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Lucas 23.39-43: O Ladrão na Cruz do Lado

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • há 12 minutos
  • 16 min de leitura

11 de Janeiro de 2026 – IBJM


INTRODUÇÃO


Essa passagem é uma conversa entre três homens. Até aí, nada de diferente: três homens falando uns com os outros. O que deixa essa passagem diferente é que os três homens estão pendurados enquanto conversam—pendurados em uma cruz! Isso é diferente.


Mas não é o fato de três homens crucificados conversando que faz essa passagem bem diferente. Durante o Império Romano, milhares, talvez milhões de pessoas foram crucificadas.


Existe uma coisa nessa passagem que deixa ela muito diferente—diferente de qualquer conversa entre homens crucificados. É o homem que está na cruz do meio. Ele é muito diferente.


Por um lado, ele é igual a nós: ele também é de carne e osso. Mas como nós vamos ver na passagem, ele é tão diferente, tão diferente, que nós podemos dizer que, como ele, não existe ninguém. Ele é único.


Existe mais uma coisa interessante nessa passagem: cada um de nós está representado nessa conversa entre 3 homens crucificados. Os ladrões de cada lado de Jesus representam relacionamentos diferentes com Jesus.


Um dos malfeitores, nós devemos copiar. O outro, nós devemos rejeitar—se nós queremos ser salvos.

Nós não sabemos os nomes desses dois criminosos. A Bíblia não nos dá o nome deles. Então eu vou usar a minha liberdade e ser bem criativo: eu vou chamar o primeiro malfeitores de malfeitor sem fé. E outro malfeitor, de malfeitor com fé.


Esse é o cenário da passagem de hoje: três homens em três cruzes – um malfeitor sem fé, um malfeitor com fé e Jesus entre eles. Você precisa tomar uma decisão de que lado você vai ficar: do lado de quem tem fé ou do lado de quem não tem fé.


Qual dos dois malfeitores representa seu relacionamento com Jesus? Cada um de nós precisa escolher como nós vamos lidar com o nosso pecado e com Jesus, o Salvador dos pecadores.


Se você está começando esse sermão do lado de quem não tem fé, eu tenho orado para que o Senhor use a Palavra dele para transferir você de um lado para o outro—do lado da morte para o lado da vida; do lado da condenação para o lado de salvação e do perdão e do paraíso.


Deus tem poder para fazer isso. Jesus continua salvando. Essa passagem é uma demonstração maravilhosa e poderosa do que Jesus pode fazer por pecadores como nós.


J. R. Ryle foi pastor na Inglaterra no século 19. Ele disse que essa passagem “merece ser impressa em letras de ouro”. (Ryle, Meditações no Evangelho de Lucas, 539). Ele tem razão.


  • Quantas pessoas o Senhor levou para o céu por causa do testemunho desse ladrão que se arrependeu e creu?

  • Quanta esperança nós podemos ter no Deus que salva malfeitores arrependidos, mesmo nos últimos minutos da sua vida!


Vamos ouvir a conversa entre esses 3 homens de novo e, a medida que nós ouvimos, nós vamos ver a beleza de uma fé verdadeira se manifestando na vida de um malfeitor que está há 2 mil anos no paraíso desfrutando da presença do Salvador que estava na cruz do lado.


Mas primeiro,


1. O MALFEITOR SEM FÉ FALA COM JESUS (V. 39)


[39] Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo: — Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.


Esse malfeitor não conhece a Jesus. Se ele soubesse quem estava crucificado do lado dele, ele não falaria desse jeito. Que jeito ruim para falar com Jesus. Tão ruim, que Lucas chama esse jeito de blasfêmia.


Por trás da pergunta dele, ele está dizendo: “Você não diz que você é o Cristo!? Então, você tem que se salvar e nos salvar”. Ele realmente não entende. Jesus não se salva exatamente porque ele é o Cristo. Ele não desce da cruz porque ele quer nos salvar.


  • Para aqueles que não têm fé, Jesus na cruz prova que ele não é o Cristo.

  • Para aqueles que têm fé, Jesus na cruz prova que ele é o Cristo (cf. James Edwards, O Comentário de Lucas, 862).


