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Gálatas 3:19-29: Eu Preciso Obedecer à Lei de Moisés?

  • Foto do escritor: Pastor Alex Daher
    Pastor Alex Daher
  • 20 de mai.
  • 19 min de leitura

Série em Gálatas: A Mensagem da Cruz 18 de maio de 2025 – IBJM

Você não recebe o perdão de Deus fazendo obras da Lei de Moisés, mas crendo em Jesus Cristo. Isso significa, então, que é possível ser um crente verdadeiro e não obedecer a Palavra de Deus?

 

Mas se você deve obedecer depois que você foi salvo pela graça, como você sabe quais partes você deve obedecer?

 

Por exemplo:

 

Levítico 19:27— Não cortem o cabelo nas têmporas, nem danifiquem as pontas da barba.

 

Você está cumprindo esse mandamento? Nós estamos cortando o cabelo e boa parte de nós nem usa barba. E aqueles que usam barba, estão danificando as pontas com lâminas de barbear. Não tem problema desobedecer esse mandamento? Por que não?

 

Mais um exemplo:

 

Deuteronômio 22:11—Não vista roupa feita de pano de lã e linho misturados.

 

Mulheres, quando vocês compram uma roupa, vocês estão olhando na etiqueta para ver se não tem tecidos misturados? Por que não? Você não precisa mais obedecer a essa lei?

 

E os 10 mandamentos? Como nós lidarmos com eles? Eles são parte da Lei de Moisés.

 

— Não tenha outros deuses diante de mim (Êxodo 20:3).

— Não faça para você imagem de escultura (Êxodo 20:4).

— Não tome o nome do Senhor, seu Deus, em vão (Êxodo 20:7).

 

Mas o quarto mandamento?

 

— Lembre-se do dia de sábado, para o santificar (Êxodo 20:8).

 

Mas nós não estamos guardando o sábado. Os Adventistas estão. Mas nós, batistas, não. Por quê? Nós podemos obedecer 9 dos 10 mandamentos? Por quê?

 

O título da minha mensagem é: “Eu Preciso Obedecer a Lei de Moisés?”. A resposta curta é: “Não”. Nem para ser salvo, porque a salvação é só pela graça, nem depois que você é salvo, porque o tempo de Lei de Moisés acabou. Cristãos não estão debaixo da Lei de Moisés. Nós estamos debaixo da Lei de Cristo.

 

Eu quero desenvolver essa resposta a partir da nossa passagem. A pergunta fundamental que esse texto lida é: “Para que serve a Lei de Moisés?”

 

[19] Logo, para que é a lei?

 

Esse “logo” do versículo 19 está conectando com o que Paulo escreveu antes. Ele fala no versículo 18 que a herança (a salvação) vem da promessa de Deus para Abraão—por causa da graça dele—e não pela obediência a lei.

 

Então, para que Deus deu a lei?

 

A LEI DE MOISÉS TEM 5 PROPÓSITOS:

 

1.     EXPOR O PECADO (V. 19A-B)

 

[19] Logo, para que é a lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões,

 

A lei foi acrescentada—a lei foi dada por Deus—para expor o pecado. A lei não cria maldade no nosso coração, mas ela revela, expõe e nesse sentido a lei aumenta o nosso pecado.

 

Você passa por um jardim muito bonito com um placa: “Não pise na grama”, mas agora, o pecado que já estava no meu coração brota, e dá vontade de pisar na grama.

 

Você fala para o bebê: “Não coloque a mão na tomada”. O que ele quer fazer agora? Colocar a mão na tomada!

 

A lei não resolve o problema do nosso pecado.

A história inteira de Israel é prova disso. Depois que Israel recebeu a lei, eles não se tornaram mais santos. Você não precisa ler muitas páginas na Bíblia para chegar a essa conclusão: a história de Israel é marcada por murmuração, teimosia, desobediência, idolatria e a enorme misericórdia de Deus.

 

Mas o problema do pecado não é um problema judeu. “Não há nenhum justo, nenhum sequer” (Romanos 3:10). Nosso coração gentio tem a mesma doença espiritual—uma inclinação natural para transgredir e pecar. O que nós precisamos, mais fundamentalmente, não é de mais leis, mais educação, mais treinamento em bom comportamento.

