Filipenses 2:1-11: Tenham o Mesmo Modo de Pensar
- Israel Rodrigues

- há 1 dia
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08 de Janeiro de 2026 – IBJM
Esse texto é maravilhoso. Rico em teologia. Porém, muito rico também em prática. É uma mistura de teologia com vida cristã. Conhecimento com piedade.
É possível ter muito conhecimento e não ter piedade. É possível ter uma cabeça tão cheia de informação e um coração tão vazio de transformação.
Nós precisamos nos atentar para nossa vida e ver se o conhecimento que temos de Cristo e da Sua Palavra tem nos transformado em pessoas humildes e piedosas.
Diante da Palavra de Deus, nós precisamos nos humilhar. Humilhar nosso coração, nossa mente, nossas vontades, nossos desejos.
Esse texto mostra exatamente isso, tomando como exemplo dessa humilhação o Deus em carne, Jesus Cristo.
O interesse do apóstolo Paulo é fortalecer a igreja convocando os filipenses a viverem em amor e humildade uns com os outros, assim como Cristo foi o exemplo de serviço amoroso e humilde em favor deles.
O encorajamento de Paulo era para que eles vivessem em Cristo.
E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem.
É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir.
A humilhação de Cristo O levou à exaltação. O caminho que nós percorremos é o mesmo. Quem se humilhar, será exaltado.
Vamos ver 3 pontos (que eu acabei de citar) nessa passagem para termos o mesmo modo de pensar: 1) para viver, 2) para crescer e 3) para receber.
PARA VIVER [hoje] – vv. 1-4
No capítulo 1, Paulo dá atenção aos inimigos externos da igreja, deixando clara a ameaça que a igreja sofre deste mundo hostil (1.28-30). No capítulo 2, Paulo muda a direção (a palavra “portanto” faz essa marcação) e começa a tratar de um problema tão ameaçador quanto, que é a divisão dentro da igreja.
Se vocês querem vencer a hostilidade do mundo, os ataques e ameaças dele, vocês precisam permanecer unidos, juntos. Somente se estiverem unidos aqui dentro, é que poderão vencer lá fora.
Nos versos 1 e 2, Paulo traça um paralelo entre o amor de Cristo pela igreja (os crentes) e o amor dos crentes uns pelos outros.
Vv.1-2: “Portanto, se existe alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão, 2 então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, e sendo unidos de alma e mente”.
Paulo está fazendo uma alusão ao interesse de Cristo pela Igreja, lembrando os filipenses da sua posição de crentes: vocês são amados por Cristo e estão em Cristo. E, sendo amados por Cristo e estando Nele, vocês se amam vivendo Nele.
Se existe “alguma exortação em Cristo” (encorajamento, como sentido mais próximo da palavra “exortação”), então tenham “o mesmo modo de pensar”.
Se existe “alguma consolação de amor”, o amor que o Senhor da Igreja nutre pelo Seu povo, então tenham “o mesmo amor”.
Se existe “alguma comunhão do Espírito”, o Espírito em quem vocês foram batizados em um só corpo, unidos a Cristo e uns com os outros, então sejam “unidos de alma e mente”.
Note que vivermos unidos uns com os outros, nos amando, nos encorajando, “tendo o mesmo modo de pensar” (não uma uniformidade intelectual monótona, mas uma unidade em amor, usando nossos dons [que são diversos] para a edificação da igreja, pensando em fazer tudo para a glória de Deus) só é possível porque Cristo nos ama, porque Ele nos une como Seu corpo.
Não existe outra maneira de um crente viver.
Nosso modo de pensar é identificado na nossa demonstração de amor uns pelos outros, o quanto nos humilhamos em favor do próximo.
No meio desse paralelo entre o amor de Cristo e uns pelos outros, Paulo acrescenta (final do v.1): “se há profundo afeto e sentimento de compaixão”.
