top of page

Posts List

Programação Março 2026 Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Programação Março 2026

Programação Março na IBJM

Read More
Série em Jó: Sofrimento Soberano 
 08 de Março de 2026 – IBJM 
 C. S. Lewis foi um escritor cristão. Ele escreveu Crônicas de Nárnia e outros livros que se tornaram muito populares. E como Jó, ele amava o Senhor e experimentou também sua dose de dor.   Ele se casou com uma um mulher chamada Joy quando ele tinha 57 anos. Ele acabou se casando tarde. E foi um casamento curto. Eles tinham apenas 4 anos de casados quando um câncer nos ossos levou a esposa dele.   Para lidar com a perda, ele escreveu um livro chamado “A Anatomia de um Luto”. Sem ter certeza do que acreditar sobre quem Deus é—esse Deus que levou a esposa dele tão rápido, ele escreveu:   Eu não acho que eu estou correndo perigo de deixar de acreditar em Deus. O perigo real é eu começar a pensar que Deus é bem diferente do que eu sempre achei. A pergunta que eu enfrento não é: “Então, existe realmente um Deus?”. A pergunta é: “Então, assim que Deus é?”   Ele achou que Deus era de um jeito—bom, amoroso, justo—mas depois da morte da esposa, C.S. Lewis ficou se perguntando se Deus era realmente quem ele sempre acreditou. Um Deus bom, amoroso e justo faria isso?   O sofrimento faz isso: ele tira os nossos pensamentos do lugar. O sofrimento é como uma mão que vem e embaralha e desafaz o quebra-cabeça da imagem de Deus que nós tínhamos montados.   Nós encaixamos as peças sobre quem Deus é ao longo do tempo. Parece que tudo estava no lugar. Até que vem a mão da dor e mistura tudo. Desfaz a imagem. E nós ficamos confusos sobre quem realmente é o Deus que governa esse mundo e a minha vida.   Jó está passando pelo que C.S. Lewis passou. E o que cada um de nós aqui já passou e vai passar. Diante da dor, Jó está confuso sobre o caráter de Deus. Confuso ao ponto de questionar a justiça de Deus. Esse Deus é realmente justo? Ele realmente me ama?   Eu quero lembrar vocês de uma das verdades que nós precisamos carregar durante todo o livro para interpretarmos Jó corretamente. A verdade é: Jó é crente. Jó é um adorador do Deus vivo e verdadeiro. O autor do livro repete isso várias vezes no capítulo 1 e 2.   Nós precisamos ouvir o que Jó tem a dizer segurando essa verdade. Eu estou falando isso porque Jó faz dizer algumas coisas erradas sobre Deus que podem nos chocar. Jó vai acusar Deus. Jó vai questionar Deus. Mas Jó é crente.   Isso não significa que Jó está fazendo o que é certo. Nós nunca devemos acusar Deus de fazer algo injusto.   Mas o fato de Jó ser crente nos lembra que crentes verdadeiros—que amam o Senhor Jesus Cristo—podem passar por momentos de enorme tristeza e confusão:   • E acabar falando o que não devem sobre Deus. • E pensando o que não devem sobre Deus. • E ainda assim, ter um coração que ama e confia em Deus.   A JUSTIÇA DE DEUS EM UM MUNDO INJUSTO A assunto da justiça de Deus continua. Nós ouvimos a teologia de Bildade no capítulo 8. Bildade defende a justiça de Deus com uma teologia bem-organizada e bem-errada.   A explicação de Bildade para lidarmos com o sofrimento é: todo mundo recebe o que merece. Pessoas boas recebem coisas boas e pessoas más recebem coisas más. Ponto.   Nós não estamos satisfeitos com essa resposta. E Jó também não. Ele vai responder a Bildade. Mas os pensamentos de Jó não são tão bem-organizados quanto os pensamentos de Bildade.   Em alguns momentos, parece que Jó fala uma coisa e depois desiste. Jó parece mais confuso que os amigos dele.   O que não é de nos surpreender. O sofrimento profundo e repentino faz isso. Vocês lembram: o quebra-cabeça foi embaralhado. Uma mão—a mão de Deus—veio por trás de Jó e espalhou as peças e bagunçou tudo. Jó está confuso.   Onde está cada peça sobre o caráter de Deus? Onde o amor de Deus se encaixa? E a justiça? E a graça?   Mas apesar de Jó não ser tão organizado, a teologia dele é melhor que a de Bildade. O coração de Jó é o coração de um cristão.   Vamos ouvir Jó: no capítulo 9, ele fala com Bildade. No capítulo 10, Jó fala com Deus.   JÓ 9: COMO PODE UM MORTAL SER JUSTO DIANTE DE DEUS? (vv. 9:1-4) Que o assunto continua a ser a justiça de Deus. Nós percebemos logo no início com a pergunta de Jó:   Jó 9:[1] Então Jó respondeu: [2] “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o mortal ser justo diante de Deus?   Parece um pouco estranho Jó concordar com Bildade depois de um monte de besteira que Bildade falou. Mas, para a nossa surpresa, Jó começa dizendo:   [2] Na verdade, sei que assim é;   Jó não concorda com a teologia inteira de Bildade, mas ele concorda que Deus é justo. Essa parte, Jó concorda.   Mas essa é justamente a angústia de Jó. Ele sempre soube que Deus é justo. Mas agora Deus está tratando Jó com injustiça (na mente de Jó). Ele quer resolver esse problema apelando para uma audiência no tribunal. Jó quer se defender diante de Deus—já que Jó tem certeza de que ele não é culpado.   Mas aí vem o problema: Deus é tanto o Juiz quanto o Acusador. Não tem como você vencer. Imagine, você entra em um tribunal em que a pessoa que acusa você de um crime é a mesma pessoa que vai julgar você. Você sempre vai perder!   [3] Se quiser discutir com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder. [4] Ele é sábio de coração e grande em poder; quem ousou desafiá-lo e sobreviveu?   Vocês percebem a angústia de Jó? Por um lado, ele quer ouvir de Deus (o Juiz) que ele é inocente. É o que ele mais quer: que o relacionamento dele com Deus esteja acertado.   Por outro lado, ele não tem esperança de que isso seja possível, porque com um Deus tão poderoso, tão grande, tão soberano, tão maior que nós do lado da acusação também, não tem conversa. Eu sempre vou perder e ser declarado culpado.   [2] (...) Como pode o mortal ser justo diante de Deus?   Não tem como! Os versículos 14-15 mostram esse conflito dentro de Jó:   [14] Como então poderei eu responder a ele? Como escolher as minhas palavras, para argumentar com ele? [15] Ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; pelo contrário, pediria misericórdia ao meu Juiz.   Eu quero falar com Deus e me defender. Mas eu sei que não vai adiantar nada.   • Como uma criança que quer pedir para o pai deixar ela sair para brincar, mas não tem esperança de que o pai vai deixar porque ele está de castigo. • Como um homem que tem o desejo de pedir uma mulher em casamento, mas não tem esperança de que ela possa dizer “sim” porque ele é boa demais para ele.   O desejo está lá. A esperança, não. Esse é o olho do furacão na alma de Jó.   Ele quer muito resolver as coisas entre ele e Deus e provar que ele é inocente e não deveria estar sofrendo tanto, mas ele não acha que é possível resolver esse conflito com Deus.   Um conflito que, diga-se de passagem não existe de verdade; só existe na mente de Jó. Deus não está em nenhum conflito com Jó.   No resto do capítulo 9, Jó explica por que ele chegou a essa conclusão.   Vocês lembram que as peças do quebra-cabeça que Jó tinha montado sobre os atributos de Deus foram espalhadas. Os pensamentos de Jó ainda não estão muito organizados.   Eu vou tentar organizar o que Jó está falando sobre Deus em 4 atributos. Ele começa dizendo que Deus é:   1.     INCOMPARÁVEL (vv. 9:5-13) Jó tem uma visão elevada de Deus. No versículo 4, ele já tinha falado que Deus é:   [4] (...) sábio de coração e grande em poder;   A partir do versículo 5, ele descreve Deus como um Ser Incomparável.   Incomparável no seu poder:   [5] Ele é quem remove os montes, sem que saibam que na sua ira ele os transtorna. [6] Deus remove a terra do seu lugar, e faz as suas colunas estremecerem.   Incomparável na sua soberania:   [7] Ele dá uma ordem ao sol, e este não sai, e sela as estrelas. [8] Sozinho ele estende os céus e anda sobre as costas do mar.   A criação prova a grandeza incomparável do Criador:   [9] Ele fez a Ursa Maior, o Órion, o Sete-estrelo e as constelações do Sul. [10] Deus faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem enumerar.   Ele termina esse trecho (no versículo 13) dizendo que até o monstro Raabe, essa figura que os povos pagãos usam para falar do caos, nem esse mostro inventado é maior do que Deus. Deus é incomparável!   Mas Jó pega esse atributo divino e lê de forma negativa. Como se fosse um problema para ele. Crente deprimidos às vezes fazem isso. Eles pegam ao positivo e, quando eles vão aplicar para eles, eles acham que aquilo é um problema.   Todas as coisas cooperam para aqueles que amam a Deus (Romanos 8:28). “Ah, mas eu não amo a Deus como eu deveria. Esse versículo não é para mim”.   É, sim! É para todos os crentes—deprimidos e não-deprimidos!   Jó está fazendo isso. Ele olha para a grandeza de Deus como se fosse um problema para ele.   Jó olha para a grandeza do poder e da soberania de Deus sem incluir a grandeza do amor e da graça de Deus. E isso faz ele olhar para Deus como alguém que é CONTRA ele e não alguém que é POR ele.   Por isso, os próximos 3 atributos de Deus que Jó lista, na verdade, não são verdade. A grande dor de Jó o deixou em grande confusão também sobre quem Deus é.   Segundo, Jó vê Deus como:   2.     INACESSÍVEL (vv. 9:14-19)   [16] Ainda que eu o chamasse e ele me respondesse, nem por isso eu creria que ele deu ouvidos à minha voz.   Por quê, Jó? Por que você está tão sem esperança de que Deus ouviria você?   [17] Porque [implícito: Deus] me esmaga com uma tempestade e sem motivo multiplica as minhas feridas. [18] Não me permite respirar, porque me enche de amargura.   O sofrimento, especialmente o sofrimento prolongado. Você ora e o problema continua. Você pede por algo bom—paz no seu espírito, a restauração de um relacionamento, a cura de uma doença, um casamento mais estável, filhos crentes—e Deus não faz o que você está pedindo.   