 

O que o Brasil e o mundo precisam, mais fundamentalmente, não é de escolas melhores, universidades melhores e leis melhores. Escolas e universidades terão efeito na economia de um país. Terão. Mas pessoas com acesso a educação se tornam pecadores com diplomas.

 

O que nós mais precisamos é um coração novo. E isso, a lei não pode fazer. O propósito da lei é expor, não cobrir o pecado.

 

Segundo propósito da Lei:

 

2.     SER TEMPORÁRIA (V. 19C)

O plano de Deus nunca foi que a lei durasse para sempre.

 

[19] Logo, para que é a lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que [veja a ideia de tempo: “até que”] viesse o descendente a quem se fez a promessa,

 

Agora que Cristo (o descendente) veio e cumpriu a lei no nosso lugar, agora nós vivemos uma nova época, um novo tempo—a era do Espírito. A lei de Moisés ficou para trás. Acabou. Deus planejou a lei para ser algo temporário.

 

Esse é o problema de falar que a parte moral da lei continua em vigor hoje para os cristãos. Esse é o problema de dizer que alguns mandamentos da lei continuam e outros mandamentos da lei pararam.

 

A Bíblia não enxerga a lei dessa forma. Paulo olha para a lei como um pacote único e não divido em três partes (civil, moral e cerimonial). Um único pacote—uma aliança—que ficou para trás na história.

 

Hebreus 8:13—Quando ele diz “nova aliança”, torna antiquada a primeira [a aliança da lei]. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.

 

E desapareceu. Por isso que exigir circuncisão (como os judaizantes em Gálatas estavam querendo) ou exigir guardar o sábado (como os Adventistas fazem) ou pegar uma lei de Moisés e aplicar diretamente à nós—sem antes passar por Cristo e a Nova Aliança—nos leva a erros de interpretação, que pode nos levar a erros de salvação, e assim nos afastam de Deus.

 

A lei de Moisés foi cumprida por Cristo em nosso lugar e agora está abolida. A aliança com Israel no Monte Sinai é antiquada, envelhecida e desapareceu. Nós vivemos na Nova Aliança—selada com o sangue de Cristo na cruz. Uma aliança que você entra pela fé nele.

 

ENTÃO EU POSSO PECAR?

 

Isso significa que você, cristão, pode pecar à vontade, por que agora você não está mais debaixo da lei de Moisés?

 

Paulo fez essa pergunta para ele mesmo:

 

Romanos 6:15-16—E então? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? [A resposta de Paulo:] De modo nenhum! Será que vocês não sabem que, ao se oferecerem como servos para obediência, vocês são servos daquele a quem obedecem, seja do pecado, que leva à morte, ou da obediência, que conduz à justiça?

 

Se eu estou na aliança com Cristo, eu posso viver em pecado e continuar pensando que eu pertenço a Cristo? A resposta é: “De modo nenhum!”

 

Cristão, você é salvo só pela graça por meio da fé em Cristo, mas agora que você tem um novo coração, o que você quer é obedecer pela fé o seu Senhor e Salvador. Mas o que você obedece não é a lei de Moisés. Agora você está debaixo da lei de Cristo, a lei do amor. Você obedece a Palavra de Cristo.

 

1João 2:4-6—Aquele que diz: “Eu o conheço”, mas não guarda os seus mandamentos, esse é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas quem guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: quem diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.

 

Como nós aplicamos a lei de Moisés para nós hoje? A lei tem utilidade porque ela revela o caráter santo de Deus, ela revela o nosso pecado, e ela revela princípios de amor que ainda continua hoje.

 

Como cristão, você deve obedecer o mandamento de “não ter outros deuses”, mas você deve obedecer, não porque é parte da lei de Moisés, mas porque esse mandamento revela o princípio de amor—tanto amor a Deus quanto amor ao próximo.

 

Gálatas 5:13-14—Porque vocês, irmãos, foram chamados à liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à carne; pelo contrário, sejam servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: “Ame o seu próximo como a você mesmo.”

