Jó 36-37: A Humanidade, uma Tempestade e o Grande Deus
- Pastor Alex Daher

- há 16 horas
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Série em Jó: Sofrimento Soberano 28 de Junho de 2026 – IBJM
Eu vou começar com uma história que pode dar um pouco de medo, mas eu entendo que essas histórias são usadas por Deus para o nosso bem—e nós não precisamos ter medo. E vou contar essa história também porque ela tem uma conexão com o discurso de Eliú que nós vamos ouvir hoje.
É a história de um homem chamado Bart Ehrman. É uma história real. Ele ainda está vivo.
Em 2008, Bart Ehrman escreveu um livro chamado “O problema com Deus”. Subtítulo do livro: “como a Bíblia falha em responder nossa pergunta mais importante: porque nós sofremos”. Ele começa o livro dizendo:
O problema do sofrimento me perseguiu por muito tempo. Foi o que me levou a refletir sobre religião quando eu era jovem e o que me fez questionar minha fé mais tarde. No fim das contas, foi a razão pela qual perdi a fé.
Ele conta como durante o ensino médio ele “nasceu de novo”. Ele levava a fé muito a sério. Ele foi estudar teologia em um Instituto chamado Moody, onde Lauren estudou. É um lugar fiel à Palavra. Depois ele foi estudar em uma Universidade chamada Wheaton, onde John Piper estudou. É uma Universidade fiel à Palavra também.
Ele conta que ele conseguia recitar livros inteiros do Novo Testamento de cor. Ele serviu como pastor de jovens de um igreja. Até que, ele diz:
Comecei a perder a fé. Hoje, já a perdi completamente. Não frequento mais a igreja, não creio mais e não me considero mais cristão. (Bart D. Ehrman, God’s Problem (New York: HarperCollins, 2008, 1-3).
Esse homem chamado Bart Ehrman perdeu a fé em Deus por causa do problema do sofrimento. Que tristeza. Que tragédia. O terremoto que aconteceu na Venezuela essa semana foi uma grande tragédia. Abandonar a Deus é ainda pior.
Ao longo da minha vida, eu vi pessoas perdendo a fé. Pessoas que pareciam fervorosas, mas com o tempo, mudaram. Pessoas que, como Bart Ehrman, conhecem a Palavra de Deus, mas resolveram abandonar o Senhor.
Povo de Deus,
• Satanás não está brincando. Ele quer levar Jó para o lado dele como ele já fez com muitos.
• O mundo não está brincando. Esse sistema rebelde a Deus quer seduzir você e levar você a só pensar nas coisas terrenas e
• E o nosso pecado também é sério e quer nos levar para longe de Deus.
O que está acontecendo no final do livro de Jó é uma operação de resgate.
Eu quero dizer para vocês com todas as letras: nunca um filho verdadeiro de Deus abandonou o Senhor por causa do sofrimento. Isso nunca aconteceu até hoje. E nunca vai acontecer. Não vai acontecer com Jó. E não vai acontecer com você, crente.
Filipenses 1:6—Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.
Você não precisa ter medo. O que você precisa é continuar olhando com fé para esse Deus grande que enviou Cristo Jesus para sofrer por você.
• A intenção de Satanás com o sofrimento é nos afastar do Senhor.
• A intenção de Deus com o sofrimento é nos aproximar do Senhor.
Pode não ser um processo simples e rápido, como nós estamos vendo com Jó. Mas é um processo garantido pelo sangue de Cristo.
Jó vai sair dessa experiência com uma fé mais pura, mais profunda e mais forte—o que tem sido a experiência dos cristãos ao longo dos séculos. E para isso, Deus está usando a palavra dele através de Eliú.
Eliú começa o último discurso com um:
APELO GERAL (36:1-4)
[1] Eliú seguiu falando [nada de Jó nem os amigos interromperem] e disse:
[2] “Mais um pouco de paciência,
e eu lhe mostrarei que tenho mais argumentos a favor de Deus.
[3] Trarei o meu conhecimento de longe
e atribuirei a justiça ao meu Criador.
Eliú está indo para o olho do furacão—os argumentos de Jó contra Deus, contra a justiça de Deus. Eliú não tem medo dos questionamentos de Jó—como nós também não devemos ter medo das pessoas confusas, nem daqueles que acusam Deus. Eliú sabe quem é o Deus dele.
O problema principal de Jó no sofrimento é, como nós ouvimos do autor do livro no capítulo 32, que Jó “pretendia ser mais justo do que Deus” (Jó 32:2). Eliú, com amor e sabedoria, irá resgatar Jó.