Essa dor prolongada cria uma lógica falsa em nossa mente: a lógica de que Deus não está me ouvindo porque ele não está fazendo o que eu estou pedindo. Você já se sentiu assim alguma vez?   Naquele mesmo livro sobre o luto, C. S. Lewis foi honesto com os sentimentos dele. Ele disse:   Você vai a Deus quando você está em uma necessidade desesperada, quando qualquer outra ajuda é inútil, e o que você encontra? Uma porta fechada na sua cara e o som de trancas do lado de dentro. E depois disso, silêncio (Lewis, Anatomia de um Luto).   Você já passou por isso? Essa sensação de que sua oração para no teto e não chega ao céu. A sensação de que você bate na porta para falar com Deus—“Senhor, me atende, Senhor, me atende!”, mas a porta fica fechada. Trancada. “E depois disso, silêncio”.   É como Jó está se sentindo. É como C.S. Lewis se sentiu. É como nós podemos nos sentir quando nós vamos ao Senhor com uma necessidade desesperada e nada acontece. A impressão é que a porta está trancada e Deus é inacessível.   Meu irmão em Cristo, esse pode ser um pensamento honesto, mas ele não é um pensamento verdadeiro. A lógica de Jesus é bem diferente dessa lógica da porta trancada com um Deus que não se importa do outro lado. Jesus disse:   [7] —Peçam e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. (...) [Logo depois, Jesus diz:] [9] (...) quem de vocês, se o filho pedir pão, lhe dará uma pedra? [10] Ou, se pedir um peixe, lhe dará uma cobra? [11] Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem? (Mateus 7:7,9-11)   A lógica verdadeira é a lógica de Jesus. Você pede, e Deus ouve. Um Pai como Deus nunca negaria algo bom para os seus filhos.   Isso não significa que Deus irá nos dar tudo o que nós pedimos. Mas se ele não deu o que nós estamos pedindo, é porque ele tem uma ideia melhor.   Mas Jó ainda está confuso. Ele não está vendo a Deus corretamente. Sabe quando seus olhos estão cheios de lágrimas e fica tudo embaçado e você não consegue enxergar direto? Jó está assim.   Além de um Deus inacessível, Jó está enxergando Deus como um Deus injusto. Jó realmente não está bem.   3.     INJUSTO (vv. 9:20-24) 
 [20] Ainda que eu seja justo, a minha boca me condenará; embora eu seja íntegro, ela me declarará culpado.   Jó está convencido de que ele não tem um pecado que justifique o tratamento que Deus está dando para ele. Mas ele está convencido também de que com Deus não tem conversa. Você pode até ser íntegro, Deus vai dizer que você é culpado.  Ele não é um Juiz justo.   E por isso, Jó perdeu esperança de ser tratado corretamente por Deus:   [21] Eu sou íntegro, mas não me importo comigo, não faço caso da minha vida. [22] Para mim, é tudo a mesma coisa; por isso, digo: ele destrói tanto os íntegros como os perversos.   Se eu fosse fazer uma mímica de como Jó está se sentindo, eu mexeria os ombros assim. “Eu não me importo. Deus destrói tanto os íntegros como os perversos. Não importa como você viva. Deus destrói todo mundo. Ele não tem um critério justo”.   A dor de Jó embaralhou tanto as peças na cabeça dele, que ele não consegue ver mais a bondade de Deus:   [23] Se um flagelo mata de repente, ele rirá do desespero dos inocentes.   Que visão negativa (e errada!) de Deus que Jó está tendo: “Deus rirá do desespero dos inocentes?”   Mas na mente de Jó, reduzir a soberania de Deus para explicar o mal nesse mundo não é uma alternativa. Deus é Deus.   [24] A terra está entregue nas mãos dos ímpios, e Deus ainda cobre o rosto dos juízes. Se ele não é o causador disso, quem seria?   A pergunta no original é: “Se não é ele [Deus], então quem é?”   Ele tem poder para fazer o que ele quiser. Mas como todo esse poder, ele permite que os políticos corruptos vivam em mansões enquanto os crentes vivam na pobreza. Ele permite que ladrões desfrutem de banquetes e o povo dele passe necessidade.   Ele permite que os maus se deem bem e os bons se deem mal, o que prova que a teologia de Bildade (e da prosperidade) é desconectada da realidade.   Como lidar com as injustiças em um mundo governando por um Deus justo?   Essa é uma pergunta justa. Lícita. Mas Jó está indo para o caminho errado. Ele está atribuindo injustiça a Deus, em vez de se agarrar que, no tempo certo, Deus não tapará o rosto para nenhuma injustiça. Em vez de se agarrar que nós podemos confiar que Deus está usando tudo—incluindo as maldades desse mundo—com propósitos santos.   Jó termina o capítulo 9 com mais um atributo de Deus que explica por que ele não tem esperança de ser ouvido por Deus.   É porque Deus está indignado com ele.   4.     INDIGNADO (vv. 9:25-35)   Jó até volta a falar um pouco do sofrimento dele:   • No versículo 25 ele fala dos dias dele como um corredor que nem para para poder ver a felicidade. • No versículo 28 ele fala das dores dele apavorando a ele.   Mas logo depois ele volta a falar do relacionamento dele com Deus:   [28] ainda assim todas as minhas dores me apavoram, porque bem sei que não me considerarás inocente. [29] Eu serei condenado; por que, pois, trabalho em vão?   O capítulo 9 está lotado de linguagem de um tribunal. Jó desenha um cenário onde ele é o réu—aquele que sofre uma acusação. E Deus é tanto o Juiz (quem julga) quanto o Promotor (quem acusa). Entrar em um tribunal com esse Deus, não tem como ganhar.   Ah, se Jó soubesse que Satanás é o Acusador, não Deus! Mas Jó não sabe. Ele não ouviu a conversa que nós ouvimos no capítulo 1 e 2. Ele está lendo quem Deus através do que ele está passando. O que não é uma boa ideia. (Eu quero falar mais sobre isso no final).   [32] Porque ele não é ser humano, como eu, a quem eu responda, se formos juntos ao tribunal. [33] Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós dois. [34] Que ele tire a sua vara de cima de mim, e que o seu terror não me amedronte! [35] Então falarei sem o temer; do contrário, eu não estaria em mim.   A sensação de Jó é que não dá para chegar perto desse Deus. Jó está com medo. Jó está convencido de que ele é inocente, mas para ele estar sofrendo assim, ele está convencido também que Deus está irado com ele—por um motivo que ele não sabe.   • Quando você peca, cristão, como você lida com Deus? Você fica um tempo longe do Senhor esperando ele se acalmar porque você acha que ele está indignado com você? • Ou quando você sofre, cristão, como você lida com Deus? Você fica um tempo longe de Deus esperando você se acalmar porque você está indignado com Deus?   Os dois pensamentos são ruins. Nós nunca deveríamos ficar indignados com Deus e (tão importante quanto!) Deus não está indignado com você, cristão.   Quando você peca, você não precisa (e não deve!) esperar um tempo para se aproximar de Deus de novo, como se Deus precisasse contar até 10 e respirar para não derramar a ira dele sobre você.   Esse é um pensamento errado e ruim, cristão. É uma visão errada de quem Deus é para nós EM CRISTO. Porque em Cristo, a ira já foi derramada. Toda. Ele bebeu até a última gota. Para você que está em Cristo, o cálice está vazio.   Em Cristo, quando você, filho pródigo, se dá conta de que você está comendo a comida de porco do pecado e mesmo todo sujo, se levanta para ir até o seu pai para pedir perdão e ajuda, Deus já abriu o portão da casa e está vindo em sua direção para abraçar você.   Então, o meu pecado não é um problema? É. O pecado é um problema enorme. O seu pecado é o que impede você de se aproximar de Deus.   O que acontece é que, quando você coloca sua fé em Cristo, Deus coloca o seu pecado pregado na cruz dele. E agora que o seu pecado está preso lá—e já foi pago, ele não pode mais tornar você culpado diante de Deus.   Agora Deus é completamente por você. Você vai ao Senhor pedir perdão como alguém que confia que Cristo já pagou. Essa é a sua confiança. Jó está olhando para Deus sem olhar para o Salvador que Deus prometeu—no caso dele, ainda no futuro; no nosso caso, no passado. Jó não está olhando para Deus pela lente da fé e da graça. Não é à toa que ele está vendo Deus de forma tão negativa.   O capítulo 10 é a continuação da resposta de Jó a Bildade. Mas Jó não está mais falando com Bildade sobre Deus. Já agora está falando com Deus sobre Deus. O capítulo 10 é uma queixa de Jó para Deus. Veja como o capítulo começa:   JÓ 10: UMA QUEIXA AO MEU DEUS   [1] Estou cansado de viver. Darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma. [2] Pedirei a Deus: ‘Não me condenes!’ Faze-me saber o que tens contra mim.   A partir daqui até o final, Jó não está falando mais com Bildade. Jó está falando com Deus. Jó não usa mais “ele” para falar de Deus. Agora Jó vai usar “tu”.   No capítulo 9, ele disse que era inútil falar com Deus porque Deus era inacessível e injusto e indignado e não tem como ter uma audiência no tribunal com um Deus assim. Não vale a pena. Não vai dar em nada. Jó disse: “Eu não me importo comigo”.   Mas agora no capítulo 10 parece que ele esqueceu do que ele acabou de falar e ele vai, sim, falar com Deus. Vocês sabem por quê?   Porque, no fundo, ele se importa.   Isso é bem comum na mente de um sofredor. Se você já teve que lidar com alguém sofrendo—ou na sua própria experiência.   Você não tem esperança, mas você tem esperança. Jó está sem esperança, mas no fundo, no fundo da alma dele, tem esperança. Mesmo que sejam algumas poucas gotas, um vaso de barro crente nunca fica completamente seco.   Como um autor disse: “Jó se desespera sem desistir” (Hartley, The Book of Job, 165).   Essa é a terceira queixa que Jó vai fazer desde o início do livro:   • No capítulo 3, ele reclamou muito da vida, mas ele não se dirigiu a Deus nenhuma vez. • No capítulo 7, ele reclamou muito da vida, e ele se dirigiu a Deus algumas vezes. • Agora, no capítulo 10, Jó continua reclamando muito da vida, mas ele se dirige a Deus o tempo todo. E o sofrimento dele fica em segundo plano. O que mais importa para Jó é o relacionamento dele com Deus.   Jó divide a queixa dele em 3 partes: ele tem duas 2 perguntas para Deus e 1 pedido final.   