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![Série em Jó: Sofrimento Soberano
29 de Março de 2026 – IBJM Não é ruim fazer as coisas só por obrigação? Fazer coisas que você não entende por que precisa fazer. Você não vê sentido naquilo. • Crianças, se vocês não entendem por que estudar matemática, vocês podem até fazer o dever de casa, mas será se arrastando. Não será com o espírito certo. • Adultos, se você não vê sentido no seu trabalho, você pode até se levantar de manhã e trabalhar porque você precisa, mas é só por obrigação. Muitas vezes, é o que você precisa fazer, mas é muito ruim viver assim. • Se você não vê a razão de fazer aquilo, você pode até fazer por um tempo, mas assim que aparecer uma dificuldade, você vai parar. Quando nós não vemos propósito no que está acontecendo, nós vamos acabar desistimos. É por isso que a nossa luta para manter a esperança viva, especialmente durante o sofrimento, é uma luta por propósito, uma luta por sentido. “Eu estou passando por isso por uma razão”. Jó tem alguns momentos de lucidez, mas ele volta a perder a esperança porque ele volta a perder o propósito. Ele não vê sentido em estar sofrendo tanto. Jó está vivendo por obrigação . E para piorar a situação, os amigos de Jó só pioram a situação. Na explicação deles, para a vida de Jó voltar a fazer sentido, ele precisa confessar o pecado que ele está escondendo e se arrepender. O que nós sabemos que não é verdade. SEGUNDA RODADA: ELIFAZ x JÓ Nós vamos olhar para 3 capítulos hoje: • No capítulo 15: Elifaz fala (e não ajuda). • E nos capítulos 16 e 17, é a vez de Jó responder. Ele continua sua busca por sentido. Vamos começar com Elifaz. É a segunda vez que ele fala. Elifaz foi o primeiro dos 3 amigos de Jó que abriu a boca lá atrás, nos capítulos 4 e 5. Elifaz abre a segunda rodada do debate entre Jó e seus amigos. ELIFAZ FALA (JÓ 15) A opinião de Elifaz sobre o que está acontecendo com Jó não mudou. Mas o coração mudou. O coração dele esquentou. Sabe quando, nos desenhos animados, uma pessoa está irritada e ela começa a ficar mais vermelha. Esse é Elifaz. Ele vem para cima de Jó com mais força. ACUSAÇÃO: VOCÊ É UM TOLO (15:1-16) Elifaz quer provar para Jó que ele é um tolo. [1] Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse: [2] “Será que um sábio daria respostas vazias? Será que encheria a si mesmo de vento leste? [3] Argumentaria com palavras que de nada servem e com razões das quais nada se aproveita? Na resposta anterior de Elifaz, no capítulo 4, Elifaz começou mais educado, mais gentil, mais leve. Ele começou perguntando para Jó: Você não tem confiança no seu temor a Deus? (Jó 4:6) “Jó, espere que Deus irá trocar seu choro por riso. Deus irá trocar seu luto por dança. Espere, Jó”. O tom foi melhor. Mas em vez de continuar a encorajar Jó a confiar no temor de Deus que ele tem, Elifaz perde a paciência e acusa Jó de não ter mais esse temor. Ele acusa Jó de ser um BLASFEMADOR: 1. VOCÊ É UM BLASFEMADOR (VV. 4-6) [4] Mas você destrói o temor de Deus e diminui a devoção a ele devida. [5] Pois o que você fala se inspira em sua iniquidade, e você adota a língua dos astutos. Em Gênesis 3, Satanás é descrito como uma serpente, “o mais astuto dos animais” (Gênesis 3:1). No versículo 6 ele coloca a culpa das acusações deles no próprio Jó: [6] A sua própria boca o condena, e não eu; os seus lábios dão testemunho contra você.” Esse golpe foi forte, mas foi só o primeiro. Além de blasfemador, Elifaz chama Jó de arrogante: 2. VOCÊ É ARROGANTE (VV. 7-10) O espírito de Elifaz é: “Jó, quem você pensa que você é”. [7] “Será que você é o primeiro homem que nasceu? Por acaso, você foi formado antes dos montes? [8] Será que você ouviu o conselho secreto de Deus e detém toda a sabedoria? A resposta que Elifaz espera de Jó é: “Não, eu não ouvi o conselho secreto de Deus. Eu não sei nada”. Mas Elifaz age como se ele tivesse ouvido e soubesse alguma coisa. Mas ele não ouviu o conselho secreto de Deus! Nós ouvimos porque nós lemos os primeiros capítulos de Jó. Elifaz acusa Jó de ser arrogante, mas quem está sendo arrogante é ele. No versículo 11, ele chama Jó de ingrato: 3. VOCÊ É UM INGRATO (V. 11) [11] “Você faz pouco caso das consolações de Deus e das suaves palavras que dirigimos a você? Elifaz só pode estar brincando: “suaves palavras”!? Ele massacra Jó—as palavras deles parecem mais tijolos sendo arremessados, e ele chama de “suaves palavras”. Elifaz não tem espelho em casa. Essa é a maneira do autor do livro de Jó nos lembrar que nós precisamos de Deus e dos outros para perceber nossos pontos cegos—pecados que não estamos vendo, mas que se o Senhor nos der a humildade necessária, nós podemos reconhecer para tirar da nossa vida. É como o pedaço de alface no dente. Como a maionese no bigode. Todo mundo que olha para você vê, mas você, não. Que o Senhor nos ajude a ouvir as pessoas quando elas apontarem nossos pecados. E quando nós formos falar do pecado dos outros, que nossas palavras sejam realmente “suaves palavras”. Além de blasfemador, arrogante e ingrato, Elifaz chama Jó de nervosinho. 4. VOCÊ É UM NERVOSINHO (VV. 12-13) [12] Por que você se deixa levar pelo seu coração? Por que os seus olhos flamejam, [13] para que você dirija contra Deus o seu furor? E por que deixa que tais palavras saiam de sua boca?” A última acusação que Elifaz tem para o seu amigo é: 5. JÓ, VOCÊ É UM IMUNDO (VV. 14-16) [14] “Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? [15] Eis que Deus não confia nem nos seus santos! Nem os céus são puros aos seus olhos, [16] quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água!” Que palavras suaves para um amigo, Elifaz: abominável, corrupto, bebedor de iniquidade. Esse é mais um exemplo dos amigos de Jó usando a verdade no lugar errado—com a pessoa errada. Não é completamente falso o que Elifaz está falando. Por causa do pecado, a humanidade está corrompida. Isso é verdade. É verdade também que Deus é absolutamente santo. O profeta Habacuque disse: Tu és tão puro de olhos, que não podes suportar o mal nem tolerar a opressão (Habacuque 1:13). E que as pessoas no mundo que não conhecem a Deus consomem pecado como água—eles vivem o tempo todo bebendo iniquidade—é verdade também. Elifaz está certo nessas coisas. Mas pegar essas verdades—Deus é santo e o homem é impuro—e aplicar para Jó para explicar o sofrimento dele, isso não é verdade. Jó não está sofrendo porque ele é uma pessoa imunda aos olhos de Deus. A opinião de Deus sobre Jó é que ele é um homem cheio de temor, piedoso e que ama a ele. Na mente de Deus, Jó foi lavado pelo sangue do Cordeiro que irá morrer por ele. Isso não significa que Jó está respondendo perfeitamente ao sofrimento. Algumas coisas que os amigos de Jó estão falando contra Jó, eles até têm razão. Jó disse que Deus não está sendo justo com ele. Jó não pode pensar ou falar isso. Mas agora, pegar uma resposta ruim de Jó nesse tempo de intenso sofrimento, esquecer as várias resposta de fé que Jó deu durante a vida dele, e declarar: “Jó, você é um blasfemador, arrogante, ingrato, nervosinho e imundo”, isso é errado. Muito errado. Isso é maldade. VERDADEIRO, MAS INCOMPLETO Se nós queremos viver com sabedoria nesse mundo—amando a Deus e amando as pessoas—nós precisamos ter essa categoria de um “crente incompleto”. (Hartley, Job, p. x) Crentes que, às vezes (muitas vezes?), não respondem como deveriam. Sabe por quê? Porque todos nós estamos nessa categoria: “os incompletos”. Simplesmente nos lembramos desse fato nos ajuda a termos misericórdia dos outros crentes incompletos. Alguém que luta contra os pecados, que se arrepende, crê em Cristo, e continua. Alguém que se levanta e cai. E levanta e cai. E levanta e cai. Alguém que não é mais do que era—escravo da carne e do mundo, mas alguém que ainda não é o que um dia será, no céu. Mas Elifaz ainda não terminou. A resposta de Elifaz para Jó tem duas partes. Nós vimos a primeira. Até o versículo 16, foi a ACUSAÇÃO contra Jó. Do versículo 17 até o fim do capítulo, Elifaz tem a EXPLICAÇÃO para o sofrimento de Jó. EXPLICAÇÃO: VOCÊ ESTÁ RECEBENDO O QUE VOCÊ MERECE (15:17-35) Elifaz aqui está se juntando a Bildade, o segundo amigo. Elifaz usa a tradição — “o que os sábios anunciaram” — para defender a explicação dele. INTRODUÇÃO: TRADIÇÃO (17-19) [17] “Escute o que eu vou explicar; vou contar-lhe o que eu vi, [18] o que os sábios anunciaram, sem ocultar nada, tendo-o recebido dos pais deles... A estratégia de Elifaz é pintar um quadro aterrorizante da vida do ímpio para ver se Jó se convence de que ele precisa se arrepender e sair dessa vida de pecado para voltar a ter paz com Deus. MEDO DE PERDER (20-22) Ele descreve o ímpio como alguém que vive constantemente com medo de perder o que tem: [20] “O ímpio é atormentado todos os dias, no curto número de anos que se reservam para o opressor. [21] O som dos horrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o destruidor. [22] Não crê que possa escapar das trevas, e sim que a espada o espera. Nem todos aqueles que não amam a Deus vivem com esse medo de perder tudo, mas muitos, sim. Deus colocou a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3:11). Em seus momentos de silêncio, quando eles desligam a televisão e a música e o celular, quando eles consultam sua consciência no travesseiro, vem esse desespero. Eles sabem que as coisas entre ele e Deus não estão certas. Eles vivem com esse senso de tormento, horror, medo. Essa é a explicação de Elifaz para o sofrimento de Jó. Jó estava na prosperidade, mas ele perdeu tudo porque ele abandonou a Deus. Porque Jó se rebelou contra o Todo-Poderoso: A RAZÃO DA DOR (25-26) [25] [Essa é a razão:] Porque ele levantou a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso; [26] arremete contra ele obstinadamente, protegido por um grosso escudo. Nos versículos seguintes, Elifaz descreve o resultado daqueles que não amam a Deus—para dar uma indireta não tão indireta assim—em Jó e ver se ele se arrepende de uma vez. Elifaz usa exemplos do que aconteceu com Jó para cutucar o amigo (ou ex-amigo): A CONSEQUÊNCIA DA IMPIEDADE (27-34) • No versículo 28, ele fala de casas virando ruínas, como aconteceu com Jó. • No versículo 29, ele escreve o ímpio indo da riqueza para a pobreza e perdendo seus bens, como aconteceu com Jó. • No versículo 30, ele fala de chama de fogo e sopro de Deus. Fogo consumiu as ovelhas que Jó tinha e um vento forte derrubou a casa do filho mais velho de Jó em uma reunião de família e todos os filhos morreram. Ele emenda essa descrição insensível com uma exortação para Jó: [31] Que ele não confie na vaidade, enganando a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. Ele descreve de novo a destruição repentina da vida do ímpio e termina com uma descrição, não da vida, mas do coração daqueles que não confiam em Deus: [35] Concebem o mal e dão à luz a iniquidade; o coração deles só prepara enganos.” A teologia de Elifaz não mudou em relação a primeira vez que ele falou, mas ele está mais negativo, mais irritado. Na primeira vez, ele passou um tempo enorme descrevendo a vida maravilhosa daqueles que amam a Deus para Jó. De seis angústias ele [Deus] o livrará, e na sétima o mal não tocará em você. Na fome ele livrará você da morte... Saberá que a sua tenda está em paz; percorrerá as suas posses e não achará falta de nada. Em robusta velhice você descerá à sepultura... Veja bem! Isto é o que investigamos, e assim é. Ouça e medite nisso para o seu bem (Jó 5:19-20,24,26-27). A teologia de Elifaz continua sendo uma teologia da prosperidade, mas agora ele inverteu. Em vez de falar das bençãos daqueles que amam a Deus, ele quer convencer Jó a se arrepender falando das maldições daqueles que não amam a Deus. O que vocês acham da teologia de Elifaz? “Os justos serão recompensados e os ímpios serão punidos”. É verdade? Eu posso criar um problema, e depois nós tentamos resolver? ELIFAZ E SALOMÃO O problema é o seguinte: existem muitas passagens na Bíblia que concordam com a teologia de Elifaz. A teologia de Elifaz está na Bíblia. Por exemplo (Talbert, Beyond Suffering, 112-3): Provérbios 12:21—Nenhuma desgraça sobrevirá ao justo, mas os ímpios, o mal os apanhará em cheio. Não parece Elifaz falando? Mas é Salomão em sua sabedoria. Mais um: Provérbios 10:27—O temor do Senhor prolonga os dias da vida, mas o tempo dos ímpios será abreviado. O que esse provérbio está dizendo é que temer a Deus faz uma pessoas ter uma vida mais longa, mas os ímpios morrem antes. Parece que Salomão concorda com os amigos de Jó. Mas só parece. Salomão não concorda. PROVÉRBIOS SÃO PROVÉRBIOS, NÃO PROMESSAS Provérbios descrevem o que geralmente acontece nesse mundo, não o que sempre acontece, sem exceção. Provérbios são verdades gerais, não promessas. Eles dizem—de forma bem resumida—o que geralmente acontece, mas não é a intenção de Salomão e de Deus descrever todas as situações e exceções em uma frase. É por isso que o livro de Jó e de Eclesiastes são tão importantes para nos dar sabedoria, junto com Provérbios e Salmos. Jó e Eclesiastes nos lembram que a vida é cheia de exceções. E mistérios. Essa interpretação equilibrada que os amigos de Jó não tem. Em um sentido, ler a Bíblia é como fazer um bolo. Você precisa trazer todos os ingredientes necessários na quantidade necessária para dar certo. Se você usar farinha, ovo, açúcar, mas deixar o fermento de fora, o bolo não será bem um bolo. Praticamente todas as heresias—os ensinos falsos da Bíblia—são fruto de alguém que pegou uma doutrina e sem incluir outros ingredientes doutrinários necessários, acabou chegando a conclusões falsas. TENHA CERTEZA DE QUE VOCÊ PODE ESTAR ERRADO Nós podemos aprender uma coisa com Elifaz. Uma coisa que Elifaz nem considera. É que nós podemos estar errados. Elifaz está batendo o pé com força. Jó acabou de mostrar no capítulo anterior que existem situações em que aqueles que amam a Deus sofrem e aqueles que ignoram a Deus se dão bem. Mas entrou por um ouvido e saiu pelo outro e Elifaz nem considerou o que Jó disse. Ele simplesmente repetiu a opinião dele com mais agressividade. Essa estratégia pode funcionar em um debate entre políticos, mas não funciona se nós queremos amar as pessoas e glorificar a Deus. Uma coisa Elifaz nos ensinou pelo mal exemplo: para aplicar a Palavra de Deus a nossa vida, nós precisamos usar os ingredientes doutrinários necessários para o bolo no final nos fazer bem. Jó ouviu o que Elifaz disse. Agora é a vez de Jó falar. JÓ FALA (JÓ 16-17) Nós vamos dividir a resposta de Jó em 4 partes: ACUSAÇÃO, EXPLICAÇÃO, CLAMOR E TOALHA. Nas primeiras duas partes, Jó faz a mesma coisa que Elifaz. Jó tem uma ACUSAÇÃO e uma EXPLICAÇÃO. Mas tanto a acusação quanto a explicação de Jó são diferentes. ACUSAÇÃO: VOCÊS SÃO UNS TORTURADORES (16:1-6) Elifaz acusou Jó de ser um blasfemador. Jó devolve e acusa Elifaz de ser um torturador. [1] Então Jó respondeu: [2] “Tenho ouvido muitas coisas como estas. Todos vocês são consoladores que só aumentam o meu sofrimento. Dentro dessa acusação de Jó, o assunto desses 6 versículos é o consolo que Jó tanto quer e tanto precisa. O tema do consolo, que apareceu no primeiro ciclo de conversas, volta. Se tem uma coisa que nos ajuda a lidar com a dor é o consolo de Deus através dos amigos. Você já foi abençoado assim. Alguém levantou você do chão com palavras. Mas o consolo que Jó tanto quer e precisa, os amigos dele não oferecem. No versículo 2 ele chama os amigos de consoladores “miseráveis” (ESV, Job 16:2)—“que só aumentam o sofrimento”. Mas com o Espírito Santo em nós, nós podemos ser consoladores misericordiosos, não miseráveis. E uma das maneiras em que nós podemos unir nosso coração aos nossos irmãos é nos colocando no lugar do outro. É o que Jó fala no versículo 5: [5] Poderia fortalecê-los com as minhas palavras, e a consolação dos meus lábios abrandaria a dor de vocês. Gastar alguns segundos fazendo esse exercício de troca—se colocando no lugar do outro—nos ajuda na direção de sermos consoladores misericordiosos, não miseráveis: • E se fosse eu que estivesse com câncer... • E se fosse eu que tivesse perdido minha mãe ou meu pai... • E se fosse eu que tivesse sido tratado dessa maneira... • E se fosse eu que tivesse perdido o emprego, perdido o casamento, perdido a família... E assim nossas palavras, com a força do Espírito, pode ser suaves palavras que consolam. Como Elifaz fez, depois da acusação, Jó tem uma explicação. Uma explicação para o sofrimento dele. A explicação de Elifaz para a dor de Jó é o pecado de Jó. A explicação de Jó para a dor dele não é o pecado dele. É o Deus dele. Deus é a causa da minha dor. EXPLICAÇÃO: A RAZÃO DA MINHA DOR NÃO É O MEU PECADO; É O MEU DEUS (16:7-14) Por um momento, Jó para de falar com seus amigos, olha para o céu e fala com Deus: PARA DEUS (7-8) [7] “Na verdade, esgotaste as minhas forças; tu, ó Deus, destruíste toda a minha família. [8] Testemunha disto é que me deixaste enrugado; a minha magreza já se levanta contra mim e me acusa cara a cara.” Para Jó, Deus é a causa da dor dele. E é com Deus que Jó quer lidar e falar e chorar. Deus destruiu a família dele e deixou ele tão magro por causa dos tumores que ele nem mais parece quem ele é. Mas diferente do que Jó fez antes, Jó não fala muito tempo com Deus. Dois versículos: 7 e 8. A partir do versículo 9, Jó volta a falar com os amigos dele. PARA OS AMIGOS SOBRE DEUS (9-14) [9] “Na sua ira me despedaçou e me perseguiu; rangeu os dentes contra mim e, como meu adversário, aguça os olhos. (...) [11] Deus me entrega aos ímpios e me faz cair nas mãos dos perversos. Jó gasta menos tempo falando com Deus (talvez porque Deus não esteja respondendo), mas apesar de não estar falar com Deus, vocês percebem qual é o assunto de Jó? Quem Jó acha que despedaçou a ele “na sua ira”? E persegue a ele? E range dos dentes contra ele? E age como um adversário? Deus. Jó pode até ter parado de falar com Deus, mas ele continua falando sobre Deus. Um cristão, mesmo na dor, mesmo quando ele pensa que Deus está tratando ele mal, o coração dele é puxado para Deus. Mas os pensamentos dos crentes sobre Deus nem sempre são certos: • Jó está certo em entender que Deus é soberano sobre o sofrimento dele. • Mas Jó está errado em concluir que Deus está irado, rangendo os dentes e perseguindo Jó como um adversário. O adversário é Satanás, não Deus. A mente de Jó não está operando bem. Ela está cheia de imagens negativas sobre Deus. Jó imagina Deus como um animal feroz e faminto—um leopardo escondido na mata, esperando a hora de dar o bote, agarrar a gazela pelo pescoço e sacode ela até ela cair morta. [12] Eu vivia em paz, porém ele me esmagou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; ele fez de mim o seu alvo. • No versículo 13, ele imagina Deus como um flecheiro inimigo. • No versículo 14, um guerreiro que vem correndo na direção ele com violência. [14] Ele me fere com golpes e mais golpes; arremete contra mim como um guerreiro.” Se Elifaz acusou Jó de ser um blasfemador. E se Jó acusou Elifaz de ser um torturador. Agora, Jó acusa Deus de ser um destruidor. Um despedaçador de saúde, família e vida. Se Jó fosse um blasfemador e ingrato e imundo como Elifaz está dizendo, Jó entenderia. Deus está sendo justo. Deus está punido um homem que está se rebelando contra ele. Essa é a tese dos amigos de Jó. Mas Jó tem certeza de que ele é inocente. É por isso que Jó está tão atordoado e confuso. TRANSIÇÃO: EU SOU INOCENTE! (16:15-17) [16] O meu rosto está vermelho de tanto chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte, [17] embora não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha oração.” Jó não está dizendo que ele não tem nenhum pecado. Jó está dizendo que ele não é o ímpio, arrogante e ingrato que os amigos estão dizendo que ele é. “Eu confio no Senhor. Eu amo o Senhor. Eu temo a Deus e me desvio do mal. Mas eu sou tratado por Deus como se eu fosse um pecador horrível”. A explicação de Jó para a dor dele não é o pecado dele. É o Deus dele. UMA MISTURA CONFUSA A mente de Jó é como liquidificador que jogou verdades e mentiras dentro, bateu e agora tudo está misturado. Alguns ingredientes são bons—Deus é soberano. É para Deus que Jó tem que ir. Esse ingrediente faz parte da receita para lidarmos com a nossa dor. Mas Jó jogou dentro do liquidificador essa ideia de que Deus está injustamente irado com ele, que Deus está sendo cruel. Esse ingrediente está envenenando a alma de Jó. Sempre que nós fazemos isso, o resultado não é bom. O resultado é desânimo, depressão, amargura, ansiedade, medo e muitos outros males. Mas algo lindo de se ver na vida de um cristão como Jó é que ele sabe para quem ele tem que ir. Existe um sussurro dentro do crente que diz para ele mesmo: — Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus (João 6:68-69). Às vezes, você vai correndo para Jesus. Às vezes, você vai mancando. E demora mais tempo para chegar nele. Mas você vai. O cristão pode, às vezes, ter explicações erradas para a dor dele. Mas um instinto que o Espírito Santo colocou nele e que ninguém pode tirar é esse: “Eu que quero falar com Deus, eu quero ouvir Deus, eu quero Deus”. Por causa desse instinto, Jó não se contenta em explicar. Jó começa a clamar. Ele vai da explicação para um clamor: O CLAMOR (16:18-17:5) Como o sangue de Abel que foi derramado injustamente e ainda clama por justiça (Gênesis 4:10), Jó não quer que a morte dele seja em vão (Harley, The Book of Job, 263). [18] “Ó terra, não cubra o meu sangue, e não haja lugar em que se oculte o meu clamor! “Terra, quando eu morrer, proclame a minha inocência pelo mundo!” Mas Jó sabe que a terra não tem poder para fazer nada. Quem tem poder para responder e agir é o Deus de toda a terra. Prova que Jó sabe disso, é o que ele fala agora: [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa. O SOLUÇO DA GRAÇA Essa maneira de falar é a maneira de alguém que tem confiança. Nós estamos vendo—ou ouvindo—aqui uma faísca de esperança. O fogo da fé de Jó pode não estar queimando a todo vapor, mas tem uma brasa naquele coração. Que mistério e que maravilha é o coração do homem e o Espírito de Deus. Em um minuto, o crente Jó está olhando para Deus como um flecheiro, um guerreiro, um adversário, um destruidor. No outro minuto, ele vem com essa declaração: [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa—“meu advogado”. Bem-vindo ao mundo real. Ao mundo real dos crentes reais com sofrimentos reais. Sim, em alguns momentos, em alguns minutos, tudo na vida parece escuro, seco, sem vida. Mas em outros minutos, o Espírito de Deus abre uma fresta do coração do crente para que entre luz—e a esperança volta. Você está lendo um Salmo, cantando uma música, ouvindo a pregação da Palavra e sua fé se levanta do chão e se agarra em Jesus de novo. Esses momentos podem parecer um soluço. De repente, aparentemente do