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Gálatas 5:1-5: Não Abandone Seu Libertador

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • 11 de ago. de 2025
  • 17 min de leitura

Atualizado: 13 de ago. de 2025

Série em Gálatas: A Mensagem da Cruz 10 de Agosto de 2025 – IBJM


Se você fosse colocado em uma prisão e você pudesse ser libertado pagando uma fiança, quanto você estaria disposto a pagar? Nós pagaríamos o que fosse necessário. Dizem que “a liberdade não tem preço”. Ele é muita valiosa.

 

Nenhum de nós está atrás das grades de uma prisão. Mas deixe-me fazer uma pergunta bem pessoal: você se considera uma pessoa livre? Para responder essa pergunta, nós precisamos definir o que é ser livre. O que é liberdade? Como você definiria liberdade?

 

Eu perguntei para o ChatGPT o que é liberdade? Ele disse que liberdade é “a capacidade de fazer suas próprias escolhas”. “Liberdade é a capacidade de fazer as próprias escolhas”.

 

Vamos testar essa definição. Uma pessoa faz a escolha de fumar um cigarro. E ela faz a escolha de fumar um cigarro novamente no dia seguinte. E ela faz a escolha de fumar dois, três, cinco cigarros nos próximos dias. Pronto: ela está viciada em cigarro. Ela não consegue parar. Mesmo sabendo que faz muito mal à saúde dela, ela não consegue parar. Isso é liberdade? Ela fez as próprias escolhas, mas isso a levou a uma prisão.

 

Nós poderíamos usar outros exemplos além do cigarro e das drogas que podem nos prender: açúcar, álcool, videogame, pornografia, jogos de azar. A lista não tem fim. A definição de liberdade do ChatGPT—que, eu diria, é a definição que geralmente as pessoas têm—de que liberdade é poder fazer as próprias escolhas, é uma definição problemática.

 

Um dos motivos do porquê essa definição é problemática é que ela ignora uma realidade fundamental: o pecado em nós. Nós até temos a capacidade de escolher. Mas sem a intervenção de Deus em nossa vida, nós escolhemos o pecado. Em nós mesmos, naturalmente, nós não temos a capacidade de escolher parar de pecar. O pecado é a nossa nicotina. É a substância que está no nosso sangue. Ele sempre pede mais.

 

Nós precisamos de alguém para nos libertar do vício do pecado. Um vício que irá nos matar. Deus enviou esse Libertador. Nossa liberdade, de verdade, começa, quando nós conhecemos esse Libertador e vivemos confiando nele.

 

O início da capítulo 5 é essa transição da doutrina para a prática. Paulo não deixa a doutrina de lado. Nunca. Mas agora ele passa a mostrar as implicações da fé em Cristo. Ele passa a mostrar o impacto que a nossa teologia deve ter em nossa vida.

 

Essa passagem é também um apelo. Algumas passagens na Bíblia são narrativas. Outras passagens são poesia. Ou profecias. Ou provérbios. Ou parábolas. O gênero literário dessa passagem é um apelo.

 

Um apelo pessoal de Paulo a cristãos que estão prestes a abandonar Jesus e buscar a justificação pela lei. Você pode perceber o tom de Paulo pelo versículo 2:

 

[2] Eu, Paulo, lhes digo que, se vocês se deixarem circuncidar, Cristo não terá valor nenhum para vocês.

 

Ele poderia simplesmente ter dito: “se vocês se deixarem circuncidar, Cristo não terá valor nenhum para vocês”. Mas antes, como se ele estivesse chamando os Gálatas para olharem nos olhos dele. “Olhem. Eu. Paulo. Estou dizendo. Para vocês”. É um apelo.

 

O fato de os Gálatas considerarem buscarem a aprovação de Deus obedecendo a lei aperta o coração de Paulo com uma dor insuportável.

 

Uma cena que eu acho que ilustra o que está acontecendo é você pensar em um jovem em cima de uma ponte dizendo: “Chega! Eu vou pular!”. Ele está segurando nas grades e o corpo inclinado para fora. Espiritualmente falando, é isso que os Gálatas estão fazendo. Eles estão ameaçando deixar a firmeza do solo da fé em Cristo e se jogar na falsa confiança da obediência à lei.

 

Paulo é como o pai desse jovem suicida, que chega do lado dele com o coração queimando de amor e de preocupação e dizendo: “Filho, não. Não. Volte para casa. Volte para a sua família. Volte para a vida”.

