

[13] Se você dispuser o coração e estender as mãos para Deus; [14] se lançar para longe a iniquidade de suas mãos e não permitir que a injustiça habite na sua tenda, [Jó, se você se arrepender...] [15] então você levantará o seu rosto sem mácula, estará seguro e não temerá.

 

Agora vêm as promessas da prosperidade. Zofar pinta um quadro bonito para a vida de Jó depois que ele se arrepender:

 

[16] Pois você esquecerá os seus sofrimentos e só lembrará deles como de águas passadas. [17] A sua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que haja trevas, serão como a manhã. [18] Você se sentirá seguro, porque haverá esperança; olhará ao redor e dormirá tranquilo. [19] Você se deitará, e ninguém irá atemorizá-lo; e muitos procurarão obter o seu favor.

 

Zofar parece um pregador neopentecostal. E ele termina com uma ameaça. Prosperidade se você tiver fé e se arrepender. Versículo 20:

 

[20] Mas [Mas!] os olhos dos ímpios desfalecerão, sem que encontrem refúgio; a única esperança deles será morrer.

 

Que é exatamente como Jó está se sentindo: vendo a morte como a esperança dele. Zofar termina dando uma cutucada em Jó. Como se Jó precisasse disso nesse ponto da vida dele.

 

Resumo do sermão: arrependa-se e prospere.

 

Esse sermão de Zofar muito ruim. E vejam que triste ironia: Zofar acha que está falando em nome de Deus, mas as palavras dele se parecem mais com as palavras de Satanás. A maneira de Zofar pensar é a maneira como Satanás pensa (Hartley, 204; Ash, 158).

 

ZOFAR E SATANÁS

Qual foi a acusação de Satanás nos primeiros capítulos de Jó? Satanás disse: “Jó só adora o Senhor porque o Senhor colocou uma cerca em volta de vida dele. Ele tem tudo do bom e do melhor. Jó é um interesseiro. Tire as coisas boas de Jó e a fé dele vai embora também”.

 

Agora vem Zofar e diz para Jó buscar o Senhor para ter uma vida tranquila de novo. Para ter as coisas boas de volta. Vocês percebem? Se Jó acreditar na pregação de Zofar, Jó irá provar que Satanás tinha razão—que Jó realmente só quer Deus porque ele quer as coisas que Deus pode dar.

 

A pregação de Zofar cria interesseiros, não adoradores. A pregação da prosperidade—a mensagem do receba a Jesus e receba junto dinheiro, saúde e coisas desse mundo—pode criar pessoas religiosas, mas não pessoas regeneradas.

 

Porque essa mensagem atrai as pessoas para os presentes que elas querem de Deus e não para o próprio Deus. Essa mensagem não produz salvação. Essa mensagem deixa as pessoas em seus pecados e longe de Deus.

 

A mensagem de Jesus muito mais difícil e muito melhor! O Senhor Jesus diz: venham a mim e você irá sofrer pelo meu nome, o mundo irá rejeitar você, você receberá junto comigo perseguição e provação e acusação.

 

Mas (tem um “mas” também!) eu estarei com você. Eu amarei você. E quando chegar o seu dia de deixar esse mundo, eu vou trazer você para a casa para viver comigo para sempre. Eu serei o seu Deus e você será o meu povo. E naquele dia, você nunca mais saberá o que é sofrer.

 

Essa é a mensagem que produz salvação.

 

Sem querer fazer um trocadilho—mas já fazendo—esse é ganho enorme que você recebe quando você perde alguma coisa nesse mundo: você ganha a confirmação da sua fé.

 

Você, cristão, já experimentou isso: você perdeu algo precioso—um filho, alguém que você ama muito, você perdeu sua saúde, seu emprego, seus bens, sua reputação, mas o que você vê no seu coração é um desejo pelo Senhor Jesus—por honrar a ele e estar com ele, mesmo ele tirando algo de você.

 

Em vez de querer abandonar o Senhor, o que você quer é viver mais perto dele. E essa experiência confirma sua fé. Ela prova que você não é um interesseiro, mas um adorador verdadeiro!

 

Essa é uma experiência doce: Esse senso de que Jesus é mais real que tudo. O céu é mais real que a terra que você está pisando. E a graça de Deus é melhor do que a vida.

 

Você, cristão, sofre, chora, cai no chão, lamenta, mas durante o sofrimento, você percebe que o seu coração quer Deus. Como o coração de Jó. E na perda, você ganha. Você ganha a confirmação preciosa do Espírito Santo:

 

Eu realmente amo o Senhor. Minha fé não é perfeita, mas minha fé não é uma farsa. Eu balanço. Eu tremo. Eu fico confuso. Eu penso o que eu não devo. Eu falo o que eu não devo. Eu sinto o que eu não devo. Mas eu quero Cristo.

 

CONCLUSÃO

Se Jó tinha a esperança de que um dos amigos dele iria realmente consolá-lo, agora essa esperança acabou. Um amigo acusando você é difícil. Dois amigos acusando é ainda pior Mas três é demais!

 

Mas a esperança de Jó está em outro lugar. Jó tem um Amigo mais chegado que um irmão. Um homem que é chamado na Bíblia de homem de dores que sabe o que é padecer.

 

Um amigo que em vez de disparar julgamento na nossa direção, se colocou na direção do bombardeiro do julgamento divino que nós merecíamos. Nosso general se entregou ao fogo para nos salvar do nosso real inimigo—Satanás, e o pecado, e a morte.

 

Sim, nós devemos chamar as pessoas ao arrependimento. E se você está abraçando o pecado em vez de empurrar o pecado de sua vida, você precisa estender suas mãos a Deus hoje, pedir perdão, e confiar que Cristo foi julgado na cruz no seu lugar.

 

Mas tenhamos muito cuidado para não sermos como Zofar. Achar que nós sabemos mais do que nós realmente sabemos. E julgarmos outros pecadores. E dispararmos fogo amigo. E atingirmos as pessoas que nós deveríamos proteger e ajudar, não derrubar.

 

Que o Espírito Santo dissipe a fumaça da ignorância e da arrogância na nossa frente com o sopro da Palavra da verdade.

 

Julgar as pessoas pelo sofrimento que elas estão passando, como se uma vida difícil fosse sinal de pouca fé, não é a sabedoria que Deus nos ensina. Geralmente, o contrário é verdadeiro. Deus reserva o sofrimento para ser glorificado naqueles em que andam bem próximo dele.

 

Jesus nos chama todos os dias: “Siga-me”. E o caminho em que nós seguimos a ele irá nos levar ao céu. Mas até chegar lá, serão muitas batalhas, muitas perdas, muita lágrimas e muita dor. Às vezes, nós teremos que enfrentar até fogo amigo.

 

Mas toda vez que você sofre e continua crendo no amor do Senhor, como Jó, você traz glória a ele. A sua fé é uma evidência de que Jesus é realmente melhor do que tudo o que você pode desfrutar nesse mundo.

 

É por isso que, na Bíblia, sofrer por Cristo é visto não como um sinal de condenação, mas como uma evidência da graça de Deus em sua vida.

 

O apóstolo Paulo disse:

 

Filipenses 1:29—Porque vocês receberam a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele.


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Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo

 
 
 

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