Ele termina esse apelo geral dando a razão por que ele deve ser ouvido:
[4] Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas;
quem está diante de você é senhor do assunto.”
Eliú! Quem você pensa que é?—“quem está diante de você é o senhor do assunto”.
Uma tradução mais literal é ainda mais forte: em vez de “senhor do assunto”, o texto diz:
[4] (...) quem está diante de você é perfeito em conhecimento.”
Uma expressão que Eliú vai usar no próximo capítulo para falar de Deus (37:16). Mas Eliú não acha que ele é Deus. Claro que não. Ele acabou de dizer que Deus é o Criador dele.
Eliú está simplesmente dizendo que ele fala em nome Deus e que, por isso, as palavras dele (início do versículo 4) “não são falsas”. Eliú é como um profeta, e quando um profeta fala, ele fala com a autoridade e a verdade de Deus—o Deus perfeito em conhecimento.
Eliú vai usar duas coisas em seus argumentos a favor de Deus: a humanidade e uma tempestade.
Eliú vai mostrar que Deus é digno da sua confiança mesmo quando ele leva você a sentir dor. Bart Ehrman está enganado. A verdade está com Eliú.
ARGUMENTO NO. 1: A JUSTIÇA DE DEUS COM A HUMANIDADE (36:5-15)
TESE (36:5-6)
Nesse mundo, muitas vezes as pessoas “grandes”—as pessoas importantes—desprezam os pequenos (cf. Matthew Henry). Mas Deus, não.
[5] “Eis que Deus é grande e não despreza ninguém;
ele é grande na força da sua compreensão.
[6] Não poupa a vida do ímpio,
mas faz justiça aos aflitos.
• Deus é justo com o ímpio—ele não poupa.
• E Deus é justo com o aflito que confia nele—ele faz justiça.
Eliú está falando: “Jó, você está aflito. Deus faz justiça, Jó. Espere.”
Você está aflito? Tem alguém aflito aqui hoje? Deus faz justiça. A vinda do Senhor Jesus a esse mundo é a Prova das provas que esse Deus grande não despreza os pequenos.
Eliú vai desenvolver a tese dele do versículo 6. Eliú vai mostrar como Deus lida de forma correta com esses dois grupos: os ímpios—aqueles que não confiam em Deus, e os justos—aqueles que confiam.
1. OS JUSTOS (36:7-12)
Nós, às vezes, nos distraímos. Já aconteceu com você? Você ficou hipnotizado com alguma coisa no celular, e seu filho ficou sem a sua supervisão—e acabou caindo e se machucando. Esse perigo, você não corre com Deus.
[7] Deus não tira os seus olhos dos justos;
Ele nunca se distraí e deixa você sem a supervisão dele...
[7] (...) pelo contrário, os assenta no trono com os reis,
para sempre, e eles são exaltados.
Pelo contrário, não só Deus não se distraí e deixa você cair no chão, mas ele vai levar você para o céu. Nenhuma ovelha se perde pelo caminho até chegar na morada que Jesus preparou.
Eliú não está dizendo que Deus nunca vai permitir que você rale o joelho nesse mundo. No versículo seguinte (versículo 8), ele está falando de aflição.
Nesse mundo, Jesus disse, “vocês terão aflições” (João 16:33). Mas no mundo do “para sempre” (final do versículo 7, pela eternidade), você e Jó serão exaltados—eternamente libertados das aflições.
Mas por que, nesse mundo, Deus deixa eu me machucar com as aflições?
Por que, às vezes, o meu joelho ainda está cicatrizando da semana passada—as feridas do meu coração ainda nem fecharam—e Deus não me segura e deixa eu me ralar de novo?
Como Deus pode ser justo e bom fazendo isso?
A sabedoria de Eliú realmente vem do céu. Ouça a resposta dele. Ele passa em câmera lenta pelo processo divino da purificação pela aflição. São 4 R’s.
Primeiro R: Reconhecer o pecado.
A aflição nos faz reconhecer o nosso pecado:
[8] Se [crentes] estão presos com correntes
e amarrados com cordas de aflição,
[9] ele [Deus] lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões,
e que se mostraram arrogantes.
Permitam-me usar de novo a imagem do seu coração como um tanque de água: quando a vida está mais calma, parece que o tanque está limpo, mas tem uma camada de terra (do pecado) no fundo.
A aflição agita o nosso coração (o tanque), a terra sobe e agora nós conseguimos ver que nós somos menos limpos do que nós imaginávamos. Agora nós conseguimos (versículo 9) “ver as [nossas] transgressões”.
