top of page

Jó 40:6-42:6: Agora Os Meus Olhos Te Veem

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • há 4 dias
  • 25 min de leitura

Série em Jó: Sofrimento Soberano 19 de Julho de 2026 – IBJM


Esses dias eu ouvi a história de um homem que estava dirigindo quando um motorista bêbado bateu no carro dele. Ele sobreviveu. Estavam no carro com ele a esposa, a filha e a mãe dele. Nenhuma delas sobreviveu. Três gerações em um só acidente.

 

Como esse homem pode continuar a viver? Ele sobreviveu ao acidente, mas como ele pode sobreviver a um golpe tão forte da vida?

 

Em outras palavras, o que um homem desse no meio do sofrimento mais precisa? O que você mais precisa quando você está agitado, ansioso, frustrado, deprimido, confuso e ferido?

 

Os discursos no final do livro de Jó são a resposta de Deus para essa pergunta. Deus irá dar para Jó o que Jó mais precisa.

 

O texto de hoje tem duas partes: a resposta de Deus (capítulos 40 e 41) e a resposta de Jó (no início do capítulo 42). É a segunda e última vez que Deus fala com Jó. E a palavra de Deus, como sempre, não volta vazia, mas faz o que lhe apraz.

 

A RESPOSTA DE DEUS (40:6-41:34)

 

Deus começa o segundo discurso da mesma maneira que o primeiro: chamando Jó a se preparar.

 

1.     PREPARAÇÃO (40:6-7)

 

[6] Então o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó e disse:

[7] “Cinja os lombos como homem, pois eu lhe farei perguntas, e você me responderá.

 

§  Deus continua falando do meio de um redemoinho.

§  Deus continua usando perguntas.

 

Mas o assunto que Deus irá tratar não é exatamente o mesmo do primeiro discurso. Na primeira vez que Deus falou, nos capítulos 38 e 39, Deus estava lidando com o conhecimento. Como Deus tem o conhecimento que Jó não tem para governar o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, incluindo a vida de Jó e a nossa vida.

 

A questão que Deus precisa lidar agora com Jó nessa operação de resgate—de trazer o coração de Jó para uma posição de confiança e submissão—é a questão do poder. Da força.

 

Esse é um mundo perigoso. Nós precisamos de um Deus que tenha não só o conhecimento para governar. Nós precisamos de um Deus que tenha força para nos salvar.

 

O discurso inteiro está temperado com esse tema. Se no primeiro discurso, Deus mostrou a quantidade de conhecimento que ele tem, agora Deus quer nos mostrar a quantidade de força que ele tem.

 

Eu vou dizer uma coisa para vocês: “O seu Deus é forte. Ele é muito forte”.

 

Mas existe uma razão específica porque Deus escolheu o assunto da força para terminar e coroar a operação de resgate de Jó. Essa razão aparece na acusação que Jó faz contra Deus.

 

Depois da preparação (vv. 6-7), Deus lembra Jó do que ele está acusando Deus:

 

2.     ACUSAÇÃO (40:8-9)

 

[8] Será que você está querendo anular a minha justiça?

Ou me condenará, para se justificar?

 

Você já se sentiu tentado a duvidar que Deus está agindo com amor no meio da sua dor? Jó também.

 

Jó começou respondendo bem ao enorme sofrimento que ele experimentou, mas com o tempo:

 

§  Jó passou a acusar a Deus de ser injusto por fazer ele sofrer.

§  Jó passou a desafiar Deus a provar que ele merecia sofrer.

 

Jó, para se defender e dizer que ele é inocente, ele começou a colocar a culpa em Deus: “Eu não mereço isso, Deus está errado em fazer isso comigo!”.

 

É como se Jó estivesse se aproximando do trono do Rei do Universo, segurando no braço de Deus e dizendo:

 

“Levanta. Você não está fazendo o que deveria. Você está governando mal. Você não pode mais ficar aí”.

 

Falando assim, parece que Já está fazendo uma coisa horrível. É porque realmente é uma coisa horrível. Nosso sofrimento não é uma justificativa para acusarmos Deus de pecado.

 

Mas Deus ama Jó. Deus nos ama com uma força que nem as nossas acusações contra ele conseguem apagar esse amor. Como a música que Stênio Marcius escreveu sobre o amor do pai do filho pródigo:

 

O seu amor é tão forteMais que o inferno e a morteSão torrentes que arrebentam o chão.

Mais fácil secar os maresApagar a estrela AntaresQue arrancar o amor de seu coração.

 

Então Deus, com sua sabedoria infinita, entende que mais importante do que resolver o sofrimento de Jó, Deus precisa resolver os pensamentos de Jó.

 

Deus entra na fonte de toda a nossa miséria espiritual: pensamentos errados sobre Deus, que geram sentimentos errados por Deus, que produzem comportamentos errados que desonram a Deus e destroem nossa vida.

 

Diante dessa acusação de Jó contra Deus, Deus tem mais 2 perguntas:

 

[9] Você tem um braço tão forte como o braço de Deus?

Você pode trovejar com a voz como ele troveja?

 

Agora fica mais claro o contexto em que Deus está lidando com o assunto da força (do poder). O contexto é a força para fazer justiça no mundo.

 

Deus está dizendo para Jó:

 

Você está me acusando de não governar com justiça. Você está falando isso porque você tem a força necessária para fazer justiça na terra, então? Mostra o seu braço, Jó. Deixa eu ver o seu bíceps.