O malfeitor sem fé não entende:


  • Cristo precisa perder a vida para nos dar vida.

  • Para nos salvar, ele precisa sofrer.

  • Para nos libertar, ele precisa ser preso e pendurado em uma cruz.


Ó, malfeitor sem fé! Se você tivesse fé! Tão perto de Jesus (na cruz do lado) e ao mesmo tempo tão longe.


Que isso não seja dito sobre nós!


  • “Ah, aquele homem, aquele menino... tão perto da Palavra de Deus, mas com o coração tão longe”.

  • “Ah, aquele mulher, aquela menina... tão perto da igreja, mas com o coração tão longe”.

  • “Ah, veja a eles—tão perto do evangelho da graça, mas com o coração tão longe”.


Esse malfeitor, você não quer imitar. Por favor, não!


É por isso que a Bíblia compara falta de fé à cegueira.


  • Porque sem fé, a verdade está diante dos nossos olhos, mas nós não conseguimos ver.

  • Sem fé, Jesus oferece nos amar e nos perdoar, mas nós rejeitamos o único que pode nos salvar.

  • Sem fé, mesmo tão perto e com todas as oportunidades do mundo para ser salvo, nós permanecemos perdidos.

  • De fato, sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6).


Mas com fé, tudo muda! Com fé, muda tudo! Como a fé é preciosa! Mais preciosa do que o ouro, como o apóstolo Pedro disse (1 Pedro 1:7).


O malfeitor do outro lado também é um malfeitor, mas a fé dele faz toda a diferença.

Ele entendeu quem é o homem que está crucificado no meio deles. Esse é o malfeitor que nós devemos imitar.


Agora,


2. O MALFEITOR COM FÉ FALA COM O MALFEITOR SEM FÉ (VV. 40-41)


[40] Porém o outro malfeitor o repreendeu, dizendo: — Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual sentença?


A primeira coisa que ele faz é repreender o malfeitor sem fé. Que falta de temor—falta de temor a Deus—falar com Jesus com tanta incredulidade! Dando ordens para Jesus se salvar e salvar a ele.


Na Bíblia, ter fé e temer a Deus são atitudes inseparáveis. Quase sinônimos. Quem tem fé teme a Deus. Quem teme a Deus é porque confia em Deus—é porque tem fé.


O que é o temor a Deus—o temor do Senhor? Alguém já definiu o temor a Deus como desejar mais o sorriso de Deus do que o sorriso do mundo e estar mais preocupado em desagradar a Deus do que desagradar o mundo. Essa é uma boa definição. Temer a Deus é ser controlado, governado, dominado, satisfeito e preenchido por Deus.


O temor a Deus é um tipo de medo bom. Não é o medo que um funcionário tem de desagradar um chefe bravo e mal. É o medo que um filho tem de desagradar um pai amoroso e bom.


O temor ao Senhor é parte essencial da fé:


  • O que faz alguém lutar contra pensamentos pecaminosos—seja de imoralidade, seja de raiva—quando ninguém mais sabe o que você está pensando? O que faz alguém lutar é o temor do Senhor. Ele sabe que Deus está vendo e ele não quer desagradar o Pai amoroso que ele tem.


  • O que faz alguém fazer o que é certo e puro, mesmo quando ninguém sabe o que ele está fazendo? O que faz alguém não olhar para o que não deve? Eu digo a vocês: é o temor do Senhor. Ele quer viver para agradar o Deus de amor que ele tem.


O temor do Senhor—esse tipo de medo santo—traz paz. Ele deixa a consciência limpa. Ele faz nosso espírito ficar mais leve. Ele eleva a alma ao céu e nos dá alegria.


Temer a Deus nos faz sermos dominado pela grandeza e a beleza de Deus e querer viver para ele.


O temor do Senhor afeta o que você sente, o que você fala e o que você pensa e o que você faz.


Você não quer mais e mais desse temor? Nós vemos esse temor santo se manifestando no malfeitor com fé. O temor do Senhor—ou a fé—do malfeitor se manifesta de duas maneiras.


Primeiro, a fé se manifesta na confissão.


Fé em Cristo faz você confessar seus pecados:


[41] A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal nenhum.