E quando nós reconhecemos que ainda tem (usando as palavras de Eliú) muita terra da arrogância no tanque do nosso coração, nossa confiança em nós mesmos diminui, e nós ficamos mais abertos para o segundo R.
Segundo R: Receber a palavra.
[10] Abre-lhes também os ouvidos para a instrução
Sabe quando você vai para um lugar muito alto parece que você ficou meio surdo. Parece que seu ouvido está entupido. E você precisa fazer aquela manobra de tampar o nariz e forçar a respiração para voltar a ouvir. A aflição é a manobra de Deus para nos fazer ouvir melhor a voz dele.
A aflição deixa o nosso ouvido mais receptivo para a palavra de Deus. Que benefício abençoado! A aflição produz um tipo de humildade no coração dos crentes que faz com que as palavras das Escrituras saltem das páginas e nós ouvimos a voz de Deus mais de perto.
Vocês que passaram ou estão passando por aflição sabem o que é esse fenômeno. Os salmos de Davi parecem que foram escritos para você. Os aflitos saem do culto pensando: “Esse sermão foi para mim”.
A aflição é a manobra de Deus para nos tornar mais sensíveis a Palavra de Deus. Mas tem mais. Deus ainda não terminou: você reconhece o pecado, recebe a palavra e:
Terceiro R: Retornar à piedade
Continuação do v.[10] (...) e ordena que se convertam da iniquidade.
Converter não necessariamente no sentido de ser salvo—de justificação. Converter aqui é mudar o sentido em que eu estava andando: da iniquidade para a piedade; da arrogância para a humildade.
Ter em mente esse processo de purificação ajuda você a tirar o máximo de proveito espiritual na sua aflição.
Em vez de ficarmos tentando descobrir—por que isso está acontecendo comigo?, que geralmente não nos leva a lugar nenhum, uma pergunta melhor é “como Deus está me purificando?” e assim aproveitamos a aflição para nos aproximarmos mais de Deus.
Reconheça o pecado. Receba a Palavra. Retorne à piedade.
Quarto R: Recompensar com prazer.
Os primeiros 3 R’s foram nossos. O quarto R é de Deus:
[11] Se o ouvirem e o servirem,
acabarão os seus dias em felicidade
e os seus anos em delícias.
Deus recompensa com felicidade. Eliú não está falando de prosperidade material. Ele está falando de alegria espiritual. Ele está falando desse prazer que os crentes têm de andar com Cristo—tendo muito ou tendo pouco, mas tendo Cristo.
Diferente do que esse mundo quer nos convencer, a verdadeira felicidade está na santidade. O maior prazer que um ser humano pode ter é crer e obedecer a Deus.
O pecado é um mentiroso, como a serpente no jardim: promete o mundo e entrega a morte.
[12] Porém, se não o ouvirem,
serão passados pela espada e morrerão na sua cegueira.
Uma das coisas mais difíceis nessa vida é mortificar o orgulho e cultivar humildade. Produzir humildade no coração é como fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Impossível ao homem, mas possível a Deus.
Deus não vai deixar você se afastar dele para sempre, meu amigo. Ele irá enviar resgatadores na sua vida. Ele vai enviar aflição para purificar você. Ele vai enviar algum Eliú—alguma pessoa para corrigir você e trazer você de volta.
Não rejeite o resgate do Senhor. Receba as aflições e os Eliús em sua vida como sinais do amor de Deus por você. Eliú está corrigindo a visão que Jó tem da aflição. Vamos aproveitar essa oportunidade para corrigir a nossa também.
Eliú está defendo a justiça de Deus mostrando como ele lida com a humanidade. Até o versículo 12, ele estava falando dos justos—aqueles que tem fé em Cristo. Agora Eliú se vira para lidar com o segundo grupo:
2. OS ÍMPIOS (36:13-14)
A resposta daqueles que não creem em Cristo, quando eles sofrem, é a rebeldia. É triste, é uma tragédia, mas assim é o coração humano sem Deus:
[13] “Os ímpios de coração alimentam a ira;
e, quando são aprisionados por Deus,
não clamam pedindo socorro.
[14] Perdem a vida na sua mocidade
e morrem entre os prostitutos cultuais.
Aqueles que não confiam no Senhor respondem ao sofrimento com ira (v. 13)—ira contra as pessoas, ira contra o mundo, e (no fundo), ira contra Deus. Em vez dessa humilhação santa que o sofrimento produz no coração do cristão, aqueles que não amam a Cristo respondem com raiva e ressentimento.
Essa ira faz eles ficarem duros e não irem até Deus em oração—pedindo perdão e ajuda. Veja o restante do versículo 13:
[13] (...) e, quando são aprisionados por Deus,
não clamam pedindo socorro.