 

Deus agora faz um exercício absurdo para mostrar o absurdo que é pensar que Deus faz alguma coisa injusta—incluindo quando ele permite sofrimento em nossa vida.

 

Deus tem uma proposta para Jó.

 

3.     PROPOSTA (40:10-14)

 

Jó, vamos considerar que você respondeu “sim” para as minhas perguntas do versículo 9:

 

[9] Você tem um braço tão forte como o braço de Deus? [Sim?]

Você pode trovejar com a voz como ele troveja? [Sim?]

 

Então, está bem. Já que esse é o caso, então:

(Deus para de fazer perguntas e dá várias ordens para Jó.)

 

[10] Adorne-se, então, de excelência e grandeza,

e vista-se de majestade e glória.

 

Pegue todo o seu poder, Jó, como o meu poder, e faça justiça na terra.

 

Mas reparem agora que Deus é ainda mais específico no uso da força para fazer justiça. Deus se concentra em fazer justiça no julgamento dos maus.

 

[11] Derrame as torrentes da sua ira;

olhe para os orgulhosos e humilhe-os.

[12] Sim, olhe para eles e humilhe-os;

esmague os ímpios no lugar onde estiverem.

[13] Cubra-os todos no pó;

prenda todos eles no sepulcro.

[14] Então também eu confessarei a seu respeito

que a sua mão direita lhe dá vitória.”

 

Use a sua força para julgar os maus, Jó, então eu vou reconhecer que você é poderoso para se salvar—“que a sua mão direita lhe dá vitória”.

 

Aqui nós percebemos que a questão que Deus está lidando nesse segundo discurso é ainda mais específica do que força, e mais específica do que força para fazer justiça. A questão que Deus vai lidar é a força para fazer justiça contra o mal.

 

Deus consegue lidar com o mal nesse mundo? Deus consegue restringir o mal e impedir o mal e até destruir o mal?

 

Deus vai responder. Nós entramos agora na parte central e final da resposta de Deus. E para lidar com o assunto da força para lidar com o mal, Deus usa duas criaturas: o Beemote e o Leviatã.

 

No resto do capítulo 40, Deus descreve a força do Beemote.

E por todo o capítulo 41, Deus descreve a força do Leviatã.

 

§  Quem é o Beemote? E quem é o Leviatã?

§  Eles são animais reais? Ou eles são criaturas sobrenaturais?

 

Para aqueles que entendem que eles são animais reais, como os animais do capítulo 39, muitas propostas têm sido feitas.

 

§  Para o Beemote, as opções são que ele é o hipopótamo ou o elefante ou um búfalo ou um dinossauro.

§  Para o Leviatã, as principais sugestões são que ele é o crocodilo ou a baleia ou um dinossauro também.

 

Para aqueles que entendem que eles não são animais reais, várias sugestões têm sido dadas—usando monstros das histórias dos Egípcios e dos Cananeus e do próprio povo Hebreu.

 

Vamos fazer o seguinte: vamos primeiro ouvir o que Deus está falando sobre o Beemote e o Leviatã e depois de observá-los, vamos tentar identificar quem são eles.

 

4.     PROVA (40:15-41:34)

 

4.1 BEEMOTE (40:15-24)

 

Vamos ficar atentos a maneira como Deus descreve esse animal. A medida que Deus nos dá as características dele, eu vou fazer algumas observações.

 

Deus fala sobre 3 aspectos da vida do Beemote: a identidade dele, o corpo e o ambiente em que ele vive.

 

1.     IDENTIDADE (40:15)

 

Deus começa chamando Jó a contemplar:

 

[15] Contemple agora o Beemote,

que eu criei junto com você,

e que come capim como o boi.

 

São 3 linhas. Vamos de trás para frente:

 

§  Primeiro, o Beemote come capim como o boi. Ele vive na terra.

§  Segundo, ele é também uma criatura. Deus fala: “que eu criei junto com você”.

§  Terceiro, a palavra Beemote é uma palavra em hebraico. Ela poderia ser traduzida como “grande fera ou grande besta”. Em algumas passagens, ela tem esse sentido. É uma palavra genérica para animais.

 

Quando nós continuamos a ler a descrição que Deus faz do Beemote, nós vemos que esse não é um animal inofensivo. Ele é realmente uma grande besta.

 

Agora Deus descreve o corpo do Beemote, e o assunto principal dessa passagem aparece de novo: a força. Deus fala da enorme força do Beemote.

 

2.     CORPO (40:16-19)

 

[16] A força dele está nos seus lombos,

e o seu poder, nos músculos do seu ventre.

[17] Ele endurece a sua cauda como cedro;

os tendões das suas coxas estão entretecidos.

[18] Os seus ossos são como tubos de bronze;

as suas pernas são como barras de ferro.

[19] Ele é obra-prima dos feitos de Deus;

aquele que o fez o proveu de espada.

 

Uma outra maneira de traduzir essa última frase é: aquele que o fez (Deus) se aproxima com sua espada. É assim que a NVI traduz. A ideia é que só Deus, quem fez o Beemote, pode lidar com ele.

 

3.     AMBIENTE

 

O ambiente em que o Beemote vive:

 

[20] Na verdade, os montes lhe produzem pasto,

onde todos os animais selvagens se divertem.

[21] Deita-se debaixo das árvores de lótus,

no esconderijo da lama, no meio dos juncos.

