top of page

Posts List
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
29 de Março de 2026 – IBJM Não é ruim fazer as coisas só por obrigação? Fazer coisas que você não entende por que precisa fazer. Você não vê sentido naquilo. • Crianças, se vocês não entendem por que estudar matemática, vocês podem até fazer o dever de casa, mas será se arrastando. Não será com o espírito certo. • Adultos, se você não vê sentido no seu trabalho, você pode até se levantar de manhã e trabalhar porque você precisa, mas é só por obrigação. Muitas vezes, é o que você precisa fazer, mas é muito ruim viver assim. • Se você não vê a razão de fazer aquilo, você pode até fazer por um tempo, mas assim que aparecer uma dificuldade, você vai parar. Quando nós não vemos propósito no que está acontecendo, nós vamos acabar desistimos. É por isso que a nossa luta para manter a esperança viva, especialmente durante o sofrimento, é uma luta por propósito, uma luta por sentido. “Eu estou passando por isso por uma razão”. Jó tem alguns momentos de lucidez, mas ele volta a perder a esperança porque ele volta a perder o propósito. Ele não vê sentido em estar sofrendo tanto. Jó está vivendo por obrigação. E para piorar a situação, os amigos de Jó só pioram a situação. Na explicação deles, para a vida de Jó voltar a fazer sentido, ele precisa confessar o pecado que ele está escondendo e se arrepender. O que nós sabemos que não é verdade. SEGUNDA RODADA: ELIFAZ x JÓ Nós vamos olhar para 3 capítulos hoje: • No capítulo 15: Elifaz fala (e não ajuda). • E nos capítulos 16 e 17, é a vez de Jó responder. Ele continua sua busca por sentido. Vamos começar com Elifaz. É a segunda vez que ele fala. Elifaz foi o primeiro dos 3 amigos de Jó que abriu a boca lá atrás, nos capítulos 4 e 5. Elifaz abre a segunda rodada do debate entre Jó e seus amigos. ELIFAZ FALA (JÓ 15) A opinião de Elifaz sobre o que está acontecendo com Jó não mudou. Mas o coração mudou. O coração dele esquentou. Sabe quando, nos desenhos animados, uma pessoa está irritada e ela começa a ficar mais vermelha. Esse é Elifaz. Ele vem para cima de Jó com mais força. ACUSAÇÃO: VOCÊ É UM TOLO (15:1-16) Elifaz quer provar para Jó que ele é um tolo. [1] Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse: [2] “Será que um sábio daria respostas vazias? Será que encheria a si mesmo de vento leste? [3] Argumentaria com palavras que de nada servem e com razões das quais nada se aproveita? Na resposta anterior de Elifaz, no capítulo 4, Elifaz começou mais educado, mais gentil, mais leve. Ele começou perguntando para Jó: Você não tem confiança no seu temor a Deus? (Jó 4:6) “Jó, espere que Deus irá trocar seu choro por riso. Deus irá trocar seu luto por dança. Espere, Jó”. O tom foi melhor. Mas em vez de continuar a encorajar Jó a confiar no temor de Deus que ele tem, Elifaz perde a paciência e acusa Jó de não ter mais esse temor. Ele acusa Jó de ser um BLASFEMADOR: 1. VOCÊ É UM BLASFEMADOR (VV. 4-6) [4] Mas você destrói o temor de Deus e diminui a devoção a ele devida. [5] Pois o que você fala se inspira em sua iniquidade, e você adota a língua dos astutos. Em Gênesis 3, Satanás é descrito como uma serpente, “o mais astuto dos animais” (Gênesis 3:1). No versículo 6 ele coloca a culpa das acusações deles no próprio Jó: [6] A sua própria boca o condena, e não eu; os seus lábios dão testemunho contra você.” Esse golpe foi forte, mas foi só o primeiro. Além de blasfemador, Elifaz chama Jó de arrogante: 2. VOCÊ É ARROGANTE (VV. 7-10) O espírito de Elifaz é: “Jó, quem você pensa que você é”. [7] “Será que você é o primeiro homem que nasceu? Por acaso, você foi formado antes dos montes? [8] Será que você ouviu o conselho secreto de Deus e detém toda a sabedoria? A resposta que Elifaz espera de Jó é: “Não, eu não ouvi o conselho secreto de Deus. Eu não sei nada”. Mas Elifaz age como se ele tivesse ouvido e soubesse alguma coisa. Mas ele não ouviu o conselho secreto de Deus! Nós ouvimos porque nós lemos os primeiros capítulos de Jó. Elifaz acusa Jó de ser arrogante, mas quem está sendo arrogante é ele. No versículo 11, ele chama Jó de ingrato: 3. VOCÊ É UM INGRATO (V. 11) [11] “Você faz pouco caso das consolações de Deus e das suaves palavras que dirigimos a você? Elifaz só pode estar brincando: “suaves palavras”!? Ele massacra Jó—as palavras deles parecem mais tijolos sendo arremessados, e ele chama de “suaves palavras”. Elifaz não tem espelho em casa. Essa é a maneira do autor do livro de Jó nos lembrar que nós precisamos de Deus e dos outros para perceber nossos pontos cegos—pecados que não estamos vendo, mas que se o Senhor nos der a humildade necessária, nós podemos reconhecer para tirar da nossa vida. É como o pedaço de alface no dente. Como a maionese no bigode. Todo mundo que olha para você vê, mas você, não. Que o Senhor nos ajude a ouvir as pessoas quando elas apontarem nossos pecados. E quando nós formos falar do pecado dos outros, que nossas palavras sejam realmente “suaves palavras”. Além de blasfemador, arrogante e ingrato, Elifaz chama Jó de nervosinho. 4. VOCÊ É UM NERVOSINHO (VV. 12-13) [12] Por que você se deixa levar pelo seu coração? Por que os seus olhos flamejam, [13] para que você dirija contra Deus o seu furor? E por que deixa que tais palavras saiam de sua boca?” A última acusação que Elifaz tem para o seu amigo é: 5. JÓ, VOCÊ É UM IMUNDO (VV. 14-16) [14] “Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? [15] Eis que Deus não confia nem nos seus santos! Nem os céus são puros aos seus olhos, [16] quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água!” Que palavras suaves para um amigo, Elifaz: abominável, corrupto, bebedor de iniquidade. Esse é mais um exemplo dos amigos de Jó usando a verdade no lugar errado—com a pessoa errada. Não é completamente falso o que Elifaz está falando. Por causa do pecado, a humanidade está corrompida. Isso é verdade. É verdade também que Deus é absolutamente santo. O profeta Habacuque disse: Tu és tão puro de olhos, que não podes suportar o mal nem tolerar a opressão (Habacuque 1:13). E que as pessoas no mundo que não conhecem a Deus consomem pecado como água—eles vivem o tempo todo bebendo iniquidade—é verdade também. Elifaz está certo nessas coisas. Mas pegar essas verdades—Deus é santo e o homem é impuro—e aplicar para Jó para explicar o sofrimento dele, isso não é verdade. Jó não está sofrendo porque ele é uma pessoa imunda aos olhos de Deus. A opinião de Deus sobre Jó é que ele é um homem cheio de temor, piedoso e que ama a ele. Na mente de Deus, Jó foi lavado pelo sangue do Cordeiro que irá morrer por ele. Isso não significa que Jó está respondendo perfeitamente ao sofrimento. Algumas coisas que os amigos de Jó estão falando contra Jó, eles até têm razão. Jó disse que Deus não está sendo justo com ele. Jó não pode pensar ou falar isso. Mas agora, pegar uma resposta ruim de Jó nesse tempo de intenso sofrimento, esquecer as várias resposta de fé que Jó deu durante a vida dele, e declarar: “Jó, você é um blasfemador, arrogante, ingrato, nervosinho e imundo”, isso é errado. Muito errado. Isso é maldade. VERDADEIRO, MAS INCOMPLETO Se nós queremos viver com sabedoria nesse mundo—amando a Deus e amando as pessoas—nós precisamos ter essa categoria de um “crente incompleto”. (Hartley, Job, p. x) Crentes que, às vezes (muitas vezes?), não respondem como deveriam. Sabe por quê? Porque todos nós estamos nessa categoria: “os incompletos”. Simplesmente nos lembramos desse fato nos ajuda a termos misericórdia dos outros crentes incompletos. Alguém que luta contra os pecados, que se arrepende, crê em Cristo, e continua. Alguém que se levanta e cai. E levanta e cai. E levanta e cai. Alguém que não é mais do que era—escravo da carne e do mundo, mas alguém que ainda não é o que um dia será, no céu. Mas Elifaz ainda não terminou. A resposta de Elifaz para Jó tem duas partes. Nós vimos a primeira. Até o versículo 16, foi a ACUSAÇÃO contra Jó. Do versículo 17 até o fim do capítulo, Elifaz tem a EXPLICAÇÃO para o sofrimento de Jó. EXPLICAÇÃO: VOCÊ ESTÁ RECEBENDO O QUE VOCÊ MERECE (15:17-35) Elifaz aqui está se juntando a Bildade, o segundo amigo. Elifaz usa a tradição — “o que os sábios anunciaram” — para defender a explicação dele. INTRODUÇÃO: TRADIÇÃO (17-19) [17] “Escute o que eu vou explicar; vou contar-lhe o que eu vi, [18] o que os sábios anunciaram, sem ocultar nada, tendo-o recebido dos pais deles... A estratégia de Elifaz é pintar um quadro aterrorizante da vida do ímpio para ver se Jó se convence de que ele precisa se arrepender e sair dessa vida de pecado para voltar a ter paz com Deus. MEDO DE PERDER (20-22) Ele descreve o ímpio como alguém que vive constantemente com medo de perder o que tem: [20] “O ímpio é atormentado todos os dias, no curto número de anos que se reservam para o opressor. [21] O som dos horrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o destruidor. [22] Não crê que possa escapar das trevas, e sim que a espada o espera. Nem todos aqueles que não amam a Deus vivem com esse medo de perder tudo, mas muitos, sim. Deus colocou a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3:11). Em seus momentos de silêncio, quando eles desligam a televisão e a música e o celular, quando eles consultam sua consciência no travesseiro, vem esse desespero. Eles sabem que as coisas entre ele e Deus não estão certas. Eles vivem com esse senso de tormento, horror, medo. Essa é a explicação de Elifaz para o sofrimento de Jó. Jó estava na prosperidade, mas ele perdeu tudo porque ele abandonou a Deus. Porque Jó se rebelou contra o Todo-Poderoso: A RAZÃO DA DOR (25-26) [25] [Essa é a razão:] Porque ele levantou a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso; [26] arremete contra ele obstinadamente, protegido por um grosso escudo. Nos versículos seguintes, Elifaz descreve o resultado daqueles que não amam a Deus—para dar uma indireta não tão indireta assim—em Jó e ver se ele se arrepende de uma vez. Elifaz usa exemplos do que aconteceu com Jó para cutucar o amigo (ou ex-amigo): A CONSEQUÊNCIA DA IMPIEDADE (27-34) • No versículo 28, ele fala de casas virando ruínas, como aconteceu com Jó. • No versículo 29, ele escreve o ímpio indo da riqueza para a pobreza e perdendo seus bens, como aconteceu com Jó. • No versículo 30, ele fala de chama de fogo e sopro de Deus. Fogo consumiu as ovelhas que Jó tinha e um vento forte derrubou a casa do filho mais velho de Jó em uma reunião de família e todos os filhos morreram. Ele emenda essa descrição insensível com uma exortação para Jó: [31] Que ele não confie na vaidade, enganando a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. Ele descreve de novo a destruição repentina da vida do ímpio e termina com uma descrição, não da vida, mas do coração daqueles que não confiam em Deus: [35] Concebem o mal e dão à luz a iniquidade; o coração deles só prepara enganos.” A teologia de Elifaz não mudou em relação a primeira vez que ele falou, mas ele está mais negativo, mais irritado. Na primeira vez, ele passou um tempo enorme descrevendo a vida maravilhosa daqueles que amam a Deus para Jó. De seis angústias ele [Deus] o livrará, e na sétima o mal não tocará em você. Na fome ele livrará você da morte... Saberá que a sua tenda está em paz; percorrerá as suas posses e não achará falta de nada. Em robusta velhice você descerá à sepultura... Veja bem! Isto é o que investigamos, e assim é. Ouça e medite nisso para o seu bem (Jó 5:19-20,24,26-27). A teologia de Elifaz continua sendo uma teologia da prosperidade, mas agora ele inverteu. Em vez de falar das bençãos daqueles que amam a Deus, ele quer convencer Jó a se arrepender falando das maldições daqueles que não amam a Deus. O que vocês acham da teologia de Elifaz? “Os justos serão recompensados e os ímpios serão punidos”. É verdade? Eu posso criar um problema, e depois nós tentamos resolver? ELIFAZ E SALOMÃO O problema é o seguinte: existem muitas passagens na Bíblia que concordam com a teologia de Elifaz. A teologia de Elifaz está na Bíblia. Por exemplo (Talbert, Beyond Suffering, 112-3): Provérbios 12:21—Nenhuma desgraça sobrevirá ao justo, mas os ímpios, o mal os apanhará em cheio. Não parece Elifaz falando? Mas é Salomão em sua sabedoria. Mais um: Provérbios 10:27—O temor do Senhor prolonga os dias da vida, mas o tempo dos ímpios será abreviado. O que esse provérbio está dizendo é que temer a Deus faz uma pessoas ter uma vida mais longa, mas os ímpios morrem antes. Parece que Salomão concorda com os amigos de Jó. Mas só parece. Salomão não concorda. PROVÉRBIOS SÃO PROVÉRBIOS, NÃO PROMESSAS Provérbios descrevem o que geralmente acontece nesse mundo, não o que sempre acontece, sem exceção. Provérbios são verdades gerais, não promessas. Eles dizem—de forma bem resumida—o que geralmente acontece, mas não é a intenção de Salomão e de Deus descrever todas as situações e exceções em uma frase. É por isso que o livro de Jó e de Eclesiastes são tão importantes para nos dar sabedoria, junto com Provérbios e Salmos. Jó e Eclesiastes nos lembram que a vida é cheia de exceções. E mistérios. Essa interpretação equilibrada que os amigos de Jó não tem. Em um sentido, ler a Bíblia é como fazer um bolo. Você precisa trazer todos os ingredientes necessários na quantidade necessária para dar certo. Se você usar farinha, ovo, açúcar, mas deixar o fermento de fora, o bolo não será bem um bolo. Praticamente todas as heresias—os ensinos falsos da Bíblia—são fruto de alguém que pegou uma doutrina e sem incluir outros ingredientes doutrinários necessários, acabou chegando a conclusões falsas. TENHA CERTEZA DE QUE VOCÊ PODE ESTAR ERRADO Nós podemos aprender uma coisa com Elifaz. Uma coisa que Elifaz nem considera. É que nós podemos estar errados. Elifaz está batendo o pé com força. Jó acabou de mostrar no capítulo anterior que existem situações em que aqueles que amam a Deus sofrem e aqueles que ignoram a Deus se dão bem. Mas entrou por um ouvido e saiu pelo outro e Elifaz nem considerou o que Jó disse. Ele simplesmente repetiu a opinião dele com mais agressividade. Essa estratégia pode funcionar em um debate entre políticos, mas não funciona se nós queremos amar as pessoas e glorificar a Deus. Uma coisa Elifaz nos ensinou pelo mal exemplo: para aplicar a Palavra de Deus a nossa vida, nós precisamos usar os ingredientes doutrinários necessários para o bolo no final nos fazer bem. Jó ouviu o que Elifaz disse. Agora é a vez de Jó falar. JÓ FALA (JÓ 16-17) Nós vamos dividir a resposta de Jó em 4 partes: ACUSAÇÃO, EXPLICAÇÃO, CLAMOR E TOALHA. Nas primeiras duas partes, Jó faz a mesma coisa que Elifaz. Jó tem uma ACUSAÇÃO e uma EXPLICAÇÃO. Mas tanto a acusação quanto a explicação de Jó são diferentes. ACUSAÇÃO: VOCÊS SÃO UNS TORTURADORES (16:1-6) Elifaz acusou Jó de ser um blasfemador. Jó devolve e acusa Elifaz de ser um torturador. [1] Então Jó respondeu: [2] “Tenho ouvido muitas coisas como estas. Todos vocês são consoladores que só aumentam o meu sofrimento. Dentro dessa acusação de Jó, o assunto desses 6 versículos é o consolo que Jó tanto quer e tanto precisa. O tema do consolo, que apareceu no primeiro ciclo de conversas, volta. Se tem uma coisa que nos ajuda a lidar com a dor é o consolo de Deus através dos amigos. Você já foi abençoado assim. Alguém levantou você do chão com palavras. Mas o consolo que Jó tanto quer e precisa, os amigos dele não oferecem. No versículo 2 ele chama os amigos de consoladores “miseráveis” (ESV, Job 16:2)—“que só aumentam o sofrimento”. Mas com o Espírito Santo em nós, nós podemos ser consoladores misericordiosos, não miseráveis. E uma das maneiras em que nós podemos unir nosso coração aos nossos irmãos é nos colocando no lugar do outro. É o que Jó fala no versículo 5: [5] Poderia fortalecê-los com as minhas palavras, e a consolação dos meus lábios abrandaria a dor de vocês. Gastar alguns segundos fazendo esse exercício de troca—se colocando no lugar do outro—nos ajuda na direção de sermos consoladores misericordiosos, não miseráveis: • E se fosse eu que estivesse com câncer... • E se fosse eu que tivesse perdido minha mãe ou meu pai... • E se fosse eu que tivesse sido tratado dessa maneira... • E se fosse eu que tivesse perdido o emprego, perdido o casamento, perdido a família... E assim nossas palavras, com a força do Espírito, pode ser suaves palavras que consolam. Como Elifaz fez, depois da acusação, Jó tem uma explicação. Uma explicação para o sofrimento dele. A explicação de Elifaz para a dor de Jó é o pecado de Jó. A explicação de Jó para a dor dele não é o pecado dele. É o Deus dele. Deus é a causa da minha dor. EXPLICAÇÃO: A RAZÃO DA MINHA DOR NÃO É O MEU PECADO; É O MEU DEUS (16:7-14) Por um momento, Jó para de falar com seus amigos, olha para o céu e fala com Deus: PARA DEUS (7-8) [7] “Na verdade, esgotaste as minhas forças; tu, ó Deus, destruíste toda a minha família. [8] Testemunha disto é que me deixaste enrugado; a minha magreza já se levanta contra mim e me acusa cara a cara.” Para Jó, Deus é a causa da dor dele. E é com Deus que Jó quer lidar e falar e chorar. Deus destruiu a família dele e deixou ele tão magro por causa dos tumores que ele nem mais parece quem ele é. Mas diferente do que Jó fez antes, Jó não fala muito tempo com Deus. Dois versículos: 7 e 8. A partir do versículo 9, Jó volta a falar com os amigos dele. PARA OS AMIGOS SOBRE DEUS (9-14) [9] “Na sua ira me despedaçou e me perseguiu; rangeu os dentes contra mim e, como meu adversário, aguça os olhos. (...) [11] Deus me entrega aos ímpios e me faz cair nas mãos dos perversos. Jó gasta menos tempo falando com Deus (talvez porque Deus não esteja respondendo), mas apesar de não estar falar com Deus, vocês percebem qual é o assunto de Jó? Quem Jó acha que despedaçou a ele “na sua ira”? E persegue a ele? E range dos dentes contra ele? E age como um adversário? Deus. Jó pode até ter parado de falar com Deus, mas ele continua falando sobre Deus. Um cristão, mesmo na dor, mesmo quando ele pensa que Deus está tratando ele mal, o coração dele é puxado para Deus. Mas os pensamentos dos crentes sobre Deus nem sempre são certos: • Jó está certo em entender que Deus é soberano sobre o sofrimento dele. • Mas Jó está errado em concluir que Deus está irado, rangendo os dentes e perseguindo Jó como um adversário. O adversário é Satanás, não Deus. A mente de Jó não está operando bem. Ela está cheia de imagens negativas sobre Deus. Jó imagina Deus como um animal feroz e faminto—um leopardo escondido na mata, esperando a hora de dar o bote, agarrar a gazela pelo pescoço e sacode ela até ela cair morta. [12] Eu vivia em paz, porém ele me esmagou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; ele fez de mim o seu alvo. • No versículo 13, ele imagina Deus como um flecheiro inimigo. • No versículo 14, um guerreiro que vem correndo na direção ele com violência. [14] Ele me fere com golpes e mais golpes; arremete contra mim como um guerreiro.” Se Elifaz acusou Jó de ser um blasfemador. E se Jó acusou Elifaz de ser um torturador. Agora, Jó acusa Deus de ser um destruidor. Um despedaçador de saúde, família e vida. Se Jó fosse um blasfemador e ingrato e imundo como Elifaz está dizendo, Jó entenderia. Deus está sendo justo. Deus está punido um homem que está se rebelando contra ele. Essa é a tese dos amigos de Jó. Mas Jó tem certeza de que ele é inocente. É por isso que Jó está tão atordoado e confuso. TRANSIÇÃO: EU SOU INOCENTE! (16:15-17) [16] O meu rosto está vermelho de tanto chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte, [17] embora não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha oração.” Jó não está dizendo que ele não tem nenhum pecado. Jó está dizendo que ele não é o ímpio, arrogante e ingrato que os amigos estão dizendo que ele é. “Eu confio no Senhor. Eu amo o Senhor. Eu temo a Deus e me desvio do mal. Mas eu sou tratado por Deus como se eu fosse um pecador horrível”. A explicação de Jó para a dor dele não é o pecado dele. É o Deus dele. UMA MISTURA CONFUSA A mente de Jó é como liquidificador que jogou verdades e mentiras dentro, bateu e agora tudo está misturado. Alguns ingredientes são bons—Deus é soberano. É para Deus que Jó tem que ir. Esse ingrediente faz parte da receita para lidarmos com a nossa dor. Mas Jó jogou dentro do liquidificador essa ideia de que Deus está injustamente irado com ele, que Deus está sendo cruel. Esse ingrediente está envenenando a alma de Jó. Sempre que nós fazemos isso, o resultado não é bom. O resultado é desânimo, depressão, amargura, ansiedade, medo e muitos outros males. Mas algo lindo de se ver na vida de um cristão como Jó é que ele sabe para quem ele tem que ir. Existe um sussurro dentro do crente que diz para ele mesmo: — Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus (João 6:68-69). Às vezes, você vai correndo para Jesus. Às vezes, você vai mancando. E demora mais tempo para chegar nele. Mas você vai. O cristão pode, às vezes, ter explicações erradas para a dor dele. Mas um instinto que o Espírito Santo colocou nele e que ninguém pode tirar é esse: “Eu que quero falar com Deus, eu quero ouvir Deus, eu quero Deus”. Por causa desse instinto, Jó não se contenta em explicar. Jó começa a clamar. Ele vai da explicação para um clamor: O CLAMOR (16:18-17:5) Como o sangue de Abel que foi derramado injustamente e ainda clama por justiça (Gênesis 4:10), Jó não quer que a morte dele seja em vão (Harley, The Book of Job, 263). [18] “Ó terra, não cubra o meu sangue, e não haja lugar em que se oculte o meu clamor! “Terra, quando eu morrer, proclame a minha inocência pelo mundo!” Mas Jó sabe que a terra não tem poder para fazer nada. Quem tem poder para responder e agir é o Deus de toda a terra. Prova que Jó sabe disso, é o que ele fala agora: [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa. O SOLUÇO DA GRAÇA Essa maneira de falar é a maneira de alguém que tem confiança. Nós estamos vendo—ou ouvindo—aqui uma faísca de esperança. O fogo da fé de Jó pode não estar queimando a todo vapor, mas tem uma brasa naquele coração. Que mistério e que maravilha é o coração do homem e o Espírito de Deus. Em um minuto, o crente Jó está olhando para Deus como um flecheiro, um guerreiro, um adversário, um destruidor. No outro minuto, ele vem com essa declaração: [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa—“meu advogado”. Bem-vindo ao mundo real. Ao mundo real dos crentes reais com sofrimentos reais. Sim, em alguns momentos, em alguns minutos, tudo na vida parece escuro, seco, sem vida. Mas em outros minutos, o Espírito de Deus abre uma fresta do coração do crente para que entre luz—e a esperança volta. Você está lendo um Salmo, cantando uma música, ouvindo a pregação da Palavra e sua fé se levanta do chão e se agarra em Jesus de novo. Esses momentos podem parecer um soluço. De repente, aparentemente do nada, ele surge dentro de você e você não consegue controlar: você confia, você adora, você louva. É o soluço da graça. Parece que foi do nada, mas não foi. Foi ele. Foi Deus. • Que isso seja um encorajamento para você, cristão deprimido e sem esperança. • Ou você que está ansioso e com medo e com dificuldade de confiar no Senhor. • Ou você que está apático e triste por não ver mais sua fé queimando como antes. O que você deve fazer é continuar clamando e orando e lendo e ouvindo. Continuar indo até ele, mesmo que você esteja mancando. Abanando o seu coração como um carvão em brasa até o fogo voltar a pegar. O Espírito de Deus pode fazer um pavio fumegando voltar a queimar. Hoje. Agora. Mas nós pulamos uma pergunta importante: DE QUEM ELE ESTÁ FALANDO? [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa. De quem Jó está falando? Quem é essa testemunha — esse advogado? O tema da justificação—de quer ser declaro justo por Deus—que apareceu no primeiro ciclo volta. Quem é essa Pessoa que irá defender Jó no tribunal de Deus e provar que ele é um crente verdadeiro, um homem justificado, um adorador do Senhor e não um ímpio como os amigos de Jó acusam, nem um interesseiro como Satanás acusa. A Testemunha—o Advogado—que irá defender Jó é Deus. Deus é aquele que está no céu, nas alturas. • Mas Jó não disse há pouco tempo que Deus irá declarar a ele culpado (Jó 9:20)? • Ele não disse que Deus está contra Jó (Jó 10:2)? • Ele não disse que Deus quer matá-lo? Como agora ele acha que Deus irá defendê-lo? Deus irá testemunhar contra Deus? Bem-vindo ao mundo real. Ao mundo real dos crentes reais com sofrimentos reais. Sim, os crentes têm momentos de escuridão e eles não conseguem ver a Deus como deveriam. Mas quando a luz entra, quando o Espírito Santo abre uma fresta da porta do coração e entra glória com poder, quando ele vê um pouco da majestade do Rei, isso é suficiente para ressuscitar a esperança nele e Deus muda de destruidor para Defensor. Mas me permita dizer mais: bem-vindo também ao evangelho—o evangelho real dos crentes reais em um mundo real. Jó 16:19 é a mensagem da cruz. Não deveria ser uma surpresa para nós ouvirmos um crente como Jó dizer que a esperança dele é que Deus defenda Jó de Deus. Esse não é o evangelho? O Deus Pai envia o Deus Filho para ser nosso Advogado no tribunal de Deus. 1João 2:1-2—Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados. Na cruz, o Deus Filho defende a causa do povo de Deus diante de Deus. O Deus Filho testemunha a nosso favor. O sangue dele nos defende. O sangue se levanta para testemunhar a nosso favor no tribunal. DIANTE DO TRONO DE DEUS NOS CÉUS Em 1863, uma jovem de 22 anos escreveu um hino sobre essa verdade libertadora e gloriosa: existe alguém no céu que intercede por nós. Como o versículo 19 diz: “Já agora”. O título que ela deu para o hino foi: “O Advogado”. Nós cantamos esse hino na IBJM. Por favor, ouça essa letra: Diante do Trono de Deus nos céus Tenho perfeita intercessão Do sumo sacerdote o Amor Que advoga em meu favor Meu nome em suas mãos está Escrito em seu coração E enquanto no céu Ele estiver Seguro ali eu estarei Se sou tentado a desviar E vejo a culpa que há em mim Contemplo os céus e vejo então Aquele que morreu na cruz O justo Salvador morreu Pra minha vida libertar Satisfazendo o Santo Deus Que me perdoa ao ver Jesus Vejo o Cordeiro que ressurgiu Sua justiça e perfeição O Grande Imutável Eu Sou O Rei da Graça, o Rei dos Céus Unido a Ele não morrerei Comprado por seu sangue fui Minha vida oculta em Cristo está Em Cristo meu Deus, Salvador Em Cristo meu Deus, Salvador. Cristão, que Testemunha, que Advogado nós temos no céu. Quando a culpa dos nossos pecados nos derrubar, seja porque Satanás nos acusa ou pessoas nos acusam ou nossos próprios pensamentos nos acusam, existe um lugar—uma Pessoa—que nós podemos ir que irá nos defender “diante do trono de Deus nos céus” usando a morte dele em nosso lugar. Se você ainda não tem um Advogado para defender você no dia em que todos nós teremos que comparecer diante do trono de Deus nos céus, você precisa contratar o Senhor Jesus Cristo. Quem de nós poderá dizer para Deus: eu nunca pequei, eu mereço o céu? Mas aqui vai a parte importante: Jesus não aceita nada em troca—ele não aceita dinheiro, nem boas ações. Você contrata a ele pela graça por meio da fé. O que ele exige é que você confie nele. E em troca ele dá para você a justiça dele, o perdão dele e no dia do julgamento, ele vai defender você diante do Juiz. Jó está certo. O Advogado é o próprio Deus. Ainda não estava claro para Jó naquele momento como está claro para nós agora com o Novo Testamento e a vinda do Senhor Jesus, mas os instintos de Jó são os instintos de um crente. Mas a esperança de Jó não durou muito tempo. O capítulo 16 termina e o capítulo 17 começa com Jó vendo a morte vindo na direção dele para buscá-lo: Jó 16:[22] Porque dentro de poucos anos eu seguirei o caminho de onde não voltarei.” Capítulo 17:[1] O meu espírito vai se consumindo, os meus dias vão se apagando, e só tenho diante de mim a sepultura. Ele até volta a falar com Deus, em mais segundo soluço da graça: VOLTA A DEUS (17:3-5) [3] “Dá-me, ó Deus, um penhor, e sê o meu fiador diante de ti; quem mais haverá que possa se comprometer comigo? Senhor, me dá uma garantia (um penhor) que eu não estou esperando o Senhor à toa. Me promete que o Senhor irá me justificar. Mas o clamor a Deus dura pouco. De novo. Ele vai só tem o versículo 5. No versículo 6 nós temos outro “mas” que derruba Jó de vez no chão. No boxe, quando o treinador vê que o boxeador dele está apanhando tanto sem conseguir se defender, ele joga a toalha no chão no meio do ringue para avisar o juiz: nós desistimos. Nós aceitamos a derrota. Jó não aguenta mais apanhar e, no desespero, ele joga a toalha também. Acusação, Explicação, Clamor e, por último: TOALHA (17:6-16) Do versículo 6 ao 10 ele volta a falar da dor: COM DOR (6-10) [6] Mas ele me pôs por provérbio dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe. É impossível ler esse versículo e não pensar no Senhor Jesus sendo cuspido pelos judeus e romanos antes de ser crucificado. Sem Jó saber (mas Deus sabendo), o sofrimento de Jó nos prepara para o Salvador-Sofredor mais inocente que Jó. [7] Os meus olhos se escureceram de mágoa, e todos os meus membros são como a sombra. Jó fica pensando mais na dor e menos no Defensor que ele tem, e isso leva Jó a cair de novo no fundo do poço: SEM ESPERANÇA (11-16) [11] “Os meus dias passaram, e fracassaram os meus planos, os desejos do meu coração. Deus rasgou os planos de Jó. A família dele foi destruída, os bens destruídos, a saúde destruída. Jó sabe que precisa de esperança, mas ele não acha. Ele só consegue ver a morte. A morte é a família dele: [13] Mas, se eu aguardo a sepultura por minha casa; se faço a minha cama nas trevas; [14] se digo à cova: ‘Você é o meu pai’, e aos vermes: ‘Vocês são a minha mãe e a minha irmã’, [15] onde está, então, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? [16] Ela descerá até as portas do mundo dos mortos, quando juntos descansarmos no pó.” Dizem que a esperança é a última que morre. Jó termina dizendo: “a minha esperança morreu”. Parece que dessa vez Jó desistiu. Mas tem coisas que os crentes sofrendo falam que nós não deveríamos anotar. Algumas coisas que eles falam, nós deveríamos deixar para lá. CONCLUSÃO Nós perdemos a esperança quando nós não vemos razão no sofrimento. Jó não vê sentido em sofrer desse jeito sem ouvir uma resposta de Deus. É por isso que ele joga a toalha. Você provavelmente teve seus dias em que você jogou a toalha. Ou ficou com vontade de jogar. Mas o Espírito Santo nunca deixa um santo desistir. Um crente (como Jó) pode até jogar a toalha. Mas ele não vira as contas e vai embora. Ele fica olhando para toalha. Ele fica se perguntando se ele não deveria pegar a toalha do chão, jogar para fora do ringue e voltar para o combate da fé. Ele fica se perguntando se vale a pena não desistir. Nós sabemos a resposta: “Vale”. É claro que vale a pena não desistir. Com uma Testemunha no céu como Jesus, como esse um Advogado e Defensor como o Senhor Jesus, vale a pena. Vale a pena continuar buscando a Deus. Vale a pena continuar clamando e buscando o Senhor. Quando nós olhamos para ele—para o sofrimento do Senhor Jesus e o amor dele, a vida faz sentido. Até no sofrimento. Com ele, a vida vale a pena. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_4088e781ee1148e69cdc4af719f32164~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 15-17: Minha Testemunha Está no Céu
Quando nós não vemos propósito no que está acontecendo, nós vamos acabar desistimos.