 

Na prática, eu reconheço que a diferença entre falar que a parte moral da Lei de Moisés continua ou falar que nós aplicamos o Antigo Testamento a partir do princípio do amor, na prática, não tem tanta diferença assim.

 

Mas o problema de dizer que uma parte da lei (a lei moral) ainda deve ser obedecida pelos cristãos hoje confunde o papel das alianças e deixa várias passagens do Novo Testamento confusas e difíceis de entender. E mais limpo (e eu entendo, mais alinhado com a Bíblia): dizer que lei da aliança com Moisés foi abolida.

 

O pastor e professor Thomas Schreiner resumiu assim:

 

Estritamente falando, a ideia de que crentes estão debaixo do terceiro uso [uso moral] da lei é errada, porque... a lei inteira foi abolida para os crentes. Mas essa noção não é completamente errada uma vez que o ensino de Paulo está cheio de exortações que chamam os crentes a viverem de uma maneira que agrada a Deus [Schreiner, 40 Questions About Christians and Biblical Law, p. 99]

 

Sim, o Novo Testamento está cheio de mandamentos para nós, cristãos. E Paulo, às vezes, cita mandamentos do Antigo Testamento para nós cristãos. Mas quando isso acontece, esses mandamentos têm autoridade sobre nós, não porque eles fazem parte da Antiga Aliança, mas porque esses mandamentos revelam a vontade de Deus para nós. Porque eles revelam o que é o amor.

 

O Antigo Testamento—não só a Lei, mas todo ele—é a Palavra de Deus para nós. Mas para você saber como exatamente você obedece uma passagem do AT, você precisa passar por Jesus, a Nova Aliança que ele estabeleceu, e ver qual é o princípio do amor naquela passagem da Antiga Aliança.

 

Você, cristão, deve obedecer a Palavra de Cristo—a maravilhosa lei de Cristo, a lei do amor. Mas a lei de Moisés, não. Ela era temporária. Ela foi abolida. O propósito de Deus para a lei nunca foi que ela durasse para sempre.

 

O descendente já veio. A lei ficou para trás.

 

Terceiro propósito de lei:

 

3.     SER INFERIOR POR CAUSA DOS INTERMEDIÁRIOS (VV. 19D-20)

 

[19] (...) e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador. [20] Ora, o mediador não é de um só, mas Deus é um só.

 

Esse versículo parece um pouco enigmático. O que Paulo quer dizer com anjos e mediador?

 

Nós precisamos lembrar do problema e do contexto. O problema na igreja da Galácia eram os legalistas que estavam dizendo que para você ser um crente verdadeiro, você precisa ser circuncidado e obedecer a Lei de Moisés. Esse é o problema. O que Paulo está fazendo nessa passagem é mostrar que a aliança com Abraão (feita pela graça) é superior a aliança feita com Moisés (feita pela lei).

 

E a razão para isso, de acordo com o versículo 19 e 20, é que a aliança com Abraão foi feita diretamente por Deus—Deus deu uma promessa para Abraão, mas no caso da aliança com Moisés, a lei foi promulgada por meio de anjos e de anjos para um Mediador (Moisés) e de Moisés para o povo. Uma aliança cheia de intermediários. Não tem como uma aliança assim ser superior a aliança onde Deus falou diretamente para Abraão.

 

Essa ideia de que a aliança com Moisés incluiu a presença de anjos está em:

 

Deuteronômio 33:2—O Senhor veio do Sinai... Ele veio das miríades de santos [anjos]; à sua direita, havia para eles o fogo da lei.

 

A lei é inferior porque ela inclui muitos intermediários. De Deus para anjos, dos anjos para Moisés, de Moisés para o povo. Já a aliança com Abraão, Deus falou diretamente com ele.

 

E nós podemos dizer: na Nova Aliança, ainda mais: Deus veio até nós através de Jesus e falou e viveu entre nós.

 

A lei parece que tem tanto problema, Paulo percebe a necessidade de esclarecer mais um propósito de lei.