[22] As árvores de lótus o cobrem com sua sombra;

os salgueiros do ribeiro o rodeiam.

[23] Se um rio transborda, ele não se apressa;

fica tranquilo mesmo que o Jordão se levante até a sua boca.

 

A imagem aqui é de um pântano. Deus fala do esconderijo do lama, no meio dos juncos (das plantas). Mas o pântano é só a paisagem. A ênfase está no comportamento do Beemote.

 

Ele é servido pela natureza—os montes dão pasto para ele, os árvores dão sombra—e ele não se sente ameaçado por nada. Veja o versículo 23: mesmo o rio transbordando, ele não tem medo. As forças desse mundo—a água e o sol e outros animais—não são um problema para ele.

 

O Beemote é descrito como o rei da terra—uma grande fera que tem uma força colossal e ninguém é capaz de laçar e dominar, a não ser Deus.

 

As duas perguntas que Deus faz no final reforçam que o foco de Deus é a força do Beemote:

 

[24] Será que alguém pode apanhá-lo quando ele está olhando?

Ou lhe meter um laço pelo nariz?”

 

A resposta que Deus espera de Jó e de nós é: “Não, Senhor. Ninguém. Só o Senhor é capaz de apanhar o Beemote. A força dele é demais para nós”.

 

A mensagem que Deus está dando para Jó é:

 

“Jó, você diz que eu não estou sendo justo com você por causa do mal que você está sofrendo. Mas veja como você não tem a força necessária para fazer justiça contra mal, Jó. Você não consegue dominar o grande Beemote. Mas eu consigo”.

 

Agora é a vez do Leviatã. Se o Beemote já era uma fera terrível, o Leviatã é ainda mais. Deus não escolheu usar o Leviatã no final por acaso.

 

Deus usa um capítulo inteiro, 34 versículos—mais do que qualquer outra criatura—para falar do Leviatã.

 

3.2  LEVIATÃ (41[:1-34])

 

O cenário muda: porque se o Beemote reina sobre a terra, o Leviatã reina no mar.

 

Deus volta a fazer perguntas para Jó para mostrar a totalmente incapacidade que nós, seres humanos, temos para dominar esse monstro dos mares que Deus criou:

 

1.     DESAFIO: PERGUNTAS, UM AVISO E DUAS APLICAÇÕES (41:1-11)

 

Perguntas (41:1-7)

 

Deus desafia Jó a dominar o Leviatã:

 

[1] Você é capaz de pescar o monstro Leviatã com um anzol

e prender a sua língua com uma corda?

 

Veja a imagem que Deus está criando na mente de Jó. Imagine Jó sentado na beira de um mar com uma vara de pesca tentando pegar, não uma tilápia ou um lambari, mas o Leviatã—como nós vamos ver, esse monstro gigante que é capaz de um engolir um tubarão como se fosse uma bolinha de ração.

 

Deus bombardeia Jó com perguntas e mais perguntas para mostrar a força que Jó não tem para dominar o Leviatã:

 

[2] Você consegue passar uma vara de junco pelo nariz dele?

Ou furar o queixo dele com um gancho?

[3] Por acaso ele lhe fará muitas súplicas?

Ou lhe falará palavras brandas?

[4] Será que ele fará um acordo com você,

para que seja seu escravo para sempre?

 

Leviatã falando: Jó, a partir de hoje eu vou fazer tudo o que você pedir.

 

[5] Será que você vai brincar com ele,

como se fosse um passarinho?

Irá prendê-lo com uma corda,

para dá-lo às suas meninas?

 

Você vai trazer o Leviatã para ser o animal de estimação da sua família, como se fosse um hamster—quando na verdade ele tem uma força brutal e mataria todos vocês?

 

Mais perguntas:

 

[6] Será que os seus sócios o colocarão à venda?

Ou irão reparti-lo entre os negociantes?

[7] Você consegue encher de arpões a pele dele?

Ou cravar fisgas de pesca na sua cabeça?

 

Deus dá, então:

 

Um Aviso (41:8-10b)

 

[8] Ponha a mão sobre ele;

você se lembrará da luta e nunca mais repetirá o gesto.”

 

Eu devia ter por volta de uns 10 anos, mas eu tenho flashes da imagem até hoje na minha mente. Eu não sei onde eu estava com a cabeça, mas eu estava voltando à pé para a casa e resolvi parar e fazer carinho em um pastor alemão.

 

Eu coloquei a mão pela grade de uma casa na rua para passar a mão na cabeça dele, e o pastor alemão veio para comer minha mão. Eu não sei como, mas no reflexo, eu tirei a mão de dentro da boca dele. Eu nunca mais repeti o gesto.

 

Deus está dizendo: “Jó, se você tentar lutar com o Leviatã, você será massacrado em segundos. O Leviatã é indomável, insubmisso e invencível. Você não pode com ele”.

 

[9] “Eis que a gente [as pessoas] se engana[m] na esperança que tem;

não é fato que alguém cairá por terra só em vê-lo?

[10] Ninguém é tão ousado, que se atreva a despertá-lo.”

 

Você pode acordar o gatinho do seu vizinho para brincar com ele, mas com o Leviatã, o resultado não será o mesmo.

 

Deus agora aplica ao nosso relacionamento com ele. Se ninguém é capaz de se erguer diante do Leviatã, que eu criei, então, Deus pergunta:

 

Aplicação (41:10b-11)

 

Segunda parte do v.[10] “Quem então será capaz de se erguer diante de mim?