Essa frase está ligando o amor de Cristo pelo Seu povo (v.1) com a vida prática desse amor no meio da igreja (v.2).
Paulo está usando termos muito intensos aqui nessa conexão.
“Profundo afeto” tem o sentido literal de “entranhas humanas”, ou seja, aquilo que representa a parte mais profunda, mais íntima, o sentimento mais intenso possível.
Foi esse tipo de sentimento de compaixão, esse modo de pensar, que motivou Jesus a Se entregar pelo Seu povo (como veremos daqui a pouco). É um sentimento intensamente pessoal.
Então, esse é o tipo de amor que tem que ser demonstrado no meio do povo de Deus. É esse amor que faz com que tenhamos o mesmo modo de pensar, que sejamos unidos de alma e mente. É esse amor, essa disposição de humildade que o Espírito aplica em nossos corações como uma marca da comunhão que temos com Ele.
Vv.3-4
Depois que Paulo faz esse apelo aos filipenses, ele coloca o ‘dedo na ferida’ deles, mostrando os males que estavam ameaçando a vida e a unidade da igreja, que estavam ameaçando o mesmo modo de pensar deles: egoísmo e vaidade.
V.3: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade...”.
O egoísmo que Paulo acusa aqui nos leva para o Éden. O fruto que o pecado trouxe para Adão e Eva foi proteger seus próprios interesses. Eles acusaram o outro da sua falha, tentando camuflar seu pecado. “A culpa foi dela”; “a culpa foi dele”.
Nada muito diferente de hoje. O egoísmo é uma doença espiritual que afeta todas as pessoas. Nós temos que tomar muito cuidado, vigiar a todo instante, pois caímos facilmente nas presas do egoísmo, de olharmos somente para nós mesmos.
Nossa tendência nunca é assumir a culpa, mas colocá-la nos outros, numa tentativa de justificarmos nossos pecados.
Quando ficamos irados e temos uma explosão de raiva; quando nos isolamos e não queremos falar com ninguém; quando reagimos com indiferença à necessidade de alguém; quando consideramos as oportunidades que temos para nos reunir como povo de Deus não são tão importantes.
Essas são manifestações que mostram o nosso egoísmo, nosso orgulho, fruto do nosso pecado.
Isso mostra uma realidade interior de quem está recebendo glória na nossa vida, se é Deus ou se somos nós mesmos.
O que nos leva ao segundo termo usado por Paulo, “vaidade”, que tem uma conotação mais profunda do que vaidade. Paulo está usando uma expressão que se aproxima mais de “vanglória”.
Ao longo dessa carta, o apóstolo faz uso do termo “glória” com frequência, se referindo a Deus ou ao corpo ressurreto de Cristo.
Então, vanglória (a glória para si mesmo) é uma inclinação orgulhosa do homem para tomar o lugar de Deus em seu próprio coração.
O egoísmo (próprio interesse) leva você à vanglória (a tomar o lugar que é de Deus).
Em Isaías 42.8 diz: “Eu sou o Senhor: este é o meu nome. Não darei a mais ninguém a minha glória...”.
Se Deus é tão claro em dizer que não dá a Sua glória a mais ninguém, por que insistimos em ter a glória Dele para nós?
- Nossa falta de amor;
- Falta de diligência no trabalho;
- Nossa preguiça, postergando responsabilidades;
- Falta de compromisso em sustentarmos a igreja, em servirmos os outros;
- Nossa desobediência à Palavra de Deus, de não passarmos tempo com o Senhor diariamente em leitura e oração;
- Crianças, quando vocês desobedecem aos seus pais;
- Pais, quando vocês não instruem seus filhos na Palavra de Deus;
- Jovens, solteiros, quando desconsideram o conselho de homens e mulheres mais maduros, ou se vocês se perdem nas impurezas das telas dos seus celulares e notebooks;
- Todas essas são maneiras de dizermos que a glória é nossa, e não de Deus.