1.     PRIMEIRA PERGUNTA: O QUE O SENHOR TEM CONTRA MIM PARA ME TRATAR DESSE JEITO? (vv. 10:1-7)   O primeiro e o último versículo essa primeira parte resumem o que está no coração de Jó:   [2] Pedirei a Deus: ‘Não me condenes!’ Faze-me saber o que tens contra mim. [7] Bem sabes que eu não sou culpado; todavia, não há ninguém que possa me livrar da tua mão.   Nos versículos do meio—do 3 ao 6—a reclamação de Jó é que Deus está agindo contra Jó como se ele fosse um ser humano limitado, que não tem todo o conhecimento necessário para fazer um julgamento justo. Porque, na mente de Jó, se Deus tivesse, ele não trataria Jó assim.   Jó quer ouvir Deus, o Juiz, dizendo: “Você não é culpado”, mas ele não vê como. Deus trata Jó como um condenado sem Jó ter a chance de ouvir qual é a acusação que Deus tem contra ele.   Nós sabemos que Deus não tem nenhuma acusação contra Jó. Mas Jó não sabe. E por isso, ele fala com Deus desse jeito.   2.     SEGUNDA PERGUNTA: O SENHOR ME CRIOU PARA ME DESTRUIR? (vv. 10:8-17)   [8] As tuas mãos me plasmaram e me fizeram, porém, agora, queres destruir-me. [9] Lembra-te de que me formaste como em barro.  E, agora, queres reduzir-me a pó?   A imagem que Jó tem é de Deus como o oleiro e nós como uma massa de barro. Deus se sentou na cadeira e começou a moldar a massa para ficar do jeito que ele queria.   [11] De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me teceste.   Jó reconhece que é Deus quem cria vida e quem sustenta a vida dele:   [12] Tu me deste vida e bondade, e o teu cuidado guardou o meu espírito.   • Jó não tem dúvidas que Deus é o Criador dele. • Jó não tem dúvidas que Deus é soberano. • Jó não tem dúvidas que Deus é quem sustenta a vida dele.   Mas Jó tem dúvidas se é justo o que Deus está fazendo: criar alguém, cuidar por um tempo, para depois pegar a espatifar no chão e não sobrar quase nada.   Jó está vendo Deus como alguém que tinha um plano secreto de criar Jó só para destruí-lo depois. (Isso não é verdade, mas é assim que Jó se sente):   [13] Mas ocultaste estas coisas no teu coração; e agora sei que este era o teu plano. (...) [16] Porque, se levanto a cabeça, tu me caças como um leão feroz e de novo revelas o teu poder maravilhoso contra mim. [17] Renovas contra mim as tuas testemunhas e multiplicas contra mim a tua ira; males e lutas se sucedem contra mim.   Ele olha para Deus e não consegue enxergar um Pai, um Amigo, um Criador e Salvador. A dor de Jó está fazendo ele ver Deus como alguém que está contra ele, caçando Jó como um leão faminto—querendo destruir a vida de Jó.   Interessante que Jó não concorda com os amigos dele—de que ele está sofrendo por causa de algum pecado escondido que ele cometeu. Mas ele de alguma forma está contaminado com a ideia de que, para Deus estar tratando ele dessa forma, Deus tem alguma coisa contra ele. (Mas Deus não tem!)   Agora vem:   3.     O PEDIDO FINAL: DEIXA-ME EM PAZ! (vv. 10:18-22)   [20] Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me em paz, para que por um pouco eu tome alento.   Esse é o um pedido que ele já tinha feito no lamento anterior, no capítulo 7. Mas como nada mudou na vida dele, ele continua pedindo para Deus dar um espaço para ele respirar—ficar menos sufocado pelo dor e ter uns dias de tranquilidade antes de morrer.   Jó está mal. A queixa dele termina em uma nota triste. Como no Salmo 88. Jó ainda não consegue ver uma luz no fim do túnel.   Ele quer ter o relacionamento com Deus restaurado, mas ele não vê como. Ele volta a pensar na morte. Ele fala dela de várias maneiras:   [21] antes que eu vá para o lugar do qual não voltarei, para a terra das trevas e da sombra da morte, [22] terra de escuridão, de trevas profundas, terra da sombra da morte e do caos, onde a própria luz é como a escuridão.   Esses dias eu estava lendo o Salmo 56. Em um momento, Davi fala:   No dia em que eu te invocar, os meus inimigos baterão em retirada. Uma coisa eu sei: que Deus é por mim (Salmo 56:9).   Não é maravilhoso viver com uma convicção de que “Deus é por mim”? Deus está a meu favor. Do meu lado. Se ele é um leão, ele não quer me caçar. Ele vai me proteger.   Mas o Salmo que Jó criou na cabeça dele (e que não existe) é:   Uma coisa eu sei: que Deus é contra mim.   É isso que está deixando Jó mais aflito. A dor da perda dos filhos e dos bens e da saúde ainda machuca. Ele ainda sente. Mas a mente de Jó agora está sendo mais controlada pelo relacionamento dele com Deus.   Jó é crente mesmo. Ele pode até falar o que não deveria. Ele pode até não estar lendo a situação dele corretamente. Mas ele ama a Deus.   Mais do que qualquer outra coisa, Jó quer Deus. Mesmo tão confuso e tão frustrado, Jó sabe para onde ele tem que ir: para Deus. Ele se queixa com Deus. Ele apela para Deus.   O que ele mais quer, mais do que ter seus camelos e ovelhas e bois de volta—mais até do que ter os filhos de volta—Jó quer Deus de volta.   Ele quer ter certeza de que Deus olha para ele como alguém que é o um crente verdadeiro. Alguém que foi declarado justo no tribunal de Deus.   Esse é o coração de um adorador-sofredor. Nem tudo o que ele fala pode estar certo. Mas ele está certo de que ele quer Deus.   APLICAÇÃO: QUEM É ESSE DEUS? Vocês lembram da frase do C.S. Lewis que eu citei no início:   A pergunta que eu enfrento não é: “Então, existe realmente um Deus?”. A pergunta é: “Então, assim que Deus é?”   O perigo para nós não é deixar de acreditar que Deus existe, mas começa a acreditar que Deus é bem diferente do que eu imaginei. É ter a imagem de Deus como cheio de amor, compaixão, graça ser bagunçada ao ponto de eu não mais saber como Deus é. Ele é mesmo amor? Ele é mesmo justo?   Jó está lendo quem Deus através da dor que ele está passando. O que não é uma boa ideia. Crente, não faça isso. Não defina o caráter de Deus a partir da quantidade de dificuldade na sua vida.   Vida calma, Deus me quer. Vida difícil, Deus não me quer. Vida calma, Deus me quer. Vida difícil, Deus não me quer.   Quase como aquela brincadeira do “bem me quer, mal me quer”. Pelo menos era assim na minha infância que as crianças descobriam se uma menina gostava de você ou não.   Você pegava uma flor—geralmente uma flor pequena com umas pétalas roxas—e para cada pétala que você arrancava, você alternava: “bem me quer”, e na próxima pétala, “mal me quer”, “bem me quer”, próxima pétala, “mal me quer”. E a última pétala define o que aquela menina sentia por você.   Povo de Deus, por favor, não vamos entrar nesse jogo de superstição com Deus. Deus não quer que nós usemos as pétalas da vida calma ou vida difícil para definir quem ele é. Ele quer que nós leiamos esse livro para aprender quem ele é.   O MEDIADOR   O que nós podemos fazer quando nós estamos nesse estado de tanta perplexidade que nós não conseguimos olhar para Deus e ver quem ele realmente é?   Como você pode ajudar alguém que, por causa do sofrimento, está vendo Deus como alguém inacessível em vez de perto; como se Deus estivesse indignado, em vez de gracioso; como se Deus fosse injusto, em vez de perfeita e completamente justo?   A resposta está na própria resposta de Jó. Jó está indo na direção certa. Ele ainda está tateando, como em um labirinto escuro, mas ele está na direção certa—em direção à saída.   Volte no capítulo 9, por favor. Em um momento de angústia, querendo muito ser declarado justo—ser justificado—por Deus, Jó fala no capítulo 9, versículo 32:   Jó 9:[32] Porque ele não é ser humano, como eu, a quem eu responda, se formos juntos ao tribunal. [33] Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós dois.   A palavra “árbitro” no versículo 33 é a mesma palavra para mediador. Jó está certo, nós precisamos de um mediador para lidar com Deus. Quem se nós quer entrar em um tribunal com Deus e ser julgado pela nossa vida.   Não está claro ainda para Jó nesse ponto, mas o Esmagador da Serpente de Gênesis 3:15 que Deus prometeu para Adão é esse Mediador. Um Mediador que, ainda não está claro para Jó nesse ponto, se tornou ser humano como ele, mas sem pecado.   Eu diria para Jó: “Jó, você já tem esse Mediador por causa da sua fé. Deus não é contra você. Deus é por você”.   Por causa desse Mediador, porque você, cristão, está “nele”, você não precisa temer o tribunal de Deus. Aquele que andou nas costas do mar e fez as ondas e os ventos pararem, a mesma pessoa que fez a Ursa Maior, o Órion e as constelações do Sul, a mesma pessoa que um dia teve dias como de um mortal, se tornou o nosso Mediador.   1Timóteo 2:5—Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem.   Um Mediador que se levantou da cadeira de Juiz, se sentou na nossa cadeira de réu, e foi sentenciado a morte que nós merecemos por causa do nosso pecado.   É só porque nós estamos “nele”—pela nossa fé “nele”—que nós podemos ter certeza, mesmo durante a maior dor—que Deus é por nós e não contra nós.   O que ele diz nesse livro é que se você está em Cristo—se você confia que o Filho de Deus sofreu e morreu por você naquela cruz, então você pode dizer do fundo da sua alma: “bem me quer”. Deus bem me quer.   CONCLUSÃO   O que enxuga nossas lágrimas e nós faz ver Deus corretamente—com uma visão menos embaçada—é nos lembramos do nosso Mediador.   A diferença em saber que Deus é por mim e não contra mim está na fé. Na sua fé em Cristo Jesus. Deus nunca nos vê fora de Cristo. Ele sempre nos vê em Cristo.   Essa é a nossa teologia em uma palavra: “nele”.   Cristão, você está nele. E se você está nele, você está seguro. O Juiz já declarou você justo. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Jó 9-10: Questionando a Justiça de Deus

Essa é justamente a angústia de Jó. Ele sempre soube que Deus é justo. Mas agora Deus está tratando Jó com injustiça (na mente de Jó). Ele quer resolver esse problema apelando para uma audiência no tribunal. Jó quer se defender diante de Deus—já que Jó tem certeza de que ele não é culpado.