[11] Quem primeiro deu algo a mim, para que eu tenha de retribuir-lhe?

Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.”

 

Deus está dizendo:

 

“Eu sou o soberano sobre toda a criação. Tudo que existe é meu. Jó, nem você pode se erguer diante de mim e exigir coisas de mim. Nem o Leviatã. Ninguém pode comprar o meu favor. Eu governo sobre a sua vida. E eu governo sobre o Leviatã. Para se relacionar comigo, você se relaciona confiando em mim e recebendo de graça.

 

Deus ainda não terminou.

 

A partir do versículo 12 até o final, Deus descreve o Leviatã com uma descrição de dar medo não só nas crianças, mas nos homens barbados também.

 

2.     DESCRIÇÃO: AS CARATERÍSTICAS DO LEVIATÃ (41:12-34)

 

O assunto principal continua sendo a força.

 

[12] “Não me calarei a respeito das pernas do Leviatã,

nem da sua grande força,

nem da graça da sua compostura.

 

Do versículo 13 ao 17, Deus mostra como Leviatã é capaz de se defender de qualquer um. Ninguém nesse mundo consegue feri-lo. É como se a parede do corpo dele fosse feita de camadas triplas de aço. O Leviatã é impenetrável. Ele nunca perde uma batalha.

 

A força para se defender (41:13-17)

 

[13] Quem poderá tirar a capa do seu dorso?

Ou lhe penetrará a dupla couraça?

[14] Quem abriria as portas de sua boca?

Pois em roda dos seus dentes está o terror.

[15] As fileiras de suas escamas são o seu orgulho,

cada uma bem-encostada como por um selo que as ajusta.

[16] A tal ponto uma se junta à outra,

que entre elas não passa nem o ar.

[17] Elas se ligam umas às outras,

aderem entre si e não podem ser separadas.

 

Do versículo 18 ao 21, Deus mostra como Leviatã é capaz de atacar qualquer um. Ninguém nesse mundo consegue se defender dele. Ouçam essa descrição. Ele tem força para destruir tudo o que está na frente dele.

 

Deus descreve esse monstro como se ele fosse um dragão que cospe fogo e solta fumaça pelo nariz.

 

A força para atacar (41:18-21)

 

[18] Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz,

e os seus olhos são como os raios do amanhecer.

[19] Da sua boca saem tochas; [ele é um dragão]

faíscas de fogo saltam dela.

[20] Das suas narinas procede fumaça,

como de uma panela fervente sobre juncos em chama.

[21] O sopro dele acende o carvão;

da sua boca saem chamas.

 

Depois de falar da força que o Leviatã tem para se defender e da força que ele tem para atacar, Deus fala da reação que o resto da criação tem diante desse monstro do mal.

 

A nossa reação: medo (41:22-25)

 

[22] No seu pescoço reside a força;

e diante dele salta o desespero.

(...)

[25] Quando ele se levanta, os valentes tremem;

quando ele irrompe, ficam como que fora de si.

 

Nos versículos de dentro—o versículo 23 e 24—Deus fala da armadura natural que ele tem e do coração (ou do peito) duro como uma pedra. Não é à toa que ele provoca desespero e medo por onde ele passa.

 

Deus agora inverte: ele falou da nossa reação ao ver o Leviatã; agora Deus fala da reação do Leviatã ao nos ver.

 

§  A nossa reação aos ataques dele é medo.

§  A reação do Leviatã aos nossos ataques é desprezo.

 

A reação dele: desprezo (41:26-29)

 

Nossas armas contra ele é como alguém assoprando uma bolinha de papel com canudo na sua testa para tentar derrubar você.

 

[26] Se o golpe de espada o alcança,

isso não tem efeito algum,

e o mesmo vale para a lança, o dardo ou a flecha.

 

Atacar a ele de perto com a espada ou atacar o Leviatã de longe com uma lança. Não faz diferença. Ele não sente nada.

 

Tentar usar diferentes tipo de materiais, também não vai adiantar nada.

 

[27] Para ele, o ferro é como palha,

e o cobre, como pau podre. [se despedaça.]

[28] As flechas não o fazem fugir;

para ele, as pedras das fundas se transformam em palha. [esfarelam.]

[29] Os porretes são para ele como talos de capim; [amaçam.]

quando agitam a lança, ele dá risada.

 

Leviatã debocha das nossas tentativas de derrubá-lo. É como uma criancinha dando um soco na barriga do urso polar. Ou dando um chute na canela de um elefante. Ou um homem querendo prender com uma baleia assassina com o braço.

 

A diferença de força é grande demais. Essa é uma luta inútil. Todo mundo sabe quem vai ganhar.

 

A descrição está quase terminando. Como Deus fez com o Beemote, Deus fala do ambiente em que o Leviatã mora: o mar.

 

A casa dele: o mar (41:30-32)

 

[30] Debaixo do ventre ele tem escamas pontiagudas;

arrasta-se sobre a lama, como um instrumento de debulhar.

[31] Leva as profundezas a ferver como panela;

torna o mar como caldeira de unguento.

[32] Deixa atrás de si um sulco luminoso,

como se o abismo tivesse uma cabeleira branca.

 

Hoje em dia, se alguém quer escrever um livro ou um filme em que algum tipo de poder do além que vai destruir a vida na terra, essa pessoa vai usar alienígenas vindo do espaço.