 

Os Gálatas não enxergam assim. Eles acham que é possível confiar em Cristo e confiar na obediência deles ao mesmo tempo. Mas não é. Esse é um dos problemas do pecado. Ele nos engana. Ele mente. Ele nos mata.

 

A maneira como nós recebemos essa mensagem com fé é entendendo que Deus fala conosco através da Palavra dele. Isso significa que Paulo falando com os Gálatas é o meio que Deus está usando agora para ele, Deus falar conosco.

 

Você recebe o versículo 2 como se Deus estivesse dizendo: “Eu, Deus, lhes digo que...”. Os apelos de Paulo são os apelos de Deus para nós não abandonarmos Cristo, nosso Libertador.

 

Deus faz 4 apelos para nós através de Paulo:

 

1.     PERMANEÇA LIVRE (v. 1)

 

Cristão, permaneça livre.

 

[1] Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes [nessa liberdade] e não se submetam, de novo, a jugo de escravidão.

 

Nem os Gálatas nem nós estávamos na cadeia física. Paulo está falando de liberdade espiritual e escravidão espiritual. Uma das maneiras em que a Bíblia fala da nossa salvação é falando da nossa libertação. Ser salvo é ser libertado do pecado.

 

De dentro da cela do pecado, você olhou para Jesus do outro lado das grades e disse: “Me perdoe pelos meus muitos pecados contra o Senhor. Por favor, me tira daqui”. E Jesus, o Libertador, tirou você da prisão. Agora você está livre. Livre, não para pecar. Livre para viver para ele.

 

Mas para a nossa tristeza, mesmo fora da prisão, nós ainda corremos o perigo de voltar para a prisão. Parece estranho, mas é possível. Você poderia pensar: como alguém que depois de anos em uma prisão pode querer voltar a viver naquela cela escura, úmida, imunda e fedorenta, cheia de barata andando pelo chão?

 

O que acontece é que nós temos 3 inimigos nos rodeando, como 3 leões, nos falando mentiras. Os 3 leões são nossa carne, o mundo e Satanás. Em nossos piores momentos, nós acreditamos na mentira que eles contam e voltamos para a prisão do pecado em vez de buscarmos alegria em Cristo.

 

Ele dizem: “Pode entrar que a porta vai ficar aberta. Mas assim que nós entramos para pegar o pecado, eles trancam a porta da cela. E nós estamos presos. De novo”.

 

Como um queijo em uma ratoeira. O rato não sabe, mas ele será enganado. Quando ele encostar naquele queijo ele ficará preso. O pecado é um queijo na ratoeira. Parece bom, mas quando nós tocamos nele e menos esperamos, nós estamos presos.

 

Os Gálatas estavam sendo tentados a se escravizarem através da lei de Moisés. Eles estavam pensando que eles precisavam ser circuncidados para terem descanso na alma.

 

Mas nós podemos nos escravizar de outras formas. Qualquer tentativa de eu buscar satisfação em alguma coisa que não seja Cristo é como se eu estivesse, como Paulo fala no versículo, colocando um jugo de escravidão no meu pescoço. Me prendendo ao pecado.

 

FUJA DAS RATOEIRAS

 

Povo de Deus, não vamos ser enganados pelas ratoeiras que Satanás espalha pelo nosso caminho. Ele vai continuar querendo nos prender. Vamos ignorar o queijo do pecado.  Não vamos nem olhar para ele: seja o queijo da raiva contra as pessoas ou o queijo da imoralidade ou o queijo de constante insatisfação com a vida. Vamos mudar o nosso caminho e passar longe.

 

E se você ouve isso, e você pensa: “Mas eu já estou preso. Eu não consigo parar de comer aquele queijo. Eu estou cansado. Eu não tenho força para sair”.

 

Existe uma pessoa que pode ajudar você. Sozinho você não vai conseguir, mas existe um Libertador. Ele está chamando você a virar as costas para a ratoeira maligna do pecado e ir correndo para ele. Ele disse:

 

— Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11:28-30).

 

Permaneça livre. Cristo nos libertou. Viva na graça dele. O jugo dele não é de escravidão. É um jugo suave. Descanse sua alma confiando nele.

 

SINAIS DA LIBERDADE

 

Um sinal de que nós estamos andando na liberdade da graça é quando:

•  Mesmo sem receber a promoção no trabalho que você mereceria, você continua confiando no Senhor.

•  Mesmo sem seu marido ou esposa amar você como deveria, você continua confiando no Senhor

•  Mesmo com seus filhos tomando decisões ruins, você continua confiando no Senhor.