Read More
Série em Jó: Sofrimento Soberano 
 01 de Março de 2026 – IBJM 
 Nós queremos justiça. Todo mundo quer justiça. • Um político que é claramente corrupto e culpado é absolvido. Como nós reagimos? Isso não é justo! • Você fica sabendo que alguém menos competente foi promovido no trabalho só porque é amigo de alguém importante. Como nós reagimos? Isso não é justo! • O juiz deu pênalti, mas o vídeo depois mostra que o jogador se jogou, ninguém encostou nele. Como nós reagimos? Isso não é justo! • Você tem certeza de que não fez nada de errado, mas alguém acusa você injustamente. Como você reage? Isso não é justo!   De onde vem esse nosso senso de justiça?   Vem de Deus. Deus nos fez assim. Como um autor cristão disse: “Nós sabemos que as coisas nem sempre são justas, mas nós sentimos profundamente que elas deveriam ser” (Ash, Job, 133).   E aí vem o problema. Um problema chamado de “o problema do mal”. Como Deus pode ser justo e ao mesmo tempo permitir tantas injustiças—tanta maldade—nesse mundo?   Esse é o principal ataque daqueles que não creem que Deus existe.   Esse problema do mal pode ser resumido em 4 frases:   1.     Se Deus é poderoso, ele pode evitar o mal. 2.     Se Deus é bom, ele quer evitar o mal. 3.     Mas o mal existe. 4.     Conclusão: Um Deus poderoso e bom não existe, porque se ele existisse, o mal não existiria.   O problema do mal não é um desafio para os filósofos se divertirem. O problema do mal é um problema real que todos nós sentimos na pele. Como Jó.   Se existe uma experiência que todos nós temos em comum, essa experiência é o sofrimento: dor crônica, doença terminal, divórcio, abuso, filhos longe do Senhor, infertilidade, traição, rejeição, perda, dívida, problemas no casamento, problemas na família, problemas no trabalho, problemas na escola (a parte inicial da lista em https://www.thegospelcoalition.org/article/safe-be-sad/ ) .   Não tem para onde fugirmos do problema: se existe um Deus e esse Deus é poderoso e bondoso, então por que ele não usa o poder dele para evitar tantas coisas horríveis?   Nós precisamos lidar com essas duas “existências” juntas: a existência do mal e a existência de Deus. Como pode existir um Universo com um Deus justo e bom e o Mal?   Bildade tem respostas a oferecer a Jó e a nós para esse problema do mal, mas nós vamos precisar ouvir com muito cuidado porque, apesar de popular, a teologia de Bildade é perigosa.   UM RESUMO DA HISTÓRIA Faz quase 3 meses desde o último sermão em Jó. Antes de entrar na passagem de hoje, vamos nos lembrar do que aconteceu até aqui.   O livro de Jó começa falando da piedade e da prosperidade de Jó. Jó tem muito temor a Deus. Ele é um crente verdadeiro. E Jó tem também muitos bens—ovelhas, camelos, bois; e muitos filhos.   Em uma conversa no céu entre Deus e Satanás, Satanás acusa Jó de só amar a Deus porque Deus encheu a vida dele de conforto. Satanás diz: “Deus, tira o que Jó tem, e ele irá blasfemar contra o Senhor”.   Deus permite e Jó perde tudo—todos os bens e todos os filhos. Jó responde com tristeza e com fé, em uma das reações mais lindas de um cristão em toda a Bíblia. Ele se levanta, rasga o manto, rapa a cabeça, prostra-se em terra, adora o Senhor e diz:   — Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:20-21).   A única coisa que restou na vida de Jó foi a saúde dele. Mas por pouco tempo. No capítulo 2, de novo, Satanás acusa Jó de amar a Deus porque ele ainda está com saúde. Ele diz: “Deus, tire a saúde dele, e agora Jó irá blasfemar contra o Senhor”.   Deus permite e Jó perde a saúde. O texto diz que Satanás “feriu Jó com tumores malignos, desde a planta do pé até o alto da cabeça” (Jó 2:7).   Jó continua respondendo com tristeza e com fé. A esposa dele sugere que ele amaldiçoe a Deus e morra.   Mas Jó respondeu: — Você fala como uma doida. Temos recebido de Deus o bem; por que não receberíamos também o mal? Em tudo isto Jó não pecou com os seus lábios (Jó 2:10).   Quando os 3 amigos de Jó ficam sabendo o que aconteceu com ele, eles viajam para se encontrar com Jó. A dor de Jó era tão grande, que eles não conseguiram falar nada por 1 semana. Eles ficaram sentados com Jó chorando por 7 dias e 7 noites, chorando com os que choram.   Esses dois primeiros capítulos de Jó são essenciais para entendermos todo o livro. Eu vou resumir em 4 verdades. Nós precisamos carregar essas verdades debaixo dos nossos braços durante todo o nosso tempo no livro de Jó:   1.     Jó é um adorador. Ele é um crente verdadeiro. 2.     Satanás é real. Ele é capaz de causar grande mal a nós nesse mundo. 3.     Deus é soberano. Ele reina sobre o bem e sobre o mal. 4.     Crentes sofrem. É o que está acontecendo com Jó. Ele ama muito a Deus. E ele está sofrendo muito.   Nós chegamos no capítulo 3, e Jó já não está respondendo tão bem. O sofrimento dele é tão grande que ele não quer mais viver. Ele quer descanso da dor.   E partir daí começa uma série de diálogos (ou debates) entre Jó e seus 3 amigos: Elifaz, Bildade e Zofar.   O primeiro a falar foi Elifaz. Para Elifaz, Jó está colhendo o que ele plantou. Para ele estar colhendo tanto mal, é porque Jó plantou mal. Jó deve ter pecado muito. (O que nós sabemos que não é verdade).   A teoria de Elifaz é que Deus está disciplinando Jó e Jó precisa se arrepender para a vida dele melhorar. (O que nós sabemos que não é verdade. Essa não é causa do sofrimento de Jó).   Nos capítulos seguintes—capítulos 6 e 7—Jó fica frustrado. Frustrado com o sofrimento dele, frustrado com os amigos dele e frustrado com o Deus dele. Jó não entende por que ele está sofrendo tanto. Ele acha injusto.   Agora Bildade, o segundo amigo de Jó, vai falar. Ele começa com uma repreensão.   1.     REPREENSÃO (vv. 1-2)   Jó 8:1-2—Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse: “Até quando você falará estas coisas? E até quando as palavras da sua boca serão como um vento impetuoso?”   Assim como Elifaz, o primeiro amigo, Bildade também não dá espaço para Jó expressar a dor dele. Bildade não começa com:   • “Eu lamento por tudo o que você está passando, meu amigo”. • Ou: “Que dor enorme a sua, meu irmão amado”. • Ou: “Eu vou orar para Deus sustentar você”.   Não. Bildade começa bravo e dando bronca. Ele quase mandou Jó calar a boca: “Até quando você falará estas coisas?”   E chama as palavras de Jó de um “vento impetuoso”: “As palavras de Jó têm força, mas elas são vazias”. Como o vento.   Nós precisamos ser repreendidos em algumas situações. Toda a Escritura é útil para o ensino, REPREENSÃO, correção e educação na justiça (2 Timóteo 3:16).   Mas existe algo que parece que Bildade não sabe que existe: misericórdia, gentileza, humildade, mansidão. Bildade deveria ter, no mínimo, temperado a repreensão com compaixão.   Mas não foi o que ele fez. E ele emenda a repreensão com uma explicação para o mal na vida de Jó e no mundo.   2.     EXPLICAÇÃO (vv. 3-7)   A tese central dele está no versículo 3:   8:3—Será que Deus perverteria o direito? [Não, porque Deus é justo.] Será que o Todo-Poderoso perverteria a justiça? [Não, porque Deus é justo.]   A tese de Bildade para lidar com o mal é: Deus é justo. Ponto. O Deus Todo-Poderoso não perverte a justiça. Ele é sempre justo. Ponto.   Então, se alguém está sofrendo (como Jó), é porque essa pessoa praticou o mal. Deus dá o que cada um merece. Ele é justo. E se alguém está com a vida boa, é porque essa pessoa é boa. Deus dá o que cada um merece. Ele é justo.   Essa é a explicação de Bildade para o problema do mal: coisas ruins acontecem com as pessoas ruins e coisas boas acontecem com as pessoas boas.   Será? Sempre? Essa teologia é suficiente para entender quem Deus é e como ele governa o mundo?   O que Bildade faz agora é uma das coisas mais cruéis em todo o livro de Jó. Ele aplica essa teologia da retribuição—“pecou, levou”—aos dez filhos de Jó que morreram de repente:   8:4—Se os seus filhos pecaram contra ele [contra Deus], também ele os entregou ao poder da transgressão que cometeram.   Mas nós sabemos que isso não é verdade. Eles morreram porque Satanás matou os filhos de Jó derrubando a casa em cima deles, não porque Deus estava julgando os filhos de Jó porque eles cometeram uma transgressão (um pecado).   A conclusão de Bildade é horrível, mas é consistente. Ele está operando de acordo com a teologia dele. Ele está lendo o mundo a partir do entendimento que ele tem de Deus. Todos nós fazemos isso.   PENSAMENTOS SOBRE DEUS   A.W. Tozer escreveu um livro sobre os atributos de Deus chamado “O Conhecimento do Santo”. Ele começa o livro dizendo:   O que vem à sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre você. O que vem à sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre você.   Ele tem razão. Nada é mais importante nessa vida do que nosso entendimento de quem Deus é. Nada irá impactar mais meus sentimentos e minhas decisões e maneira como em encaro a vida e lido com a dor e a alegria do que meu entendimento de quem é o Deus que governa esse mundo.   