 

Na época do Antigo Testamento, essa ameaça—esse terror—vinha do mar, essa massa de água brava que, quando você olha, parece que nunca acaba (Fyall, 83).

 

Faz sentido o mar ser a casa do Leviatã.

 

Mas Deus não simplesmente fala do mar. Deus cria uma cena do Leviatã voltando para casa depois de causar destruição na terra:

 

§  No versículo 30 e 31, ele fala do Leviatã se arrastando pela lama e voltando para o mar e, por onde ele passa, a água fica borbulhando, como uma caldeira.

§  No versículo 32: ele deixa um rastro luminoso por onde ele passa por causa do fogo.

 

Mas vocês repararam também nas duas palavras que Deus usou para falar do mar: no versículo 31: “profundezas”. No versículo 32: “abismo”. Palavras que geralmente estão relacionadas ao lugar dos mortos—à morte.

 

O Leviatã cheira morte. Ele se alimenta da morte. Ele ama a morte. O Leviatã é uma máquina de produzir morte. O mundo da morte é a casa dele.

 

Deus termina o discurso dele para Jó fazendo um comentário sobre o lugar de exaltação que o Leviatã tem em toda a criação:

 

Ele é rei (41:33-34)

 

[33] Na terra, não há ninguém como ele,

pois foi feito para nunca ter medo.

[34] O Leviatã olha com desprezo tudo o que é alto;

é rei sobre todos os orgulhosos.”

 

Ele é incomparável. Ele nunca sente medo. Esse mundo está cheio de gente orgulhosa, mas o Leviatã é tão poderoso que ele se orgulha até diante dos orgulhosos. Ele é rei sobre eles.

 

Como um autor disse, o Leviatã é o único que pode dizer: “Eu sou o maior” (Ash, Job, 415).

 

Quem é o Leviatã? E quem é o Beemote? Quem são essas duas criaturas tão poderosas? São animais reais? Ou seres sobrenaturais?

 

Vamos começar com o Leviatã, que é um pouco mais simples, e depois o Beemote.

 

QUEM É O LEVIATÃ?

 

Alguns entendem que o Leviatã é o crocodilo. Ou uma baleia. Ou um dinossauro. Essa interpretação me parece muito improvável.

 

O primeiro problema é que a descrição que Deus dá do Leviatã é muito diferente das descrições que ele deu no capítulo 39 para os outros animais.

 

No capítulo 39, as descrições do leão e da cabra e da águia são descrições curtas e realistas. Para o Leviatã, não só a descrição é muito mais longa—em vez de 2 ou 3 versículos, 34 versículos, mas as caraterísticas do Leviatã não se encaixam com nenhum animal.

 

Não só a força dele é uma coisa colossal, mas o Leviatã cospe fogo. Sai chama da boca dele. Sai fumaça do nariz. Os olhos dele são como os raios do sol. Isso é coisa de dragão, não de crocodilo.

 

Segundo problema: se o Beemote e o Leviatã são o hipopótamo e o crocodilo, o segundo discurso de Deus é quase uma repetição do primeiro.

 

No primeiro, Deus mostrou vários animais na criação para mostrar a capacidade que ele tem para governar o mundo.

 

Jó responde colocando a mão na boca—ele diz que não vai dizer mais nada. Mas Jó ainda não chegou onde Deus quer que ele chegue. E Deus fala: “Ah, então eu vou falar de mais dois animais: o hipopótamo e o crocodilo, agora você entende que eu sou poderoso?”

 

Os 10 animais anteriores não foram suficientes, Deus precisa acrescentar mais dois? Parece um anticlímax. E não justificaria também porque, diferente da primeira resposta, Jó responde com tanta humildade e louvor.

 

Deus parece ter falado com Jó algo muito maior do que “Eu sou mais forte que o hipopótamo e o crocodilo”.

 

Jó parece muito mais impressionado do que isso.

 

Então, quem é o Leviatã?

 

O que nós podemos e devemos fazer para descobrir quem é o Leviatã é olharmos para as outras passagens na Bíblia onde ele aparece. São só mais 4 passagens.

 

A primeira também está em Jó. Quando Jó estava no fundo do poço da depressão, no capítulo 3, ele disse:

 

Amaldiçoem-na aqueles que sabem amaldiçoar o dia

e sabem instigar o Leviatã (Jó 3:8).

 

Jó está amaldiçoando o dia em que ele nasceu e pedindo para alguém acordar o Leviatã para destruir o dia em que ele nasceu. Ninguém pensa que Jó está falando para o crocodilo comer o dia do nascimento dele.

 

Ele está falando de um tipo de criatura que tem poder das trevas para amaldiçoar e “descriar” um dia.

 

A segunda passagem, no Salmo 74, diz:

 

Tu, com o teu poder, dividiste o mar;

esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos.

Despedaçaste as cabeças do Leviatã

e o deste por alimento às criaturas do deserto (vv. 13-14).

 

Nessa passagem, o Leviatã é um monstro marinho com várias cabeças e que Deus venceu quando ele libertou Israel da escravidão do Egito. Leviatã está, de novo, associado às forças do mal e das trevas.

 

Um pouco mais para frente, no Salmo 104, o salmo fala que Deus criou o Leviatã para brincar no mar. A ideia é que mostrar que Deus é tão poderoso que até o Leviatã, essa criatura enorme, é como um peixinho no aquário que Deus criou chamado mar.