É por isso que a nossa luta para manter a esperança viva, especialmente durante o sofrimento, é uma luta por propósito, uma luta por sentido. “Eu estou passando por isso por uma razão”.
bottom of page

![Série em Jó: Sofrimento Soberano
26 de Julho de 2026 – IBJM
A jornada de Jó está chegando ao fim. E não foi uma jornada calma em uma pista plana. Foi uma montanha-russa. Jó passou por muitos altos e baixos. Mas durante todo o tempo, Jó nunca deixou de amar a Deus. E Deus nunca deixar de amar a Jó. Quando nós começamos, eu não imaginei que o Senhor ia me fazer amar tanto Jó. Ele se tornou um irmão precioso. Mesmo diante de tanta dor e mesmo diante de tanta acusação, mesmo perdendo todos os bens, todos os filhos e praticamente toda a saúde, ele não deixou de buscar a Deus. Mesmo quando tudo parecia tão escuro e tão tenebroso e tão sem saída, mesmo no fundo do poço, ele se agarrou à corda da fé no Deus dele esperando ele o puxar. Jó disse coisas como: Ainda que ele me mate, nele esperarei (Jó 13:15). Já agora a minha testemunha está no céu (Jó 16:19). Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra (Jó 19:25). Mas Jó também disse coisas que ele não deveria ter dito. E por essas coisas, Deus precisou corrigir o coração de Jó. Por amor. Vocês se lembram o que acabou de acontecer com Jó, no começo do capítulo 42. Ver Deus em sua grandeza e glória foi suficiente para levantar o espírito de Jó. E nesse processo de levantamento de espírito, Jó se abaixou e se prostrou diante do Senhor em fé humilde e arrependimento profundo: Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza (Jó 42:5-6). Deus atraiu o coração de Jó para perto dele. Mas o Jó do capítulo 42 não é o mesmo Jó do capítulo 1. Jó não é o mesmo homem piedoso que ele era. Ele é ainda mais (adaptação e paráfrase de Talbert, 230). O Jó do capítulo 42 conhece a Deus ainda melhor. Esse não é o desejo de todo o cristão—todos aqueles que receberam um novo coração? Conhecer a Deus ainda mais. O caminho para conhecer mais a Deus nunca fácil. Nem rápido. Nem confortável. Mas é bom. Como Asafe orou no Salmo 73: Quanto a mim, bom é estar perto de Deus; faço do Senhor Deus o meu refúgio, para proclamar todas as suas obras (Salmo 73:28). Deus não usa glória dele para nos afastar dele. Ele usa a glória dele para nos resgatar para ele. Foi o que ele fez com Jó. É o que ele faz com você—todos os dias da sua vida, até a morte. A morte que em vez de nos separar dele, irá nos puxar para os braços de Cristo e nos unir a ele ainda mais. Mas a história ainda não chegou ao fim. Deus ainda precisa lidar com os amigos de Jó e com o próprio Jó. E como a nossa história não chegou ao fim, Deus tem lições para nós também. A cena final é cheia da graça. Essa cena tem dois eventos principais: a repreensão aos amigos e a restauração de Jó. 1. A REPREENSÃO AOS AMIGOS (vv. 7-9) Não se engane com a palavra repreensão. Não veja essa palavra de forma negativa. A repreensão de Deus tem um objetivo salvador, se ouvirmos com os ouvidos da fé. Provérbios 3:11-12—Meu filho, não rejeite a disciplina do Senhor, nem se aborreça com a sua repreensão. Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como um pai repreende o filho a quem quer bem. A repreensão que Deus faz aos amigos de Jó tem o evangelho da salvação em seus 4 ingredientes essenciais. Vamos caminhar pelas palavras salvadoras de Deus. 1. A SITUAÇÃO (v. 7ab) [7] Depois que o Senhor falou estas palavras a Jó, o Senhor disse também a Elifaz, o temanita: — A minha ira se acendeu contra você e contra os seus dois amigos... O Senhor fala com Elifaz porque ele era o líder entre os 3 amigos, provavelmente o mais velho. Nós falamos muito sobre como nós estamos nos sentindo em relação a Deus. Mas ainda mais importante é sabermos como Deus está se sentindo em relação a nós. Como Deus se sente em relação a você? Essa é a situação: Deus está irado com Elifaz, Bildade e Zofar. Por que a ira de Deus se acendeu contra os amigos de Jó? 2. A RAZÃO (v. 7c) Ainda no versículo 7: [7] (...) A minha ira se acendeu contra você e contra os seus dois amigos, porque vocês não falaram a meu respeito o que é reto, como o meu servo Jó falou. Os amigos de Jó se achavam proclamadores da palavra de Deus, professores da boa teologia, protetores da verdadeira sabedoria, mas agora Deus expõe o que realmente estava acontecendo: “Eles não falaram o que era reto sobre Deus”. O sistema simplista deles de retribuição—fez o bem, é abençoado; pecou, é punido—é um sistema que os levou a falsas conclusões sobre Jó e a falsas conclusões sobre Deus. • O nosso problema maior não são as pessoas a nossa volta que nos tratam mal, ainda que isso seja um problema. • O nosso problema maior não é esse mundo mal, ainda que isso seja um problema. • O nosso problema maior nem é a existência de um ser mau como Satanás, ainda que isso seja um enorme problema. O nosso maior problema não está fora de nós. Ele está dentro. Um problema que a Bíblia chama de pecado. O pecado é como um serpente dentro de nós que morde o nosso coração e injeta um veneno que torna nossos desejos distorcidos, que nos fazem buscar alegria e paz em coisas da criação—bens, relacionamentos, saúde—em vez de buscarmos satisfação em Deus. O cenário foi preparado. O mesmo Deus que fica irado contra o nosso pecado é o Deus que oferece uma maneira da ira dele ser removida e nos sermos reconciliados com ele. Situação: a ira de Deus. Razão: o nosso pecado. 3. A SALVAÇÃO (v. 8) Deus está provendo para os amigos de Jó uma maneira de eles se reconciliarem com Deus. O que Deus está falando para eles vale para nós também. De que adianta resolver todos os nossos problemas nesse mundo e ainda ter um problema com Deus. Duas coisas precisam estar presentes para o nosso relacionamento com Deus ser restaurado: um sacrifício e um sacerdote. 1. Sacrifício Ouçam o que Deus fala para os amigos de Jó: [8] Agora peguem sete novilhos e sete carneiros, e vão até o meu servo Jó, e ofereçam holocaustos em favor de vocês. (...) Um sacrifício custoso (Hartley, The Book of Job, 539): “sete novilhos e sete carneiros” sendo oferecidos em holocaustos—mortos (o texto diz) “em favor de vocês”. Os carneiros inocentes são oferecidos no lugar dos culpados Elifaz, Bildade e Zofar. O livro de Jó começou com Jó oferecendo holocaustos em favor dos seus filhos (Jó 1:5). O livro termina com Deus restaurando Jó a posição de intercessor, mediador, fazendo o papel de um sacerdote—aquele que oferece um sacrifício para Deus em nome de uma outra pessoa. A santa ironia é que os amigos de Jó, que acusaram Jó o tempo todo de ser um pecador que precisava de perdão, agora precisam da intercessão daquele que eles diziam que era um impostor para eles serem perdoados por Deus. Mas além de um sacrifício, nós precisamos de um sacerdote: 2. Sacerdote Na mensagem de salvação que Deus está pregando, Deus escolheu colocar a ênfase—a luz do holofote—no papel de Jó como sacerdote, como o mediador. Deus aponta a luz do holofote para Jó no papel de sacerdote repetindo duas coisas: Primeiro, a ATIVIDADE que Jó executa: • No versículo 8, Deus fala que Jó orará por vocês. • No versículo 9, Deus fala aceitou a oração de Jó. • No versículo 10, Deus restaura a sorte de Jó “quando este orou pelos seus amigos”. Deus está ensinando que, para nos reconciliarmos com ele, precisamos de um mediador que ora, que intercede por nós. Além da atividade, Deus repete também a IDENTIDADE do mediador que ele escolheu: 4 vezes, Deus chama Jó de “meu servo”. No final do versículo 7, Deus termina dizendo “como o meu servo Jó falou”. [8] Agora peguem sete novilhos e sete carneiros, e vão até o meu servo Jó, e ofereçam holocaustos em favor de vocês. O meu servo Jó orará por vocês, e eu aceitarei a intercessão dele, para que eu não os trate segundo a falta de juízo de vocês [a tolice de vocês]. Porque vocês não falaram a meu respeito o que é reto, como o meu servo Jó falou. Essa é uma das maiores honras que um homem pode receber na terra é ser chamado de “servo de Deus”. Jó queria ser declarado justo aos olhos de Deus. Ele queria que Deus mostrasse, diante das acusações que ele estava ouvindo, que ele era um adorador verdadeiro, um crente real e não um hipócrita interesseiro. O nome que nós damos para esse ato é justificação. Deus concedeu o pedido de Jó: na frente dos amigos e dos anjos e dos demônios e na frente de Satanás, Jó é vindicado (defendido) publicamente: “meu servo Jó”, o mesmo título que Deus usou para se referir a Jó diante de Satanás no início do livro (1:8, 2:3). Imagine: você está diante dos seus acusadores—incluindo Satanás, aquela maldita serpente—e Deus na frente de todos eles dizendo sobre você: “Ele é meu servo. Ela é minha serva”. Crente no Senhor Jesus, você pode ser acusado por pessoas próximas e por pessoas distantes. Quando estiver difícil perseverar, lembre-se disso: naquele grande dia, quando todos serão julgados, Jesus dirá sobre você, crente: “Muito bem, servo bom e fiel; você foi fiel no pouco, sobre o muito o colocarei; venha participar da alegria do seu senhor” (Mateus 25:21). Qualquer coisa vale a pena para ouvir da boca do Senhor Jesus essas palavras. Quem pode medir a quantidade de alegria no seu coração quando ele fizer essa declaração pública sobre você? Jó experimentou uma prévia desse dia nessa cena. JESUS, NOSSO SUMO-SACERDOTE Agora, se Deus aceitou a intercessão de Jó em favor dos seus amigos, quanto mais Deus aceitará a intercessão de Jesus em seu favor. Mais uma verdade valiosa para você guardar no coração quando estiver difícil perseverar: “Jesus intercede por mim”. Hebreus 7:25—Por isso, [Jesus] também pode salvar totalmente os que por ele se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Robert M’Cheyne, um homem piedoso que viveu no século XIX, disse uma vez: Se eu pudesse ouvir Cristo orando por mim no quarto ao lado, não teria medo de um milhão de inimigos. A distância não faz diferença. Ele está orando por mim (Andrew A. Bonar, Memoir and Remains of the Rev. Robert Murray M’Cheyne, Banner of Truth Edition, 153). Como você se sentiria se você ouvisse a voz de Jesus: “Pai, sustenta o Alex. Dá força para ele perseverar. Mostra para ele a tua presença doce”. O fato de Jesus estar no céu não muda essa realidade. “A distância não faz diferença”. Ele está orando por você. Deus terminou seu sermão evangelístico. Agora é a hora da resposta. Sempre que nós ouvimos a Palavra de Deus, Deus nos chama a responder. 4. A RESPOSTA (v. 9) Os amigos de Jó responderam. [9] Então Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, foram e fizeram o que o Senhor lhes havia ordenado; e o Senhor aceitou a oração de Jó. 4.1 A RESPOSTA DOS AMIGOS DE JÓ Os acusadores de Jó se arrependeram. Os três amigos de Jó confiaram na mensagem que Deus pregou. Eles reconheceram que pecaram. Eles prepararam os sete novilhos e os sete carneiros e foram até Jó com um coração humilhado—convencidos do pecado, mas convencidos também da graça de que perdoa pecadores. O Deus de pura santidade que se ira contra o pecado é o Deus de grande bondade que oferece perdão para você através de um sacerdote (Jesus) que oferece um sacrifício (ele próprio na cruz) no seu lugar. Você pode ser perdoado hoje, meu amigo pecador. Bom é estar perto de Deus. Mas além da resposta dos amigos de Jó, o versículo 10 nos dá a resposta de Jó: 4.2 A RESPOSTA DE JÓ [9] (...) e o Senhor aceitou a oração de Jó. Se o Senhor aceitou a oração de Jó, foi porque Jó orou. O versículo 10 repete essa verdade de forma explícita: [10] O Senhor restaurou a sorte de Jó, quando este orou pelos seus amigos... Que demonstração linda da poderosa graça de Deus. Lembre-se por quem Jó está orando: Ele está orando por 3 homens que, quando ele mais precisava, ficaram acusando Jó de uma lista de pecados que ele não cometeu. Homens que disseram que ele não era um crente verdadeiro—que ele era um hipócrita que seria julgado por Deus. Como o Rei Saul atirou lanças para ferir Davi, os amigos de Jó atiraram lanças e mais lanças de acusações falsas e feriram Jó quando ele mais precisava de cura. Mas Jó orou. Jó perdoou e orou. Jó tomou o sacrifício—os novilhos e os carneiros, e disse: — Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Que cena gloriosa! Que cena da graça! Jó intercedendo por aqueles que o atacaram. Jó ainda está completamente pobre, completamente sem filhos e completamente cheio de tumores pelo corpo. E do chão, sentado no pó da terra, em seu momento de sofrimento, Jó perdoa e intercede pelos seus acusadores. Como quem Jó aprendeu a ser tão gracioso? Com quem Jó aprendeu a ser cheio de misericórdia? Ele aprendeu com Deus. Jó foi perdoado por Deus depois de tê-lo acusado. E quando você fica maravilhado de ter sido perdoado pela sua multidão de pecados, o seu coração fica cheio de graça para perdoar as pessoas que ofenderam você. E quando você imita Jó, você está imitando alguém maior do que Jó. Você está imitando Jesus, o Mediador de Jó, o servo sofredor, aquele que a Bíblia diz em Isaías 53 que ele: (...) levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu (Isaías 53:12). Quando Jesus estava crucificado no meio de 3 ladrões, levantado do chão, pregado no madeiro, em seu momento de sofrimento, ele usou o pouco fôlego de vida que ele ainda tinha para orar por aqueles que o acusavam. — Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34). A pergunta para cada um de nós agora é: quem você precisa perdoar? Quem ofendeu você e que você precisa orar, interceder, pedir para Deus: “Pai, perdoa-lhe”. O que Deus pediu de Jó, ele pede de cada um de nós. Deus perdoou você em Cristo. Quem você precisa perdoar? Jesus disse: — Vocês ouviram o que foi dito: “Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo.” Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus. (Mateus 5:43-45). Existe mais uma manifestação da graça nessa mensagem do evangelho que Deus está pregando. Duas vezes, Deus disse que Jó falou o que é reto a respeito de Deus. No final do versículo 7 e no final do versículo 8. JÓ FALOU O QUE É RETO? Mas como Deus pode dizer uma coisa dessas—que Jó disse o que é reto sobre ele—depois de Deus ter acabado de corrigir Jó pelas palavras dele contra Deus? Deus disse: Quem é este que obscurece os meus planos com palavras sem conhecimento? (Jó 38:2) Quando Deus fala que Jó disse o que era reto sobre ele, Deus pode estar se referindo somente ao que Jó disse no início do capítulo 42—“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frutado” (v. 2) e “eu me arrependo no pó e na cinza”. Pode ser. Algumas pessoas entendem assim. Eu entendo que Deus está falando mais do que isso. Nós temos uma pista em Ezequiel, o único texto no Antigo Testamento fora do livro de Jó que menciona Jó. Ezequiel, com sua interpretação inspirada pelo Espírito, fala de Jó como um homem que é um exemplo de piedade, junto com Noé e Daniel. Quando Ezequiel olha para a vida de Jó (como um todo!), ele não vê principalmente um homem que disse palavras ruins para o seu Deus. Ele vê um homem que amava o seu Deus e temia a Deus, ainda que não de forma perfeita. Deus está fazendo a mesma coisa. Deus olha para Jó, não principalmente com um pecador que ainda ofende a ele, mas como um filho amado que em breve será glorificado. Não é que Deus ignore os pecados. Deus cobre os pecados. Ele cobre os pecados com o sangue do Filho dele. Jesus olha para você da mesma maneira como Salomão olha para a sua amada em Cântico dos cânticos: Você é toda linda, minha querida, e em você não há defeito (Cântico dos Cânticos 4:7). Os olhos do amor fazem isso. Não é que nós não tenhamos nenhum defeito, mas é que Jesus olha para nos com o amor que sabe que, por causa do sangue que ele derramou, todos os nossos defeitos estão cobertos. E no dia do casamento, nós estaremos perfeitamente preparados para ele, nosso Noivo. Nós só podemos entender completamente o que Deus está falando sobre Jó quando nós vamos até Jesus e o que ele fez naquela cruz. O Evangelho é uma notícia tão maravilhosa, tão maravilhosa, que a única maneira de acreditarmos é se Deus nos der fé. Jó reconciliado com Deus. Os amigos de Jó reconciliados com Deus. Chegou o momento da restauração. 2. A RESTAURAÇÃO DE JÓ (10-17) E a razão para essa restauração de Jó é uma só: a graça de Deus. Nós precisamos tomar cuidado para não interpretar essa passagem errado e anular a mensagem de todo o livro de Jó. A RAZÃO: GRAÇA (v. 10) [10] O Senhor restaurou a sorte de Jó, quando este orou pelos seus amigos, e o Senhor lhe deu o dobro de tudo o que tinha tido antes. Deixa eu começar dizendo o que esse texto não pode significar. Esse versículo não pode estar dizendo que Deus está retribuindo o bem que Jó fez. Agora que ele realmente se arrependeu e orou pelos amigos, agora Deus vai restaurar o que Jó tinha perdido. Essa não pode ser a interpretação do final da vida de Jó porque isso confirmaria que a teologia simplista de retribuição dos amigos de Jó—“Deus sempre abençoa os bons e pune os maus nessa vida”. E nós sabemos que essa teologia está errada porque não só Eliú não concordou com ela, mas Deus acabou de dizer que os amigos não falaram a respeito de Deus o que é reto. O autor do livro de Jó quer que nós entendamos a restauração de vida de Jó como um presente da livre graça de Deus, não como uma retribuição que Deus é obrigado a dar a quem faz o bem. No capítulo anterior, Deus disse: Quem primeiro deu algo a mim para que eu tenha de retribuir-lhe? (Jó 41:11). A resposta é ninguém. Tiago entendeu isso. Escrevendo para crentes que estavam sofrendo, ele usa o exemplo de Jó para nos encorajar a ter paciência e perseverar. Por favor, abram suas bíblicas em Tiago, capítulo 5. Esse foi texto que ouvimos durante o culto. Prestem atenção na razão que Tiago dá para a restauração de Jó: Tiago 5:[10] Irmãos, tomem como exemplo de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor. Eis que consideramos felizes os que foram perseverantes. [11] Vocês ouviram a respeito da paciência de Jó e sabem como o Senhor fez com que tudo acabasse bem; porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão. Deus fez com que acabasse bem, não porque Jó é cheio de merecimento, mas porque Deus é cheio de misericórdia. Assim como Jó sofreu não porque ele pecou, mas porque Deus quis em sua soberania santa e misteriosa, também Jó foi abençoado por Deus, não porque ele obedeceu, mas porque Deus quis em sua soberania santa e misteriosa. Você não acha também interessante, curioso, até estranho, Tiago falar da misericórdia e da enorme compaixão de Deus na vida de Jó depois de Deus ter permitido com que Satanás destruísse a vida de Jó. Isso é misericórdia? Isso é ser cheio de compaixão? Depende. Depende de como nós definimos misericórdia e compaixão. Se a nossa definição de amor é evitar todo o tipo de sofrimento nessa vida, então a resposta é: “Não, Deus não foi amoroso com Jó”. Mas não é assim que a Bíblia define amor: • Amor é Deus nos mostrar quem ele é. • Amor é Deus nos fazer prostrar diante da majestade dele, como ele fez com Jó. • Amor é Deus nos trazer para perto dele. • Amor é Deus nos dar fé para vermos a glória dele. • Amor é Deus nos tornar mais parecidos com Jesus. • Amor é Deus nos perdoar—como ele fez com Jó, quando nós respondemos mal ao sofrimento. • Amor é Deus nos dar Deus! Trazer essa verdade preciosa à sua mente durante o sofrimento vai ajudar você a suportar a dor com paciência e perseverar como Jó e os profetas fizeram: quando Deus torna a minha vida difícil, é porque ele está me amando. Ele está trabalhando em mim. A restauração vertical entre Jó e Deus já aconteceu. Foi pela graça. Agora, pela graça, Deus opera a restauração horizontal na vida de Jó. Essa restauração horizontal acontece em 3 lugares: 1. RELACIONAL (v. 11) Nos relacionamentos de Jó. [11] Então vieram a ele todos os seus irmãos, todas as suas irmãs e todos os que o haviam conhecido antes, e comeram com ele em sua casa. E se condoeram dele, e o consolaram por todo o mal que o Senhor tinha enviado sobre ele. Como acontece em todo o livro de Jó—a soberania de Deus é afirmada. Deus nunca é culpado de pecado, mas ele é sempre soberano sobre o pecado. Final do v.[11] (...) E cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro. Esses presentes—dinheiro e um anel—são evidências de que a reconciliação aconteceu. Além do favor de Deus, agora Jó também tem o favor das pessoas. Jó tinha sido abandonado. As pessoas em volta dele viram o enorme sofrimento dele e pensaram: “Deus abandonou esse homem. Ele deve ter muito pecado. Vamos abandoná-lo também. Vamos nos afastar”. Agora que Deus deixou claro que ele não abandonou Jó e que Jó não tinha pecado, as pessoas em volta de Jó reconheceram também. Em vez de acusá-lo, o texto diz que elas “se condoeram dele e o consolaram”, que era o propósito da visita dos 3 amigos de Jó (Jó 2:11). Demorou, mas Deus deu o consolo que Jó precisava também através dos amigos. Essa restauração relacional (horizontal) de Jó nos lembra que nós não somos seres criados para viver sozinhos e nem para sofrer sozinhos. Deus nos deu a igreja porque nós precisamos da igreja. Nós precisamos de pessoas que vão orar por nós e nos encorajar e nos aconselhar e nos corrigir e nos instruir. Deus não fez você para ser como a aranha—que vive sozinha na sua teia e nunca tem companhia. Deus fez você para ser como a abelha—que vive em grupo, cada uma trabalhando para o bem da colmeia. Nossa cultura é tão individualista. Mas o estilo de vida dos cristão é a de uma família. Nós não somos aranhas. Nós somos abelhas. Nossa santificação é um projeto coletivo. Deus pode estar chamando você para sofrer diante das pessoas e mostrar que Deus é capaz de sustentar você. E no seu sofrimento, Deus está equipando você para cuidar dos outros. Não foi isso que o apóstolo Paulo disse? É ele que nos consola em toda a nossa tribulação, para que, pela consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que estiverem em qualquer espécie de tribulação (2Coríntios 1:4). Permita-se ser consolado. E procure consolar outros. Essa é a benção de ser parte da Noiva de Cristo. O segundo lugar de restauração horizontal é: 2. MATERIAL (v. 12) [12] O Senhor abençoou o último estado de Jó mais do que o primeiro. Ele veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. O teste de Jó terminou. Satanás disse que Jó só adorava a Deus porque Deus tinha enchido Jó de coisas boas. Satanás disse que Jó era um religioso interesseiro que não amava a Deus, ele só queria as coisas que Deus podia dar para ele. Deus provou que Satanás errou. O pai da mentira fez o que ele sempre faz: mentiu. Deus mostrou que ele é digno de ser adorado por quem ele é, não simplesmente por aquilo que ele nos dá. E agora que o teste terminou, Deus pode restaurar o que ele tinha tirado de Jó. E Deus mais do que restaura. Ele abençoa com o dobro do que Jó tinha no início (Jó 1:2). Assim Deus está mostrando a enorme generosidade dele. Ele não só deu o que Jó tinha antes. Ele deu ainda mais. Jó era o maior de todos do Oriente. O estado dele agora é ainda maior do que quando já era o maior. É uma ilustração da graça de Deus—que é sempre maior do que nós podemos imaginar. Depois da restauração relacional e da restauração material, vem a restauração paternal: 3. PATERNAL (vv. 13-15) [13] Também teve outros sete filhos e três filhas. [14] À primeira filha deu o nome de Jemima; à segunda chamou de Quézia; e à terceira, Quéren-Hapuque. [15] Em toda aquela terra não havia mulheres tão bonitas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos. Existe uma quebra no padrão. Deus não deu o dobro de filhos para Jó, como ele fez com os animais. Uma única alma humana vale mais do que todos os bois desse mundo. Esses 10 filhos não estão substituindo os 10 que morreram. Deus está abençoando Jó com filhos para alegrar o coração dele, não para repor aqueles que ele perdeu. E para mostrar ainda mais da graça livre e soberana de Deus, ele dá para Jó 3 filhas campeãs do concurso de Miss Universo: as mulheres mais lindas do mundo eram as filhas de Jó. O nome delas são símbolos de beleza da época (Hartley, 543): • Jemima significa “pomba” – uma ave que representa a graciosidade. • Quézia significa “cássia” — uma planta usada para perfume. • Quéren-Hapuque vem de um pigmento preto que era usado para realçar o olhar das mulheres. Um tipo de maquiagem. E elas ainda recebem herança junto com os irmãos, quando na época a herança era reservada para os homens. Mais um das milhões de manifestações da graça soberana de Deus. O livro de Jó acaba registrando como a vida de Jó acaba: O FIM DA VIDA DE JÓ (vv. 16-17) [16] Depois disto, Jó viveu mais cento e quarenta anos; e viu os seus filhos e os filhos de seus filhos, até a quarta geração. [17] E assim Jó morreu, após uma longa velhice. Mais literalmente, o texto diz: “Jó morreu velho, cheio de dias”. A ideia é de satisfação—uma vida cheia da presença de Deus. O final do livro de Jó não é uma promessa que nós vamos viver muitos anos e seremos ricos. Isso seria, de novo, invalidar tudo o que Deus quis nos ensinar ao longo do livro. O que o Senhor está nos dizendo no final do livro de Jó não é que seu sofrimento vai acabar nessa vida. Ele está dizendo que o seu sofrimento irá acabar (Talbert, 237). Jó 42 é uma pequena ilustração da glória dos novos céus e nova terra onde a beleza e a riqueza da presença de Deus estará em tudo e em todos. LIÇÕES NA JORNADA DE JÓ Chegamos ao fim da vida de Jó e ao fim do livro de Jó. Eu quero terminar retomando 3 lições que Deus nos ensinou ao longo da jornada de Jó. 1. A utilidade do sofrimento O nome dessa série em Jó é “Sofrimento Soberano”. Assim como nós não devemos negar a realidade da sofrimento, também não devemos negar a realidade da soberania de Deus sobre os dias bons e os dias maus. Nas mãos de Deus, o seu sofrimento é sempre útil. Logo no início, Deus disse que Satanás incitou Deus a destruir Jó “sem motivo” (Jó 2:3). Mas o seu sofrimento ser sem motivo é diferente de ser sem propósito (Talbert, 235). Bem diferente. Charles Spurgeon disse: "Prefiro acreditar em um Deus que ordena a minha dor para o meu bem, do que em um Deus que deseja me ajudar, mas é impotente diante da tragédia." Nada nos santifica mais do que a dor. Nada nos aproxima mais de Deus do que a sofrimento. Nada nos torna mais parecidos com Cristo, o Servo Sofredor, do que andar pelo caminho da aflição. Não é fácil trilhar o caminho que nos leva pelo vale da sombra da morte, mas é bom. O que nós leva à próxima lição. 2. A necessidade da graça A vida de Jó é um lembrete para nós que, mesmo nas pessoas mais piedosas da terra, todos nós precisamos desesperadamente da graça de Deus. O sofrimento sacode o tanque do nosso coração. A terra do pecado que estava no fundo sobe. E assim fica claro o quanto nós precisamos da graça purificadora e perdoadora de Deus. Talvez você já tenha ouvido alguém dizendo: “Deus não nos dá mais do que possamos suportar”. Talvez você já tenha dito isso para alguém. Mas se olharmos com atenção para a Bíblia, não é exatamente isso que Deus diz. Na realidade, Deus diz o contrário. Em uma das suas cartas, o apóstolo Paulo disse: Porque não queremos, irmãos, que vocês fiquem sem saber que tipo de tribulação nos sobreveio na província da Ásia. Foi algo acima das nossas forças, a ponto de perdermos a esperança até da própria vida (2Coríntios 1:8). Deus trouxe sofrimento na vida de Paulo acima das forças dele. Como ele fez com Jó. E como ele faz com você. Para quê? A resposta está no restante da passagem: De fato, tivemos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, e sim no Deus que ressuscita os mortos (2Coríntios 1:9). Mas não há um texto que fala que Deus não dá um fardo maior do que podemos carregar? Não tem. Se você pensou em 1 Coríntios 10:13, esse versículo não está falando de sofrimento. Está falando de tentação. Não sobreveio a vocês nenhuma tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar (1Coríntios 10:13). Esse texto está falando de que Deus não nos colocará em uma situação em que você será obrigado a pecar. Ele promete nos dar graça para você trazer glória a ele não pecar. Mas com as tribulações, Deus vai dar para você além do que você pode suportar. Como ele fez com Jó. Ele irá levar você até o ponto de você desistir de você para você poder confiar só nele—no único que é capa de ressuscitar os mortos, o que nos leva à nossa próxima e última lição. (Eu ouvi esse ponto sendo feito por Keith Krell em What Is The Purpose Of Our Pain?, Crossway Podcast, https://www.crossway.org/articles/podcast-what-is-the-purpose-of-our-pain-keith-krell/). 3. A centralidade da cruz A utilidade do sofrimento. A necessidade da graça. E a centralidade da cruz. A agonia de Jó encontra o seu cumprimento final na cruz de Cristo—a agonia das agonias, quando Jesus enfrentou uma escuridão ainda maior, e saiu do outro lado do sofrimento exaltado por Deus (Ash, Trusting God in the Darkness, 140-1). E carregando no peito um povo salvo. Deus usa cada gota de sofrimento nesse mundo como um anúncio e um lembrete que no centro da história está a cruz onde o Filho de Deus sofreu e venceu. O lugar onde Deus derrotou o mal e derreteu o nosso coração com o calor da graça dele. Cada ferimento que você recebe aqui, que cada cicatriz que você carrega nessa vida, tem a intenção de levar nossos olhos para aquele que foi ferido, transpassado e morto por nós. CONCLUSÃO Todas as nossas perguntas sobre sofrimento não foram e não serão respondidas nessa vida. Mas tudo o que você precisa para perseverar no sofrimento foi respondido: você precisa confiar e adorar o Deus que governa esse mundo e sua vida com sabedoria, justiça e amor. O Deus que controla o Leviatã, Satanás e é capaz de usar esse monstro e a morte para o nosso bem e a glória dele, como a cruz prova. O livro de Jó não é principalmente sobre sofrimento. O livro de Jó não é principalmente sobre Jó. O livro de Jó é um livro sobre Deus. O livro de Jó é também sobre Jesus: • Assim como Jó foi atacado pelas forças do mal e perseverou até o fim, o Senhor Jesus foi atacado ainda mais e perseverou até o fim e nos amou até o fim. • Assim como Jó intercedeu pelos seus amigos como um sacerdote, Jesus intercede por nós como o nosso Sumo-Sacerdote compassivo que oferece a si mesmo com o Cordeiro de Deus. • Assim como Jó foi acusado pelos homens e justificado por Deus no final, Jesus também foi desprezado e acusado como ninguém, mas o sepulcro vazio e a ressurreição são a declaração de Deus que todas as acusações contra o Filho dele são falsas. CONTINUE SEGUINDO O REDENTOR-SOFREDOR Jó é sobre principalmente sobre Deus e sobre Jesus, mas Jó é também sobre cada um de nós, seguidores do Senhor Jesus (Ash, 141). Ele disse que nós deveríamos tomar nossa cruz e segui-lo. Por isso, não fique surpreso se no caminho você enfrentar uma parte da dor que Jesus enfrentou. O caminho nunca é fácil. Nem rápido. Nem confortável. Mas é bom. • Continue esperando no Senhor, como Jó. • Continue se humilhando diante da majestade do Senhor, como Jó. • Continue buscando a presença do Senhor, como Jó. Porque, como Jó, você sabe que o seu Redentor vive e por fim ele se levantará sobre a terra. E quando ele se levantar, você será levantado com ele. Que esse seja o desejo que habita em nosso coração: O que eu quero é conhecer Cristo e o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos (Filipenses 3:10-11). A Deus e ao Cordeiro, sejam a glória, hoje e sempre. Amém. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_8722560a2e5b4e9185f10f60e434f90e~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
19 de Julho de 2026 – IBJM
Esses dias eu ouvi a história de um homem que estava dirigindo quando um motorista bêbado bateu no carro dele. Ele sobreviveu. Estavam no carro com ele a esposa, a filha e a mãe dele. Nenhuma delas sobreviveu. Três gerações em um só acidente. Como esse homem pode continuar a viver? Ele sobreviveu ao acidente, mas como ele pode sobreviver a um golpe tão forte da vida? Em outras palavras, o que um homem desse no meio do sofrimento mais precisa? O que você mais precisa quando você está agitado, ansioso, frustrado, deprimido, confuso e ferido? Os discursos no final do livro de Jó são a resposta de Deus para essa pergunta. Deus irá dar para Jó o que Jó mais precisa. O texto de hoje tem duas partes: a resposta de Deus (capítulos 40 e 41) e a resposta de Jó (no início do capítulo 42). É a segunda e última vez que Deus fala com Jó. E a palavra de Deus, como sempre, não volta vazia, mas faz o que lhe apraz. A RESPOSTA DE DEUS (40:6-41:34) Deus começa o segundo discurso da mesma maneira que o primeiro: chamando Jó a se preparar. 1. PREPARAÇÃO (40:6-7) [6] Então o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó e disse: [7] “Cinja os lombos como homem, pois eu lhe farei perguntas, e você me responderá. § Deus continua falando do meio de um redemoinho. § Deus continua usando perguntas. Mas o assunto que Deus irá tratar não é exatamente o mesmo do primeiro discurso. Na primeira vez que Deus falou, nos capítulos 38 e 39, Deus estava lidando com o conhecimento. Como Deus tem o conhecimento que Jó não tem para governar o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, incluindo a vida de Jó e a nossa vida. A questão que Deus precisa lidar agora com Jó nessa operação de resgate—de trazer o coração de Jó para uma posição de confiança e submissão—é a questão do poder. Da força. Esse é um mundo perigoso. Nós precisamos de um Deus que tenha não só o conhecimento para governar. Nós precisamos de um Deus que tenha força para nos salvar. O discurso inteiro está temperado com esse tema. Se no primeiro discurso, Deus mostrou a quantidade de conhecimento que ele tem, agora Deus quer nos mostrar a quantidade de força que ele tem. Eu vou dizer uma coisa para vocês: “O seu Deus é forte. Ele é muito forte”. Mas existe uma razão específica porque Deus escolheu o assunto da força para terminar e coroar a operação de resgate de Jó. Essa razão aparece na acusação que Jó faz contra Deus. Depois da preparação (vv. 6-7), Deus lembra Jó do que ele está acusando Deus: 2. ACUSAÇÃO (40:8-9) [8] Será que você está querendo anular a minha justiça? Ou me condenará, para se justificar? Você já se sentiu tentado a duvidar que Deus está agindo com amor no meio da sua dor? Jó também. Jó começou respondendo bem ao enorme sofrimento que ele experimentou, mas com o tempo: § Jó passou a acusar a Deus de ser injusto por fazer ele sofrer. § Jó passou a desafiar Deus a provar que ele merecia sofrer. Jó, para se defender e dizer que ele é inocente, ele começou a colocar a culpa em Deus: “Eu não mereço isso, Deus está errado em fazer isso comigo!”. É como se Jó estivesse se aproximando do trono do Rei do Universo, segurando no braço de Deus e dizendo: “Levanta. Você não está fazendo o que deveria. Você está governando mal. Você não pode mais ficar aí”. Falando assim, parece que Já está fazendo uma coisa horrível. É porque realmente é uma coisa horrível. Nosso sofrimento não é uma justificativa para acusarmos Deus de pecado. Mas Deus ama Jó. Deus nos ama com uma força que nem as nossas acusações contra ele conseguem apagar esse amor. Como a música que Stênio Marcius escreveu sobre o amor do pai do filho pródigo: O seu amor é tão forteMais que o inferno e a morteSão torrentes que arrebentam o chão. Mais fácil secar os maresApagar a estrela AntaresQue arrancar o amor de seu coração. Então Deus, com sua sabedoria infinita, entende que mais importante do que resolver o sofrimento de Jó, Deus precisa resolver os pensamentos de Jó. Deus entra na fonte de toda a nossa miséria espiritual: pensamentos errados sobre Deus, que geram sentimentos errados por Deus, que produzem comportamentos errados que desonram a Deus e destroem nossa vida. Diante dessa acusação de Jó contra Deus, Deus tem mais 2 perguntas: [9] Você tem um braço tão forte como o braço de Deus? Você pode trovejar com a voz como ele troveja? Agora fica mais claro o contexto em que Deus está lidando com o assunto da força (do poder). O contexto é a força para fazer justiça no mundo. Deus está dizendo para Jó: Você está me acusando de não governar com justiça. Você está falando isso porque você tem a força necessária para fazer justiça na terra, então? Mostra o seu braço, Jó. Deixa eu ver o seu bíceps. Deus agora faz um exercício absurdo para mostrar o absurdo que é pensar que Deus faz alguma coisa injusta—incluindo quando ele permite sofrimento em nossa vida. Deus tem uma proposta para Jó. 3. PROPOSTA (40:10-14) Jó, vamos considerar que você respondeu “sim” para as minhas perguntas do versículo 9: [9] Você tem um braço tão forte como o braço de Deus? [Sim?] Você pode trovejar com a voz como ele troveja? [Sim?] Então, está bem. Já que esse é o caso, então: (Deus para de fazer perguntas e dá várias ordens para Jó.) [10] Adorne-se, então, de excelência e grandeza, e vista-se de majestade e glória. Pegue todo o seu poder, Jó, como o meu poder, e faça justiça na terra. Mas reparem agora que Deus é ainda mais específico no uso da força para fazer justiça. Deus se concentra em fazer justiça no julgamento dos maus. [11] Derrame as torrentes da sua ira; olhe para os orgulhosos e humilhe-os. [12] Sim, olhe para eles e humilhe-os; esmague os ímpios no lugar onde estiverem. [13] Cubra-os todos no pó; prenda todos eles no sepulcro. [14] Então também eu confessarei a seu respeito que a sua mão direita lhe dá vitória.” Use a sua força para julgar os maus, Jó, então eu vou reconhecer que você é poderoso para se salvar—“que a sua mão direita lhe dá vitória”. Aqui nós percebemos que a questão que Deus está lidando nesse segundo discurso é ainda mais específica do que força, e mais específica do que força para fazer justiça. A questão que Deus vai lidar é a força para fazer justiça contra o mal. Deus consegue lidar com o mal nesse mundo? Deus consegue restringir o mal e impedir o mal e até destruir o mal? Deus vai responder. Nós entramos agora na parte central e final da resposta de Deus. E para lidar com o assunto da força para lidar com o mal, Deus usa duas criaturas: o Beemote e o Leviatã. No resto do capítulo 40, Deus descreve a força do Beemote. E por todo o capítulo 41, Deus descreve a força do Leviatã. § Quem é o Beemote? E quem é o Leviatã? § Eles são animais reais? Ou eles são criaturas sobrenaturais? Para aqueles que entendem que eles são animais reais, como os animais do capítulo 39, muitas propostas têm sido feitas. § Para o Beemote, as opções são que ele é o hipopótamo ou o elefante ou um búfalo ou um dinossauro. § Para o Leviatã, as principais sugestões são que ele é o crocodilo ou a baleia ou um dinossauro também. Para aqueles que entendem que eles não são animais reais, várias sugestões têm sido dadas—usando monstros das histórias dos Egípcios e dos Cananeus e do próprio povo Hebreu. Vamos fazer o seguinte: vamos primeiro ouvir o que Deus está falando sobre o Beemote e o Leviatã e depois de observá-los, vamos tentar identificar quem são eles. 4. PROVA (40:15-41:34) 4.1 BEEMOTE (40:15-24) Vamos ficar atentos a maneira como Deus descreve esse animal. A medida que Deus nos dá as características dele, eu vou fazer algumas observações. Deus fala sobre 3 aspectos da vida do Beemote: a identidade dele, o corpo e o ambiente em que ele vive. 1. IDENTIDADE (40:15) Deus começa chamando Jó a contemplar: [15] Contemple agora o Beemote, que eu criei junto com você, e que come capim como o boi. São 3 linhas. Vamos de trás para frente: § Primeiro, o Beemote come capim como o boi. Ele vive na terra. § Segundo, ele é também uma criatura. Deus fala: “que eu criei junto com você”. § Terceiro, a palavra Beemote é uma palavra em hebraico. Ela poderia ser traduzida como “grande fera ou grande besta”. Em algumas passagens, ela tem esse sentido. É uma palavra genérica para animais. Quando nós continuamos a ler a descrição que Deus faz do Beemote, nós vemos que esse não é um animal inofensivo. Ele é realmente uma grande besta. Agora Deus descreve o corpo do Beemote, e o assunto principal dessa passagem aparece de novo: a força. Deus fala da enorme força do Beemote. 