O malfeitor com fé sabe quem Jesus é. Ele sabe que Jesus é santo. Ele reconhece que Jesus “não fez mal nenhum”. Jesus é inocente. Esse é um conhecimento essencial para a fé que salva. Reconhecer que Jesus não tem pecado.


Sabe quantas vezes, só no capítulos 23 de Lucas, alguém fala que Jesus é inocente? Sete vezes!


Até Pilatos diz que não viu em Jesus crime algum e Herodes concorda que as acusações contra Jesus são falsas.


Olha isso! Até quem não tem fé reconhece que Jesus não tem pecado. Mas só reconhecer que Jesus não tem pecado não é suficiente para nos salvar. Mas é essencial. Porque só um Salvador santo pode nos salvar.


Se Jesus pecou, então ele também precisa de um Salvador. Mas o malfeitor com fé tem razão: Jesus não fez nenhum mal. Jesus não é mais um mal-feitor. Jesus é um bem-feitor. Um Benfeitor perfeito.


Jesus só fez o bem. Jesus só faz o bem. E Jesus só fará o bem na sua vida, cristão. Jesus é o bem em carne e osso e em perfeita divindade. É por isso que todas as coisas cooperam para o seu bem.


E por isso, Jesus se qualifica para ser o Cordeiro sem defeito—o sacrifício perfeito que um Deus perfeito exige para pagar o preço infinito dos nossos pecados.


Porque aqueles que têm fé, além de reconhecerem que Jesus não tem pecado, eles reconhecem também que eles têm pecado—que eles são diferentes de Jesus. Essa é a primeira manifestação da fé: a confissão.


Você tem reconhecido o seu pecado? O malfeitor reconhece:


[41] A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem;


Nós devemos imitar o malfeitor com fé. Nós devemos confessar nossos pecados.

Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1João 1:8-9).


Imite o malfeitor do lado certo—do lado da fé. Reconheça e confesse seu pecado. Esse é o primeiro passo que a fé dá.


O reconhecimento do pecado é o que me faz reconhecer que eu preciso de um Salvador. Eu preciso ser perdoado. Sem ver meu pecado, eu não consigo ver Jesus com fé.


Eu quero dizer para vocês que não existe tanta diferença assim entre nós e esses dois ladrões na cruz. Nós também somos “mal-feitores”. Nós também somos feitores (praticantes) de mal e por isso nós também precisamos de um Salvador.


  • Você perdeu a paciência com alguém na sua casa essa semana? Jesus disse que ficar com raiva de alguém ou insultar alguém é uma obra má e nos faz sujeitos ao julgamento.

  • Alguma vez alguém elogiou você e você não deu glória a Deus perfeitamente no seu coração ou você buscou chamar a atenção das pessoas (na internet ou mesmo pessoalmente) com alguma coisa que você fez? Isso nos faz ladrões—ladrões do pior tipo. Ladrões da glória de Deus—daquilo que é tem mais valor nesse mundo.


A boa notícia da Bíblia é que existe salvação para malfeitores como nós. Mas para isso, você precisa reconhecer o seu pecado.


Você tem reconhecido seu pecado?


  • Quando a nossa consciência nos acusa, quem ganha? O orgulho ganha (e eu suprimo e não falo com Deus nem com os outros? Ou a humildade ganha (e eu reconheço e confesso um pecado)?

  • Quando alguém traz um pecado seu ao seu conhecimento: existe um reconhecimento da sua parte? Ou a culpa é sempre dos outros, da circunstância, das dificuldades?


O cristão é, por natureza, um confessor.


Confessar os próprios pecados—a Deus e aos outros—é uma manifestação essencial da fé. Aqueles que creem em Cristo conhecem seus pecados e confessam. Como o ladrão crucificado do lado de Jesus fez.


Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos (1 João 1:8).


Se confessamos nosso pecado, estamos do lado da verdade, e o homem da cruz do meio é fiel e justo para perdoar você, pecador.


O malfeitor com fé sabia disso. É por isso que ele falou o que ele falou para Jesus:


3. O MALFEITOR COM FÉ FALA COM JESUS (V. 42)


[42] E acrescentou: — Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino.