nada, ele surge dentro de você e você não consegue controlar: você confia, você adora, você louva. É o soluço da graça. Parece que foi do nada, mas não foi. Foi ele. Foi Deus. • Que isso seja um encorajamento para você, cristão deprimido e sem esperança. • Ou você que está ansioso e com medo e com dificuldade de confiar no Senhor. • Ou você que está apático e triste por não ver mais sua fé queimando como antes. O que você deve fazer é continuar clamando e orando e lendo e ouvindo. Continuar indo até ele, mesmo que você esteja mancando. Abanando o seu coração como um carvão em brasa até o fogo voltar a pegar. O Espírito de Deus pode fazer um pavio fumegando voltar a queimar. Hoje. Agora. Mas nós pulamos uma pergunta importante: DE QUEM ELE ESTÁ FALANDO? [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa. De quem Jó está falando? Quem é essa testemunha — esse advogado? O tema da justificação—de quer ser declaro justo por Deus—que apareceu no primeiro ciclo volta. Quem é essa Pessoa que irá defender Jó no tribunal de Deus e provar que ele é um crente verdadeiro, um homem justificado, um adorador do Senhor e não um ímpio como os amigos de Jó acusam, nem um interesseiro como Satanás acusa. A Testemunha—o Advogado—que irá defender Jó é Deus. Deus é aquele que está no céu, nas alturas. • Mas Jó não disse há pouco tempo que Deus irá declarar a ele culpado (Jó 9:20)? • Ele não disse que Deus está contra Jó (Jó 10:2)? • Ele não disse que Deus quer matá-lo? Como agora ele acha que Deus irá defendê-lo? Deus irá testemunhar contra Deus? Bem-vindo ao mundo real. Ao mundo real dos crentes reais com sofrimentos reais. Sim, os crentes têm momentos de escuridão e eles não conseguem ver a Deus como deveriam. Mas quando a luz entra, quando o Espírito Santo abre uma fresta da porta do coração e entra glória com poder, quando ele vê um pouco da majestade do Rei, isso é suficiente para ressuscitar a esperança nele e Deus muda de destruidor para Defensor. Mas me permita dizer mais: bem-vindo também ao evangelho—o evangelho real dos crentes reais em um mundo real. Jó 16:19 é a mensagem da cruz. Não deveria ser uma surpresa para nós ouvirmos um crente como Jó dizer que a esperança dele é que Deus defenda Jó de Deus. Esse não é o evangelho? O Deus Pai envia o Deus Filho para ser nosso Advogado no tribunal de Deus. 1João 2:1-2—Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados. Na cruz, o Deus Filho defende a causa do povo de Deus diante de Deus. O Deus Filho testemunha a nosso favor. O sangue dele nos defende. O sangue se levanta para testemunhar a nosso favor no tribunal. DIANTE DO TRONO DE DEUS NOS CÉUS Em 1863, uma jovem de 22 anos escreveu um hino sobre essa verdade libertadora e gloriosa: existe alguém no céu que intercede por nós. Como o versículo 19 diz: “Já agora”. O título que ela deu para o hino foi: “O Advogado”. Nós cantamos esse hino na IBJM. Por favor, ouça essa letra: Diante do Trono de Deus nos céus Tenho perfeita intercessão Do sumo sacerdote o Amor Que advoga em meu favor Meu nome em suas mãos está Escrito em seu coração E enquanto no céu Ele estiver Seguro ali eu estarei Se sou tentado a desviar E vejo a culpa que há em mim Contemplo os céus e vejo então Aquele que morreu na cruz O justo Salvador morreu Pra minha vida libertar Satisfazendo o Santo Deus Que me perdoa ao ver Jesus Vejo o Cordeiro que ressurgiu Sua justiça e perfeição O Grande Imutável Eu Sou O Rei da Graça, o Rei dos Céus Unido a Ele não morrerei Comprado por seu sangue fui Minha vida oculta em Cristo está Em Cristo meu Deus, Salvador Em Cristo meu Deus, Salvador. Cristão, que Testemunha, que Advogado nós temos no céu. Quando a culpa dos nossos pecados nos derrubar, seja porque Satanás nos acusa ou pessoas nos acusam ou nossos próprios pensamentos nos acusam, existe um lugar—uma Pessoa—que nós podemos ir que irá nos defender “diante do trono de Deus nos céus” usando a morte dele em nosso lugar. Se você ainda não tem um Advogado para defender você no dia em que todos nós teremos que comparecer diante do trono de Deus nos céus, você precisa contratar o Senhor Jesus Cristo. Quem de nós poderá dizer para Deus: eu nunca pequei, eu mereço o céu? Mas aqui vai a parte importante: Jesus não aceita nada em troca—ele não aceita dinheiro, nem boas ações. Você contrata a ele pela graça por meio da fé. O que ele exige é que você confie nele. E em troca ele dá para você a justiça dele, o perdão dele e no dia do julgamento, ele vai defender você diante do Juiz. Jó está certo. O Advogado é o próprio Deus. Ainda não estava claro para Jó naquele momento como está claro para nós agora com o Novo Testamento e a vinda do Senhor Jesus, mas os instintos de Jó são os instintos de um crente. Mas a esperança de Jó não durou muito tempo. O capítulo 16 termina e o capítulo 17 começa com Jó vendo a morte vindo na direção dele para buscá-lo: Jó 16:[22] Porque dentro de poucos anos eu seguirei o caminho de onde não voltarei.” Capítulo 17:[1] O meu espírito vai se consumindo, os meus dias vão se apagando, e só tenho diante de mim a sepultura. Ele até volta a falar com Deus, em mais segundo soluço da graça: VOLTA A DEUS (17:3-5) [3] “Dá-me, ó Deus, um penhor, e sê o meu fiador diante de ti; quem mais haverá que possa se comprometer comigo? Senhor, me dá uma garantia (um penhor) que eu não estou esperando o Senhor à toa. Me promete que o Senhor irá me justificar. Mas o clamor a Deus dura pouco. De novo. Ele vai só tem o versículo 5. No versículo 6 nós temos outro “mas” que derruba Jó de vez no chão. No boxe, quando o treinador vê que o boxeador dele está apanhando tanto sem conseguir se defender, ele joga a toalha no chão no meio do ringue para avisar o juiz: nós desistimos. Nós aceitamos a derrota. Jó não aguenta mais apanhar e, no desespero, ele joga a toalha também. Acusação, Explicação, Clamor e, por último: TOALHA (17:6-16) Do versículo 6 ao 10 ele volta a falar da dor: COM DOR (6-10) [6] Mas ele me pôs por provérbio dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe. É impossível ler esse versículo e não pensar no Senhor Jesus sendo cuspido pelos judeus e romanos antes de ser crucificado. Sem Jó saber (mas Deus sabendo), o sofrimento de Jó nos prepara para o Salvador-Sofredor mais inocente que Jó. [7] Os meus olhos se escureceram de mágoa, e todos os meus membros são como a sombra. Jó fica pensando mais na dor e menos no Defensor que ele tem, e isso leva Jó a cair de novo no fundo do poço: SEM ESPERANÇA (11-16) [11] “Os meus dias passaram, e fracassaram os meus planos, os desejos do meu coração. Deus rasgou os planos de Jó. A família dele foi destruída, os bens destruídos, a saúde destruída. Jó sabe que precisa de esperança, mas ele não acha. Ele só consegue ver a morte. A morte é a família dele: [13] Mas, se eu aguardo a sepultura por minha casa; se faço a minha cama nas trevas; [14] se digo à cova: ‘Você é o meu pai’, e aos vermes: ‘Vocês são a minha mãe e a minha irmã’, [15] onde está, então, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? [16] Ela descerá até as portas do mundo dos mortos, quando juntos descansarmos no pó.” Dizem que a esperança é a última que morre. Jó termina dizendo: “a minha esperança morreu”. Parece que dessa vez Jó desistiu. Mas tem coisas que os crentes sofrendo falam que nós não deveríamos anotar. Algumas coisas que eles falam, nós deveríamos deixar para lá. CONCLUSÃO Nós perdemos a esperança quando nós não vemos razão no sofrimento. Jó não vê sentido em sofrer desse jeito sem ouvir uma resposta de Deus. É por isso que ele joga a toalha. Você provavelmente teve seus dias em que você jogou a toalha. Ou ficou com vontade de jogar. Mas o Espírito Santo nunca deixa um santo desistir. Um crente (como Jó) pode até jogar a toalha. Mas ele não vira as contas e vai embora. Ele fica olhando para toalha. Ele fica se perguntando se ele não deveria pegar a toalha do chão, jogar para fora do ringue e voltar para o combate da fé. Ele fica se perguntando se vale a pena não desistir. Nós sabemos a resposta: “Vale”. É claro que vale a pena não desistir. Com uma Testemunha no céu como Jesus, como esse um Advogado e Defensor como o Senhor Jesus, vale a pena. Vale a pena continuar buscando a Deus. Vale a pena continuar clamando e buscando o Senhor. Quando nós olhamos para ele—para o sofrimento do Senhor Jesus e o amor dele, a vida faz sentido. Até no sofrimento. Com ele, a vida vale a pena. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
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Jó 15-17: Minha Testemunha Está no Céu
Quando nós não vemos propósito no que está acontecendo, nós vamos acabar desistimos.
É por isso que a nossa luta para manter a esperança viva, especialmente durante o sofrimento, é uma luta por propósito, uma luta por sentido. “Eu estou passando por isso por uma razão”.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
08 de Março de 2026 – IBJM
C. S. Lewis foi um escritor cristão. Ele escreveu Crônicas de Nárnia e outros livros que se tornaram muito populares. E como Jó, ele amava o Senhor e experimentou também sua dose de dor. Ele se casou com uma um mulher chamada Joy quando ele tinha 57 anos. Ele acabou se casando tarde. E foi um casamento curto. Eles tinham apenas 4 anos de casados quando um câncer nos ossos levou a esposa dele. Para lidar com a perda, ele escreveu um livro chamado “A Anatomia de um Luto”. Sem ter certeza do que acreditar sobre quem Deus é—esse Deus que levou a esposa dele tão rápido, ele escreveu: Eu não acho que eu estou correndo perigo de deixar de acreditar em Deus. O perigo real é eu começar a pensar que Deus é bem diferente do que eu sempre achei. A pergunta que eu enfrento não é: “Então, existe realmente um Deus?”. A pergunta é: “Então, assim que Deus é?” Ele achou que Deus era de um jeito—bom, amoroso, justo—mas depois da morte da esposa, C.S. Lewis ficou se perguntando se Deus era realmente quem ele sempre acreditou. Um Deus bom, amoroso e justo faria isso? O sofrimento faz isso: ele tira os nossos pensamentos do lugar. O sofrimento é como uma mão que vem e embaralha e desafaz o quebra-cabeça da imagem de Deus que nós tínhamos montados. Nós encaixamos as peças sobre quem Deus é ao longo do tempo. Parece que tudo estava no lugar. Até que vem a mão da dor e mistura tudo. Desfaz a imagem. E nós ficamos confusos sobre quem realmente é o Deus que governa esse mundo e a minha vida. Jó está passando pelo que C.S. Lewis passou. E o que cada um de nós aqui já passou e vai passar. Diante da dor, Jó está confuso sobre o caráter de Deus. Confuso ao ponto de questionar a justiça de Deus. Esse Deus é realmente justo? Ele realmente me ama? Eu quero lembrar vocês de uma das verdades que nós precisamos carregar durante todo o livro para interpretarmos Jó corretamente. A verdade é: Jó é crente. Jó é um adorador do Deus vivo e verdadeiro. O autor do livro repete isso várias vezes no capítulo 1 e 2. Nós precisamos ouvir o que Jó tem a dizer segurando essa verdade. Eu estou falando isso porque Jó faz dizer algumas coisas erradas sobre Deus que podem nos chocar. Jó vai acusar Deus. Jó vai questionar Deus. Mas Jó é crente. Isso não significa que Jó está fazendo o que é certo. Nós nunca devemos acusar Deus de fazer algo injusto. Mas o fato de Jó ser crente nos lembra que crentes verdadeiros—que amam o Senhor Jesus Cristo—podem passar por momentos de enorme tristeza e confusão: • E acabar falando o que não devem sobre Deus. • E pensando o que não devem sobre Deus. • E ainda assim, ter um coração que ama e confia em Deus. A JUSTIÇA DE DEUS EM UM MUNDO INJUSTO A assunto da justiça de Deus continua. Nós ouvimos a teologia de Bildade no capítulo 8. Bildade defende a justiça de Deus com uma teologia bem-organizada e bem-errada. A explicação de Bildade para lidarmos com o sofrimento é: todo mundo recebe o que merece. Pessoas boas recebem coisas boas e pessoas más recebem coisas más. Ponto. Nós não estamos satisfeitos com essa resposta. E Jó também não. Ele vai responder a Bildade. Mas os pensamentos de Jó não são tão bem-organizados quanto os pensamentos de Bildade. Em alguns momentos, parece que Jó fala uma coisa e depois desiste. Jó parece mais confuso que os amigos dele. O que não é de nos surpreender. O sofrimento profundo e repentino faz isso. Vocês lembram: o quebra-cabeça foi embaralhado. Uma mão—a mão de Deus—veio por trás de Jó e espalhou as peças e bagunçou tudo. Jó está confuso. Onde está cada peça sobre o caráter de Deus? Onde o amor de Deus se encaixa? E a justiça? E a graça? Mas apesar de Jó não ser tão organizado, a teologia dele é melhor que a de Bildade. O coração de Jó é o coração de um cristão. Vamos ouvir Jó: no capítulo 9, ele fala com Bildade. No capítulo 10, Jó fala com Deus. JÓ 9: COMO PODE UM MORTAL SER JUSTO DIANTE DE DEUS? (vv. 9:1-4) Que o assunto continua a ser a justiça de Deus. Nós percebemos logo no início com a pergunta de Jó: Jó 9:[1] Então Jó respondeu: [2] “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o mortal ser justo diante de Deus? Parece um pouco estranho Jó concordar com Bildade depois de um monte de besteira que Bildade falou. Mas, para a nossa surpresa, Jó começa dizendo: [2] Na verdade, sei que assim é; Jó não concorda com a teologia inteira de Bildade, mas ele concorda que Deus é justo. Essa parte, Jó concorda. Mas essa é justamente a angústia de Jó. Ele sempre soube que Deus é justo. Mas agora Deus está tratando Jó com injustiça (na mente de Jó). Ele quer resolver esse problema apelando para uma audiência no tribunal. Jó quer se defender diante de Deus—já que Jó tem certeza de que ele não é culpado. Mas aí vem o problema: Deus é tanto o Juiz quanto o Acusador. Não tem como você vencer. Imagine, você entra em um tribunal em que a pessoa que acusa você de um crime é a mesma pessoa que vai julgar você. Você sempre vai perder! [3] Se quiser discutir com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder. [4] Ele é sábio de coração e grande em poder; quem ousou desafiá-lo e sobreviveu? Vocês percebem a angústia de Jó? Por um lado, ele quer ouvir de Deus (o Juiz) que ele é inocente. É o que ele mais quer: que o relacionamento dele com Deus esteja acertado. Por outro lado, ele não tem esperança de que isso seja possível, porque com um Deus tão poderoso, tão grande, tão soberano, tão maior que nós do lado da acusação também, não tem conversa. Eu sempre vou perder e ser declarado culpado. [2] (...) Como pode o mortal ser justo diante de Deus? Não tem como! Os versículos 14-15 mostram esse conflito dentro de Jó: [14] Como então poderei eu responder a ele? Como escolher as minhas palavras, para argumentar com ele? [15] Ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; pelo contrário, pediria misericórdia ao meu Juiz. Eu quero falar com Deus e me defender. Mas eu sei que não vai adiantar nada. • Como uma criança que quer pedir para o pai deixar ela sair para brincar, mas não tem esperança de que o pai vai deixar porque ele está de castigo. • Como um homem que tem o desejo de pedir uma mulher em casamento, mas não tem esperança de que ela possa dizer “sim” porque ele é boa demais para ele. O desejo está lá. A esperança, não. Esse é o olho do furacão na alma de Jó. Ele quer muito resolver as coisas entre ele e Deus e provar que ele é inocente e não deveria estar sofrendo tanto, mas ele não acha que é possível resolver esse conflito com Deus. Um conflito que, diga-se de passagem não existe de verdade; só existe na mente de Jó. Deus não está em nenhum conflito com Jó. No resto do capítulo 9, Jó explica por que ele chegou a essa conclusão. Vocês lembram que as peças do quebra-cabeça que Jó tinha montado sobre os atributos de Deus foram espalhadas. Os pensamentos de Jó ainda não estão muito organizados. Eu vou tentar organizar o que Jó está falando sobre Deus em 4 atributos. Ele começa dizendo que Deus é: 1. INCOMPARÁVEL (vv. 9:5-13) Jó tem uma visão elevada de Deus. No versículo 4, ele já tinha falado que Deus é: [4] (...) sábio de coração e grande em poder; A partir do versículo 5, ele descreve Deus como um Ser Incomparável. Incomparável no seu poder: [5] Ele é quem remove os montes, sem que saibam que na sua ira ele os transtorna. [6] Deus remove a terra do seu lugar, e faz as suas colunas estremecerem. Incomparável na sua soberania: [7] Ele dá uma ordem ao sol, e este não sai, e sela as estrelas. [8] Sozinho ele estende os céus e anda sobre as costas do mar. A criação prova a grandeza incomparável do Criador: [9] Ele fez a Ursa Maior, o Órion, o Sete-estrelo e as constelações do Sul. [10] Deus faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem enumerar. Ele termina esse trecho (no versículo 13) dizendo que até o monstro Raabe, essa figura que os povos pagãos usam para falar do caos, nem esse mostro inventado é maior do que Deus. Deus é incomparável! Mas Jó pega esse atributo divino e lê de forma negativa. Como se fosse um problema para ele. Crente deprimidos às vezes fazem isso. Eles pegam ao positivo e, quando eles vão aplicar para eles, eles acham que aquilo é um problema. Todas as coisas cooperam para aqueles que amam a Deus (Romanos 8:28). “Ah, mas eu não amo a Deus como eu deveria. Esse versículo não é para mim”. É, sim! É para todos os crentes—deprimidos e não-deprimidos! Jó está fazendo isso. Ele olha para a grandeza de Deus como se fosse um problema para ele. Jó olha para a grandeza do poder e da soberania de Deus sem incluir a grandeza do amor e da graça de Deus. E isso faz ele olhar para Deus como alguém que é CONTRA ele e não alguém que é POR ele. Por isso, os próximos 3 atributos de Deus que Jó lista, na verdade, não são verdade. A grande dor de Jó o deixou em grande confusão também sobre quem Deus é. Segundo, Jó vê Deus como: 2. INACESSÍVEL (vv. 9:14-19) [16] Ainda que eu o chamasse e ele me respondesse, nem por isso eu creria que ele deu ouvidos à minha voz. Por quê, Jó? Por que você está tão sem esperança de que Deus ouviria você? [17] Porque [implícito: Deus] me esmaga com uma tempestade e sem motivo multiplica as minhas feridas. [18] Não me permite respirar, porque me enche de amargura. O sofrimento, especialmente o sofrimento prolongado. Você ora e o problema continua. Você pede por algo bom—paz no seu espírito, a restauração de um relacionamento, a cura de uma doença, um casamento mais estável, filhos crentes—e Deus não faz o que você está pedindo. Essa dor prolongada cria uma lógica falsa em nossa mente: a lógica de que Deus não está me ouvindo porque ele não está fazendo o que eu estou pedindo. Você já se sentiu assim alguma vez? Naquele mesmo livro sobre o luto, C. S. Lewis foi honesto com os sentimentos dele. Ele disse: Você vai a Deus quando você está em uma necessidade desesperada, quando qualquer outra ajuda é inútil, e o que você encontra? Uma porta fechada na sua cara e o som de trancas do lado de dentro. E depois disso, silêncio (Lewis, Anatomia de um Luto). Você já passou por isso? Essa sensação de que sua oração para no teto e não chega ao céu. A sensação de que você bate na porta para falar com Deus—“Senhor, me atende, Senhor, me atende!”, mas a porta fica fechada. Trancada. “E depois disso, silêncio”. É como Jó está se sentindo. É como C.S. Lewis se sentiu. É como nós podemos nos sentir quando nós vamos ao Senhor com uma necessidade desesperada e nada acontece. A impressão é que a porta está trancada e Deus é inacessível. Meu irmão em Cristo, esse pode ser um pensamento honesto, mas ele não é um pensamento verdadeiro. A lógica de Jesus é bem diferente dessa lógica da porta trancada com um Deus que não se importa do outro lado. Jesus disse: [7] —Peçam e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. (...) [Logo depois, Jesus diz:] [9] (...) quem de vocês, se o filho pedir pão, lhe dará uma pedra? [10] Ou, se pedir um peixe, lhe dará uma cobra? [11] Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem? (Mateus 7:7,9-11) A lógica verdadeira é a lógica de Jesus. Você pede, e Deus ouve. Um Pai como Deus nunca negaria algo bom para os seus filhos. Isso não significa que Deus irá nos dar tudo o que nós pedimos. Mas se ele não deu o que nós estamos pedindo, é porque ele tem uma ideia melhor. Mas Jó ainda está confuso. Ele não está vendo a Deus corretamente. Sabe quando seus olhos estão cheios de lágrimas e fica tudo embaçado e você não consegue enxergar direto? Jó está assim. Além de um Deus inacessível, Jó está enxergando Deus como um Deus injusto. Jó realmente não está bem. 3. INJUSTO (vv. 9:20-24)