A vanglória tira nosso senso do interesse alheio, tira das outras pessoas a dignidade que elas têm por terem sido criadas à imagem de Deus. A vanglória destrói uma vida com o Senhor e destrói a vida comunitária da igreja.
A solução para isso é a humildade.
Vv.3-4: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, 4 não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros”.
A mensagem é clara: a atitude de vocês, o interesse pelos outros, têm que ser humilde. É fazer o necessário para que eu não fira o meu irmão.
Mais importante do que o que eu penso, é como eu posso amar mais meu irmão. Mais importante do que o que eu quero fazer, é como eu posso servir melhor meu irmão.
Isso nos leva a ter o mesmo modo de pensar e, por consequência, nos leva a uma vida de humildade.
Quando nos interessamos pelos interesses dos outros, quando amamos, servimos, estamos refletindo uma humildade santa e mostrando como nós somos vistos diante de Deus, como Suas criaturas, como Seus servos. A humildade nos coloca no nosso devido lugar.
Se entendemos que toda a glória pertence a Deus, nossa atitude será de serviço humilde.
A prática da humildade dá às outras pessoas a dignidade que elas têm como criadas à imagem de Deus. Essa é a prática que se espera existir no meio do povo de Deus.
Considerar os outros superiores a si mesmo e ter em vista, também, os interesses do próximo, é um desafio para que vejamos a nós mesmos em nossa correta condição, como criaturas de Deus que foram criadas, não para reter a glória para si, mas para refletir a glória do Seu Criador.
- Se dispor a cuidar das marmitas para as famílias que acabaram de ter filhos;
- Dar o seu dinheiro para ajudar no conserto do carro de um irmão que quebrou;
- Usar seu tempo para caminhar junto, para discipular outras pessoas;
- Cuidar de pessoas, famílias, que estão em conflito, sendo o elo de reconciliação entre elas;
- Todas essas coisas exigem muito do nosso esforço, em renunciar planos, tempo com família, amigos; mas fazer tudo sem esperar nada em troca, por amor.
Tenham o mesmo modo de pensar para viver.
PARA CRESCER [à imagem de Cristo] – vv. 5-8
O verso 5 faz a transição entre a maneira como temos que viver e o motivo pelo qual vivemos desse jeito.
Cristo é o nosso exemplo, e vivemos tendo o mesmo modo de pensar para crescer à imagem Dele.
V.5: “Tenham o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus...”.
É como se Paulo estivesse pedindo para a igreja de Filipos completar a frase: “Tenham o mesmo modo de pensar...?” ... “De Cristo Jesus”. Isso mesmo. Correto.
(Se você for ao acampamento nessa semana e brincar de torta na cara, atenção, é possível que você tenha que completar a frase...).
A palavra “pensar”, nesta carta, é uma palavra-chave. Ela significa a combinação de atividades intelectuais e afetivas, que toca tanto a mente como o coração, e conduz a uma ação positiva.
Algumas traduções trazem a palavra ‘sentimento’; outras traduzem como ‘atitude’.
O ponto é que o sentido do texto tem a conotação dessas duas coisas: sentimento e atitude. É uma atividade que toca em nossos afetos, sentimentos e no faz agir em favor de alguém.
A partir do verso 6, nós vemos qual foi o sentimento de Cristo por nós que O fez agir em nosso favor. Qual foi o “modo de pensar de Cristo Jesus”.
No versículo 6, Paulo começa afirmando que Jesus é Deus (“... mesmo existindo na forma de Deus...”).
“Forma” vem da palavra grega morphe, que significa a natureza verdadeira e exata de algo, que possui todas as características e qualidades de algo.
O apóstolo está afirmando a divindade eterna de Cristo. Ter a forma de Deus é ser igual a Deus. Jesus é Deus.
Agora, continuando o verso 6: “... mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. 7 Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos”.
Percebam que no verso 7 Cristo assume uma outra forma, a forma de servo.