• Mesmo com menos dinheiro do que você gostaria, mesmo com menos saúde do que você gostaria, mesmo ainda sem se casar, mesmo sem filhos, você continua confiando no Senhor.

 

Isso é o Espírito Santo trabalhando em você. Essa é a vida no Espírito. Essa é a liberdade que Cristo comprou para nós.

 

O segundo apelo que Deus faz para nós nos mostra que rejeitar o evangelho da graça não é rejeitar uma ideia. Não é rejeitar um sistema religioso. Rejeitar o evangelho da graça é rejeitar uma Pessoa.

 

2.     NÃO DESPREZE CRISTO (vv. 2-4)

 

Esse é um apelo pessoal para não abandonar uma Pessoa:

 

[2] Eu, Paulo, lhes digo que, se vocês se deixarem circuncidar, Cristo não terá valor nenhum para vocês. [3] De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que o mesmo está obrigado a guardar toda a lei. [4] Vocês que procuram justificar-se pela lei estão separados de Cristo; vocês caíram da graça de Deus.

 

Paulo volta para o tema central de Gálatas: a justificação pela fé somente em Cristo. O jugo de escravidão do primeiro apelo ganha nome agora no segundo apelo: a escravidão é (v. 4) procurar se justificar pela lei—pela obediência à lei—em vez de crer só em Cristo.

 

É pensar que Deus deve me perdoar porque eu obedeço a ele em vez de eu colocar minha segurança na obediência perfeita de Cristo no meu lugar e no sacrifício perfeito de Cristo no meu lugar.

 

O apelo é 1 só nesses 3 versículos. Mas em cada versículo, Deus nos lembra de uma consequência trágica se eu desprezar Cristo.

 

1.     Se eu desprezar Cristo, então Cristo Veio Em Vão (v. 2)

 

[2] Eu, Paulo, lhes digo que, se vocês se deixarem circuncidar, Cristo não terá valor nenhum para vocês.

 

Não existe meio termo: ou a minha segurança é a cruz ou é a lei. Ou eu estou confiando na morte dele ou a minha obediência.

 

Se eu sou aceito por Deus pela minha obediência a ele, então Jesus não precisava ter vindo. Se eu vou para o céu baseado no meu comprimento a lei, então Jesus veio à toa. Ele veio em vão. Veja como a salvação pelas obras é uma ofensa pessoal ao Senhor Jesus, a pessoa mais importante do Universo.

 

Se Deus me perdoa porque eu sou uma boa pessoa, então eu não preciso de um Salvador. Eu não preciso de um Substituto que morre pelos meus pecados. Jesus não precisava ter se humilhado, ser preso, açoitado, pregado em uma cruz e desamparado por Deus. Foi tudo desnecessário.

 

Rejeitar o evangelho da graça é rejeitar uma Pessoa. Vocês percebem como é grave e ofensivo dizer que Deus nos salva avaliando se nós somos pessoas boas ou más? É querer tirar a glória da salvação dele e colocar essa glória na minha obediência.

 

EVANGELISMO NA MESQUISTA

 

Uma das matérias que eu tive que fazer durante o seminário foi evangelismo. E uma das atividades que o professor passou para os alunos foi ir à uma mesquita e evangelizar os muçulmanos. Foi o incentivo que eu precisei para ir à mesquita.

 

Eu não lembro de todos os detalhes e todas as conversas que tive, mas teve uma conversa com um senhor que me marcou:

•  Eu comecei dizendo que existe um só Deus, Criador de todas as coisas. Ele concordou.

•  Eu disse que esse Deus é absolutamente santo e soberano. Ele concordou.

•  Eu disse que nós quebramos a lei de Deus e pecamos contra ele. Ele concordou.

 

Até que eu disse que Deus enviou o Filho dele para morrer na cruz pelos nossos pecados. E ele mudou. A feição dele mudou. E ele me disse uma frase triste e trágica. Ele olhou para mim e disse: “Os meus pecados, pago eu!”.

 

Como? Como nós podemos pagar uma dívida de valor infinito? Mas esse não é um problema só entre os muçulmanos. Esse é O problema de todas as religiões do mundo, com exceção do evangelho da graça pela fé em Cristo.

 

Tentar pagar pelo próprio pecado confiando em nossas obras é o mesmo que ouvir o grito de Jesus na cruz: “Está consumado!” e dizer: “Eu não preciso de ajuda. Eu mesmo pago com minhas obras”. Isso é pular da ponte. Isso é suicídio espiritual. É desprezar o Libertador que veio do céu.