2. CORPO (40:16-19) [16] A força dele está nos seus lombos, e o seu poder, nos músculos do seu ventre. [17] Ele endurece a sua cauda como cedro; os tendões das suas coxas estão entretecidos. [18] Os seus ossos são como tubos de bronze; as suas pernas são como barras de ferro. [19] Ele é obra-prima dos feitos de Deus; aquele que o fez o proveu de espada. Uma outra maneira de traduzir essa última frase é: aquele que o fez (Deus) se aproxima com sua espada. É assim que a NVI traduz. A ideia é que só Deus, quem fez o Beemote, pode lidar com ele. 3. AMBIENTE O ambiente em que o Beemote vive: [20] Na verdade, os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais selvagens se divertem. [21] Deita-se debaixo das árvores de lótus, no esconderijo da lama, no meio dos juncos. [22] As árvores de lótus o cobrem com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o rodeiam. [23] Se um rio transborda, ele não se apressa; fica tranquilo mesmo que o Jordão se levante até a sua boca. A imagem aqui é de um pântano. Deus fala do esconderijo do lama, no meio dos juncos (das plantas). Mas o pântano é só a paisagem. A ênfase está no comportamento do Beemote. Ele é servido pela natureza—os montes dão pasto para ele, os árvores dão sombra—e ele não se sente ameaçado por nada. Veja o versículo 23: mesmo o rio transbordando, ele não tem medo. As forças desse mundo—a água e o sol e outros animais—não são um problema para ele. O Beemote é descrito como o rei da terra—uma grande fera que tem uma força colossal e ninguém é capaz de laçar e dominar, a não ser Deus. As duas perguntas que Deus faz no final reforçam que o foco de Deus é a força do Beemote: [24] Será que alguém pode apanhá-lo quando ele está olhando? Ou lhe meter um laço pelo nariz?” A resposta que Deus espera de Jó e de nós é: “Não, Senhor. Ninguém. Só o Senhor é capaz de apanhar o Beemote. A força dele é demais para nós”. A mensagem que Deus está dando para Jó é: “Jó, você diz que eu não estou sendo justo com você por causa do mal que você está sofrendo. Mas veja como você não tem a força necessária para fazer justiça contra mal, Jó. Você não consegue dominar o grande Beemote. Mas eu consigo”. Agora é a vez do Leviatã. Se o Beemote já era uma fera terrível, o Leviatã é ainda mais. Deus não escolheu usar o Leviatã no final por acaso. Deus usa um capítulo inteiro, 34 versículos—mais do que qualquer outra criatura—para falar do Leviatã. 3.2 LEVIATÃ (41[:1-34]) O cenário muda: porque se o Beemote reina sobre a terra, o Leviatã reina no mar. Deus volta a fazer perguntas para Jó para mostrar a totalmente incapacidade que nós, seres humanos, temos para dominar esse monstro dos mares que Deus criou: 1. DESAFIO: PERGUNTAS, UM AVISO E DUAS APLICAÇÕES (41:1-11) Perguntas (41:1-7) Deus desafia Jó a dominar o Leviatã: [1] Você é capaz de pescar o monstro Leviatã com um anzol e prender a sua língua com uma corda? Veja a imagem que Deus está criando na mente de Jó. Imagine Jó sentado na beira de um mar com uma vara de pesca tentando pegar, não uma tilápia ou um lambari, mas o Leviatã—como nós vamos ver, esse monstro gigante que é capaz de um engolir um tubarão como se fosse uma bolinha de ração. Deus bombardeia Jó com perguntas e mais perguntas para mostrar a força que Jó não tem para dominar o Leviatã: [2] Você consegue passar uma vara de junco pelo nariz dele? Ou furar o queixo dele com um gancho? [3] Por acaso ele lhe fará muitas súplicas? Ou lhe falará palavras brandas? [4] Será que ele fará um acordo com você, para que seja seu escravo para sempre? Leviatã falando: Jó, a partir de hoje eu vou fazer tudo o que você pedir. [5] Será que você vai brincar com ele, como se fosse um passarinho? Irá prendê-lo com uma corda, para dá-lo às suas meninas? Você vai trazer o Leviatã para ser o animal de estimação da sua família, como se fosse um hamster—quando na verdade ele tem uma força brutal e mataria todos vocês? Mais perguntas: [6] Será que os seus sócios o colocarão à venda? Ou irão reparti-lo entre os negociantes? [7] Você consegue encher de arpões a pele dele? Ou cravar fisgas de pesca na sua cabeça? Deus dá, então: Um Aviso (41:8-10b) [8] Ponha a mão sobre ele; você se lembrará da luta e nunca mais repetirá o gesto.” Eu devia ter por volta de uns 10 anos, mas eu tenho flashes da imagem até hoje na minha mente. Eu não sei onde eu estava com a cabeça, mas eu estava voltando à pé para a casa e resolvi parar e fazer carinho em um pastor alemão. Eu coloquei a mão pela grade de uma casa na rua para passar a mão na cabeça dele, e o pastor alemão veio para comer minha mão. Eu não sei como, mas no reflexo, eu tirei a mão de dentro da boca dele. Eu nunca mais repeti o gesto. Deus está dizendo: “Jó, se você tentar lutar com o Leviatã, você será massacrado em segundos. O Leviatã é indomável, insubmisso e invencível. Você não pode com ele”. [9] “Eis que a gente [as pessoas] se engana[m] na esperança que tem; não é fato que alguém cairá por terra só em vê-lo? [10] Ninguém é tão ousado, que se atreva a despertá-lo.” Você pode acordar o gatinho do seu vizinho para brincar com ele, mas com o Leviatã, o resultado não será o mesmo. Deus agora aplica ao nosso relacionamento com ele. Se ninguém é capaz de se erguer diante do Leviatã, que eu criei, então, Deus pergunta: Aplicação (41:10b-11) Segunda parte do v.[10] “Quem então será capaz de se erguer diante de mim? [11] Quem primeiro deu algo a mim, para que eu tenha de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” Deus está dizendo: “Eu sou o soberano sobre toda a criação. Tudo que existe é meu. Jó, nem você pode se erguer diante de mim e exigir coisas de mim. Nem o Leviatã. Ninguém pode comprar o meu favor. Eu governo sobre a sua vida. E eu governo sobre o Leviatã. Para se relacionar comigo, você se relaciona confiando em mim e recebendo de graça. Deus ainda não terminou. A partir do versículo 12 até o final, Deus descreve o Leviatã com uma descrição de dar medo não só nas crianças, mas nos homens barbados também. 2. DESCRIÇÃO: AS CARATERÍSTICAS DO LEVIATÃ (41:12-34) O assunto principal continua sendo a força. [12] “Não me calarei a respeito das pernas do Leviatã, nem da sua grande força, nem da graça da sua compostura. Do versículo 13 ao 17, Deus mostra como Leviatã é capaz de se defender de qualquer um. Ninguém nesse mundo consegue feri-lo. É como se a parede do corpo dele fosse feita de camadas triplas de aço. O Leviatã é impenetrável. Ele nunca perde uma batalha. A força para se defender (41:13-17) [13] Quem poderá tirar a capa do seu dorso? Ou lhe penetrará a dupla couraça? [14] Quem abriria as portas de sua boca? Pois em roda dos seus dentes está o terror. [15] As fileiras de suas escamas são o seu orgulho, cada uma bem-encostada como por um selo que as ajusta. [16] A tal ponto uma se junta à outra, que entre elas não passa nem o ar. [17] Elas se ligam umas às outras, aderem entre si e não podem ser separadas. Do versículo 18 ao 21, Deus mostra como Leviatã é capaz de atacar qualquer um. Ninguém nesse mundo consegue se defender dele. Ouçam essa descrição. Ele tem força para destruir tudo o que está na frente dele. Deus descreve esse monstro como se ele fosse um dragão que cospe fogo e solta fumaça pelo nariz. A força para atacar (41:18-21) [18] Cada um dos seus espirros faz resplandecer a luz, e os seus olhos são como os raios do amanhecer. [19] Da sua boca saem tochas; [ele é um dragão] faíscas de fogo saltam dela. [20] Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente sobre juncos em chama. [21] O sopro dele acende o carvão; da sua boca saem chamas. Depois de falar da força que o Leviatã tem para se defender e da força que ele tem para atacar, Deus fala da reação que o resto da criação tem diante desse monstro do mal. A nossa reação: medo (41:22-25) [22] No seu pescoço reside a força; e diante dele salta o desespero. (...) [25] Quando ele se levanta, os valentes tremem; quando ele irrompe, ficam como que fora de si. Nos versículos de dentro—o versículo 23 e 24—Deus fala da armadura natural que ele tem e do coração (ou do peito) duro como uma pedra. Não é à toa que ele provoca desespero e medo por onde ele passa. Deus agora inverte: ele falou da nossa reação ao ver o Leviatã; agora Deus fala da reação do Leviatã ao nos ver. § A nossa reação aos ataques dele é medo. § A reação do Leviatã aos nossos ataques é desprezo. A reação dele: desprezo (41:26-29) Nossas armas contra ele é como alguém assoprando uma bolinha de papel com canudo na sua testa para tentar derrubar você. [26] Se o golpe de espada o alcança, isso não tem efeito algum, e o mesmo vale para a lança, o dardo ou a flecha. Atacar a ele de perto com a espada ou atacar o Leviatã de longe com uma lança. Não faz diferença. Ele não sente nada. Tentar usar diferentes tipo de materiais, também não vai adiantar nada. [27] Para ele, o ferro é como palha, e o cobre, como pau podre. [se despedaça.] [28] As flechas não o fazem fugir; para ele, as pedras das fundas se transformam em palha. [esfarelam.] [29] Os porretes são para ele como talos de capim; [amaçam.] quando agitam a lança, ele dá risada. Leviatã debocha das nossas tentativas de derrubá-lo. É como uma criancinha dando um soco na barriga do urso polar. Ou dando um chute na canela de um elefante. Ou um homem querendo prender com uma baleia assassina com o braço. A diferença de força é grande demais. Essa é uma luta inútil. Todo mundo sabe quem vai ganhar. A descrição está quase terminando. Como Deus fez com o Beemote, Deus fala do ambiente em que o Leviatã mora: o mar. A casa dele: o mar (41:30-32) [30] Debaixo do ventre ele tem escamas pontiagudas; arrasta-se sobre a lama, como um instrumento de debulhar. [31] Leva as profundezas a ferver como panela; torna o mar como caldeira de unguento. [32] Deixa atrás de si um sulco luminoso, como se o abismo tivesse uma cabeleira branca. Hoje em dia, se alguém quer escrever um livro ou um filme em que algum tipo de poder do além que vai destruir a vida na terra, essa pessoa vai usar alienígenas vindo do espaço. Na época do Antigo Testamento, essa ameaça—esse terror—vinha do mar, essa massa de água brava que, quando você olha, parece que nunca acaba (Fyall, 83). Faz sentido o mar ser a casa do Leviatã. Mas Deus não simplesmente fala do mar. Deus cria uma cena do Leviatã voltando para casa depois de causar destruição na terra: § No versículo 30 e 31, ele fala do Leviatã se arrastando pela lama e voltando para o mar e, por onde ele passa, a água fica borbulhando, como uma caldeira. § No versículo 32: ele deixa um rastro luminoso por onde ele passa por causa do fogo. Mas vocês repararam também nas duas palavras que Deus usou para falar do mar: no versículo 31: “profundezas”. No versículo 32: “abismo”. Palavras que geralmente estão relacionadas ao lugar dos mortos—à morte. O Leviatã cheira morte. Ele se alimenta da morte. Ele ama a morte. O Leviatã é uma máquina de produzir morte. O mundo da morte é a casa dele. Deus termina o discurso dele para Jó fazendo um comentário sobre o lugar de exaltação que o Leviatã tem em toda a criação: Ele é rei (41:33-34) [33] Na terra, não há ninguém como ele, pois foi feito para nunca ter medo. [34] O Leviatã olha com desprezo tudo o que é alto; é rei sobre todos os orgulhosos.” Ele é incomparável. Ele nunca sente medo. Esse mundo está cheio de gente orgulhosa, mas o Leviatã é tão poderoso que ele se orgulha até diante dos orgulhosos. Ele é rei sobre eles. Como um autor disse, o Leviatã é o único que pode dizer: “Eu sou o maior” (Ash, Job, 415). Quem é o Leviatã? E quem é o Beemote? Quem são essas duas criaturas tão poderosas? São animais reais? Ou seres sobrenaturais? Vamos começar com o Leviatã, que é um pouco mais simples, e depois o Beemote. QUEM É O LEVIATÃ? Alguns entendem que o Leviatã é o crocodilo. Ou uma baleia. Ou um dinossauro. Essa interpretação me parece muito improvável. O primeiro problema é que a descrição que Deus dá do Leviatã é muito diferente das descrições que ele deu no capítulo 39 para os outros animais. No capítulo 39, as descrições do leão e da cabra e da águia são descrições curtas e realistas. Para o Leviatã, não só a descrição é muito mais longa—em vez de 2 ou 3 versículos, 34 versículos, mas as caraterísticas do Leviatã não se encaixam com nenhum animal. Não só a força dele é uma coisa colossal, mas o Leviatã cospe fogo. Sai chama da boca dele. Sai fumaça do nariz. Os olhos dele são como os raios do sol. Isso é coisa de dragão, não de crocodilo. Segundo problema: se o Beemote e o Leviatã são o hipopótamo e o crocodilo, o segundo discurso de Deus é quase uma repetição do primeiro. No primeiro, Deus mostrou vários animais na criação para mostrar a capacidade que ele tem para governar o mundo. Jó responde colocando a mão na boca—ele diz que não vai dizer mais nada. Mas Jó ainda não chegou onde Deus quer que ele chegue. E Deus fala: “Ah, então eu vou falar de mais dois animais: o hipopótamo e o crocodilo, agora você entende que eu sou poderoso?” Os 10 animais anteriores não foram suficientes, Deus precisa acrescentar mais dois? Parece um anticlímax. E não justificaria também porque, diferente da primeira resposta, Jó responde com tanta humildade e louvor. Deus parece ter falado com Jó algo muito maior do que “Eu sou mais forte que o hipopótamo e o crocodilo”. Jó parece muito mais impressionado do que isso. Então, quem é o Leviatã? O que nós podemos e devemos fazer para descobrir quem é o Leviatã é olharmos para as outras passagens na Bíblia onde ele aparece. São só mais 4 passagens. A primeira também está em Jó. Quando Jó estava no fundo do poço da depressão, no capítulo 3, ele disse: Amaldiçoem-na aqueles que sabem amaldiçoar o dia e sabem instigar o Leviatã (Jó 3:8). Jó está amaldiçoando o dia em que ele nasceu e pedindo para alguém acordar o Leviatã para destruir o dia em que ele nasceu. Ninguém pensa que Jó está falando para o crocodilo comer o dia do nascimento dele. Ele está falando de um tipo de criatura que tem poder das trevas para amaldiçoar e “descriar” um dia. A segunda passagem, no Salmo 74, diz: Tu, com o teu poder, dividiste o mar; esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos. Despedaçaste as cabeças do Leviatã e o deste por alimento às criaturas do deserto (vv. 13-14). Nessa passagem, o Leviatã é um monstro marinho com várias cabeças e que Deus venceu quando ele libertou Israel da escravidão do Egito. Leviatã está, de novo, associado às forças do mal e das trevas. Um pouco mais para frente, no Salmo 104, o salmo fala que Deus criou o Leviatã para brincar no mar. A ideia é que mostrar que Deus é tão poderoso que até o Leviatã, essa criatura enorme, é como um peixinho no aquário que Deus criou chamado mar. A última passagem está no livro do profeta Isaías. O contexto é a salvação do povo de Deus. O texto diz: Isaías 27:1—Naquele dia, com a sua espada terrível, grande e forte, o Senhor castigará o Leviatã, serpente veloz, o Leviatã, serpente sinuosa; ele matará o monstro que está no mar. Em Isaías, o Leviatã é a serpente que Deus vai derrotar para salvar seu povo. Quem é, na Bíblia, a serpente poderosa que está ligada ao poder das trevas e que Deus prometeu derrotar para nos salvar? Uma serpente que também é descrita em Jó como um monstro do mar—um dragão que cospe fogo e é a criatura mais poderosa que existe em toda a criação? Eu vou responder com a passagem que nós ouvimos na leitura bíblica no culto. Apocalipse 12, quando Deus fala da vitória dele sobre o mal, ele diz: Apocalipse 12:9—E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo. Leviatã é um outro nome para o diabo. Leviatã é um disfarce de Satanás. A antiga serpente, aquela que invadiu o jardim do Éden e seduziu Adão e Eva e fez o pecado e o mal e a morte entrarem no mundo bom que Deus fez. Hoje em dia, Satanás é às vezes representado como uma besta vermelha, que tem uma forma humana, olhos amarelos, dois chifres e segura um tridente. Na época de Jó e do Antigo Testamento, os povos usavam o Leviatã—esse monstro do mar—para representar as forças cósmicas do mal. Então, em vez de Deus simplesmente dizer: “Eu sou mais poderoso que Satanás”, Deus usa o Leviatã para mostrar de forma viva, gráfica, forte, que apesar de todo o poder de Satanás, Deus é ainda mais poderoso. Leviatã não é só um crocodilo mais perigoso. Leviatã é a encarnação do mal. Leviatã é o representante supremo da iniquidade. O rei dos orgulhos. A criatura mais forte que existe no Universo: Satanás. O mesmo que destruiu a vida de Jó nos capítulos 1 e 2. E agora, no final do livro, ele parece de novo na pele do Leviatã. E o Beemote? QUEM É O BEEMOTE? Beemote é mais difícil saber por que não existem outras passagens explicando quem é o Beemote, mas é muito provável que o Beemote e o Leviatã tenham algum tipo de ligação. Por que Deus escolheria falar tanto sobre essas duas bestas no final? E com algumas semelhanças. § Assim como o Leviatã, o Beemote tem uma força descomunal. § Assim como o Leviatã, ninguém consegue apanhá-lo e ele não é ameaçado por nada. § Deus diz que só ele, com a espada, consegue enfrentá-lo. Um estudioso chamado Robert Fyall defende a ideia de que o Beemote é uma representação da própria morte—essa força insaciável que ninguém consegue dominar. Essa me parece uma possibilidade muito plausível. Deus usou uma imagem comum da época, o Leviatã, para representar Satanás. Para representar a morte, Deus poderia usar também uma imagem comum da época, uma besta devoradora que tem traços de um hipopótamo gigante e vive no pântano e não tem medo de nada. Hoje em dia, às vezes, a morte é representada como uma figura toda vestida de preto, com capuz, segurando uma foice. Existem indícios de que, na época, a morte era personalizada nessa grande fera chamada Beemote. Essa interpretação encaixaria muito bem as peças do discurso que Deus está fazendo para Jó. Deus fala da força de Beemote (que representa a morte) e da força do Leviatã (que representa Satanás) para mostrar para Jó que Deus é mais forte do que a morte e do que Satanás, aquele tem o poder sobre a morte, como livro de Hebreus diz. O que Deus quer nos mostrar com essas descrições assustadoras do Beemote e do Leviatã—da morte e de Satanás? O grande assunto desse discurso é a força. No início, Deus perguntou para Jó se ele tinha a força necessária para julgar os ímpios. Já que Jó estava acusando Deus de não restringir o mal como ele deveria, Deus perguntou para Jó: Então você consegue controlar o mal no mundo? Você tem um braço tão forte como o meu? (Jó 40:8). Então vá lá, humilhe os orgulhos, prenda os ímpios (Jó 40:11-13). Mostre sua força, Jó. Deus, então, usando representações comuns das forças cósmicas do mal—o Beemote e o Leviatã—Deus lembrou Jó da força animal, colossal, invencível que eles têm. O ponto é: Jó, você não consegue controlar o Beemote nem o Leviatã. Eles são fortes demais para você. Mas não para mim, Jó. Eles podem ser poderosos, mas eles são somente criaturas. Eu reino soberano e sozinho. Essa é a resposta de Deus para a presença do mal nesse mundo—para a presença dessas forças malignas que causam tanto sofrimento. Forças que são capazes de destruir o que você tem, como aconteceu com Jó, destruir a nossa saúde, como aconteceu com Jó e capazes de destruir a vida de pessoas que nós amamos, como aconteceu com Jó. Jó estava sentindo na pele toda a força brutal do mal—como um dragão cuspindo fogo e destruindo a vida dele, e Deus permitiu. Jó começou a duvidar se o Deus soberano realmente estava governando como deveria. Essa é a mensagem de Deus para Jó e para todos aqueles que estão sofrendo: Vocês não têm força para lidar com as forças do mal, mas eu tenho. O Beemote e a morte não reinam soltos nesse mundo, eu reino. O Leviatã—Satanás—não faz tudo o que ele quer, eu tenho o controle supremo. Como nós vimos nos primeiros capítulos de Jó. Satanás só fez o que Deus permitiu. É verdade que Deus não responde a todas as nossas perguntas. Deus não respondeu ao porquê de Jó nem o porquê que você pode ter. Por que Deus permitiu isso? Por que isso está acontecendo comigo? Deus não nos explica. Deus não explicou para Jó o que aconteceu no mundo espiritual nos capítulos 1 e 2—nas conversas entre Deus e Satanás. Mas Deus dá a resposta que Jó e nós mais precisamos. Uma resposta melhor do que explicar todas as razões por trás da sua dor. Deus responde com quem ele é. O Deus que não é atrapalhado pelo mal nesse mundo. O Deus que não pode ser derrotado por nenhuma força—nem mesmo a criatura mais poderosa como o diabólico Leviatã. Beemote é rei na terra. Leviatã é rei no mar. E Deus é o Rei (com R maiúsculo) sobre a terra, o mar, o céu e tudo o que neles há. Ele é Rei sobre os reis. Em nossa batalha contra Satanás, ele é invencível. Mas na batalha de Deus contra Satanás, quem é invencível é Deus. Satanás é o ser mais poderoso da criação—a encarnação do mal, mas ele não passa de uma criatura. Uma criatura que Deus usa—de maneira misteriosa—para os propósitos dele. Deus usa o Beemote e o Leviatã—os representantes das forças cósmicas do mal—para mostrar que Deus é mais forte, que Deus é tão forte, que ele pode (e vai!) nos salvar de todas as formas de mal desse mundo—incluindo a morte e o Maligno. E por isso, Jó e você pode—sempre—confiar nesse Deus, mesmo nos dias mais escuros, sombrios e tristes. A verdadeira sabedoria não é saber explicar todos os mistérios desse mundo. A verdadeira sabedoria está no temor do Senhor (Jó 28). A verdadeira sabedoria está em saber que Deus é suficiente para você e que graça dele basta a você. UMA VELHA PROMESSA QUE NUNCA ENVELHECE Jó ouviu a promessa de Deus de que Deus tem a força suficiente para lidar com o mal desse mundo. E como nós vamos ver, Jó respondeu com fé. Mas nós não só ouvimos a promessa de Deus. Nós vimos—pela fé—o dia em que Deus cumpriu o que ele prometeu para Jó. O dia em que Deus usou a força dele para destruir o Leviatã e nos salvar. Se Jó tinha todos os motivos para confiar em Deus no sofrimento dele, nós temos ainda mais. Para destruir esse monstro que é a encarnação do mal, Deus veio como a encarnação do bem através do Senhor Jesus. Mas como Deus já tinha dito para Adão e Eva, na batalha com a serpente—o Leviatã—o descendente da mulher também seria ferido. Uma ferida no calcanhar que precisava ser mortal (Gênesis 3:15). Precisava ser mortal porque não foi só o Leviatã que se rebelou contra Deus. Nós fomos seduzidos pela serpente e nos voltamos contra Deus. E o salário (o preço) do pecado é a morte. Jesus veio disposto a pagar o preço que fosse para resgatar sua donzela—sua Noiva prometida: a igreja—você, crente. E ele pagou. Para esmagar a cabeça da serpente, ele precisou ser cravado no calcanhar e nas mãos. Jesus deixou ser engolido pelo Beemote—a própria morte—para pagar a nossa dívida. Mas como ele não tinha pecado, no terceiro dia ele se levantou para matar a morte e reinar até que ele tenha colocado todos os inimigos debaixo dos pés dele. E quando ele terminar, nós vamos viver em mundo melhor que o Jardim do Éden, onde a serpente estará presa para sempre para nunca mais nos enganar e nos separar de Deus. Jó tinha essa promessa em forma de semente, mas o que ele recebeu do evangelho foi suficiente para fazer ele confiar no único Deus que tem poder para triunfar sobre as força do mal. E nós, pelo Espírito, podemos confiar também. Vamos terminar ouvindo: A RESPOSTA DE JÓ (42:1-6) A resposta de Jó a Deus é uma das manifestações de fé e humildade mais lindas da Bíblia. Nós precisamos nos lembrar que Jó ainda está no meio de um enorme sofrimento. A situação de Jó não mudou em nada. A vida dele ainda está por um fio. Ele ainda está completamente pobre, sem filhos e com tumores malignos desde a planta do pé até o alto da cabeça. Mais que isso, ele não recebeu nenhuma explicação de Deus da razão de ele estar sofrendo tanto. Duas vezes, Jó faz uma declaração de fé e depois uma confissão de arrependimento. 1. DECLARAÇÃO E CONFISSÃO (1-3) Declaração de Fé (1-2) [1] Então Jó respondeu ao Senhor e disse: [2] “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Tem muitas coisas que Jó não sabe. E nós também não. Mas saber que nenhum dos planos de Deus pode ser frustrado transforma um coração agitado em um coração prostrado. É como se Jó estivesse dizendo para Deus: “O que está acontecendo comigo é parte do teu plano. O mal não reina. Nem a morte. Nem o Maligno. Só o Senhor é Rei. Eu não sei por que tudo isso está acontecendo comigo, mas eu bem sei que tudo podes. Se eu estou passando por isso, é porque o Senhor quer”. E a Confissão de Arrependimento (3) [3] Tu perguntaste: ‘Quem é este que, sem conhecimento, encobre os meus planos?’ [Jó 38:3] A confissão: Na verdade, falei do que eu não entendia, coisas que são maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Senhor, eu fui arrogante. Senhor, quem sou eu para falar que o Senhor não sabe como governar a minha vida? Quem sou eu para questionar o Senhor quando o Senhor me leva pela dor? Quem eu penso que eu sou? As 68 perguntas que Deus fez, várias delas do tipo: “Você sabe, Jó? Você sabe, Jó?” fizeram efeito. § Você sabe a medida da terra? § Você sabe onde a luz nasce? § Você sabe onde termina o mundo dos vivos e começa o mundo dos mortos? Não, Senhor, eu não sei nada. Eu fui um tolo, arrogante, presunçoso, me perdoe. Jó que ainda não terminou. 2. DECLARAÇÃO E CONFISSÃO (4-6) [4] Disseste: Jó cita o que Deus falou. ‘Escute, porque eu vou falar; farei perguntas, e você me responderá.’ [5] Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Jó reconhece que o que ele conhece de Deus agora, durante o sofrimento, é maior do que o que ele conhecia antes. Quando Jó chegou mais perto da luz—do resplendor da glória de Deus—ele percebeu que ele tinha mais sujeira do que ele imaginava. [6] Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Operação de resgate bem-sucedida. Satanás perdeu. O que jogou Jó no chão agora não foi a miséria e o sofrimento dele. O que jogou Jó no chão com ainda mais força foi o senso de pecado que ele sentiu diante de um Deus tão bom, tão santo, tão grande. Jó não estava se arrependendo dos pecados escondidos que os amigos deles disseram que ele tinha. Jó está se arrependendo de ter falado com Deus de forma tão arrogante e não ter confiado em Deus como deveria. O coração de Jó derreteu. Como Thomas Watson, pastor puritano disse: Existe uma grande diferença entre a dureza no [coração dos] ímpios e a dureza no [coração dos] piedosos (como Jó)... A dureza nos ímpios é como a pedra—uma dureza persistente, mas a dureza no coração dos filhos de Deus é como o gelo, que derrete rápido com os raios de sol. Quando o Espírito de Deus retorna—como o Sol—e brilha sobre o coração do cristão, ele experimenta um descongelamento da graça e se derrete em amor por Deus (paráfrase de Watson, The Godly Man’s Picture, 228). O coração de Jó derreteu. A fé de Jó é mais profunda e mais larga do que a fé que ele tinha no início. O coração está ainda mais sensível ao pecado dele e a santidade de Deus. CONCLUSÃO Aquele homem que perdeu a esposa, a filha e a mãe em um acidente foi resgatado pelo Senhor também. Deus o resgatou não somente da morte. Deus o resgatou de ser enganado e engolido pelo Leviatã e assim deixar de confiar em Deus. Depois dessa tragédia, ele escreveu um livro sobre a experiência dele. Título: Graça Disfarçada: como o alma crescer através da perda (Jerry Sittser). Se o Beemote é a morte disfarçada. E o Leviatã é Satanás disfarçado. O sofrimento é a graça de Deus disfarçada. Jó chegou no final do livro experimentando ainda mais da graça de Deus—ainda mais cheio de temor do Senhor, ainda com mais desejo de se desviar do mal, com uma visão ainda mais clara de quem Deus é. Como Jó, o que nós mais precisamos nessa vida é ver a Deus—e nós vemos a Deus quando nós ouvimos as palavras de Deus com fé, como Jó. Deus não quer que você tenha medo do Beemote e nem do Leviatã—a antiga serpente. Eles não podem fazer nada para frustrar os planos de Deus. Quando Jesus foi ferido pelo Leviatã na cruz e foi engolido pelo Beemote da morte, na maior demonstração de maldade que esse mundo já viu, nesse mesmo evento, Deus estava dando a maior demonstração da bondade dele—a nossa salvação. Naquela cruz, através do sofrimento de um homem inocente, Deus estava fazendo a maior demonstração da glória dele. Se nós tínhamos alguma dúvida de que Deus usa o sofrimento para nos levar para mais perto dele, a cruz dissipa nosso questionamento. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_2ad85590ee794c7a9a7b83d7c41fb1d6~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
05 de Julho de 2026 – IBJM
Deus é o único ser no Universo em que exaltar a si mesmo é uma virtude, não um defeito. Qualquer outro ser que se exalta está pecando. No caso de Deus, quando ele se exalta, ele está amando. Seres humanos que procuram a própria glória revelam um problema de orgulho—revelam uma alma doente. Uma pessoa que diz: “Vejam como eu sou grande!” tem um sério problema no coração. Mas isso não se aplica à Deus. Quando Deus busca a própria glória, ele está certo. Porque ele é a fonte de tudo, ele é o ser mais precioso, poderoso e majestoso que existe. Quando Deus está mostrando a glória dele e nos dizendo: “Veja como eu sou grande! Exalte o meu nome e confie em mim”, ele está sendo amoroso conosco. O que nós mais precisamos nesse mundo, é conhecer a Deus e amá-lo. É isso que Deus irá ajudar Jó a fazer. Jó (e nós!) precisamos da ajuda do Senhor. Debaixo do peso de se acusado pelos amigos de estar sofrendo porque ele tinha pecado, Jó começou a acusar Deus de estar sendo injusto com ele. Ele chegou a dizer coisas como: Jó 30:20-21—Clamo a ti, ó Deus, e não me respondes; estou em pé, mas apenas olhas para mim. Tu foste cruel comigo; e, com a força da tua mão, me atacas. E mais para frente: Jó 31:35—Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! (…) Que o Todo-Poderoso me responda! Chegou o momento do Todo-Poderoso responder. Deus irá conceder o que Jó mais queria: ouvir Deus. Deus irá falar. Mas a resposta de Deus será diferente do que Jó estava exigindo. Os 3 primeiros versículos são a introdução. Eles dão o tom da resposta de Deus. INTRODUÇÃO: PREPARE-SE (38:1-3) Eu quero fazer uma observação para cada versículo: Primeiro, sobre o redemoinho: [1] Então, do meio de um redemoinho, o Senhor respondeu a Jó e disse: Esse redemoinho veio da tempestade que Eliú acabou de usar para descrever a Deus como aquele que “está cercado de tremenda majestade” (37:22). Tempestades e redemoinhos são sinais da presença de Deus. Foi um redemoinho também que levou o profeta Elias para o céu (2Reis 2:1,11). As tempestades nesse mundo (e na sua vida!) não são um sinal de que Deus está longe. As tempestade são um sinal de que Deus está perto (Talbert, 199). Elas são maneiras que Deus usa para avisar: “Eu estou aqui”. Segundo, sobre o problema de Jó: [2] “Quem é este que obscurece os meus planos com palavras sem conhecimento? Suas palavras importam para Deus. O que nós falamos—se é verdadeiro ou falso—Deus ouve e ele se importa. Porque a boca fala do que está cheio o coração. Jó não está sofrendo porque ele pecou. Os amigos de Jó estão errados. Mas durante o sofrimento, ele está respondendo com “palavras sem conhecimento”. Eliú está certo. Jó está pecando contra Deus e precisa de arrepender de suas palavras (Ash, Job, 401). Ele está falando de Deus e com Deus como se Deus não fosse Deus—justo, bom, compassivo e amoroso. Deus não irá deixar nossas “palavras sem conhecimento” para lá. Ele irá lidar com elas. Para o nosso bem e a glória dele. O redemoinho da tempestade. O problema de Jó. Terceiro, sobre a estratégia de Deus: A estratégia de Deus para lidar com as “palavras sem conhecimento” de Jó. [3] Cinja os lombos como homem, pois eu lhe farei perguntas, e você me responderá.” Cingir os lombos é: aperte os cintos, apronte-se, prepare-se. Prepare-se para quê? Para as perguntas de Deus: “Pois eu lhe farei perguntas”. Deus irá responder Jó. É isso que o versículo 1 está dizendo. Mas a estratégia de Deus para responder, às vezes, é perguntar. Deus gosta de fazer perguntas. Desde o início foi assim. Deus perguntou para Adão: Onde você está? Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu da árvore da qual ordenei que não comesse? (Gênesis 3:10-11) Jesus—nosso Deus e Senhor—usava a mesma estratégia. § Ele perguntou para os discípulos no barco: “Por que vocês são tão medrosos, homens de pequena fé?” (Mateus 8:26). § Ele perguntou para Filipe antes de ir para a cruz: “Há tanto tempo estou com vocês, Filipe, e vocês ainda não me conhecem?” (João 4:9). § Ele perguntou para aqueles que estavam seguindo a ele a pergunta mais importante da nossa vida: “E vocês, quem vocês dizem que eu sou?” (Mateus 15:15). Quando Deus faz perguntas, ele não faz perguntas para aprender. Ele faz perguntas para nos ensinar. Deus usa perguntas para trazer à tona o que está nas águas profundas do nosso coração, como Provérbios 20:5 diz. Deus tem várias perguntas. Na minha contagem, são 68. Do capítulo 38 ao 41, Deus tem um questionário logo de 68 perguntas para Jó. Deus quer colocar o coração de Jó no lugar certo. O espírito que nós devemos ouvir essas perguntas de Deus para Jó é o espírito de um Pai corrigindo o filho que disse coisas absurdas contra ele. Deus usa de uma firmeza amorosa. Ou um amor firme e santo. Hoje nós vamos ouvir o primeiro discurso de Deus e a breve resposta de Jó no início do capítulo 40. E na próxima mensagem, vamos ouvir o segundo e último discurso de Deus. Nesse primeiro discurso, Deus exalta o nome dele usando o mundo que ele fez. Deus usa dois aspectos do relacionamento dele com o mundo: Deus como o Criador e Deus como o Sustentador—sábio, poderoso e bondoso. 1. DEUS COMO CRIADOR (38:4-21) Deus tem perguntas para Jó sobre a terra, o mar, o céu e até o limite entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Vamos na ordem. Deus começa o passeio dele com Jó pela terra: 1.1 TERRA (38:4-7) [4] “Onde você estava, quando eu lancei os fundamentos da terra? Responda, se você tem entendimento. Jó, em Gênesis 1, quando não existia nada e eu criei o mundo pelo poder da minha palavra, onde você estava? Você estava junto comigo, me ajudando com o seu conhecimento? As perguntas estão só começando. [5] Quem determinou as medidas da terra, se é que você o sabe? Ou quem estendeu sobre ela uma linha de medir? Você estava com um fita métrica na mão durante a criação, Jó? Eu peguei uma trena emprestada com você? Foi você que calculou que a Terra teria que ter um diâmetro de 12.756 km e uma circunferência de 40.075 km e uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados? Deus tem mais perguntas. E ele ajuda a linguagem para nos ajudar a entender. Ele fala da criação do mundo como se fosse a construção de uma casa. [6] Sobre o que estão firmadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular, [7] quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus [uma expressão para os anjos] gritavam de alegria?” Que cena! Deus modelando o mundo e uma plateia angelical “gritando de alegria”. Eles não conseguiram ficar quietos diante desse espetáculo do poder de Deus! Nesse tempo, Jó, Alex Daher e meus amigos feitos também do pó, onde nós estávamos? Dando uma força para Deus? Ajudando com os cálculos complexos? Levantando uma montanha? Dando ordens para as árvores crescerem? Chega de falar da Terra. Agora Deus quer falar do Mar: 1.2 MAR (38:8-11) Além de perguntas, Deus gosta de poesia também. Ele fala da criação dos mares como se fossem crianças nascendo. [8] “Ou quem encerrou o mar com portões, quando irrompeu do ventre, [nascendo] [9] quando eu lhe pus as nuvens por vestimenta e a escuridão por fraldas, Deus vestindo seus bebês chamados Oceano Atlântico e Pacífico e mares e mais mares com fraldas. Para nós, eles são gigantescos. Indomáveis. Para Deus, são como bebês. E como um Pai, Deus dá ordem aos seus filhos: [10] quando eu lhe tracei limites [ao mar], e lhe pus ferrolhos e portas, [11] e disse: ‘Até aqui você pode chegar, mas deste ponto não passará. Aqui se quebrará o orgulho das suas ondas’?” Eles obedeceram. Os oceanos e mares são filhos que se submetem a Deus. Quando os discípulos pensaram que iam morrer e Jesus de Nazaré se levantou e deu ordem para o mar: “Acalme-se! Fique quieto!” E o mar obedeceu. Na hora (Marcos 4:39). Por que o mar obedeceu? Porque o mar reconheceu a voz de quem estava falando com ele. “Nosso Criador nos mandou sossegar. Chega da agitação”. A reação dos discípulos é a reação que Deus espera de Jó e de nós diante da majestade dele. Os discípulos ficaram cheios de temor e adoraram (Marcos 4:41). Essa é a reação certa diante de um Deus tão poderoso. Mas tem mais coisa acontecendo nesse parágrafo sobre o domínio de Deus sobre o mar. Muitas vezes, na Bíblia, o mar é um símbolo da força do caos que ameaçam a vida na terra (Hartley, Job, 426). Os egípcios foram julgados no Mar Vermelho. Jonas foi lançado no mar revolto. No livro de Apocalipse, a besta sai do mar e, nos novos céus e nova terra, o apóstolo João diz que não haverá mais “mar”. O mar carrega o símbolo do caos e do mal. Deus está mostrando para Jó que o caos e o mal não dominam sobre a vida dele. Deus domina. Deus traça limites de acordo com a vontade sábia dele. Deus diz: [11] (...) ‘Até aqui você pode chegar, mas deste ponto não passará. Aqui se quebrará o orgulho das suas ondas’?” As forças do mal não estão soltas, fazendo o que querem com esse mundo e com você. Deus nunca perde o controle. Você não está nas mãos do acaso nem do caos. Você está nas mãos daquele que têm duas feridas glorificadas nelas—feridas que ele recebeu no dia em que ele morreu na cruz no seu lugar. Deus usou a terra e o mar para mostrar o poder e o controle que ele tem sobre a criação. Se ele é o Criador (e nós, não), então ele tem a sabedoria e o direito de governar o mundo dele, e nós, não. Deus continua fazendo perguntas sobre a criação. Depois da terra, do mar, agora é a vez do céu. 1.3 CÉU (38:12-21) Deus tem perguntas sobre o dia e à noite. Vamos ver como Jó e nós nos saímos: [12] “Alguma vez na vida você deu ordens à madrugada ou mostrou ao amanhecer o seu lugar, [13] para que agarrasse a terra pelas extremidades e dela sacudisse os perversos? A imagem que Deus cria no versículo 13 também é demais. Nosso Deus Criador é muito criativo. Deus fala do amanhecer como se ele fosse uma dona de casa pegando a toalha da mesa pelas pontas e sacudindo para jogar as migalhas fora. O amanhecer segura a terra pelas extremidades e sacude os ímpios para que eles “caiam no chão” e parem de fazer impiedades. Esse é ponto de Deus no versículo 15. Ele usa a luz do dia contra o mal: [15] Dos ímpios é retirada a sua luz, e o braço levantado para ferir se quebra.” Deus está lidando com uma reclamação de Jó contra Deus. Jó disse que Deus deixa os ímpios soltos. Quantas vezes se apaga a lâmpada [a luz] dos ímpios? (Jó 21:17) Deus está respondendo: Jó, não é bem assim. Eu estou restringido o mal nesse mundo o tempo todo. Uma das maneiras em que Deus restringe o mal é usando a luz do dia. Imagine viver em um mundo onde tudo é escuro sempre. Os ímpios iriam se sentir mais seguros ainda para fazer o mal. Não é o mundo em que nós vivemos, graças a Deus! A claridade da luz expõe o que está acontecendo e impede os ímpios de trabalharem. Como se os raios de luz segurasse o braço levantado dos maus para eles não fazer ainda mais maldades. Deus termina a primeira parte do discurso dele mostrando que o domínio dele se estende sobre toda a terra, sobre todo o mar, sobre todo o céu e sobre todo tudo, até os limites do mundo. 