Ele tem a forma de Deus e assume a forma de servo. Jesus é plenamente Deus e assume uma natureza plenamente humana. Porém, numa condição de servo.
A palavra “forma” no verso 7 é a mesma usada no versículo 6. Então, assim como Jesus tem a natureza verdadeira e exata da divindade, com todas as suas características e qualidades, Ele assume a natureza verdadeira e exata da humanidade, com todas as suas características e qualidades. Jesus é, também, plenamente Homem.
Ele é Deus e Homem. Cristo é o Deus-Homem.
E a palavra “servo” tem, literalmente, o significado de escravo, alguém que está em sujeição. Ele recebe a forma de escravo.
Cristo vai muito mais além do que podemos imaginar. Ele não somente se torna um homem, mas um homem em sujeição, um servo. O Deus Criador se torna o Servo Sofredor.
Jesus “não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo”. O ser igual a Deus não O fez se apegar aos Seus privilégios divinos a todo custo. Ele não usou da Sua divindade como algo a ser explorado para o Seu próprio benefício ou vantagem. Em vez disso, o modo de pensar de Cristo Jesus foi de servir, de Se entregar. Ele considerou os nossos interesses mais importantes do que o Seu próprio interesse.
O interesse de Cristo foi, durante toda a Sua vida, ser “desprezado e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores e que sabe o que é padecer. E, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is 53.3).
Esse foi o “profundo afeto e sentimento de compaixão” que Jesus teve por nós, porque somente assim nós poderíamos ter sido salvos.
E esse é o nosso alvo: termos o modo de pensar de Cristo para crescermos em nossa vida de santidade e sermos como Ele.
Quando Ele assume a forma de servo, Ele não deixa de ser Deus.
V.7: “Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo...”.
Cristo não perde Sua divindade quando encarna. Ele acrescenta a Si mesmo a natureza humana. O esvaziamento de Cristo não faz Ele perder, mas ganhar.
Ilustração: se você for a uma concessionária de veículos e pedir para fazer um test-drive com uma caminhonete 0km em uma estrada de terra depois de um dia de chuva (ou seja, lama). A caminhonete está brilhando, novinha.
Você faz o test-drive e volta com o carro para a concessionária cheio de lama.
A beleza do carro não foi destruída, nem mesmo diminuída, mas a sua beleza foi coberta pela lama. A glória do carro está tão presente nele como estava antes do test-drive, mas esta glória não pode ser vista pelo que é por causa da lama que a encobre. Receber a lama acrescentou algo que resulta na glória aparecer menos, enquanto, de fato, é apenas mais que foi acrescentado.
A natureza humana de Cristo faz o papel da lama (mas sem pecado; é uma camada pura da humanidade): apenas encobre a glória da Sua divindade, sem excluí-la. Ele se esvazia como? Assumindo, acrescentando.
Agora, mesmo não perdendo Sua natureza divina, não significa que Ele não tenha tido alguma perda.
Mateus 27.46 registra qual foi a perda de Cristo. Jesus clama na cruz:
“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”.
Essa foi a maior perda da História: Deus Pai abandonando o Deus Filho na cruz. Por um momento, o Filho Se sentiu distante, desamparado do Pai. O relacionamento tão profundo de amor um pelo outro, agora, em algum grau, está rompido.
E Jesus quis fazer isso. Ele quis vir a esta terra, Se tornar um homem, um servo, sofrer e morrer em nosso lugar. Ninguém O obrigou.
Nós somos orgulhosos, egoístas demais para aceitar perder. Temos muita dificuldade para nos lembrar da vitória que temos garantida em Cristo diante de uma perda nesta terra. Jesus se dispôs a perder algo do céu (o relacionamento íntimo com o Pai) para vir a este mundo se tornar um Servo Sofredor. E nós não queremos perder algo desta terra, que tem prazo de validade, para alcançar o céu, que é eterno.