O fim desse processo de endurecimento é se entregarem ao pecado:
[14] Perdem a vida na sua mocidade
e morrem entre os prostitutos cultuais.
Eliú usa o exemplo de prostitutos cultuais—pessoas que abraçam religiões com rituais imorais, para mostrar que aqueles que não confiam em Deus morrem na idolatria.
Esse é um processo tão triste, mas não tão raro. Ele acontece também naqueles que chegaram a professar fé em Cristo um dia, mas depois acabam abandonando o Senhor porque Deus não deu a vida que eles queriam.
O sofrimento faz isso—ele revela o que está no fundo do nosso coração—na camada mais embaixo. O sofrimento não apagou a fé que eles tinham. O sofrimento apenas revelou que eles não tinham fé. Fé em Cristo como seu bem mais precioso, aquele que morreu na cruz para resgatá-los do seu pecado.
Eliú tem um objetivo em mente para trazer a maneira como os ímpios respondem ao sofrimento. Ele quer que Jó não faça isso!
Eliú termina o argumento a favor da justiça de Deus na humanidade voltando para os justos—como Jó e como você que confia em Jesus como seu Redentor e Senhor.
3. OS JUSTOS (36:15)
E aqui nós percebemos o efeito doce que a aflição tem no coração daqueles que amam a Deus.
[15] Deus livra o aflito por meio da sua aflição
e pelo sofrimento lhe abre os ouvidos.”
A sua dor pode ser amarga, mas o que ela produz em você é doce. O remédio da aflição tem um gosto horrível—pode até dar vontade de cuspir (eu não quero tomar isso!), mas quando você aceita e engole, ele produz a cura que você precisa.
Deus livra o aflito por meio da sua aflição.
Livra de quê? Do que Eliú está falando? Eliú está falando da libertação da escravidão do pecado—uma libertação que, se não acontecer, leva à morte.
A aflição liberta. E nesse sentido, ela salva. Ela nos tira do caminho do pecado e nos devolve para o caminho da fé. Ela puxa o nosso braço e fala: “Vira, é por aqui”. Davi disse a mesma coisa no Salmo 119:
Antes de ser afligido, eu andava errado, mas agora guardo a tua palavra (Salmo 119:67).
Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos (Salmo 119:71).
Você, crente no Senhor Jesus, sofre, como todas as pessoas sofrem nesse mundo. A diferença é que o Espírito Santo faz você responder com essa humildade em reconhecer que você ainda tem pecado, e você recebe a palavra, e retorna à santidade.
Em outras palavras, você sofre e você continua crendo. Você percebe: “Eu sou um cristão verdadeiro. Eu sei que eu estou longe do que eu deveria ser, mas eu não vou abandonar o meu Senhor por nada. Eu amo Jesus. Ele me salvou. Ele morreu por mim. Eu vou segui-lo até o fim” e sua experiência de perseverar fortalece a sua fé.
Mas repare que a sua fé só foi fortalecida porque você passou pela aflição. Você só foi santificado porque você sofreu. Deus livrou você do pecado levando você pela aflição. É assim que Eliú quer que Jó veja a aflição dele e é assim que Deus quer que você veja a sua aflição.
Não enxergar Deus como um inimigo, como Jó está fazendo. Mas enxergar a Deus como um Pai e amigo que está santificando e salvando você.
A partir do versículo 16, Eliú faz um apelo pessoal. Se até o versículo 15, Eliú deu argumentos a favor de Deus, agora Eliú dá alertas à Jó, mas são alertas à favor (não contra!) Jó.
APELO PESSOAL (36:16-25)
[16] “Assim também a você Deus procura tirar da angústia
e levar para um lugar espaçoso, em que não há aperto,
e para o conforto de uma mesa cheia de comida saborosa.
Satanás quer apagar sua fé com o sofrimento, mas Deus quer aumentar sua fé com o sofrimento. Jó e IBJM, é o amor de Deus que fez ele trazer aflição para purificar você. Deus está usando as cordas da aflição para puxar você para perto dele.
Mas... tem um “mas” importante. Você precisa responder corretamente a provação. O sofrimento não é justificativa para pecar.
[17] Mas você se enche do juízo do perverso,
e, por isso, o juízo e a justiça o alcançarão.
[18] Tenha cuidado para que a ira não o leve a zombar, [é o que Jó está fazendo]
nem permita que a grande quantia do resgate o desvie.
Não é muito fácil de entender o que Eliú quer dizer com essa última frase, mas parece que ele está falando para Jó não deixar que o custo de se arrepender—de se humilhar diante de Deus—esse custo de reconhecer que foi arrogante e pedir perdão, não deixe que esse custo alto faça com que você se desvie de Deus.