 

Segunda consequência trágica de tentar se justificar pelas suas obras:

 

2.     Você Não Pode Cometer Nenhum Pecado (v. 3)

 

[3] De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que o mesmo está obrigado a guardar toda a lei.

 

Olha a loucura de pensar que o caminho das obras pode me levar para Deus. Se o caminho é a obediência—então nós precisamos pegar a lista inteira do que Deus exige e obedecer tudo perfeitamente.

 

Não basta obedecer uma lei. Nem a maioria das leis. Nem 999 de 1.000 leis. Para Deus aceitar a nossa obediência como a base da nossa salvação, ela precisa ser perfeita. Quem quer se salvar pela sua própria obediência precisa guardar toda a lei.

 

Se um homem mata alguém e diz: “Mas foi só essa lei que eu quebrei. Eu paguei todos os meus impostos esse ano e não roubei ninguém”, isso não faz dele inocente. Para alguém ser inocente, toda a lei precisa ser cumprida. Deus, o Juiz de toda a terra, exige perfeita obediência.

 

Deus não irá julgar cada um de nós usando a média de bondade da humanidade. O padrão de comparação que nós seremos submetidos será Jesus. Para eu entrar no céu pelos seus meus méritos, eu preciso ter vivido como Jesus—sem nenhum pecado.

 

Que a cruz seja preciosa para nós. Que Cristo seja precioso para nós. Nós podemos entrar no céu porque, pela fé, a obediência será considerada por Deus como a nossa obediência. Que a cruz seja preciosa para nós.

 

Desprezar a justificação que Jesus oferece pela fé tem consequências trágicas:

 

3.     Você Terá Caído da Graça (v. 4)

 

[4] Vocês que procuram justificar-se pela lei estão separados de Cristo; vocês caíram da graça de Deus.

 

Uau! Paulo! Como assim? Cair da graça? Se separar de Cristo?

 

A pergunta que surge imediatamente na nossa mente é: Então é possível perder a salvação? É possível estar em Cristo e depois ser separado de Cristo? É possível estar na graça de Deus e depois cair da graça e perder a justificação?

 

Antes de falar como eu entendo que nós devemos lidar com passagens desse tipo, eu quero falar de duas maneiras que nós não devemos lidar:

 

“É POSSÍVEL PERDER”

 

Primeira maneira ruim é responder: “Sim, é possível perder a salvação. É possível ser um crente verdadeiro e perder a salvação”. Essa é uma interpretação problemática.

 

Se é possível perder a salvação, então por que Jesus disse sobre as suas ovelhas:

 

João 10:28-29—Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo, e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.

 

Se é possível perder a salvação, então por que Paulo disse para os Filipenses:

 

Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus (Filipenses 1:6).

 

Como Paulo pode estar tão certo assim que Deus vai completar a obra? A obra pode parar no meio?

 

Ou Romanos 8. Paulo, de novo, como ele pode escrever cheio de certeza:

 

Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 8:38-39).

 

Crer que um crente verdadeiro pode perder a salvação é uma interpretação cheia de problemas.

 

Uma segunda maneira em lidar com esse texto que também não faz justiça ao que Paulo está dizendo é dizer que esse texto não está falando com os cristãos. O texto está falando somente com os não-cristãos.

 

“NÃO É COM VOCÊ”

 

É pensar algo como: “Dentro das igrejas da Galácia existiam crentes verdadeiros e aqueles que não eram crentes verdadeiros. Como os crentes não podem perder a salvação, então Paulo está falando somente com aqueles que só professam fé (da boca para fora), mas não tem fé verdadeira.

 

Essa explicação é melhor que a primeira. Eles reconhecem que os cristãos verdadeiros não podem perder a salvação. Aqueles que abandonam a fé, na verdade, estão apenas mostrando claramente que eles nunca tiveram fé verdadeira.

 

1João 2:19—Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos. Porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.

 

Esse é o ponto positivo dessa segunda interpretação, mas ela ainda tem um problema. O problema é pensar que essa passagem está falando somente com não-cristãos. Mas Paulo está falando com os cristãos. Ele escreveu para os cristãos. Dizer que essa passagem não é para nós, crentes, é injetar uma seringa na passagem e sugar toda a força dela.

 

“É COMO VOCÊ: PERSEVERE”

 

Paulo está falando conosco. Deus está falando conosco, crentes. Essa passagem está falando com você, membro da IBJM. Você, que crê no Senhor Jesus. Essa passagem é uma alerta contra a apostasia—contra abandonar a fé.