1.4 OS LIMITES DO MUNDO (38:16-21) [16] “Você foi até as nascentes do mar [o limite de onde o mar começa.] ou percorreu o mais profundo do abismo? [o limite onde o mar acaba.] [17] Será que a você foram reveladas as portas da morte? Você viu essas portas da região tenebrosa? [o limite de onde começa o mundo dos mortos.] [18] Você tem noção clara da largura da terra? [o limite onde termina o mundo dos vivos.] Responda, se você sabe tudo isso.” Senhor, nem Jó nem nós sabemos nada disso. Nós não conhecemos essa porta da morte que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Mas existe um homem que conhece. Existe um homem que passou pela porta da morte, entrou no mundo dos mortos, e no terceiro dia voltou de lá vitorioso (Ash, Job, 384). E por causa dele, você não precisa mais ter medo da morte. Porque por causa dele, você tem vida eterna. Jó queria muito deixar o mundo dos vivos e entrar no mundo dos mortos, mas Deus está lembrando Jó: “Meu filho, você não sabe do que você está falando. Eu sei”. Ainda falando dos limites, Deus usa dois opostos: a luz (que representa o bem) e as trevas (que representam o mal). [19] “Onde está o caminho para a morada da luz? E, quanto às trevas, onde é o seu lugar, [20] para que você as conduza ao seu território e conheça o caminho para a sua casa? [21] Você sabe isso, porque nesse tempo já era nascido e porque é grande o número dos seus dias!” Do jeito que você me acusa, Jó, de não estar governando bem o mundo que eu criei e a sua vida que eu criei, então deve ser porque você é eterno como eu, é isso? É por que o número dos seus dias é grande como os meus—o Ancião de Dias? Por que Deus fala do domínio dele sobre os limites da criação? Deus está mostrando que ele domina sobre tudo—o bem e o mal, os vivos e os mortos, a ponta da terra ao mais profundo abismo; que não tem nada, nem mesmos nos limites mais remotos, que Deus não esteja sobre controle. Abraão Kuyper disse uma frase que ficou famosa em um discurso que ele deu em 1880. Ele disse: Não há um centímetro quadrado em todo o domínio da nossa existência humana sobre o qual Cristo, que é Soberano sobre tudo, não clame: “Meu!” Isso significa que não existe um evento na sua vida em que Deus não tenha controle. Não existe uma situação na sua casa, no seu trabalho, onde você estuda, onde você mora, não existe nada na sua vida que está fora dos limites de onde Deus governa. Se isso é verdade, então tudo o que acontece na sua vida tem um propósito. Coisas não acontecem por acaso. Existe um Deus Criador que sabe o que está fazendo. Essa é a verdade que Jó precisa se agarrar no sofrimento dele. Essa é a verdade que você precisa se agarrar no seu sofrimento. Nessa primeira parte, Deus mostrou para Jó que ele é o Criador—e por isso ele tem a sabedoria e o poder para fazer o que é justo e bom. Na segunda parte, do versículo 22 até o final do capítulo 39, Deus irá mostrar que, além de Criador, ele é também um Deus Sustentador. Ele cuida, ele governa, ele reina. Deus continua seu discurso centrado em Deus. 2. DEUS COMO SUSTENTADOR (38:22-39:30) Nessa segunda parte, Deus mostra a sabedoria e o poder dele para cuidar do mundo usando como exemplos os céus e o reino animal. 2.1 OS CÉUS (38:22-38) Deus começa com perguntas sobre os fenômenos atmosféricos. Momento “Meteorologia com o Criador do Universo”: FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS (38:22-30) § No versículo 22, Deus fala da neve e do granizo. § No versículo 24, ele fala da luz e do vento. § No versículo 25, ele fala do aguaceiro—aquelas pancadas de chuva—e do relâmpago e do trovão. § No versículo 28, ele fala da chuva e do orvalho. § No versículo 29, Deus fala do gelo e da geada. De cada gota da chuva a cada floco de neve, Deus controla tudo o que acontece no céu, e ele usa esses fenômenos para os seus propósitos na terra. Nós vemos isso em dois lugares nesse trecho. Primeiro, Deus salva e julga usando a neve e o granizo: [22] “Você alguma vez entrou nos depósitos da neve ou viu os reservatórios do granizo, [23] que eu guardo até o tempo da angústia, até o dia da batalha e da guerra? Deus fala da neve e do granizo como armas que ele usa para defender quem ele quer defender e julgar quem ele quer julgar. Por exemplo, a sétima praga do Egito foi granizo (Êxodo 9:18-26, Hartley, 499). Deus usou para julgar a rebelião dos egípcios e salvar o povo de Israel. Vocês já viram uma chuva de pedra de granizo? Parece um enorme tiroteio. É Deus, o Guerreiro Soberano, saindo para defender seu povo. Mais recentemente, em 1941, Deus usou a neve na Rússia para derrubar o exército de Hitler. Deus abriu os depósitos de neve e frustrou os planos do ditador alemão. Com um frio absurdo, as armas deles pararam de funcionar. Os tanques não conseguiam mais avançar. Deus transformou a Rússia em um enorme deserto branco e impediu a proliferação do mal. Segundo, além de salvar e julgar com o granizo e a neve, Deus mostra a soberania dele também cuidando dos lugares onde não existe ninguém. [25] “Quem abriu canais para o aguaceiro ou caminho para os relâmpagos e trovões, [26] para fazer chover sobre a terra onde não há ninguém, e nos lugares desertos onde ninguém mora; [27] para dessedentar [saciar a sede] a terra deserta e assolada e para fazer crescer os renovos da erva? [para dar vida!] Deus é um Deus tão cuidadoso com a sua criação, que ele cuida até do que nós nem sabemos que existe. Eu me diverti com as estatísticas me preparando para essa mensagem durante a semana. Ouçam isso: Vocês sabe quantas espécies de animais na terra e no mar foram catalogadas até hoje? 1 milhão. Bastante? Mais ou menos. Sabe quantas espécies de animais os cientistas estimam que existem? Mais de 10 milhões. Sabe o que isso significa? Que nós conhecemos nem 10% dos animais. A vasta maioria dos animais que Deus criou (90%, 9 milhões de animais) nós nem sabemos que eles existem, quanto mais cuidando deles. Esse é um pensamento maravilhosamente humilhante. O momento meteorologia acabou. Agora Deus nos leva para uma sessão no planetário. FENÔMENOS ESTRELARES (38:31-33) Deus ainda está falando do céu, mas agora ele sobe uma camada no céu. Vocês sabem que os judeus falam do céu como tendo 3 camadas. A primeira camada é que nós acabamos de ver—onde estão as nuvens. O segundo céu é onde estão as estrelas. E o terceiro céu é onde Deus está. Deus agora quer fazer perguntas sobre as constelações, que estão no segundo céu: [31] “Será que você pode atar as correntes do Sete-estrelo ou soltar as cordas do Órion? [32] Você pode fazer aparecer as constelações a seu tempo ou guiar a Ursa Maior com os seus filhos? [33] Você conhece as leis que governam os céus, e pode estabelecer a sua influência sobre a terra?” Não. Mas Deus conhece. Foi ele quem criou toda as estrelas, as leis que governam os céus e como o Sol e a luz e as constelações influenciam a maré e outros fenômenos aqui. Deus não está falando de astrologia—que é algo pagão. Deus está falando de astronomia—que é algo cristão. A astronomia estuda o espaço e (a reação deveria ser) dá glória a Deus. Jó não tinha esse privilégio, mas hoje nós temos telescópios que nos dão ainda mais detalhes sobre a imensidão desse mundo estelar. Vocês já ouviram a lenda de que existem mais estrelas no céu do que grão de areia na Terra? Já ouviram essa lenda? Então, não é lenda. Segundo uma estimativa conservadora dos cientistas, para cada grão de areia em uma praia e em um deserto, existem 10 mil estrelas no céu. 10 mil! Para que isso tudo? Não é um desperdício!? Não é. Deus gosta de mostrar a glória dele para nos lembrar que ele é um Deus grande em que nós podemos confiar. Ele tem o poder e a sabedoria necessários para cuidar de você, meu irmão. Deus termina de falar dos céus descendo do segundo céu e voltando para o primeiro céu. Ele nos tira do planetário e nos leva a olhar para as nuvens. Pelo jeito, Deus tem ainda várias perguntas: [34] “Você é capaz de levantar a sua voz até as nuvens, para que a abundância das águas cubra você? Eu não, mas o Senhor, sim. [35] Você pode dar ordens aos relâmpagos, para que saiam e lhe digam: ‘Às suas ordens!’? Eu não, mas o Senhor, sim. [36] Quem pôs sabedoria no coração ou deu entendimento à mente? Eu não, mas o Senhor, sim. [37] Quem pode numerar com sabedoria as nuvens? Eu não, mas o Senhor, sim. [37] (...) Ou os cântaros dos céus, quem os pode despejar, [38] para que o pó se transforme em massa sólida, e os torrões se apeguem uns aos outros?” Sabe o cântaro—o jarro de barro—que a mulher samaritana usou para tirar água do poço quando o Senhor Jesus falou com ele. Então, quando chove, é como se Jesus estivesse derrubando os “cântaros dos céus” e fazendo chover para fazer lama—para o pó se transformar em massa sólida. Deus está mostrando para Jó que ele criou o mundo e ele está sustentando o mundo com sabedoria e propósito. A ideia de uma criatura como Jó e como nós reclamarmos com Deus de que ele não está governando direito o mundo dele é um absurdo sem medida. Agora Deus desce um pouco mais. Ele vai do primeiro céu para a terra. Ele escolhe usar o reino animal. 2.2 O REINO ANIMAL (38:39-39:30) Deus vai fazer um safari com Jó. Depois do planetário, Deus leva Jó para um safari. Deus usa 10 animais para mostrar como ele cuida da criação com infinita sabedoria e compaixão. Os dois primeiros são: A LEOA E O CORVO (38:39-41) [39] “Será que é você que caça a presa para a leoa ou mata a fome dos leõezinhos, [40] quando se agacham nos covis e ficam à espreita nas suas covas? [41] Quem prepara o alimento para o corvo, quando os seus filhotes clamam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?” O Senhor sustenta os animais fortes como os leões e pássaros fracos como os corvos. Mas reparem em quem Deus se concentra: nos filhotes—os vulneráveis, aqueles que não são capazes de cuidar de si mesmos. Se Deus cuida dos leõezinhos e dos filhotes dos corvos, ele vai cuidar de nós também. Vocês lembram do que o Senhor Jesus disse? Observem as aves do céu, que não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, as sustenta. Será que vocês não valem muito mais do que as aves? (Mateus 6:26). Essa semana, eu fiquei olhando da janela da minha casa para os aves do céu—as andorinhas, os pardais. Eu vou dizer uma coisa para vocês: eles não pareciam ansiosos. Eles estavam com uma fisionomia boa, voando felizes para lá e para cá. Deus está dizendo: “Vocês valem muito mais do que esses passarinhos. Eu vou cuidar de vocês também”. Deus usa pardais para acalmar seu coração, filho de Deus. Os próximos dois animais são: A CABRA E A CORÇA (39:1-4) [1] “Você sabe o tempo em que as cabras-monteses [as cabras das montanhas] têm os filhos ou cuidou das corças quando dão suas crias? [2] Pode contar os meses que cumprem? Ou sabe o tempo do seu parto? [3] Elas se encurvam para terem seus filhos, e lançam de si as suas dores. [4] Seus filhos se tornam robustos, crescem no campo aberto, saem e nunca mais voltam para elas. O que cabras-monteses e corças tem a ver com o sofrimento de Jó? E o seu sofrimento? Tudo! § Nenhum ser humano está ajudando as cabras a terem filhos porque Deus está cuidando delas. § Nenhum ser humano está cuidando dos filhotes da corça que se tornam robustos e saem porque Deus está cuidando deles. E se Deus cuida das cabras e das corças, Deus irá cuidar de Jó e de você. Do primeiro fôlego de vida quando você saiu do ventre da sua mãe, até o seu último fôlego, quando Deus abrir a porta para você entrar no outro mundo, Deus está cuidando de você. Ele é um Criador-Sustentador. Os próximos dois animais são o jumento e o boi. Mas não qualquer jumento e qualquer boi. O jumento selvagem e o boi selvagem. O JUMENTO E O BOI SELVAGEM (39:5-12) [5] Quem pôs em liberdade o jumento selvagem? [Foi Deus.] Quem soltou as suas cordas? [6] Eu lhe dei o deserto por casa e a terra salgada por morada. [7] Ele se ri do tumulto da cidade, não ouve os gritos do guia. [Ele não é domesticado, ele é selvagem.] [8] Os montes são o lugar do seu pasto, e anda à procura de tudo o que está verde. Os jumentos domesticados ouvem os gritos do guia. Eles são dóceis. Meio teimosos, mas eles acabam obedecendo. Eles carregam peso para nós (Hartley, 507). Mas os jumentos selvagem, nenhum ser humano chega perto. Eles vivem soltos no deserto. O mesmo vale para o boi selvagem. [9] Será que o boi selvagem aceitará trabalhar para você? [Não.] Será que ele passará a noite junto da sua manjedoura? Não tem a menor chance. O boi selvagem é um animal forte, bruto e muito perigoso. No Salmo 22, o boi selvagem é comparado com leão (v. 21). [10] Por acaso você consegue prendê-lo ao arado com cordas? [Impossível.] Ou irá ele atrás de você para desfazer os torrões nos campos do vale? [Não.] [11] Você vai confiar nele, por causa da grande força que ele tem, ou deixará o seu trabalho por conta dele? [12] Você acredita que ele trará para casa o que você semeou e o recolherá na sua eira?” O que Deus está ensinando a Jó nesse safari, fazendo ele olhar para o jumento e o boi selvagem? Deus está ensinando que esses animais não podem ser controlados por nós, mas eles são controlados por Deus. Eles são indomáveis para nós, mas não para Deus. Não existe nenhuma força na natureza que tenha mais força que Deus. Ele é o Todo-Poderoso. É bom saber que o seu Pai tem todo o poder para proteger você. Quando eu era pequeno, eu tinha medo dos meninos grandes que vinham me expulsar do campo de futebol. Mas quando eu estava com o meu pai, eu ficava bem. Tinha alguém mais forte perto de mim. Satanás pode parecer indomável para nós, mas não para o nosso Deus e Pai. O próximo animal é um animal peculiar. A AVESTRUZ (39:13-18) A avestruz é a maior ave e a mais pesada que existe. Mas é também a mais engraçada. Ela tem um corpo gordo, um pescoço fino enorme e uma cabeça pequenininha. Ela é um animal peculiar: [13] “A avestruz bate alegre as asas, como se tivesse asas e plumagem de cegonha. [Mas ela não voa!] [14] Ela põe os seus ovos no chão e deixa que sejam chocados na areia, Ela não é muito inteligente. [15] e se esquece de que algum pé os pode esmagar ou de que os animais do campo podem pisá-los. [16] Trata com dureza os seus filhos, como se não fossem seus. Embora seja em vão o seu trabalho, ela está tranquila, [17] porque Deus lhe negou sabedoria e não lhe deu entendimento. [18] Mas, quando de um salto se levanta para correr, ri do cavalo e do cavaleiro.” Dizer que a avestruz não é muito inteligente é pegar um pouco leve. A avestruz é um animal estúpido. O olho do avestruz é maior do que o cérebro dele. A razão para a estupidez do avestruz está no versículo 17: [17] porque Deus lhe negou sabedoria e não lhe deu entendimento. Deus é soberano sobre quem ele dá sabedoria e quem ele não dá. Ele quis fazer do avestruz um bicho estúpido. Mas junto com a estupidez, Deus deu ao avestruz rapidez. A avestruz não voa, mas ela consegue correr a 70km/h. Por isso que, no versículo 18, Deus diz que quando ela se levanta para correr, ela deixa o cavalo na poeira. Deus não deu sabedoria, mas Deus deu a glória da velocidade para o avestruz. Nós vemos a sabedoria e a criatividade de Deus na criação. E mesmos nas coisas esquisitas da criação, Deus está dizendo: “Eu sou soberano sobre elas também”. O próximo animal é o animal que Deus mencionou no versículo 18. O CAVALO (39:19-25) Nós vemos a glória de Deus no cavalo—ele é forte, corajoso e lindo. [19] “Por acaso foi você quem deu força ao cavalo [ele é forte!] ou revestiu o seu pescoço de crinas? [o cavalo é lindo!] [20] É você quem o faz pular como gafanhoto? Terrível é o fogoso respirar das suas ventas. [21] Escarva no vale, satisfeito com a sua força, e sai ao encontro dos inimigos. [22] Zomba do medo e não se espanta; [esse é um animal corajoso!] não recua por causa da espada. [23] Sobre ele balança a aljava, cintila a lança e o dardo. [24] Com ímpeto e fúria vai engolindo as distâncias e não se contém ao som do clarim. [25] A cada toque do clarim ele diz: ‘Avante!’ Mais literalmente, o texto original diz que o cavalo grita: “Aha!”—é um grito de alegria. O cavalo não tem medo da guerra. Continuação do v.[25] (...) Cheira de longe a batalha, o grito dos comandantes e o alarido de guerra.” Os cavalos são criaturas cheias de majestade. Não é bonito ver um cavalo correndo, a crina voando, engolindo as distâncias? Quem poderia criar um animal assim—cheio de força, beleza e coragem? Só Deus. Os últimos dois animais que Deus usa para mostrar a glória dele são duas aves de rapina: O FALCÃO E A ÁGUIA (39:19-25) Se a criação é desse jeito—tão linda, tão poderosa, tão cheia de majestade—imagine o Criador dessa criação! O falcão e a águia são exemplos fascinantes do que Deus é capaz de fazer. O FALCÃO (39:26) [26] “Será que é pela inteligência que você tem que o falcão voa, estendendo as suas asas para o Sul? Deus fez do falcão um gênio da direção. Google Maps e Waze são brincadeiras de criança perto dele. Deus fez o falcão com um GPS de altíssima precisão embutido nele. Ele voa por milhares de quilômetros sem se perder. O falcão tem um tipo de proteína nos olhos que faz com que eles vejam os campos magnéticos da terra. Eles têm uns cristais no bico que funcionam como um sensor de latitude. Deus criou o falcão com uma bússola interna. O senso de direção do falcão é uma obra-prima de Deus. O último animal é: A ÁGUIA (39:27-30) Pense em uma ave linda, sábia e poderosa! [27] Ou é por uma ordem sua que a águia sobe e faz o seu ninho lá no alto? [28] Ela mora no penhasco onde faz a sua morada, no alto do penhasco, em lugar seguro. [29] Dali, descobre a presa; seus olhos a avistam de longe. [30] Seus filhotes chupam sangue; onde há mortos, ali ela está.” Se o leão é o rei da selva, a águia é a rainha do céu. Ela está no topo da cadeira alimentar. Não existe ninguém acima dela. Ela nunca é a caça. Ela é sempre a caçadora. É por isso que exércitos e impérios usam a águia como um símbolo para representá-los (Harley, ???). Deus chama a atenção de Jó para duas características da águia: A primeira é a PROTEÇÃO. A maneira como ela protege seus filhotes é genial. No versículo 27, Deus fala que foi ele que deu ordens para a águia fazer o ninho bem alto. A águia chega a fazer seus ninhos a uma altura equivalente a um prédio de 100 andares. Nenhum urso ou tigre consegue chegar. A segunda caraterística é a PROVISÃO. No versículo 29, Deus disse que dali, do alto: [29] Dali, descobre a presa; seus olhos a avistam de longe. De bem longe. Uma águia voando consegue ver um coelho ou um rato escondido na grama a uma distância de 3 quilômetros. A águia tem uma visão 8 vezes melhor do que a de um ser humano. Deus também fez uma pergunta para Jó sobre a águia: [27] (...) [É] por uma ordem sua que a águia sobe e faz o seu ninho lá no alto? Não é. Foi Deus que deu a ordem a deu a capacidade para a águia subir tão alto. Um Deus incomparável em sua sabedoria, infinito em seu poder, incansável em seu cuidado com a criação. LIÇÕES DO SAFARI Eu quero fazer 3 breves comentários sobre esse safari do Senhor. Por que o Senhor escolheu esses animais e enfatizou esses aspectos da vida deles? Primeiro, todos esses animais incontroláveis para nós. Não só o boi e o jumento selvagem. Jó não tinha nenhum desses animais na fazenda dele (Ash, Job, 392). Mas Deus controla todos eles. Isso mostra que Deus é poderoso e nenhuma força está fora do controle dele. Segundo, existe uma ênfase nos filhotes: Deus fala dos filhotes da leoa, do corvo, os ovos do avestruz e termina com os filhotes das águias. Isso mostra que Deus é compassivo e se importa com aqueles que são fracos e vivem nesse mundo perigoso. Fracos como nós. Terceiro, esse safari não é limpinho. Ele está mais para um documentário da National Geographic cheio de sangue e morte do que para um desenho da Disney (Ash, Job, 401). O sarafi começou com Deus falando que ele dá o alimento para os leõezinhos, e vocês sabem que leõezinhos não comem alface. Eles comem outros animais. E os filhotes do corvo comem o que restou dos animais que os leõezinhos comeram. Vejam como o safari terminou: [30] Seus filhotes chupam sangue; onde há mortos, ali ela está. Para os leões e corvos e falcões e águias viver, outros precisam morrer. Como um autor levantou: será que Deus não está mostrando que, nesse mundo, é necessário o sofrimento (e até a morte!) de alguns para que outros sobrevivam? Será que essa maneira de Deus governar o mundo não aponta para uma verdade ainda mais profunda—de que um dia o sofrimento (e até a morte) de um homem inocente irá trazer vida para um povo escolhido? (Ash, Job, 394). Deus termina o primeiro discurso dele da mesma maneira em que ele começou: com uma pergunta. A ÚLTIMA PERGUNTA DE DEUS (40:1-2) [1] O Senhor disse mais a Jó: [2] “Será que alguém que usa de censuras poderá discutir com o Todo-Poderoso? Que responda a isso aquele que critica Deus!” Criticar a Deus é uma enorme audácia da nossa parte. Mas é uma audácia que nós somos tentados a ter no sofrimento. Imaginar que Deus não está governando como ele deveria. Jó começou com um espírito de “Por que Deus está fazendo isso comigo?”, mas ele avançou e terminou com um espírito de “Como Deus pode fazer uma coisa dessas comigo?” (Talbert, 201). O coração de Jó não está no lugar certo. Isso não é bom para Jó nem para a glória de Deus. Então, o Deus da glória irá colocar o coração de Jó onde ele deveria ter ficado—prostrado, confiando, mesmo que chorando. Deus usou os fundamentos da criação e os fenômenos da atmosfera e as constelações e até um safari de animais selvagens para lembrar Jó quem é o Deus dele. E Deus pausa para ver se Jó tem algo a dizer. Depois de ficar em silêncio durante os 6 capítulos em que Eliú falou da grandeza de Deus e durante os 2 capítulos em que Deus falou da grandeza de Deus, Jó quebra o silêncio. A RESPOSTA DE JÓ (40:3-5) [3] Então Jó respondeu ao Senhor e disse: [4] “Sou indigno. Que te responderia eu? Ponho a mão sobre a minha boca. [5] Uma vez falei, e não direi mais nada; aliás, duas vezes, porém não prosseguirei.” Jó responde e quebra o silêncio para avisar que ele vai ficar em silêncio. Ele coloca a mão na boca. Ele reconhece que falou contra Deus o que nunca deveria ter falado. A majestade de Deus está fazendo o efeito esperado no coração de Jó: quebrantamento por maravilhamento. Os sinais de quebrantamento começaram. “Sou indigno”. O Rei Davi usou essa mesma palavra quando ele voltou dançando diante da arca do Senhor e Mical o repreendeu. — Que bela figura fez o rei de Israel no dia de hoje, descobrindo-se diante das servas de seus servos, como se descobre um sem-vergonha qualquer! (2Samuel 6:20). Davi respondeu: — Foi diante do Senhor que me alegrei. E me farei ainda mais desprezível [essa é a palavra que Jó usou—indigno] e me humilharei aos meus próprios olhos (2Samuel 6:21-22). Essa é uma humilhação doce. Santa. É uma humilhação que dá vontade de chorar e de sorrir ao mesmo tempo. Deus é tão grande. E nós somos tão pequenos. E Deus tem um amor tão grande por seres tão indignos, desprezíveis e pequenos como nós: o resultado é um quebrantamento por maravilhamento. CONCLUSÃO E pensar que esse Criador se fez homem, entrou na criação que ele mesmo fez, e mesmo sendo tão glorioso, se fez indigno e foi tratado como o mais desprezível ser naquela cruz para nos dar a possibilidade de ouvir Deus, falar com Deus, ver a Deus e viver com Deus. Deus ainda não terminou com Jó. E Deus ainda não terminou conosco. Mas nesse primeiro discurso nós temos aprendemos que o que nós mais precisamos é ver Deus em seu esplendor e majestade. O Deus que governa sobre a vida e a morte, sobre o bem e o mal, sobre as tempestades e os mares, sobre os limites da existência, sobre as forças selvagens desse mundo. Um Deus que é supremo e absoluto em seu controle e cuidado com o mundo. Nada terá mais efeito em nosso coração do que contemplar a grandeza e a beleza de Deus. Por isso, Deus é o único ser no Universo em que exaltar a si mesmo é uma virtude, não um defeito. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_5981a895dea1450cbd3be75015e994c1~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
28 de Junho de 2026 – IBJM
Eu vou começar com uma história que pode dar um pouco de medo, mas eu entendo que essas histórias são usadas por Deus para o nosso bem—e nós não precisamos ter medo. E vou contar essa história também porque ela tem uma conexão com o discurso de Eliú que nós vamos ouvir hoje. É a história de um homem chamado Bart Ehrman. É uma história real. Ele ainda está vivo. Em 2008, Bart Ehrman escreveu um livro chamado “O problema com Deus”. Subtítulo do livro: “como a Bíblia falha em responder nossa pergunta mais importante: porque nós sofremos”. Ele começa o livro dizendo: O problema do sofrimento me perseguiu por muito tempo. Foi o que me levou a refletir sobre religião quando eu era jovem e o que me fez questionar minha fé mais tarde. No fim das contas, foi a razão pela qual perdi a fé. Ele conta como durante o ensino médio ele “nasceu de novo”. Ele levava a fé muito a sério. Ele foi estudar teologia em um Instituto chamado Moody, onde Lauren estudou. É um lugar fiel à Palavra. Depois ele foi estudar em uma Universidade chamada Wheaton, onde John Piper estudou. É uma Universidade fiel à Palavra também. Ele conta que ele conseguia recitar livros inteiros do Novo Testamento de cor. Ele serviu como pastor de jovens de um igreja. Até que, ele diz: Comecei a perder a fé. Hoje, já a perdi completamente. Não frequento mais a igreja, não creio mais e não me considero mais cristão. (Bart D. Ehrman, God’s Problem (New York: HarperCollins, 2008, 1-3). Esse homem chamado Bart Ehrman perdeu a fé em Deus por causa do problema do sofrimento. Que tristeza. Que tragédia. O terremoto que aconteceu na Venezuela essa semana foi uma grande tragédia. Abandonar a Deus é ainda pior. Ao longo da minha vida, eu vi pessoas perdendo a fé. Pessoas que pareciam fervorosas, mas com o tempo, mudaram. Pessoas que, como Bart Ehrman, conhecem a Palavra de Deus, mas resolveram abandonar o Senhor. Povo de Deus, • Satanás não está brincando. Ele quer levar Jó para o lado dele como ele já fez com muitos. • O mundo não está brincando. Esse sistema rebelde a Deus quer seduzir você e levar você a só pensar nas coisas terrenas e • E o nosso pecado também é sério e quer nos levar para longe de Deus. O que está acontecendo no final do livro de Jó é uma operação de resgate. Eu quero dizer para vocês com todas as letras: nunca um filho verdadeiro de Deus abandonou o Senhor por causa do sofrimento. Isso nunca aconteceu até hoje. E nunca vai acontecer. Não vai acontecer com Jó. E não vai acontecer com você, crente. Filipenses 1:6—Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus. Você não precisa ter medo. O que você precisa é continuar olhando com fé para esse Deus grande que enviou Cristo Jesus para sofrer por você. • A intenção de Satanás com o sofrimento é nos afastar do Senhor. • A intenção de Deus com o sofrimento é nos aproximar do Senhor. Pode não ser um processo simples e rápido, como nós estamos vendo com Jó. Mas é um processo garantido pelo sangue de Cristo. Jó vai sair dessa experiência com uma fé mais pura, mais profunda e mais forte—o que tem sido a experiência dos cristãos ao longo dos séculos. E para isso, Deus está usando a palavra dele através de Eliú. Eliú começa o último discurso com um: APELO GERAL (36:1-4) [1] Eliú seguiu falando [nada de Jó nem os amigos interromperem] e disse: [2] “Mais um pouco de paciência, e eu lhe mostrarei que tenho mais argumentos a favor de Deus. [3] Trarei o meu conhecimento de longe e atribuirei a justiça ao meu Criador. Eliú está indo para o olho do furacão—os argumentos de Jó contra Deus, contra a justiça de Deus. Eliú não tem medo dos questionamentos de Jó—como nós também não devemos ter medo das pessoas confusas, nem daqueles que acusam Deus. Eliú sabe quem é o Deus dele. O problema principal de Jó no sofrimento é, como nós ouvimos do autor do livro no capítulo 32, que Jó “pretendia ser mais justo do que Deus” (Jó 32:2). Eliú, com amor e sabedoria, irá resgatar Jó. Ele termina esse apelo geral dando a razão por que ele deve ser ouvido: [4] Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas; quem está diante de você é senhor do assunto.” Eliú! Quem você pensa que é?—“quem está diante de você é o senhor do assunto”. Uma tradução mais literal é ainda mais forte: em vez de “senhor do assunto”, o texto diz: [4] (...) quem está diante de você é perfeito em conhecimento.” Uma expressão que Eliú vai usar no próximo capítulo para falar de Deus (37:16). Mas Eliú não acha que ele é Deus. Claro que não. Ele acabou de dizer que Deus é o Criador dele. Eliú está simplesmente dizendo que ele fala em nome Deus e que, por isso, as palavras dele (início do versículo 4) “não são falsas”. Eliú é como um profeta, e quando um profeta fala, ele fala com a autoridade e a verdade de Deus—o Deus perfeito em conhecimento. Eliú vai usar duas coisas em seus argumentos a favor de Deus: a humanidade e uma tempestade. Eliú vai mostrar que Deus é digno da sua confiança mesmo quando ele leva você a sentir dor. Bart Ehrman está enganado. A verdade está com Eliú. ARGUMENTO NO. 1: A JUSTIÇA DE DEUS COM A HUMANIDADE (36:5-15) TESE (36:5-6) Nesse mundo, muitas vezes as pessoas “grandes”—as pessoas importantes—desprezam os pequenos (cf. Matthew Henry). Mas Deus, não. [5] “Eis que Deus é grande e não despreza ninguém; ele é grande na força da sua compreensão. [6] Não poupa a vida do ímpio, mas faz justiça aos aflitos. • Deus é justo com o ímpio—ele não poupa. • E Deus é justo com o aflito que confia nele—ele faz justiça. Eliú está falando: “Jó, você está aflito. Deus faz justiça, Jó. Espere.” Você está aflito? Tem alguém aflito aqui hoje? Deus faz justiça. A vinda do Senhor Jesus a esse mundo é a Prova das provas que esse Deus grande não despreza os pequenos. Eliú vai desenvolver a tese dele do versículo 6. Eliú vai mostrar como Deus lida de forma correta com esses dois grupos: os ímpios—aqueles que não confiam em Deus, e os justos—aqueles que confiam. 1. OS JUSTOS (36:7-12) Nós, às vezes, nos distraímos. Já aconteceu com você? Você ficou hipnotizado com alguma coisa no celular, e seu filho ficou sem a sua supervisão—e acabou caindo e se machucando. Esse perigo, você não corre com Deus. [7] Deus não tira os seus olhos dos justos; Ele nunca se distraí e deixa você sem a supervisão dele... [7] (...) pelo contrário, os assenta no trono com os reis, para sempre, e eles são exaltados. Pelo contrário, não só Deus não se distraí e deixa você cair no chão, mas ele vai levar você para o céu. Nenhuma ovelha se perde pelo caminho até chegar na morada que Jesus preparou. Eliú não está dizendo que Deus nunca vai permitir que você rale o joelho nesse mundo. No versículo seguinte (versículo 8), ele está falando de aflição. Nesse mundo, Jesus disse, “vocês terão aflições” (João 16:33). Mas no mundo do “para sempre” (final do versículo 7, pela eternidade), você e Jó serão exaltados—eternamente libertados das aflições. Mas por que, nesse mundo, Deus deixa eu me machucar com as aflições? Por que, às vezes, o meu joelho ainda está cicatrizando da semana passada—as feridas do meu coração ainda nem fecharam—e Deus não me segura e deixa eu me ralar de novo? Como Deus pode ser justo e bom fazendo isso? A sabedoria de Eliú realmente vem do céu. Ouça a resposta dele. Ele passa em câmera lenta pelo processo divino da purificação pela aflição. São 4 R’s. Primeiro R: Reconhecer o pecado. A aflição nos faz reconhecer o nosso pecado: [8] Se [crentes] estão presos com correntes e amarrados com cordas de aflição, [9] ele [Deus] lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões, e que se mostraram arrogantes. Permitam-me usar de novo a imagem do seu coração como um tanque de água: quando a vida está mais calma, parece que o tanque está limpo, mas tem uma camada de terra (do pecado) no fundo. A aflição agita o nosso coração (o tanque), a terra sobe e agora nós conseguimos ver que nós somos menos limpos do que nós imaginávamos. Agora nós conseguimos (versículo 9) “ver as [nossas] transgressões”. E quando nós reconhecemos que ainda tem (usando as palavras de Eliú) muita terra da arrogância no tanque do nosso coração, nossa confiança em nós mesmos diminui, e nós ficamos mais abertos para o segundo R. Segundo R: Receber a palavra. [10] Abre-lhes também os ouvidos para a instrução Sabe quando você vai para um lugar muito alto parece que você ficou meio surdo. Parece que seu ouvido está entupido. E você precisa fazer aquela manobra de tampar o nariz e forçar a respiração para voltar a ouvir. A aflição é a manobra de Deus para nos fazer ouvir melhor a voz dele. A aflição deixa o nosso ouvido mais receptivo para a palavra de Deus. Que benefício abençoado! A aflição produz um tipo de humildade no coração dos crentes que faz com que as palavras das Escrituras saltem das páginas e nós ouvimos a voz de Deus mais de perto. Vocês que passaram ou estão passando por aflição sabem o que é esse fenômeno. Os salmos de Davi parecem que foram escritos para você. Os aflitos saem do culto pensando: “Esse sermão foi para mim”. A aflição é a manobra de Deus para nos tornar mais sensíveis a Palavra de Deus. Mas tem mais. Deus ainda não terminou: você reconhece o pecado, recebe a palavra e: Terceiro R: Retornar à piedade Continuação do v.[10] (...) e ordena que se convertam da iniquidade. Converter não necessariamente no sentido de ser salvo—de justificação. Converter aqui é mudar o sentido em que eu estava andando: da iniquidade para a piedade; da arrogância para a humildade. Ter em mente esse processo de purificação ajuda você a tirar o máximo de proveito espiritual na sua aflição. Em vez de ficarmos tentando descobrir—por que isso está acontecendo comigo?, que geralmente não nos leva a lugar nenhum, uma pergunta melhor é “como Deus está me purificando?” e assim aproveitamos a aflição para nos aproximarmos mais de Deus. Reconheça o pecado. Receba a Palavra. Retorne à piedade. Quarto R: Recompensar com prazer. Os primeiros 3 R’s foram nossos. O quarto R é de Deus: [11] Se o ouvirem e o servirem, acabarão os seus dias em felicidade e os seus anos em delícias. Deus recompensa com felicidade. Eliú não está falando de prosperidade material. Ele está falando de alegria espiritual. Ele está falando desse prazer que os crentes têm de andar com Cristo—tendo muito ou tendo pouco, mas tendo Cristo. Diferente do que esse mundo quer nos convencer, a verdadeira felicidade está na santidade. O maior prazer que um ser humano pode ter é crer e obedecer a Deus. O pecado é um mentiroso, como a serpente no jardim: promete o mundo e entrega a morte. [12] Porém, se não o ouvirem, serão passados pela espada e morrerão na sua cegueira. Uma das coisas mais difíceis nessa vida é mortificar o orgulho e cultivar humildade. Produzir humildade no coração é como fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Impossível ao homem, mas possível a Deus. Deus não vai deixar você se afastar dele para sempre, meu amigo. Ele irá enviar resgatadores na sua vida. Ele vai enviar aflição para purificar você. Ele vai enviar algum Eliú—alguma pessoa para corrigir você e trazer você de volta. Não rejeite o resgate do Senhor. Receba as aflições e os Eliús em sua vida como sinais do amor de Deus por você. Eliú está corrigindo a visão que Jó tem da aflição. Vamos aproveitar essa oportunidade para corrigir a nossa também. Eliú está defendo a justiça de Deus mostrando como ele lida com a humanidade. Até o versículo 12, ele estava falando dos justos—aqueles que tem fé em Cristo. Agora Eliú se vira para lidar com o segundo grupo: 2. OS ÍMPIOS (36:13-14) A resposta daqueles que não creem em Cristo, quando eles sofrem, é a rebeldia. É triste, é uma tragédia, mas assim é o coração humano sem Deus: [13] “Os ímpios de coração alimentam a ira; e, quando são aprisionados por Deus, não clamam pedindo socorro. [14] Perdem a vida na sua mocidade e morrem entre os prostitutos cultuais. Aqueles que não confiam no Senhor respondem ao sofrimento com ira (v. 13)—ira contra as pessoas, ira contra o mundo, e (no fundo), ira contra Deus. Em vez dessa humilhação santa que o sofrimento produz no coração do cristão, aqueles que não amam a Cristo respondem com raiva e ressentimento. Essa ira faz eles ficarem duros e não irem até Deus em oração—pedindo perdão e ajuda. Veja o restante do versículo 13: [13] (...) e, quando são aprisionados por Deus, não clamam pedindo socorro. O fim desse processo de endurecimento é se entregarem ao pecado: [14] Perdem a vida na sua mocidade e morrem entre os prostitutos cultuais. Eliú usa o exemplo de prostitutos cultuais—pessoas que abraçam religiões com rituais imorais, para mostrar que aqueles que não confiam em Deus morrem na idolatria. Esse é um processo tão triste, mas não tão raro. Ele acontece também naqueles que chegaram a professar fé em Cristo um dia, mas depois acabam abandonando o Senhor porque Deus não deu a vida que eles queriam. O sofrimento faz isso—ele revela o que está no fundo do nosso coração—na camada mais embaixo. O sofrimento não apagou a fé que eles tinham. O sofrimento apenas revelou que eles não tinham fé. Fé em Cristo como seu bem mais precioso, aquele que morreu na cruz para resgatá-los do seu pecado. Eliú tem um objetivo em mente para trazer a maneira como os ímpios respondem ao sofrimento. Ele quer que Jó não faça isso! Eliú termina o argumento a favor da justiça de Deus na humanidade voltando para os justos—como Jó e como você que confia em Jesus como seu Redentor e Senhor. 