[20] Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora eu seja íntegro, ela me declarará culpado. Jó está convencido de que ele não tem um pecado que justifique o tratamento que Deus está dando para ele. Mas ele está convencido também de que com Deus não tem conversa. Você pode até ser íntegro, Deus vai dizer que você é culpado. Ele não é um Juiz justo. E por isso, Jó perdeu esperança de ser tratado corretamente por Deus: [21] Eu sou íntegro, mas não me importo comigo, não faço caso da minha vida. [22] Para mim, é tudo a mesma coisa; por isso, digo: ele destrói tanto os íntegros como os perversos. Se eu fosse fazer uma mímica de como Jó está se sentindo, eu mexeria os ombros assim. “Eu não me importo. Deus destrói tanto os íntegros como os perversos. Não importa como você viva. Deus destrói todo mundo. Ele não tem um critério justo”. A dor de Jó embaralhou tanto as peças na cabeça dele, que ele não consegue ver mais a bondade de Deus: [23] Se um flagelo mata de repente, ele rirá do desespero dos inocentes. Que visão negativa (e errada!) de Deus que Jó está tendo: “Deus rirá do desespero dos inocentes?” Mas na mente de Jó, reduzir a soberania de Deus para explicar o mal nesse mundo não é uma alternativa. Deus é Deus. [24] A terra está entregue nas mãos dos ímpios, e Deus ainda cobre o rosto dos juízes. Se ele não é o causador disso, quem seria? A pergunta no original é: “Se não é ele [Deus], então quem é?” Ele tem poder para fazer o que ele quiser. Mas como todo esse poder, ele permite que os políticos corruptos vivam em mansões enquanto os crentes vivam na pobreza. Ele permite que ladrões desfrutem de banquetes e o povo dele passe necessidade. Ele permite que os maus se deem bem e os bons se deem mal, o que prova que a teologia de Bildade (e da prosperidade) é desconectada da realidade. Como lidar com as injustiças em um mundo governando por um Deus justo? Essa é uma pergunta justa. Lícita. Mas Jó está indo para o caminho errado. Ele está atribuindo injustiça a Deus, em vez de se agarrar que, no tempo certo, Deus não tapará o rosto para nenhuma injustiça. Em vez de se agarrar que nós podemos confiar que Deus está usando tudo—incluindo as maldades desse mundo—com propósitos santos. Jó termina o capítulo 9 com mais um atributo de Deus que explica por que ele não tem esperança de ser ouvido por Deus. É porque Deus está indignado com ele. 4. INDIGNADO (vv. 9:25-35) Jó até volta a falar um pouco do sofrimento dele: • No versículo 25 ele fala dos dias dele como um corredor que nem para para poder ver a felicidade. • No versículo 28 ele fala das dores dele apavorando a ele. Mas logo depois ele volta a falar do relacionamento dele com Deus: [28] ainda assim todas as minhas dores me apavoram, porque bem sei que não me considerarás inocente. [29] Eu serei condenado; por que, pois, trabalho em vão? O capítulo 9 está lotado de linguagem de um tribunal. Jó desenha um cenário onde ele é o réu—aquele que sofre uma acusação. E Deus é tanto o Juiz (quem julga) quanto o Promotor (quem acusa). Entrar em um tribunal com esse Deus, não tem como ganhar. Ah, se Jó soubesse que Satanás é o Acusador, não Deus! Mas Jó não sabe. Ele não ouviu a conversa que nós ouvimos no capítulo 1 e 2. Ele está lendo quem Deus através do que ele está passando. O que não é uma boa ideia. (Eu quero falar mais sobre isso no final). [32] Porque ele não é ser humano, como eu, a quem eu responda, se formos juntos ao tribunal. [33] Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós dois. [34] Que ele tire a sua vara de cima de mim, e que o seu terror não me amedronte! [35] Então falarei sem o temer; do contrário, eu não estaria em mim. A sensação de Jó é que não dá para chegar perto desse Deus. Jó está com medo. Jó está convencido de que ele é inocente, mas para ele estar sofrendo assim, ele está convencido também que Deus está irado com ele—por um motivo que ele não sabe. • Quando você peca, cristão, como você lida com Deus? Você fica um tempo longe do Senhor esperando ele se acalmar porque você acha que ele está indignado com você? • Ou quando você sofre, cristão, como você lida com Deus? Você fica um tempo longe de Deus esperando você se acalmar porque você está indignado com Deus? Os dois pensamentos são ruins. Nós nunca deveríamos ficar indignados com Deus e (tão importante quanto!) Deus não está indignado com você, cristão. Quando você peca, você não precisa (e não deve!) esperar um tempo para se aproximar de Deus de novo, como se Deus precisasse contar até 10 e respirar para não derramar a ira dele sobre você. Esse é um pensamento errado e ruim, cristão. É uma visão errada de quem Deus é para nós EM CRISTO. Porque em Cristo, a ira já foi derramada. Toda. Ele bebeu até a última gota. Para você que está em Cristo, o cálice está vazio. Em Cristo, quando você, filho pródigo, se dá conta de que você está comendo a comida de porco do pecado e mesmo todo sujo, se levanta para ir até o seu pai para pedir perdão e ajuda, Deus já abriu o portão da casa e está vindo em sua direção para abraçar você. Então, o meu pecado não é um problema? É. O pecado é um problema enorme. O seu pecado é o que impede você de se aproximar de Deus. O que acontece é que, quando você coloca sua fé em Cristo, Deus coloca o seu pecado pregado na cruz dele. E agora que o seu pecado está preso lá—e já foi pago, ele não pode mais tornar você culpado diante de Deus. Agora Deus é completamente por você. Você vai ao Senhor pedir perdão como alguém que confia que Cristo já pagou. Essa é a sua confiança. Jó está olhando para Deus sem olhar para o Salvador que Deus prometeu—no caso dele, ainda no futuro; no nosso caso, no passado. Jó não está olhando para Deus pela lente da fé e da graça. Não é à toa que ele está vendo Deus de forma tão negativa. O capítulo 10 é a continuação da resposta de Jó a Bildade. Mas Jó não está mais falando com Bildade sobre Deus. Já agora está falando com Deus sobre Deus. O capítulo 10 é uma queixa de Jó para Deus. Veja como o capítulo começa: JÓ 10: UMA QUEIXA AO MEU DEUS [1] Estou cansado de viver. Darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma. [2] Pedirei a Deus: ‘Não me condenes!’ Faze-me saber o que tens contra mim. A partir daqui até o final, Jó não está falando mais com Bildade. Jó está falando com Deus. Jó não usa mais “ele” para falar de Deus. Agora Jó vai usar “tu”. No capítulo 9, ele disse que era inútil falar com Deus porque Deus era inacessível e injusto e indignado e não tem como ter uma audiência no tribunal com um Deus assim. Não vale a pena. Não vai dar em nada. Jó disse: “Eu não me importo comigo”. Mas agora no capítulo 10 parece que ele esqueceu do que ele acabou de falar e ele vai, sim, falar com Deus. Vocês sabem por quê? Porque, no fundo, ele se importa. Isso é bem comum na mente de um sofredor. Se você já teve que lidar com alguém sofrendo—ou na sua própria experiência. Você não tem esperança, mas você tem esperança. Jó está sem esperança, mas no fundo, no fundo da alma dele, tem esperança. Mesmo que sejam algumas poucas gotas, um vaso de barro crente nunca fica completamente seco. Como um autor disse: “Jó se desespera sem desistir” (Hartley, The Book of Job, 165). Essa é a terceira queixa que Jó vai fazer desde o início do livro: • No capítulo 3, ele reclamou muito da vida, mas ele não se dirigiu a Deus nenhuma vez. • No capítulo 7, ele reclamou muito da vida, e ele se dirigiu a Deus algumas vezes. • Agora, no capítulo 10, Jó continua reclamando muito da vida, mas ele se dirige a Deus o tempo todo. E o sofrimento dele fica em segundo plano. O que mais importa para Jó é o relacionamento dele com Deus. Jó divide a queixa dele em 3 partes: ele tem duas 2 perguntas para Deus e 1 pedido final. 1. PRIMEIRA PERGUNTA: O QUE O SENHOR TEM CONTRA MIM PARA ME TRATAR DESSE JEITO? (vv. 10:1-7) O primeiro e o último versículo essa primeira parte resumem o que está no coração de Jó: [2] Pedirei a Deus: ‘Não me condenes!’ Faze-me saber o que tens contra mim. [7] Bem sabes que eu não sou culpado; todavia, não há ninguém que possa me livrar da tua mão. Nos versículos do meio—do 3 ao 6—a reclamação de Jó é que Deus está agindo contra Jó como se ele fosse um ser humano limitado, que não tem todo o conhecimento necessário para fazer um julgamento justo. Porque, na mente de Jó, se Deus tivesse, ele não trataria Jó assim. Jó quer ouvir Deus, o Juiz, dizendo: “Você não é culpado”, mas ele não vê como. Deus trata Jó como um condenado sem Jó ter a chance de ouvir qual é a acusação que Deus tem contra ele. Nós sabemos que Deus não tem nenhuma acusação contra Jó. Mas Jó não sabe. E por isso, ele fala com Deus desse jeito. 2. SEGUNDA PERGUNTA: O SENHOR ME CRIOU PARA ME DESTRUIR? (vv. 10:8-17) [8] As tuas mãos me plasmaram e me fizeram, porém, agora, queres destruir-me. [9] Lembra-te de que me formaste como em barro. E, agora, queres reduzir-me a pó? A imagem que Jó tem é de Deus como o oleiro e nós como uma massa de barro. Deus se sentou na cadeira e começou a moldar a massa para ficar do jeito que ele queria. [11] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me teceste. Jó reconhece que é Deus quem cria vida e quem sustenta a vida dele: [12] Tu me deste vida e bondade, e o teu cuidado guardou o meu espírito. • Jó não tem dúvidas que Deus é o Criador dele. • Jó não tem dúvidas que Deus é soberano. • Jó não tem dúvidas que Deus é quem sustenta a vida dele. Mas Jó tem dúvidas se é justo o que Deus está fazendo: criar alguém, cuidar por um tempo, para depois pegar a espatifar no chão e não sobrar quase nada. Jó está vendo Deus como alguém que tinha um plano secreto de criar Jó só para destruí-lo depois. (Isso não é verdade, mas é assim que Jó se sente): [13] Mas ocultaste estas coisas no teu coração; e agora sei que este era o teu plano. (...) [16] Porque, se levanto a cabeça, tu me caças como um leão feroz e de novo revelas o teu poder maravilhoso contra mim. [17] Renovas contra mim as tuas testemunhas e multiplicas contra mim a tua ira; males e lutas se sucedem contra mim. Ele olha para Deus e não consegue enxergar um Pai, um Amigo, um Criador e Salvador. A dor de Jó está fazendo ele ver Deus como alguém que está contra ele, caçando Jó como um leão faminto—querendo destruir a vida de Jó. Interessante que Jó não concorda com os amigos dele—de que ele está sofrendo por causa de algum pecado escondido que ele cometeu. Mas ele de alguma forma está contaminado com a ideia de que, para Deus estar tratando ele dessa forma, Deus tem alguma coisa contra ele. (Mas Deus não tem!) Agora vem: 3. O PEDIDO FINAL: DEIXA-ME EM PAZ! (vv. 10:18-22) [20] Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me em paz, para que por um pouco eu tome alento. Esse é o um pedido que ele já tinha feito no lamento anterior, no capítulo 7. Mas como nada mudou na vida dele, ele continua pedindo para Deus dar um espaço para ele respirar—ficar menos sufocado pelo dor e ter uns dias de tranquilidade antes de morrer. Jó está mal. A queixa dele termina em uma nota triste. Como no Salmo 88. Jó ainda não consegue ver uma luz no fim do túnel. Ele quer ter o relacionamento com Deus restaurado, mas ele não vê como. Ele volta a pensar na morte. Ele fala dela de várias maneiras: [21] antes que eu vá para o lugar do qual não voltarei, para a terra das trevas e da sombra da morte, [22] terra de escuridão, de trevas profundas, terra da sombra da morte e do caos, onde a própria luz é como a escuridão. Esses dias eu estava lendo o Salmo 56. Em um momento, Davi fala: No dia em que eu te invocar, os meus inimigos baterão em retirada. Uma coisa eu sei: que Deus é por mim (Salmo 56:9). Não é maravilhoso viver com uma convicção de que “Deus é por mim”? Deus está a meu favor. Do meu lado. Se ele é um leão, ele não quer me caçar. Ele vai me proteger. Mas o Salmo que Jó criou na cabeça dele (e que não existe) é: Uma coisa eu sei: que Deus é contra mim. É isso que está deixando Jó mais aflito. A dor da perda dos filhos e dos bens e da saúde ainda machuca. Ele ainda sente. Mas a mente de Jó agora está sendo mais controlada pelo relacionamento dele com Deus. Jó é crente mesmo. Ele pode até falar o que não deveria. Ele pode até não estar lendo a situação dele corretamente. Mas ele ama a Deus. Mais do que qualquer outra coisa, Jó quer Deus. Mesmo tão confuso e tão frustrado, Jó sabe para onde ele tem que ir: para Deus. Ele se queixa com Deus. Ele apela para Deus. O que ele mais quer, mais do que ter seus camelos e ovelhas e bois de volta—mais até do que ter os filhos de volta—Jó quer Deus de volta. Ele quer ter certeza de que Deus olha para ele como alguém que é o um crente verdadeiro. Alguém que foi declarado justo no tribunal de Deus. Esse é o coração de um adorador-sofredor. Nem tudo o que ele fala pode estar certo. Mas ele está certo de que ele quer Deus. APLICAÇÃO: QUEM É ESSE DEUS? Vocês lembram da frase do C.S. Lewis que eu citei no início: A pergunta que eu enfrento não é: “Então, existe realmente um Deus?”. A pergunta é: “Então, assim que Deus é?” O perigo para nós não é deixar de acreditar que Deus existe, mas começa a acreditar que Deus é bem diferente do que eu imaginei. É ter a imagem de Deus como cheio de amor, compaixão, graça ser bagunçada ao ponto de eu não mais saber como Deus é. Ele é mesmo amor? Ele é mesmo justo? Jó está lendo quem Deus através da dor que ele está passando. O que não é uma boa ideia. Crente, não faça isso. Não defina o caráter de Deus a partir da quantidade de dificuldade na sua vida. Vida calma, Deus me quer. Vida difícil, Deus não me quer. Vida calma, Deus me quer. Vida difícil, Deus não me quer. Quase como aquela brincadeira do “bem me quer, mal me quer”. Pelo menos era assim na minha infância que as crianças descobriam se uma menina gostava de você ou não. Você pegava uma flor—geralmente uma flor pequena com umas pétalas roxas—e para cada pétala que você arrancava, você alternava: “bem me quer”, e na próxima pétala, “mal me quer”, “bem me quer”, próxima pétala, “mal me quer”. E a última pétala define o que aquela menina sentia por você. Povo de Deus, por favor, não vamos entrar nesse jogo de superstição com Deus. Deus não quer que nós usemos as pétalas da vida calma ou vida difícil para definir quem ele é. Ele quer que nós leiamos esse livro para aprender quem ele é. O MEDIADOR O que nós podemos fazer quando nós estamos nesse estado de tanta perplexidade que nós não conseguimos olhar para Deus e ver quem ele realmente é? Como você pode ajudar alguém que, por causa do sofrimento, está vendo Deus como alguém inacessível em vez de perto; como se Deus estivesse indignado, em vez de gracioso; como se Deus fosse injusto, em vez de perfeita e completamente justo? A resposta está na própria resposta de Jó. Jó está indo na direção certa. Ele ainda está tateando, como em um labirinto escuro, mas ele está na direção certa—em direção à saída. Volte no capítulo 9, por favor. Em um momento de angústia, querendo muito ser declarado justo—ser justificado—por Deus, Jó fala no capítulo 9, versículo 32: Jó 9:[32] Porque ele não é ser humano, como eu, a quem eu responda, se formos juntos ao tribunal. [33] Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós dois. A palavra “árbitro” no versículo 33 é a mesma palavra para mediador. Jó está certo, nós precisamos de um mediador para lidar com Deus. Quem se nós quer entrar em um tribunal com Deus e ser julgado pela nossa vida. Não está claro ainda para Jó nesse ponto, mas o Esmagador da Serpente de Gênesis 3:15 que Deus prometeu para Adão é esse Mediador. Um Mediador que, ainda não está claro para Jó nesse ponto, se tornou ser humano como ele, mas sem pecado. Eu diria para Jó: “Jó, você já tem esse Mediador por causa da sua fé. Deus não é contra você. Deus é por você”. Por causa desse Mediador, porque você, cristão, está “nele”, você não precisa temer o tribunal de Deus. Aquele que andou nas costas do mar e fez as ondas e os ventos pararem, a mesma pessoa que fez a Ursa Maior, o Órion e as constelações do Sul, a mesma pessoa que um dia teve dias como de um mortal, se tornou o nosso Mediador. 1Timóteo 2:5—Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem. Um Mediador que se levantou da cadeira de Juiz, se sentou na nossa cadeira de réu, e foi sentenciado a morte que nós merecemos por causa do nosso pecado. É só porque nós estamos “nele”—pela nossa fé “nele”—que nós podemos ter certeza, mesmo durante a maior dor—que Deus é por nós e não contra nós. O que ele diz nesse livro é que se você está em Cristo—se você confia que o Filho de Deus sofreu e morreu por você naquela cruz, então você pode dizer do fundo da sua alma: “bem me quer”. Deus bem me quer. CONCLUSÃO O que enxuga nossas lágrimas e nós faz ver Deus corretamente—com uma visão menos embaçada—é nos lembramos do nosso Mediador. A diferença em saber que Deus é por mim e não contra mim está na fé. Na sua fé em Cristo Jesus. Deus nunca nos vê fora de Cristo. Ele sempre nos vê em Cristo. Essa é a nossa teologia em uma palavra: “nele”. Cristão, você está nele. E se você está nele, você está seguro. O Juiz já declarou você justo. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
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Jó 9-10: Questionando a Justiça de Deus
Essa é justamente a angústia de Jó. Ele sempre soube que Deus é justo. Mas agora Deus está tratando Jó com injustiça (na mente de Jó). Ele quer resolver esse problema apelando para uma audiência no tribunal. Jó quer se defender diante de Deus—já que Jó tem certeza de que ele não é culpado.

Efésios 1:3-14: O Propósito da Vida
A base do texto está na expressão “em Cristo” que significa, para Paulo, a ligação indestrutível entre Deus, através de Seu Filho, Jesus, e homens pecadores.
E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem. É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir.
![08 de Janeiro de 2026 – IBJM Esse texto é maravilhoso. Rico em teologia. Porém, muito rico também em prática. É uma mistura de teologia com vida cristã. Conhecimento com piedade. É possível ter muito conhecimento e não ter piedade. É possível ter uma cabeça tão cheia de informação e um coração tão vazio de transformação.
Nós precisamos nos atentar para nossa vida e ver se o conhecimento que temos de Cristo e da Sua Palavra tem nos transformado em pessoas humildes e piedosas. Diante da Palavra de Deus, nós precisamos nos humilhar. Humilhar nosso coração, nossa mente, nossas vontades, nossos desejos. Esse texto mostra exatamente isso, tomando como exemplo dessa humilhação o Deus em carne, Jesus Cristo. O interesse do apóstolo Paulo é fortalecer a igreja convocando os filipenses a viverem em amor e humildade uns com os outros, assim como Cristo foi o exemplo de serviço amoroso e humilde em favor deles.
O encorajamento de Paulo era para que eles vivessem em Cristo. E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem. É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir.
A humilhação de Cristo O levou à exaltação. O caminho que nós percorremos é o mesmo. Quem se humilhar, será exaltado.
Vamos ver 3 pontos (que eu acabei de citar) nessa passagem para termos o mesmo modo de pensar: 1) para viver, 2) para crescer e 3) para receber. PARA VIVER [hoje] – vv. 1-4 No capítulo 1, Paulo dá atenção aos inimigos externos da igreja, deixando clara a ameaça que a igreja sofre deste mundo hostil (1.28-30). No capítulo 2, Paulo muda a direção (a palavra “portanto” faz essa marcação) e começa a tratar de um problema tão ameaçador quanto, que é a divisão dentro da igreja. Se vocês querem vencer a hostilidade do mundo, os ataques e ameaças dele, vocês precisam permanecer unidos, juntos. Somente se estiverem unidos aqui dentro, é que poderão vencer lá fora. Nos versos 1 e 2, Paulo traça um paralelo entre o amor de Cristo pela igreja (os crentes) e o amor dos crentes uns pelos outros. Vv.1-2: “Portanto, se existe alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão, 2 então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, e sendo unidos de alma e mente”.
Paulo está fazendo uma alusão ao interesse de Cristo pela Igreja, lembrando os filipenses da sua posição de crentes: vocês são amados por Cristo e estão em Cristo. E, sendo amados por Cristo e estando Nele, vocês se amam vivendo Nele. Se existe “alguma exortação em Cristo” (encorajamento, como sentido mais próximo da palavra “exortação”), então tenham “o mesmo modo de pensar”. Se existe “alguma consolação de amor”, o amor que o Senhor da Igreja nutre pelo Seu povo, então tenham “o mesmo amor”.
Se existe “alguma comunhão do Espírito”, o Espírito em quem vocês foram batizados em um só corpo, unidos a Cristo e uns com os outros, então sejam “unidos de alma e mente”. Note que vivermos unidos uns com os outros, nos amando, nos encorajando, “tendo o mesmo modo de pensar” (não uma uniformidade intelectual monótona, mas uma unidade em amor, usando nossos dons [que são diversos] para a edificação da igreja, pensando em fazer tudo para a glória de Deus) só é possível porque Cristo nos ama, porque Ele nos une como Seu corpo.
Não existe outra maneira de um crente viver. Nosso modo de pensar é identificado na nossa demonstração de amor uns pelos outros, o quanto nos humilhamos em favor do próximo. No meio desse paralelo entre o amor de Cristo e uns pelos outros, Paulo acrescenta (final do v.1): “se há profundo afeto e sentimento de compaixão”. Essa frase está ligando o amor de Cristo pelo Seu povo (v.1) com a vida prática desse amor no meio da igreja (v.2). Paulo está usando termos muito intensos aqui nessa conexão. “Profundo afeto” tem o sentido literal de “entranhas humanas”, ou seja, aquilo que representa a parte mais profunda, mais íntima, o sentimento mais intenso possível. Foi esse tipo de sentimento de compaixão, esse modo de pensar, que motivou Jesus a Se entregar pelo Seu povo (como veremos daqui a pouco). É um sentimento intensamente pessoal. Então, esse é o tipo de amor que tem que ser demonstrado no meio do povo de Deus. É esse amor que faz com que tenhamos o mesmo modo de pensar, que sejamos unidos de alma e mente. É esse amor, essa disposição de humildade que o Espírito aplica em nossos corações como uma marca da comunhão que temos com Ele. Vv.3-4 Depois que Paulo faz esse apelo aos filipenses, ele coloca o ‘dedo na ferida’ deles, mostrando os males que estavam ameaçando a vida e a unidade da igreja, que estavam ameaçando o mesmo modo de pensar deles: egoísmo e vaidade.
V.3: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade...”. O egoísmo que Paulo acusa aqui nos leva para o Éden. O fruto que o pecado trouxe para Adão e Eva foi proteger seus próprios interesses. Eles acusaram o outro da sua falha, tentando camuflar seu pecado. “A culpa foi dela”; “a culpa foi dele”. Nada muito diferente de hoje. O egoísmo é uma doença espiritual que afeta todas as pessoas. Nós temos que tomar muito cuidado, vigiar a todo instante, pois caímos facilmente nas presas do egoísmo, de olharmos somente para nós mesmos. Nossa tendência nunca é assumir a culpa, mas colocá-la nos outros, numa tentativa de justificarmos nossos pecados. Quando ficamos irados e temos uma explosão de raiva; quando nos isolamos e não queremos falar com ninguém; quando reagimos com indiferença à necessidade de alguém; quando consideramos as oportunidades que temos para nos reunir como povo de Deus não são tão importantes.
Essas são manifestações que mostram o nosso egoísmo, nosso orgulho, fruto do nosso pecado. Isso mostra uma realidade interior de quem está recebendo glória na nossa vida, se é Deus ou se somos nós mesmos. O que nos leva ao segundo termo usado por Paulo, “vaidade”, que tem uma conotação mais profunda do que vaidade. Paulo está usando uma expressão que se aproxima mais de “vanglória”. Ao longo dessa carta, o apóstolo faz uso do termo “glória” com frequência, se referindo a Deus ou ao corpo ressurreto de Cristo.
Então, vanglória (a glória para si mesmo) é uma inclinação orgulhosa do homem para tomar o lugar de Deus em seu próprio coração. O egoísmo (próprio interesse) leva você à vanglória (a tomar o lugar que é de Deus).
Em Isaías 42.8 diz: “Eu sou o Senhor: este é o meu nome. Não darei a mais ninguém a minha glória...”.
Se Deus é tão claro em dizer que não dá a Sua glória a mais ninguém, por que insistimos em ter a glória Dele para nós? - Nossa falta de amor; - Falta de diligência no trabalho; - Nossa preguiça, postergando responsabilidades; - Falta de compromisso em sustentarmos a igreja, em servirmos os outros; - Nossa desobediência à Palavra de Deus, de não passarmos tempo com o Senhor diariamente em leitura e oração; - Crianças, quando vocês desobedecem aos seus pais; - Pais, quando vocês não instruem seus filhos na Palavra de Deus; - Jovens, solteiros, quando desconsideram o conselho de homens e mulheres mais maduros, ou se vocês se perdem nas impurezas das telas dos seus celulares e notebooks; - Todas essas são maneiras de dizermos que a glória é nossa, e não de Deus.
A vanglória tira nosso senso do interesse alheio, tira das outras pessoas a dignidade que elas têm por terem sido criadas à imagem de Deus. A vanglória destrói uma vida com o Senhor e destrói a vida comunitária da igreja. A solução para isso é a humildade.