As coisas terrenas ofuscam as coisas celestiais.
As perdas da terra ofuscam o ganho do céu.
Deus nos livre que nossos olhos espirituais tenham uma visão turva, embaçada daquilo que verdadeiramente nos importa. Não ganhar mais do que os outros; não ganhar uma discussão; não vencer uma batalha de egos; não querer mostrar mais inteligência; não querer ter mais reconhecimento. MAS GANHAR CRISTO. É isso o que importa. E fazemos todo o necessário para que esse seja o modelo da nossa vida.
Mas a humilhação de Jesus não para na Sua encarnação.
(Parênteses): Não quero dizer que a humanidade é algo ruim. Ser um ser humano, em si, não é ruim. Deus criou o homem, e viu que era muito bom (Gn 1.31). Ele criou o homem perfeito e santo.
A encarnação de Cristo é uma humilhação pelo fato do Criador ter que se igualar à Sua criação; do Deus Altíssimo ter que descer ao nível da criatura. Nunca ninguém desceu tão baixo como Jesus, porque nunca ninguém veio de tão alto como Ele.
Nunca ninguém saiu da luz de Deus para a escuridão da morte, como o Salmo 18.9 diz: “Ele baixou os céus e desceu, e teve sob os pés densa escuridão”.
E este é o ápice da humilhação de Cristo: a Sua morte.
Final do verso 7-8: “E, reconhecido em figura humana, 8 ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”.
Jesus não se humilhou até a morte apenas, mas até a morte de cruz, a morte amaldiçoada, pública e vergonhosa. Morrer na cruz era uma punição severa para os homens, mas também era estar debaixo da maldição de Deus.
Paulo, escrevendo aos Gálatas, diz:
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar – porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro’” (Gl 3.13).
A humilhação era tanta, que o próprio Cristo diz, como está no Salmo 22: “Mas eu sou verme e não um ser humano; afrontado pelos homens e desprezado pelo povo. 7 Todos os que me veem zombam de mim; fazem caretas e balançam a cabeça, dizendo: 8 ‘Confiou no Senhor! Ele que o livre! Salve-o, pois nele tem prazer’” (vv. 6-8).
Já pararam para pensar a que ponto Jesus se submeteu? Quão profunda foi a Sua obediência, se colocando debaixo da ira santa do Pai? Tornando-se um servo com o propósito de beber cada gota do cálice da ira de Deus?
O nosso Senhor se submeteu a tudo isso por nossa causa.
Is 53.5-7,10: “... ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas somos sarados. 6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele [e não sobre nós] a iniquidade de todos nós. 7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. 10 [...] Ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer”.
Em nenhuma religião o deus falso dessa falsa religião dá a sua vida por alguém. São apenas exigências. “Faça isso”, “faça aquilo”, mas não existe um modelo perfeito. Tudo é sempre centrado no homem.
O cristianismo tira esse peso dos nossos ombros. Ele é a única religião verdadeira, onde o próprio Deus dá a Sua vida pelos Seus escolhidos. Existem muitas exigências, mas todas elas foram cumpridas pela obediência perfeita de Cristo e, na cruz, todas elas foram consumadas, quando Jesus bradou: “Está consumado!”.
Jesus foi obediente em tudo o que o Pai exigiu do Seu povo e, agora, em Cristo, você pode ser visto por Deus como alguém que obedece perfeitamente a Sua Palavra, por meio de Cristo e por causa da Sua obra na cruz.
Agora, nós podemos viver vidas transformadas.
Crente, se você tem vivido na prática de algum pecado, arrependa-se dele, olhe para o Cristo fez e imite o Seu Redentor. Você pode crescer no modo de pensar de Cristo se você O imitar, se andar como Ele andou.