O primeiro malfeitor teve coragem, mas foi a coragem do pecado: ele desafiou Jesus, ele insultou Jesus.


[39] (...) — Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também.


O segundo malfeitor também teve coragem, mas foi um tipo de coragem diferente. Ele teve a coragem da fé: ele confiou em Jesus e teve a coragem de pedir para Jesus: “Rei Jesus, me salve!”.


Veja o que a fé é capaz de fazer: a fé abre os nossos olhos para vermos quem Jesus é.


Como um erudito da Bíblia chamado Plummer disse:


“Alguns viram Jesus ressuscitar mortos e não creram. O ladrão vê Jesus sendo morto e crê” (Bock, Luke, 1856 citando Plummer, 1896, 535).

A fé faz isso. Ela abre os nossos olhos. E é isso o que nós mais precisamos: ter nossos olhos abertos para a beleza de um Rei crucificado por nós. Porque o nosso problema mais fundamental não é falta de evidência. O nosso problema mais fundamental é falta de fé.


Você que tem fé, cristão, você recebeu um presente muito valioso. Cuide bem dela. Alimente sua fé com a Palavra regularmente. Fortaleça sua fé com oração constantemente. Estimule sua fé com comunhão. Expresse sua fé com música. Concretize sua fé servindo os irmãos.


Os dois malfeitores fizeram o mal. Mas aqui está a diferença: um rejeitou Jesus, o outro confiou em Jesus. Essa é a segunda manifestação da fé:


Segunda, a fé se manifesta na confiança.


A fé faz você fazer duas coisas: primeiro (como nós vimos), confessar o seu pecado (v. 41). E segundo, a fé faz você confiar no seu Salvador (v. 42).


O malfeitor com fé não apenas entendeu quem Jesus é. Ele recebeu Jesus por quem ele é—Cristo, Rei, Salvador. Isso é confiar em Jesus—isso é fé: receber pessoalmente Jesus.


Esse malfeitor entendeu que a morte de Jesus não é a derrota de Jesus. A cruz é o lugar da vitória do Rei. Ele está pedindo para Jesus se lembrar dele quando Jesus vier no seu Reino. Ele entendeu que a morte iria levar Jesus nós só para a sepultura, mas para o trono.


Esse malfeitor creu na acusação que os romanos colocaram na placa em cima da cabeça de Jesus: “Este é o Rei dos judeus”.


O que para os romanos era um deboche, para esse ladrão—e para nós—é o nosso descanso. Jesus é o Rei que salva malfeitores que (1) confessam os pecados e (2) confiam nele.


  • O ladrão sem fé exige que Jesus desça da cruz para salvá-lo. O ladrão com fé pede para Jesus se lembrar dele depois da ressurreição—“quando você viver no seu Reino”.

  • O malfeitor sem fé quer ser salvo da morte física. O malfeitor com fé quer ser salvo da morte espiritual.

  • Aqueles que não têm fé querem ser salvos da cruz e do sofrimento. Aqueles que têm fé querem ser salvos do pecado e entrar no Reino de Jesus com ele.


Que coragem santa fazer esse pedido:


— Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino (v. 42).


Ele fez esse pedido porque ele acreditou que o homem que estava crucificado do lado dele era um Salvador capaz de se lembrar de pecadores com amor e perdoá-los.


Essa é uma transação espiritual salvadora: você entra com confissão e Jesus entra com compaixão. Você coloca sua confiança em Jesus e Jesus coloca a justiça dele em você.


Você não tem nenhum bom motivo para ficar do lado errado e imitar o ladrão sem fé. Você tem todos os motivos do mundo para ficar do lado certo—do lado da fé: confessar o seu pecado e confiar no seu Salvador.


Se você ainda não está convencido disso, ouça agora o que o homem da cruz do meio irá falar. A conversa entre esses 3 homens termina com ele se pronunciando.


Eu vou dizer uma coisa para vocês: as palavras de Jesus são um escândalo! O escândalo mais doce que ouvidos humanos podem experimentar. O escândalo de um Salvador que leva malfeitores para o paraíso com ele. O escândalo da graça livre e soberana de Deus!