Vv.3-4: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, 4 não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros”. A mensagem é clara: a atitude de vocês, o interesse pelos outros, têm que ser humilde. É fazer o necessário para que eu não fira o meu irmão. Mais importante do que o que eu penso, é como eu posso amar mais meu irmão. Mais importante do que o que eu quero fazer, é como eu posso servir melhor meu irmão. Isso nos leva a ter o mesmo modo de pensar e, por consequência, nos leva a uma vida de humildade. Quando nos interessamos pelos interesses dos outros, quando amamos, servimos, estamos refletindo uma humildade santa e mostrando como nós somos vistos diante de Deus, como Suas criaturas, como Seus servos. A humildade nos coloca no nosso devido lugar. Se entendemos que toda a glória pertence a Deus, nossa atitude será de serviço humilde. A prática da humildade dá às outras pessoas a dignidade que elas têm como criadas à imagem de Deus. Essa é a prática que se espera existir no meio do povo de Deus. Considerar os outros superiores a si mesmo e ter em vista, também, os interesses do próximo, é um desafio para que vejamos a nós mesmos em nossa correta condição, como criaturas de Deus que foram criadas, não para reter a glória para si, mas para refletir a glória do Seu Criador. - Se dispor a cuidar das marmitas para as famílias que acabaram de ter filhos; - Dar o seu dinheiro para ajudar no conserto do carro de um irmão que quebrou; - Usar seu tempo para caminhar junto, para discipular outras pessoas; - Cuidar de pessoas, famílias, que estão em conflito, sendo o elo de reconciliação entre elas; - Todas essas coisas exigem muito do nosso esforço, em renunciar planos, tempo com família, amigos; mas fazer tudo sem esperar nada em troca, por amor. Tenham o mesmo modo de pensar para viver. PARA CRESCER [à imagem de Cristo] – vv. 5-8 O verso 5 faz a transição entre a maneira como temos que viver e o motivo pelo qual vivemos desse jeito. Cristo é o nosso exemplo, e vivemos tendo o mesmo modo de pensar para crescer à imagem Dele. V.5: “Tenham o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus...”. É como se Paulo estivesse pedindo para a igreja de Filipos completar a frase: “Tenham o mesmo modo de pensar...?” ... “De Cristo Jesus”. Isso mesmo. Correto. (Se você for ao acampamento nessa semana e brincar de torta na cara, atenção, é possível que você tenha que completar a frase...). A palavra “pensar”, nesta carta, é uma palavra-chave. Ela significa a combinação de atividades intelectuais e afetivas, que toca tanto a mente como o coração, e conduz a uma ação positiva. Algumas traduções trazem a palavra ‘sentimento’; outras traduzem como ‘atitude’. O ponto é que o sentido do texto tem a conotação dessas duas coisas: sentimento e atitude. É uma atividade que toca em nossos afetos, sentimentos e no faz agir em favor de alguém. A partir do verso 6, nós vemos qual foi o sentimento de Cristo por nós que O fez agir em nosso favor. Qual foi o “modo de pensar de Cristo Jesus”. No versículo 6, Paulo começa afirmando que Jesus é Deus (“... mesmo existindo na forma de Deus...”). “Forma” vem da palavra grega morphe, que significa a natureza verdadeira e exata de algo, que possui todas as características e qualidades de algo. O apóstolo está afirmando a divindade eterna de Cristo. Ter a forma de Deus é ser igual a Deus. Jesus é Deus. Agora, continuando o verso 6: “... mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. 7 Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos”. Percebam que no verso 7 Cristo assume uma outra forma, a forma de servo. Ele tem a forma de Deus e assume a forma de servo. Jesus é plenamente Deus e assume uma natureza plenamente humana. Porém, numa condição de servo. A palavra “forma” no verso 7 é a mesma usada no versículo 6. Então, assim como Jesus tem a natureza verdadeira e exata da divindade, com todas as suas características e qualidades, Ele assume a natureza verdadeira e exata da humanidade, com todas as suas características e qualidades. Jesus é, também, plenamente Homem. Ele é Deus e Homem. Cristo é o Deus-Homem. E a palavra “servo” tem, literalmente, o significado de escravo, alguém que está em sujeição. Ele recebe a forma de escravo. Cristo vai muito mais além do que podemos imaginar. Ele não somente se torna um homem, mas um homem em sujeição, um servo.
O Deus Criador se torna o Servo Sofredor.
Jesus “não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo”. O ser igual a Deus não O fez se apegar aos Seus privilégios divinos a todo custo. Ele não usou da Sua divindade como algo a ser explorado para o Seu próprio benefício ou vantagem. Em vez disso, o modo de pensar de Cristo Jesus foi de servir, de Se entregar. Ele considerou os nossos interesses mais importantes do que o Seu próprio interesse. O interesse de Cristo foi, durante toda a Sua vida, ser “desprezado e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores e que sabe o que é padecer. E, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is 53.3). Esse foi o “profundo afeto e sentimento de compaixão” que Jesus teve por nós, porque somente assim nós poderíamos ter sido salvos. E esse é o nosso alvo: termos o modo de pensar de Cristo para crescermos em nossa vida de santidade e sermos como Ele. Quando Ele assume a forma de servo, Ele não deixa de ser Deus. V.7: “Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo...”. Cristo não perde Sua divindade quando encarna. Ele acrescenta a Si mesmo a natureza humana.
O esvaziamento de Cristo não faz Ele perder, mas ganhar. Ilustração: se você for a uma concessionária de veículos e pedir para fazer um test-drive com uma caminhonete 0km em uma estrada de terra depois de um dia de chuva (ou seja, lama). A caminhonete está brilhando, novinha. Você faz o test-drive e volta com o carro para a concessionária cheio de lama. A beleza do carro não foi destruída, nem mesmo diminuída, mas a sua beleza foi coberta pela lama. A glória do carro está tão presente nele como estava antes do test-drive, mas esta glória não pode ser vista pelo que é por causa da lama que a encobre. Receber a lama acrescentou algo que resulta na glória aparecer menos, enquanto, de fato, é apenas mais que foi acrescentado. A natureza humana de Cristo faz o papel da lama (mas sem pecado; é uma camada pura da humanidade): apenas encobre a glória da Sua divindade, sem excluí-la. Ele se esvazia como? Assumindo, acrescentando. Agora, mesmo não perdendo Sua natureza divina, não significa que Ele não tenha tido alguma perda. Mateus 27.46 registra qual foi a perda de Cristo. Jesus clama na cruz:
“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”.
Essa foi a maior perda da História: Deus Pai abandonando o Deus Filho na cruz. Por um momento, o Filho Se sentiu distante, desamparado do Pai. O relacionamento tão profundo de amor um pelo outro, agora, em algum grau, está rompido. E Jesus quis fazer isso. Ele quis vir a esta terra, Se tornar um homem, um servo, sofrer e morrer em nosso lugar. Ninguém O obrigou. Nós somos orgulhosos, egoístas demais para aceitar perder. Temos muita dificuldade para nos lembrar da vitória que temos garantida em Cristo diante de uma perda nesta terra. Jesus se dispôs a perder algo do céu (o relacionamento íntimo com o Pai) para vir a este mundo se tornar um Servo Sofredor. E nós não queremos perder algo desta terra, que tem prazo de validade, para alcançar o céu, que é eterno. As coisas terrenas ofuscam as coisas celestiais. As perdas da terra ofuscam o ganho do céu. Deus nos livre que nossos olhos espirituais tenham uma visão turva, embaçada daquilo que verdadeiramente nos importa. Não ganhar mais do que os outros; não ganhar uma discussão; não vencer uma batalha de egos; não querer mostrar mais inteligência; não querer ter mais reconhecimento. MAS GANHAR CRISTO. É isso o que importa. E fazemos todo o necessário para que esse seja o modelo da nossa vida. Mas a humilhação de Jesus não para na Sua encarnação. (Parênteses): Não quero dizer que a humanidade é algo ruim. Ser um ser humano, em si, não é ruim. Deus criou o homem, e viu que era muito bom (Gn 1.31). Ele criou o homem perfeito e santo. A encarnação de Cristo é uma humilhação pelo fato do Criador ter que se igualar à Sua criação; do Deus Altíssimo ter que descer ao nível da criatura. Nunca ninguém desceu tão baixo como Jesus, porque nunca ninguém veio de tão alto como Ele. Nunca ninguém saiu da luz de Deus para a escuridão da morte, como o Salmo 18.9 diz: “Ele baixou os céus e desceu, e teve sob os pés densa escuridão”. E este é o ápice da humilhação de Cristo: a Sua morte.
Final do verso 7-8: “E, reconhecido em figura humana, 8 ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”.
Jesus não se humilhou até a morte apenas, mas até a morte de cruz, a morte amaldiçoada, pública e vergonhosa. Morrer na cruz era uma punição severa para os homens, mas também era estar debaixo da maldição de Deus.
Paulo, escrevendo aos Gálatas, diz:
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar – porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro’” (Gl 3.13).
A humilhação era tanta, que o próprio Cristo diz, como está no Salmo 22:
“Mas eu sou verme e não um ser humano; afrontado pelos homens e desprezado pelo povo. 7 Todos os que me veem zombam de mim; fazem caretas e balançam a cabeça, dizendo: 8 ‘Confiou no Senhor! Ele que o livre! Salve-o, pois nele tem prazer’” (vv. 6-8). Já pararam para pensar a que ponto Jesus se submeteu? Quão profunda foi a Sua obediência, se colocando debaixo da ira santa do Pai? Tornando-se um servo com o propósito de beber cada gota do cálice da ira de Deus? O nosso Senhor se submeteu a tudo isso por nossa causa. Is 53.5-7,10: “... ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas somos sarados. 6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele [e não sobre nós] a iniquidade de todos nós. 7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. 10 [...] Ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer”. Em nenhuma religião o deus falso dessa falsa religião dá a sua vida por alguém. São apenas exigências. “Faça isso”, “faça aquilo”, mas não existe um modelo perfeito. Tudo é sempre centrado no homem. O cristianismo tira esse peso dos nossos ombros. Ele é a única religião verdadeira, onde o próprio Deus dá a Sua vida pelos Seus escolhidos. Existem muitas exigências, mas todas elas foram cumpridas pela obediência perfeita de Cristo e, na cruz, todas elas foram consumadas, quando Jesus bradou: “Está consumado!”. Jesus foi obediente em tudo o que o Pai exigiu do Seu povo e, agora, em Cristo, você pode ser visto por Deus como alguém que obedece perfeitamente a Sua Palavra, por meio de Cristo e por causa da Sua obra na cruz. Agora, nós podemos viver vidas transformadas. Crente, se você tem vivido na prática de algum pecado, arrependa-se dele, olhe para o Cristo fez e imite o Seu Redentor. Você pode crescer no modo de pensar de Cristo se você O imitar, se andar como Ele andou. E se você está aqui hoje e não é um crente, não confessa Cristo como o Seu Salvador, meu apelo a você agora é: arrependa-se dos seus pecados e coloque a sua fé em Jesus. Creia Nele hoje! Não espere ter uma vida melhor, curtir a juventude, conquistar bens, carreira ou alguma formação. A mensagem do evangelho é uma mensagem urgente: esse Cristo que morreu, também ressuscitou e subiu ao céu. E Ele voltará para buscar os que entregam suas vidas a Ele, que confiam Nele e vivem para Ele. E ninguém sabe o dia e a hora que Ele irá voltar. Por isso, não espere. Vá até Cristo hoje e peça perdão pelos seus pecados. Peça a ajuda do Espírito Santo para que guie você no caminho de Cristo. Para crescermos no mesmo modo de pensar como corpo de Cristo, precisamos imitar o nosso Salvador, tendo o mesmo modo de pensar Dele, crescendo à imagem Dele. “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4.15). PARA RECEBER [exaltação] – vv. 9-11 A nossa esperança é que nossa caminhada não termina na humilhação, mas sim, na exaltação. Tenham o mesmo modo de pensar para viver, para crescer e para receber. O que, para nós, às vezes pode parecer uma perda (Cristo desamparado na cruz), na verdade, é uma vitória. V.9: “POR ISSO”. O que vem a seguir nesses versos tem como fundamento o que veio antes deles. V.9: “Por isso também Deus o exaltou sobremaneira...”. A exaltação de Cristo é resultado da Sua humilhação. Porque Ele desceu, também subiu. Porque Ele perdeu, também ganhou. Porque foi perseguido, zombado, blasfemado, também recebeu (continuação do verso 9)
“o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai”. Por causa da humilhação de Cristo na cruz, por amor, mostrando o verdadeiro sentimento de compaixão por pecadores como nós, mostrando o caráter amoroso do próprio Deus, por isso, Deus O ressuscita e O exalta sobremaneira, dando a Jesus o governo sobre todas as coisas, sobre toda criação, e dando a Ele o nome que está acima de todo nome. O Deus Criador que se fez o Servo Sofredor, agora é o Rei Vencedor! A morte de Cristo O faz vitorioso sobre a própria morte, sobre o pecado e sobre Satanás. Na cruz, é cumprida a profecia que o filho da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Na Sua ressurreição, Cristo recebe toda a autoridade sobre tudo e todos. É Ele quem tem as chaves da morte e do inferno. Ele é quem inaugurou o novo e vivo caminho que nos leva até Deus, o Pai. Ele é o caminho que nos conduz na luz e na verdade. Tudo está debaixo do Seu domínio. E Cristo será adorado para sempre. Todo joelho vai se dobrar diante Dele. Alguns vão se dobrar em adoração e louvor; outros se dobrarão porque o Rei chegou e a rebelião deles vai resultar em julgamento. Mas TODOS, sem nenhuma exceção, TODOS se dobrarão diante do Rei que venceu, e que voltará em breve, vestido em glória, com todo o Seu poder. Que o Senhor produza em nossos corações cada vez mais a humilde santa do Filho de Deus, para nos dobrarmos diante Dele em adoração hoje, para ressuscitarmos no Último Dia para sermos exaltados com Ele. Jesus fez uma promessa para aqueles que seguirem os Seus passos (Ap 3.21): “Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”. Ter o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus resulta na garantia de reinarmos com o Rei da Glória para sempre. CONCLUSÃO Meus irmãos, tudo o que fazemos, falamos, pensamos, tem que ter como fim último a glória de Deus. Tudo o que Cristo fez foi, como diz o final do verso 11, “para a glória de Deus”.
Vamos viver esse modo de pensar, para continuarmos crescendo em amor, serviço e humildade uns com os outros e para recebermos a coroa da justiça que nos está guardada.
Que todos possam saber que a luz de Cristo brilha em nós, “para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”, para onde nós iremos viver por toda eternidade. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
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Filipenses 2:1-11: Tenham o Mesmo Modo de Pensar
O encorajamento de Paulo era para que eles vivessem em Cristo.
E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem. É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
05 de Abril de 2026 – IBJM Na providência de Deus, a próxima passagem do livro de Jó era sobre a Páscoa. Jó enche os pulmões para declarar: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25). Eu não calculei isso. Mas não foi coincidência, foi providência. O nosso Deus é o dono de cada dia do nosso calendário. Nada nesse mundo é por acaso. Vamos orar. (...) Povo de Deus, eu trago boas notícias nesta manhã Eu anuncio à vocês, mais uma vez, o resultado do grande conflito entre Jesus e a morte. Na cruz, naquela Sexta-Feira Santa, a morte deu um golpe mortal em Jesus. Sim! Mas no domingo, Jesus ressuscitou dos mortos, se levantou e matou a morte. Essa é a mensagem da Páscoa: Jesus venceu. A morte perdeu. Até aquele domingo de Páscoa, 2 mil anos atrás, a morte tinha acumulado um histórico de invencibilidade. Mas naquele dia, a morte perdeu pela primeira vez. Foi a primeira vez. Mas não será a última. A mensagem da Páscoa é também a mensagem de como você pode vencer a morte. Existe só uma maneira, mas se você usá-la, a morte vai perder para você. Essa é a promessa de Deus nesse texto de Jó. A passagem de hoje lida com a morte de dois ângulos diferentes. Ou de lados opostos:
• No capítulo 18, Bildade – um dos amigos de Jó – fala da morte do ponto de vista de quem perde. • No capítulo 19, Jó fala da morte do ponto de vista de quem ganha.
Vamos começar ouvindo o amigo de Jó.
[1] Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse:
Bildade aquece a garganta antes de pregar para Jó. Os primeiros 4 versículos são esse aquecimento.
1. PERGUNTA: “QUEM VOCÊ PENSA QUE É?” (JÓ 18:1-4) Bildade está fazendo duas coisas: a primeira é dizendo o quanto ele está ofendido com as palavras de Jó:
[3] Por que somos considerados como animais e passamos por tolos [estúpidos] aos seus olhos? A segunda é ofendendo Jó: sendo ofendido e ofendendo:
[4] Você, que se despedaça em sua ira, pensa que a terra será abandonada por sua causa?
Você pensa que as rochas devem ser tiradas do seu lugar?” Se eu tivesse que resumir as 4 perguntas desses 4 versículos em uma única pergunta, eu diria que Bildade está perguntando: “Jó, quem você pensa que é?”
2. RESPOSTA: “EU SEI: UM ÍMPIO!” (JÓ 18:5-21) Do versículo 5 até o final do capítulo, Bildade responde a própria pergunta: “Jó, eu sei quem você é: você é um ímpio!”—uma pessoa que não conhece a Deus. Veja como ele começa:
[5] “Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e a chama do seu fogo não resplandecerá.
E como ele termina:
[21] Tais são, na verdade, as moradas do ímpio, e este é o paradeiro daquele que não conhece Deus.”
Entre esses dois versículos, Bildade prega para o seu amigo Jó (um ímpio— não-convertido, na mente dele) um sermão sobre o inferno (Ash, Job, 199)—sobre o destino daqueles que não conhecem a Deus. Ele começa mostrando como a vida do ímpio termina em trevas e escuridão:
[5] “Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e a chama do seu fogo não resplandecerá. [6] A luz se escurecerá na sua tenda, e a sua lâmpada sobre ele se apagará.
Bildade entende que Jó está cavando a própria cova:
[7] Os seus passos vigorosos se estreitarão, e a sua própria trama o derrubará. Ele emenda uma ilustração, descrevendo aqueles que não conhecem a Deus como animais que serão capturados e presos quando eles menos esperam.
[8] Porque por seus próprios pés é lançado na rede e andará sobre as suas malhas. [9] A armadilha o apanhará pelo calcanhar, e o laço o prenderá. [10] A corda está escondida na terra para apanhá-lo, a armadilha se encontra no seu caminho. A vida do ímpio é como andar em uma floresta de madrugada—na escuridão. Mas tem um laço escondido na terra. De repente, alguém (Deus) puxa a corda e amarrar seu tornozelo e você fica de cabeça para baixo. Eu prefiro crer que Bildade não era batista, mas no resto do sermão sobre o inferno, ele tem 3 pontos—do versículo 11 ao final. Ele fala da vida de Jó e daqueles que não andam com Deus como uma vida de MEDO, MISÉRIA e MORTE—3M’s: MEDO: [11] Terrores o amedrontam de todos os lados e o perseguem a cada passo. MISÉRIA: [12] A calamidade virá faminta sobre ele, e a miséria estará alerta ao seu lado. MORTE: [13] Ela devorará os membros do seu corpo; serão devorados pelo primogênito da morte. [14] O ímpio será arrancado da segurança de sua tenda, e será levado ao rei dos terrores. Bildade se aproveita da imagem que alguns povos pagãos tinham da morte. Eles viam a morte como um deus que tem o lábio de baixo tocando a terra e o lábio de cima tocando o céu—e que vai andando por esse mundo devorando todo o mundo (Bíblia da Fé Reformada, 786). Ele volta à esses 3M’s—MISÉRIA, MEDO E MORTE—nos próximos versos, incluindo citações sobre a morte dos filhos de Jó para ter certeza de que Jó entende que a tragédia familiar dele—de ter perdido os 10 filhos em único dia—é resultado da vida dele de rebeldia contra Deus: [15] Nenhum dos seus irá morar na sua tenda; enxofre será espalhado sobre a sua habitação. (...) [19] Não terá filho nem posteridade entre o seu povo, nem sobrevivente algum ficará nas suas moradas. Ele conclui com uma frieza que dá até medo. O coração de Bildade é: “Jó, eu não queria estar na sua pele”. [20] Do seu dia se espantarão os do Ocidente, e os do Oriente serão tomados de horror. [21] Tais são, na verdade, as moradas do ímpio, e este é o paradeiro daquele que não conhece Deus.” UM BOM COMUNICADOR, UM MAL PREGADOR Bildade pode ser um bom comunicador. Ele descreveu bem o inferno. Mas ele não é um bom pregador. Ele aplicou mal. Muito mal. Jó não é um ímpio condenado ao inferno. Jó é um crente conquistado para o céu. Foi o que Deus disse no início do livro. Jó é o oposto de um ímpio: ele teme a Deus e se desvia do mal (Jó 1-2). UMA APLICAÇÃO MELHOR: O INFERNO NA CRUZ, O CÉU PARA NÓS Bildade errou feio na aplicação. Muito feio! Bildade errou porque ele não entende que é possível, nesse mundo, um crente verdadeiro sofrer. Nessa vida, pessoas piedosas experimentam os terrores do inferno. E sem entender isso, não existe salvação. Não existe salvação porque nós precisamos de um Salvador que seja perfeitamente piedoso E enfrente os terrores do inferno em nosso lugar (Ash, Job, 199). Essa é a única maneira de sermos salvos. Graças a Deus, Bildade está errado! Jesus — um crente perfeito! — experimentou o horror do inferno na cruz para nos levar para o céu. Que é o lugar onde Jó está há milhares de anos. Que é para onde nós que confiamos na morte desse Salvador vamos. JÓ NÃO COMEÇA BEM Mas nós vivemos nos esquecendo da Sexta-Feira Santa e do Domingo de Páscoa. Nós vivemos nos esquecendo do amor de Deus e acabamos caindo em momentos de menos confiança—menos confiança de que nós temos um Salvador tão poderoso que ele derrotou até a morte; um Salvador tão amoroso, que ele se entregou aos horrores da cruz porque ele quis nos comprar para ele. E quando nós nos esquecemos, nossos sentimentos são jogados de um lado para o outro, como o barco dos discípulos no Mar da Galileia durante a tempestade. Eu sei que eu disse que as palavras de Jó no capítulo 19 são melhores que as palavras de Bildade no capítulo 18. É verdade. Eu mantenho o que eu disse. Mas antes de Jó se lembrar da melhor mensagem do mundo—a mensagem da Páscoa, Jó abre o coração dele. Ele fala como ele está se sentindo. E ele não está bem. A TOALHA ESTÁ JOGADA NO CHÃO Vocês lembram como terminou o último capítulo em que Jó falou? O capítulo terminou com a esperança de Jó terminando. Jó jogou a toalha no chão. Jó terminou chorando e dizendo: Onde está, então, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? Ela descerá até as portas do mundo dos mortos, quando juntos descansarmos no pó (Jó 17:15-16) Isso deve explicar por que nessa resposta de Jó, pela primeira vez, Jó não fala com Deus. Ele não se dirige a Deus nenhuma vez, como ele fez todas as outras vezes. Isso é triste. Mas a graça de Deus no coração do crente pode parecer adormecida, mas ela nunca está morta. O Espírito Santo dá sempre um jeito de levantar você, mesmo quando você acha que não vai conseguir ficar de pé. A resposta de Jó tem duas partes. Primeiro, vamos ouvir o coração de Jó para depois ouvir o sermão de Jó. Não é só Bildade que sabe pregar. Jó também sabe. E o sermão de Jó é bem melhor. Celestialmente melhor. Mas antes do sermão, o coração: como Jó está se sentindo? 1. O CORAÇÃO DE JÓ (19:1-19) Depende. Depende em relação a quem. Jó fala dos sentimentos dele em relação a 3 grupos. Primeiro, em relação aos amigos, ele se sente ESMAGADO. 