 

Cristão, se você deixar de confiar em Cristo, você está perdido. Para sempre. Você cairá da graça de Deus. Se você jogar fora sua fé e seguir o mundo, você estará separado de Cristo. Essa passagem é um alerta e um apelo: “Não Abandone Cristo. Não Despreze a Cristo. Não Largue dele por nada!”. Não pule da ponte!

 

E Deus usa esse alerta como um meio para fazer você perseverar. O crente verdadeiro, que tem o Espírito Santo, sempre pensa: “Sim, eu não confio no que eu faço. Minha segurança é Cristo e a morte dele” e você se agarra a Cristo e continua crendo. Os alertas são uma das maneiras de Deus nos manter unidos a Cristo.

 

Como nós poderíamos abandonar nosso Libertador? Como nós poderíamos abandonar aquele que nos amou antes de houvesse mundo? Como eu poderia abandonar aquele que quis ser sofrer no meu lugar, morrer na cruz no meu lugar para me salvar?

 

Crente, não abandone o seu Libertador. E quando estiver muito difícil, você olha para a dificuldade que ele enfrentou no seu lugar, você olha para a profundidade do amor dele por você naquela cruz, e você continua seguindo seu Libertador até ele vir buscar você.

 

•  E saiba que nada pode separar você do amor dele.

•  Ele vai completar a obra que ele começou em você.

•  Ovelha do Senhor Jesus, nada pode arrebatar você da mão dele.

 

Permaneça Livre. Não Despreze Cristo.

 

Terceiro Apelo:

 

3.     ESPERE SUA ESPERANÇA (v. 5)

 

[5] Porque nós, pelo Espírito [não pela carne], aguardamos a esperança da justiça que provém da fé [não pelas obras].

 

Paulo está falando do futuro—do Dia do Julgamento, do Dia do Senhor, do Dia em que todos nós comparecemos diante do Juiz de toda a terra.

 

E nesse dia, você não vai apresentar a sua justiça. Nesse dia, você vai apresentar a justiça que você recebeu de Cristo quando você parou de confiar em você e começou a confiar nele.

 

A sua fé não salva você, mas ela é o meio que Deus usa para ele dar a você a justiça que você precisa—a justiça (a perfeição) de Cristo—para você viver com Deus.

 

A sua fé é o meio:

•  A sua fé é como a cesta onde Cristo dos céus coloca a justiça (a perfeição dele) e a faz descer até você aqui na terra.

•  A sua fé é a caneta que Deus usa para escrever no seu histórico de vida, o histórico que você vai apresentar no dia do julgamento: “Justo como Cristo”.

 

Por isso, sua fé é preciosa. Não abandone sua fé no seu Salvador. Por nada.

 

Sua esperança de ser recebido por Deus e perdoado e amado por toda a eternidade não está no que você fez nessa vida, mas no que Jesus fez por você com a vida dele. A vida dele de justiça perfeita que você recebe confiando—pela fé.

 

Mas nossa fé não fica parada. Imóvel. Se a nossa fé é verdadeira, ela se move e se manifesta nessa mundo:

 

Último apelo de Deus para nós é:

 

4.     MANIFESTE SUA FÉ (v. 6)

 

[6] Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.

 

Você não é salvo pelos seus atos de amor, mas a fé que salvou você produz atos de amor. Sempre. A fé opera, trabalha, age pelo amor. A fé é o que energiza amor. Você deixa a sua fé ligada na tomada—e a energia (o poder) vem de Cristo—acende sua alma com a luz, com vida—e você ama.

 

Paulo está dizendo que se uma pessoa é circuncidada (como um judeu) ou não (como os gentios), isso não faz diferença para Deus. O que tem valor para Deus, o que faz Deus sorrir é olhar para o seu coração e ver fé—uma fé que se manifesta em atos de amor.

 

Não importa se você é judeu (circunciso) ou gentio (incircunciso), preto ou branco, homem ou mulher, rico ou pobre, jovem ou idoso... o que tem valor para Deus é confiar nele e amar os outros.

 

Paulo está apelando para o amor que flui da fé. Cristo é o solo. A fé é a raiz que está presa (unida) a Cristo. Você é a árvore que, por estar ter as raízes da fé em Cristo, irá produzir fruto. O nome do fruto é “amor”.