 

4.     SER SANTA, MAS NÃO PRODUZIR VIDA (VV. 21-22)

O problema não é a lei. O problema é o nosso coração.

 

[21] Seria, então, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, então a justiça seria, de fato, procedente de lei.

 

O problema não é a lei. O problema é o nosso coração. Paulo disse em Romanos que:

 

A lei é santa e o mandamento é santo, justo e bom (Romanos 7:12).

 

Esse propósito da lei explica também por que tem passagens onde os crentes do Antigo Testamento falam com tanto amor da lei:

 

Salmo 119:96-97—Tenho visto que toda perfeição tem o seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado. Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia!

 

A lei não salva. Mas para aqueles que viviam na época do Antigo Testamento e confiavam em Deus e no Messias que viria, eles amavam a lei de Deus porque ela manifesta também o caráter santo e belo de Deus e a beleza da santidade.

 

A lei mostra como nós devemos viver, mas ela não nos dá o poder para obedecermos. A lei não produz vida. Mas isso não significa que a lei é contrária as promessas de Deus.

 

A lei não está andando no caminho oposto a promessa da salvação pela graça. A lei está andando do lado.

 

A lei é como o próprio Moisés guiando o povo até a Terra Prometida. Ele mesmo não entra em Canaã. Ele para antes e aponta para nós onde é o lugar em que nós habitamos com Deus. E quando ele aponta—ele aponta para Cristo. É o que a lei faz: ela aponta.

 

[22] Mas a Escritura [a lei] encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, a promessa fosse concedida aos que creem.

 

A lei fecha a porta da salvação pela obediência e abre a porta da salvação pela fé. A lei diz: “Não é por mim. É por ele: Cristo”.

 

APLICATIVO: REVELA

 

Mas para nós movimentarmos as pernas do nosso coração para irmos até o Salvador Prometido, nós precisamos ver essa porta da salvação pela obediência completamente fechada. Nós precisamos chegar nessa convicção de pecado.

 

Enquanto nós acharmos que não somos tão ruins assim, nós podemos até admirar a Jesus, gostar dos ensinos dele e das pregações sobre ele, mas você não vai entrar pela porta estreita da fé e abraçar Cristo.

 

“Enquanto o pecado não for amargo, Cristo não será doce” (Thomas Watson).

 

Pecado não é um conceito abstrato. Pecado é uma atitude intencional de desafiar a Deus de forma pessoal.

 

Pecado não é só o que nós fazemos com o nosso corpo. Pecar não é só matar alguém ou praticar imoralidade ou falar palavrão.

 

Jesus fala que ficar com raiva de uma pessoa ou ter pensamentos impuros sobre alguém é suficiente—ainda que uma só vez—para nos condenar e nos enviar para o inferno. Esse é o tamanho da santidade de Deus e da ofensa do pecado.

 

Efésios 2:3 fala do nosso pecado como a nossa vontade da carne e dos nossos “pensamentos”.

 

Um tempo atrás eu falei de um aplicativo de celular chamado REVELA. Esse aplicativo é capaz ler pensamentos. Ele não existe, mas imagine que existisse. Você baixa o aplicativo, coloca o celular na testa e a câmera consegue ler seus pensamentos e transformar em imagens.

 

Tudo o que você pensa quando está conversando com alguém, quando você está olhando para o nada... o aplicativo tem o poder de transformar todos os seus pensamentos em imagens na tela do celular.

 

Quem aceitaria usar o aplicativo REVELA? Que pessoa nesse mundo teria coragem de sair pela rua com o celular preso na testa mostrando seus pensamentos? Ninguém.

 

Tentar ser bom o suficiente obedecendo a lei o suficiente nunca vai dar certo. Esse é um caminho que nos lança no abismo sem fim do sofrimento eterno do inferno. Mas existe um caminho. Existe uma Pessoa que é o CAMINHO, A VERDADE e VIDA: Cristo.

 

Você coloca sua fé nele, e o que ele faz é pegar todos os seus pecados—incluindo os pecados que você nunca contou para ninguém, mas que ele sabe—ele pega todos os seus pecados, coloca nos ombros dele e carrega seus pecados até a cruz. E seus pecados ficam lá para nunca mais acusar você.