1.1 ESMAGADO PELOS AMIGOS (19:1-6) [1] Então Jó respondeu: [2] “Até quando vocês vão me atormentar e me esmagar com as suas palavras? [3] Já dez vezes vocês me insultaram e não se envergonham de me injuriar. [4] Se eu tivesse realmente cometido algum erro, isso interessaria somente a mim. Uh... Jó está quase apelando: “Se eu pequei, não é da conta de vocês!” Jó está tenso. Eles acusaram Jó de arrogante. Jó devolve a acusação. (Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência). [5] Se vocês querem se engrandecer contra mim [“seus arrogantes!”] e usam a minha vergonha como argumento contra mim, [6] então saibam que Deus foi injusto comigo e me cercou com a sua rede.” Jó continua convencido até a última fibra da alma dele que ele não tem um pecado escondido que justifique a maneira como ele está sofrendo. Apesar dos amigos acusarem Jó sem parar, ele não dá o braço a torcer. Ele não aceita de jeito nenhum. Mas nós precisamos reconhecer que existe um problema enorme nas palavras de Jó: porque ele acha que ele não fez nada de errado para sofrer assim, ele acha que Deus está fazendo algo errado. Ele fala no versículo 6 que Deus está sendo injusto com ele. Não tem como Deus ser injusto. Assim como não tem como Deus pecar. Assim como não tem como Deus fazer algo que não seja sábio. Assim como não tem como Deus mentir, ou não cumprir alguma promessa. Deus é o padrão e a definição do que é ser justo, santo e bom. Jó cruzou a linha. Ele não deveria ter falado de Deus desse jeito. Mas Jó é honesto. É como ele se sente. E no fundo, no fundo, ele fala desse jeito, mas pelas outras coisas que ele fala, ele sabe que Deus é, sim, justo, santo e bom. Toda essa confusão na mente é justamente porque ele sabe que Deus é justo, mas parece que Deus está tratado a ele de forma injusta. E nessa confusão, ele se sente cercado pelo Deus que ele ama. Em relação aos amigos, esmagado. Em relação a Deus, cercado. 1.2 CERCADO POR DEUS (19:7-12) O versículo 6 terminou com Jó dizendo: [6] e [Deus] me cercou com a sua rede. Do versículo 7 até o 12, Jó explica por que ele tem essa sensação de que Deus está cercando a ele. No versículo 8, ele fala de Deus fechando o caminho de Jó: “Eu não consigo passar!” No versículo 10, ele diz: [10] Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou; tirou-me a esperança, como se arranca uma árvore. A toalha de Jó ainda está no chão. Deus arrancou a esperança do coração de Jó com violência de uma árvore sendo arrancada do solo com raiz e tudo. Nesse momentos mais baixos, Jó vê Deus como alguém que está contra ele. Não é à toa que ele está mal. [11] Acendeu contra mim a sua ira e me trata como um dos seus adversários. [12] Juntas vieram as suas tropas; prepararam contra mim o seu caminho e acamparam ao redor da [cercando] minha tenda.” POR MIM OU CONTRA MIM? De novo, Jó está errado. Deus não é como um exército adversário com milhares de homens nos cercando para nos matar. Essa imagem casa bem com Satanás, não com Deus. Mas é como Jó se sente: como Deus pode dizer que me ama e ainda me tratar desse jeito? Talvez você já tenha pensado isso. Talvez você esteja pensando isso. Provavelmente nós não vamos falar isso em voz alta porque nós sabemos que é errado. Quando terminar o culto, você provavelmente não vai chamar alguém e dizer: “Deus não está me tratando como deveria!”. Talvez. Às vezes. Mas, mais provavelmente, nós pensamos isso e sentimos isso. Mesmo que não seja tão claro em nossa mente. • Nossa falta de alegria no Senhor é um sinal de que não estamos convencidos de que Deus está nos tratando como ele deveria. • Nossa preocupação, nossa ansiedade, são sinais de que não estamos seguros de que Deus irá cuidar de nós. • Nosso desânimo, nossa falta de motivação, são manifestações do nosso coração de que nós não estamos satisfeitos com a vida que o Senhor está nos dando. Mas a graça de Deus tem suas maneiras de nos surpreender. A graça tem suas maneiras de se desviar da nossa multidão de pensamentos errados e achar uma brecha para tocar em nosso coração, como a mulher com hemorragia fez e conseguiu tocar nas vestes de Jesus. E foi curada. A graça de Deus no coração do crente pode parecer adormecida, mas ela nunca está morta. É o que nós vamos ver em Jó. É o que nós orando e buscamos que aconteça em nós. E em nossos irmãos ao nosso redor e ao redor do mundo. MAIS UM SENTIMENTO Mas antes, Jó tem mais um sentimento para compartilhar conosco no caldeirão de confusão que é o coração desse irmão. (Gostaram da rima?) Às vezes, é triste ouvir como um crente está se sentindo e saber que ele não está bem. Mas é sempre importante saber—porque assim nós podemos orar uns pelos outros, encorajar, ajudar e chegar até o fim da corrida da fé juntos. Nem que seja, na força que Deus supre, carregando o outro no ombro como um soldado ferido. • Jó disse que ele se sente esmagado pelos amigos. • Ele se sente cercado por Deus. • E, para piorar, ele se sente abandonado por todos. Um sentimento que, nesse caso, condiz com a realidade. Ele foi realmente abandonado. 1.3 ABANDONADO POR TODOS (19:13-19) Do versículo 13 ao 19, Jó nos dá uma longa lista daqueles que o abandonaram. Parece que não sobrou ninguém. Nos versículos 13 e 14 são os irmãos e parentes. Nos versículos 15 e 16 são os servos: “João, vem cá. Por favor, vem me ajudar”, mas eles ignoram. [16] Chamo o meu servo, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. No versículo 17, é a própria família que não suporta ficar perto do fedor de Jó: [17] O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos meus irmãos. O versículo 18 é o cúmulo do desprezo para uma sociedade em que honrar os mais velhos é o ensino mais básico que existe: [18] Até as crianças me desprezam, e, quando tento me levantar, zombam de mim. [19] Todos os meus amigos íntimos me detestam, [ele deve estar falando de Elifaz, Bildade e Zofar] e até os que eu amava se voltaram contra mim. Solidão não é só um fenômeno físico. Você pode ter pessoas sentadas do seu lado (como agora), mas ainda assim se sentir sozinho. Às vezes, somos nós que nos isolamos. E isso não é bom. Deus não nos fez para ficarmos longe da família, da igreja e dos amigos. Nós somos seres coletivos. Mas às vezes, nós somos isolados pelos outros. Às vezes, quando nós mais precisamos de ajuda. Qualquer semelhança com o Senhor Jesus na cruz não é mera coincidência. Naquela Sexta-feira Santa 2 mil anos atrás, ele também foi abandonado e se tornou repugnante e detestável às pessoas em volta dele. Como Jó, mas ainda pior. E se tem algo nessa vida que consome nossa energia são os problemas de relacionamento. Muitas vezes, eles nos derrubam mais do que a dor física. E por causa dessa dor, depois de abrir o coração, Jó decide pregar um sermão. 2. O SERMÃO DE JÓ (19:20-29) E por causa de tanta dor, ele começa com um apelo. Muitos pregadores deixam o apelo para o final. Jó traz para o começo. 2.1 APELO (19:20-22) Ele lamenta o estado de pele e osso que ele está: [20] Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne; escapei só com a pele dos meus dentes. E implora com o coração partido em pedaços: [21] Tenham pena de mim, meus amigos, tenham pena de mim, porque a mão de Deus me atingiu. [22] Por que vocês me perseguem como Deus me persegue e não cessam de devorar a minha carne?” Jó se sente esmagado, cercado, abandonado. Jó está na miséria. Ele faz um apelo por misericórdia. Mas ele só recebe massacre. Jó não tem para onde ir. Ou tem? Tem. Jó tem para onde ir. Crente, você sempre tem para onde ir: • Existe um refúgio na tempestade e uma fortaleza na batalha. • Existe um Sumo-Sacerdote que se compadece das suas fraquezas. • Existe um Profeta que tem palavras de graça e amor. • Existe um Rei que tem poder para levantar até mortos do chão. Ele existe. E ele vive. E porque ele vive, você pode crer no amanhã. E porque ele vive, você tem para onde ir. 2.2 EVANGELHO (19:23-27) Jó continua o sermão. O primeiro ponto foi um apelo para os amigos. O segundo ponto é o evangelho para ele. Jó faz o que você deve fazer quando você estiver no chão. E quando você se levantar de manhã. E quando você colocar sua cabeça no travesseiro à noite. E todos os dias de sua vida. Pregue para você mesmo as promessas de Deus em Cristo Jesus. A promessa do perdão pela fé em Cristo, a promessa da vida eterna, a promessa da ressurreição, a promessa do céu, a promessa da glória, a promessa de que, um dia, você verá a Deus. Jó prega as promessas do evangelho—para ele mesmo! Vocês lembram que Jó tinha jogado a toalha no chão. Agora ele se abaixa e pega a toalha. Ele desistiu de desistir! QUEM DERA! [23] “Quem dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem dera fossem gravadas em livro! [24] Que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! Esculpidas em rocha para nunca serem apagadas. “Quem dera que minha inocência, minha justificação, fosse registrada para sempre!” Jó, seu desejo foi ouvido e concedido. Deus é um Deus que ouve orações. E um Deus que é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). O que ele fez por Jó, então, foi registrar as palavras em um livro que dura mais do que a rocha. Um livro mais sólido que as montanhas. Um livro mais eterno do que essa criação. O livro que você tem nas mãos, agora. Por essa nem Jó esperava! As palavras dele se tornaram as palavras de Deus! Agora nós precisamos perguntar para ele: “Jó, por que você resolveu pegar a toalha que você jogou chão, se levantar, sacudir a poeira e voltar ao bom combate da fé? Jó, o que fez sua fé ressuscitar? Por que você está assim, com mais confiança?” O EVANGELHO DO REDENTOR VIVO [25] Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. [26] Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. [27] Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade o meu coração desfalece dentro de mim.” O pêndulo da fé de Jó pode oscilar de um lado para o outro, mas ele está preso no alto. Fixado no céu. A fé dele não vai cair e se despedaçar. • Deus pode ferir você com o cajado da provação, mas na ponta desse cajado tem mel para alimentar sua fé. • Deus pode fazer com que você beba o remédio amargo da dor, mas no fundo do copo tem uma camada de açúcar (natural!) para adoçar sua vida com as promessas dele (Adaptado de: Thomas Watson, All Things for Good, 30). Esses versículos dariam uma série de 10 sermões, mas vamos acampar pelo menos 10 minutos para contemplar a glória de Deus nesse sermão curto que Jó está pregando para ele (e para nós!). Eu vou resumir o evangelho que Jó prega em 3 promessas: 1. SEU REDENTOR ESTÁ RESPIRANDO (v. 25) [25] Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Como é bom saber que nós podemos saber (com segurança!) que nosso Redentor está vivo. “Porque eu sei”. Nós vivemos em um tempo em que uma das piores coisas que você pode fazer é dizer que sabe alguma coisa com certeza, especialmente sobre religião e Deus e o céu e o destino eterno das pessoas. A atmosfera do nosso mundo respira é que todos os caminhos levam a Deus, nenhum caminho é melhor do que o outro. Escolha o que for melhor para você. Em um mundo de dúvidas e confusão, como é bom saber que você pode ter certeza de que existe um Redentor, e que ele está vivo! Mas de quem Jó está falando? No contexto dessa passagem, Jó está falando de Deus. Ele fala que esse Redentor se levantará sobre a terra no versículo 25, e no versículo 26, ele fala ele verá a Deus, o Redentor vivo que irá se levantar. Deus é chamado de o Redentor de Israel várias vezes no Antigo Testamento. E o que é um redentor? A palavra que Jó usa aqui é a mesma palavra que é usada para Boaz no livro de Rute (hebraico: goel ). Essa palavra assume um relacionamento entre o redentor e o redimido. No Antigo Testamento, o redentor tinha obrigações por causa desse relacionamento próximo: • Se um parente tem uma dívida, o redentor deve ajudar. • Se um parente se tornou servo de alguém, ele deve pagar o preço para libertá-lo. • O redentor é aquele que compra de volta a herança que uma pessoa precisaria vender porque está muito pobre. • O redentor tem até a obrigação de vingar a morte inocente de um parente. O redentor deveria fazer o que fosse necessário para proteger e salvar um parente próximo (Talbert, Beyond Suffering, 122, citando Michael Barrett, Beginning in Moses, 196-7). Você ouve tudo isso, e em quem você está pensando? Quem é o Redentor fez tudo o que era necessário para nos proteger e nos salvar? O mesmo que morreu na cruz na sexta e ressuscitou no domingo. CRISTO REDENTOR Jesus cumpre todas as obrigações de um Redentor, e por livre e espontânea vontade. Ele é o nosso “parente mais próximo” que entrou em uma aliança conosco para nos proteger e nos salvar. Jesus é o cumprimento da declaração de fé de Jó. Mas para nos redimir—para nos proteger e salvar da morte, Jesus precisou ser engolido pela morte. E como Jonas ficou na barriga do grande peixe por três dias, Jesus ficou na escuridão do estômago da morte por três dias. Mas quando Deus ordenou, no domingo: “— Devolva meu Filho!”, a morte obedeceu. Ela não tem escolha! E Jesus foi devolvido à terra. E quando ele se levantou, ele matou a morte. Na cruz, na sexta, ele entregou toda a vida que ele tinha. No domingo, na sepultura, Deus devolveu a vida que ele tinha, agora com ainda mais glória. E para nunca mais morrer. Esse evangelho que você precisa pregar para você: Se o meu Redentor enfrentou a morte para me salvar, como eu posso pensar que ele não fará tudo o que for preciso para me proteger e me ajudar e me levar para casa? Eu sei que o meu Redentor vive. Essa é a primeira promessa. A segunda promessa do evangelho de Jó é: 2. SUA MORTE TAMBÉM VAI MORRER (v. 26) [26] Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Agora Jó está falando da ressurreição dele—da nossa ressurreição. Jó não tem muita esperança de ser vindicado nesta vida. É por isso que ele quer que a declaração de inocência dele seja escrita com ferro em uma rocha. Para continuar registrado mesmo depois que ele morrer. Mas ele tem esperança—a esperança certa do evangelho—de que ele será declarado justo quando ele morrer e estiver diante de Deus. Jó guarda no coração a esperança da ressurreição. Veja que reviravolta na história. No capítulo anterior, Bildade disse que Jó seria devorado pela morte (Jó 18:13-14). Mas Jó está dizendo: “Não, Bildade! É o meu Deus—meu Redentor—quem irá devorar (tragar)”. A teologia de Jó está mais de acordo com a Bíblia: 1Coríntios 15:54-55—Tragada [engolida] foi a morte pela vitória [de Cristo]. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? A nossa vitória sobre a morte não foi conquistada por nós. Isso é importante ficar claro. Ela foi conquistada pelo Matador da morte—o Senhor da vida, o Senhor Jesus. Em 1 Coríntios 15, Paulo descreve a batalha que nós temos contra a morte. Ele fala da morte segurando um aguilhão—uma vara com uma ponta de ferro afiada no fim. Paulo fala que: o aguilhão da morte é o pecado (v. 16). Ou seja, o pecado é a arma (o aguilhão) que a morte tem na mão para nos matar. Quando Jesus morreu pagando pelos nossos pecados, ele tirou o aguilhão da mão da morte. É por isso que Paulo pergunta: Onde está, ó morte, o seu aguilhão? E a morte fica muda. “Fala, morte! Onde está o pecado—a arma—que você usou para derramar tanto sangue?” A morte não tem resposta. Mas como Jesus não tem pecado, depois que ele pagou pelos pecados, ele se levantou em triunfo. A por causa da sua fé nele, a vitória dele sobre a morte é sua também. 1 Coríntios 15:57—Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a mensagem da Páscoa: a morte perdeu, Jesus venceu. E por isso nós vamos ressuscitar também. A terceira promessa é a razão por que o evangelho é uma boa notícia. 1. Seu Redentor está respirando. 2. Sua morte também vai morrer. 3. Você verá a Deus. Sem essa promessa, a vida eterna seria um castigo e o céu não seria céu. Mas louvado seja o Senhor, o final do versículo 26: 3. VOCÊ VERÁ A DEUS (v. 27) Final do v.[26] em minha carne verei a Deus. [27] Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; Jó não tem dúvidas de que ele verá a Deus. E ele não quer que nós tenhamos dúvida. Ele repete 3 vezes “eu verei”, “eu verei”, “eu verei”. Por que ele faz isso? Porque ele verá a Deus! E nós veremos a Deus! Com olhos glorificados, com os olhos da fé, nós veremos a Deus na face gloriosa de Jesus Cristo. É sempre por meio dele. Você vê a Deus quando você vê Jesus com fé. Isso é verdade hoje, nesta manhã. E será assim por toda a eternidade. Jesus disse para Filipe: “Quem vê a mim, vê o Pai” (João 14:9). Eu não quero, nunca jamais, diminuir o sofrimento que vários de vocês estão passando. E vão passar. Mas a promessa de que você verá a Deus, em sua carne, com seus olhos, tem força divina para levantar você do chão e continuar esperando no Senhor. • Você lê o diagnóstico que você temia no resultado do exame. • Você vê pessoas que você ama—sua própria família—abandonando a fé. • Você é chamado para uma reunião com o RH e é demitido. • Você é rejeitado pelas pessoas que você achava que amavam você, como Jó. Nessa hora, nesse momento, você precisa de alguma coisa para se agarrar e poder levantar. O que nós precisamos é o que Jó precisa e o que Deus prometeu para todos nós. Mais alguns dias, e eu verei a Deus. Mais alguns dias nesse mundo, e eu verei o meu Rei. Só mais alguns dias, e eu verei o meu Redentor em toda a sua glória. Mais alguns dias, e a única coisa que eu vou experimentar pelos próximos bilhões de anos é amor dele. Você pode continuar mancando. Talvez mancando a vida inteira como Jacó depois que ele lutou com Deus. Mas a promessa de ver a Deus tem a força divina para levantar do chão o coração mais pesado entre nós. Jó está mais confiante. Eu espero que nós também. As promessas do evangelho do Redentor são maravilhosas. Mas Jó ainda não terminou o sermão dele. Nem eu, o meu. Faltam dois versículos. Jó começou com um apelo aos amigos, passou pelo evangelho e termina voltando para os amigos. Mas em vez de um apelo, ele termina com um aviso. 2.3 AVISO (19:28-29) [28] “Se vocês [os 3 amigos dele] disserem: ‘Como o perseguiremos?’ E: ‘A causa deste mal se acha nele mesmo’, ... que é o que eles estão falando o tempo todo: “o seu sofrimento é culpa sua, Jó, do seu pecado”. [29] então tenham medo da espada [símbolo de julgamento], porque tais acusações merecem o seu furor, para que vocês saibam que há um juízo.” Agora foi a vez de Jó ameaçar os amigos: “Deus vai julgar vocês. Vocês é que estão cavando a própria cova”. Jó tem razão. É o que nós vamos ver no final do livro. Os amigos de Jó estão debaixo da ira de Deus, como estão todos aqueles que não recebem pela fé o Redentor que absorveu o juízo de Deus na cruz. Que esse não seja o caso de nenhum de nós aqui! O Redentor de Jó pode ser o seu Redentor também. Creia que ele recebeu a espada do julgamento de Deus na cruz no seu lugar—que os cravos nas mãos e nos pés que ele recebeu eram seus, e você pode afirmar com toda a certeza que uma alma humana pode ter: Porque eu sei que o meu Redentor vive; em minha carne verei a Deus (Jó 19:25-26). CONCLUSÃO Essa é a mensagem da Páscoa. A mensagem de como Deus derrotou a morte através de Jesus Cristo e como você pode derrotar esse inimigo que parece invencível. Ele não é. Jesus matou a morte quando ele morreu naquela cruz e ressuscitou daquele sepulcro. Por causa da nossa fé nele, a vitória dele é a nossa vitória. Uma vitória que nós devemos continuar proclamando nos quatro cantos da nossa casa e nos quatro cantos desse mundo. Só nós, crentes no Redentor, temos a melhor mensagem que poderia entrar em ouvidos humanos: Morte, você perdeu. O nosso Redentor venceu. E ele vive. E quando ele voltar, você nunca mais vai existir, morte. Nem você, nem os outros membros da sua família: nem o luto, nem o pranto, nem a dor (Apocalipse 21:4). Mas nós viveremos para sempre com ele. E os nossos olhos verão a Deus. Nós sabemos disso porque o nosso Redentor vive. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
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![Série em Jó: Sofrimento Soberano
22 de Março de 2026 – IBJM
Shane Barnard é um cantor cristão. Ele deu um testemunho muito bonito sobre a fé da mãe dele. Ele estava em um ônibus, viajando, quando ele recebeu uma mensagem da mãe no celular: Seu pai teve um ataque cardíaco. Ele está no hospital. Ele está vivo, mas está mal. Shane pega um avião e vai se encontrar com a mãe e o pai no hospital. Eles oram e oram para que o Senhor poupe a vida do pai. A mãe dele tinha acabado de se converter aos 70 anos. Uma senhora cristã recém-convertida. Eles estão em um quarto pequeno do hospital. O pai entubado. Até que o médico chega e avisa: “Ele faleceu”. Deus tinha outros planos e não respondeu com “sim”. A mãe começa a ficar desesperada, começa a bater no peito do marido, chorando. Shane abraça a mãe e a leva para sentar na cadeira. Ela ainda chorando, ainda transtornada, ela começa a falar baixinho: O Senhor o deu. O Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor. Como assim? O que faz alguém que acabou de perder a pessoa que mais amava nesse mundo, ainda em grande dor, ir até aquele que tomou o marido dele—Deus—e bendizer o nome dele? A explicação está em um fenômeno chamado fé. Quando Deus abre os olhos de alguém para que essa pessoa veja o seu pecado e veja o Cristo crucificado para salvar você, o seu mundo muda. Sua vida vira. Você entra em um relacionamento com Deus de amor e confiança e adoração. E o sofrimento nessa vida, em vez de apagar sua fé, ele intensifica. O cristão, no meio da dor, em vez de correr DE Deus, ele corre PARA Deus. É a experiência mais profunda e poderosa que uma pessoa pode experimentar. Essa experiência se chama fé. Mas a corrida da fé não é plana. Eu imagino que essa senhora que perdeu o marido teve dias de mais tristeza. E dias de mais confiança. A nossa corrida da fé é como uma Montanha-Russa. Altos e baixos. Jó continua muito ferido e muito frustrado com o que Deus está fazendo com ele. Ao mesmo tempo, (como a mãe do Shane) Jó sabe para onde ir: para Deus. A resposta de Jó tem 3 capítulos. Nós vamos dividir a resposta de Jó no meio: • O capítulo 12 e até mais ou menos a metade do 13, Jó está implorando com os amigos para eles pararem de fazer o que ele estão fazendo—falando coisas falsas. • Da segunda metade do capítulo 13 até o final do 14, Jó está implorando com Deus para Deus parar o que ele está fazendo—tratando Jó como um inimigo. Primeiro, vamos à resposta de Jó aos amigos. Essa é a resposta mais longa de Jó até agora. E a mais nervosa também. Jó está cansado de ouvir essas acusações falsas—de que ele tem algum pecado escondido. Agora ele parte para o ataque. 