Para Bildade, as pessoas sofrem SEMPRE por causa do pecado. A palavra “sempre” aqui é importante. Para Bildade, é assim que Deus é e essa é a ÚNICA maneira como Deus lida conosco. Se você está sofrendo, é porque Deus está punido você pelo seu pecado.   É uma teologia bem-organizada. Bem-clara. E bem-errada.   Bildade é um grande incentivo para nós estudarmos a Bíblia para termos uma teologia melhor. Vejam como ideias erradas sobre Deus tem consequências devastadoras.   Se as palavra de Jó são um “vento impetuoso”, as palavras de Bildade são como uma flecha e o arco é a língua dele. As palavras que ele mira e lança em Jó penetram a alma de Jó e causam ainda mais dor a ele.   Nós não queremos ser conselheiros assim com nossos irmãos que sofrem. E nós não precisamos de conselheiros assim quando nós estamos sofrendo.   Agora Bildade pega a tese dele e aplica do outro lado. Se quem peca é punido, quem fizer as coisas certinho será abençoado:   8:5-7—Mas, se você buscar a Deus e pedir misericórdia ao Todo-Poderoso, se você for puro e reto, ele, sem demora, despertará para ajudá-lo e restaurará a justiça da sua morada. O seu primeiro estado parecerá pequeno comparado com a grandeza do seu último estado.   Essa é a Teologia da Prosperidade em forma compacta. Seja bom e Deus vai restaurar. Não tem uma música famosa assim: “Restitui / Eu quero de volta o que é meu”?   Nós precisamos de uma resposta melhor para o problema do mal. Deus é justo. Isso é verdade. Mas simplesmente dizer que Deus é justo e cada um está recebendo nessa vida o que merece—quem faz o mal recebe o mal e quem faz o bem recebe o bem—isso é simplista demais.   • José amava o Senhor, mas foi vendido como escravo e foi preso injustamente. • Jó ama o Senhor, e o sofrimento dele não é por causa de um pecado dele, como nós sabemos pelos capítulos 1 e 2. • Jesus amou perfeitamente a Deus, e sofreu como ninguém.   Cristão, não use essa teologia de Bildade para ler o seu sofrimento e o sofrimentos dos outros.   Sim, Deus nos corrige e nos disciplina. Mas nem todo sofrimento é consequência de um pecado seu. Bildade não tem uma categoria na teologia dele para pessoas que amam a Deus e sofrem porque Deus tem bons propósitos com aquele sofrimento: de santificar você, de aproximar você dele, de equipar você para ajudar outras pessoas que também sofrem, de mostrar a graça dele sustentando você na aflição.   Nós precisamos de uma resposta melhor do que a de Bildade para lidar com o problema do mal.   Mas Bildade tem os pensamentos bem-organizados. Ele vai defender a tese dele usando a tradição. Elifaz (o primeiro amigo) apelou para uma visão que ele teve. Bildade apela para o passado.   3.     TRADIÇÃO (vv. 8-10)   Jó 8—[8] Por favor, pergunte agora aos que são de gerações passadas e atente para a experiência dos pais deles... [10] Será que os pais não o ensinarão, falando com você?   “As gerações passadas—nossos pais e avós—acreditavam no que eu estou falando, Jó. Você precisa acreditar também, Jó”.   Bildade está dizendo que a teologia dele é antiga. E por isso, ele é verdadeira.   Mas nossas tradições não são infalíveis. Elas podem  ser úteis, mas elas não são infalíveis.   NOSSA RELAÇÃO COM A TRADIÇÃO: DOIS PROBLEMAS Nós precisamos fugir de dois erros quando estávamos lidando com o passado—com as nossas tradições:   O primeiro erro é IGNORAR o passado.   Subestimar as tradições. Pensar que o mais novo é sempre melhor. Esse é um perigo especialmente no nosso mundo tão tecnológico.   O Iphone 17 é melhor do que o Iphone 16, então tudo o que vem depois é melhor do que aquilo que veio antes. Esse é um pensamento perigoso. No caso do Iphone, pode ser, mas existe muita sabedoria no passado. E existem tolices no presente.   Se vocês, crianças e jovens, forem sábios, vocês vão fazer muitas perguntas para os mais velhos e considerarem o que eles têm a dizer. Existe valor na tradição. Se nós, como igreja, formos humildes o suficiente para aprender com aqueles que vieram antes de nós—com os Reformadores, os Puritanos, os Batistas dos séculos anteriores, nós seremos grandemente abençoados.   Mas se um primeiro erro é subestimar a tradição, um segundo erro é superestimar.   Elevar a tradição a uma posição acima da Palavra de Deus.   Eu fiquei sabendo esses dias de um homem que foi embora revoltado de uma igreja batista porque o pastor estava ensinando que a igreja deveria ser liderada por um grupo de homens em vez de ter um único pastor.   O pastor mostrou na Bíblia que o modelo do Novo Testamento para uma igreja local é que ela seja liderada por um grupo de homens biblicamente qualificados. O homem que foi embora dizendo: “Eu sei que isso é bíblico, mas isso não é batista”.   Esse homem criou na mente dele uma tradição e ele ficou tão preso à ela, que ele não estava aberto a ser moldado pela Palavra de Deus.   O que é irônico é que os batista do passado diriam que é bíblico, sim, ter um grupo de homens liderando a igreja. Se esse homem tivesse voltado ainda mais no passado, ele veria que o pastor, além de bíblico, era batista também.   O argumento de Bildade tem o mesmo problema. Ele apela a tradição como se ela fosse uma prova da teologia ruim dele.   A tradição deve ter seu lugar certo: visível e acessível—onde nós podemos observar, mas sempre debaixo da Bíblia, nossa autoridade máxima.   • Nós cremos que Deus é soberano na salvação, não porque os Reformadores disseram. Mas porque eles disseram o que está na Bíblia. • Nós batizamos aqueles que professam fé em Cristo, não porque nós somos batistas. Mas porque está na Bíblia.   Tradições são úteis. Infalível, só a Bíblia.   E agora Bildade vai usar a natureza para ilustrar a teologia dele e o que está acontecendo com Jó.   4.     ILUSTRAÇÃO: NATUREZA (vv. 11-19) • A partir do versículo 11, Bildade fala dos ímpios secando como plantas sem água. O papiro e o junco crescem em um ambiente úmido. Mas se você tirá-los desse ambiente, eles secam rápido e morrem. Os ímpios secam de repente também quando eles pecam e Deus tira as bençãos deles. • No versículo 14, Bildade compara a confiança dos ímpios com uma teia de aranha. Se você se apoiar em uma teia, ela vai arrebentar. Ela é muito frágil. A mesma coisa foi acontecer com aqueles que não confiam em Deus, eles não vão resistir. A esperança deles vai se partir como uma teia. • E no versículo 16, ele compara os incrédulos com uma de uma planta viçosa, grande, que parece firme (inabalável)—parece que estão bem, mas que quando é arrancada, ela não deixa rastro. É isso que acontece com aqueles que não temem a Deus. Deus irá arrancá-los da terra e não irá sobrar nada.   Essa é a explicação (errada!) de Bildade para o enorme sofrimento de Jó. Ele pecou, Deus fez ele secar como uma planta sem água. Deus fez a esperança dele arrebentar como uma teia de aranha. Deus arrancou as bençãos deles da terra.   Nós sabemos que nada disso é verdade. E Como Bildade é organizado, ele conclui com uma conclusão.   5.     CONCLUSÃO (vv. 20-22) O resumo da teologia dele:   8:20—Eis que Deus não rejeita o íntegro, nem toma os malfeitores pela mão.   Ele aplica a tese dela agora aos dois grupos. Primeiro: o que Deus faz com o íntegro?   8:21—Ele encherá a sua boca de riso e os seus lábios de alegria.   Segundo grupo: o que Deus faz com os malfeitores?   8:22—Os que o odeiam se cobrirão de vergonha, e a tenda dos ímpios não subsistirá.   Na eternidade, isso é verdade. Alegria para aqueles que creem em Cristo. Vergonha e condenação para aqueles que não creem.   Mas de acordo com Bildade, nesse mundo e nessa vida, Deus NUNCA faz o íntegro sofrer, Deus SEMPRE pune o malfeitor.   Esse sistema teológico do Bildade. O sistema da dupla retribuição: coisas boas acontecem para quem é bom, coisas más acontecem para quem é mal.   Então, se Jó está recebendo o mal, é porque ele não é íntegro.   Sabe o que é irônico? O livro de Jó começa dizendo, logo no versículo 1, que Jó era um homem íntegro e reto, que temia a Deus. Mas Bildade não tem uma categoria para pessoas que amam muito a Deus e sofrem muito.   Mas nós não podemos nos esquecer! Bildade é amigo de Jó. Ele acha que está fazendo o bem para Jó. Ele quer convencer Jó que ele está sofrendo por causa do pecado dele para ele se arrepender, pedir perdão a Deus, a vida dele voltar a ser um mar de rosas.   “Jó, tem uma esperança: se arrependa, abandone o seu pecado e Deus vai ‘restituir o que é seu’”.   Esse é o conselho de Bildade. Vejam como uma visão errada sobre Deus e como ele governa o mundo têm consequências sérias e eternas.   O que vem à nossa mente quando nós pensamos sobre Deus é realmente a coisa mais importante sobre nós.   Nós precisamos de uma teologia mais robusta para lidar com o mal e o nosso sofrimento na nossa vida e no mundo.   A teologia de Bildade pode ser bem quadradinha. Simples. Bem-organizada. Mas ela é bem-errada também. Ela não é verdadeira.   POPULAR E PERIGOSA Mas ela é bem popular.   