 

O pecado tem uma força insuportavelmente forte. Prova disso é que se você sair daqui hoje e disser: “Eu nunca vou mais pecar”, isso não vai acontecer. Você não vai conseguir. Por causa da fraqueza da nossa carne.

 

Mas Jesus é diferente. A força da santidade dele é maior do que a do pecado. Por isso ele nunca pecou. E por isso ele pode levar você para Deus.

 

Romanos 8:3—Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne [nosso pecado!], isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no que diz respeito ao pecado. E assim Deus condenou o pecado na carne [de Jesus].

 

A lei é santa, mas ela não pode dar vida. Jesus pode dar vida para você. Hoje. Se você para de crer em você e começar a crer nele.

 

Deus deu a lei para:

 

1.     EXPOR O PECADO (V. 19A-B).

2.     SER TEMPORÁRIA (V. 19C).

3.     SER INFERIOR POR CAUSA DOS INTERMEDIÁRIOS (VV. 19D-20).

4.     SER SANTA, MAS NÃO PRODUZIR VIDA (VV. 21-22).

 

O quinto propósito de Deus com a Lei é:

 

5.     CONDENAR e CONDUZIR (VV. 23-25)

 

A LEI NOS CONDENA (V. 23):

 

[23] Mas, antes que viesse a fé [Paulo está chamando de fé a Nova Aliança pela fé em Cristo], estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé [essa Nova Aliança] que, no futuro, haveria de ser revelada.

 

Paulo descreve a época da lei como uma prisão. O versículo 23 fala de estarmos “sob a tutela da lei e nela encerrados”. A ideia é estarmos presos pelo pecado. A Bíblia usa essas expressões do versículo 23 para falar de uma cidade presa (cercada) por um exército inimigo. Ou para falar de peixes presos na rede do pescador.

 

O pecado prende você, amarra você e não deixa você sair por nada. O pecado coloca você em uma jaula, tranca e joga a chave fora.

 

O pecado é um mestre mal. Ira, imoralidade, inveja são como monstros musculosos que nos segurança com força, nos machucam e nos impedem de correr para Cristo—onde a verdadeira alegria está.

 

Paulo descreve a época da lei como se o ser humano estivesse detido em uma prisão esperando o julgamento. O propósito da lei é nos condenar, não nos salvar.

 

Mas Deus é poderoso. E misericordioso.

 

Romanos 11:32—Porque Deus encerrou todos na desobediência, a fim de mostrar a sua misericórdia a todos.

 

O plano de Deus em dar a lei é mostrar nossa incapacidade de lidar com o pecado para que fique claro a capacidade dele de lidar com o pecado—enviando Jesus para obedecer a lei no nosso lugar e sofrer a punição da lei na cruz no nosso lugar.

 

O plano de Deus com a lei foi nos conduzir para Cristo. A lei condena, mas ela também conduz:

 

A LEI NOS CONDUZ (VV. 24-25)

Paulo muda a imagem agora—do pecado como um carcereiro para um guardião:

 

[24] De maneira que a lei se tornou nosso guardião para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé.

 

Na época de Paulo, guardião era alguém que era responsável por cuidar de uma criança até que ela se tornasse adulta. Até que ela fosse madura o suficiente para andar com as próprias pernas, como nós costumamos dizer.

 

Paulo reforça que a lei é temporária—que o tempo dela acabou.

 

[25] Mas, agora que veio a fé, já não permanecemos subordinados ao guardião.

 

A lei é como um guardião ou, traduzindo para o nosso tempo: como uma babá. Um bebê precisa de uma babá. Uma pessoa que cuide dele. Mas quando ele cresce, o tempo da babá acabou.

 

Paulo está dizendo: assim como uma babá tem um papel temporário e deve levar a criança até a vida adulta, esse é o papel temporário da lei: nos conduzir até Cristo.

 

A lei tinha um propósito limitado e específico (cf. Moo, p. 232): nos dar a mão e nos levar para alguém que pudesse nos salvar.