1. JÓ REPREENDE OS AMIGOS (12:1-13:12) Jó tem 3 argumentos para provar que a teologia deles é uma teologia que só quem vive de olhos fechados pode abraçar. ARGUMENTO #1 : MUITAS VEZES, OS BONS SE DÃO MAL E OS MAUS SE DÃO BEM (12:1-12) Diferente do que os amigos insistem. [1] Então Jó respondeu: [2] Na verdade, vocês são o povo, e com vocês morrerá a sabedoria. Jó começa sendo sarcástico: “Uau, vocês são muito sábios. O dia em que vocês morrerem, o mundo vai ficar sem sabedoria. Como nós vamos sobreviver sem vocês, o trio dos sabichões da Terra!?” Antes de atacar de novo, ele se defende: [3] Mas eu também tenho entendimento; em nada sou inferior a vocês. Quem não sabe coisas como essas? Agora vem o ataque. Vocês lembram o fundamento do pensamento dos amigos de Jó: “Deus sempre pune os maus. Se você está sofrendo, é porque você está em pecado”. Jó fala: “Ah é!? Então me explica isso”: [4] Eu sou motivo de riso para os meus amigos — eu, que invocava a Deus, e ele me respondia; o justo e o reto são motivo de riso. Jó está dizendo: “Eu sou um exemplo de que a teologia de vocês não funciona! Eu sou um homem bom—que temia a Deus—, mas que estou sofrendo humilhação. Agora ele ataca o outro lado da teologia deles: muitas vezes, são os maus é que se dão bem: [6] Os opressores têm paz em suas tendas, e os que provocam a Deus estão seguros; o deus deles é a sua própria força. Jó está expondo a cegueira do conselho dos amigos. Sinceramente, a única maneira de alguém defender essa ideia de que os “maus sempre se dão mal e os bons sempre se dão bem” é se a pessoa andar pelo mundo de olhos fechados. • O mundo está cheio de ateus e falsos mestres que tem um travesseiro fofo, uma saúde forte, uma casa boa, um conta bancária cheia de números. • E o mundo está cheio de adoradores do Senhor que estão mal. Esses dias eu recebi a notícia de que um irmão nosso teve a oportunidade de assinar um documento com uma fraude para beneficiar a empresa em que ele estava. Ele disse: “Não, eu não posso assinar isso. Seria errado”. Sabe o que aconteceu com ele? Ele foi demitido. Ele sofreu, não por causa do pecado. Foi exatamente o contrário! Agora ele está desempregado porque ele foi fiel, e não pecou! E os desonestos vão achar um outro que assine o documento falso. Nós vivemos em um mundo injusto. Eu pulei o versículo 5. Jó repreende a atitude deles também: [5] No pensamento de quem está seguro [ele está falando dos amigos dele] há desprezo pela desgraça, um empurrão para aquele cujos pés já vacilam. Esse é o jeito de Jó falar: pimenta nos olhos dos outros é refresco. Eu estou escorregando nas minhas lágrimas, não consigo para em pé, e em vez de vocês segurarem, vocês vem e me empurram. Em vez de me consolar, vocês me condenam. Essa ideia de que “os maus sempre se dão mau e os bons sempre se dão bem” é tão absurda que até os elefantes e os pardais, se eles pudessem falar, ensinariam a eles uma teologia melhor: [7] Mas pergunte agora aos animais, e cada um deles o ensinará; pergunte às aves do céu, e elas lhe contarão. [8] Ou fale com a terra, e ela o instruirá; até os peixes do mar lhe contarão. [9] De todos estes, quem não sabe que a mão do Senhor fez isto? Todo mundo sabe que a mão do Senhor governa o mundo que ele fez. Até os animais sabem disso. Deus é Deus. Deus nunca comete injustiças, mas Deus é soberano sobre os injustos e suas injustiças. A vida de cada um de nós, junto com todas as moléculas desse Universo, estão nas mãos de Deus. [10] Na sua mão está a vida de todos os seres vivos e o espírito de todo o gênero humano. A experiência da nossa vida—é só você abrir os olhos—prova que os amigos de Jó são como os fariseus do tempo de Jesus. Eles são guias cegos que vão levar as pessoas cair: o mundo está cheio de gente boa sofrendo e gente má se dando bem. E Deus está por trás de tudo. O segundo argumento de Jó (a partir do versículo 13) para provar que a teologia simplista deles é incapaz de nos ajudar a entender a nossa vida é que: ARGUMENTO #2 : DEUS É IMPREVISÍVEL (12:13-25) O mundo é muito mais complicado do que eles pensam. Deus muitas vezes usa o poder e a sabedoria dele de uma forma destruidora—como fez com Jó—e ninguém sabe explicar por que (apesar do amigos acharem que sabem). [13] Com Deus estão a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento. Jó e seus amigos (e nós!) concordamos que “com Deus estão a força e a sabedoria”: • Deus tem a sabedoria para saber exatamente o que fazer. • E ele tem o poder para fazer o que ele sabe que tem que fazer. Não existe nenhuma limitação em Deus. Mas aqui vem a divergência. Os amigos de Jó acham que eles podem explicar tudo nessa vida, incluindo todo o sofrimento desse mundo. E todas as tragédias e mortes e desastres na natureza. Jó não concorda. Deus é muitas vezes imprevisível. Ele usa a força e a sabedoria dele para criar calamidades e ninguém é capaz de entender tudo. [14] O que ele derruba não pode ser reconstruído; (...) [15] Se ele retém as águas, elas secam; se ele as solta, elas devastam a terra. Quem de nós é capaz de explicar e prever tudo o que Deus irá fazer no mundo? Aparentemente os amigos de Jó conseguem. Jó usa agora vários grupos de pessoas em posição de liderança—poderosos aos olhos dos homens—mas que Deus derruba com um sopro como se eles fossem um castelo de cartas. [17] Ele leva os conselheiros embora, descalços, e faz os juízes de tolos. Nos versículos 18 a 21, ele fala de reis e sacerdotes e anciãos e príncipes e poderosos. Os líderes desse mundo são com peças de xadrez nas mãos de Deus. E Deus coloca as peças onde ele quer. E ele sempre vence. Não só líderes, mas Deus faz isso com nações inteiras: [23] Deus engrandece as nações e depois as destrói; dispersa-as e de novo as congrega. Deus é imprevisível. Esse é o ponto de Jó. Essa teologia que se propõe a explicar tudo o que Deus está fazendo é, no melhor caso, simplista demais. No pior caso, pura arrogância. A verdade é que existe muito mistério em como Deus governa o mundo. A teologia de Jó é melhor que a dos amigos. Às vezes, reconhecer que você sabe menos é sinal de sabedoria. Jó está usando desse argumento—do poder destruidor e imprevisível de Deus—para se defender diante dos seus amigos. É como se Jó estivesse dizendo: “Vocês não são capazes de explicar o meu sofrimento. Deus usa o poder dele para derrubar as pessoas—como ele está fazendo comigo!—e ninguém sabe o porquê. Eu estou cansado de falar com vocês! Eu quero falar com Deus!” Que é o que parece que vai acontecer no início do capítulo 13. Jó repete o que ele disse no início do capítulo 12. Jó 13:[1] Eis que os meus olhos viram tudo isso, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. [2] O que vocês sabem eu também sei; em nada sou inferior a vocês. E fala do desejo dele de lidar diretamente com Deus: [3] Mas falarei ao Todo-Poderoso e quero defender-me diante de Deus. Mas foi um alarme falso. Jó ainda não vai falar com o Todo-Poderoso. Ele guardou um último ataque contra os seus amigos. Ele tem mais um argumento contra a teologia cega deles ARGUMENTO #3 : VOCÊS DEFENDEM A DEUS COM MENTIRAS Jó está nervoso: [4] Vocês, porém, cobrem a verdade com mentiras; todos vocês são médicos que não valem nada. [5] Quem dera vocês ficassem completamente calados! Vocês poderiam passar por sábios! O problema é que eles abrem a boca, sai um monte de besteira, e todo mundo fica sabendo que eles são tolos. Eles só aumentam a dor de Jó com palavras duras e acusações e mentiras. [7] Será que vão dizer perversidades em favor de Deus? Vão dizer mentiras a favor dele? [8] Serão parciais por ele? Argumentarão a favor de Deus? Até o versículo 10, a acusação que Jó tem contra os seus amigos é a seguinte: vocês criaram esse esquema teológico de que Deus é justo e por isso se alguém sofre é porque essa pessoa está merecendo sofrer porque ela pecou. Esse não é o meu caso. Vocês mentem para defender a justiça de Deus! É bom nos lembrarmos que Deus, no final do livro de Jó, Deus concorda com Jó e não com os amigos. Jó, então, vira a mesa: os amigos dele querem colocar medo em Jó dizendo que ele é um pecador que esconde os pecados diante de Deus. Jó diz que eles que estão pecando e eles que deveriam ter medo de Deus e falar esse monte de besteira em nome de Deus. [11] A grandeza dele [de Deus] não os amedrontaria? E o terror dele não cairia sobre vocês? [12] As máximas de vocês são provérbios de cinza [esfarelam na mão]; as defesas de vocês são muralhas de barro. É só empurrar um pouco que ela cai no chão e quebra. Foi o que Jó fez. Ele derrubou a muralha de barro da teologia deles com 3 empurrões—3 argumentos: 1. Pessoas que amam o Senhor também sofrem. 2. Deus governa de forma imprevisível. 3. Vocês mentem só para manter a definição de justiça de Deus (errada!) que vocês têm. Chega! Vocês são guias cegos e não me ofereceram nada de útil. Eu quero falar com Deus. Esse é o espírito de Jó. Nós entramos em uma transição. Do versículo 13 ao 19, Jó está se preparando para falar com Deus. TRANSIÇÃO: DOS AMIGOS PARA DEUS (13:13-19) [13] Calem-se diante de mim, e eu falarei; que venha sobre mim o que vier. [14] Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a minha vida nas minhas mãos. Mas é nessa transição que Jó entra em uma montanha-russa. A partir do versículo 15 (até o final do próximo capítulo!), Jó vai passar por muitos altos e baixos. Em alguns momentos, ele está lá no alto—mais perto do céu (com esperança), e em outros momentos ele está embaixo, mais perto do fundo do poço, querendo morrer. Ele começa no alto. O versículo 15 não parece muito com alguém que está no alto: [15] Eis que ele me matará, já não tenho esperança; mesmo assim defenderei a minha conduta diante dele. Mas se você está usando uma Bíblia da igreja (NAA), você vai perceber que nesse versículo que logo depois da palavra “esperança” tem um número 1. Se você for para o final da página, você vai ler o seguinte: 1 13:15 Uma variante textual traz ainda que ele me mate, nele esperarei. Essa é a tradução considerada tradicional. É a tradução da NVI e várias outras traduções da Bíblia. AINDA QUE ELE ME MATE! Essa diferença de tradução está em uma letra do texto original—em hebraico. Essa letra diferente muda a tradução de “NÃO esperarei” para “NELE esperarei”. Eu entendo que nós devemos seguir a tradução que está no final da página—que é a tradução mais tradicional: “Ainda que ele me mate, nele esperarei”. Ela casa melhor com o versículo seguinte, que é mais positivo: [16] Também isto será a minha salvação: o fato de um ímpio não comparecer diante dele. Isso significa que, neste ponto, Jó está no alto. Jó está dizendo: “Ainda que Deus me mate, eu não vou parar de confiar nele. Eu não vou parar de esperar nele. O meu Deus pode me destruir, eu nunca vou abandoná-lo”. Essa é uma declaração impressionante de fé: Jó reconhece que Deus está por trás do sofrimento dele. Como a mãe do Shane reconheceu no hospital E como você reconhece na sua vida, crente. Você sabe que Deus está no controle do seu sofrimento, que de alguma maneira, ele está causando a dor, e ainda assim, o que você faz é correr para ele. O crente tem uma confiança no amor de Deus, mesmo quando o amor dele dói. A atitude de Jó se parece com a experiências que, às vezes, os pais têm quando disciplinam seus filhos. PAIS E FILHOS Você ama demais aquela criança fofa. Mas ela desobedeceu. Você precisa ensiná-la que o pecado tem consequência. Você a leva para o quarto e explica: “Você desobedeceu o papai. Isso não honra o Senhor”. Você coloca ela no colo e dá uma palmada—o suficiente para ser um pequeno alerta, não para machucá-lo. Com os mais dramáticos, é aquela choradeira. Mas qual é a primeira coisa que ele faz? Ele vai na minha direção e me abraça e se agarra no meu pescoço. Ela não foge. Não vira as costas para mim. Não pensa em me dar uma palmada também. Eu causei uma dor nele, e ele corre para mim. Esse é Jó com Deus. Esse somos nós com Deus Pai. Deus não está disciplinando Jó. A dor de Jó não é por causa do pecado. Mas o princípio se mantém: Jó vai em direção daquele que lhe causou dor. Ainda que ele me mate, nele esperei. A IMORTALIDADE DA FÉ Essa é uma das declarações mais poderosa de fé em toda a Bíblia. Essa declaração de Jó prova que Satanás estava errado: Jó não confia em Deus só porque Deus deu um monte de coisas para ele. Jó confia em Deus mesmo que Deus tire tudo dele—até a vida! Uma pessoa religiosa que não é salva não faz isso. Ele quer Deus só por causa das coisas que Deus pode dar para ela nessa vida. Mas Jó não é um religioso não-convertido. Jó é um adorador-sofredor. Se você estava pensando: “Poxa, Jó começou tão bem! Ele estava lidando tão bem com o sofrimento!” O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:21) Mas Jó agora está tão confuso e tão frustrado. Onde foi parar aquela fé de Jó? A fé de Jó não foi parar em lugar nenhum. Ela continua no coração dele. No coração regenerado dele. No novo coração que Deus deu a ele. Jó está aplicando essa verdade—O Senhor dá, O Senhor toma, bendito seja o nome do Senhor!—a ele mesmo. Ele fez essa declaração de adoração quando Deus tirou a vida dos filhos. Agora ele aplica a ele mesmo: Ainda que ele me mate [—e tire a minha vida], nele esperei. Qual é a explicação para você correr em direção a quem feriu você? O que faz uma pessoa ter certeza de que Deus está por trás daquela dor e, ainda assim, correr para o Causador da sua dor? A explicação não é uma explicação natural. Pessoas naturais não vivem assim. A explicação é uma obra sobrenatural do Espírito de Deus. Deus abriu os olhos do seu coração agora você consegue ver quem Deus é. CEGOS CURADOS Quando o Espírito remove a nossa cegueira, nós podemos até ficar com os olhos embaçados por causa das lágrimas, nós podemos até ficar com os olhos fechados por um tempo por causa da dor, mas em algum momento, nós vamos abrir os olhos e ver—pela fé—aquele que nos amou e se entregou por nós naquela cruz. • O cristão é alguém que foi tão cativado pela beleza de Deus, • tão capturado por esse Deus de amor e poder; • o cristão é aquele que foi tão consumido por Cristo, que nada nesse mundo consegue rasgar a união que ele tem com o seu Senhor. A fé é um fenômeno tão resistente na alma de um cristão que nem a própria morte consegue remover essa realidade dele. Ainda que ele me mate, nele esperei. JÓ É UMA SOMBRA Mas Jó é mais do que um exemplo para nós. Jó funciona também como uma sombra daquele que virias sofrer por nós. Jó aponta para Jesus. Ouvir Jó dizendo: “Ainda que ele me mate, eu esperarei nele” é um eco do Senhor Jesus no Getsêmani. Com a alma ainda mais angustiada do que de Jó ou qualquer outro ser humano, prostrado no chão, suando sangue, Jesus disse: — Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice! [O cálice da morte] Contudo [“Ainda que o Senhor me mate”], não seja como eu quero, e sim como tu queres (Mateus 26:39)—“Eu confiarei no Senhor”. Ouvir Jó a ponto de ser morto por Deus e dizendo—“nele esperarei—é ouvir o Senhor Jesus no Getsêmani. O sofrimento e a fé de Jó nos preparam para receber o nosso Salvador que sofreu e esperou em Deus, ainda que Deus tenha tirado toda a vida dele. É para esse Deus que Jó está olhando. É esse Deus que Jó quer seguir. TRAJETO NÃO RETO Mas a trajetória da fé não é uma linha reta. Não é uma escada que você sempre sobe. Essa trajetória se parece mais com uma montanha-russa. Nesse ponto, Jó está mais no alto. Ele termina essa transição antes de falar com Deus com ousadia: [18] Tenho já bem-encaminhada minha causa e estou certo de que serei justificado. Jó está confiante de que será justificado. Ele tem uma defesa preparada para convencer Deus de que ele não deveria estar sofrendo dessa maneira. É verdade que Jó está frustrado com Deus também, mas a maneira como ele fala com Deus é diferente da maneira como ele fala com os amigos. Existe uma reverência de crente no coração de Jó. 2. JÓ RECLAMA COM DEUS (13:20-14:22) Os amigos de Jó ficam para trás. Agora Jó vai lidar diretamente com Deus. Ele começa fazendo dois pedidos: PEDIDOS INICIAIS (13:20-28) [20] Concede-me somente duas coisas, ó Deus, e assim não me esconderei de ti: [21] tira a tua mão de cima de mim, e não me amedronte o teu terror. Jó vê Deus como se fosse um urso bravo que está preso junto com você em uma jaula. Você está constantemente com medo de ser atacado. Mas ainda assim, Jó quer falar com Deus. É como se o sofrimento, por lado, empurrasse você para longe de Deus, mas a sua fé puxa você de volta e você quer entender do Senhor o que está acontecendo. Jó tem mais pedidos: [22] Interpela-me, e eu responderei; ou deixa-me falar, e tu responderás. Jó vai começar a descer na Montanha-Russa da Esperança. Conforme ele começa a falar com Deus, ele começa a ir para baixo de novo. Jó foi realmente contaminado pela teologia dos amigos. Ele não concorda que a explicação para todo sofrimento é que Deus está punindo aquela pessoa porque ela pecou. Ele rejeita essa teologia. Mas ao mesmo tempo, a mente dele às vezes opera dessa maneira: [23] Quantas culpas e pecados tenho eu? Mostra-me a minha transgressão e o meu pecado. (...) [26] Pois decretas contra mim coisas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade. No versículo 24, Jó pergunta para Deus: [24] Por que (...) me consideras teu inimigo? Jó vê a Deus como alguém que ficou anotando os pecados dele por todos esses anos e agora resolveu derramar tudo de uma vez nele. O capítulo 13 termina com Jó se comparando (no final do versículo 28): [28] (...) como a roupa que é comida pela traça. Esse pensamento de se enxergar como alguém que é consumido rapidamente—como uma camisa sendo comida por traças—faz ele entrar em uma reflexão sobre a brevidade da vida no capítulo 14. O capítulo começa com essa reflexão pessimista (mas realista também!) sobre a vida: A BREVIDADE DA VIDA (14:1-12) [1] O ser humano, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. [2] Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece. (...) [5] Visto que os dias do ser humano estão contados, o número dos seus meses está nas tuas mãos; traçaste limites além dos quais não passará. A vida é tão curta! E tão imprevisível. Que o Senhor nos dê um coração sábio para contarmos nossos dias e não desperdiçarmos nosso breve tempo aqui. Mas como Jó vê Deus de forma tão negativa, Deus não é alguém que cuida de nós, mas alguém que nos vigia para destruir. Como ele tinha chamado Deus no capítulo 7 de “Espreitador da Humanidade” (Jó 7:20). E, então, ele faz mais um pedido: [6] Desvia dele o teu olhar, para que tenha repouso, até que, como o trabalhador, tenha prazer no seu dia. Segura. A Montanha-Russa da Esperança de Jó agora vai acelerar. Mas vai acelerar para baixo. Ele usa a natureza para mostrar que até as árvores têm mais esperança que os humanos. Olha a comparação que ele faz: [7] Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, voltará a brotar, e não cessarão os seus rebentos. [8] Se as suas raízes envelhecerem na terra, e o seu tronco morrer no chão, [9] ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova. Não é verdade? Uma árvore é cortada. Fica o toco. Com o tempo, com água, a árvore “ressuscita”. Ela tem uma segunda vida. Com o ser humano não é assim: [10] Mas [mas, diferente das árvores], se alguém morre, fica prostrado; o ser humano expira e para onde vai? [11] Como as águas do lago evaporam, e o rio se esgota e seca, [12] assim o ser humano se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono. Se o Senhor nos cortar a vida, acabou. Nossos dias nesse mundo acabaram para sempre. Neste ponto, Jó está com os olhos só na morte e nesse mundo. Jó não está olhando para o céu e para Deus como ele deveria. A conclusão dele é: “O ser humano morre e acabou. Essa é a minha vida aqui. Viver desse jeito não é vida”. Às vezes os crentes chegam nessa escuridão. Mas a trajetória da esperança de Jó na Montanha-Russa ainda não terminou. Esse ponto tão baixo não é o fim. Jó começa a subir, de novo! O Senhor ressuscita a esperança dele na ressurreição: A RESSURREIÇÃO DA ESPERANÇA NA RESSURREIÇÃO (14:13-17) [13] Quem dera [Ouça a esperança! Quem dera!] me escondesses na sepultura e me ocultasses até que a tua ira passasse! Quem dera me fixasses um prazo e depois te lembrasses de mim! Jó não desistiu. Ele se desespera sem desistir. “Quem dera!” é a virada da montanha-russa para cima. Para a direção do céu. Para uma nova vida. Para a ressurreição. Jó cria um cenário hipotético onde ele fica escondido na sepultura—morto, esperando a ira de Deus passar. A ira de Deus passa, e Deus se lembra de Jó, chama a Jó. Como Jesus chamou Lázaro da sepultura: “Lázaro, venha para fora!” (João 11:43) e Lázaro se levantou e viveu de novo. O cenário que Jó cria é mais real do que ele imagina. [14] Quando alguém morre, será que volta a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que viesse a minha mudança. Essa palavra mudança poderia ser traduzida como renovação. A mudança de volta à vida—a minha ressurreição. Veja se a experiência de Jó não se parece com a experiência de Lázaro saindo do túmulo com o chamado de Jesus: [15] Tu me chamarias, e eu te responderia; terias saudades da obra das tuas mãos; Vocês percebem o caráter pessoal dessas palavra: “TU ME chamarias, e EU TE responderia”. Isso é relacionamento pessoal com Deus. Isso é fé. Me permitam fazer algumas perguntas pessoais para nós: • Nós podemos dizer isso sobre o nosso relacionamento com Deus? • Deus é para mim é um sistema religioso ou ele é o meu Pai, meu Deus, que me chama e eu respondo? • Eu vou na igreja porque é a coisa certa a fazer no domingo? Ou por que eu amo a Deus e a Palavra dele e as pessoas que ele colocou na minha vida? • Eu leio a Bíblia porque é simplesmente o meu dever ou porque eu amo o Deus da Bíblia e o Salvador Jesus que ela revela? A fé é uma realidade espiritual pessoal. Se você não experimentou essa fé, vá até o Senhor peça para ele perdão, peça ajuda, e coloque sua fé no Cristo crucificado pelos seus pecados. É você não será nunca mais um pessoa natural. O que Jó faz agora é impressionante. A montanha-russa está acelerando, mas agora na direção certa—para o alto, para o céu, para Deus—para a salvação. Jó está pregando o evangelho para ele mesmo! O EVANGELHO DE JÓ [16] e até contarias os meus passos e não levarias em conta os meus pecados. [17] A minha transgressão estaria selada num saco, e terias encoberto as minhas iniquidades. • Segunda parte do versículo 16: Isso não é o evangelho? Deus não levando em contas os seus pecados porque o seu Rei já pagou por todos eles na cruz! • Primeira parte do versículo 17: Isso não é o evangelho? Deus colocando a sua transgressão no saco gigante da graça e lançando-o no mar e o seu pecado vai parar no fundo do mar e aquele peso enorme da sua culpa não está mais sobre os seus ombros! • Segunda parte do versículo 17: Isso não é o evangelho? Deus encobrindo as suas iniquidades com o sangue de Cristo, e porque agora cada milímetro da sua montanha de pecados está banhada de vermelho com o sangue de Cristo, tudo está coberto e pago e você está justificado diante do Juiz de toda a terra! Jó pregando o evangelho para Jó—e para nós! Jó reconhece que o pecado é um problema. Jó não entende por que Deus está tratando ele dessa forma. Jó está contaminado pela teologia dos amigos, mas nisso Jó está certo, que: • Mesmo que você tenha pecado, Deus é capaz de não levar em conta se você crê nas promessas de perdão em Cristo. • Mesmo que você tenha pecado, Deus é capaz de selar sua transgressão, cobrir sua iniquidade, e você pode ficar na presença de Deus sem medo. Ele não vai destruir você porque ele já destruiu o seu pecado no corpo do Filho ele. No caso de Jó, era um futuro certo. No nosso caso, é um passado certo. Mas de qualquer forma, seja você um crente do Antigo Testamento ou um crente do Novo Testamento, o lugar onde Deus lida com o seu pecado é o mesmo: a cruz de Cristo—a morte do Deus Filho no lugar. Que lindo é ouvir Jó pregando o evangelho! É por isso que ele está com mais esperança. É por isso que ele está indo para o alto na montanha-russa: porque ele está pregando verdades sobre o que Deus fez e faz e fará por nós em Cristo Jesus. A fé é um fenômeno tão resistente na alma de um cristão que nem a própria morte consegue remover essa realidade dele. Mas a trajetória da fé não é uma linha reta. Jó despenca de novo. O carro da montanha-russa volta a descer, e a descer com força. De novo, mais um “mas!” no início do versículo 18, e a direção do coração de Jó muda para baixo. A MORTE DA ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO (14:18-22) Deus me chamaria, Deus me perdoaria, Deus me salvaria, mas... [18] Mas como o monte que desmorona e se desfaz, e a rocha que se move do seu lugar, [19] como as águas gastam as pedras, e as cheias levam o pó da terra, assim destróis a esperança humana. Jó deprimido de novo. [20] Tu prevaleces para sempre contra o ser humano, e ele passa; mudas o semblante dele e o despedes. [21] Os seus filhos recebem honras, e ele não sabe; são humilhados, e ele não percebe. [22] Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e a sua alma lamenta apenas por si mesma. Parecia que ele estava melhor. Mas de novo entraram esses pensamentos ruins sobre Deus e a vida e o mundo. E agora Jó não está mais pregando o evangelho para ele. Ele voltou a pensar em Deus como um Destruidor, não como um Salvador cheio de amor. Isso explica por que ele está mal. Cristão, o que você pensa determina como você se sente. Pensamentos sobre o perdão de Deus em Cristo vão fazer você subir—sua alma se elevar a Deus: • Pensamentos sobre a vitória de Cristo sobre o mal e a morte, • E a promessa de que você irá viver para sempre com o seu Senhor, • E você, em breve, nunca mais irá pecar porque você está com seu Rei na glória—esse pensamentos levam você para o alto e você sobe na Montanha-Russa da Esperança. Mas se você criar pensamentos em sua mente que não são verdadeiros — "Deus não se importa, minha vida sempre será assim, nada faz sentido” — você irá descer. CONCLUSÃO Mas evangelho significa boas-notícias. E a boa-notícia é que nenhum crente para no meio do caminho. Jó terminou o capítulo 14 no fundo. Mas esse não é o último capítulo da história dele. O Senhor Jesus prometeu não deixar nenhuma ovelha para trás. Ele irá levar todas para casa. Ele disse: De fato, a vontade de meu Pai é que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia (João 6:40). O desejo de Jó de ser justificado e ressuscitado foi selado por aquele que morreu e ressuscitou. O mesmo que comprou a sua ressurreição, cristão. Mas cristão, é muito importante você entender que a trajetória da sua vida—da sua fé e da sua esperança—é como uma montanha-russa. Você vai para baixo e para cima. Às vezes você fica até de cabeça para baixo. Às vezes, de repente, sua vida dá uma virada para onde você nunca imaginou ser possível. Como a vida de Jó. Mas tem mais um fato importante: assim como toda montanha-russa, se você se segurar e perseverar e esperar, você vai chegar no destino final. A corrida da fé, como seus altos e baixos, é sempre um movimento em direção à Jesus, nosso destino final. Nem acontece tudo da maneira como você imaginou. Mas Deus irá levar você para o lugar que ele prometeu quando você se segurou a Cristo com fé e confiou o perdão dos seus pecados e toda a sua vida para ele. (Ilustração adaptada de: Preachers Talk - A podcast by 9Marks & The Charles Simeon Trust: On Using Analogies As Illustrations (Ep. 99), 20 Nov 2025 ). Ele vai ressuscitar você. Ele vai levar você para a casa. Continue segurando nele com força pela fé porque ele não vai largar você. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_8d86a77fd5514c709b78e5802fc53151~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)