Não abandone o caminho da santidade—do arrependimento e da fé—só porque a porta é estreita e o caminho é apertado, como o Senhor Jesus disse (Mateus 7:14).
Eliú tem mais alertas de amor:
[19] Será que ele levaria em conta as suas lamúrias
e todos os seus grandes esforços,
para que você se veja livre da sua angústia?
[20] Não suspire pela noite,
em que povos serão tirados do seu lugar.
Várias vezes, Jó desejou, Jó suspirou pela morte—Eliú usa a “noite”, a escuridão da noite como uma ilustração para a morte.
Jó fez isso algumas vezes. Um exemplo (Jó falando com Deus):
Por que me tiraste do ventre de minha mãe? Eu deveria ter morrido antes que um olho me visse! (...) Deixa-me em paz, para que por um pouco eu tome alento, antes que eu vá para... a terra das trevas e da sombra da morte, terra de escuridão, de trevas profundas, terra da sombra da morte e do caos (Jó 10:18,20-22).
Você já ficou tão cansado de uma aflição, tão cansado de não ver mudança e de ter que suportar aquela dor, que você desejou morrer? Você desejou ir para o céu, não principalmente por causa de Jesus, mas principalmente para ficar livre da dor? Jó também.
Eliú está vindo para nos dizer: “Não suspire pela morte. Deus sabe o dia em que ele deve levar você para casa. Suspire por santidade, suspire por graça, suspire por Deus”.
O último apelo nesse primeiro argumento. Um alerta de um amigo que ama:
[21] Cuidado! Não se incline para a iniquidade,
você parece preferir a iniquidade à sua miséria.”
Não é muito fácil ouvir isso, mas esse é um bom teste do nosso amor pelo Senhor: eu prefiro sofrer do que pecar? Ou eu prefiro pecar para não ter que sofrer?
Viver como cristão no trabalho, na escola, no mundo é arriscado. É custoso. Que enorme pressão nós sofremos da Babilônia para pecarmos contra o Senhor. Mas é melhor sofrermos perseguição ou desprezo ou sermos isolados ou perdermos o emprego ou o respeito das pessoas do que pecar.
Que o Senhor nos ajude a sermos como os 3 amigos de Daniel: entre se dobrar à estátua que Nabucodonosor fez (e pecar) ou serem jogados na fornalha ardente (e sofrer), eles preferiram sofrer e morrer. Entre iniquidade e miséria, eles escolheram miséria. O Espírito Santo para fazer isso em nós. Impossível aos homens, mas possível a Deus.
Eliú termina o apelo pessoal a Jó desfilando diante dele a grandeza de Deus e chamando Jó a exaltar esse Deus!
[22] “Eis que Deus se mostra grande em seu poder!
Quem é mestre como ele?
Ninguém, Deus é o Mestre dos mestres e tem todo o conhecimento.
[23] Quem lhe prescreveu o seu caminho
ou quem pode lhe dizer: ‘Cometeste uma injustiça’?
Ninguém deveria dizer isso, mas é o que Jó está fazendo: “O Senhor cometeu uma injustiça me fazendo sofrer!”.
Eliú chama Jó, então, a adoração.
[24] Lembre-se de exaltar as obras de Deus,
que as pessoas celebram.
[25] Toda a humanidade olha para elas;
as pessoas as contemplam de longe.
Em vez de acusar Deus de injustiça, nós devemos exaltar Deus pela grandeza dele. Eliú está se preparando para o segundo argumento.
Nesse primeiro argumento, Eliú mostrou que Deus tem todo o poder e toda a sabedoria para lidar de forma justa com toda a humanidade—justos e injustos—incluindo as suas aflições, crente.
Depois de usar a maneira como Deus manifesta a justiça dele na humanidade, agora Eliú vai usar um fenômeno da natureza—uma tempestade—para mostrar como Deus manifesta a grandeza dele.
A intenção de Eliú é levar Jó ao lugar de submissão humilde que ele precisa para lidar com o grande sofrimento dele.
Eliú termina esse apelo pessoal e já emenda o segundo argumento.
ARGUMENTO NO. 1: A JUSTIÇA DE DEUS NA HUMANIDADE.
ARGUMENTO NO. 2: A GRANDEZA DE DEUS NA TEMPESTADE (36:26-37:13)
[26] Eis que Deus é grande,
e não o podemos compreender;
o número dos seus anos não se pode calcular.”
Como Moisés disse no: Salmo 90: de eternidade a eternidade, tu és Deus (v. 2).