3. OS JUSTOS (36:15) E aqui nós percebemos o efeito doce que a aflição tem no coração daqueles que amam a Deus. [15] Deus livra o aflito por meio da sua aflição e pelo sofrimento lhe abre os ouvidos.” A sua dor pode ser amarga, mas o que ela produz em você é doce. O remédio da aflição tem um gosto horrível—pode até dar vontade de cuspir (eu não quero tomar isso!), mas quando você aceita e engole, ele produz a cura que você precisa. Deus livra o aflito por meio da sua aflição. Livra de quê? Do que Eliú está falando? Eliú está falando da libertação da escravidão do pecado—uma libertação que, se não acontecer, leva à morte. A aflição liberta. E nesse sentido, ela salva. Ela nos tira do caminho do pecado e nos devolve para o caminho da fé. Ela puxa o nosso braço e fala: “Vira, é por aqui”. Davi disse a mesma coisa no Salmo 119: Antes de ser afligido, eu andava errado, mas agora guardo a tua palavra (Salmo 119:67). Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos (Salmo 119:71). Você, crente no Senhor Jesus, sofre, como todas as pessoas sofrem nesse mundo. A diferença é que o Espírito Santo faz você responder com essa humildade em reconhecer que você ainda tem pecado, e você recebe a palavra, e retorna à santidade. Em outras palavras, você sofre e você continua crendo. Você percebe: “Eu sou um cristão verdadeiro. Eu sei que eu estou longe do que eu deveria ser, mas eu não vou abandonar o meu Senhor por nada. Eu amo Jesus. Ele me salvou. Ele morreu por mim. Eu vou segui-lo até o fim” e sua experiência de perseverar fortalece a sua fé. Mas repare que a sua fé só foi fortalecida porque você passou pela aflição. Você só foi santificado porque você sofreu. Deus livrou você do pecado levando você pela aflição. É assim que Eliú quer que Jó veja a aflição dele e é assim que Deus quer que você veja a sua aflição. Não enxergar Deus como um inimigo, como Jó está fazendo. Mas enxergar a Deus como um Pai e amigo que está santificando e salvando você. A partir do versículo 16, Eliú faz um apelo pessoal. Se até o versículo 15, Eliú deu argumentos a favor de Deus, agora Eliú dá alertas à Jó, mas são alertas à favor (não contra!) Jó. APELO PESSOAL (36:16-25) [16] “Assim também a você Deus procura tirar da angústia e levar para um lugar espaçoso, em que não há aperto, e para o conforto de uma mesa cheia de comida saborosa. Satanás quer apagar sua fé com o sofrimento, mas Deus quer aumentar sua fé com o sofrimento. Jó e IBJM, é o amor de Deus que fez ele trazer aflição para purificar você. Deus está usando as cordas da aflição para puxar você para perto dele. Mas... tem um “mas” importante. Você precisa responder corretamente a provação. O sofrimento não é justificativa para pecar. [17] Mas você se enche do juízo do perverso, e, por isso, o juízo e a justiça o alcançarão. [18] Tenha cuidado para que a ira não o leve a zombar, [é o que Jó está fazendo] nem permita que a grande quantia do resgate o desvie. Não é muito fácil de entender o que Eliú quer dizer com essa última frase, mas parece que ele está falando para Jó não deixar que o custo de se arrepender—de se humilhar diante de Deus—esse custo de reconhecer que foi arrogante e pedir perdão, não deixe que esse custo alto faça com que você se desvie de Deus. Não abandone o caminho da santidade—do arrependimento e da fé—só porque a porta é estreita e o caminho é apertado, como o Senhor Jesus disse (Mateus 7:14). Eliú tem mais alertas de amor: [19] Será que ele levaria em conta as suas lamúrias e todos os seus grandes esforços, para que você se veja livre da sua angústia? [20] Não suspire pela noite, em que povos serão tirados do seu lugar. Várias vezes, Jó desejou, Jó suspirou pela morte—Eliú usa a “noite”, a escuridão da noite como uma ilustração para a morte. Jó fez isso algumas vezes. Um exemplo (Jó falando com Deus): Por que me tiraste do ventre de minha mãe? Eu deveria ter morrido antes que um olho me visse! (...) Deixa-me em paz, para que por um pouco eu tome alento, antes que eu vá para... a terra das trevas e da sombra da morte, terra de escuridão, de trevas profundas, terra da sombra da morte e do caos (Jó 10:18,20-22). Você já ficou tão cansado de uma aflição, tão cansado de não ver mudança e de ter que suportar aquela dor, que você desejou morrer? Você desejou ir para o céu, não principalmente por causa de Jesus, mas principalmente para ficar livre da dor? Jó também. Eliú está vindo para nos dizer: “Não suspire pela morte. Deus sabe o dia em que ele deve levar você para casa. Suspire por santidade, suspire por graça, suspire por Deus”. O último apelo nesse primeiro argumento. Um alerta de um amigo que ama: [21] Cuidado! Não se incline para a iniquidade, você parece preferir a iniquidade à sua miséria.” Não é muito fácil ouvir isso, mas esse é um bom teste do nosso amor pelo Senhor: eu prefiro sofrer do que pecar? Ou eu prefiro pecar para não ter que sofrer? Viver como cristão no trabalho, na escola, no mundo é arriscado. É custoso. Que enorme pressão nós sofremos da Babilônia para pecarmos contra o Senhor. Mas é melhor sofrermos perseguição ou desprezo ou sermos isolados ou perdermos o emprego ou o respeito das pessoas do que pecar. Que o Senhor nos ajude a sermos como os 3 amigos de Daniel: entre se dobrar à estátua que Nabucodonosor fez (e pecar) ou serem jogados na fornalha ardente (e sofrer), eles preferiram sofrer e morrer. Entre iniquidade e miséria, eles escolheram miséria. O Espírito Santo para fazer isso em nós. Impossível aos homens, mas possível a Deus. Eliú termina o apelo pessoal a Jó desfilando diante dele a grandeza de Deus e chamando Jó a exaltar esse Deus! [22] “Eis que Deus se mostra grande em seu poder! Quem é mestre como ele? Ninguém, Deus é o Mestre dos mestres e tem todo o conhecimento. [23] Quem lhe prescreveu o seu caminho ou quem pode lhe dizer: ‘Cometeste uma injustiça’? Ninguém deveria dizer isso, mas é o que Jó está fazendo: “O Senhor cometeu uma injustiça me fazendo sofrer!”. Eliú chama Jó, então, a adoração. [24] Lembre-se de exaltar as obras de Deus, que as pessoas celebram. [25] Toda a humanidade olha para elas; as pessoas as contemplam de longe. Em vez de acusar Deus de injustiça, nós devemos exaltar Deus pela grandeza dele. Eliú está se preparando para o segundo argumento. Nesse primeiro argumento, Eliú mostrou que Deus tem todo o poder e toda a sabedoria para lidar de forma justa com toda a humanidade—justos e injustos—incluindo as suas aflições, crente. Depois de usar a maneira como Deus manifesta a justiça dele na humanidade, agora Eliú vai usar um fenômeno da natureza—uma tempestade—para mostrar como Deus manifesta a grandeza dele. A intenção de Eliú é levar Jó ao lugar de submissão humilde que ele precisa para lidar com o grande sofrimento dele. Eliú termina esse apelo pessoal e já emenda o segundo argumento. ARGUMENTO NO. 1: A JUSTIÇA DE DEUS NA HUMANIDADE. ARGUMENTO NO. 2: A GRANDEZA DE DEUS NA TEMPESTADE (36:26-37:13) [26] Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular.” Como Moisés disse no: Salmo 90: de eternidade a eternidade, tu és Deus (v. 2). Eliú quer expandir a visão que nós temos de Deus. Ele quer esticar o nosso entendimento de quem Deus é. Uma coisa que nos leva a acusar Deus de injustiça e nos rebelarmos contra Deus em vez de adorarmos e nos submetermos, é termos uma visão pequena de um Deus que é, na verdade, grande. Bem grande. Infinitamente grande. E para mostrar a grandeza de Deus, Eliú usa uma tempestade. Assim que Eliú terminar de falar, Deus irá falar com Jó do meio de um redemoinho. É possível, então, que uma tempestade está se aproximando e Eliú usa essa tempestade para falar da grandeza de Deus. A mesma tempestade de onde Deus irá falar pessoalmente com Jó (Talbert, 189). Eliú descreve o nascimento da tempestade. Crianças, aula de ciências para a glória do grande Deus: como a chuva acontece? [27] “Ele [Deus] atrai para si as gotas de água [evaporação] que de seu vapor destilam em chuva, [condensação] [28] a qual as nuvens derramam e gotejam sobre a terra em grande abundância [precipitação] (Ash, 366). E a chuva se transforma em tempestade. Eliú fala de forma poética: [29] Pode alguém entender como ele estende as nuvens e como os trovões ecoam em sua tenda? [30] Eis que ele espalha sobre elas o seu relâmpago e encobre as profundezas do mar. Os céus proclamam a glória de Deus (Salmo 19:1), incluindo quando Deus cria uma tempestade. Professor Nani, se eu falar alguma coisa errada nessa aula de física para glória de Deus, você me corrige depois. Primeiro, você tem o raio—que é a descarga elétrica. As partículas de gelo e água ficam colidindo, criando atrito e separando as cargas elétricas. Quando a diferença de carga fica muito grande, acontece um disparo—uma corrente elétrica gigante viaja pelo céu. Às vezes, os raios são entre as nuvens. Às vezes, de uma nuvem para a terra. Segundo, você vê o relâmpago—um clarão no céu. Esse é o efeito visual do raio. Deus acende o céu e faz aquele risco branco viajar a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo—o suficiente para dar 7 voltas no planeta Terra em 1 segundo. Terceiro, depois de ver o relâmpago, você ouve o trovão—aquele estrondo gigante. O que acontece é que quando o raio corta o céu, ele atinge uma temperatura de 30 mil graus celsius (5 vezes mais quente que a superfície do Sol). Esse calor faz o ar se expandir com uma violência e uma velocidade absurda e gera uma onda de choque que faz aquele barulho. Professor Nani, depois você me fala que nota eu tirei. Corrija com misericórdia, por favor. Deus faz esse espetáculo de força, luz, calor, barulho e poder o tempo todo no mundo. Para quê? Por que Deus cria tempestades? Aqui vem o primeiro propósito: para julgar e alimentar. [31] Pois por estas coisas ele julga os povos e lhes dá alimento em abundância. [32] Enche as mãos de relâmpagos e os arremessa contra o adversário. [33] O fragor [o estrondo] da tempestade dá notícias a respeito dele, dele que é zeloso na sua ira contra a injustiça.” • Algumas vezes, Deus usa para julgar—para destruir, como ele fez no dilúvio e em outras ocasiões na Bíblia e na história. • Em outras vezes, Deus usa para alimentar—para construir, e a chuva rega a terra e as árvores dão fruto. De qualquer forma, é Deus revelando a glória dele em suas obras. Jó está confuso no sofrimento dele. Ele começou a acusar Deus de não ser bom. Ele começou a duvidar da justiça de Deus. Eliú está ajudando Jó e a nós. Sabe aquele estrondo enorme da tempestade (versículo 33), ele dá notícias sobre Deus. A tempestade é a ilustração de Deus para mostrar o zelo que ele tem para lidar com a injustiça. Um Deus com tanto poder—como essa tempestade que está se aproximando mostra—é um Deus que tem a força necessária para lidar com o mal. Você pode confiar e esperar nesse Deus. E qual é reação esperada de um ser humano diante da tempestade? Capítulo 37:[1] “Diante disto, o meu coração treme e salta do seu lugar. Um raio já caiu perto de você? O trovão já estourou bem perto de você? Aquele estrondo violento que explode e faz as crianças (e os adultos) ficarem com os olhos esbugalhados. Eliú tem uma recomendação para Jó e para nós: aproveitem as tempestades para ver e ouvir a glória de Deus? [2] Ouçam atentamente o trovão de Deus, o estrondo que sai da sua boca. [3] Ele o solta por baixo de todos os céus, e o seu relâmpago chega até os confins da terra. [4] Depois deste, ruge a sua voz, troveja com o estrondo da sua majestade, e ele já não retém o relâmpago quando se ouve a sua voz. [5] Com a sua voz Deus troveja maravilhosamente; ele faz grandes coisas, que nós não compreendemos. [6] Porque ele diz à neve: ‘Caia sobre a terra’; e à chuva e ao aguaceiro: ‘Sejam fortes’. Eliú solta mais um propósito de Deus com a tempestade: ser louvado. [7] Assim, ele torna inativas as mãos de todos, para que reconheçam as obras dele. [8] Os animais entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas. Em uma tempestade—ainda mais em uma ambiente como da época de Jó—todo mundo (homens e animais) se escondem nas suas casas. É o momento de parar e admirar o poder dele. É a oportunidade de reconhecer a obra de Deus e exaltar o nome dele, de se maravilhar com um Deus que tem tanto poder. A tempestade revela a majestade de Deus. É o Leão da Tribo de Judá rugindo com o estrondo da sua voz. Eliú disse que no versículo 1 o coração dele treme. Esse é um tremor bom. É o tremor e temor da sabedoria—daqueles que adoram o Senhor. Jonathan Edwards foi um homem de Deus que viveu no século XVIII durante um período de avivamento espiritual. Ele dá o testemunho dele sobre o efeito de uma tempestade no coração dele antes e depois da conversão. Ouça o que ele disse, por favor. Antes [da conversão], eu sentia um pavor incomum diante dos trovões e ficava aterrorizado ao ver uma tempestade se aproximando; mas agora, pelo contrário, isso me trazia alegria. Eu sentia Deus, por assim dizer, logo aos primeiros sinais de uma tempestade; e aproveitava esses momentos para parar e observar as nuvens, ver os relâmpagos cruzarem o céu e ouvir a voz majestosa e imponente do trovão de Deus — algo que, muitas vezes, me proporcionava grande deleite, conduzindo-me a doces contemplações do meu grande e glorioso Deus (Iain Murray, Jonathan Edwards, 36-37, citado em Talbert, 193). Essa é a experiência que Eliú quer nos levar: doces contemplações do nosso grande e glorioso Deus. Eliú continua contemplando a majestade de Deus na tempestade, agora nas temperaturas mais baixas. [9] De suas recâmaras sai a tempestade, e os ventos fortes trazem o frio. [10] Pelo sopro de Deus se dá a geada, e uma grande extensão de água congela. [11] Carrega de umidade as densas nuvens, e do meio delas irradia o seu relâmpago. [12] Então as nuvens, segundo o rumo que ele dá, se espalham para uma e outra direção, para fazerem tudo o que lhes ordena sobre a superfície da terra. E Eliú repete um dos propósitos de Deus na maneira como ele lida com a natureza: [13] E tudo isso ele faz vir para disciplina, se convém à terra, ou para exercer a sua misericórdia.” Antes, Eliú disse que Deus usa a tempestade e as chuvas para julgar e alimentar. Aqui ele falar de exercendo “disciplina” ou “misericórdia”. Deus usa para manifestar sua ira e seu amor. Ele se vira para Jó e, de novo, faz um apelo pessoal—de irmão para irmão: APELO PESSOAL (37:14-20) [14] “Dê ouvidos a isto, Jó; pare e pense nas maravilhas de Deus. Pare e pense nas maravilhas de Deus. Olhe para as obras de Deus e medite na grandeza do nosso Deus, e deixa essa meditação ter efeito no seu coração, Jó. Não fique esperneando e acusando Deus de injusto. Deus criou você não para acusá-lo, mas para adorá-lo. Eliú está usando a grandeza de Deus para produzir essa submissão alegre a um Deus que é envolto em mistério e majestade e glória. Mas ele ainda não terminou. Agora ele tenta causar esse efeito de humilhação santa em Jó com perguntas. (Que, por sinal, é exatamente a estratégia de Deus com Jó no próximo capítulo—encher Jó de perguntas). [15] Será que você sabe como Deus comanda as nuvens e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem? Imagine Jó ouvindo, olhando para o chão e respondendo bem baixo para ele mesmo: “Não”. [16] Será que você sabe algo sobre o equilíbrio das nuvens e sobre as maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento? “Não”. [17] Você, cujas roupas ficam aquecidas quando há forte calor por causa do vento sul, [18] será que você pode ajudar Deus a estender o firmamento, que é sólido como espelho de metal fundido? “Não”. Nesse espírito, Eliú termina seu apelo pessoal à Jó: [19] Ensine-nos o que devemos dizer a ele, porque nós, envoltos em trevas, não podemos expor a nossa causa diante dele. [20] Será que alguém deveria contar a Deus que eu quero falar com ele? Se alguém fizesse isso, seria devorado.” Eliú está mostrando a audácia e a ousadia de querer discutir e acusar Deus de estar errado. Eliú está sendo humilde. E ele quer que Jó acompanhe essa atitude. Ele está lembrando Jó que todos nós somos feitos do barro. Eliú não está dizendo que ninguém deve orar—que ninguém deve falar com Deus. Eliú está falando da postura de Jó de exigir que Deus dê explicações. Que Deus prove que Jó tem pecado para sofrer daquele jeito. Uma das últimas coisas que Jó falou para Deus foi: Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! (Jó 31:35) A postura de Jó parece a de um cliente irritado que comprou um produto que não funciona e quer falar com o gerente da loja. Ele chega na loja cuspindo fogo: “Avisa o gerente que eu quero falar com ele agora!”. Se aproximar de Deus assim, com essa arrogância, é perigoso. Se alguém fizesse isso, seria devorado (37:20). CONCLUSÃO: A TREMENDA MAJESTADE DE DEUS (37:21-24) Eliú termina seus discursos do jeito em que ele falou durante todo o tempo. Implacavelmente centrado em Deus. [21] “Eis que ninguém pode olhar para o sol, que brilha no céu, uma vez passado o vento que o deixa limpo. [22] Do norte vem o áureo esplendor, pois Deus está cercado de tremenda majestade. [23] Quanto ao Todo-Poderoso, não o podemos compreender. Ele é grande em poder, porém não perverte o juízo e a plenitude da justiça. Vocês lembram o que Eliú disse no início: que ele tinha argumentos a favor de Deus, para atribuir justiça ao Criador. Foi o que ele fez. Eliú usou a maneira como Deus lida com a humanidade—justos e injustos—e a maneira como Deus usa a tempestade para revelar a grandeza dele. Eliú tem um propósito em desfilar a majestade de Deus diante de Jó. Ele quer produzir humilhação santa em Jó—um temor reverente. [24] Por isso, as pessoas o temem; ele não olha para os que se julgam sábios.” É a versão de Eliú para “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pedro 5:5). Nós não somos mais sábios do que Deus para governar esse mundo e nossas vida melhor. Eliú quer colocar o coração de Jó de volta ao lugar certo—prostrado, submisso, humilde, bendizendo o nome de Deus, como Jó fez no início. Jó nos lembra que, mesmo nos homens e mulheres mais santos desse mundo, ainda há muito espaço para crescer na fé—ainda há pecados a serem mortificados e santidade a ser cultivada. A tribulação de Jó não criou pecado dentro do coração de Jó. A tribulação somente expôs o que estava lá dentro. Jó não está sofrendo porque pecou, mas agora, durante o sofrimento, Jó está pecando. Ele não está respondendo corretamente ao sofrimento. Eliú muda a discussão em uma direção bem melhor. A grande questão no sofrimento não é “Por que Deus fez isso comigo?”. A grande questão é: “Como eu respondo ao sofrimento que Deus trouxe?” (Talbert, 192). CONCLUSÃO Uma coisa é certa. Ou melhor, duas coisas: que Jó ama a Deus (foi assim que o livro começou) e que Deus ama a Jó. Deus não vai desistir de Jó. Deus não vai deixar Satanás levar Jó para o lado dele. Deus não vai deixar nem mesmo o pecado de Jó e o seu pecado, crente, separar você dele. Como João Batista disse de forma maravilhosa: convém que ele cresça e eu diminua (João 3:30). Que esse seja o nosso lema de vida—na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na vida e na morte. Quando nós estamos prostrados diante desse Deus grande, nosso coração está no lugar em que ele sempre deve estar: o lugar de temor e louvor a um Deus que está cercado de tremenda majestade. Você não precisa ter medo. O que você precisa é continuar olhando com fé para esse Deus grande que enviou Cristo Jesus para sofrer por você. • A intenção de Satanás com o sofrimento é nos afastar do Senhor. • A intenção de Deus com o sofrimento é nos aproximar do Senhor. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_2272ccc8dd6741bbb08f37afdd17824a~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
21 de Junho de 2026 – IBJM
Martyn Lloyd-Jones foi um pastor na Inglaterra. Ele nasceu em 1899 e foi para a glória se encontrar com o Senhor em 1981. O Senhor se agradou de usar Martyn Lloyd-Jones de muitas maneiras, mas como todo cristão em sua peregrinação nesse mundo, ele teve seus dias de escuridão emocional. Em uma dessas temporadas de deserto espiritual, com a alma mais seca, Deus enviou os escritos de um outro homem de Deus chamado Richard Sibbes, que também foi pastor na Inglaterra, mas 300 anos antes—em 1600s. Martyn Lloyd-Jones (quando ele tinha 70 anos) deu o seguinte testemunho sobre Richard Sibbes: Richard Sibbes foi um bálsamo para a minha alma em um período da minha vida em que me via esgotado e extremamente exausto e, por isso, estava especialmente vulnerável aos ataques do diabo. Lloyd-Jones disse que Deus usou as palavras de Richard Sibbes para “me aquietar, acalmar, confortar, encorajar e curar”. É o que Jó está precisando nesse momento. É o que nós precisamos tantas vezes nessa vida. Nós precisamos de Richard Sibbes e Eliús nos lembrando do que Deus disse no Salmo 46: Aquietem-se e saibam que eu sou Deus (Salmo 46:10). Deus pode aquietar nosso espírito agitado e esgotado como o de Jó. Deus sabe o remédio certo e a dose exata que nós precisamos para termos nossa saúde espiritual e nossa sanidade emocional restaurada. A obra de Deus em Jó—e em nós—ainda não acabou. Eliú terminou o primeiro discurso no capítulo 33. Ele deu oportunidade para Jó falar. Veja: Jó 33:32—Se você tem alguma coisa a dizer, diga; fale, porque gostaria de lhe dar razão. Mas Jó não quis falar nada. O capítulo 33 começa com: [1] Eliú disse mais: Jó gritou: “Deus não faz nada. Deus não fala nada! Deus está em silêncio!”. Agora é a hora de Jó ficar em silêncio e absorver as palavras de Eliú e começar a se aquietar. O Senhor está trabalhando no coração de Jó. O processo de humilhação santa em Jó começou. Jó é crente. Mas ele está doente. Fisicamente, também. Mas especialmente, espiritualmente. Hoje nós vamos ver mais dois discursos de Eliú. Ele usa a mesma estrutura do discurso que vimos no domingo passado. 1. Apelo 2. Alegação de Jó contra Deus 3. Refutação de Eliú contra Jó (e a favor de Deus) 4. Apelo CAPÍTULO 34: SEGUNDO DISCURSO Eliú começa apelando para ser ouvido: 1. APELO: ESCUTEM! (34:2-4) [2] “Vocês que são sábios, ouçam as minhas palavras; vocês que são instruídos, escutem o que vou dizer. [3] Porque o ouvido avalia as palavras, assim como o paladar prova a comida. Jó também tinha usado essa ilustração (Jó 12:11). Como nossa língua tem papilas gustativas que discernem o sabor, nossos ouvidos (ou nossa mente) discerne o sabor das palavras—se elas são boas ou ruins. Eliú se apoia nessa experiência humana universal e apela: [4] Escolhamos para nós o que é direito; conheçamos entre nós o que é bom.” Esse é o apelo de Eliú: por favor, escutem porque eu escolhi o alimento bom que vem do Senhor. 2. ALEGAÇÃO DE JÓ (34:5-9) [5] “Porque Jó disse: ‘Sou justo, e Deus tirou o meu direito. [6] Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora não tenha cometido nenhum pecado.’” Eliú está sendo um repórter fiel. Esse é um resumo justo do que Jó disse. Jó disse que ele é justo várias vezes. E ele também disse também que Deus tirou o direito dele—que Deus não trata a ele com justiça. A implicação do que Jó disse é que Deus está sendo injusto de fazer Jó passar por todo esse sofrimento. Jó está dizendo: “Eu sou justo. Deus, não”. Eliú não consegue mais ouvir o nome de Deus ser atacado. Ele é intenso na repreensão a Jó: [7] “Será que existe outro homem semelhante a Jó que bebe a zombaria como se fosse água? [8] Ele segue o caminho dos que praticam a iniquidade e anda com homens perversos. [9] Pois disse: ‘De nada adianta ao homem ter o seu prazer em Deus.’” Eliú está falando a verdade. Jó realmente chegou a dizer que não adianta ter prazer (ter fé) em Deus porque ele destruir todo mundo, como se Deus fosse injusto e não tivesse critério nenhum para salvar e julgar as pessoas. Eu vou ler um trecho do que Jó disse no capítulo 9: Eu sou íntegro, mas não me importo comigo, não faço caso da minha vida. Para mim, é tudo a mesma coisa; por isso, digo: [Deus] destrói tanto os íntegros como os perversos. Se um flagelo mata de repente, [Deus] rirá do desespero dos inocentes (Jó 9:21-23). Deus rirá do desespero dos inocentes. “Que isso, Jó!?”. De que deus você está falando? Jó é crente, mas ele está doente. Jó é um adorador verdadeiro do Senhor, mas ele disse coisas falsas—absurdamente falsas—sobre Deus. As alegações de Jó contra Deus são graves. “Não adianta confiar em Deus. Olha o que ele faz com quem ama a ele!” Matthew Henry, um pastor puritano do século XVIII, chamou essas falas de Jó de “expressões indecentes”. Essa é uma boa expressão para as palavras de Jó: “expressões indecentes”. Eliú usa um vocabulário parecido com o de Elifaz—o que faz algumas pessoas pensarem que Eliú tem o mesmo problema dos 3 amigos de Jó, acusando Jó injustamente. O que Elifaz disse para Jó é realmente parecido: Jó 15:16—quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água!” Não é isso que Eliú está dizendo. Veja o final do versículo 7. Ele não diz que Jó bebe iniquidade. [7] (...) que bebe a zombaria como se fosse água? E ele explica no versículo 9 qual é a zombaria. O que Jó disse (falou) contra Deus. As semelhanças existem, mas as diferenças são maiores. Os 3 amigos de Jó acusam Jó de ter praticado muita iniquidade e por isso ele está sofrendo. Eliú se concentra nas palavras de Jó (zombaria) contra Deus depois do sofrimento. Eliú está sendo intenso com Jó, é verdade. Como Deus também será intenso com Jó a partir do capítulo 38. Como Isaías foi intenso com Israel diante da rebeldia deles. Como Jesus e os apóstolos foram intensos em algumas situações. Às vezes, o amor é intenso. Especialmente quando são ditas coisas indecentes contra Deus. A intenção de Eliú com a intensidade é boa. Eliú é um instrumento de Deus para aquietar e curar Jó. 3. REFUTAÇÃO DE ELIÚ (34:10-33) Eliú, o defensor da glória do Senhor, precisa ajudar Jó a colocar os pensamentos sobre Deus no lugar. Jó está indo por um caminho perigoso. Eliú quer resgatar Jó como um pastor vai buscar uma ovelha que se desgarrou e precisa voltar para o aprisco. A acusação de Jó contra Deus se concentra na justiça (ou na injustiça) de Deus. Jó dizendo que Deus não está governando como deveria. Deus não está qualificado para ocupar o trono do Universo. Falando assim, parece muito forte. Mas é isso que Jó está dizendo. A APLICAÇÃO DA MURMURAÇÃO Uma coisa, então, que nós precisamos fazer é parar e nos perguntar: “Eu estou bebendo dessa zombaria também? Eu estou respondendo ao meu sofrimento como se Deus fosse injusto? Como se eu pudesse governar o mundo e a minha vida melhor do que Deus? Eu sou uma pessoa que se submete a Deus, mesmo quando o que acontece na minha vida é diferente do que eu imaginei?” Existe um tipo de espírito murmurador que nós podemos desenvolver que não casa com um cristão que tem um Salvador tão maravilhoso. Um tipo de espírito murmurador que está sempre reclamando da vida, reclamando das pessoas, reclamando do trabalho, reclamando da igreja, reclamando do mundo, reclamando de tudo o que não é do que jeito que eu acho que deveria ser. No livro de Judas, a Palavra de Deus descreve os falsos mestres dizendo: Esses tais são murmuradores, pessoas descontentes que andam segundo as suas paixões (Judas 16). Toda murmuração, por trás, traz uma acusação contra Deus: “Eu faria melhor. Se fosse eu governando, eu faria diferente e melhor”. Nós precisamos, com a ajuda do Espírito Santo, nos esvaziar desse tipo de insatisfação pecaminosa e nos enchermos de gratidão piedosa. Povo de Deus, nós não somos murmuradores. Nós somos adoradores. • Existe espaço para ficarmos insatisfeitos com o pecado. • Existe espaço para lamentarmos por coisas tristes. • Mas não pode existir espaço para murmurarmos da vida. • Não pode existir espaço para acusarmos Deus de ser injusto e não nos dar o que nós merecemos. Mas o sofrimento cria essa tentação. É o que está acontecendo com nosso irmão na fé chamado Jó. Que o Senhor mande Richard Sibbes e Eliús e a Palavra dele para nos tirar desse caminho perigoso e nos levar de volta para o aprisco da verdade. Eliú irá provar que Deus está qualificado. Deus está perfeitamente e infinitamente e divinamente qualificado para se sentar no trono como grande Rei e governar nossa vida, nossa família, nossa igreja, nosso país, nosso mundo, e o Universo que ele criou. Jó alega que Deus não está sendo justo. Eliú vai se concentrar na justiça de Deus e provar com 4 atributos de Deus que ele está qualificado para governar o mundo com justiça—para a glória dele E para o nosso bem. 1. BONDADE. SEU DEUS É BOM (VV. 10-12) [10] “Por isso, vocês que têm entendimento, me escutem: longe de Deus o praticar ele a maldade, e longe do Todo-Poderoso o cometer injustiça. [11] Pois Deus retribui ao homem segundo as suas obras e paga a cada um conforme o seu caminho. No 12 ele repete o que ele disse no versículo 10: [12] Na verdade, Deus não pratica o mal; o Todo-Poderoso não perverte o direito. O Todo-Poderoso nunca faz nada injusto porque ele é bom. “Longe de Deus o praticar a maldade”. É impossível Deus fazer algo mal. Eu vi esses dias um vídeo de um cantor em um diálogo com a igreja: Ele dizia: “Deus é bom”. E as pessoas respondiam: “O tempo todo”. O cantor dizia: “O tempo todo”, e as pessoas diziam: “Deus é bom”. Deus é bom o tempo todo. O tempo todo, Deus é bom. É uma verdade simples. Mas é uma verdade que tem força para afetar nosso coração agitado e cansado. Uma verdade que Jó precisa pregar para Jó nesse tempo de angústia, eu preciso pregar para mim e você precisa pregar para você. Geralmente, o que nós mais precisamos em nosso sofrimento não é de uma verdade nova que nós não conhecíamos. Nós precisamos nos agarrar a uma antiga verdade com fé renovada. Deus é bom o tempo todo. Deus é bom quando tudo vai bem. Deus é bom quando tudo vai mal. O tempo todo, Deus é bom. Deus é bom quando você está rindo. Deus é bom quando você está chorando. A bondade de Deus não é como a maré: às vezes alta, às vezes baixa. A bondade de Deus é como o Monte Everest: firme, alto, constante. A quantidade de fé que nós temos na bondade de Deus pode variar, mas deixe-me lembrar você de uma coisa: a quantidade da bondade de Deus que ele derrama na sua vida não varia. Bondade é um atributo de Deus. E por isso, ele se qualifica para se sentar no trono e reinar. 2. SOBERANIA. SEU DEUS É SOBERANO (VV. 13-17) Eliú tem duas perguntas com uma mesma resposta: [13] Quem lhe entregou [a Deus] o governo da terra? Quem lhe confiou o universo? Ninguém. Ninguém entregou o governo da terra a Deus. Deus governa por direito—ele é o Criador. Não existe um outro deus que criou o mundo e depois pediu para Deus: “Você pode cuidar para mim?” Deus é o Governante absoluto—soberano, supremo e sozinho. Ninguém acima dele. Ninguém no mesmo nível de autoridade do que ele. Nem Lula. Nem Trump. Nem as Nações Unidas. Deus reina. Sem competidores. Sem iguais. E sem precisar de ajuda, obrigado. Mas Jó já não sabe disso? Jó não já sabe que Deus é soberano? Ele sabe. Quando ele perdeu os filhos, ele não disse: “o Senhor o deu, mas Satanás o tomou. Ele disse: O SENHOR o deu e o SENHOR o tomou (Jó 1:21). E ele bendisse o nome do Senhor (Challies, Seasons of Sorrow, 29). Jó sabe que Deus é absolutamente soberano sobre os desastres e as doenças e o diabo e todas as dificuldades que ele está enfrentando. Ele sabe, mas ele está se esquecendo. Não é exatamente o que está acontecendo comigo quando eu fico preocupado? O que está acontecendo com o nosso coração quando nós ficamos ansiosos? Eu me distraio ao ponto de me esquecer que o meu Deus está no trono governando com soberania absoluta sobre o mal e bondade infinita sobre mim. Sempre, mas especialmente nesses momentos, quando o meu coração está agitado e exausto, eu preciso de um Eliú. Eu preciso do Espírito trazendo à minha mente que Deus é Deus—que ele é soberano E bom. Esses dois atributos precisam viver abraçados na minha mente. UM BENDITO TRAVESSEIRO [293] Eu comecei essa série em Jó falando de um homem chamado Tim Challies. Tim Challies é um cristão que pouco anos atrás perdeu o filho dele, Nick, de 20 anos. Nick estava praticando esporte com os amigos do seminário e caiu morto. De repente. Do nada. Deus levou o Nick. Tim Challies, o pai, disse o seguinte de como ele estava processando a morte do filho: Se há algum travesseiro em que eu esteja repousando a cabeça nestes dias, é o travesseiro da bondade de Deus. Continuo dizendo: "Deus é bom o tempo todo". Talvez eu diga isso com tristeza, perplexidade e uma fé incompleta. Talvez eu diga isso como uma pergunta: "Deus é bom o tempo todo, certo?". Mas estou dizendo. Não entendo necessariamente como Deus é bom nisso, ou por que levar meu filho é coerente com a bondade dele, mas sei que é. Se a morte de Nick não foi uma falha na soberania de Deus, também não foi uma falha na bondade dele. Se não houve um momento em que Deus deixou de ser soberano, não há um momento em que Ele deixou de ser bom — bom para comigo, bom para minha família, bom para Nick, bom segundo a Sua perfeita sabedoria. Deus não pode não ser bom! (Challies, Seasons of Sorrow, 29). Povo de Deus, que sua mente agitada descanse nesse bendito travesseiro que tem a espuma da soberania e da bondade do seu Deus. “Deus não pode não ser bom”. Eliú agora cria uma possibilidade impossível para mostrar para Jó o absurdo de questionar o direito de Deus reinar. A possibilidade que ele cria é: [14] Se Deus pensasse apenas em si mesmo [se ele não fosse bom] e fizesse voltar para si o seu espírito e o seu sopro, [15] toda a humanidade morreria ao mesmo tempo, e o homem voltaria para o pó.” Esse é o tamanho da nossa dependência de Deus e o tamanho da soberania de Deus sobre nós. Agora vem com conclusão de Eliú para Jó e para nós: [16] “Portanto, se você tem entendimento, escute isto; dê ouvidos ao som das minhas palavras. [17] Se Deus odiasse o direito [como Jó está dizendo], será que poderia governar? E será que você quer condenar aquele que é justo e poderoso? [como Jó está fazendo]. Deus irá fazer a mesma pergunta para Jó daqui a pouco: Será que você [Jó] está querendo anular a minha justiça? Ou me condenará, para se justificar? (Jó 40:8). Jó está confuso. Um tipo de confusão pecaminosa e perigosa. O sofrimento embaralha os nossos pensamentos sobre Deus e o resultado nunca é bom. Nós questionamos Deus ou, pior, condenamos Deus—“o Senhor está reinando de forma injusta”. Está certo vasos de barro acusarem o oleiro de estar errado? Deus não vai deixar Jó—um filho que ele tanto ama—continuar nessa direção. Deus não vai deixar você, crente, continuar nessa direção, se você começar a se desviar do caminho da fé que leva a glória. 4 atributos: bondade, soberania. 3. IMPARCIALIDADE. SEU DEUS É IMPARCIAL (VV.18-20) E por isso ele está qualificado para o trono: [18] Será que alguém diria a um rei: ‘Você não vale nada!’? Ou diria aos príncipes: ‘Seus perversos!’? Não, ninguém em sã consciência diria essas coisas. [19] Quanto menos dirá isso àquele que não privilegia os príncipes, e que não favorece o rico em prejuízo do pobre; porque todos são obra de suas mãos. [20] De repente, morrem; no meio da noite, as pessoas são abaladas e passam, e os poderosos são levados por uma força invisível. Governantes humanos podem privilegiar pessoas por interesse próprio. Eles podem fechar os olhos para pecados de pessoas ricas ou poderosas por algum tipo de pressão ou benefício. Com o Deus Todo-Poderoso, não. Deus não fica inibido com os ricos e poderosos desse mundo. Ele irá julgar a todos com justiça perfeita, isso nós podemos ter certeza. Hoje em dia, ladrões de galinha são presos enquanto políticos corruptos vivem soltos. Naquele grande dia, no grande Dia do Juízo, Elon Musk estará do lado do mendigo das ruas do centro de Sumaré. Os dois serão julgados com justiça divina. Um juiz precisa ser imparcial para julgar com justiça. Deus é. Quarto atributo: 4. ONISCIÊNCIA. SEU DEUS É ONISCIENTE (VV. 21-28) E um Deus onisciente—que sabe tudo—está perfeitamente qualificado para reinar sobre nossa vida e nosso mundo: [21] Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e veem todos os seus passos. Não tem nada que alguém pense, sinta ou faça que Deus não sabe. Deus tem acesso completo a todos os seres humanos. [22] Não há trevas nem sombra profunda o bastante, onde os que praticam a iniquidade possam se esconder. [23] Pois Deus não precisa observar o homem por muito tempo antes de o fazer comparecer em juízo diante dele. O versículo 25 diz que Deus: [25] (...) conhece as obras deles; [dos homens] Juízes e líderes e governantes podem cometer erros. Eles podem ser injustos por falta de informação. Isso acontece mais vezes do que nós sabemos. A JUSTIÇA É CEGA m 1975, um homem chamado Ricky Jackson ficou 40 anos preso por um crime que ele não cometeu. 40 anos. Ele foi preso injustamente quando ele tinha 18, e libertado com 57 anos. Ele foi acusado de matar um homem em uma farmácia. A única testemunha que a polícia tinha era um menino de 12 anos que disse que viu. Quase 40 anos depois, com peso na consciência, o menino de 12 anos—agora com 50, confessou que ele não viu nada. Ele estava no ônibus da escola há 2 quarteirões do crime, mas ele foi coagido e manipulado para mentir e falar que viu o que ele, na verdade, não viu. O juiz, sem a informação certa, julgou errado. Mas não só os juízes. Todos nós podemos fazer erros de julgamento por falta de informação. Tomamos decisões erradas que, se nós tivéssemos acesso a mais dados, nós tomaríamos um decisão diferente. Com Deus, isso nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Ele é onisciente. Ele sabe todas as coisas sobre todas as pessoas. Como é bom saber que o Juiz do Universo sabe tudo e irá fazer justiça. Que esperança e segurança você pode ter quando você é injustiçado: os olhos de Deus estão vendo. Ele conhece tudo. Ele irá julgar. [28] e assim fizeram com que o grito dos pobres subisse até Deus, e este ouviu o lamento dos aflitos.” Deus ouve o lamento dos aflitos. Às vezes, ele faz justiça ainda nessa vida. Sempre, ele fará justiça quando Jesus voltar. Mas é difícil para nós lidar com essa espera—o tempo entre o grito de ajuda e o momento em que Deus age. Esse silêncio de Deus, essa falta de ação de Deus, está deixando Jó inconformado—agitado e exausto. E muitas vezes, nós ficamos também. Depois dos 4 atributos de Deus—Deus é (1) bom, (2) soberano, (3) imparcial e (4) onisciente—Eliú termina lidando com a “velocidade de Deus”. 