E se você está aqui hoje e não é um crente, não confessa Cristo como o Seu Salvador, meu apelo a você agora é: arrependa-se dos seus pecados e coloque a sua fé em Jesus. Creia Nele hoje! Não espere ter uma vida melhor, curtir a juventude, conquistar bens, carreira ou alguma formação. A mensagem do evangelho é uma mensagem urgente: esse Cristo que morreu, também ressuscitou e subiu ao céu. E Ele voltará para buscar os que entregam suas vidas a Ele, que confiam Nele e vivem para Ele. E ninguém sabe o dia e a hora que Ele irá voltar. Por isso, não espere. Vá até Cristo hoje e peça perdão pelos seus pecados. Peça a ajuda do Espírito Santo para que guie você no caminho de Cristo.
Para crescermos no mesmo modo de pensar como corpo de Cristo, precisamos imitar o nosso Salvador, tendo o mesmo modo de pensar Dele, crescendo à imagem Dele.
“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4.15).
PARA RECEBER [exaltação] – vv. 9-11
A nossa esperança é que nossa caminhada não termina na humilhação, mas sim, na exaltação.
Tenham o mesmo modo de pensar para viver, para crescer e para receber.
O que, para nós, às vezes pode parecer uma perda (Cristo desamparado na cruz), na verdade, é uma vitória.
V.9: “POR ISSO”.
O que vem a seguir nesses versos tem como fundamento o que veio antes deles.
V.9: “Por isso também Deus o exaltou sobremaneira...”.
A exaltação de Cristo é resultado da Sua humilhação.
Porque Ele desceu, também subiu. Porque Ele perdeu, também ganhou. Porque foi perseguido, zombado, blasfemado, também recebeu (continuação do verso 9) “o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai”.
Por causa da humilhação de Cristo na cruz, por amor, mostrando o verdadeiro sentimento de compaixão por pecadores como nós, mostrando o caráter amoroso do próprio Deus, por isso, Deus O ressuscita e O exalta sobremaneira, dando a Jesus o governo sobre todas as coisas, sobre toda criação, e dando a Ele o nome que está acima de todo nome.
O Deus Criador que se fez o Servo Sofredor, agora é o Rei Vencedor!
A morte de Cristo O faz vitorioso sobre a própria morte, sobre o pecado e sobre Satanás. Na cruz, é cumprida a profecia que o filho da mulher esmagaria a cabeça da serpente.
Na Sua ressurreição, Cristo recebe toda a autoridade sobre tudo e todos. É Ele quem tem as chaves da morte e do inferno. Ele é quem inaugurou o novo e vivo caminho que nos leva até Deus, o Pai. Ele é o caminho que nos conduz na luz e na verdade. Tudo está debaixo do Seu domínio.
E Cristo será adorado para sempre.
Todo joelho vai se dobrar diante Dele. Alguns vão se dobrar em adoração e louvor; outros se dobrarão porque o Rei chegou e a rebelião deles vai resultar em julgamento. Mas TODOS, sem nenhuma exceção, TODOS se dobrarão diante do Rei que venceu, e que voltará em breve, vestido em glória, com todo o Seu poder.
Que o Senhor produza em nossos corações cada vez mais a humilde santa do Filho de Deus, para nos dobrarmos diante Dele em adoração hoje, para ressuscitarmos no Último Dia para sermos exaltados com Ele.
Jesus fez uma promessa para aqueles que seguirem os Seus passos (Ap 3.21): “Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”.
Ter o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus resulta na garantia de reinarmos com o Rei da Glória para sempre.
CONCLUSÃO
Meus irmãos, tudo o que fazemos, falamos, pensamos, tem que ter como fim último a glória de Deus.
Tudo o que Cristo fez foi, como diz o final do verso 11, “para a glória de Deus”.
Vamos viver esse modo de pensar, para continuarmos crescendo em amor, serviço e humildade uns com os outros e para recebermos a coroa da justiça que nos está guardada.
Que todos possam saber que a luz de Cristo brilha em nós, “para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”, para onde nós iremos viver por toda eternidade.
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