 

A última passagem está no livro do profeta Isaías. O contexto é a salvação do povo de Deus. O texto diz:

 

Isaías 27:1—Naquele dia, com a sua espada terrível, grande e forte,

o Senhor castigará o Leviatã, serpente veloz, o Leviatã, serpente sinuosa;

ele matará o monstro que está no mar.

 

Em Isaías, o Leviatã é a serpente que Deus vai derrotar para salvar seu povo.

 

Quem é, na Bíblia, a serpente poderosa que está ligada ao poder das trevas e que Deus prometeu derrotar para nos salvar?

 

Uma serpente que também é descrita em Jó como um monstro do mar—um dragão que cospe fogo e é a criatura mais poderosa que existe em toda a criação?

 

Eu vou responder com a passagem que nós ouvimos na leitura bíblica no culto. Apocalipse 12, quando Deus fala da vitória dele sobre o mal, ele diz:

 

Apocalipse 12:9—E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo.

 

Leviatã é um outro nome para o diabo. Leviatã é um disfarce de Satanás.

 

A antiga serpente, aquela que invadiu o jardim do Éden e seduziu Adão e Eva e fez o pecado e o mal e a morte entrarem no mundo bom que Deus fez.

 

Hoje em dia, Satanás é às vezes representado como uma besta vermelha, que tem uma forma humana, olhos amarelos, dois chifres e segura um tridente.

 

Na época de Jó e do Antigo Testamento, os povos usavam o Leviatã—esse monstro do mar—para representar as forças cósmicas do mal.

 

Então, em vez de Deus simplesmente dizer: “Eu sou mais poderoso que Satanás”, Deus usa o Leviatã para mostrar de forma viva, gráfica, forte, que apesar de todo o poder de Satanás, Deus é ainda mais poderoso.

 

Leviatã não é só um crocodilo mais perigoso. Leviatã é a encarnação do mal. Leviatã é o representante supremo da iniquidade. O rei dos orgulhos. A criatura mais forte que existe no Universo: Satanás.

 

O mesmo que destruiu a vida de Jó nos capítulos 1 e 2. E agora, no final do livro, ele parece de novo na pele do Leviatã.

 

E o Beemote?

 

QUEM É O BEEMOTE?

 

Beemote é mais difícil saber por que não existem outras passagens explicando quem é o Beemote, mas é muito provável que o Beemote e o Leviatã tenham algum tipo de ligação. Por que Deus escolheria falar tanto sobre essas duas bestas no final? E com algumas semelhanças.

 

§  Assim como o Leviatã, o Beemote tem uma força descomunal.

§  Assim como o Leviatã, ninguém consegue apanhá-lo e ele não é ameaçado por nada.

§  Deus diz que só ele, com a espada, consegue enfrentá-lo.

 

Um estudioso chamado Robert Fyall defende a ideia de que o Beemote é uma representação da própria morte—essa força insaciável que ninguém consegue dominar. Essa me parece uma possibilidade muito plausível.

 

Deus usou uma imagem comum da época, o Leviatã, para representar Satanás. Para representar a morte, Deus poderia usar também uma imagem comum da época, uma besta devoradora que tem traços de um hipopótamo gigante e vive no pântano e não tem medo de nada.

 

Hoje em dia, às vezes, a morte é representada como uma figura toda vestida de preto, com capuz, segurando uma foice. Existem indícios de que, na época, a morte era personalizada nessa grande fera chamada Beemote.

 

Essa interpretação encaixaria muito bem as peças do discurso que Deus está fazendo para Jó.

 

Deus fala da força de Beemote (que representa a morte) e da força do Leviatã (que representa Satanás) para mostrar para Jó que Deus é mais forte do que a morte e do que Satanás, aquele tem o poder sobre a morte, como livro de Hebreus diz.

 

O que Deus quer nos mostrar com essas descrições assustadoras do Beemote e do Leviatã—da morte e de Satanás?

 

O grande assunto desse discurso é a força. No início, Deus perguntou para Jó se ele tinha a força necessária para julgar os ímpios. Já que Jó estava acusando Deus de não restringir o mal como ele deveria, Deus perguntou para Jó:

 

Então você consegue controlar o mal no mundo?

 

Você tem um braço tão forte como o meu? (Jó 40:8).

Então vá lá, humilhe os orgulhos, prenda os ímpios (Jó 40:11-13).

Mostre sua força, Jó.

 

Deus, então, usando representações comuns das forças cósmicas do mal—o Beemote e o Leviatã—Deus lembrou Jó da força animal, colossal, invencível que eles têm.

 

O ponto é:

 

Jó, você não consegue controlar o Beemote nem o Leviatã. Eles são fortes demais para você. Mas não para mim, Jó.

 

Eles podem ser poderosos, mas eles são somente criaturas. Eu reino soberano e sozinho.

 

Essa é a resposta de Deus para a presença do mal nesse mundo—para a presença dessas forças malignas que causam tanto sofrimento.

 

Forças que são capazes de destruir o que você tem, como aconteceu com Jó, destruir a nossa saúde, como aconteceu com Jó e capazes de destruir a vida de pessoas que nós amamos, como aconteceu com Jó.

 

Jó estava sentindo na pele toda a força brutal do mal—como um dragão cuspindo fogo e destruindo a vida dele, e Deus permitiu. Jó começou a duvidar se o Deus soberano realmente estava governando como deveria.