5. A VELOCIDADE DE DEUS (vv. 29-30) A velocidade em que Deus age. [29] “Se ele [Deus] se calar, quem o condenará? [Como Jó está fazendo!] Se encobrir o rosto, quem poderá vê-lo? Mas ele está acima dos povos e das pessoas, [30] para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo.” Às vezes, Deus parece estar escondido. Às vezes, parece que Deus está quieto. É só olhar para esse mundo e ver a quantidade de maldade que Deus, aparentemente, não está fazendo nada. E uma conclusão que nós podemos chegar é que Deus está sendo lento. Devagar demais para falar e fazer alguma coisa. O argumento de Eliú aqui—esse defensor da glória de Deus—é que ninguém pode condenar Deus quando ele parece lento para falar e para julgar. Mesmo quando não estamos vendo o que Deus está fazendo, ele continua trabalhando. Ainda que pareça que ele está demorando, ele irá julgar “[30] para que o ímpio não reine”. Ele sabe o tempo certo para falar e fazer. Esperar é difícil. Mas durante a espera, nós não podemos acusar Deus dizendo que ele está sendo negligente ou lento. Condenar Deus porque ele está aparentemente atrasado para agir é errado. É pecado. E é o que Jó está fazendo. E a maneira como lidamos com o pecado é nos arrependendo. É assim que Eliú termina esse discurso: chamando Jó para se arrepender. Depois do (1) apelo, da (2) alegação de Jó contra Deus, da (3) refutação de Eliú contra Jó, Eliú termina apelando para Jó reconhecer que ele disse o que não deveria contra Deus. 4. APELO DE ELIÚ PARA JÓ (34:31-37) Esses versículos são difíceis de traduzir e entender. A NAA começa o versículo 31 como se fosse uma hipótese: “Se”. Uma outra maneira de entender é como se Eliú estivesse dizendo para Jó o que Jó deveria dizer para Deus (Hartley, Job, 459). Em vez de: [31] “Se alguém se dirige a Deus, dizendo: Seria: [31] “Dirija-se a Deus, dizendo: [31] (...) ‘Sofri, não vou pecar mais; [32] ensina-me o que não consigo ver; se cometi injustiça, jamais voltarei a praticá-la’, Eliú está chamando Jó a admitir que falou o que não deveria para Deus e que ele deve se arrepender. Que é o que Jó irá fazer daqui a uns capítulos. No versículo 33, Eliú nos lembra que Deus é livre e Jó não pode exigir coisas de Deus como ele está fazendo. [33] será que Deus deve recompensá-lo segundo o que você quer ou não quer? No final do versículo, Eliú fala de forma pessoal a Jó. As duas últimas linhas: [33] (...) Escolha você [Jó], e não eu [Eliú]; diga o que você sabe; fale’? Na última linha, o ponto de interrogação poderia vir antes: Diga, o que você sabe? Fale.” O que nós pensamos e falamos para Deus é sério. Intimidade com Deus é bom. Irreverência, não. Expressões indecentes contra Deus não são aceitáveis para se dirigir àquele que está no trono. Eliú se vira para aqueles que estão ouvindo e diz: [34] “Os homens que têm entendimento me responderão, o sábio que me ouve dirá: [35] ‘Jó falou sem conhecimento, e nas palavras dele não há sabedoria.’ Esse diagnóstico de Eliú é o mesmo diagnóstico que Deus irá fazer de Jó e, no final do livro—depois de se arrepender do que falou contra Deus—é o mesmo diagnóstico que Jó irá fazer dele mesmo. Jó vai dizer: “Na verdade, falei do que eu não entendia”. (Jó 42:3). Mas Jó ainda não chegou nesse ponto. O Espírito Santo está trabalhando em Jó. Ele é quem nos convence do pecado. Esse é o desejo de Eliú, e por isso, Eliú diz: [36] Quem dera Jó fosse provado até o fim, porque ele respondeu como homem iníquo. [37] Pois ao seu pecado acrescenta rebelião; entre nós, em tom de zombaria, bate palmas e multiplica as suas palavras contra Deus.” Eliú é bem diferente dos 3 amigos de Jó. Eliú leva a discussão para outra direção. Os amigos de Jó diziam que Jó é um homem iníquo—que pratica iniquidade. Eliú se concentra nas palavras de Jó (Talbert, Beyond Suffering, 183). Eliú fala que Jó respondeu COMO um homem iníquo, como Jó disse para o esposa no início quando ela disse para Jó: “Amaldiçoe a Deus e morra!” e Jó disse, “Você fala como uma louca”, e não “você é louca”. Jó está acusando Deus de não ser qualificado para se sentar no trono. Que audácia! Quem somos nós para dizer como Deus deve governar? Eliú é um instrumento de Deus para trazer arrependimento a Jó. Jó um crente verdadeiro. Mas às vezes, crentes verdadeiros, no meio da tribulação, pensam e falam coisas falsas sobre Deus. Mas Deus não vai deixar Satanás levar Jó para o lado dele. Assim como Jesus disse para Pedro: Simão, Simão, eis que Satanás pediu para peneirar vocês como trigo! (Lucas 22:31). Sacudir violentamente como é feito com o trigo (Bíblia de Estudo NAA, 1888). Mas Jesus continuou: Eu, porém, orei por você, para que a sua fé não desfaleça (Lucas 22:32). Jesus não vai deixar sua fé desfalecer—morrer. Você pode ser sacudido, crente, como Jó e como Pedro. A terra do pecado que estava no fundo do seu coração pode sujar sua santidade, como aconteceu com Pedro, que negou o Senhor 3 vezes, e como está acontecendo com Jó, que disse coisas absurdas contra Deus. Mas Jesus não vai deixar Satanás arrancar vocês das mãos dele. No final, Jesus sempre vence. Como é bom saber o resultado final! Você luta pela sua fé, sabendo que ela não vai desfalecer. O mesmo Jesus que orou por Pedro é o Jesus que ora por nós—que intercede por nós, que vai fazer o que for necessário para que você ande em arrependimento e fé até o fim. É essa obra da graça que Jó está experimentando e todos nós, crentes incompletos com fé incompleta, experimentamos. Jó está ouvindo tudo o que Eliú está falando. Ele não interrompe. Ele não se justifica. Mas ele ainda não chegou no lugar que Deus quer trazer Jó: aquele lugar de humilhação santa onde o pecado se torna a pior coisa do mundo e a graça de Deus é melhor do que a vida. Eliú não terminou com Jó porque Deus não terminou ainda de lidar com Jó. CAPÍTULO 35: TERCEIRO DISCURSO Nesse terceiro discurso, Eliú pula o apelo inicial de “escutem-me!”. Ele vai direto para a: 1. ALEGAÇÃO DE JÓ (35:1-3) [1] Eliú disse ainda: [2] “Você acha que é justo dizer: ‘A minha justiça é maior do que a de Deus’? Eliú é um repórter fiel. Ele não está inventando nada. Jó realmente falou com Deus como se ele fosse mais justo do que Deus. É um enorme atrevimento, mas Jó disse. O versículo 3 também reflete as palavras de Jó: [3] Porque você diz: ‘De que me serviria ela? Que proveito tenho, se eu não pecar?’ Não adianta nada temer a Deus e ser piedoso se, no final, olha o que acontece! Olha esse sofrimento! Olhe o que Deus fez comigo! Não é que Jó prefere pecar do que ser santo (Talbert, 184). É que Jó sente que Deus não está tratando a ele com a justiça e a bondade que ele espera de um Deus que se diz justo e bom. Eu confio em Deus e vivo para ele, e olha o sofrimento terrível que ele traz na minha vida! Existem resquícios de incredulidade no coração de Jó (e no nosso) que Deus precisa tratar. Eliú cita a alegação de Jó contra Deus. Agora vem a refutação de Eliú contra Jó: 2. REFUTAÇÃO DE ELIÚ (35:4-13) [4] Eu darei a resposta a você e aos seus amigos também. Eles estão na porta da cidade, ao ar livre. Jó está ali. Os amigos de Jó também. E provavelmente outras pessoas ouvindo. Eliú aponta para cima e diz: 2.1 A TRANSCENDÊNCIA DE DEUS E AS AÇÕES DOS HOMENS (35:4-8) [5] Olhe para o céu [onde Deus habita] e veja; contemple as altas nuvens acima de você. [6] Se você peca, que mal causa a Deus? Se as suas transgressões se multiplicam, que prejuízo isso poderia trazer a ele? [7] Se você é justo, o que está dando a ele ou o que ele recebe da sua mão? Eliú está usando mais um atributo de Deus. Deus é transcendente (Talbert, 183). Não tem nada que aconteça na terra que possa fazer Deus ser mais Deus ou tornar Deus menos Deus. Deus é imutável—ele não aumenta nem diminui. O Criador não depende de nada na criação. Ele transcende o universo. Nesse sentido: • Versículo 6 (do lado negativo), os pecados que as pessoas cometem não causam prejuízo a Deus. As pessoas podem roubar, matar, blasfemar e fazer o que quiserem, Deus permanece intacto em sua glória. Sem nenhum prejuízo. • Versículo 7 (do lado positivo), nosso bom comportamento, nossas boas obras, não deixam Deus mais rico ou maior. Ele já é infinitamente perfeito. Ele não está precisando de nada para se tornar melhor. Ele é Deus. Por isso, o versículo 8 é o resumo e a conclusão: [8] A sua impiedade só pode fazer mal ao homem; e a sua justiça só pode dar proveito ao filho do homem. Nós somos afetados se nós pecamos ou vivemos em piedade. As pessoas a nossa volta são afetadas—muito afetadas—se nós pecamos ou amamos. Mas nosso pecado não pode danificar o ser de Deus e nossas obras não podem comprar Deus para colocá-lo em dívida conosco. • Isso não significa que Deus não se importe em como nós vivamos. • Também não significa que nossas atitudes não afetem nosso relacionamento com Deus. O ponto de Eliú—e da boa teologia—é dizer que Deus está acima da criação e nada nesse mundo pode retirar ou acrescentar alguma coisa a divindade de Deus. Nenhum de nós pode dizer para Deus: “Eu vou me comportar bem para o Senhor me dar o que eu tanto quero”, como um pai promete um envelope do álbum da copa no final do dia se o filho obedecer. Com Deus, não é assim. Ele é o Criador exaltado, nós somos as criaturas. O que Eliú está fazendo aqui é colocando Jó de volta no lugar dele. Eliú está basicamente dizendo: “Jó, não é você que está no trono, meu irmão. É ele. Nós estamos aqui embaixo. Ele está lá em cima”. Às vezes, é o que nós mais precisamos. Querer disputar o trono com Deus nunca dá certo—nunca nos dá paz e é sempre pecado. Depois de lidar com as nossas ações, Eliú agora vai lidar com as nossas orações. Depois de dizer que Deus é transcendente e não tem obrigação de responder às nossas ações como nós queremos, Eliú vai falar que Deus é justo e não tem obrigação de responder às nossas orações quando elas não são feitas da maneira correta. Eliú agora vai refutar a alegação de Jó—de que não adianta viver em santidade porque Deus não responde—falando da: 2.2 A JUSTIÇA DE DEUS E AS ORAÇÕES DOS HOMENS (35:9-13) [9] “Por causa das muitas opressões, as pessoas clamam; clamam por socorro contra o braço dos poderosos. Essa é a situação que Eliú está criando em nossa mente: uma pessoa que está sendo oprimida e clamando por socorro. Deus é cheio de misericórdia e salva aqueles que vão até a ele com fé. Mas o que Eliú quer que Jó e nós entendamos é que Deus não tem nenhuma obrigação de responder a um clamor se essa pessoa se aproxima dele errado, só porque ela está sofrendo. Aqueles que estão sofrendo clamam, mas... [10] Mas ninguém diz: ‘Onde está Deus, que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite, [11] que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?’ Muitos clamam, pedem ajuda a Deus, mas não reconhecem quem Deus é—que é ele quem nos faz mais sábios que o restante da criação (sejam animais na terra ou aves no céu). Muitas pessoas clamam a Deus, mas elas realmente não se importam com Deus. Elas querem o conforto, mas não querem o Deus Confortador (Talbert, 186). Essa pergunta do versículo 10 não é uma pergunta para adquirir informação: “Onde está Deus?”. É uma pergunta para adquirir comunhão—relacionamento. “Onde está o meu Deus, que me fez—eu quero a presença dele?”. Querer as benção de Deus sem querer Deus é ofensivo a Deus. [12] Clamam, porém ele não responde, Agora é a causa do silêncio de Deus: [12] (...) por causa da arrogância dos maus. [13] Só gritos vazios Deus não ouvirá; o Todo-Poderoso não lhes dará atenção.” Eliú termina aplicando e apelando a Jó. 3. APELO DE ELIÚ PARA JÓ (35:14-16) [14] “Jó, ainda que você diga que não o vê, a sua causa está diante dele; por isso, espere em Deus. [15] Mas agora, porque Deus na sua ira não está punindo, nem fazendo muito caso das transgressões, [16] você abre a sua boca com palavras vazias, amontoando frases sem sabedoria.” Eliú está chamando Jó a não ir até Deus irritado, mas sim, quebrantado. Enquanto Jó (ou nós) nos aproximamos de Deus com arrogância, ele não deve esperar que Deus responderá. Deus é um Deus que ouve orações! Ele é! Salmo 65:2—Ó tu que escutas a oração, a ti virão todas as pessoas. 1João 5:14—E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. Jeremias 29:12—Então vocês me invocarão, se aproximarão de mim em oração, e eu os ouvirei. Deus ouve orações. O que Eliú está dizendo é que existe uma diferença gigante entre o clamor de um coração humilde e o gritos vazios de um espírito arrogante—exigindo que Deus faça alguma coisa. Quem está no trono é ele, não nós. Deus está tirando Jó do caminho do orgulho. As palavras de Eliú não são macias, mas elas são necessárias. Provérbios 27:5-6—Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama... São palavras que ferem para nos curar. Elas são feitas por quem ama. Às vezes, é o que nós precisamos para voltarmos a termos alegria e descanso no Senhor. CONCLUSÃO Em muitos aspectos, Jó é um exemplo para nós: • Ele não abandonou Deus, mesmo diante de tanta dor. • Ele não desistiu de buscar o Senhor, mesmo diante da aparente demora do Senhor em responder. Em alguns aspectos, Jó aponta para Jesus: • Como aquele que depois de humilhado será exaltado. • Como o sofredor inocente que é vindicado—reconhecido com um adorador verdadeiro. Mas em um aspecto muito importante, Jó é diferente de Jesus. Em nosso sofrimento, quando o tanque do nosso coração é sacudido, a terra do pecado que estava no fundo sobe e nós precisamos da obra do Espírito para nos purificar—para retirar os resquícios de pecados que restam em nós. É o que Jó precisa. Mas Jesus, no sofrimento dele, não precisou de nenhuma purificação. O tanque do coração de Jesus foi sacudido com mais força do que o coração de Jó e qualquer outro ser humano na história. Até a terra tremeu de tão forte que foi a sacudida que Deus submeteu Jesus na cruz. Mas mesmo ali, na cruz, na maior provação que um homem já passou, tendo seu coração sacudido com toda a força da mão de Deus, a única coisa que nós vemos no coração de Jesus é pureza. Pureza, pureza, pureza. Não existe nenhuma camada da terra do pecado no fundo. Jesus é completamente cheio da santidade de Deus. • Por causa dele, nós podemos ser salvos da nossa arrogância e zombaria. • Por causa dele, nossas orações são ouvidas. • Por causa dele, nós somos perdoados e purificados. • Por causa do sofrimento dele, um dia nós nunca mais sofreremos. • Por causa da morte dele, nós viveremos com ele, o Rei da Glória, em um mundo de perfeita justiça e amor. Que o Espírito Santo nos aquiete, nos acalme, nos conforte e nos cure porque ele é Deus. Ele é perfeitamente qualificado para o trono. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_7b95a995e8594ea38afa3f724639a833~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
14 de Junho de 2026 – IBJM
Ninguém esperava por isso. Só Deus para fazer uma coisa dessas. Jó e seus 3 amigos—Elifaz, Bildade e Zofar—ficaram discutindo por 29 capítulos: • Os amigos de Jó bateram nele sem parar com palavras: “Jó, Deus é justo. Você está sofrendo desse jeito porque você pecou contra o Senhor. Abandone seu pecado e seja abençoado!”. • E Jó insistindo: “Não, não e não. Eu não pequei contra o Senhor para sofrer desse jeito. Deus não está sendo justo em me tratar assim!”. A discussão foi esquentando, esquentando, até que ela chegou a uma temperatura insuportável de se tolerar. Volte para o final do capítulo anterior. Esse foi o ápice da revolta de Jó com Deus: Jó 31:35—Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! E o capítulo 31 termina com as sóbrias palavras (final do versículo 40): Jó 31:40—(...) Fim das palavras de Jó. Mas em vez de Deus se levantar e repreender Jó por ter dito coisas absurdas contra ele. Em vez de ter um versículo 41 dizendo: “E por Jó ter acusado Deus dessa maneira, Deus matou Jó”. Deus nos surpreende. Jó 32:[1] Aqueles três homens pararam de responder a Jó, porque ele se considerava justo. [2] Então se acendeu a ira de Eliú... Ah!? “Eliú” quem? Eliú? Quem é esse homem? De onde ele surgiu? Em vez de Deus falar ou julgar, Deus envia um homem para preparar Jó para se encontrar com Deus. Deus é quem dita os termos. Nós vimos isso no início do livro. Foi Deus quem trouxe o nome de Jó para a conversa celestial com Satanás e os anjos. Foi Deus quem terminou o que Satanás podia e não podia fazer. Ele é soberano. Deus é incontrolável no sentido mais divino da palavra. Ninguém pode forçar Deus a fazer o que ele não quer fazer. E ninguém pode impedir Deus de fazer o que ele quer. Deus é Deus. E esse Deus Soberano e Todo-Poderoso é também um Deus de graça e amor. Ele é o Deus que perdoa você. Ele é o Deus que salva você. É esse Deus que Eliú irá mostrar para Jó e para nós hoje. Um Deus que nos surpreende. Um Deus cheio de mistério e misericórdia. Um Deus implacavelmente justo e imensamente gracioso. Eliú, esse quarto amigo de Jó, tem 4 discursos. Veja comigo: O primeiro discurso está nos capítulos 32 e 33. Jó 34:1—Eliú disse mais: Jó 35:1—Eliú disse ainda: Jó 36:1—Eliú seguiu falando e disse: Eliú emenda 4 discursos sem ninguém interromper—nem Jó, nem os amigos de Jó. Pelo jeito, Eliú tem bastante coisa a dizer. E ele quer porque quer ser ouvido. Mas antes de Eliú abrir a boca, o autor do livro de Jó abre o capítulo nos apresentando quem é esse homem chamado Eliú. APRESENTAÇÃO DE ELIÚ (32:1-5) [1] Aqueles três homens pararam de responder a Jó, porque ele se considerava justo. [2] Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. Ele ficou indignado [irado] contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus. [3] Eliú também ficou irado com os três amigos de Jó, porque, mesmo não tendo o que responder, eles o condenavam. [4] Eliú, porém, havia esperado para falar a Jó, pois os outros eram mais velhos do que ele. [5] Quando Eliú viu que aqueles três homens já não tinham o que responder, ficou irado. Existem 3 palavras chaves nessa apresentação de Eliú que funcionam como sinais (como placas de trânsito) que o autor está nos dando para guiar (dirigir) em nossa interpretação do livro de Jó. 3 palavras-chaves: A PRIMEIRA É RESPONDER. • No versículo 1, ele diz que os 3 homens pararam de responder. • No versículo 3, ele diz que os 3 amigos de Jó não tinham o que responder. • No versículo 5, ele diz que os 3 homens não tinham o que responder. A mensagem é: alguém precisa responder a Jó. Jó disse coisas sérias e graves contra Deus. Vocês, amigos de Jó, não conseguiram respondê-lo. [11] “Eis que esperei que vocês falassem e dei ouvidos às suas considerações, enquanto, quem sabe, buscavam o que dizer. [12] Dei atenção ao que diziam, mas nenhum de vocês conseguiu refutar Jó, nem responder aos seus argumentos. (...) [15] “Jó, os três estão pasmados, já não respondem, faltam-lhes as palavras. [16] Será que devo esperar, pois não falam, estão parados e nada mais respondem? [17] Também eu de minha parte vou responder e darei a minha opinião. Elifaz, Bildade e Zofar não conseguiram responder a Jó. Eliú está dizendo: agora é a minha vez. “Darei a minha opinião”. A SEGUNDA PALAVRA-CHAVE É IRA. Ela aparece 4 vezes nesses 5 versículos. O autor quer fixar isso em nossa mente. Eliú está irado. • Eliú está irado com Jó porque Jó pretende ser mais justo que Deus (versículo 2). • E (versículo 3) Eliú está irado com os amigos de Jó, porque eles condenam a Jó sem ter o que responder e (versículo 5) porque eles não só condenavam, mas ficaram sem saber como responder a Jó. Eliú está irado. Eu vou comentar mais sobre a ira de Eliú daqui a pouco. A TERCEIRA PALAVRA-CHAVE É JUSTO. • No versículo 1, ele fala que Jó se considerava justo. • E no final do versículo 2, ele fala que Jó se considerava mais justo do que Deus. A justiça de Deus é um dos temas centrais do livro de Jó—e da nossa vida. Uma das nossas reações mais comuns no sofrimento é questionar a justiça de Deus. • Você pode confiar em Deus mesmo quando seus planos são destruídos, seus sonhos evaporam, sua vida vira de cabeça para baixo e o mundo parece mergulhar na maldade e Deus aparentemente não faz nada? • Deus é ou não é justo? Essa é uma das lições que Deus quer nos ensinar com o livro de Jó. Como ver quem Deus é quando ele torna nossa vida difícil—às vezes, muito difícil. E Eliú é um instrumento nas mãos de Deus para nos mostrar quem é o nosso Deus. ELIÚ: BOM OU MAU? Quem é esse Eliú? Ele é do bem ou ele é do mal? Parecem existir mais opiniões sobre Eliú do que areia da praia do mar: • Alguns entendem que ele é um jovem nervosinho e arrogante que sabe menos do que ele pensa. Um tagarela que basicamente repete os mesmos argumentos de Elifaz, Bildade e Zofar, e até pior. • Outro veem Eliú como alguém que está no meio do caminho—às vezes ele está certo, às vezes errado. • E no outro espectro, alguns veem Eliú de forma positiva—alguém que tem razão no que está falando e deve ser ouvido por Jó e por nós. Como entender Eliú? Essa não é a decisão mais fácil do mundo, mas eu estou convencido de que a resposta certa é a última alternativa: Eliú é do bem. Nós devemos ver Eliú como um mensageiro enviado por Deus. Eliú fala como um profeta—um verdadeiro profeta. Eliú é como um João Batista preparando o caminho para a chegada do Rei—a entrada de Deus no capítulo 38. Eliú estende o tapete vermelho e prepara o coração de Jó e o nosso para Deus entrar na história e falar. Vou listar rapidamente algumas razões para ouvirmos Eliú de forma positiva: Primeiro, Deus não corrige Eliú no final do livro. Deus diz no final do livro que está irado com Elifaz, Bildade e Zofar, mas ele não inclui Eliú (Jó 42:7). Seria muito estranho Eliú ter falado um monte de besteira como os amigos de Jó e Deus não falar nada. Segundo, Eliú fala mais vezes que os amigos de Jó. Eliú fala 4 vezes. Os amigos de Jó falam 3. Seria estranho o autor do livro de Jó, chegando perto do fim, dar mais espaço para Eliú do que para os outros amigos só para Eliú repetir os argumentos ruins dos amigos. Terceiro, Eliú é o único que tem um nome hebraico e uma genealogia. Essa é uma maneira do autor nos mostrar a importância desse homem chamado Eliú. [2] Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. Existe um Rão na Bíblia. Ele parece no livro de Rute. Ele foi tataravô de Boaz, que por sua vez foi Bisavô do Rei Davi. Uma genealogia de peso. Até o nome de Eliú tem peso de glória. Eliú significa: “Ele é o meu Deus!”. Que é o título desse sermão e, eu diria, é um resumo de todo argumento de Eliú nesses 6 capítulos—do 32 ao 37. Eliú está defendendo o Deus dele e o seu Deus! Quarto, os argumentos de Eliú são diferentes dos argumentos do amigos. Eliú não é um papagaio, copiando o que Elifaz, Bildade e Zofar falaram. Na verdade, Eliú muda radicalmente a direção da discussão. Ouçam o que Eliú fala com os amigos de Jó: [14] Ora, ele [Jó] não me dirigiu palavra alguma, e eu não lhe responderei com as palavras que vocês [Elifaz, Bildade e Zofar] usaram. Eliú está falando a verdade. Ele não vai repetir os mesmos argumentos furados. Eliú está absolutamente convencido de que (1) os amigos de Jó estão errados em acusar Jó e (2) Jó está errado em acusar Deus. Eliú apresentar, com um autor cristão disse, “uma terceira perspectiva revolucionária: o sofrimento não está necessariamente ligado à justiça de Deus” (Talbert, Beyond Suffering, 170). Não existe essa ligação sempre entre seu sofrimento e seu pecado. A questão é como nós respondemos ao sofrimento que um Deus justo envia ou permite em nossa vida. Eliú é o primeiro a perceber o real problema na vida de Jó: não os supostos pecados que Jó cometeu antes das calamidades, mas as palavras pecaminosas de Jó depois das calamidades. Pronto! Finalmente as perguntas de Jó serão respondidas. Ou pelo menos algumas delas. “Eliú começa a responder. E Deus vai completar” (Ash, Job, 326). Mas Deus costuma nos surpreender. Nem sempre ele responde como esperamos. Um último comentário, sobre a ira de Eliú, antes de ouvir as palavras dele. SOBRE A IRA DE ELIÚ Se tem uma coisa que o autor de Jó quer que saibamos é que Eliú está muito irado: 4 vezes em 5 versículos—irado, irado, irado, irado. Como entender essa ira de Eliú? É difícil lidar com esse assunto porque a ira humana é sempre perigosa e, geralmente, pecaminosa. Tiago nos alerta dizendo que “a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:20). Quase sempre, quando ficamos irados, é porque a nossa vontade não é feita. Nós ficamos nervosos porque as pessoas não fazem o que nós queremos ou porque elas não concordam com o nosso ponto de vista “brilhante” ou simplesmente porque a vida não é do jeito que nós gostaríamos. Ira é uma obra da carne em Gálatas 5. No coração humano, a ira é quase sempre pecaminosa. Mas nem sempre. Paulo fala, em Efésios 4, fiquem irados e não pequem (Efésios 4:26). E nós vemos essa ira boa se manifestando nos profetas, nos apóstolos e especialmente e perfeitamente em Jesus. • Em Mateus 23, Jesus chama os fariseus várias vezes de hipócritas e em João 8 de “filhos do diabo”. • Em Marcos 3, Jesus fica indignado com a dureza de coração dos judeus em não querer que um homem com a mão ressequida fosse curado porque era sábado. • E quando Jesus entra no templo e vê aquela feira, aquela baderna na Casa de Oração, Jesus fica irado. Ele faz um chicote, espalha das moedas, vira as mesas e expulsa todo mundo. Assim como existe um temor bom (o temor do Senhor) e um temor ruim (medo e falta de confiança no Senhor), existe a ira santa e a ira pecaminosa. Que tipo de ira Eliú está experimentando? Pelo texto, pelo que o autor de Jó nos conta no início desse capítulo e no final do livro, Eliú está experimentando a ira certa—essa indignação santa de ver o nome de Deus sendo desonrado. Eliú não está tendo um ataque de fúria porque a vontade dele não é feita. Ele está piedosamente revoltado porque Deus não está sendo glorificado. As razões que o autor dá para Eliú estar irado são boas: • Jó está acusando Deus de ser injusto. Jó está dizendo que o Rei do Universo não está governando direito. Isso é grave, bem grave. • E os amigos de Jó estão falando coisas absurdas em nome de Deus—agindo como falsos mestres. A GLÓRIA DA IRA Aqui, me parece, está a chave para entender quando a nossa ira é justificada e quando não é: a ira correta (santa) é a ira centrada na glória de Deus. É uma indignação porque o nome santo de Deus está sendo blasfemado e a vontade de Deus (revelada na Palavra) está sendo atacada. • Quando nós ouvimos sobre a prática do aborto—o assassinato de crianças no ventre das mães, nós devemos ficar irados. • Quando nós ouvimos sobre pessoas sendo abusadas e maltratadas e traficadas, nós não devemos ficar indiferentes. Nós devemos ficar irados. • Quando nós ouvimos pessoas debochando da Palavra de Deus e do nome de Jesus, nosso coração não deve ficar parado. Nós devemos ficar irados. A chave para experimentarmos a ira santa é ter o nosso foco, não em nós mesmos, mas em Deus e temperar nossa indignação com compaixão. O que deixou Eliú desse jeito—irado—foi ouvir a honra de Deus ser atacada por muito tempo. Eliú é um defensor da glória de Deus. Nisso, ele é um exemplo para nós. Povo de Deus, tem tanta coisa que sacode o nosso coração. Tem tantas coisas que nos deixam agitados: política, economia, tecnologia... Copa do Mundo! Que nossa maior paixão seja ver o nome do nosso Deus sendo exaltado e o conhecimento da glória dele enchendo a terra como as águas enchem o mar. Esses 5 primeiros versículos são fundamentais para interpretarmos os discursos de Eliú. Chegou a hora de ouvirmos esse jovem cheio de fervor e amor por Deus. Depois da apresentação de Eliú, vem o apelo de Eliú. 1. APELO: ESCUTEM! (32:6-33:7) Ele começa com a razão de ele ter ficado quieto até agora: RAZÃO PARA O SILÊNCIO: EU SOU MAIS NOVO [6] Então Eliú, filho de Baraquel, o buzita, tomou a palavra e disse: “Eu sou de menos idade, e vocês são idosos. Por isso, tive receio e fiquei com medo de dar a minha opinião. [7] Pensei assim: ‘Que falem os que têm mais idade, e que a multidão dos anos ensine a sabedoria.’ Eliú foi humilde. Ele agiu corretamente. Ele não interrompeu. Ele esperou e ouviu os mais velhos (cf. v.4). Crianças e jovens da IBJM, ouçam os mais velhos. Peçam a opinião deles. Antes de tomar decisões importantes, perguntem o que seus pais pensam, especialmente se eles são cristãos. É bem provável que eles tenham razão. Perguntem o que homens e mulheres sábios pensam. Peça a opinião de pessoas mais velhas na igreja. Geralmente, com as rugas e os pés de galinha e o bigode chinês e os cabelos brancos (ou a falta de cabelo), vem a sabedoria. Geralmente. Mas nem sempre. Eliú faz um comentário sábio sobre a sabedoria: RAZÃO #1: A SABEDORIA VEM DE DEUS, NÃO DO TEMPO [8] Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso lhe dá entendimento. Deus é quem dá entendimento e sabedoria! [9] Os de mais idade não são os sábios, nem são os velhos os que entendem o que é reto. [10] Por isso digo: Escutem o que vou dizer, e também eu darei a minha opinião.” Esse é o apelo de Eliú: “Escutem o que vou dizer!” Por que nós devemos escutar você, Eliú? Você é mais novo, o que você tem a oferecer que Elifaz, Bildade e Zofar não tem? Resposta: a sabedoria que vem de Deus. Eu falei antes com as crianças e jovens da IBJM. Agora eu quero falar com você, homens e mulheres mais velhos. Nós que fazemos parte do grupo dos de mais idade—mais experiência. DEUS, NÃO O TEMPO Idade não é fonte de sabedoria. Deus é a fonte de sabedoria. Eliú está certo. Foi exatamente isso que nós vimos naquela poesia de amor à sabedoria no capítulo 28. É o sopro do Todo-Poderoso—a Palavra de Deus—que dá sabedoria. Isso significa que o tempo por si só não me deixa mais sábio. O tempo com Deus, na Palavra, em oração, com o povo de Deus, sim, isso me deixa mais sábio. Mas o tempo sozinho, não. Por isso, nós mais velhos, sejamos humildes e aprendamos com os mais jovens também. Ter menos idade não é necessariamente sinal de menos sabedoria, como fica claro no caso de Eliú, que é mais sábio que os 3 amigos de Jó. Crianças e jovens, aqui vai um encorajamento para vocês: • Vocês não precisam esperar sua pele enrugar para ter sabedoria. • Vocês não precisam esperar ficar velho para ser sábio. Coma as palavras desse livro todos os dias da sua vida. Beba os provérbios. Ore os salmos. Estude as cartas. Medite nas narrativas. Memorize versículos. E vocês serão jovens e sábios, como Eliú. Daniel e seus 3 amigos tinham por volta de 14 anos quando foram exilados na Babilônia. E que jovens cheios de sabedoria! A igreja e esse mundo precisam desesperadamente de jovens que não ficam desperdiçando sua vida com coisa inúteis, mas que se dediquem a viver para Cristo. A SABEDORIA DA CRUZ Essa vida de sabedoria começa na mensagem da cruz dele: 1Coríntios 1:21—Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, Deus achou por bem salvar os que creem por meio da loucura da pregação. Essa vida de sabedoria começa quando você crê na loucura da pregação. Loucura para o mundo. Para nós, Cristo crucificado é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Você confessa sua tolice a Deus. Confia que o Senhor Jesus foi morto pelas nossas tolices. E se revista da sabedoria que ele oferece na Palavra. Eliú vai mudar a direção da discussão. E a direção será bem mais centrada em Deus porque a fonte da sabedoria de Eliú não é a cultura desse mundo ou que as pessoas pensam, mas o que Deus pensa sobre a cultura e as pessoas e o sofrimento e a justiça e o pecado e a fé e o amor. RAZÃO #1PARA OUVIRMOS O JOVEM ELIÚ: A SABEDORIA VEM DE DEUS, NÃO DO TEMPO. RAZÃO #2: ELIÚ VAI EXPLODIR Parece que Eliú vai morrer se ele não falar. Sabe quando você quer muito contar alguma coisa para alguém? Você esperou, esperou, esperou e agora você não aguenta mais esperar—você sente que vai explodir se não falar. Esse é Eliú: [18] Porque tenho muito que falar, e o meu espírito me constrange. [19] Eis que dentro de mim sou como o vinho, sem respiradouro, como odres novos, prestes a arrebentar. [20] Permitam, pois, que eu fale para poder desabafar; abrirei os lábios e responderei. Povo de Deus, que nós sejamos como o vinho em odres novos, sem respiradouro, com o evangelho da graça fermentando, borbulhando, dentro de nós, prestes a nos arrebentar, se nós não falarmos de Jesus para as pessoas. Mas nem sempre parece que é o que queremos fazer. O profeta Jeremias passou por uma crise. Ele pregava só para ser ignorado. Sendo zombado o tempo todo. Até que ele cansou e disse: “Não me lembrarei mais de [Deus] e não falarei mais em seu nome” (Jeremias 20:8). Ele pensou: “Chega! Eu estou cansado de pregar e ninguém ouvir. A partir de agora eu vou ficar quieto. Acabou”. Nós entendemos essa tentação. Talvez você esteja ouvindo isso e se identificando: “Antigamente eu falava mais do Senhor. Antigamente eu evangeliza mais. Parece que aquele primeiro amor esfriou”. Que aconteça conosco hoje o que aconteceu com Jeremias logo depois que ele disse que não ia mais falar de Deus. Ele disse: “Eu não vou mais falar de Deus. Chega!”. Não deu certo! O Espírito Santo acabou com os planos de silêncio dele: Jeremias 20:9—Quando pensei: “Não me lembrarei dele e não falarei mais em seu nome”, então isso se tornou em meu coração como um fogo, encerrado nos meus ossos. Como Jeremias e como Eliú, que o Senhor nos incomode até o ponto que seja impossível ficarmos com a boca fechada. Que a mensagem maravilhosa de um Salvador maravilhoso borbulhe dentro de nós até arrebentar e sair pela nossa boca. Cristo crucificado é a sabedoria de Deus e o poder de Deus para salvar um mundo morto em seus pecados. E Deus salva. Com poder. De graça. Pela fé. Para a glória dele. Meu irmão, minha irmã, vamos abrir a nossa boca—para orar e proclamar. Que o Senhor perdoe nossa apatia. E que Senhor faça nosso coração fervilhar de amor pelo Senhor e pelas pessoas. Eliú tem mais 3 razões para ser ouvido: No versículo 21, ele promete ser imparcial: RAZÃO #3: EU SEREI IMPARCIAL [21] Não tratarei nenhum de vocês com parcialidade e não vou lisonjear ninguém. [22] Porque não sei lisonjear; se assim fizesse, em breve me levaria o meu Criador. No versículo 3 (entrando no capítulo 33), ele promete ser verdadeiro: RAZÃO #4: EU SERERAZÃO #4: EU SEREI VERDADEIROI VERDADEIRO [3] Os meus argumentos provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber. [4] O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida. E no versículo 6 e 7, ele promete não ser pesado (como os amigos de Jó foram): RAZÃO #5: EU NÃO SEREI PESADO [6] Eis que diante de Deus sou igual a você; também eu fui formado do barro. [7] Por isso, não tenha medo de mim; a minha mão não será pesada sobre você. Você pega uma seringa, coleta o sangue de Eliú em um frasco e mede a temperatura, o sangue de Eliú está fervendo (borbulhando) pela glória de Deus. • Ele fala que será imparcial por causa do Criador dele (último versículo do capítulo 32). • Ele fala que será verdadeiro porque o Espírito de Deus que dá vida a ele (33:4). • E ele fala que não será pesado porque ele é igual a qualquer pessoa diante de Deus, ele é formado do barro como nós (33:6). Eliú quer ajudar Jó a entender que Deus é maior e melhor do que ele imagina. Não é isso o que nós mais precisamos nessa vida? Entender que Deus é maior e eu posso confiar nele, mesmo quando eu não entendo tudo. Que Deus é melhor do que o pecado, sempre, e que eu devo fazer a vontade do Espírito e não a da carne. • Você que tem lutado para lidar com frustrações na sua vida, como Jó. • Você que tem sido acusado injustamente e está cansado, como Jó. • Se as coisas não estão saindo do jeito que você esperava, como Jó. • Se sua provação está levando mais tempo do que você acha razoável, como Jó. Então você precisa ouvir esse profeta de Deus chamado Eliú. Deus ama Jó. E Deus ama você, crente. E por isso ele envia Eliús em nossa vida para nos lembrar que ele é bom. Eliú irá começar a responder as perguntas que fazemos quando sofremos. A estrutura que Eliú segue para lidar com Jó é a seguinte: 1. Apelo (que nós vimos até aqui). 2. Ele cita a alegação de Jó—que tipo de acusação Jó está fazendo contra Deus. 3. Eliú refuta (corrige) o pensamento de Jó. 4. E por último, outro apelo: Eliú chama Jó (e nós) a respondermos com fé. Apelo. Alegação. Refutação. Apelo, de novo. 2. ALEGAÇÃO DE JÓ (33:8-11) [8] Na verdade, você [Jó] falou diante de mim; eu ouvi o som das suas palavras, dizendo: [o que Jó disse?] [9] ‘Estou limpo, sem transgressão; sou puro e não tenho iniquidade. [10] Eis que Deus procura [ou inventa] pretextos contra mim e me considera seu inimigo. [11] Prendeu os meus pés com correntes e observa todas as minhas veredas.’ É verdade. Foi o que Jó disse. Várias vezes. Jó insiste que ele é inocente e que Deus está tratando-o como um inimigo. Vou dar um exemplo. Jó falando com Deus: Jó, capítulo 13—Quantas culpas e pecados tenho eu? Mostra-me a minha transgressão e o meu pecado. Por que escondes o teu rosto e me consideras teu inimigo? Também prendes os meus pés com correntes, observas todos os meus caminhos e traças limites à planta dos meus pés (vv. 23-24,27). A implicação das palavras de Jó é que Deus está sendo injusto em tratar Jó desse jeito. Agora vem a: 3. REFUTAÇÃO DE ELIÚ (33:12-30) [12] “Devo lhe dizer que nisto você [Jó] não tem razão; porque Deus é maior do que o homem. Eliú está dizendo: “Jó, você está errado”. Os amigos de Jó também acham que Jó está errado. Mas aqui está a diferença—a grande diferença! Eliú não vai dizer que Jó tem pecados escondidos e por isso está sofrendo. Eliú vai dizer que Jó está pecando com as palavras na maneira como ele está lidando com Deus durante o sofrimento. Eliú irá mostrar para Jó que Deus é maior. Para nós entendermos melhor o argumento de Eliú a partir de agora, nós precisamos lidar com a última frase do versículo 13. [13] Por que você [Jó] discute com ele [Deus], afirmando que ele não presta contas de nenhum dos seus atos? A NAA diz (mais literalmente) que “Deus não responde [não presta contas] das suas palavras [ou atos]?”. Uma outra possível tradução para o versículo 13 é o que a NVI faz: [13] Por que você [Jó] discute com ele [Deus], afirmando que ele [Deus] “não responde às palavras dos homens”? [não as palavras de Deus]. No contexto, essa tradução faz mais sentido. Porque agora Eliú irá defender a Deus mostrando que Deus fala com os homens, sim. Nós é que muitas vezes não ouvimos como deveríamos. Jó fala: “Deus não responde às nossas palavras”. Eliú responde: [14] Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso. Eliú irá corrigir os pensamentos de Jó sobre Deus provando que o nosso Deus é um Deus que fala. O seu Deus, crente, é um Deus Comunicador. Eliú irá defender Deus falando de duas maneiras em que o seu Deus fala com você: 3.1 SEU DEUS FALA ATRAVÉS DE REVELAÇÃO (33:15-18) COMO? [15] Em sonho ou em visão de noite, quando o sono profundo cai sobre as pessoas, quando adormecem na cama, [16] então lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução... Que Deus usou sonhos e visões para falar ao seu povo é bíblico. A Bíblia está cheia de exemplos. Deus falou através de sonho com Abraão, com José, com Daniel. Deus deu visões para Isaías e João. Deus usou sonhos e visões muitas vezes ao longo da história de redenção. Mas para aplicarmos corretamente essa passagem à nós hoje, nós precisamos passar por Jesus e a nova aliança—o tempo em que vivemos na história da redenção. O livro de Hebreus começa dizendo: Antigamente, Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o universo (Hebreus 1:1-2). A maneira como Deus fala ao seu povo hoje é através das palavras do Filho registradas nesse livro. O ponto principal do argumento de Eliú não são os sonhos e ou as visões em si, mas o fato de que Deus fala. Você senta com o seu coração aflito e espírito quebrantado. Esse livro é aberto—na sua casa, na igreja, no trabalho, na prisão, onde você estiver—e Deus fala. E Deus fala com um propósito específico. Um propósito que Jó não está considerando como deveria. PARA QUÊ? [17] para afastar o ser humano dos seus planos e livrá-lo do orgulho [ou seja, para a santificação]; [18] para guardar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada [ou seja, para a salvação]. O propósito de Deus em falar conosco não é simplesmente transferir informação. O propósito de Deus é a nossa salvação, nossa santificação, nossa transformação. Deus não fica satisfeito em ver o pecado escravizando você. Deus não irá desistir enquanto a imagem do Filho dele não estiver formada em você, crente. Deus tem o desejo santo de ver o nome dele sendo glorificado em nós—e isso acontece quando nós confiamos e obedecemos a Deus e andamos na luz como Jesus andou. Quando esse livro é aberto, nossa oração (com expectativa) deve ser: “Senhor, me livra do meu orgulho (v. 17). Senhor, me salva (v. 18). Senhor, me dá arrependimento verdadeiro e fé profunda e zelo pela tua glória e amor pelas pessoas e alegria no Senhor”. • No tempo dos patriarcas e profetas, Deus usou sonhos e visões para se revelar. • Agora, no tempo do Filho, Deus usou, está usando e irá usar a palavra de Cristo—a palavra revelada. Esse é o primeiro modo em que Deus fala: através de revelação. Segundo modo: 3.2 SEU DEUS FALA ATRAVÉS DA DOR (33:19-28) COMO? [19] “Também no seu leito é castigado com dores, [Deus usa a linguagem da dor] com incessante conflito em seus ossos; [20] de modo que abomina o pão, e detesta até a comida mais saborosa. [21] A sua carne, que se via, agora desaparece, e os seus ossos, que não se viam, agora aparecem [de tanta magreza!]