Ela é popular no Brasil, na África e ao redor do mundo. Ela é como um vírus comum no ar: se nossa imunidade espiritual não estiver boa, nós podemos facilmente ser infectados por essa teologia. Nós precisamos ficar atentos aos nossos pensamentos.   Por exemplo, se alguma coisa não dá certo na minha vida: o meu carro quebra, eu recebo menos dinheiro naquele mês do que eu imaginei, os problemas de relacionamento que eu tenho não se resolvem, se a minha vida está difícil, pensamentos do tipo podem começar a me infectar:   “Deus não está sendo justo. Deus não está me amando como ele deveria. Eu faço as coisas para Deus, e olha o que ele está me dando em troca”.   Esses pensamentos vem da teologia de Bildade. A teologia da barganha: ande na linha, e Deus dá prosperidade. Pise na bola, e na hora ele derruba você.   ATÉ OS DISCÍPULOS O vírus dessa teologia está tão espalhado no ar, que até os discípulos do Senhor Jesus acabaram sendo infectados no ar de Jerusalém.   Jesus e os discípulos estavam caminhando e viram um homem cego. Eles param Jesus e perguntam:   [2] (...) — Mestre, quem pecou para que este homem nascesse cego? Ele ou os pais dele?   Eles veem um homem cego de nascença—alguém que sofre. E na mente deles, só existe uma opção: alguém pecou—ou ele ou os pais, mas alguém pecou.   Não é esse o sistema de Bildade? Coisas ruins acontecem só com pessoas ruins.   Mas a teologia de Jesus é muito melhor. Ela é centrada na glória do Pai dele.   [3] Jesus respondeu: — Nem ele pecou, nem os pais dele; mas isso aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus (João 9:1-3).   Deus usa o sofrimento para manifestar as obras dele. Deus é tão poderoso e tão bondoso e tão infinitamente sábio, que ele é capaz de usar o mal para o bem.   Nós precisamos guardar nossos pensamentos para não pensar como Bildade e os pregadores da prosperidade, e pensarmos como Jesus.   Como pecadores e sofredores, nós precisamos de uma mensagem melhor do que a mensagem de Bildade: “Deus é justo. Os bons recebem o bem e os maus recebem o mal. Ponto”.   Essa mensagem não traz nenhuma esperança para quem peca e nenhum conforto para quem sofre. Mas graças a Deus, a Bíblia tem uma outra mensagem. Uma mensagem muito melhor!   Deus certamente é justo. Nisso, Bildade está certo. Mas Bildade diminui Deus. Ele é também o Deus:   (...) Compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a maldade, a transgressão e o pecado (Êxodo 34:5-7).   Bildade não conhece esse Deus.   Na teologia de Bildade não existe espaço para graça. Tudo é baseado no que você faz. E se não tem espaço para graça, então não pode existir uma pessoa que queira (por pura graça) ser punida no lugar de outra pessoa.   Não é isso que Bildade está dizendo? Que inocentes não sofrem?   Essa teologia não tem lugar para um Salvador inocente que sofre (por nós!) mesmo sem nunca ter pecado. Jesus não cabe na teologia de Bildade.   E uma teologia que não tem lugar para Jesus não serve para nada, a não ser jogar fora. Nós precisamos de uma teologia que tenha lugar para uma cruz—para um homem perfeitamente íntegro que sofre como um sacrifício inocente no nosso lugar.   Uma teologia sem cruz não pode salvar. Uma teologia sem Jesus, nós não queremos.   Mas graças a Deus que Deus é muito maior do que Bildade e qualquer um pode imaginar. Ele criou um plano, desde a eternidade, para continuar sendo justo e ser o justificador (perdoador) de pecadores como nós. Só a infinita sabedoria de Deus para fazer isso!   E o plano é esse: ele mesmo—o Deus inocente—se faz homem como você, vive uma vida justa no seu lugar e depois vai para um cruz sofrer pelos seus pecados.   Assim, Deus pune o seu pecado em Jesus—e ele continua sendo justo, e Deus perdoa você e continua sendo gracioso.   Existem mistérios na maneira como Deus governa o mundo. Nenhum de nós entende tudo o que Deus está fazendo. Mas quando o mal bater à nossa porta, nós precisamos de uma teologia que tenha uma cruz—onde um Deus poderoso e bondoso e inocente sofre o mal para nos salvar.   Essa é a mensagem que cada um de nós precisa. Confie e continue confiando que Jesus, o Inocente, foi julgado e morto no seu ligar, e Deus declara você perdoado e justo como Jesus. Inocente.   Vocês percebem como a cruz de Cristo é a resposta final de Deus para o problema do mal. Deus derrotou o mal na cruz no corpo de Cristo. Deus usou o mal—Satanás, Judas, judeus, romanos—para derrotar o próprio mal. Esse é o Deus poderoso e bondoso que governa esse mundo e a nossa vida.   Pendurado no madeiro, com um só golpe, Jesus paga o mal do nosso pecado e derrota Satanás, o Maligno.   E ele continua, de forma misteriosa e maravilhosa, usando o mal para propósitos bons.   A existência do mal não prova que Deus não existe. A existência do mal é o palco que Deus usa para mostrar ainda mais que ele existe. O Deus absolutamente santo usa o mal e o pecado para mostrar as obras dele—quem ele é, especialmente através do maior mal que já foi feito nesse mundo: a crucificação do Filho de Deus.   E se Deus usou um sofrimento tão grande como o do Senhor Jesus para trazer um bem tão grande quanto a nossa eterna salvação, então ele pode (e vai!) usar o seu sofrimento para trazer o bem.   Essa é a mensagem nos dá conforto e esperança.   Nós queremos justiça. Mas nós queremos graça também. Nós precisamos de graça. E na cruz do nosso Salvador inocente, a justiça e a graça de Deus se encontram. Para a nossa alegria e para a glória dele. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Jó 8: O Problema do Mal e a Justiça de Deus

O problema do mal não é um desafio para os filósofos se divertirem. O problema do mal é um problema real que todos nós sentimos na pele. Como Jó.

Read More
15 de Fevereiro de 2026 – IBJM A frase “É bom demais para ser verdade” se encaixa perfeitamente no texto que temos em mãos porque as afirmações do apóstolo Paulo neste trecho são grandiosas demais para a compreensão do homem natural.   Está escrito, e por isso cremos, que Deus quer ter seres humanos com Ele, como filhos (v. 5), sendo que Ele tem um Filho eterno (v. 3), com quem tem comunhão desde a eternidade. Como entender isso?   Também está escrito, e por isso cremos, que Deus quer salvar esses homens, que são pecadores (v. 7). Dito de outra forma, os homens ofenderam a dignidade de Deus, fizeram pouco da Sua glória, que, segundo John Piper é a soma da grandeza de Deus, a beleza de Deus e Seu infinito valor. Como entender isso?   Desde o dia do pecado (Gênesis 3.6), o propósito para o qual o homem foi criado, manifestar a glória de Deus (Isaías 43.7) foi perdido. Gênesis 1.28 diz: “... Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra...”  Encher a terra significa espalhar a glória de Deus sobre toda a Terra, como Habacuque bem disse (Habacuque 2.14). Mas como espalhar a glória de Deus se a Bíblia diz que “... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ? (Romanos 3.23)   Algumas frases ditas pelo homem natural demonstram, claramente, que ele perdeu a noção de que existe para a glória de Deus. Algumas: “Morreu, acabou!”, sendo que não acabou. A morte é o começo da eternidade, com Deus ou sem Ele; “Sextou”, quando essa frase quer dizer “vou perder o bom senso por dois dias e só vou tentar me conectar com a realidade novamente no domingo à noite”; “Deus não existe, é uma invenção do homem”; “Deus está morto”.   Chegamos, então, ao ponto de entender que Deus não pode querer nos adotar como filhos, nem pode salvar pecadores, e a manifestação da glória de Deus por parte da criatura não é mais possível. Três coisas impossíveis de acontecer.   O texto de Efésios em foco trata de como Deus torna o impossível possível e o porquê disso.   A base do texto está na expressão “em Cristo” que significa, para Paulo, a ligação indestrutível entre Deus, através de Seu Filho, Jesus, e homens pecadores. Os crentes estão unidos a Cristo de uma maneira que é impossível não estarem (Romanos 8.35,38,39). A expressão “em Cristo” aparece, neste excerto, 10 vezes em 12 versículos (vv. 3,4,5,6,7,9,10,11,12,13). Paulo repetir 10 vezes a mesma expressão significa que ele cria que, à parte de Cristo, não há possibilidade alguma de que as coisas que ele cita sejam possíveis (a filiação do homem a Deus, a redenção de pecadores e a manifestação da glória de Deus por parte da criatura). Paulo não baseia a atuação de Deus no caráter do homem, não infere que Deus aja apoiado em cumprimento de metas humanas. Ele sabe que para Deus não há impossível (Lucas 1.37).   Para Paulo, estar em Cristo é o contrário de estar em Adão (Romanos 5.12,17). O caráter trinitário do trecho é identificável: 1) a obra do Pai, 3-6; 2) a obra do Filho, 7-12; 3) a obra do Espírito Santo, 13,14.   1) a obra do Pai, 3-6 Há um porquê para Deus desejar nossa companhia. O v. 3 diz que Deus é o Pai do Senhor Jesus. Ele é Pai eternamente. O teólogo inglês Michael Reeves, em seu livro “Deleitando-se na Trindade”, afirma que a criação é o transbordar do amor de Deus. É como se Deus não pudesse Se conter; Ele criou para fazer o que faz de melhor: amar. 