4. JESUS FALA COM O MALFEITOR COM FÉ (V. 43)


O ladrão fez um pedido:


(...) — Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino.


[Versículo 43] Jesus lhe respondeu: — Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.


Esse Jesus é um homem é diferente! Quem pode falar desse jeito? Que homem pode prometer uma coisa dessas? “Você estará comigo no paraíso”.


Só um homem pode. Um homem que também é Deus. Um homem que é o Cristo. Um homem que tem um Reino com R maiúsculo. Eu disse que ele era diferente. Ele é único. Ele é o único que tem poder para salvar. Ele é o Rei.


Por favor, veja essa cena: as autoridades religiosas de Israel se juntam aos governantes romanos e prendem Jesus. Julgam Jesus injustamente e condenam Jesus à morte. Eles insultam Jesus, debocham de Jesus, tratam Jesus como se ele fosse o pior dos malfeitores.


Eles amarram Jesus em um poste e mandam açoitá-lo. Tiram-no dali e o fazem levar a cruz em que ele será pendurado. Eles pregam as mãos e os pés de Jesus na cruz e levantam Jesus e esperam até ele morrer. Eles fazem o que eles querem com Jesus.


Olhando para essa cena com olhos sem fé, o poder está com os judeus e os romanos e o mundo. Jesus perdeu. Acabou.


Mas se você continuar olhando, e olhar a cena com os olhos da fé, você verá onde realmente está o poder. Se você olhar com fé, você vai ver que quem está controlando tudo. Quem é realmente o Rei. Quem está no controle de tudo é o homem crucificado na cruz do meio.


Jesus está sendo crucificado no meio de malfeitores para cumprir a profecia sobre ele em Isaías 53:


[Ele, o Messias] derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores. Contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu (‭‭Isaías‬ ‭53‬:‭12).‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬


A ironia santa de toda essa cena é que o homem que está preso na cruz está governando livremente todo o Universo.


Enquanto ele está morrendo, ele está dando vida eterna aos malfeitores que confessam e confiam.

Enquanto ele está pendurado, sofrendo terrivelmente, ele está prometendo o paraíso para um ladrão que se arrependeu. Ele pode prometer o paraíso porque ele é o dono do paraíso. Ele é o dono do céu. E da terra. E do mar. E de tudo o que neles há.


Olhando para essa cena com fé, nós conseguimos ver quem realmente está no controle—governando a história.


HOJE!


Nos evangelhos de Mateus e Marcos nós temos uma informação sobre o malfeitor com fé que deixa essa passagem ainda mais gloriosa. Mateus e Marcos dizem que, quando esses três homens—Jesus e os dois malfeitores—estavam carregando a própria cruz para serem crucificados, os dois malfeitores estavam insultando Jesus. Os dois!


Mateus 27:44—Também os ladrões que haviam sido crucificados com ele o insultavam.


Isso significa que o malfeitor com fé foi para cruz sem fé. Mas ali, naquela cruz, pendurado, Deus amou aquele malfeitor. Deus ama salvar malfeitores. E o Espírito Santo moveu o coração daquele homem. Melhor: o Espírito Santo tirou o coração de pedra e colocou um coração de carne. Tirou um coração parado e colocou um coração que bate—um coração que tem fé.


E nos últimos minutos da vida daquele criminoso, ele se arrependeu e creu. Ele confessou seu pecado e confiou no seu Salvador.


Mas tem mais! Veja isso: o ladrão pediu para Jesus: “Quando você vier”. Um pedido mais amplo, no futuro. Quando você viver no seu Reino. Quando... E o que Jesus responde:


— Em verdade lhe digo que HOJE(!) você estará comigo no paraíso.


Quando? Jesus diz: “Hoje! Em verdade (é certo!) lhe digo: ‘Hoje!’. Eu tenho poder para salvar você, malfeitor. Você confia em mim e eu salvo você. Nós estaremos juntos daqui a pouco no céu!”


Que história de salvação desse ladrão!


Ele começa o dia em uma cruz e termina o dia no paraíso!

Ele começa o dia nesse mundo mal e termina em um mundo de amor!