. [22] A sua alma está perto da morte, e a sua vida se aproxima dos que trazem a morte.” O argumento de Eliú aqui é poderoso. Eliú inverte a maneira de Jó pensar na dor. O seu sofrimento não é um sinal do silêncio de Deus. O seu sofrimento é um sinal de que Deus está falando com você. Eliú está invertendo um pensamento tão comum que nós temos quando a vida está difícil. Onde está Deus quando eu estou sofrendo? A resposta de Eliú, o profeta de Deus é: Deus está no seu sofrimento—falando com você. C. S. Lewis tem uma frase famosa em seu livro “O Problema da Dor”. Ele disse: Deus sussurra para nós em nossos prazeres, ele fala à nossa consciência, mas ele grita em nossa dor: a dor é o megafone de [Deus] para despertar um mundo surdo. (citado em Talbert, Beyond Suffering, 347 e Ash, Job, 339). Deus usa a linguagem da dor para conseguir nossa atenção e falar conosco—nos despertar para o que realmente importa nesse vida. E como Eliú fez com a primeira linguagem de Deus—a revelação, ele faz agora com a dor. Ele explica para que Deus usa a dor. Quando Deus leva você pelo vale da aflição, ele não está punindo você, mas salvando você. PARA QUÊ? [23] “Se com ele houver um anjo intercessor, um dos milhares, para declarar ao homem o que é certo, [24] então Deus terá misericórdia dele [Deus é misericordioso] e dirá ao anjo [Deus usa esse seres espirituais]: ‘Livre-o, para que não desça à cova; já achei um resgate para ele.’ [25] Então a sua carne recupera o vigor da infância, e ele volta aos dias da juventude. Deus salva. E nós respondemos com louvor e gratidão: [26] Ele ora a Deus, que se agrada dele; com alegria vê a face de Deus, e Deus lhe restitui a sua justiça. [27] Depois, cantará diante de todos e dirá: ‘Pequei, perverti o direito e não fui punido como merecia. O sofrimento deve causar essa humilhação santa diante de Deus. Em vez de responder: eu não mereço sofrer assim!, o sofredor santamente humilhado diz: eu merecia sofrer muito mais. Spoiler: Jó vai responder com essa humildade linda em breve! Espere mais alguns capítulos. Eliú termina falando do propósito salvador e santificador com a nossa dor: [28] Deus livrou a minha alma de ir para a cova, e a minha vida verá a luz.’” Mas vamos voltar no versículo 23: Eliú descreve essa operação de salvação como Deus tendo misericórdia de um pecador e enviando um anjo (um mensageiro) que salva o pecador-sofredor com um resgate. Essa mensagem não o evangelho em forma de semente? A mensagem de que Deus salva por misericórdia por meio de alguém que ele envia (um mensageiro) com um resgate. O desejo de Jó por um intercessor—um mediador, um advogado—será respondido. Será respondido quando Deus for até Jó falar com ele daqui a pouco. E será (e foi) respondido quando Deus enviou um mensageiro Jesus Cristo com o resgate que nós precisamos—a vida dele na cruz para nos livrar da cova funda e eterna da condenação. O ponto de Eliú é: Deus usa a linguagem da dor não necessariamente para punir, mas para nos santificar e salvar. A dor é o “chacoalhador” de Deus. A LAMA NO FUNDO Todos nós temos pecados no fundo do nosso coração. Pecados que ficam escondidos—que nós não suspeitamos que existem—mas que tem o poder de destruir—a nós e as pessoas a nossa volta; e desonrar ao nosso Deus. Imagine o coração humano como um tanque cheio de água e com uma camada de terra no fundo. Quando o tanque está parado—a vida está estável—a água parece limpa. Mas quando o tanque é mexido, sacudido, chacoalhado, a terra sobe, a água já não é mais tão transparente assim, e fica claro que o tanque não está limpo como parecia (Ash, Job, 329). O nosso coração é esse tanque. A sacudida de Deus é o sofrimento. As dificuldades revelam que ainda temos orgulho para nos arrepender, medo para ser substituído por fé, raiva para ser substituída por paciência, vaidade para ser trocada por humildade. Quando Deus sacode sua vida, ele faz isso porque ele ama você. O que seria de nós sem as provações? Se com as provações, ainda tem tanta terra no fundo do nosso coração—tanto orgulho, o que seria de nós se nossa vida fosse sempre tranquila? Salmo 119:71—Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos. Deus usa o megafone da dor—das dificuldades para chamar nossa atenção para ouvir ele falando e remover mais um pouco da terra do nosso coração. É o modo santo de Deus nos santificar. Pela terceira vez nesse primeiro discurso, Eliú enfatiza o propósito santo de Deus em usar a nossa dor para nos livrar do pecado e nos salvar. 3.3 DEUS FALA PARA A NOSSA SALVAÇÃO (33:29-30) [29] “Eis que Deus faz tudo isto duas e três vezes no seu trato com o ser humano, [30] para reconduzir da cova a sua alma e iluminá-lo com a luz dos viventes.” Como Deus é paciente! Ele lida com os nossos mesmos pecados duas vezes, três vezes (v. 29), cem mil vezes, cem milhões de vezes. Deus é muito paciente. E muito gracioso. Com a ajuda do Espírito Santo, nós precisamos ter um Eliú dentro de nós pregando para nós durante o sofrimento: Isso é para o seu bem, Alex. Isso é para a sua santificação. Isso é para aumentar sua alegria no Senhor! Depois (1) do apelo para ser ouvido, (2) da alegação de Jó contra Deus, (3) da refutação de Eliú contra Jó, Eliú termina apelando de novo. Eliú apela para Jó ouvir e crer e viver assim. 4. APELO DE ELIÚ PARA JÓ (33:31-33) [31] “Agora, Jó, preste atenção e escute o que vou dizer; fique calado, porque vou falar. [32] Se você tem alguma coisa a dizer, diga; fale, porque gostaria de lhe dar razão. [Eliú ama Jó.] [33] Se não, escute o que vou dizer; fique calado, e eu lhe ensinarei a sabedoria.” Eliú não está dizendo que Jó está sofrendo porque ele pecou contra Deus. O argumento dele é diferente. Ele está dizendo que Deus usa o sofrimento para santificar ainda mais Jó. A perspectiva de Eliú é radicalmente diferente. O sofrimento não é um instrumento de punição de Deus na vida de Jó. O sofrimento é um instrumento de santificação na vida de Jó. E na sua vida, crente no Senhor Jesus. O apelo de Eliú para Jó é o apelo de Deus para nós. As palavra de Eliú tem a sabedoria do alto, a sabedoria de Deus. Alguns de vocês estão sofrendo muito. Outros estão sofrendo menos. Mas todos nós temos que lidar com aflições. Seja nos relacionamentos quebrados, nas contas bancárias quebradas, nos corpos quebrados ou nos planos quebrados. A mensagem de Deus através de Eliú é: Deus nos quebra para nos consertar. Deus nos derruba para nós levantarmos com menos confiança em nós mesmos e mais confiança (fé) nele. Deus mexe, sacode, chacoalha o nosso coração para trazer o pecado para superfície e nos levar a limpeza do arrependimento e a fé. Sua dor não é o sinal do silêncio de Deus. O que Eliú está ensinando a Jó e a nós que a nossa dor é o sinal do amor de Deus. CONCLUSÃO O seu Deus não está quieto, meu irmão. Ele fala com você: • Ele fala pela revelação do Filho na Palavra. • Ele fala com o megafone da dor. E sempre, sempre que ele fala, a intenção de Deus é santa: a sua salvação e a sua santificação. Esse é o seu Deus. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_e0e8f22bae6e4e609eb6dc5d8bb2e6e6~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)

![Série em Jó: Sofrimento Soberano
31 de Maio de 2026 – IBJM
Se você tivesse a chance de fazer um pedido (só um pedido!) a Deus, o que você pediria? Você pode pedir qualquer coisa (o que você quiser!), qual seria o seu pedido a Deus? Riqueza? Saúde? Paz? A pergunta — “qual seria o seu pedido a Deus?” — funciona como um raio-X da nossa alma. Essa pergunta revela o que mais arde em nosso coração. O que Jó mais quer de Deus é a confirmação da salvação. O pedido de Jó para Deus—o último apelo dele—é: “Senhor, me responde e declara que eu sou um homem justificado (inocente!), que eu sou um crente verdadeiro e que todas as acusações contra mim são falsas!”. Esse não é um bom pedido? Esse não é o melhor pedido? Ouvir de Deus que nós temos um relacionamento com Deus! O que pode ser mais importante nessa vida do que saber que está tudo certo entre mim e Deus? O raio-X do coração de Jó revela que o coração dele não é mais de pedra. É um coração de carne, como a profecia de Ezequiel diz. Mas o raio-X do coração de Jó revela algumas manchas. Como o nosso raio-X também mostraria. A maneira como Jó fala com Deus, algumas vezes, é ruim. Às vezes, bem ruim. Alguns pensamentos de Jó sobre Deus estão errados. E por isso, Deus irá corrigi-lo daqui a alguns capítulos. Mas é tão claro que Jó ama a Deus. Jó é um crente lutando para confiar em Deus vivendo em um mundo cheio de maldade, mistério e dor. Cada de um nós está na mesma luta. Nós sabemos como a luta vai terminar e quem vai ganhar. Por isso, você continua lutando. Hoje é a última vez que o lutador da fé Jó irá falar. Vejam o final do versículo 40: [40] (...) Fim das palavras de Jó. No final do livro, depois que Deus finalmente fala, Jó faz breves comentários. Mas esse é o último discurso dele. Os capítulos 29 e 30 funcionam como uma preparação para o capítulo 31. É agora que Jó vai deixar claro o que ele espera de Deus. O capítulo 31 é o último apelo de Jó para Deus. A estrutura e as palavras que Jó usa nesse capítulo têm um propósito: Jó quer criar em nossa mente o cenário de uma sala de tribunal. Do lado da acusação, 3 homens estão sentados: Elifaz, Bildade e Zofar. Eles já apresentaram todas as suas provas contra Jó. Eles têm certeza de que Jó é um hipócrita, e que ele precisa se arrepender. O parecer deles é: Jó é culpado de grande pecado. É por isso que ele está passando por esse grande sofrimento. Jó (o acusado) ouviu tudo. E Jó tem certeza de que ele é inocente de todas acusações. Agora ele vai se levantar da cadeira de réu para falar. É a última oportunidade que ele tem para se defender. Ele tem sido acusado pelos amigos injustamente. E o que é pior: ele sente que Deus está atacando a ele injustamente com tanto sofrimento. Jó vai apresentar sua declaração oficial de inocência e esperar o Juiz (Deus) se pronunciar. Mas “esperar” parece uma palavra leve demais. Jó não quer mais esperar. Jó cansou de esperar. Jó cria uma situação para forçar Deus a falar. A ousadia de Jó, especialmente no final desse apelo, chega a ser desconfortável. É o momento mais tenso do livro até agora. Jó estrutura sua fala em 3 partes: • Ele tem uma abertura do versículo 1 a 4. • Depois ele faz uma série de (o que nós vamos chamar de) votos de inocência. • E no final é como se ele pegasse esses votos de inocência que ele fez, escrevesse em um documento, assinasse e entregasse nas mãos do Juiz—nas mãos de Deus—para ele dar o veredito: culpado ou inocente. 3 partes: (1) ABERTURA do APELO, (2) VOTOS de INOCÊNCIA e (3) ENTREGA do DOCUMENTO 1. ABERTURA DO APELO (vv. 1-4) Jó 31:[1] Fiz uma aliança com os meus olhos: de não olhar para uma virgem. [2] Do contrário, qual seria a minha porção do Deus lá de cima, e que herança receberia do Todo-Poderoso desde as alturas? [3] Por acaso, não é a perdição para o ímpio, e a desgraça para os que praticam a maldade? [4] Será que Deus não vê os meus caminhos e não conta todos os meus passos? Um homem que teme é o Senhor é um homem que carrega esse senso da presença de Deus para onde quer que ele vá. Sozinho em casa e trancado em um quarto. Ou na sala de aula ou no trabalho. Uma pessoa que teme o Senhor vive sempre diante do Senhor. Jó é assim. Pode parecer um pouco estranho ele começar falando da pureza dele no versículo 1. Jó começa dizendo que fez uma aliança para não olhar para uma virgem, ou, como a versão anterior da tradução da Almeida dizia: “não fixar os olhos numa donzela”, para mostrar o nível de compromisso que ele tem com a santidade—um compromisso que envolve todo o ser dele: o comportamento E os sentimentos E os pensamentos. O conceito que Jó tem de piedade casa com o que conceito que o Senhor Jesus tem. Jesus disse no Sermão do Monte: — Vocês ouviram o que foi dito: “Não cometa adultério.” Eu, porém, lhes digo: todo o que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério com ela no seu coração (Mateus 5:27-28). Santidade não é só o que você não faz com o corpo. Santidade inclui o que você faz com seu coração: seu ser interior. Nossa mente é como um ninho. Quando chocamos os ovos do pecado tempo suficiente—pensamentos de pecado—nossos sentimentos esquentam e aquecem os ovos daquele pecado—seja sexual ou pecados de outra natureza—raiva, ganância, vaidade. É só uma questão de tempo: o ovo do pecado vai esquentar o suficiente no coração para quebrar e nascer o pecado no comportamento. Essa é a vida do pecado que gera em nós morte: Ele é concebido nos pensamentos, considerado nos sentimentos e consumado no comportamento. Jó começa com esse exemplo para mostrar que a pureza moral dele não é superficial. Ele se entrega a Deus com o mais profundo do seu ser. Terminada a abertura, Jó entra em seus VOTOS de INOCÊNCIA. 2. VOTOS de INOCÊNCIA (vv. 5-34) A formato que Jó dá para esses votos geralmente é: Se eu cometi tal pecado, então, eu mereço o tal julgamento. (Às vezes ele dá também a explicação de por quê o julgamento é merecido). Porque isso seria um pecado digno de punição. Os votos de inocência são também declarações de automaldição: Se eu vivi nesse pecado, Então que Deus me puna! Porque é o que eu mereço. A largura e a profundidade da piedade de Jó é impressionante. D. A. Carson, um escritor cristão, e certamente um homem de Deus, disse que ele gostaria de poder falar para Deus pelo menos metade das coisas que Jó fala (Talbert, Beyond Suffering, 158). Ou Jó realmente tem uma consciência limpa e é muito piedoso, ou ele é um hipócrita da pior qualidade. Não existe outra alternativa. DESAFIAR, NÃO DESANIMAR Que o Senhor use esses votos de Jó, não para nos desanimar (essa santidade é impossível!), mas para nos desafiar—para gerar em nós um desejo renovado de buscar mais o Senhor. Jó é pó, como nós. Cada milésimo de segundo que ele viveu para a glória de Deus, ele fez isso pelo Espírito de Deus. Sem Cristo, nós não podemos fazer (João 15:5). Com ele, nós podemos viver para ele. Vamos a lista: são 10 pecados. E para cada pecado, Jó está dizendo: “Eu não vivia assim!” Primeiro pecado: 1. FALSIDADE (vv. 5-6) [5] Se andei com falsidade ou se o meu pé se apressou para o engano [6] — que Deus me pese numa balança justa e conhecerá a minha integridade! Jó está dizendo que ele não tem uma vida dupla. Ele tem uma vida inteira—ele tem “integridade”. Ser íntegro não é ser sem pecado. Ser íntegro é ser inteiro—é ser um só: é não ter duas vidas: uma pública e uma outra (diferente) privada. Jó ama a Deus em público e ele ama a Deus no privado. A partir do segundo voto, Jó passa a ser mais específico. O segundo pecado que Jó não abraçou é a: 2. COBIÇA (vv. 7-8) [7] Se os meus passos se desviaram do caminho, se o meu coração segue os meus olhos, [se ele cobiça tudo o que ele vê] e se alguma mancha se apegou às minhas mãos, [8] então [julgamento] que outros comam o que eu semeei, e que seja arrancado o que se produz no meu campo. É como se cada ato do pecado sujasse nossas mãos. Jó está mostrando as mãos dele e dizendo: “Pode olhar, Senhor. Não tem nenhuma mancha. Minhas mãos estão limpas. Eu não vivo cobiçando o que eu não tenho, e pecando para ter”. A cobiça é como a serpente sussurrando uma mentira no nossos ouvidos: “Deus não deu a você o suficiente”. E Jó está dizendo: “Eu não ouço a serpente. Eu ouço a tua Palavra, Senhor”. Crente, você tem Cristo. Você já tem o suficiente. Você tem a Pessoa que você precisa para você ser a pessoa mais feliz do mundo. Terceiro: 3. ADULTÉRIO (vv. 9-12) Jó é fiel à aliança que ele fez com a esposa: [9] Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, [começa no coração] se fiquei rondando a porta do meu próximo, [10] então [o julgamento] que a minha mulher moa os cereais para outro homem, e que outros se deitem com ela. [11] Pois [ele dá a explicação para merecer essa punição] eu teria cometido um crime hediondo, um delito a ser punido pelos juízes. [12] Isso seria fogo que consome até a destruição e arrancaria toda a minha colheita pela raiz. A santidade de Jó é profunda e larga. Ela afeta todas as áreas da vida dele. Ele vive para Deus no casamento e no trabalho. O quarto pecado lida com os relacionamento daqueles que trabalhavam para Jó: 4. INJUSTIÇA (vv. 13-15) [13] Se não reconheci o direito do meu servo ou da minha serva [se fui injusto] quando eles reclamavam contra mim, [14] então que faria eu quando Deus se levantasse no tribunal? E, se ele me interrogasse, que lhe responderia eu? [15] Aquele que me formou no ventre de minha mãe não os fez também a eles? Ou não é o mesmo Deus que nos formou no ventre materno? Jó vê cada ser humano como alguém criado à imagem de Deus, como ele, e por isso é digno de ser tratado com justiça e amor. Jó não olha para as pessoas de cima para baixo. Povo de Deus, é assim que o Senhor quer que vejamos as pessoas que nos servem. Quando você está em um restaurante, trate o garçom com dignidade e respeito. Quando você for no mercado, em uma loja, no posto de gasolina, na portaria, trate as pessoas com dignidade. Vocês que são líderes no trabalho, tratem seus liderados com amor. Eles não são instrumentos para o seus projetos pessoais. Eles são seres humanos criados à imagem de Deus! Criados do mesmo material que nós fomos feitos. Jó vive de maneira fiel à Deus no casamento, no trabalho e no mundo. O quinto pecado que Jó foge é a: 5. AVAREZA (vv. 16-23) Jó não é pão-duro. Ele reflete a generosidade de Deus com os necessitados. [16] Se retive o que os pobres desejavam ou deixei que os olhos das viúvas esperassem em vão; [17] ou, se sozinho comi o meu bocado, sem reparti-lo com os órfãos [18] — porque desde a minha mocidade eu os criei como se fosse pai deles, durante toda a minha vida fui o guia das viúvas —; [19] se vi alguém perecer por falta de roupa ou notava que o necessitado não tinha com que se cobrir; [20] se ele não me agradeceu do fundo do coração, quando se aquecia com a lã dos meus cordeiros; [21] se eu levantei a mão contra o órfão, sabendo que eu tinha o apoio dos juízes, [22] então [a punição—a automaldição] que a omoplata caia do meu ombro, e que o meu braço seja arrancado da articulação. [23] Porque [a explicação] o castigo de Deus seria para mim um assombro, e eu não poderia enfrentar a sua majestade. As viúvas e os órfãos corriam perigo constante. Sem um marido ou sem os pais, essas mulheres e essas crianças estavam expostas à falta de abrigo, falta de comida e falta de roupa. Mas não se eles estivessem perto de Jó. Ele era um guia para as viúvas e um pai para os órfãos. Jó pegava a lã dos cordeiros dele e fazia roupas para os necessitados. Dividia a marmita dele com quem estivesse com fome. Como Jesus, ele era cheio de compaixão. Eu fico tão encorajado quando vejo nas assembleias as ofertas que a igreja tem dado àqueles que tem passado necessidades em nossa igreja, como Jó fazia. Que o Senhor aumente mais e mais nossa alegria em ajudar quem precisar. Sexto pecado: 6. MATERIALISMO (vv. 24-25) Apesar de tão comum em nosso tempo, o materialismo não é um pecado moderno. [24] Se no ouro pus a minha esperança ou se eu disse ao ouro fino: ‘Você é a minha garantia’; [25] se me alegrei por ser grande a minha riqueza e por ter a minha mão alcançado muito; Jó confiava em Deus, não nas riquezas—mesmo quando ele era muito rico. E isso é muito difícil. Jesus disse que: É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus (Mateus 19:24). Paulo disse que: O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1 Timóteo 6:10). Existe uma razão por que Jesus e Paulo disseram isso. As riquezas criam essa sensação de segurança e se tornam um obstáculo para dependermos de Deus. Foi assim com o jovem rico. É assim com muitos hoje. Mas não foi assim com Jó. Com a graça de Deus, é possível ter riquezas em casa e ter fé no coração. Jó usava o dinheiro dele, não como um substituto de Deus—onde ele colocava a esperança dele, mas como um instrumento de Deus, onde ele usava para abençoar as pessoas. Tanto que, mesmo depois que ele foi de milionário para mendigo, Jó disse pela fé: — Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:21) O próximo pecado também está ligado à adoração e à idolatria. Se o materialismo é colocar nossa confiança nas riquezas em vez de em Deus, o paganismo (a idolatria) é colocar confiança em objetos da criação em vez de confiar no Criador. 7. PAGANISMO (vv. 26-28)
[26] se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, que caminhava em seu esplendor, [27] e o meu coração se deixou seduzir em segredo, e eu lhes atirei beijos com a mão, [28] também isto seria um delito a ser punido pelos juízes, pois eu teria negado a Deus, que está lá em cima. O homem é realmente um ser religioso. Se ele não confiar em Deus, ele vai colocar a confiança dele em um amuleto, um objeto, ou nele mesmo. Sem fé, ele não fica. Nós estamos sempre confiando em alguma coisa ou em alguém. Jó está afirmando diante de Deus e dos amigos e dos anjos e de quem mais quiser ouvir: “Eu confio em Deus somente”. A piedade de Jó é profunda. E larga. Ele continua lidando com o coração nas mais diversas áreas da vida. Ele é um homem inteiro—íntegro—que se entrega a Deus. 8. VINGANÇA (vv. 29-30 O oitavo pecado da lista de Jó lida com o espírito vingativo—esse sentimento de ódio por aqueles que nos tratam mal. [29] Se me alegrei com a desgraça do que me odeia e se exultei quando o mal o atingiu [30] — eu que não deixei a minha boca pecar, rogando praga para que morresse —; Uma atitude de vingança é uma atitude contrária ao evangelho. Uma das maneiras em que Deus descreve o evangelho da salvação é usando a ideia de reconciliação. A Bíblia descreve o nosso relacionamento com Deus antes da fé em Cristo como um relacionamento de inimizade. E como Deus lidou conosco quando nós éramos inimigos dele? Eu vou responder com: Romanos 5:10—Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho... Deus não lidou com vingança. Não foi o nosso sangue que ele derramou. Deus lidou conosco com a morte do Filho dele. O sangue que Deus derramou foi o sangue do Filho dele. Foi esse o efeito do amor de Deus no coração de Jó. Jó não lidava com aqueles que eram contra ele com vingança. Jó não tinha alegria na desgraça deles. Se você tem alimentado amargura no seu coração—se você tem uma certa raiva de alguém sedimentada no fundo da sua alma—você precisa deixar o Senhor Jesus tirar isso de você? Medite no evangelho que transforma você de um inimigo em um amigo de Deus ao custo do sangue do Filho de Deus, e se liberte da prisão que é viver com um desejo de vingança. Um desejo por justiça é apropriado no coração do crente. Uma alegria egoísta em ver a desgraça dos inimigos é absolutamente inapropriada (Ash, Job, 317). 9. FALTA DE HOSPITALIDADE (vv. 31-32) [31] se as pessoas que moram na minha tenda não disseram: “Quem nos dera encontrar alguém que não se saciou da carne provida por ele” [32] — pois o estrangeiro não pernoitava na rua; as minhas portas estavam sempre abertas para os viajantes! —; O coração e a casa dele estavam sempre abertos para quem precisava. Crente, sua hospitalidade reflete o caráter de Deus. Quando você abre as portas da sua casa—para as reuniões do Pequeno Grupo, para almoçar ou lanchar com as pessoas, para conhecer melhor aqueles que ainda não conhecem o Senhor—você está manifestando o caráter do seu Deus hospitaleiro. Deus criou tudo. Tudo é dele. E ele abre as portas desse mundo, nos convida para entrar e viver aqui e cuida de todas as nossas necessidades. É muita generosidade e hospitalidade. Jó dava carne, cama, cobertor e o que fosse necessário para cuidar das pessoas. JÓ É UM FARISEU? Antes de passarmos para o momento em que Jó vai entregar para Deus o documento da sua inocência, nós precisamos parar e lidar com uma pergunta: Está certo o que Jó está fazendo? Ele não está sendo um homem orgulhoso desfilando a piedade dele diante de Deus e das pessoas? Ele não está agindo como um fariseus—“obrigado, Senhor, porque eu não sou um pecado como os outros”? Vejam como eu sou um homem santo! Jó não está sendo orgulhoso em falar tanto da santidade dele? Eu acho que não. O objetivo de Jó em falar da piedade dele—da fidelidade dele à Deus—não é receber aplausos das pessoas. Nem é dizer que ele merece ser justificado pelas obras dele. Jó não é um Nabucodonosor, como o peito estufado dizendo: — Não é esta a grande Babilônia que eu construí para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade? (Daniel 4:30) Não é esse o espírito em Jó. O peito de Jó não está estufado. O peito de Jó está machucado pela dor, pelas acusações, pela perda dos filhos e pelo silêncio de Deus. Jó é um homem desesperado, se sentindo injustiçado e sofrendo sem entender por quê. O espírito de Jó é mais de um homem perseguido se defendendo. O Rei Davi fez a mesma coisa: Salmo 7—(...) julga-me, Senhor, segundo a minha justiça e segundo a integridade que há em mim. Que cesse a maldade dos ímpios. Fortalece o justo, pois sondas a mente e o coração, ó Deus justo (vv. 8-9). Esse é o espírito de Jó: “Senhor, eu ando na luz, não nas trevas. Me trata como alguém que vive para o Senhor”. O último pecado da lista de Jó. O último voto de inocência: 10. FALTA DE CONFISSÃO (vv. 33-34) [33] se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando a minha iniquidade em meu íntimo, Isso prova que Jó não está dizendo que ele não tem pecado. O que ele está dizendo é que ele é inocente das acusações que fizeram contra ele. Ele está dizendo que ele é um crente que vive em arrependimento e fé. Ele não esconde os pecados. Ele confessa e abandona. Provérbios 28:13-14—Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia. Feliz é aquele que sempre teme o Senhor; mas o que endurece o seu coração cairá na desgraça. Jó usa o exemplo de Adão para dizer o que ele não faz. Quando Adão e Eva pecaram, eles tentaram encobrir as transgressões como eles fizeram com as folhas de figueira para cobrir a nudez. Mas com o pecado, encobrir e ocultar nunca nos fará prosperar espiritualmente. Jó aprendeu que Deus proveu uma maneira para lidar com o nosso pecado. Nós vemos isso logo no início do livro de Jó. Jó 1:5—Quando se encerrava um ciclo de banquetes, Jó chamava os seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos (sacrifício) segundo o número de todos eles. Pois Jó pensava assim: “Talvez os meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus em seu coração.” Jó entendia o conceito do evangelho de um sacrifício substitutivo. Crente, Jesus é o Cordeiro de Deus. Ele é o seu sacrifício substitutivo. É por isso você pode confessar e ser perdoado. É por isso que o apóstolo João fala: Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1João 1:8-9). Jesus não veio para o que se acham justos, mas para pecadores. Mas esconder o pecado é a atitude padrão do ser humano quando peca (Ash, Job, 318). Por vários motivos, um deles está no versículo 34: [34] porque eu tinha medo da grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, fazendo com que eu me calasse e não saísse da porta… Porque se nós confessarmos, a imagem que as pessoas têm de nós pode mudar. A nossa reputação pode ficar mais manchada. O temor do que as pessoas vão pensar pode nos levar a esconder o pecado. Quero lembrar vocês de duas coisas que podem nos ajudar a confessar sem temer que as pessoas verão as manchas no raio-X da nossa alma. Primeiro, Deus já nos perdoou em Cristo. Ele considera o raio-X perfeito de Jesus para lidar conosco. Você se lembra o que Deus pensa daqueles que confessam e creem: “Esse é um filho meu. Perdoado. Essa é filha minha. Perdoada”. Segundo, quando você confessa um pecado para uma pessoa, você está sempre confessando o pecado para um outro pecador. Não é só você que está lutando. • Você luta contra preocupação e ficar ansioso? Eu também. • Você precisa mortificar seu orgulhoso e a falta de amor com as pessoas? Você e todo o resto da humanidade. • Você precisa lidar com pensamentos que ofendem a Deus? Você e todos os seres humanos que respiram. Como Paulo disse em Filipenses 3, ninguém obteve a perfeição... ainda. Um dia, em breve, nós vamos descansar—para sempre!—dessa luta. Mas aqui, nesse corpo, nesse mundo, nessa vida, nós vamos precisar lutar. E lutar juntos. Que a nossa igreja seja um lugar onde nós, pecadores, possam confessar pecados, sermos ajudados, sermos perdoados uns pelos outros, e corrermos juntos para aquele que nunca pecou e se entregou por nós como o nosso substituto. Nas conversas depois do culto, nos discipulados, no tempo de compartilhar pedidos de oração no PG, quando for apropriado, sejamos íntegros e, como Jó, vamos confiar no Deus que perdoa pecadores que confessam seus pecados porque o Cordeiro foi morto em nosso lugar. Chegamos. Tudo o que Jó disse até agora, desde o capítulo 29, tinha o objetivo de chegar aqui. Chegamos na: 3. ENTREGA DO DOCUMENTO (vv. 35-37) Jó interrompe os votos dele usando a mesma expressão que ele usou no início da defesa (no capítulo 29): [35] Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! Quem me dera! Jó não aguenta mais esperar. Nós temos o texto das palavras de Jó, não temos nem áudio nem vídeo. Mas diante de tudo o que Jó falou, eu imagino Jó aqui chorando, ofegante, agitado, desesperado para que Deus fale com ele. A espera está insuportável. Jó chegou no limite dele. Acabou. O versículo 35 é o versículo mais tenso de todo o livro de Jó. A ousadia de Jó é desconfortável. Jó entrega oficialmente o documento nas mãos do Juiz de toda a terra, do Deus Todo-Poderoso, exigindo um parecer. [35] Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! A atmosfera está carregada. Densa. Se alguém tivesse uma faca, seria possível cortar o ar. Jó chama Deus, o Todo-Poderoso, de “meu adversário”. E desafia Deus a escrever a acusação e provar que Jó é culpado. Vocês lembram o cenário: nós estamos em uma sala de tribunal. As acusações contra Jó foram apresentadas. Jó se defendeu de todas elas. Ele se levanta da cadeira de réu, faz um discurso brilhante, faz votos de inocência, declarações de automaldição se ele estiver mentindo, escreve tudo, assina no final da folha e diz: Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! Jó está tão confiante de que ele é inocente, tão confiante, que ele continua dizendo: [36] Por certo que a levaria [a acusação] sobre o meu ombro, e a poria sobre mim como se fosse uma coroa. [37] Eu lhe mostraria o número dos meus passos; como príncipe eu me aproximaria dele. A confiança de Jó de que ele é inocente é tão grande, que ele diz que ele pegaria a lista de acusações contra ele e desfilaria ao redor do pescoço—sobre os ombros, e como uma coroa, a vista de todo mundo. Ele não tem medo das acusações serem verdadeiras. A confiança dele de que ele é inocente é tão grande, que ele se aproximaria de Deus como um príncipe—cabeça levantada, firme, com honra—porque ele sabe que está falando a verdade. Jó desafia Deus a provar que ele é culpado. Eu disse que o momento é tenso. O mais tenso até aqui. Deus está me tratando como um culpado. Ele precisa provar. Se ele não conseguir provar, então ficará provado que Deus é culpado de injustiça comigo! Como um pastor chamado Christopher Ash disse: • É como se Jó estivesse abrindo um processo de impeachment contra Deus. • Deus está sendo convocado para comparecer no tribunal e dar explicações sobre como ele tem governado a vida de Jó. • Jó está chamando o Criador do Universo para prestar contas do que ele está fazendo com ele. Jó está confiante que de ele é justo, e Deus não está agindo com justiça (Ash, Job, 319). O desejo de querer ser justificado por Deus é bom. A maneira como Jó está manifestando esse desejo não é boa. Jó em breve será repreendido seriamente por isso. O que Jó faz agora é estranho. Ele volta a fazer um voto de inocência no final com uma declaração de maldição contra ele mesmo. 11. EXPLORAÇÃO (vv. 38-40) [38] Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem; [39] se comi os seus frutos sem pagar ou se causei a morte aos seus donos, [40] [o julgamento, a maldição:] que ela produza espinhos em vez de trigo, e joio em lugar de cevada. Jó está agitado. Ofegante. Ele não pensa de forma perfeitamente linear. Ele está desesperado para que Deus fale logo e acabasse com esse suspense infernal de ele ser acusado e Deus não fazer nada. O voto anterior foi interrompido no meio para Jó entregar o documento de defesa dele assinado para Deus. Esse último voto (bônus) tem a intenção de retomar o que ele estava falando (em mais um voto) e terminar repetindo, de novo, e outra vez, e novamente, que ele é inocente e que, se ele não for, que ele seja amaldiçoado como a raça humana merece. Repararam nas palavras que Jó usa nesses últimos versículos. No versículo 35, ele tinha falado de “Adão”. Ele fala de “terra” no versículo 38. No versículo 39, ele fala de comer “frutos” e causar “morte”. No versículo 40, da terra produzindo “espinhos”. Que outro capítulo na Bíblia—e que Jó teria conhecimento da história—fala de Adão, terra, fruto, morte, e o Criador fazendo nascer espinhos da terra em sinal de maldição? Jó está usando a linguagem de Gênesis 3 para dizer que, se ele é culpado, que o Criador derrame sobre ele a maldição que a raça humana merece usando o cenário da primeira maldição que entrou nesse mundo. Jó não deixa escolha para Deus. Se Deus continuar em silêncio, isso vai provar que Jó estava certo porque o acusador (Deus) não conseguiu refutar os argumentos do acusado (Jó). Mas como nós vamos ver, ninguém pode controlar Deus. E ninguém pode ser mais justo que Deus. Jó será repreendido pelo que ele falou sobre Deus. APLICAÇÕES Agora, pense no que Jó mais deseja nessa defesa: ele quer ouvir do juiz (Deus) que ele é um homem inocente aos olhos de Deus—ele quer ser declarado justo, mesmo não sendo um homem perfeito, porque ele tem fé. Qual é o nome que nós damos—melhor, qual é o nome que Bíblia dá—para esse ato de declaração de Deus (o Juiz) de que uma pessoa é justa aos olhos dele? Justificação. Justificação não é uma doutrina abstrata que os teólogos gostam de discutir para se divertir. Justificação é o que pecadores como nós mais precisamos nesse mundo! É como ter certeza de que Deus vê você como inocente (justo, sem culpa) diante dele. E a Palavra de Deus ensina que isso acontece quando você crê que você deveria ser condenado por Deus, mas Jesus tomou seu lugar na cruz. Os votos de automaldição de Jó contra ele mesmo nos lembra do que o Senhor Jesus fez por nós. Jó disse: “Se eu pequei, que eu seja amaldiçoado”. “Se eu pequei, que eu morra”. Foi o que Jesus fez. Como uma diferença: “Se ELE pecou, que EU seja amaldiçoado”. ‘Se ELE pecou, que EU morra”. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2Coríntios 5:21). Pela fé, você recebe essa justiça e pode entrar no tribunal de Deus com a confiança de um príncipe. A defesa de Jó nos ensina também a necessidade da santificação. Jó usa a santificação dele como uma evidência de que ele ama a Deus. Não como uma causa para Deus perdoá-lo, mas como uma prova de que ele tem um coração transformado—um coração que tem fé. Hebreus 12:14 diz que “sem [santificação] ninguém verá o Senhor”. Sua vida transformada—seu desejo de andar na luz é a evidência de que você é um cristão verdadeiro. Mas além da importância da justificação e da necessidade da santidade, Jó nos ensina a possibilidade da santidade. É possível você viver para Deus—é possível você andar pela fé, andar na luz, andar em santidade, como Jó andou. Foi para isso também que Jesus morreu e ressuscitou. CONCLUSÃO A defesa de Jó é uma ilustração viva de que a justificação pela fé se manifesta em santificação—em uma vida transformada. Ainda com manchas do pecado, mas um raio-X de um coração de carne, pulsando de desejo por Deus. Porque o evangelho perdoa você e purifica você. O evangelho salva e santifica você. O evangelho transporta você para o Reino e transforma você na imagem do Rei. Jó, o sofredor inocente, será vindicado por Deus, como o nosso Senhor Jesus foi também. É por causa da sua fé nele, você pode ter confiança para se aproximar de Deus e saber que o Juiz já declarou você justo. E viver seus dias aqui para ele. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_33ba3ebabe8341b48f1837f07a4856a2~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
05 de Abril de 2026 – IBJM Na providência de Deus, a próxima passagem do livro de Jó era sobre a Páscoa. Jó enche os pulmões para declarar: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25). Eu não calculei isso. Mas não foi coincidência, foi providência. O nosso Deus é o dono de cada dia do nosso calendário. Nada nesse mundo é por acaso. Vamos orar. (...) Povo de Deus, eu trago boas notícias nesta manhã Eu anuncio à vocês, mais uma vez, o resultado do grande conflito entre Jesus e a morte. Na cruz, naquela Sexta-Feira Santa, a morte deu um golpe mortal em Jesus. Sim! Mas no domingo, Jesus ressuscitou dos mortos, se levantou e matou a morte. Essa é a mensagem da Páscoa: Jesus venceu. A morte perdeu. Até aquele domingo de Páscoa, 2 mil anos atrás, a morte tinha acumulado um histórico de invencibilidade. Mas naquele dia, a morte perdeu pela primeira vez. Foi a primeira vez. Mas não será a última. A mensagem da Páscoa é também a mensagem de como você pode vencer a morte. Existe só uma maneira, mas se você usá-la, a morte vai perder para você. Essa é a promessa de Deus nesse texto de Jó. A passagem de hoje lida com a morte de dois ângulos diferentes. Ou de lados opostos:
• No capítulo 18, Bildade – um dos amigos de Jó – fala da morte do ponto de vista de quem perde. • No capítulo 19, Jó fala da morte do ponto de vista de quem ganha.