 Seu amor é suficiente para Ele, na criação, abençoar a criatura (Gênesis 1.27,28: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou  e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra... ). A palavra “abençoou”, na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento), é a mesma palavra usada em Efésios 1.3 para dizer que Deus é bendito. Abençoar e bendizer querem dizer “falar bem”. A criatura bendiz o Criador, isto é, reconhece que Ele é o único digno de ser bendito, ou seja, o único a respeito do qual se deve falar bem ( Εὐλογητὸς , eulogetos. Εὐ = bom, bem; λογητὸς = palavra, falar), por causa de Seu caráter imutável e de Seus motivos, intenções e propósitos sem mistura.   Acontece que Ele abençoa, ou seja, fala bem da Sua criatura, criada à Sua imagem, porque esta haveria de refletir a glória de Deus – não havia pecado ainda; está-se falando de Gênesis 1. Não se trata de equiparar Deus e a criatura, mas de salientar, no caso de Deus, Seu caráter, e, no caso da criatura, sua missão. Quando a criatura fala bem de Deus está exaltando a glória de Deus; quando Deus fala bem da criatura está exaltando Sua própria glória, que o homem deveria proclamar. Num caso e no outro, o importante é a glória de Deus.   O estranho é Efésios 1.3 dizer que Deus “... nos abençoou  com todas as bênçãos  espirituais nos lugares celestiais em Cristo” . A palavra “abençoou” e a palavra “bênçãos” também são a mesma palavra que o “bendito” do início do versículo, no grego. Como pode ser? A criatura caiu em pecado e sua justiça está longe da justiça de Deus; é chamada de “... trapo de imundícia...” , em Isaías 64.6.   A solução está na parte final do verso: “... nos lugares celestiais em Cristo” . Já foi dito que “em Cristo” quer dizer unido a Ele com uma ligação que não pode ser rompida. A frase “... nos abençoou... nos lugares celestiais em Cristo”  quer dizer: Cristo está sentado como Rei no trono ao lado do Pai nos lugares celestiais. Nossa união com Ele nos leva, espiritualmente ressuscitados, a desfrutar a comunhão com Cristo (Efésios 2.6). É o reino da experiência espiritual; não é um lugar físico, mas uma região de realidades e experiências espirituais. É o ponto em que a vida terrena com sua miséria foi invadida pelo poder do céu. É o lugar onde, efetivamente, os crentes estão. É bom notar que só se pode estar nos lugares celestiais se for “em Cristo”.   Esse lugar, esse ponto, também é onde se pode ter vitória contra as regiões celestiais do mal, Efésios 6.12. Ou seja: lutar contra o inimigo da alma humana só é possível com a certeza da união com Cristo.   Paulo está se referindo à realidade em que Deus fala palavras de perdão e limpeza para os salvos. Como pode ser? Isso chega ao ponto de Deus dizer, para quem está em Cristo, a mesma palavra que dissera antes do pecado, para Adão. Em outras palavras, o Pai reconhece a obra de Cristo na cruz como eficaz para eliminar a condenação do pecado , o poder do pecado  e a presença do pecado , quando observa Seus filhos eleitos. É claro que os homens continuam pecando na vida deste lado da eternidade, mas “... Deus... chama as coisas que não são como se já fossem”  (Romanos 4.17).   A palavra humana não tem poder para mudar a situação do homem em pecado, mas a Palavra de Deus cria aquilo que ela ordena (Gênesis 1.3; Salmo 33.9; João 11.43,44. O último texto citado fala da ressurreição de Lázaro. A palavra de Jesus criou vida para o morto. É isso que significa “o Senhor nos abençoou”: é nova vida, vida eterna.   O homem, morto em seus delitos e pecado (Efésios 2.1), pode voltar a viver; há esperança. A condição: estar em Cristo. A nova criação (II Coríntios 4.6) é muito mais difícil que a primeira, em Gênesis 1. Esta foi criada do nada, aquela, de uma massa putrefata. Esta foi criada externamente, aquela precisou que Deus entrasse no homem para Ele mesmo resplandecer porque as trevas do pecado são as maiores que jamais existiram. A mesma luz a respeito da qual Apocalipse 21.23 diz: “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado e o Cordeiro é a sua lâmpada” . A primeira criação não precisou que o Filho de Deus morresse; a segunda custou a vida de Jesus, o Deus-Homem.   Como Deus faz isso? Em duas etapas: uma antes da fundação do mundo e outra no tempo estabelecido por Ele para salvação de cada um.   Salvação Promulgada antes do Tempo, 1.4-6 Eleição (ou escolha, na NAA) e predestinação são dois termos bíblicos; portanto, não há como negar que sejam reais e verdadeiros em si mesmos. O problema é a interpretação humana do que sejam um e outro.   Eleição e predestinação estão ligadas à eternidade porque a Bíblia diz em Efésios 1.4,5 que foi antes da fundação do mundo que esses conceitos nasceram. E nasceram por causa da vontade do Pai (v. 11), que foi quem elegeu (isso está escrito, não há como negar), e nos elegeu em Cristo, isto é, a eleição não depende do que o homem faz ou venha a fazer, mas de quem Cristo é – Ele é da mesma essência que o Pai; por isso, digno de ser colocado pelo Pai na condição de Mediador entre a ira do Pai e a condição miserável do pecador. Cristo é a razão da eleição. Dito de outra forma: ninguém pode ser eleito por causa de qualquer coisa que seja ou faça, mas pode ser eleito por causa da dignidade do Filho, escolhido pelo Pai para essa obra. O Pai e o Filho concordaram na eternidade a respeito das pessoas que eles, depois da criação, desejavam salvar – e vão salvar.   Não quer dizer que o ser humano seja passivo e seja obrigado a aceitar, sem exercitar a razão, aquilo que Deus decidiu. Pelo contrário, no processo de redenção Deus dá ao homem a capacidade de querer ser salvo. Deus muda a disposição do coração do homem, de maneira que este passa a querer aquilo que Deus tem para ele, quando antes não queria. O coração, antes cheio de ira contra Deus, reage ao amor de Deus, amando-O (I João 4.19).   Embora eleição e predestinação sejam conceitos muito próximos, há uma sutil diferença entre eles ( “... nos elegeu... , v.4, e nos predestinou...” , v. 5. São duas ações de Deus). A eleição  é o ato da escolha em si de determinadas pessoas. A eleição tem um para quê : tornar o eleito “santo e irrepreensível” (1.4), isto é, torná-lo aquilo que ele nunca foi, e nunca desejou ser, mas agora deseja, fugindo da corrupção do mundo para a santidade que reconhece nAquele que o salvou.   A predestinação  diz respeito ao propósito da eleição que é tornar o salvo um filho de Deus (1.5), não com características próprias que sejam agradáveis a Deus, mas com as características do Filho eterno (Romanos 8.29; I Jo 3.2). É ou não é inacreditável?   A resposta humana é “louvor da glória da sua graça”  (1.6). A graça está no plano de Deus em querer salvar pecadores, enviando Seu Filho (João 3.16). Eleição e predestinação, que resultam em nossa adoção como filhos e fornecem a base para uma vida santa e irrepreensível, expõem a majestade superlativa da graça, glória, sabedoria e poder de Deus. Elas estão de acordo com o bom prazer da vontade de Deus (v. 9). A vontade ou desejo de Deus em nos levar à filiação não é por mérito que possuamos, mas surge de sua pura bondade, originando-se única e exclusivamente da liberdade de seus pensamentos e deliberação amorosa (v. 11).   Louvor da glória da sua graça quer dizer adoração ao “... Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus”  (I Timóteo 1.17).   2) a obra do Filho, 7-12 Temos a redenção em Jesus, o Filho (v. 7). A redenção é um ato de conciliação com Deus, ou seja, duas partes inimigas, Deus e o homem (Isaías 63.3; Romanos 5.10), entram em acordo para poderem viver em comunhão (Amós 3.3). A condição que precisa ser superada é a ira de Deus, que se manifesta do céu “sobre toda impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça”  (Romanos 1.18), ou seja, sobre todos os homens. A necessidade é voltar a ter comunhão com Deus para ficar livre da Sua ira no dia do juízo: I Tessalonicenses 1.9,10. A restauração da comunhão entre Deus e o homem está na obediência do Filho em querer humilhar-Se, tornando-Se homem (Filipenses 2.6,7), sendo obediente até à morte (Filipenses 2.8), ressuscitando e subindo para sentar-Se no trono ao lado do Pai, de onde rege o universo com poder e sabedoria infinitos.   A redenção, ou conciliação, é feita através de dois atos: a expiação e a propiciação. A expiação  é o ato da morte de um animal em lugar do homem, que é o verdadeiro pecador. No Antigo Testamento , Levítico 16.11. No Novo Testamento , Jesus: Hebreus 2.17. A  expiação tem a ver com remover algo ou tirar algo. Em termos bíblicos, trata-se de remover a culpa por meio do pagamento de uma penalidade ou da oferta de um sacrifício.   Em contraste, a propiciação   tem a ver com o fato de Deus deixar de ter inimizade com o homem, mas passar a ser a favor do homem, por causa do sangue derramado na expiação. No Antigo Testamento : Levítico 16.14. No Novo Testamento : Romanos 3.24,25. Jesus apresentou Seu sangue ao Pai para ser a causa da eterna redenção dos pecadores: Hebreus 9.12,14,24. Através do processo de propiciação, somos restaurados em comunhão e favor nEle.   