 

Mudando a imagem, a lei é como o pai da Noiva em um casamento. Ele entra com a Noiva, conduz a Noiva até Cristo, e depois sai de cena. É isso que a lei faz. A lei dá o braço, nos leva até o Noivo (Cristo) e depois que nós (a Noiva, a igreja) somos conduzidos a ele, a lei sai de cena. Nossos olhos agora estão só no Noivo: Cristo.

 

A lei nos humilha porque mostra o nosso pecado, mas a lei exalta a Cristo porque mostra a santidade dele. Ele conseguiu obedecer.

 

A lei suga até a última gota da nossa vanglória—como uma seringa gigante e joga nossa justiça própria no mar.

 

Mas ela também nos deixa sedentos por alguém que possa nos perdoar e nos salvar. Ela nos deixa famintos por alguém que possa pagar pelo nosso pecado e nos purificar. Jesus disse:

 

— Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mateus 5:6).

 

Você pode ser saciado—o nome da fonte se chama Jesus. A caminho para chegar até ele se chama a fé, não obras. E o resultado é que você se torna um filho de Deus.

 

É assim que Paulo termina esse capítulo e termina o argumento dele mostrando que você se torna parte do povo de Deus—um filho de Deus—no milésimo de segundo que você se une a Jesus pela fé.

 

FILHOS PELO FILHO (VV. 26-29)

Paulo usa duas imagens para explicar como você se torna um filho de Deus: as duas imagens falam da nossa união com Jesus pela fé.

 

SER BATIZADO e SER REVESTIDO (VV. 26-27)

 

[26] Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; [27] porque todos vocês que foram batizados em Cristo de Cristo se revestiram.

 

Paulo está trazendo a memória dos Gálatas e da IBJM o dia do batismo deles.

 

Culto de domingo. Você de bata azul. Azul celeste. Mas antes do batismo, é como se você estivesse vestido também do seu velho homem. Você entra na água. Você dá seu testemunho: dizendo quem você era antes de Cristo e como ele lavou você dos seus pecados com o sangue dele quando você creu nele. Você coloca seu testemunho na mureta.

 

O pastor fala algo como: “Mediante sua profissão pública de fé, eu batizo você em nome do Pai, do Filho e do Espírito. Sepultado com Cristo em sua morte”... e você é imergido em água.

 

Quando você é afundado na água, isso representa seu julgamento—seu velho-homem sendo julgado e morto. Porque, como você está unido a Jesus pela fé, seu velho homem foi crucificado quando Jesus foi crucificado. Isso é a união com Cristo!

 

Seu velho-homem morre e fica no fundo do batistério. Morto. Aquela vida acabou. Sua culpa acabou. Sua condenação acabou—ela já aconteceu na cruz. Essa é a primeira parte.

 

Agora vem a segunda parte: o pastor estava falando: “Sepultado com Cristo em sua morte... e ressuscitado para andar em novidade de vida”... e você é levantado da água—mostrando que você foi levantado da morte porque Jesus ressuscitou.

 

Você sai da água, mas agora você não está mais vestido do velho-homem. Ele morreu. Agora você está (versículo 27) revestido de Cristo.

 

2Coríntios 5:17—E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

 

Paulo está usando o batismo como a ilustração da sua conversão. O batismo não salva ninguém. Ser molhado com água não tem poder para remover pecados. Mas a fé em Cristo tem.

 

Os falsos mestres estão insistindo que os Gálatas precisam se circuncidar e se submeter a lei do Antigo Testamento para serem parte do povo de Deus.

 

Paulo diz: “Não! Vocês não precisam de circuncisão. Vocês já tem uma união com Cristo. E por isso, vocês já são filhos de Deus”. Fé nele, não obras para ele, é o que salva vocês.

 

UNIDADE NA DIVERSIDADE

Se isso é verdade—se nós nos tornamos filhos de Deus nos unindo a Jesus pela fé e não praticando obras, a conclusão é que todos nós que estamos em Cristo somos parte da família da fé, descendentes de Abraão e herdeiros junto com o Senhor Jesus Cristo:

 

[28] Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus. [29] E, se vocês são de Cristo, são também descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.