 

Essa é a mensagem de Deus para Jó e para todos aqueles que estão sofrendo:

 

Vocês não têm força para lidar com as forças do mal, mas eu tenho.

O Beemote e a morte não reinam soltos nesse mundo, eu reino.

O Leviatã—Satanás—não faz tudo o que ele quer, eu tenho o controle supremo.

 

Como nós vimos nos primeiros capítulos de Jó. Satanás só fez o que Deus permitiu.

 

É verdade que Deus não responde a todas as nossas perguntas. Deus não respondeu ao porquê de Jó nem o porquê que você pode ter.

 

Por que Deus permitiu isso? Por que isso está acontecendo comigo?

 

Deus não nos explica. Deus não explicou para Jó o que aconteceu no mundo espiritual nos capítulos 1 e 2—nas conversas entre Deus e Satanás.

 

Mas Deus dá a resposta que Jó e nós mais precisamos. Uma resposta melhor do que explicar todas as razões por trás da sua dor.

 

Deus responde com quem ele é. O Deus que não é atrapalhado pelo mal nesse mundo. O Deus que não pode ser derrotado por nenhuma força—nem mesmo a criatura mais poderosa como o diabólico Leviatã.

 

Beemote é rei na terra. Leviatã é rei no mar. E Deus é o Rei (com R maiúsculo) sobre a terra, o mar, o céu e tudo o que neles há. Ele é Rei sobre os reis.

 

Em nossa batalha contra Satanás, ele é invencível. Mas na batalha de Deus contra Satanás, quem é invencível é Deus. Satanás é o ser mais poderoso da criação—a encarnação do mal, mas ele não passa de uma criatura.

 

Uma criatura que Deus usa—de maneira misteriosa—para os propósitos dele.

 

Deus usa o Beemote e o Leviatã—os representantes das forças cósmicas do mal—para mostrar que Deus é mais forte, que Deus é tão forte, que ele pode (e vai!) nos salvar de todas as formas de mal desse mundo—incluindo a morte e o Maligno.

 

E por isso, Jó e você pode—sempre—confiar nesse Deus, mesmo nos dias mais escuros, sombrios e tristes.

 

A verdadeira sabedoria não é saber explicar todos os mistérios desse mundo. A verdadeira sabedoria está no temor do Senhor (Jó 28). A verdadeira sabedoria está em saber que Deus é suficiente para você e que graça dele basta a você.

 

UMA VELHA PROMESSA QUE NUNCA ENVELHECE

 

Jó ouviu a promessa de Deus de que Deus tem a força suficiente para lidar com o mal desse mundo. E como nós vamos ver, Jó respondeu com fé.

 

Mas nós não só ouvimos a promessa de Deus. Nós vimos—pela fé—o dia em que Deus cumpriu o que ele prometeu para Jó. O dia em que Deus usou a força dele para destruir o Leviatã e nos salvar.

 

Se Jó tinha todos os motivos para confiar em Deus no sofrimento dele, nós temos ainda mais.

 

Para destruir esse monstro que é a encarnação do mal, Deus veio como a encarnação do bem através do Senhor Jesus. Mas como Deus já tinha dito para Adão e Eva, na batalha com a serpente—o Leviatã—o descendente da mulher também seria ferido.

 

Uma ferida no calcanhar que precisava ser mortal (Gênesis 3:15).

 

Precisava ser mortal porque não foi só o Leviatã que se rebelou contra Deus. Nós fomos seduzidos pela serpente e nos voltamos contra Deus. E o salário (o preço) do pecado é a morte.

 

Jesus veio disposto a pagar o preço que fosse para resgatar sua donzela—sua Noiva prometida: a igreja—você, crente. E ele pagou. Para esmagar a cabeça da serpente, ele precisou ser cravado no calcanhar e nas mãos.

 

Jesus deixou ser engolido pelo Beemote—a própria morte—para pagar a nossa dívida. Mas como ele não tinha pecado, no terceiro dia ele se levantou para matar a morte e reinar até que ele tenha colocado todos os inimigos debaixo dos pés dele.

 

E quando ele terminar, nós vamos viver em mundo melhor que o Jardim do Éden, onde a serpente estará presa para sempre para nunca mais nos enganar e nos separar de Deus.

 

Jó tinha essa promessa em forma de semente, mas o que ele recebeu do evangelho foi suficiente para fazer ele confiar no único Deus que tem poder para triunfar sobre as força do mal. E nós, pelo Espírito, podemos confiar também.

 

Vamos terminar ouvindo:

 

A RESPOSTA DE JÓ (42:1-6)

 

A resposta de Jó a Deus é uma das manifestações de fé e humildade mais lindas da Bíblia.

 

Nós precisamos nos lembrar que Jó ainda está no meio de um enorme sofrimento. A situação de Jó não mudou em nada. A vida dele ainda está por um fio. Ele ainda está completamente pobre, sem filhos e com tumores malignos desde a planta do pé até o alto da cabeça.

 

Mais que isso, ele não recebeu nenhuma explicação de Deus da razão de ele estar sofrendo tanto.

 

Duas vezes, Jó faz uma declaração de fé e depois uma confissão de arrependimento.

 

1.     DECLARAÇÃO E CONFISSÃO (1-3)

 

Declaração de Fé (1-2)

 

[1] Então Jó respondeu ao Senhor e disse:

[2] “Bem sei que tudo podes,

e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.