Eliú quer expandir a visão que nós temos de Deus. Ele quer esticar o nosso entendimento de quem Deus é. Uma coisa que nos leva a acusar Deus de injustiça e nos rebelarmos contra Deus em vez de adorarmos e nos submetermos, é termos uma visão pequena de um Deus que é, na verdade, grande. Bem grande. Infinitamente grande.
E para mostrar a grandeza de Deus, Eliú usa uma tempestade.
Assim que Eliú terminar de falar, Deus irá falar com Jó do meio de um redemoinho. É possível, então, que uma tempestade está se aproximando e Eliú usa essa tempestade para falar da grandeza de Deus. A mesma tempestade de onde Deus irá falar pessoalmente com Jó (Talbert, 189).
Eliú descreve o nascimento da tempestade. Crianças, aula de ciências para a glória do grande Deus: como a chuva acontece?
[27] “Ele [Deus] atrai para si as gotas de água [evaporação]
que de seu vapor destilam em chuva, [condensação]
[28] a qual as nuvens derramam
e gotejam sobre a terra em grande abundância [precipitação] (Ash, 366).
E a chuva se transforma em tempestade. Eliú fala de forma poética:
[29] Pode alguém entender como ele estende as nuvens
e como os trovões ecoam em sua tenda?
[30] Eis que ele espalha sobre elas o seu relâmpago
e encobre as profundezas do mar.
Os céus proclamam a glória de Deus (Salmo 19:1), incluindo quando Deus cria uma tempestade. Professor Nani, se eu falar alguma coisa errada nessa aula de física para glória de Deus, você me corrige depois.
Primeiro, você tem o raio—que é a descarga elétrica. As partículas de gelo e água ficam colidindo, criando atrito e separando as cargas elétricas. Quando a diferença de carga fica muito grande, acontece um disparo—uma corrente elétrica gigante viaja pelo céu. Às vezes, os raios são entre as nuvens. Às vezes, de uma nuvem para a terra.
Segundo, você vê o relâmpago—um clarão no céu. Esse é o efeito visual do raio. Deus acende o céu e faz aquele risco branco viajar a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo—o suficiente para dar 7 voltas no planeta Terra em 1 segundo.
Terceiro, depois de ver o relâmpago, você ouve o trovão—aquele estrondo gigante. O que acontece é que quando o raio corta o céu, ele atinge uma temperatura de 30 mil graus celsius (5 vezes mais quente que a superfície do Sol). Esse calor faz o ar se expandir com uma violência e uma velocidade absurda e gera uma onda de choque que faz aquele barulho.
Professor Nani, depois você me fala que nota eu tirei. Corrija com misericórdia, por favor.
Deus faz esse espetáculo de força, luz, calor, barulho e poder o tempo todo no mundo. Para quê? Por que Deus cria tempestades?
Aqui vem o primeiro propósito: para julgar e alimentar.
[31] Pois por estas coisas ele julga os povos
e lhes dá alimento em abundância.
[32] Enche as mãos de relâmpagos
e os arremessa contra o adversário.
[33] O fragor [o estrondo] da tempestade dá notícias a respeito dele,
dele que é zeloso na sua ira contra a injustiça.”
• Algumas vezes, Deus usa para julgar—para destruir, como ele fez no dilúvio e em outras ocasiões na Bíblia e na história.
• Em outras vezes, Deus usa para alimentar—para construir, e a chuva rega a terra e as árvores dão fruto.
De qualquer forma, é Deus revelando a glória dele em suas obras.
Jó está confuso no sofrimento dele. Ele começou a acusar Deus de não ser bom. Ele começou a duvidar da justiça de Deus.
Eliú está ajudando Jó e a nós. Sabe aquele estrondo enorme da tempestade (versículo 33), ele dá notícias sobre Deus. A tempestade é a ilustração de Deus para mostrar o zelo que ele tem para lidar com a injustiça.
Um Deus com tanto poder—como essa tempestade que está se aproximando mostra—é um Deus que tem a força necessária para lidar com o mal. Você pode confiar e esperar nesse Deus.
E qual é reação esperada de um ser humano diante da tempestade?
Capítulo 37:[1] “Diante disto, o meu coração treme
e salta do seu lugar.
Um raio já caiu perto de você? O trovão já estourou bem perto de você? Aquele estrondo violento que explode e faz as crianças (e os adultos) ficarem com os olhos esbugalhados.
Eliú tem uma recomendação para Jó e para nós: aproveitem as tempestades para ver e ouvir a glória de Deus?
[2] Ouçam atentamente o trovão de Deus,
o estrondo que sai da sua boca.