 

Essa é a conclusão de todo o argumento do capítulo 3. A pergunta principal que Paulo está respondendo em Gálatas 3 é: como eu faço parte do povo de Deus? Como eu me torno um cristão? Como eu vou para o céu? Como eu sei que Deus me perdoou e me ama?

 

A resposta dos judaizantes é: você precisa ser circuncidado e se submeter a lei de Moisés. A resposta de Paulo é: você precisa crer em Jesus. Ponto. Ele viveu em perfeita obediência à lei no seu lugar. Ele morreu um sacrifício perfeito na cruz no seu lugar.

 

A afirmação de Paulo nesses últimos versículos é radical. Era radical 2.000 anos atrás e continua sendo radical hoje. O que determina se você é um filho de Deus não é seu povo de origem—judeus ou gentios, branco ou negro; nem seu sexo—homem ou mulher; nem seu status social—escravo ou livre ou rico ou pobre.

 

Nada disso importa quando o assunto é meu status como filho de Deus. Se você tem fé em Cristo—todos nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros da mesma promessa, salvos pelo mesmo sangue, filhos do mesmo Pai, habitantes do mesmo lugar: a glória.

 

Dona Ilza, membro da IBJM e crente há 64 anos é tão filha de Deus quanto João Marcos, 16 anos de idade, salvo há alguns meses e que será batizado em breve, se Deus quiser.

 

Mesmo Salvador. Mesmo sangue. Mesma fé. Mesmo Espírito. Mesma glória.

 

O coração humano tem essa inclinação a querer ser superior: os judeus se viam superiores aos gentios. Os livres se viam superiores ao escravos. Os homens se viam superiores às mulheres. Em Cristo, nós somos um—mesmo valor e mesma dignidade diante de Deus.

 

UMA DISTORÇÃO NA INTERPRETAÇÃO

Mas o coração humano tem também a inclinação de querer distorcer a Palavra de Deus para os seus próprios interesses: o versículo 28 tem sido muito usado para dizer que não existem diferenças entre homens e mulheres e tudo o que um homem faz, a mulher deve fazer também.

 

E, mais recentemente, esse versículo tem sido usado para dizer que como não existe diferença entre homens e mulheres, então pessoas do mesmo sexo podem se casar também.

 

Paulo não está dizendo ser homem e ser mulher é a mesma coisa. Ele não está dizendo que não tem nenhuma diferença de papel entre um homem e uma mulher.

 

O contexto é a nossa salvação: somos todos filhos—com todos os direitos por pertencermos a família de Deus—todos herdeiros da salvação, mas isso não significa que Deus eliminou todas as diferenças entre nós.

 

Ser homem e ser mulher não é a mesma coisa. Igualdade em dignidade não é a mesma coisa que igualdade em papel.

 

Efésios 5 fala do papel do homem no casamento liderando e representando Cristo com um amor que serve e se sacrifica pela mulher. E a mulher representando a Igreja e se submetendo e apoiando a liderança do homem.

 

1 Timóteo 2 e 3 fala do papel do pastor reservado a homens com as mulheres também servindo com seus dons na igreja.

 

CONCLUSÃO 

A mensagem dessa passagem é que você se torna um filho de Deus crendo no Filho de Deus—Cristo, na morte dele substituindo você naquela cruz.

 

Deus não deu a lei para sermos salvos pela obediência. A lei teve um papel específico e temporário: expor o nosso pecado, mostrar a santidade de Deus, e segurar a nossa mão e nos levar para aquele que nunca pecou e escolheu sofrer a maldição da lei que deveria cair sobre nós.

 

A lei nos cala e nos condena. Mas ela também nos conduz a graça. A lei nos leva para Cristo. A lei nos leva para a cruz.

 

Agora que você em Cristo, você está livre da condenação da lei e preso ao amor de Cristo. Livres para amarmos uns aos outros e livres para amar aquele que nos amou e se entregou por nós.

 

Romanos 5:20-21—A lei veio para que aumentasse a ofensa. Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também a graça reinasse pela justiça que conduz à vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.


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