Vamos começar ouvindo o amigo de Jó.
[1] Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse:
Bildade aquece a garganta antes de pregar para Jó. Os primeiros 4 versículos são esse aquecimento.
1. PERGUNTA: “QUEM VOCÊ PENSA QUE É?” (JÓ 18:1-4) Bildade está fazendo duas coisas: a primeira é dizendo o quanto ele está ofendido com as palavras de Jó:
[3] Por que somos considerados como animais e passamos por tolos [estúpidos] aos seus olhos? A segunda é ofendendo Jó: sendo ofendido e ofendendo:
[4] Você, que se despedaça em sua ira, pensa que a terra será abandonada por sua causa?
Você pensa que as rochas devem ser tiradas do seu lugar?” Se eu tivesse que resumir as 4 perguntas desses 4 versículos em uma única pergunta, eu diria que Bildade está perguntando: “Jó, quem você pensa que é?”
2. RESPOSTA: “EU SEI: UM ÍMPIO!” (JÓ 18:5-21) Do versículo 5 até o final do capítulo, Bildade responde a própria pergunta: “Jó, eu sei quem você é: você é um ímpio!”—uma pessoa que não conhece a Deus. Veja como ele começa:
[5] “Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e a chama do seu fogo não resplandecerá.
E como ele termina:
[21] Tais são, na verdade, as moradas do ímpio, e este é o paradeiro daquele que não conhece Deus.”
Entre esses dois versículos, Bildade prega para o seu amigo Jó (um ímpio— não-convertido, na mente dele) um sermão sobre o inferno (Ash, Job, 199)—sobre o destino daqueles que não conhecem a Deus. Ele começa mostrando como a vida do ímpio termina em trevas e escuridão:
[5] “Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e a chama do seu fogo não resplandecerá. [6] A luz se escurecerá na sua tenda, e a sua lâmpada sobre ele se apagará.
Bildade entende que Jó está cavando a própria cova:
[7] Os seus passos vigorosos se estreitarão, e a sua própria trama o derrubará. Ele emenda uma ilustração, descrevendo aqueles que não conhecem a Deus como animais que serão capturados e presos quando eles menos esperam.
[8] Porque por seus próprios pés é lançado na rede e andará sobre as suas malhas. [9] A armadilha o apanhará pelo calcanhar, e o laço o prenderá. [10] A corda está escondida na terra para apanhá-lo, a armadilha se encontra no seu caminho. A vida do ímpio é como andar em uma floresta de madrugada—na escuridão. Mas tem um laço escondido na terra. De repente, alguém (Deus) puxa a corda e amarrar seu tornozelo e você fica de cabeça para baixo. Eu prefiro crer que Bildade não era batista, mas no resto do sermão sobre o inferno, ele tem 3 pontos—do versículo 11 ao final. Ele fala da vida de Jó e daqueles que não andam com Deus como uma vida de MEDO, MISÉRIA e MORTE—3M’s: MEDO: [11] Terrores o amedrontam de todos os lados e o perseguem a cada passo. MISÉRIA: [12] A calamidade virá faminta sobre ele, e a miséria estará alerta ao seu lado. MORTE: [13] Ela devorará os membros do seu corpo; serão devorados pelo primogênito da morte. [14] O ímpio será arrancado da segurança de sua tenda, e será levado ao rei dos terrores. Bildade se aproveita da imagem que alguns povos pagãos tinham da morte. Eles viam a morte como um deus que tem o lábio de baixo tocando a terra e o lábio de cima tocando o céu—e que vai andando por esse mundo devorando todo o mundo (Bíblia da Fé Reformada, 786). Ele volta à esses 3M’s—MISÉRIA, MEDO E MORTE—nos próximos versos, incluindo citações sobre a morte dos filhos de Jó para ter certeza de que Jó entende que a tragédia familiar dele—de ter perdido os 10 filhos em único dia—é resultado da vida dele de rebeldia contra Deus: [15] Nenhum dos seus irá morar na sua tenda; enxofre será espalhado sobre a sua habitação. (...) [19] Não terá filho nem posteridade entre o seu povo, nem sobrevivente algum ficará nas suas moradas. Ele conclui com uma frieza que dá até medo. O coração de Bildade é: “Jó, eu não queria estar na sua pele”. [20] Do seu dia se espantarão os do Ocidente, e os do Oriente serão tomados de horror. [21] Tais são, na verdade, as moradas do ímpio, e este é o paradeiro daquele que não conhece Deus.” UM BOM COMUNICADOR, UM MAL PREGADOR Bildade pode ser um bom comunicador. Ele descreveu bem o inferno. Mas ele não é um bom pregador. Ele aplicou mal. Muito mal. Jó não é um ímpio condenado ao inferno. Jó é um crente conquistado para o céu. Foi o que Deus disse no início do livro. Jó é o oposto de um ímpio: ele teme a Deus e se desvia do mal (Jó 1-2). UMA APLICAÇÃO MELHOR: O INFERNO NA CRUZ, O CÉU PARA NÓS Bildade errou feio na aplicação. Muito feio! Bildade errou porque ele não entende que é possível, nesse mundo, um crente verdadeiro sofrer. Nessa vida, pessoas piedosas experimentam os terrores do inferno. E sem entender isso, não existe salvação. Não existe salvação porque nós precisamos de um Salvador que seja perfeitamente piedoso E enfrente os terrores do inferno em nosso lugar (Ash, Job, 199). Essa é a única maneira de sermos salvos. Graças a Deus, Bildade está errado! Jesus — um crente perfeito! — experimentou o horror do inferno na cruz para nos levar para o céu. Que é o lugar onde Jó está há milhares de anos. Que é para onde nós que confiamos na morte desse Salvador vamos. JÓ NÃO COMEÇA BEM Mas nós vivemos nos esquecendo da Sexta-Feira Santa e do Domingo de Páscoa. Nós vivemos nos esquecendo do amor de Deus e acabamos caindo em momentos de menos confiança—menos confiança de que nós temos um Salvador tão poderoso que ele derrotou até a morte; um Salvador tão amoroso, que ele se entregou aos horrores da cruz porque ele quis nos comprar para ele. E quando nós nos esquecemos, nossos sentimentos são jogados de um lado para o outro, como o barco dos discípulos no Mar da Galileia durante a tempestade. Eu sei que eu disse que as palavras de Jó no capítulo 19 são melhores que as palavras de Bildade no capítulo 18. É verdade. Eu mantenho o que eu disse. Mas antes de Jó se lembrar da melhor mensagem do mundo—a mensagem da Páscoa, Jó abre o coração dele. Ele fala como ele está se sentindo. E ele não está bem. A TOALHA ESTÁ JOGADA NO CHÃO Vocês lembram como terminou o último capítulo em que Jó falou? O capítulo terminou com a esperança de Jó terminando. Jó jogou a toalha no chão. Jó terminou chorando e dizendo: Onde está, então, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? Ela descerá até as portas do mundo dos mortos, quando juntos descansarmos no pó (Jó 17:15-16) Isso deve explicar por que nessa resposta de Jó, pela primeira vez, Jó não fala com Deus. Ele não se dirige a Deus nenhuma vez, como ele fez todas as outras vezes. Isso é triste. Mas a graça de Deus no coração do crente pode parecer adormecida, mas ela nunca está morta. O Espírito Santo dá sempre um jeito de levantar você, mesmo quando você acha que não vai conseguir ficar de pé. A resposta de Jó tem duas partes. Primeiro, vamos ouvir o coração de Jó para depois ouvir o sermão de Jó. Não é só Bildade que sabe pregar. Jó também sabe. E o sermão de Jó é bem melhor. Celestialmente melhor. Mas antes do sermão, o coração: como Jó está se sentindo? 1. O CORAÇÃO DE JÓ (19:1-19) Depende. Depende em relação a quem. Jó fala dos sentimentos dele em relação a 3 grupos. Primeiro, em relação aos amigos, ele se sente ESMAGADO. 1.1 ESMAGADO PELOS AMIGOS (19:1-6) [1] Então Jó respondeu: [2] “Até quando vocês vão me atormentar e me esmagar com as suas palavras? [3] Já dez vezes vocês me insultaram e não se envergonham de me injuriar. [4] Se eu tivesse realmente cometido algum erro, isso interessaria somente a mim. Uh... Jó está quase apelando: “Se eu pequei, não é da conta de vocês!” Jó está tenso. Eles acusaram Jó de arrogante. Jó devolve a acusação. (Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência). [5] Se vocês querem se engrandecer contra mim [“seus arrogantes!”] e usam a minha vergonha como argumento contra mim, [6] então saibam que Deus foi injusto comigo e me cercou com a sua rede.” Jó continua convencido até a última fibra da alma dele que ele não tem um pecado escondido que justifique a maneira como ele está sofrendo. Apesar dos amigos acusarem Jó sem parar, ele não dá o braço a torcer. Ele não aceita de jeito nenhum. Mas nós precisamos reconhecer que existe um problema enorme nas palavras de Jó: porque ele acha que ele não fez nada de errado para sofrer assim, ele acha que Deus está fazendo algo errado. Ele fala no versículo 6 que Deus está sendo injusto com ele. Não tem como Deus ser injusto. Assim como não tem como Deus pecar. Assim como não tem como Deus fazer algo que não seja sábio. Assim como não tem como Deus mentir, ou não cumprir alguma promessa. Deus é o padrão e a definição do que é ser justo, santo e bom. Jó cruzou a linha. Ele não deveria ter falado de Deus desse jeito. Mas Jó é honesto. É como ele se sente. E no fundo, no fundo, ele fala desse jeito, mas pelas outras coisas que ele fala, ele sabe que Deus é, sim, justo, santo e bom. Toda essa confusão na mente é justamente porque ele sabe que Deus é justo, mas parece que Deus está tratado a ele de forma injusta. E nessa confusão, ele se sente cercado pelo Deus que ele ama. Em relação aos amigos, esmagado. Em relação a Deus, cercado. 1.2 CERCADO POR DEUS (19:7-12) O versículo 6 terminou com Jó dizendo: [6] e [Deus] me cercou com a sua rede. Do versículo 7 até o 12, Jó explica por que ele tem essa sensação de que Deus está cercando a ele. No versículo 8, ele fala de Deus fechando o caminho de Jó: “Eu não consigo passar!” No versículo 10, ele diz: [10] Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou; tirou-me a esperança, como se arranca uma árvore. A toalha de Jó ainda está no chão. Deus arrancou a esperança do coração de Jó com violência de uma árvore sendo arrancada do solo com raiz e tudo. Nesse momentos mais baixos, Jó vê Deus como alguém que está contra ele. Não é à toa que ele está mal. [11] Acendeu contra mim a sua ira e me trata como um dos seus adversários. [12] Juntas vieram as suas tropas; prepararam contra mim o seu caminho e acamparam ao redor da [cercando] minha tenda.” POR MIM OU CONTRA MIM? De novo, Jó está errado. Deus não é como um exército adversário com milhares de homens nos cercando para nos matar. Essa imagem casa bem com Satanás, não com Deus. Mas é como Jó se sente: como Deus pode dizer que me ama e ainda me tratar desse jeito? Talvez você já tenha pensado isso. Talvez você esteja pensando isso. Provavelmente nós não vamos falar isso em voz alta porque nós sabemos que é errado. Quando terminar o culto, você provavelmente não vai chamar alguém e dizer: “Deus não está me tratando como deveria!”. Talvez. Às vezes. Mas, mais provavelmente, nós pensamos isso e sentimos isso. Mesmo que não seja tão claro em nossa mente. • Nossa falta de alegria no Senhor é um sinal de que não estamos convencidos de que Deus está nos tratando como ele deveria. • Nossa preocupação, nossa ansiedade, são sinais de que não estamos seguros de que Deus irá cuidar de nós. • Nosso desânimo, nossa falta de motivação, são manifestações do nosso coração de que nós não estamos satisfeitos com a vida que o Senhor está nos dando. Mas a graça de Deus tem suas maneiras de nos surpreender. A graça tem suas maneiras de se desviar da nossa multidão de pensamentos errados e achar uma brecha para tocar em nosso coração, como a mulher com hemorragia fez e conseguiu tocar nas vestes de Jesus. E foi curada. A graça de Deus no coração do crente pode parecer adormecida, mas ela nunca está morta. É o que nós vamos ver em Jó. É o que nós orando e buscamos que aconteça em nós. E em nossos irmãos ao nosso redor e ao redor do mundo. MAIS UM SENTIMENTO Mas antes, Jó tem mais um sentimento para compartilhar conosco no caldeirão de confusão que é o coração desse irmão. (Gostaram da rima?) Às vezes, é triste ouvir como um crente está se sentindo e saber que ele não está bem. Mas é sempre importante saber—porque assim nós podemos orar uns pelos outros, encorajar, ajudar e chegar até o fim da corrida da fé juntos. Nem que seja, na força que Deus supre, carregando o outro no ombro como um soldado ferido. • Jó disse que ele se sente esmagado pelos amigos. • Ele se sente cercado por Deus. • E, para piorar, ele se sente abandonado por todos. Um sentimento que, nesse caso, condiz com a realidade. Ele foi realmente abandonado. 1.3 ABANDONADO POR TODOS (19:13-19) Do versículo 13 ao 19, Jó nos dá uma longa lista daqueles que o abandonaram. Parece que não sobrou ninguém. Nos versículos 13 e 14 são os irmãos e parentes. Nos versículos 15 e 16 são os servos: “João, vem cá. Por favor, vem me ajudar”, mas eles ignoram. [16] Chamo o meu servo, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. No versículo 17, é a própria família que não suporta ficar perto do fedor de Jó: [17] O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos meus irmãos. O versículo 18 é o cúmulo do desprezo para uma sociedade em que honrar os mais velhos é o ensino mais básico que existe: [18] Até as crianças me desprezam, e, quando tento me levantar, zombam de mim. [19] Todos os meus amigos íntimos me detestam, [ele deve estar falando de Elifaz, Bildade e Zofar] e até os que eu amava se voltaram contra mim. Solidão não é só um fenômeno físico. Você pode ter pessoas sentadas do seu lado (como agora), mas ainda assim se sentir sozinho. Às vezes, somos nós que nos isolamos. E isso não é bom. Deus não nos fez para ficarmos longe da família, da igreja e dos amigos. Nós somos seres coletivos. Mas às vezes, nós somos isolados pelos outros. Às vezes, quando nós mais precisamos de ajuda. Qualquer semelhança com o Senhor Jesus na cruz não é mera coincidência. Naquela Sexta-feira Santa 2 mil anos atrás, ele também foi abandonado e se tornou repugnante e detestável às pessoas em volta dele. Como Jó, mas ainda pior. E se tem algo nessa vida que consome nossa energia são os problemas de relacionamento. Muitas vezes, eles nos derrubam mais do que a dor física. E por causa dessa dor, depois de abrir o coração, Jó decide pregar um sermão. 2. O SERMÃO DE JÓ (19:20-29) E por causa de tanta dor, ele começa com um apelo. Muitos pregadores deixam o apelo para o final. Jó traz para o começo. 2.1 APELO (19:20-22) Ele lamenta o estado de pele e osso que ele está: [20] Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne; escapei só com a pele dos meus dentes. E implora com o coração partido em pedaços: [21] Tenham pena de mim, meus amigos, tenham pena de mim, porque a mão de Deus me atingiu. [22] Por que vocês me perseguem como Deus me persegue e não cessam de devorar a minha carne?” Jó se sente esmagado, cercado, abandonado. Jó está na miséria. Ele faz um apelo por misericórdia. Mas ele só recebe massacre. Jó não tem para onde ir. Ou tem? Tem. Jó tem para onde ir. Crente, você sempre tem para onde ir: • Existe um refúgio na tempestade e uma fortaleza na batalha. • Existe um Sumo-Sacerdote que se compadece das suas fraquezas. • Existe um Profeta que tem palavras de graça e amor. • Existe um Rei que tem poder para levantar até mortos do chão. Ele existe. E ele vive. E porque ele vive, você pode crer no amanhã. E porque ele vive, você tem para onde ir. 2.2 EVANGELHO (19:23-27) Jó continua o sermão. O primeiro ponto foi um apelo para os amigos. O segundo ponto é o evangelho para ele. Jó faz o que você deve fazer quando você estiver no chão. E quando você se levantar de manhã. E quando você colocar sua cabeça no travesseiro à noite. E todos os dias de sua vida. Pregue para você mesmo as promessas de Deus em Cristo Jesus. A promessa do perdão pela fé em Cristo, a promessa da vida eterna, a promessa da ressurreição, a promessa do céu, a promessa da glória, a promessa de que, um dia, você verá a Deus. Jó prega as promessas do evangelho—para ele mesmo! Vocês lembram que Jó tinha jogado a toalha no chão. Agora ele se abaixa e pega a toalha. Ele desistiu de desistir! QUEM DERA! [23] “Quem dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem dera fossem gravadas em livro! [24] Que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! Esculpidas em rocha para nunca serem apagadas. “Quem dera que minha inocência, minha justificação, fosse registrada para sempre!” Jó, seu desejo foi ouvido e concedido. Deus é um Deus que ouve orações. E um Deus que é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). O que ele fez por Jó, então, foi registrar as palavras em um livro que dura mais do que a rocha. Um livro mais sólido que as montanhas. Um livro mais eterno do que essa criação. O livro que você tem nas mãos, agora. Por essa nem Jó esperava! As palavras dele se tornaram as palavras de Deus! Agora nós precisamos perguntar para ele: “Jó, por que você resolveu pegar a toalha que você jogou chão, se levantar, sacudir a poeira e voltar ao bom combate da fé? Jó, o que fez sua fé ressuscitar? Por que você está assim, com mais confiança?” O EVANGELHO DO REDENTOR VIVO [25] Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. [26] Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. [27] Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade o meu coração desfalece dentro de mim.” O pêndulo da fé de Jó pode oscilar de um lado para o outro, mas ele está preso no alto. Fixado no céu. A fé dele não vai cair e se despedaçar. • Deus pode ferir você com o cajado da provação, mas na ponta desse cajado tem mel para alimentar sua fé. • Deus pode fazer com que você beba o remédio amargo da dor, mas no fundo do copo tem uma camada de açúcar (natural!) para adoçar sua vida com as promessas dele (Adaptado de: Thomas Watson, All Things for Good, 30). Esses versículos dariam uma série de 10 sermões, mas vamos acampar pelo menos 10 minutos para contemplar a glória de Deus nesse sermão curto que Jó está pregando para ele (e para nós!). Eu vou resumir o evangelho que Jó prega em 3 promessas: 1. SEU REDENTOR ESTÁ RESPIRANDO (v. 25) [25] Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Como é bom saber que nós podemos saber (com segurança!) que nosso Redentor está vivo. “Porque eu sei”. Nós vivemos em um tempo em que uma das piores coisas que você pode fazer é dizer que sabe alguma coisa com certeza, especialmente sobre religião e Deus e o céu e o destino eterno das pessoas. A atmosfera do nosso mundo respira é que todos os caminhos levam a Deus, nenhum caminho é melhor do que o outro. Escolha o que for melhor para você. Em um mundo de dúvidas e confusão, como é bom saber que você pode ter certeza de que existe um Redentor, e que ele está vivo! Mas de quem Jó está falando? No contexto dessa passagem, Jó está falando de Deus. Ele fala que esse Redentor se levantará sobre a terra no versículo 25, e no versículo 26, ele fala ele verá a Deus, o Redentor vivo que irá se levantar. Deus é chamado de o Redentor de Israel várias vezes no Antigo Testamento. E o que é um redentor? A palavra que Jó usa aqui é a mesma palavra que é usada para Boaz no livro de Rute (hebraico: goel). Essa palavra assume um relacionamento entre o redentor e o redimido. No Antigo Testamento, o redentor tinha obrigações por causa desse relacionamento próximo: • Se um parente tem uma dívida, o redentor deve ajudar. • Se um parente se tornou servo de alguém, ele deve pagar o preço para libertá-lo. • O redentor é aquele que compra de volta a herança que uma pessoa precisaria vender porque está muito pobre. • O redentor tem até a obrigação de vingar a morte inocente de um parente. O redentor deveria fazer o que fosse necessário para proteger e salvar um parente próximo (Talbert, Beyond Suffering, 122, citando Michael Barrett, Beginning in Moses, 196-7). Você ouve tudo isso, e em quem você está pensando? Quem é o Redentor fez tudo o que era necessário para nos proteger e nos salvar? O mesmo que morreu na cruz na sexta e ressuscitou no domingo. CRISTO REDENTOR Jesus cumpre todas as obrigações de um Redentor, e por livre e espontânea vontade. Ele é o nosso “parente mais próximo” que entrou em uma aliança conosco para nos proteger e nos salvar. Jesus é o cumprimento da declaração de fé de Jó. Mas para nos redimir—para nos proteger e salvar da morte, Jesus precisou ser engolido pela morte. E como Jonas ficou na barriga do grande peixe por três dias, Jesus ficou na escuridão do estômago da morte por três dias. Mas quando Deus ordenou, no domingo: “— Devolva meu Filho!”, a morte obedeceu. Ela não tem escolha! E Jesus foi devolvido à terra. E quando ele se levantou, ele matou a morte. Na cruz, na sexta, ele entregou toda a vida que ele tinha. No domingo, na sepultura, Deus devolveu a vida que ele tinha, agora com ainda mais glória. E para nunca mais morrer. Esse evangelho que você precisa pregar para você: Se o meu Redentor enfrentou a morte para me salvar, como eu posso pensar que ele não fará tudo o que for preciso para me proteger e me ajudar e me levar para casa? Eu sei que o meu Redentor vive. Essa é a primeira promessa. A segunda promessa do evangelho de Jó é: 2. SUA MORTE TAMBÉM VAI MORRER (v. 26) [26] Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Agora Jó está falando da ressurreição dele—da nossa ressurreição. Jó não tem muita esperança de ser vindicado nesta vida. É por isso que ele quer que a declaração de inocência dele seja escrita com ferro em uma rocha. Para continuar registrado mesmo depois que ele morrer. Mas ele tem esperança—a esperança certa do evangelho—de que ele será declarado justo quando ele morrer e estiver diante de Deus. Jó guarda no coração a esperança da ressurreição. Veja que reviravolta na história. No capítulo anterior, Bildade disse que Jó seria devorado pela morte (Jó 18:13-14). Mas Jó está dizendo: “Não, Bildade! É o meu Deus—meu Redentor—quem irá devorar (tragar)”. A teologia de Jó está mais de acordo com a Bíblia: 1Coríntios 15:54-55—Tragada [engolida] foi a morte pela vitória [de Cristo]. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? A nossa vitória sobre a morte não foi conquistada por nós. Isso é importante ficar claro. Ela foi conquistada pelo Matador da morte—o Senhor da vida, o Senhor Jesus. Em 1 Coríntios 15, Paulo descreve a batalha que nós temos contra a morte. Ele fala da morte segurando um aguilhão—uma vara com uma ponta de ferro afiada no fim. Paulo fala que: o aguilhão da morte é o pecado (v. 16). Ou seja, o pecado é a arma (o aguilhão) que a morte tem na mão para nos matar. Quando Jesus morreu pagando pelos nossos pecados, ele tirou o aguilhão da mão da morte. É por isso que Paulo pergunta: Onde está, ó morte, o seu aguilhão? E a morte fica muda. “Fala, morte! Onde está o pecado—a arma—que você usou para derramar tanto sangue?” A morte não tem resposta. Mas como Jesus não tem pecado, depois que ele pagou pelos pecados, ele se levantou em triunfo. A por causa da sua fé nele, a vitória dele sobre a morte é sua também. 1 Coríntios 15:57—Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a mensagem da Páscoa: a morte perdeu, Jesus venceu. E por isso nós vamos ressuscitar também. A terceira promessa é a razão por que o evangelho é uma boa notícia. 1. Seu Redentor está respirando. 2. Sua morte também vai morrer. 3. Você verá a Deus. Sem essa promessa, a vida eterna seria um castigo e o céu não seria céu. Mas louvado seja o Senhor, o final do versículo 26: 3. VOCÊ VERÁ A DEUS (v. 27) Final do v.[26] em minha carne verei a Deus. [27] Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; Jó não tem dúvidas de que ele verá a Deus. E ele não quer que nós tenhamos dúvida. Ele repete 3 vezes “eu verei”, “eu verei”, “eu verei”. Por que ele faz isso? Porque ele verá a Deus! E nós veremos a Deus! Com olhos glorificados, com os olhos da fé, nós veremos a Deus na face gloriosa de Jesus Cristo. É sempre por meio dele. Você vê a Deus quando você vê Jesus com fé. Isso é verdade hoje, nesta manhã. E será assim por toda a eternidade. Jesus disse para Filipe: “Quem vê a mim, vê o Pai” (João 14:9). Eu não quero, nunca jamais, diminuir o sofrimento que vários de vocês estão passando. E vão passar. Mas a promessa de que você verá a Deus, em sua carne, com seus olhos, tem força divina para levantar você do chão e continuar esperando no Senhor. • Você lê o diagnóstico que você temia no resultado do exame. • Você vê pessoas que você ama—sua própria família—abandonando a fé. • Você é chamado para uma reunião com o RH e é demitido. • Você é rejeitado pelas pessoas que você achava que amavam você, como Jó. Nessa hora, nesse momento, você precisa de alguma coisa para se agarrar e poder levantar. O que nós precisamos é o que Jó precisa e o que Deus prometeu para todos nós. Mais alguns dias, e eu verei a Deus. Mais alguns dias nesse mundo, e eu verei o meu Rei. Só mais alguns dias, e eu verei o meu Redentor em toda a sua glória. Mais alguns dias, e a única coisa que eu vou experimentar pelos próximos bilhões de anos é amor dele. Você pode continuar mancando. Talvez mancando a vida inteira como Jacó depois que ele lutou com Deus. Mas a promessa de ver a Deus tem a força divina para levantar do chão o coração mais pesado entre nós. Jó está mais confiante. Eu espero que nós também. As promessas do evangelho do Redentor são maravilhosas. Mas Jó ainda não terminou o sermão dele. Nem eu, o meu. Faltam dois versículos. Jó começou com um apelo aos amigos, passou pelo evangelho e termina voltando para os amigos. Mas em vez de um apelo, ele termina com um aviso. 2.3 AVISO (19:28-29) [28] “Se vocês [os 3 amigos dele] disserem: ‘Como o perseguiremos?’ E: ‘A causa deste mal se acha nele mesmo’, ... que é o que eles estão falando o tempo todo: “o seu sofrimento é culpa sua, Jó, do seu pecado”. [29] então tenham medo da espada [símbolo de julgamento], porque tais acusações merecem o seu furor, para que vocês saibam que há um juízo.” Agora foi a vez de Jó ameaçar os amigos: “Deus vai julgar vocês. Vocês é que estão cavando a própria cova”. Jó tem razão. É o que nós vamos ver no final do livro. Os amigos de Jó estão debaixo da ira de Deus, como estão todos aqueles que não recebem pela fé o Redentor que absorveu o juízo de Deus na cruz. Que esse não seja o caso de nenhum de nós aqui! O Redentor de Jó pode ser o seu Redentor também. Creia que ele recebeu a espada do julgamento de Deus na cruz no seu lugar—que os cravos nas mãos e nos pés que ele recebeu eram seus, e você pode afirmar com toda a certeza que uma alma humana pode ter: Porque eu sei que o meu Redentor vive; em minha carne verei a Deus (Jó 19:25-26). CONCLUSÃO Essa é a mensagem da Páscoa. A mensagem de como Deus derrotou a morte através de Jesus Cristo e como você pode derrotar esse inimigo que parece invencível. Ele não é. Jesus matou a morte quando ele morreu naquela cruz e ressuscitou daquele sepulcro. Por causa da nossa fé nele, a vitória dele é a nossa vitória. Uma vitória que nós devemos continuar proclamando nos quatro cantos da nossa casa e nos quatro cantos desse mundo. Só nós, crentes no Redentor, temos a melhor mensagem que poderia entrar em ouvidos humanos: Morte, você perdeu. O nosso Redentor venceu. E ele vive. E quando ele voltar, você nunca mais vai existir, morte. Nem você, nem os outros membros da sua família: nem o luto, nem o pranto, nem a dor (Apocalipse 21:4). Mas nós viveremos para sempre com ele. E os nossos olhos verão a Deus. Nós sabemos disso porque o nosso Redentor vive. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_0b0a1f129026466e95ae8a8f83470751~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