[3] Ele o solta por baixo de todos os céus,
e o seu relâmpago chega até os confins da terra.
[4] Depois deste, ruge a sua voz,
troveja com o estrondo da sua majestade,
e ele já não retém o relâmpago
quando se ouve a sua voz.
[5] Com a sua voz Deus troveja maravilhosamente;
ele faz grandes coisas, que nós não compreendemos.
[6] Porque ele diz à neve: ‘Caia sobre a terra’;
e à chuva e ao aguaceiro: ‘Sejam fortes’.
Eliú solta mais um propósito de Deus com a tempestade: ser louvado.
[7] Assim, ele torna inativas as mãos de todos,
para que reconheçam as obras dele.
[8] Os animais entram nos seus esconderijos
e ficam nas suas cavernas.
Em uma tempestade—ainda mais em uma ambiente como da época de Jó—todo mundo (homens e animais) se escondem nas suas casas.
É o momento de parar e admirar o poder dele. É a oportunidade de reconhecer a obra de Deus e exaltar o nome dele, de se maravilhar com um Deus que tem tanto poder.
A tempestade revela a majestade de Deus. É o Leão da Tribo de Judá rugindo com o estrondo da sua voz.
Eliú disse que no versículo 1 o coração dele treme. Esse é um tremor bom. É o tremor e temor da sabedoria—daqueles que adoram o Senhor.
Jonathan Edwards foi um homem de Deus que viveu no século XVIII durante um período de avivamento espiritual. Ele dá o testemunho dele sobre o efeito de uma tempestade no coração dele antes e depois da conversão. Ouça o que ele disse, por favor.
Antes [da conversão], eu sentia um pavor incomum diante dos trovões e ficava aterrorizado ao ver uma tempestade se aproximando; mas agora, pelo contrário, isso me trazia alegria. Eu sentia Deus, por assim dizer, logo aos primeiros sinais de uma tempestade; e aproveitava esses momentos para parar e observar as nuvens, ver os relâmpagos cruzarem o céu e ouvir a voz majestosa e imponente do trovão de Deus — algo que, muitas vezes, me proporcionava grande deleite, conduzindo-me a doces contemplações do meu grande e glorioso Deus (Iain Murray, Jonathan Edwards, 36-37, citado em Talbert, 193).
Essa é a experiência que Eliú quer nos levar: doces contemplações do nosso grande e glorioso Deus.
Eliú continua contemplando a majestade de Deus na tempestade, agora nas temperaturas mais baixas.
[9] De suas recâmaras sai a tempestade,
e os ventos fortes trazem o frio.
[10] Pelo sopro de Deus se dá a geada,
e uma grande extensão de água congela.
[11] Carrega de umidade as densas nuvens,
e do meio delas irradia o seu relâmpago.
[12] Então as nuvens, segundo o rumo que ele dá,
se espalham para uma e outra direção,
para fazerem tudo o que lhes ordena sobre a superfície da terra.
E Eliú repete um dos propósitos de Deus na maneira como ele lida com a natureza:
[13] E tudo isso ele faz vir para disciplina, se convém à terra,
ou para exercer a sua misericórdia.”
Antes, Eliú disse que Deus usa a tempestade e as chuvas para julgar e alimentar. Aqui ele falar de exercendo “disciplina” ou “misericórdia”. Deus usa para manifestar sua ira e seu amor.
Ele se vira para Jó e, de novo, faz um apelo pessoal—de irmão para irmão:
APELO PESSOAL (37:14-20)
[14] “Dê ouvidos a isto, Jó;
pare e pense nas maravilhas de Deus.
Pare e pense nas maravilhas de Deus. Olhe para as obras de Deus e medite na grandeza do nosso Deus, e deixa essa meditação ter efeito no seu coração, Jó. Não fique esperneando e acusando Deus de injusto. Deus criou você não para acusá-lo, mas para adorá-lo.
Eliú está usando a grandeza de Deus para produzir essa submissão alegre a um Deus que é envolto em mistério e majestade e glória.
Mas ele ainda não terminou. Agora ele tenta causar esse efeito de humilhação santa em Jó com perguntas. (Que, por sinal, é exatamente a estratégia de Deus com Jó no próximo capítulo—encher Jó de perguntas).
[15] Será que você sabe como Deus comanda as nuvens
e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem?
Imagine Jó ouvindo, olhando para o chão e respondendo bem baixo para ele mesmo: “Não”.
[16] Será que você sabe algo sobre o equilíbrio das nuvens
e sobre as maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?
“Não”.
[17] Você, cujas roupas ficam aquecidas
quando há forte calor por causa do vento sul,
[18] será que você pode ajudar Deus a estender o firmamento,
que é sólido como espelho de metal fundido?