Ele começa o dia cheio de pecado e termina o dia sem pecado nenhum!

Ele começa o dia em enorme agonia e termina o dia em infinita alegria!


Como nós ouvimos semana passada que o Caique pregou: a morte, para o crente, é realmente lucro (Filipenses 1:21).


A história de salvação desse ladrão nos dá esperança. Ninguém está fora do alcance dos braços desse Salvador. Enquanto temos fôlego nos pulmões, há esperança. Jesus salva crianças. Crianças, confessem seus pecados e confiem nesse Salvador maravilhoso! Jesus salva crianças. E Jesus salva pessoas no leito de morte—mesmo que seja uma cruz de morte!


Não vamos parar de orar por aqueles que nós amamos, mas que ainda não confiam no Senhor. Não vamos desistir. A história desse ladrão está aqui para nos dar esperança. Jesus pode salvá-lo. Ele tem poder.


E se você está ouvindo essa mensagem e pensa: “Eu não tenho certeza se eu vou para o paraíso com Jesus”. Ou se você diz: “Eu já tentei. O meu caso é perdido. O pecado já me dominou”, eu quero dizer para você que Jesus não concorda com você. Ele tem autoridade para perdoar pecados e a capacidade para purificar você.


O que você precisa fazer? Eu devolvo a pergunta para você: o que o ladrão fez para ir para o paraíso? Ele creu. (Ponto). Ele confessou o pecado e confiou no Rei-Salvador. Tudo o que ele precisou fazer foi olhar para aquele homem crucificado na cruz do meio com fé.


Esse é o escândalo da graça livre e soberana de Deus—a graça que salva malfeitores. A graça que tem o tamanho que nós precisamos: o tamanho de Deus.

Charles Spurgeon disse:


Não existe nada pequeno em Deus. A misericórdia dele é como ele mesmo—ela é infinita. Você não pode medi-la. A misericórdia dele é tão grande que ela perdoa grandes pecados de grandes pecadores, depois de um grande tempo pecando, e então ela concede grandes favores e grandes privilégios, e nos eleva a grandes alegrias no grande céu do grande Deus (Spurgeon, Morning & Evening, Morning, August 17).


Eu quis pregar esse texto em um dia de batismo para nos lembrar também que o batismo não salva. O nosso irmão malfeitor foi da cruz direto para o paraíso. Ele não foi batizado, mas ele vai passar a eternidade com Jesus. Ele nunca participou de uma ceia na terra, mas ele estará nas Bodas do Cordeiro.


Porque o poder não está naquela água. O poder está naquele sangue—na morte de Cristo na cruz. Comer pão e tomar o cálice não tem poder para remover nossos pecados.


Rituais não salvam. Quem salva é Cristo. O que me salva é confiar que Jesus morreu pelos meus pecados naquela cruz.


E não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12).


E:


(...) “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Romanos 10:13).


CONCLUSÃO


A cena que encerra a vida de Jesus na terra funciona como uma ilustração de toda missão do Senhor Jesus. Jesus entre malfeitores nos lembra que ele veio a esse mundo para viver entre malfeitores e para salvar malfeitores.


Como Jesus mesmo disse, depois que ele salvou um homem baixinho corrupto chamado Zaqueu (um outro malfeitor!). Jesus disse:


Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido (Lucas 19:10).


E foi o que ele fez. Até o último minuto da vida dele. Mesmo pendurado em uma cruz. Mesmo sofrendo o maior sofrimento que um ser humano pode sofrer—debaixo da condenação de Deus como o nosso Substituto, Jesus estava lá—salvando. E ele continua salvando até hoje.


A pergunta mais importante da sua vida é: de qual dos dois lados você está? Do lado com fé ou do lado sem fé? Imite o malfeitor certo.


Confesse seu pecado. E confie em seu Salvador. E seja salvo.


Nenhum pecado é grande demais. Nenhum tempo pecando é grande demais.

Jesus é o grande Salvador de grandes pecadores. Ele é o Salvador que você precisa.


Você confessa e confia, e o homem na cruz do meio concede a você o paraíso com ele. Esse é o escândalo da graça do Rei que perdoa malfeitores que se aproximam dele com fé.


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