![Série em Jó: Sofrimento Soberano
15 de Março de 2026 – IBJM
Joseph Caryl foi um pastor puritano durante o século XVII. Ele pregou uma série em Jó que durou 24 anos em um total de 424 sermões. Eu estou contando o caso desse pastor para deixar vocês mais tranquilos. Alguns de vocês podem pensar—“ele vai pregar só o capítulo 11 hoje!?”. Eu não vou levar 24 anos para terminar o livro de Jó. Meu plano é levar, no máximo, 15 anos. Não... Nós vamos andar um pouco mais rápido. Meu plano é pregar 20 sermões. Bem menos que 424. De nada. Eu amo vocês também. O recheio do livro de Jó—entre o pão da introdução e o pão da conclusão—trata de uma série de diálogos entre Jó e seus três amigos. No final aparece um quarto amigo chamado Eliú. E depois de Eliú, antes do livro terminar, Deus finalmente fala com Jó. Mas a maior parte do tempo (do capítulo 3 até o 31), Jó está conversando com seus três amigos: Elifaz, Bildade e (hoje nós vamos ouvir pela primeira vez) Zofar. A temperatura das conversas está aumentando. Eu vou ilustrar a atitude de Zofar com um incidente que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. OPERAÇÃO COBRA Os aliados planejaram uma operação que eles chamaram de Operação Cobra. O objetivo era romper a barreira que os alemães tinha feito para encurralar as tropas aliadas na Normandia. Dia 24 de julho de 1944, 1.500 aviões de bombardeiro dos Estados Unidos chegaram na Normandia para lançar bombas e abrir uma brecha nas defesas dos alemães. Mas por causa da fumaça dos ataques do dia anterior e alguns erros humanos, alguns pilotos lançaram as bombas no lugar errado. Em vez de acertar as tropas alemães, eles acertaram o próprio exército americano que estava no solo. Eles acabaram matando o general, mais de 100 soldados e quase 500 ficaram feridos. Esse tipo de erro militar, quando um país mata (sem a intenção) pessoas do seu próprio país, ficou conhecido como Fogo Amigo. É o que Zofar está fazendo. Zofar está disparando fogo amigo contra Jó. Ele não tem uma intenção má. Mas ele está derrubando Jó. Ele está matando Jó com as palavras dele. Não basta ter boa intenção. Nossos palavras precisam refletir a verdade. A verdade de quem Deus é e como ele se relaciona conosco. A fumaça da nossa ignorância e da nossa arrogância pode nos levar a causar grande estrago em nossos relacionamentos—incluindo pessoa que nós amamos—dentro de casa e dentro da igreja. O MAIS FRIO DOS TRÊS Eu disse que a temperatura das discussões está aumentando, mas pode dentro, Zofar é o mais frio dos 3 amigos. O coração dele é uma enorme pedra de gelo—duro e frio. Jó dele perde tudo o que ele tinha, perde todos os 10 filhos, está com o corpo coberto de tumor do pé a cabeça e Zofar usa as palavras dele para fazer uma coisa: atacar Jó. Quem tem amigos assim não precisa de inimigos. Vocês vão ouvir um sermão em um texto que Deus diz que está errado. São palavras inspiradas por Deus. Ele quer nos ensinar através da resposta de Zofar. Mas ele quer nos ensinar como não falar e como não sentir e como não pensar sobre quem Deus é e sobre quem nossos amigos em Cristo são. Na resposta de Jó nos capítulos anteriores, nós vimos que os pensamentos de Jó não estavam muito organizados. O quebra-cabeça de 1.000 peças que Jó tinha montado com a imagem de Deus foi embaralhado e misturado. Jó está confuso. Zofar é como Bildade e Elifaz. Eles não estão confusos. Na verdade, eles parecem bem convictos do que eles pensam. Mas só porque alguém tem certeza de que está certo não significa que essa pessoa está certa. Zofar é também bem-organizado. Se você olhar para o texto, você vai conseguir perceber a resposta bem arrumada de Zofar. Ele está fazendo 3 coisas com Jó: • Do versículo 1 ao 6, ele faz uma acusação. • Do versículo 7 ao 12, Zofar dá uma aula. Uma aula de teologia. • E do 13 até o 20, ele termina pregando um sermão para Jó. 1. UMA ACUSAÇÃO (vv. 1-6) Zofar começa atirando—disparando contra Jó: [1] Então Zofar, o naamatita, tomou a palavra e disse: [2] Será que todas essas palavras ficarão sem resposta? Por acaso, tem razão o falador [chamando Jó de tagarela]? [3] Você pensa, Jó, que o seu palavreado fará calar os homens? E, quando você zomba, pensa que não haverá ninguém que o envergonhe? Eu sei que nós não temos o tom de voz no papel, mas só de ler essas palavras nós conseguimos ouvir os batimentos cardíacos de Zofar mais acelerados. Ele está inconformado, irado, alterado com Jó. A mente de Zofar não está em consolar Jó, em ajudar Jó a lidar melhor com a dor e os pensamentos dele. A mente de Zofar está em vencer a discussão. Provar que ele está certo e provar que Jó está errado. Esse não é o lugar certo do nosso coração se nós quisermos ajudar as pessoas. Quando o nosso coração está nesse lugar—irado, alterado—nós não conseguimos realmente ouvir o que as pessoa estão dizendo. Nós só ficamos pensando no que nós vamos responder. Espingarda engatilhada só esperando a hora de interromper, elevar a voz, disparar de volta e vencer a disputa derrubando meu adversário—que, na verdade, é uma pessoa que eu amo, mas estou tratando como se fosse meu adversário. Isso é fogo amigo. Ah, mas você também... E você sempre faz a mesma coisa... Você nunca fala nada de bom... Você já fez isso em uma discussão ou em um conflito? Eu não estou realmente ouvindo a pessoa e me colocando no lugar dela. Eu estou só esperando uma brecha nas palavras para entrar e atirar, como meus olhos cheio de fumaça por causa do meu orgulho. Se nós queremos ajudar crentes sofrendo que estão falando o que não devem—como é o caso de Jó e de tantas pessoas à nossa volta—nós precisamos colocar as espingardas no chão e nos armarmos de oração, amor e um ouvido amigo. Veja a prova do crime de Zofar. A prova de que ele não está nem ouvindo o que Jó está falando: [4] Pois você diz: ‘A minha doutrina é pura, e sou limpo aos olhos de Deus.’ Vocês sabem quando Jó falou isso? Nunca. Nenhuma vez. Não foi isso que Jó disse. Jó nunca disse que a doutrina dele é pura. Jó está bem confuso. E Jó nunca disse: “eu sou limpo aos olhos de Deus”—como se ele não tivesse nenhum pecado: perfeição. Jó disse que ele é inocente no sentido de que ele não cometeu um pecado que justificasse esse sofrimento tão grande, mas não que ele é “limpo”—completa perfeição. Jó sabe que ele é um pecador. Mas Jó sabe também que ele é um adorador—um crente verdadeiro. Foi só isso que ele disse. Zofar representa Jó falsamente. Nós precisamos tomar cuidado, mesmo quando nós discordamos de alguém, de não colocar palavras na boca daquela pessoas que ela não falou como Zofar está fazendo. Nossos sentimentos mais aflorados nos levam a fazer isso. E isso não é certo. Zofar continua acusando Jó e ainda pensa que Deus está junto com Zofar querendo derrubar Jó. [5] Mas quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra você, [6] e lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme! Zofar quer que Deus fale com Jó. Jó também quer falar com Deus. Mas Jó quer falar com Deus para se defender. Mas Zofar está seguro de que Deus irá condenar Jó. Que amigo é esse Zofar! Mas o pior ainda está por vir. Eu não acredito que Zofar fez isso: Final do v.[6] (...) Saiba, portanto, que Deus permite que seja esquecida parte da sua iniquidade. Ou, como uma outra tradução da Bíblia diz: Saiba, portanto, que Deus impõe a você menos do que a sua culpa merece [ESV] Isso é crueldade. Zofar perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Ele olha para Jó, esse crente confuso, passando por um sofrimento enorme, e ele diz: “Jó, fique sabendo, meu amigo, que você está recebendo ainda menos do que você merece. Você deveria sofrer ainda mais por causa do seu pecado. Jó, você merece uma vida ainda pior”. Como a vida de Jó poderia ser ainda pior? O que mais Deus poderia ter feito com Jó? (Talbert, Beyond Suffering, 107). Jó está segurando a vida por uma corda fina e Zofar acha Jó perde ainda mais dor. Às vezes, quando eu pergunto para alguém: “Como você está?”, a pessoa responde: “Melhor do que eu mereço”. Eu diria que essa é uma resposta teologicamente correta. Não tem nenhum problema você responder assim. Demonstra um coração que reconhece que não merece nada do Senhor e Deus tem sido misericordioso. Mas não vamos aplicar esse pensamento para alguém que está no meio de uma grande dor. Alguém está chorando por alguma perda: “Meu amigo, você sabe que, por causa do seu pecado, sua vida deveria ser pior”. Ainda mais quando não existe uma relação direta entre o sofrimento daquela pessoa e um pecado dela, como é o caso de Jó e o caso de muitos de vocês. A névoa da ignorância e da arrogância de Zofar impede que ele veja Jó corretamente—com os olhos do amor, da graça e da verdade. Nesse mundo, ser acusado injustamente é uma experiência tipicamente cristã. Cristo, nosso Senhor, foi acusado de maioral dos demônios. Na cruz, debocharam dele. É difícil ser acusado injustamente, mas não deveríamos ficar surpresos. Zofar é um poço de insensibilidade. Ele chega a ser cruel. Um exemplo para nós de como não lidar com cristãos que sofrem, mesmo quando eles falam algumas coisas que não deveriam. Que cada um de nós: [E]steja pronto para ouvir, mas seja tardio para falar e tardio para ficar irado (Tiago 1:19). Incluindo as pessoas que estão iradas. Essa é uma arte espiritual difícil, mas possível com a ajuda do Senhor. Zofar terminou a acusação. Agora ele resolve dar uma aula para Jó. Uma aula sobre Deus. Nem tudo na teologia de Zofar é ruim. Zofar pega o início do versículo 6: [6] e [Deus] lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme! E ele expande em uma aula. Zofar fala para Jó puxar a cadeira e se sentar que agora o professor Zofar irá ensinar sobre a verdadeira e multiforme sabedoria de Deus: 2. UMA AULA (vv. 7-12) [7] Será que você pode desvendar os mistérios de Deus ou descobrir a perfeição do Todo-Poderoso? Não, ninguém pode. Esse é um bom ponto, Zofar. [8] A sabedoria de Deus é mais elevada do que os céus; o que você poderá fazer? Nada. É verdade. Zofar, você tem razão. Continuação do v.[8] (...) Ela é mais profunda do que o abismo; o que você poderá saber? É verdade também. Zofar tem razão de novo. [9] A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar. Qual é o problema no que Zofar disse? Nenhum. No conteúdo, nesse ponto da teologia dele, ele está certo. Ele parece até o apóstolo Paulo em Romanos 11 (Ash, Job, 133): Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos! “Pois quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? (Romanos 11:33-34). Zofar está dizendo que a sabedoria de Deus é mais alta que o céu, mais profunda que o abismo, mais longa que a terra e mais larga que o mar. Deus é infinitamente sábio. Amém, Zofar. Deus é! Agora Zofar aplica essa sabedoria a Jó e a nós: [10] Se ele passa, prende alguém e chama a juízo, quem o poderá impedir? É verdade, ninguém pode impedir se Deus pegar alguém para julgar. Deus é mais forte, não tem como lutar contra Deus e vencer. Mas por que Zofar está falando isso? Agora Zofar coloca as cartas na mesa: [11] Deus conhece os homens falsos [como você, Jó] e, sem esforço, vê a iniquidade [como a sua iniquidade, Jó]. [12] Mas os tolos se tornarão sábios quando a cria de uma jumenta selvagem nascer homem. Zofar é um zombador. Não tem graça o que ele está fazendo: Sabe quando os tolos se tornarão sábios? Quando uma jumenta tiver um filho e nascer um bebê—um ser humano. Ou seja. Nunca. Zofar usa verdades sobre quem Deus é para atacar Jó. Infelizmente, para a nossa tristeza, é possível usar teologia correta da maneira errada. É possível ferir pessoas com a verdade. Infelizmente nós temos essa capacidade. • Deus é infinitamente sábio, Jó. Essa parte é verdade. • Então, Jó, ele sabe da sua falsidade e por isso pegou você para julgar e acabar com você. Essa parte não é nada verdade! Jó não está sofrendo por causa da falsidade dele. É por isso que nós precisamos de sabedoria. Nós precisamos de boa teologia—de conhecimento da Bíblia—e de sabedoria para aplicar (viver!) o conhecimento. Porque é possível usar verdades sobre Deus de maneira errada. Eclesiastes 9:18—Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas. Armas de guerra—como no caso dos 1.500 aviões de bombardeio na Segunda Guerra Mundial—sem a sabedoria necessária (sem a informação necessária) é perigoso e destrói muitas coisas boas e muitas pessoas que Deus criou. É o que Zofar está fazendo com Jó. É o que nós não queremos fazer na IBJM. TRAVE NO OLHO O que nós podemos fazer para evitar que, mesmo sem querer, nós acabamos disparando fogo amigo? Nosso Mestre pregou um sermão 2.000 anos atrás que podemos nos ajudar hoje—e teria ajudado Zofar também. Esse sermão está no evangelho de Mateus. Vamos abrir lá. Mateus 7:1-5—[1] Não julguem, para que vocês não sejam julgados. [2] Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos. [3] — Por que você vê o cisco no olho do seu irmão, mas não repara na trave que está no seu próprio? [4] Ou como você dirá a seu irmão: “Deixe que eu tire o cisco do seu olho”, quando você tem uma trave no seu próprio? [5] Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu olho e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. Esse é um dos problemas de Zofar que nós queremos evitar. Zofar julga Jó—aplica palavras duras à Jó—que ele não aplica antes para ele mesmo. E assim ele não percebe o que ele está fazendo. Ele quer humilhar Jó com a multiforme sabedoria de Deus, provando para Jó que ele não sabe nada e que a sabedoria de Deus é infinita. Mas aparentemente Zofar sabe tanto quanto Deus. Porque ele tem explicação para tudo, inclusive para o sofrimento de Jó. Ele pergunta para Jó: [7] Será que você pode desvendar os mistérios de Deus (...)? A resposta que ele espera de Jó é: “Não, eu não posso desvendar os mistério de Deus”. Mas, aparentemente, Zofar pode desvendar todos os mistérios, tanto que ele sabe que Jó é um tolo e que está cheio de iniquidade—quando nós sabemos que Jó é um homem íntegro e reto que teme a Deus e se desvia do mal, como Deus falou sobre Jó 3 vezes nos primeiros 2 capítulos. O Senhor Jesus tem a sabedoria que nós precisamos: [1] Não julguem, para que vocês não sejam julgados. [2] Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos. Se Zofar tivesse aplicado para ele mesmo antes de aplicar para Jó, ele não teria desperdiçado essa oportunidade excelente de ficar calado. Antes de tirarmos o cisco do olho do nosso irmão, nós devemos nos assegurar que não tem um tronco de madeira dentro do nosso, como Jesus disse. • Para de falar desse jeito gritando comigo! Quando você está falando do jeito errado também. • Aquela fulana é fofoqueira, né? Mas você não percebe que você está fazendo uma fofoca sobre a fulana fofoqueira. Zofar está sendo ignorante (ele não tem conhecimento) e arrogante (ele não tem humildade para reconhecer que ele não tem conhecimento para julgar Jó). Essa fumaça de ignorância e arrogância na mente de Zofar impedem ele de perceber que ele está disparando contra o próprio amigo. EM NOME DE DEUS Eu vejo mais duas implicações importantes para nós aqui: Primeiro, como nós devemos ser cuidadosos para falar em nome de Deus. Se Deus falou, nós devemos falar. Mas como Calvino disse, se Deus não falou, nós devemos nos calar. Existem muitas pessoas corajosas que disparam um tal de “Eis que te digo” e dão uma profetada. Falam em nome de Deus o que Deus não falou. Mas existem versões mais sutis do mesmo problema. Nós podemos falar mais do que nós deveríamos quando nós realmente não sabemos o que Deus pensa. Em nossos conselhos. Em nossas respostas às perguntas das pessoas. Eu lembro de uma vez em uma sala de aula, no seminário, um aluno fez uma pergunta para o professor. Foi uma pergunta difícil. O professor ouviu. Parou. Ficou um tempo em silêncio. E todo mundo ficou em silêncio para ouvir o que ele iria falar. E depois de um tempo ele disse: “Eu não sei”. Uau! Isso é humildade. Foi tão encorajador ficar sem saber a resposta daquela pergunta. “Eu não sei” é uma excelente resposta quando “eu não sei”. Ninguém sabe tudo. Só Deus é Deus. Nós seremos mais amorosos se nós incluirmos mais em nosso vocabulário a essa expressão bendita de 3 palavras: “Eu não sei”, porque nós realmente não sabemos muitas coisas. Sejamos humildes e reconheçamos a nossa ignorância. Mas existe um outro lado dessa equação. Quando você está no lado de quem ouve. E essa pessoa está falando algo cheia de convicção como se fosse o que Deus pensa. Especialmente aqueles que têm uma consciência mais sensível, podem confundir a voz de pessoas que dizem falar em nome de Deus com a voz de Deus. Seria como se Jó agora começasse a acreditar que ele realmente tem um pecado escondido que ele não está confessando. Mas ele não tem! Que o Senhor nos ajude a calibrarmos a nossa consciência para ficarmos sensível ao que realmente é pecado e termos liberdade nas áreas em que Deus não disse que é pecado. Zofar terminou de dar aula. Agora ele vai pregar (Anderson, Job, 171). Ele muda o chapéu de professor para pregador. • Zofar começou fazendo uma acusação. • Depois ele deu uma aula. Uma aula sobre a infinita sabedoria de Deus—que ele esqueceu de ensinar para ele mesmo. • E ele termina—a partir do versículo 13—com um sermão. Um sermão de 8 versículos com o título: “Arrependa-se”. Esse é o tema da pregação de Zofar. 3. UM SERMÃO (vv. 13-20) [13] Se você dispuser o coração e estender as mãos para Deus; [14] se lançar para longe a iniquidade de suas mãos e não permitir que a injustiça habite na sua tenda, [Jó, se você se arrepender...] [15] então você levantará o seu rosto sem mácula, estará seguro e não temerá. Agora vêm as promessas da prosperidade. Zofar pinta um quadro bonito para a vida de Jó depois que ele se arrepender: [16] Pois você esquecerá os seus sofrimentos e só lembrará deles como de águas passadas. [17] A sua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que haja trevas, serão como a manhã. [18] Você se sentirá seguro, porque haverá esperança; olhará ao redor e dormirá tranquilo. [19] Você se deitará, e ninguém irá atemorizá-lo; e muitos procurarão obter o seu favor. Zofar parece um pregador neopentecostal. E ele termina com uma ameaça. Prosperidade se você tiver fé e se arrepender. Versículo 20: [20] Mas [Mas!] os olhos dos ímpios desfalecerão, sem que encontrem refúgio; a única esperança deles será morrer. Que é exatamente como Jó está se sentindo: vendo a morte como a esperança dele. Zofar termina dando uma cutucada em Jó. Como se Jó precisasse disso nesse ponto da vida dele. Resumo do sermão: arrependa-se e prospere. Esse sermão de Zofar muito ruim. E vejam que triste ironia: Zofar acha que está falando em nome de Deus, mas as palavras dele se parecem mais com as palavras de Satanás. A maneira de Zofar pensar é a maneira como Satanás pensa (Hartley, 204; Ash, 158). ZOFAR E SATANÁS Qual foi a acusação de Satanás nos primeiros capítulos de Jó? Satanás disse: “Jó só adora o Senhor porque o Senhor colocou uma cerca em volta de vida dele. Ele tem tudo do bom e do melhor. Jó é um interesseiro. Tire as coisas boas de Jó e a fé dele vai embora também”. Agora vem Zofar e diz para Jó buscar o Senhor para ter uma vida tranquila de novo. Para ter as coisas boas de volta. Vocês percebem? Se Jó acreditar na pregação de Zofar, Jó irá provar que Satanás tinha razão—que Jó realmente só quer Deus porque ele quer as coisas que Deus pode dar. A pregação de Zofar cria interesseiros, não adoradores. A pregação da prosperidade—a mensagem do receba a Jesus e receba junto dinheiro, saúde e coisas desse mundo—pode criar pessoas religiosas, mas não pessoas regeneradas. Porque essa mensagem atrai as pessoas para os presentes que elas querem de Deus e não para o próprio Deus. Essa mensagem não produz salvação. Essa mensagem deixa as pessoas em seus pecados e longe de Deus. A mensagem de Jesus muito mais difícil e muito melhor! O Senhor Jesus diz: venham a mim e você irá sofrer pelo meu nome, o mundo irá rejeitar você, você receberá junto comigo perseguição e provação e acusação. Mas (tem um “mas” também!) eu estarei com você. Eu amarei você. E quando chegar o seu dia de deixar esse mundo, eu vou trazer você para a casa para viver comigo para sempre. Eu serei o seu Deus e você será o meu povo. E naquele dia, você nunca mais saberá o que é sofrer. Essa é a mensagem que produz salvação. Sem querer fazer um trocadilho—mas já fazendo—esse é ganho enorme que você recebe quando você perde alguma coisa nesse mundo: você ganha a confirmação da sua fé. Você, cristão, já experimentou isso: você perdeu algo precioso—um filho, alguém que você ama muito, você perdeu sua saúde, seu emprego, seus bens, sua reputação, mas o que você vê no seu coração é um desejo pelo Senhor Jesus—por honrar a ele e estar com ele, mesmo ele tirando algo de você. Em vez de querer abandonar o Senhor, o que você quer é viver mais perto dele. E essa experiência confirma sua fé. Ela prova que você não é um interesseiro, mas um adorador verdadeiro! Essa é uma experiência doce: Esse senso de que Jesus é mais real que tudo. O céu é mais real que a terra que você está pisando. E a graça de Deus é melhor do que a vida. Você, cristão, sofre, chora, cai no chão, lamenta, mas durante o sofrimento, você percebe que o seu coração quer Deus. Como o coração de Jó. E na perda, você ganha. Você ganha a confirmação preciosa do Espírito Santo: Eu realmente amo o Senhor. Minha fé não é perfeita, mas minha fé não é uma farsa. Eu balanço. Eu tremo. Eu fico confuso. Eu penso o que eu não devo. Eu falo o que eu não devo. Eu sinto o que eu não devo. Mas eu quero Cristo. CONCLUSÃO Se Jó tinha a esperança de que um dos amigos dele iria realmente consolá-lo, agora essa esperança acabou. Um amigo acusando você é difícil. Dois amigos acusando é ainda pior Mas três é demais! Mas a esperança de Jó está em outro lugar. Jó tem um Amigo mais chegado que um irmão. Um homem que é chamado na Bíblia de homem de dores que sabe o que é padecer. Um amigo que em vez de disparar julgamento na nossa direção, se colocou na direção do bombardeiro do julgamento divino que nós merecíamos. Nosso general se entregou ao fogo para nos salvar do nosso real inimigo—Satanás, e o pecado, e a morte. Sim, nós devemos chamar as pessoas ao arrependimento. E se você está abraçando o pecado em vez de empurrar o pecado de sua vida, você precisa estender suas mãos a Deus hoje, pedir perdão, e confiar que Cristo foi julgado na cruz no seu lugar. Mas tenhamos muito cuidado para não sermos como Zofar. Achar que nós sabemos mais do que nós realmente sabemos. E julgarmos outros pecadores. E dispararmos fogo amigo. E atingirmos as pessoas que nós deveríamos proteger e ajudar, não derrubar. Que o Espírito Santo dissipe a fumaça da ignorância e da arrogância na nossa frente com o sopro da Palavra da verdade. Julgar as pessoas pelo sofrimento que elas estão passando, como se uma vida difícil fosse sinal de pouca fé, não é a sabedoria que Deus nos ensina. Geralmente, o contrário é verdadeiro. Deus reserva o sofrimento para ser glorificado naqueles em que andam bem próximo dele. Jesus nos chama todos os dias: “Siga-me”. E o caminho em que nós seguimos a ele irá nos levar ao céu. Mas até chegar lá, serão muitas batalhas, muitas perdas, muita lágrimas e muita dor. Às vezes, nós teremos que enfrentar até fogo amigo. Mas toda vez que você sofre e continua crendo no amor do Senhor, como Jó, você traz glória a ele. A sua fé é uma evidência de que Jesus é realmente melhor do que tudo o que você pode desfrutar nesse mundo. É por isso que, na Bíblia, sofrer por Cristo é visto não como um sinal de condenação, mas como uma evidência da graça de Deus em sua vida. O apóstolo Paulo disse: Filipenses 1:29—Porque vocês receberam a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_19d7a2b5efd5456491fb77668488c758~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)