“Não”.
Nesse espírito, Eliú termina seu apelo pessoal à Jó:
[19] Ensine-nos o que devemos dizer a ele,
porque nós, envoltos em trevas,
não podemos expor a nossa causa diante dele.
[20] Será que alguém deveria contar a Deus
que eu quero falar com ele?
Se alguém fizesse isso, seria devorado.”
Eliú está mostrando a audácia e a ousadia de querer discutir e acusar Deus de estar errado. Eliú está sendo humilde. E ele quer que Jó acompanhe essa atitude. Ele está lembrando Jó que todos nós somos feitos do barro.
Eliú não está dizendo que ninguém deve orar—que ninguém deve falar com Deus. Eliú está falando da postura de Jó de exigir que Deus dê explicações. Que Deus prove que Jó tem pecado para sofrer daquele jeito.
Uma das últimas coisas que Jó falou para Deus foi:
Que o Todo-Poderoso me responda!
Que o meu adversário escreva a sua acusação! (Jó 31:35)
A postura de Jó parece a de um cliente irritado que comprou um produto que não funciona e quer falar com o gerente da loja. Ele chega na loja cuspindo fogo: “Avisa o gerente que eu quero falar com ele agora!”.
Se aproximar de Deus assim, com essa arrogância, é perigoso.
Se alguém fizesse isso, seria devorado (37:20).
CONCLUSÃO: A TREMENDA MAJESTADE DE DEUS (37:21-24)
Eliú termina seus discursos do jeito em que ele falou durante todo o tempo. Implacavelmente centrado em Deus.
[21] “Eis que ninguém pode olhar para o sol, que brilha no céu,
uma vez passado o vento que o deixa limpo.
[22] Do norte vem o áureo esplendor,
pois Deus está cercado de tremenda majestade.
[23] Quanto ao Todo-Poderoso, não o podemos compreender.
Ele é grande em poder,
porém não perverte o juízo e a plenitude da justiça.
Vocês lembram o que Eliú disse no início: que ele tinha argumentos a favor de Deus, para atribuir justiça ao Criador. Foi o que ele fez. Eliú usou a maneira como Deus lida com a humanidade—justos e injustos—e a maneira como Deus usa a tempestade para revelar a grandeza dele.
Eliú tem um propósito em desfilar a majestade de Deus diante de Jó. Ele quer produzir humilhação santa em Jó—um temor reverente.
[24] Por isso, as pessoas o temem;
ele não olha para os que se julgam sábios.”
É a versão de Eliú para “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pedro 5:5). Nós não somos mais sábios do que Deus para governar esse mundo e nossas vida melhor. Eliú quer colocar o coração de Jó de volta ao lugar certo—prostrado, submisso, humilde, bendizendo o nome de Deus, como Jó fez no início.
Jó nos lembra que, mesmo nos homens e mulheres mais santos desse mundo, ainda há muito espaço para crescer na fé—ainda há pecados a serem mortificados e santidade a ser cultivada.
A tribulação de Jó não criou pecado dentro do coração de Jó. A tribulação somente expôs o que estava lá dentro.
Jó não está sofrendo porque pecou, mas agora, durante o sofrimento, Jó está pecando. Ele não está respondendo corretamente ao sofrimento.
Eliú muda a discussão em uma direção bem melhor. A grande questão no sofrimento não é “Por que Deus fez isso comigo?”. A grande questão é: “Como eu respondo ao sofrimento que Deus trouxe?” (Talbert, 192).
CONCLUSÃO
Uma coisa é certa. Ou melhor, duas coisas: que Jó ama a Deus (foi assim que o livro começou) e que Deus ama a Jó. Deus não vai desistir de Jó. Deus não vai deixar Satanás levar Jó para o lado dele. Deus não vai deixar nem mesmo o pecado de Jó e o seu pecado, crente, separar você dele.
Como João Batista disse de forma maravilhosa: convém que ele cresça e eu diminua (João 3:30). Que esse seja o nosso lema de vida—na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na vida e na morte.
Quando nós estamos prostrados diante desse Deus grande, nosso coração está no lugar em que ele sempre deve estar: o lugar de temor e louvor a um Deus que está cercado de tremenda majestade.
Você não precisa ter medo. O que você precisa é continuar olhando com fé para esse Deus grande que enviou Cristo Jesus para sofrer por você.
• A intenção de Satanás com o sofrimento é nos afastar do Senhor.
• A intenção de Deus com o sofrimento é nos aproximar do Senhor.
Igreja Batista Jardim Minesota
Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144
Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo



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