 

Tem muitas coisas que Jó não sabe. E nós também não. Mas saber que nenhum dos planos de Deus pode ser frustrado transforma um coração agitado em um coração prostrado.

 

É como se Jó estivesse dizendo para Deus:

 

“O que está acontecendo comigo é parte do teu plano. O mal não reina. Nem a morte. Nem o Maligno. Só o Senhor é Rei. Eu não sei por que tudo isso está acontecendo comigo, mas eu bem sei que tudo podes. Se eu estou passando por isso, é porque o Senhor quer”.

 

E a Confissão de Arrependimento (3)

 

[3] Tu perguntaste:

‘Quem é este que, sem conhecimento,

encobre os meus planos?’ [Jó 38:3]

 

A confissão:

 

Na verdade, falei do que eu não entendia,

coisas que são maravilhosas demais para mim,

coisas que eu não conhecia.

 

Senhor, eu fui arrogante.

Senhor, quem sou eu para falar que o Senhor não sabe como governar a minha vida?

Quem sou eu para questionar o Senhor quando o Senhor me leva pela dor?

Quem eu penso que eu sou?

 

As 68 perguntas que Deus fez, várias delas do tipo: “Você sabe, Jó? Você sabe, Jó?” fizeram efeito.

 

§  Você sabe a medida da terra?

§  Você sabe onde a luz nasce?

§  Você sabe onde termina o mundo dos vivos e começa o mundo dos mortos?

 

Não, Senhor, eu não sei nada. Eu fui um tolo, arrogante, presunçoso, me perdoe.

 

Jó que ainda não terminou.

 

2.     DECLARAÇÃO E CONFISSÃO (4-6)

 

[4] Disseste:

 

Jó cita o que Deus falou.

 

‘Escute, porque eu vou falar;

farei perguntas, e você me responderá.’

 

[5] Eu te conhecia só de ouvir,

mas agora os meus olhos te veem.

 

Jó reconhece que o que ele conhece de Deus agora, durante o sofrimento, é maior do que o que ele conhecia antes.

 

Quando Jó chegou mais perto da luz—do resplendor da glória de Deus—ele percebeu que ele tinha mais sujeira do que ele imaginava.

 

[6] Por isso, me abomino

e me arrependo no pó e na cinza.

 

Operação de resgate bem-sucedida. Satanás perdeu.

 

O que jogou Jó no chão agora não foi a miséria e o sofrimento dele. O que jogou Jó no chão com ainda mais força foi o senso de pecado que ele sentiu diante de um Deus tão bom, tão santo, tão grande.

 

Jó não estava se arrependendo dos pecados escondidos que os amigos deles disseram que ele tinha. Jó está se arrependendo de ter falado com Deus de forma tão arrogante e não ter confiado em Deus como deveria.

 

O coração de Jó derreteu.

 

Como Thomas Watson, pastor puritano disse:

 

Existe uma grande diferença entre a dureza no [coração dos] ímpios e a dureza no [coração dos] piedosos (como Jó)... A dureza nos ímpios é como a pedra—uma dureza persistente, mas a dureza no coração dos filhos de Deus é como o gelo, que derrete rápido com os raios de sol. Quando o Espírito de Deus retorna—como o Sol—e brilha sobre o coração do cristão, ele experimenta um descongelamento da graça e se derrete em amor por Deus (paráfrase de Watson, The Godly Man’s Picture, 228).

 

O coração de Jó derreteu. A fé de Jó é mais profunda e mais larga do que a fé que ele tinha no início. O coração está ainda mais sensível ao pecado dele e a santidade de Deus.

 

CONCLUSÃO

 

Aquele homem que perdeu a esposa, a filha e a mãe em um acidente foi resgatado pelo Senhor também. Deus o resgatou não somente da morte. Deus o resgatou de ser enganado e engolido pelo Leviatã e assim deixar de confiar em Deus.

 

Depois dessa tragédia, ele escreveu um livro sobre a experiência dele. Título: Graça Disfarçada: como o alma crescer através da perda (Jerry Sittser).

 

Se o Beemote é a morte disfarçada. E o Leviatã é Satanás disfarçado. O sofrimento é a graça de Deus disfarçada.

 

Jó chegou no final do livro experimentando ainda mais da graça de Deus—ainda mais cheio de temor do Senhor, ainda com mais desejo de se desviar do mal, com uma visão ainda mais clara de quem Deus é.

 

Como Jó, o que nós mais precisamos nessa vida é ver a Deus—e nós vemos a Deus quando nós ouvimos as palavras de Deus com fé, como Jó.

 

Deus não quer que você tenha medo do Beemote e nem do Leviatã—a antiga serpente. Eles não podem fazer nada para frustrar os planos de Deus.

 

Quando Jesus foi ferido pelo Leviatã na cruz e foi engolido pelo Beemote da morte, na maior demonstração de maldade que esse mundo já viu, nesse mesmo evento, Deus estava dando a maior demonstração da bondade dele—a nossa salvação.

 

Naquela cruz, através do sofrimento de um homem inocente, Deus estava fazendo a maior demonstração da glória dele. Se nós tínhamos alguma dúvida de que Deus usa o sofrimento para nos levar para mais perto dele, a cruz dissipa nosso questionamento.


Igreja Batista Jardim Minesota

Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144

Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo

 
 
 

Comentários


bottom of page