![Série em Jó: Sofrimento Soberano
01 de Março de 2026 – IBJM
Nós queremos justiça. Todo mundo quer justiça. • Um político que é claramente corrupto e culpado é absolvido. Como nós reagimos? Isso não é justo! • Você fica sabendo que alguém menos competente foi promovido no trabalho só porque é amigo de alguém importante. Como nós reagimos? Isso não é justo! • O juiz deu pênalti, mas o vídeo depois mostra que o jogador se jogou, ninguém encostou nele. Como nós reagimos? Isso não é justo! • Você tem certeza de que não fez nada de errado, mas alguém acusa você injustamente. Como você reage? Isso não é justo! De onde vem esse nosso senso de justiça? Vem de Deus. Deus nos fez assim. Como um autor cristão disse: “Nós sabemos que as coisas nem sempre são justas, mas nós sentimos profundamente que elas deveriam ser” (Ash, Job, 133). E aí vem o problema. Um problema chamado de “o problema do mal”. Como Deus pode ser justo e ao mesmo tempo permitir tantas injustiças—tanta maldade—nesse mundo? Esse é o principal ataque daqueles que não creem que Deus existe. Esse problema do mal pode ser resumido em 4 frases: 1. Se Deus é poderoso, ele pode evitar o mal. 2. Se Deus é bom, ele quer evitar o mal. 3. Mas o mal existe. 4. Conclusão: Um Deus poderoso e bom não existe, porque se ele existisse, o mal não existiria. O problema do mal não é um desafio para os filósofos se divertirem. O problema do mal é um problema real que todos nós sentimos na pele. Como Jó. Se existe uma experiência que todos nós temos em comum, essa experiência é o sofrimento: dor crônica, doença terminal, divórcio, abuso, filhos longe do Senhor, infertilidade, traição, rejeição, perda, dívida, problemas no casamento, problemas na família, problemas no trabalho, problemas na escola (a parte inicial da lista em https://www.thegospelcoalition.org/article/safe-be-sad/ ) . Não tem para onde fugirmos do problema: se existe um Deus e esse Deus é poderoso e bondoso, então por que ele não usa o poder dele para evitar tantas coisas horríveis? Nós precisamos lidar com essas duas “existências” juntas: a existência do mal e a existência de Deus. Como pode existir um Universo com um Deus justo e bom e o Mal? Bildade tem respostas a oferecer a Jó e a nós para esse problema do mal, mas nós vamos precisar ouvir com muito cuidado porque, apesar de popular, a teologia de Bildade é perigosa. UM RESUMO DA HISTÓRIA Faz quase 3 meses desde o último sermão em Jó. Antes de entrar na passagem de hoje, vamos nos lembrar do que aconteceu até aqui. O livro de Jó começa falando da piedade e da prosperidade de Jó. Jó tem muito temor a Deus. Ele é um crente verdadeiro. E Jó tem também muitos bens—ovelhas, camelos, bois; e muitos filhos. Em uma conversa no céu entre Deus e Satanás, Satanás acusa Jó de só amar a Deus porque Deus encheu a vida dele de conforto. Satanás diz: “Deus, tira o que Jó tem, e ele irá blasfemar contra o Senhor”. Deus permite e Jó perde tudo—todos os bens e todos os filhos. Jó responde com tristeza e com fé, em uma das reações mais lindas de um cristão em toda a Bíblia. Ele se levanta, rasga o manto, rapa a cabeça, prostra-se em terra, adora o Senhor e diz: — Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:20-21). A única coisa que restou na vida de Jó foi a saúde dele. Mas por pouco tempo. No capítulo 2, de novo, Satanás acusa Jó de amar a Deus porque ele ainda está com saúde. Ele diz: “Deus, tire a saúde dele, e agora Jó irá blasfemar contra o Senhor”. Deus permite e Jó perde a saúde. O texto diz que Satanás “feriu Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça” (Jó 2:7). Jó continua respondendo com tristeza e com fé. A esposa dele sugere que ele amaldiçoe a Deus e morra. Mas Jó respondeu: — Você fala como uma doida. Temos recebido de Deus o bem; por que não receberíamos também o mal? Em tudo isto Jó não pecou com os seus lábios (Jó 2:10). Quando os 3 amigos de Jó ficam sabendo o que aconteceu com ele, eles viajam para se encontrar com Jó. A dor de Jó era tão grande, que eles não conseguiram falar nada por 1 semana. Eles ficaram sentados com Jó chorando por 7 dias e 7 noites, chorando com os que choram. Esses dois primeiros capítulos de Jó são essenciais para entendermos todo o livro. Eu vou resumir em 4 verdades. Nós precisamos carregar essas verdades debaixo dos nossos braços durante todo o nosso tempo no livro de Jó: 1. Jó é um adorador. Ele é um crente verdadeiro. 2. Satanás é real. Ele é capaz de causar grande mal a nós nesse mundo. 3. Deus é soberano. Ele reina sobre o bem e sobre o mal. 4. Crentes sofrem. É o que está acontecendo com Jó. Ele ama muito a Deus. E ele está sofrendo muito. Nós chegamos no capítulo 3, e Jó já não está respondendo tão bem. O sofrimento dele é tão grande que ele não quer mais viver. Ele quer descanso da dor. E partir daí começa uma série de diálogos (ou debates) entre Jó e seus 3 amigos: Elifaz, Bildade e Zofar. O primeiro a falar foi Elifaz. Para Elifaz, Jó está colhendo o que ele plantou. Para ele estar colhendo tanto mal, é porque Jó plantou mal. Jó deve ter pecado muito. (O que nós sabemos que não é verdade). A teoria de Elifaz é que Deus está disciplinando Jó e Jó precisa se arrepender para a vida dele melhorar. (O que nós sabemos que não é verdade. Essa não é causa do sofrimento de Jó). Nos capítulos seguintes—capítulos 6 e 7—Jó fica frustrado. Frustrado com o sofrimento dele, frustrado com os amigos dele e frustrado com o Deus dele. Jó não entende por que ele está sofrendo tanto. Ele acha injusto. Agora Bildade, o segundo amigo de Jó, vai falar. Ele começa com uma repreensão. 1. REPREENSÃO (vv. 1-2) Jó 8:1-2—Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse: “Até quando você falará estas coisas? E até quando as palavras da sua boca serão como um vento impetuoso?” Assim como Elifaz, o primeiro amigo, Bildade também não dá espaço para Jó expressar a dor dele. Bildade não começa com: • “Eu lamento por tudo o que você está passando, meu amigo”. • Ou: “Que dor enorme a sua, meu irmão amado”. • Ou: “Eu vou orar para Deus sustentar você”. Não. Bildade começa bravo e dando bronca. Ele quase mandou Jó calar a boca: “Até quando você falará estas coisas?” E chama as palavras de Jó de um “vento impetuoso”: “As palavras de Jó têm força, mas elas são vazias”. Como o vento. Nós precisamos ser repreendidos em algumas situações. Toda a Escritura é útil para o ensino, REPREENSÃO, correção e educação na justiça (2 Timóteo 3:16). Mas existe algo que parece que Bildade não sabe que existe: misericórdia, gentileza, humildade, mansidão. Bildade deveria ter, no mínimo, temperado a repreensão com compaixão. Mas não foi o que ele fez. E ele emenda a repreensão com uma explicação para o mal na vida de Jó e no mundo. 2. EXPLICAÇÃO (vv. 3-7) A tese central dele está no versículo 3: 8:3—Será que Deus perverteria o direito? [Não, porque Deus é justo.] Será que o Todo-Poderoso perverteria a justiça? [Não, porque Deus é justo.] A tese de Bildade para lidar com o mal é: Deus é justo. Ponto. O Deus Todo-Poderoso não perverte a justiça. Ele é sempre justo. Ponto. Então, se alguém está sofrendo (como Jó), é porque essa pessoa praticou o mal. Deus dá o que cada um merece. Ele é justo. E se alguém está com a vida boa, é porque essa pessoa é boa. Deus dá o que cada um merece. Ele é justo. Essa é a explicação de Bildade para o problema do mal: coisas ruins acontecem com as pessoas ruins e coisas boas acontecem com as pessoas boas. Será? Sempre? Essa teologia é suficiente para entender quem Deus é e como ele governa o mundo? O que Bildade faz agora é uma das coisas mais cruéis em todo o livro de Jó. Ele aplica essa teologia da retribuição—“pecou, levou”—aos dez filhos de Jó que morreram de repente: 8:4—Se os seus filhos pecaram contra ele [contra Deus], também ele os entregou ao poder da transgressão que cometeram. Mas nós sabemos que isso não é verdade. Eles morreram porque Satanás matou os filhos de Jó derrubando a casa em cima deles, não porque Deus estava julgando os filhos de Jó porque eles cometeram uma transgressão (um pecado). A conclusão de Bildade é horrível, mas é consistente. Ele está operando de acordo com a teologia dele. Ele está lendo o mundo a partir do entendimento que ele tem de Deus. Todos nós fazemos isso. PENSAMENTOS SOBRE DEUS A.W. Tozer escreveu um livro sobre os atributos de Deus chamado “O Conhecimento do Santo”. Ele começa o livro dizendo: O que vem à sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre você. O que vem à sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre você. Ele tem razão. Nada é mais importante nessa vida do que nosso entendimento de quem Deus é. Nada irá impactar mais meus sentimentos e minhas decisões e maneira como em encaro a vida e lido com a dor e a alegria do que meu entendimento de quem é o Deus que governa esse mundo. Para Bildade, as pessoas sofrem SEMPRE por causa do pecado. A palavra “sempre” aqui é importante. Para Bildade, é assim que Deus é e essa é a ÚNICA maneira como Deus lida conosco. Se você está sofrendo, é porque Deus está punido você pelo seu pecado. É uma teologia bem-organizada. Bem-clara. E bem-errada. Bildade é um grande incentivo para nós estudarmos a Bíblia para termos uma teologia melhor. Vejam como ideias erradas sobre Deus tem consequências devastadoras. Se as palavra de Jó são um “vento impetuoso”, as palavras de Bildade são como uma flecha e o arco é a língua dele. As palavras que ele mira e lança em Jó penetram a alma de Jó e causam ainda mais dor a ele. Nós não queremos ser conselheiros assim com nossos irmãos que sofrem. E nós não precisamos de conselheiros assim quando nós estamos sofrendo. Agora Bildade pega a tese dele e aplica do outro lado. Se quem peca é punido, quem fizer as coisas certinho será abençoado: 8:5-7—Mas, se você buscar a Deus e pedir misericórdia ao Todo-Poderoso, se você for puro e reto, ele, sem demora, despertará para ajudá-lo e restaurará a justiça da sua morada. O seu primeiro estado parecerá pequeno comparado com a grandeza do seu último estado. Essa é a Teologia da Prosperidade em forma compacta. Seja bom e Deus vai restaurar. Não tem uma música famosa assim: “Restitui / Eu quero de volta o que é meu”? Nós precisamos de uma resposta melhor para o problema do mal. Deus é justo. Isso é verdade. Mas simplesmente dizer que Deus é justo e cada um está recebendo nessa vida o que merece—quem faz o mal recebe o mal e quem faz o bem recebe o bem—isso é simplista demais. • José amava o Senhor, mas foi vendido como escravo e foi preso injustamente. • Jó ama o Senhor, e o sofrimento dele não é por causa de um pecado dele, como nós sabemos pelos capítulos 1 e 2. • Jesus amou perfeitamente a Deus, e sofreu como ninguém. Cristão, não use essa teologia de Bildade para ler o seu sofrimento e o sofrimentos dos outros. Sim, Deus nos corrige e nos disciplina. Mas nem todo sofrimento é consequência de um pecado seu. Bildade não tem uma categoria na teologia dele para pessoas que amam a Deus e sofrem porque Deus tem bons propósitos com aquele sofrimento: de santificar você, de aproximar você dele, de equipar você para ajudar outras pessoas que também sofrem, de mostrar a graça dele sustentando você na aflição. Nós precisamos de uma resposta melhor do que a de Bildade para lidar com o problema do mal. Mas Bildade tem os pensamentos bem-organizados. Ele vai defender a tese dele usando a tradição. Elifaz (o primeiro amigo) apelou para uma visão que ele teve. Bildade apela para o passado. 3. TRADIÇÃO (vv. 8-10) Jó 8—[8] Por favor, pergunte agora aos que são de gerações passadas e atente para a experiência dos pais deles... [10] Será que os pais não o ensinarão, falando com você? “As gerações passadas—nossos pais e avós—acreditavam no que eu estou falando, Jó. Você precisa acreditar também, Jó”. Bildade está dizendo que a teologia dele é antiga. E por isso, ele é verdadeira. Mas nossas tradições não são infalíveis. Elas podem ser úteis, mas elas não são infalíveis. NOSSA RELAÇÃO COM A TRADIÇÃO: DOIS PROBLEMAS Nós precisamos fugir de dois erros quando estávamos lidando com o passado—com as nossas tradições: O primeiro erro é IGNORAR o passado. Subestimar as tradições. Pensar que o mais novo é sempre melhor. Esse é um perigo especialmente no nosso mundo tão tecnológico. O Iphone 17 é melhor do que o Iphone 16, então tudo o que vem depois é melhor do que aquilo que veio antes. Esse é um pensamento perigoso. No caso do Iphone, pode ser, mas existe muita sabedoria no passado. E existem tolices no presente. Se vocês, crianças e jovens, forem sábios, vocês vão fazer muitas perguntas para os mais velhos e considerarem o que eles têm a dizer. Existe valor na tradição. Se nós, como igreja, formos humildes o suficiente para aprender com aqueles que vieram antes de nós—com os Reformadores, os Puritanos, os Batistas dos séculos anteriores, nós seremos grandemente abençoados. Mas se um primeiro erro é subestimar a tradição, um segundo erro é superestimar. Elevar a tradição a uma posição acima da Palavra de Deus. Eu fiquei sabendo esses dias de um homem que foi embora revoltado de uma igreja batista porque o pastor estava ensinando que a igreja deveria ser liderada por um grupo de homens em vez de ter um único pastor. O pastor mostrou na Bíblia que o modelo do Novo Testamento para uma igreja local é que ela seja liderada por um grupo de homens biblicamente qualificados. O homem que foi embora dizendo: “Eu sei que isso é bíblico, mas isso não é batista”. Esse homem criou na mente dele uma tradição e ele ficou tão preso à ela, que ele não estava aberto a ser moldado pela Palavra de Deus. O que é irônico é que os batista do passado diriam que é bíblico, sim, ter um grupo de homens liderando a igreja. Se esse homem tivesse voltado ainda mais no passado, ele veria que o pastor, além de bíblico, era batista também. O argumento de Bildade tem o mesmo problema. Ele apela a tradição como se ela fosse uma prova da teologia ruim dele. A tradição deve ter seu lugar certo: visível e acessível—onde nós podemos observar, mas sempre debaixo da Bíblia, nossa autoridade máxima. • Nós cremos que Deus é soberano na salvação, não porque os Reformadores disseram. Mas porque eles disseram o que está na Bíblia. • Nós batizamos aqueles que professam fé em Cristo, não porque nós somos batistas. Mas porque está na Bíblia. Tradições são úteis. Infalível, só a Bíblia. E agora Bildade vai usar a natureza para ilustrar a teologia dele e o que está acontecendo com Jó. 4. ILUSTRAÇÃO: NATUREZA (vv. 11-19) • A partir do versículo 11, Bildade fala dos ímpios secando como plantas sem água. O papiro e o junco crescem em um ambiente úmido. Mas se você tirá-los desse ambiente, eles secam rápido e morrem. Os ímpios secam de repente também quando eles pecam e Deus tira as bençãos deles. • No versículo 14, Bildade compara a confiança dos ímpios com uma teia de aranha. Se você se apoiar em uma teia, ela vai arrebentar. Ela é muito frágil. A mesma coisa foi acontecer com aqueles que não confiam em Deus, eles não vão resistir. A esperança deles vai se partir como uma teia. • E no versículo 16, ele compara os incrédulos com uma de uma planta viçosa, grande, que parece firme (inabalável)—parece que estão bem, mas que quando é arrancada, ela não deixa rastro. É isso que acontece com aqueles que não temem a Deus. Deus irá arrancá-los da terra e não irá sobrar nada. Essa é a explicação (errada!) de Bildade para o enorme sofrimento de Jó. Ele pecou, Deus fez ele secar como uma planta sem água. Deus fez a esperança dele arrebentar como uma teia de aranha. Deus arrancou as bençãos deles da terra. Nós sabemos que nada disso é verdade. E Como Bildade é organizado, ele conclui com uma conclusão. 5. CONCLUSÃO (vv. 20-22) O resumo da teologia dele: 8:20—Eis que Deus não rejeita o íntegro, nem toma os malfeitores pela mão. Ele aplica a tese dela agora aos dois grupos. Primeiro: o que Deus faz com o íntegro? 8:21—Ele encherá a sua boca de riso e os seus lábios de alegria. Segundo grupo: o que Deus faz com os malfeitores? 8:22—Os que o odeiam se cobrirão de vergonha, e a tenda dos ímpios não subsistirá. Na eternidade, isso é verdade. Alegria para aqueles que creem em Cristo. Vergonha e condenação para aqueles que não creem. Mas de acordo com Bildade, nesse mundo e nessa vida, Deus NUNCA faz o íntegro sofrer, Deus SEMPRE pune o malfeitor. Esse sistema teológico do Bildade. O sistema da dupla retribuição: coisas boas acontecem para quem é bom, coisas más acontecem para quem é mal. Então, se Jó está recebendo o mal, é porque ele não é íntegro. Sabe o que é irônico? O livro de Jó começa dizendo, logo no versículo 1, que Jó era um homem íntegro e reto, que temia a Deus. Mas Bildade não tem uma categoria para pessoas que amam muito a Deus e sofrem muito. Mas nós não podemos nos esquecer! Bildade é amigo de Jó. Ele acha que está fazendo o bem para Jó. Ele quer convencer Jó que ele está sofrendo por causa do pecado dele para ele se arrepender, pedir perdão a Deus, a vida dele voltar a ser um mar de rosas. “Jó, tem uma esperança: se arrependa, abandone o seu pecado e Deus vai ‘restituir o que é seu’”. Esse é o conselho de Bildade. Vejam como uma visão errada sobre Deus e como ele governa o mundo têm consequências sérias e eternas. O que vem à nossa mente quando nós pensamos sobre Deus é realmente a coisa mais importante sobre nós. Nós precisamos de uma teologia mais robusta para lidar com o mal e o nosso sofrimento na nossa vida e no mundo. A teologia de Bildade pode ser bem quadradinha. Simples. Bem-organizada. Mas ela é bem-errada também. Ela não é verdadeira. POPULAR E PERIGOSA Mas ela é bem popular. Ela é popular no Brasil, na África e ao redor do mundo. Ela é como um vírus comum no ar: se nossa imunidade espiritual não estiver boa, nós podemos facilmente ser infectados por essa teologia. Nós precisamos ficar atentos aos nossos pensamentos. Por exemplo, se alguma coisa não dá certo na minha vida: o meu carro quebra, eu recebo menos dinheiro naquele mês do que eu imaginei, os problemas de relacionamento que eu tenho não se resolvem, se a minha vida está difícil, pensamentos do tipo podem começar a me infectar: “Deus não está sendo justo. Deus não está me amando como ele deveria. Eu faço as coisas para Deus, e olha o que ele está me dando em troca”. Esses pensamentos vem da teologia de Bildade. A teologia da barganha: ande na linha, e Deus dá prosperidade. Pise na bola, e na hora ele derruba você. ATÉ OS DISCÍPULOS O vírus dessa teologia está tão espalhado no ar, que até os discípulos do Senhor Jesus acabaram sendo infectados no ar de Jerusalém. Jesus e os discípulos estavam caminhando e viram um homem cego. Eles param Jesus e perguntam: [2] (...) — Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou os pais dele? Eles veem um homem cego de nascença—alguém que sofre. E na mente deles, só existe uma opção: alguém pecou—ou ele ou os pais, mas alguém pecou. Não é esse o sistema de Bildade? Coisas ruins acontecem só com pessoas ruins. Mas a teologia de Jesus é muito melhor. Ela é centrada na glória do Pai dele. [3] Jesus respondeu: — Nem ele pecou, nem os pais dele; mas isso aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus (João 9:1-3). Deus usa o sofrimento para manifestar as obras dele. Deus é tão poderoso e tão bondoso e tão infinitamente sábio, que ele é capaz de usar o mal para o bem. Nós precisamos guardar nossos pensamentos para não pensar como Bildade e os pregadores da prosperidade, e pensarmos como Jesus. Como pecadores e sofredores, nós precisamos de uma mensagem melhor do que a mensagem de Bildade: “Deus é justo. Os bons recebem o bem e os maus recebem o mal. Ponto”. Essa mensagem não traz nenhuma esperança para quem peca e nenhum conforto para quem sofre. Mas graças a Deus, a Bíblia tem uma outra mensagem. Uma mensagem muito melhor! Deus certamente é justo. Nisso, Bildade está certo. Mas Bildade diminui Deus. Ele é também o Deus: (...) Compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a maldade, a transgressão e o pecado (Êxodo 34:5-7). Bildade não conhece esse Deus. Na teologia de Bildade não existe espaço para graça. Tudo é baseado no que você faz. E se não tem espaço para graça, então não pode existir uma pessoa que queira (por pura graça) ser punida no lugar de outra pessoa. Não é isso que Bildade está dizendo? Que inocentes não sofrem? Essa teologia não tem lugar para um Salvador inocente que sofre (por nós!) mesmo sem nunca ter pecado. Jesus não cabe na teologia de Bildade. E uma teologia que não tem lugar para Jesus não serve para nada, a não ser jogar fora. Nós precisamos de uma teologia que tenha lugar para uma cruz—para um homem perfeitamente íntegro que sofre como um sacrifício inocente no nosso lugar. Uma teologia sem cruz não pode salvar. Uma teologia sem Jesus, nós não queremos. Mas graças a Deus que Deus é muito maior do que Bildade e qualquer um pode imaginar. Ele criou um plano, desde a eternidade, para continuar sendo justo e ser o justificador (perdoador) de pecadores como nós. Só a infinita sabedoria de Deus para fazer isso! E o plano é esse: ele mesmo—o Deus inocente—se faz homem como você, vive uma vida justa no seu lugar e depois vai para um cruz sofrer pelos seus pecados. Assim, Deus pune o seu pecado em Jesus—e ele continua sendo justo, e Deus perdoa você e continua sendo gracioso. Existem mistérios na maneira como Deus governa o mundo. Nenhum de nós entende tudo o que Deus está fazendo. Mas quando o mal bater à nossa porta, nós precisamos de uma teologia que tenha uma cruz—onde um Deus poderoso e bondoso e inocente sofre o mal para nos salvar. Essa é a mensagem que cada um de nós precisa. Confie e continue confiando que Jesus, o Inocente, foi julgado e morto no seu ligar, e Deus declara você perdoado e justo como Jesus. Inocente. Vocês percebem como a cruz de Cristo é a resposta final de Deus para o problema do mal. Deus derrotou o mal na cruz no corpo de Cristo. Deus usou o mal—Satanás, Judas, judeus, romanos—para derrotar o próprio mal. Esse é o Deus poderoso e bondoso que governa esse mundo e a nossa vida. Pendurado no madeiro, com um só golpe, Jesus paga o mal do nosso pecado e derrota Satanás, o Maligno. E ele continua, de forma misteriosa e maravilhosa, usando o mal para propósitos bons. A existência do mal não prova que Deus não existe. A existência do mal é o palco que Deus usa para mostrar ainda mais que ele existe. O Deus absolutamente santo usa o mal e o pecado para mostrar as obras dele—quem ele é, especialmente através do maior mal que já foi feito nesse mundo: a crucificação do Filho de Deus. E se Deus usou um sofrimento tão grande como o do Senhor Jesus para trazer um bem tão grande quanto a nossa eterna salvação, então ele pode (e vai!) usar o seu sofrimento para trazer o bem. Essa é a mensagem nos dá conforto e esperança. Nós queremos justiça. Mas nós queremos graça também. Nós precisamos de graça. E na cruz do nosso Salvador inocente, a justiça e a graça de Deus se encontram. Para a nossa alegria e para a glória dele. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
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