 

Você não quer ser uma pessoa livre? Nós queremos liberdade. A verdadeira liberdade é a liberdade para amar. Quando você colocou sua fé em Cristo, você ganhou uma capacidade nova—a capacidade espiritual de amar. Nada faz o ser humano mais humano do que o amor. Você foi criado para amar.

 

Mas nós ainda temos a nicotina do pecado circulando na corrente sanguínea da nossa alma. Essa substância que nos deixa preso ao pecado. Louvado seja o Senhor, existe uma outra substância que anula o efeito da nicotina do pecado. Existe uma substância que quebra esse vício e expulsa a nicotina do pecado da nossa alma. Essa substância é a fé.

 

Sua fé em Cristo liberta você. Crente, você está livre para amar.

 

O amor é o que expande a nossa alma:

•  Você quer ser uma pessoa mais alegre? Ame mais.

•  Você quer ter mais paz? Ame mais.

 

O amor nos faz esquecer de nós mesmos e pensar no outro. Isso é liberdade.

 

A alma que ama é a alma dominada de pensamentos sobre Deus. E como essa alma já está cheia de Deus, ela pode amar as pessoas, mesmo sem receber amor de volta. Porque você já recebeu o amor que você precisava.

 

Você recebeu o amor que você precisava pela fé naquele que amou você naquela cruz.

 

Crente, manifeste sua fé. Como? Amando. Eu vejo o amor nessa igreja. Mas nós podemos crescer. Nós queremos crescer. Nós precisamos pedir para o Senhor alargar mais e mais nossa alma para caber mais amor—amor por ele, amor uns pelos outros e amor por aqueles que ainda não conhecem o nosso maravilhoso Libertador.

 

CONCLUSÃO

 

Vocês sabem que eu estive na África ano passado. Eu fui muito abençoado. Ver a alegria do povo de Deus, apesar de enormes dificuldades, foi um enorme encorajamento para mim.

 

Mas durante uma das manhãs, o pastor de Angola que estava nos recebendo—Pr. Pascoal Mapaxe—nos levou para visitar um lugar horrível. Eu acho que foi um dos lugares mais horríveis que eu já entrei na minha vida. Ele nos levou ao Museu Nacional da Escravatura.

 

O problema não era o Museu em si. O Museu era bem cuidado. O problema era digerir o conteúdo. O que seres humanos são capazes de fazer com outros seres humanos.

 

Em uma sala, tinha um desenho de como eles transportavam os escravos da África para os outros continentes. Eles amarravam os escravos pelos pés um ao outro, amarravam as mãos e colocavam eles deitados um do lado do outro em um navio, praticamente esmagados em um lugar que eles mal cabiam. Pior do que uma prisão. 500 escravos em um único navio sendo transportados como animais. Pior que animais. Homens, mulheres e crianças.

 

Imagine você nessa situação. Em uma viagem que durava meses, uma boa parte morria na viagem. Aqueles que sobreviviam, era vendidos para serem tratados com crueldade pelo resto da vida. Milhões de seres humanos, criados à imagem de Deus, escravizados até a morte.

 

Foi horrível ver aquilo. Mas foi importante ser lembrado da história. No final da visita ao Museu, o Pr. Pascoal, de Angola, olhou para nós e disse: “Cristãos, lembrem-se que nós fomos libertados de uma escravidão ainda pior”.

 

Ele tem razão. Infinitamente pior. Essa á a nossa história.

 

Nós estávamos escravizados a Satanás, ao pecado e a esse mundo. Nós estávamos sendo transportados para a morte eterna. Mas o nosso Libertador nos amou. Ele entrou no navio e sozinho, derrotou os nossos inimigos. Ele mudou a direção do navio e nos levou para o Reino de amor dele.

 

Dizem que a liberdade não tem preço. Mas ela tem. E o preço é alto. Muito alto. O preço é a morte do Filho de Deus. Na batalha para nos libertar, nosso Libertador se lançou no mar da ira de Deus. Ele teve que pular. E ele pulou, porque ele sabia que Deus iria ressuscitá-lo. E como aconteceu com o profeta Jonas, o mar se acalmou. E agora ele está nos levando em segurança para o Reino dele.

 

Como nós podemos abandonar um Libertador que tanto nos amou?

Abandonemos o pecado que nos escraviza.

Abandonemos as ofertas do mundo, que parecem que vão nos dar prazer, mas como uma ratoeira, vão nos prender.

 

Mas não abandone seu Libertador por nada. Permaneça livre. Espere na esperança.

Liberdade de verdade está na fé que se manifesta através do amor.


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Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo

 
 
 

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