Em conjunto, a expiação e a propiciação são os passos da conciliação. v. 7: lê-se que a oferta que Jesus fez de Si mesmo, através do derramamento de Seu sangue, manifestou Sua graça sobre os homens, graça que o verso 8 chama de abundante.   A obra de Jesus, no entanto, é muito maior do que a salvação dos homens. É de se notar que em Gênesis 3.17 Deus diz “... maldita é a terra por causa de ti” , repreendendo Adão. Mas não apenas a terra se tornou maldita por causa do pecado de Adão; toda a criação foi contaminada por causa da desobediência do primeiro homem: Romanos 8.19-23.   Deus, através de Cristo, quer restaurar toda a criação; é o que diz 1.9,10. Deus quer tornar a congregar em Cristo todas as coisas, porque todas as coisas foram feitas para o Filho. A redenção de Jesus, portanto, atende a esse propósito: II Pedro 3.13. O glorioso resultado: Apocalipse 5.12,13, texto que diz que vamos ouvir toda criatura do céu, da terra, de debaixo da terra e do mar cantando; é inacreditável, mas a obra de Jesus é ainda maior. O texto diz que as coisas que existem nessas esferas (céu, terra, debaixo da terra e mar) também vão cantar: cometas, o planeta Saturno, a areia da praia, as maçãs, os morangos, o ar, o monte Everest e a fossa Mariana.   O contrário desse cenário inacreditável é choro e ranger de dentes: Mt 25.30). Tudo, essa realidade impossível de ser entendida, é para os eleitos e predestinados: v. 11. Jesus é o Herdeiro “original” de todas as coisas: Hebreus 1.2. É justo. Ele venceu. Mas... pecadores serem herdeiros? O inconcebível: Gálatas 4.6,7; Apocalipse 3.21.   v. 12: a glória de Cristo, que é eterna, foi vista por homens pecadores: João 1.14. João diz isso do tempo em que Jesus estava vestido da natureza humana passível de morrer, como, de fato, morreu. Foi um vislumbre da glória. Mas todo vestígio de fraqueza desapareceu após Sua ressurreição, e os eleitos e predestinados verão a totalidade da Sua glória, como Homem, quando Ele voltar: I João 3.2; II Tessalonicenses 1.10   3) a obra do Espírito Santo, 13,14. O Espírito Santo é a Pessoa da Trindade, na economia da Trindade, isto é, no plano de salvação de Deus, responsável por entrar no pecador para convencê-lo de três coisas muito importantes: João 16.8: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo” .   Qual é o pecado? João 16.9: “... não creem em mim” .   O que é a justiça? “João 16.10: “... vou para meu Pai...”  Em outras palavras, Jesus estava inaugurando um caminho que estava fechado desde Gênesis 3.23: “O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden...”  É um novo e vivo caminho: Hebreus 10.20.   O que é o juízo? João 16.11: “... o príncipe deste mundo está julgado” . O Espírito Santo aponta para Cristo: João 16.14. O v. 13 indica o caminho para a salvação:   a. ouvir a palavra da verdade . Ouvir a palavra da verdade é a única forma de salvação: Romanos 10.13,14; Dt 30.19.   b. crer no que foi pregado . Jesus ensinou, desde o início do seu ministério, o que fazer para a salvação: Mc 1.15. Também, respondendo a um questionamento da multidão que o acompanhava (João 6.28: “... Que faremos  para executarmos as obras de Deus?” ), disse: João 6.29: “... A obra de Deus é esta: que creiais  naquele que ele enviou” .   Fé é mais que mera confiança, é mais que uma compreensão meramente intelectual de um fato; é a resposta obediente às exigências divinas de arrepender-se dos pecados e entregar a vida para Deus. O objetivo da fé é Cristo, é crescer em santidade para a semelhança cada vez maior com Cristo: Efésios 4.12,13. Em outras palavras, a vida da pessoa é transformada de glória em glória, quando ela contempla a glória de Cristo na Palavra de Deus: II Coríntios 3.18 .   c. ser selado com o Espírito Santo . O selo é a garantia do crente no dia final: Efésios 4.30 . O Espírito Santo é o selo que garante o cumprimento da promessa de Deus (I João 2.25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” ). O selo é a garantia de que a salvação, para quem a alcança, não pode ser perdida (v. 13).   Ser selado significa, primeiro, ser atestado ou declarado genuíno. Wesley diz que selar indica “total impressão da imagem de Deus na alma do crente”. Ser selado pelo Espírito Santo significa, segundo, pertencimento total a Cristo; não sermos mais propriedade nossa, mas propriedade dEle: Gálatas 2.20; I Coríntios 6.19,20. v. 14. Penhor: “e ntrega de bem como garantia de cumprimento de obrigação; tudo aquilo que assegura o cumprimento de uma promessa”. O sinal ou pagamento parcial é a garantia de que depois haverá o pagamento total; a coisa dada está relacionada com a coisa garantida— o presente com o futuro —, como a parte com o todo.   A presença do Espírito é a garantia de que, no dia da redenção, os crentes têm assegurada a entrada no reino do Senhor porque são possessão de Deus (v. 14), e toda mão estranha que ainda pode estar sobre a vida do crente será tirada (prisão, perseguição, opressão).   Em meio às tribulações e dúvidas que se podem ter neste lado do céu (porque “... em esperança somos salvos...” , Romanos 8.24), o Espírito é a garantia de que não se perderão os que creem no Senhor Jesus: Romanos 8.15,16.   O dom presente do Espírito é só uma pequena fração do dom futuro. Romanos 8.23 também expressa ideia semelhante: “... nós... que temos as primícias do Espírito , igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” . Temos uma parte, e gememos; um dia teremos o todo, e não gemeremos mais: Apocalipse 21.4: “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” .   Conclusão Essa graça, manifestada pela bendita Trindade, é cheia de glória, isto é, mostra o caráter de Deus, a grandeza de Seu poder  exposto através de um amor infinito e incondicional. Quão terrível seria um deus com todo o poder e sem amor; quão insuportável seria a vida.   Tudo que Deus faz tem infinito valor , valor eterno. A salvação é para sempre, assim como a perdição: Mateus 25.46.   Também fica claro a beleza  da Trindade, representada pela beleza de Cristo, o Deus-Homem, nosso representante na cruz e no céu. Na cruz não parecia haver beleza nenhuma: Isaías 52.14. Ele foi esmagado, “agradou (ao Pai) moê-lO”  (Isaías 53.10). Um Cordeiro morto, furado, sangrando. Nenhuma beleza.   Mas este Cordeiro também é um Leão vencedor (Apocalipse 5.5) que voltará, não mais na feiura do pecado que não era dEle, era nosso, mas cheio de glória: Mateus 24.30; 25.31; Lucas 9.26: “... o Filho do Homem (virá) na sua glória e na do Pai...”   Apocalipse 19.11-16: “¹¹ E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. ¹² E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito que ninguém sabia, senão ele mesmo. ¹³ E estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. ¹⁴ E seguiam-no os exércitos que há no céu em cavalos brancos e vestidos de linho fino, branco e puro. ¹⁵ E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. ¹⁶ E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” .   I Coríntios 10.31: “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a gloria de Deus” .     Não importa o quão profunda sejam as trevas que assolem um pecador: o amor de Deus, a redenção do Senhor Jesus e o testemunho do Espírito Santo são mais poderosos que qualquer nível de perdição.   John Newton, um homem que tratava outros homens como sub-homens, porque era mercador de escravos, foi alcançado pela graça infinita de Deus, tornou-se pastor e foi importante na vida de muitas pessoas, através da pregação da Palavra e do aconselhamento bíblico. Deus elege e salva quem Ele quer. John Newton escreveu um dos hinos mais famosos e lindos da História: Amazing grace (graça maravilhosa). A primeira estrofe diz:   Graça maravilhosa (quão doce é este som) Que salvou um miserável como eu Eu, uma vez, estive perdido, mas agora fui achado Era cego, mas agora eu vejo   Alguém disse: “Minha memória está quase desparecendo, mas lembro de duas coisas: que sou um grande pecador e que Cristo é um grande Salvador”. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Efésios 1:3-14: O Propósito da Vida

A base do texto está na expressão “em Cristo” que significa, para Paulo, a ligação indestrutível entre Deus, através de Seu Filho, Jesus, e homens pecadores.

E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem. É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir.

Read More
08 de Janeiro de 2026 – IBJM Esse texto é maravilhoso. Rico em teologia. Porém, muito rico também em prática. É uma mistura de teologia com vida cristã. Conhecimento com piedade. É possível ter muito conhecimento e não ter piedade. É possível ter uma cabeça tão cheia de informação e um coração tão vazio de transformação. 
 Nós precisamos nos atentar para nossa vida e ver se o conhecimento que temos de Cristo e da Sua Palavra tem nos transformado em pessoas humildes e piedosas. Diante da Palavra de Deus, nós precisamos nos humilhar. Humilhar nosso coração, nossa mente, nossas vontades, nossos desejos. Esse texto mostra exatamente isso, tomando como exemplo dessa humilhação o Deus em carne, Jesus Cristo.   O interesse do apóstolo Paulo é fortalecer a igreja convocando os filipenses a viverem em amor e humildade uns com os outros, assim como Cristo foi o exemplo de serviço amoroso e humilde em favor deles. 
 O encorajamento de Paulo era para que eles vivessem em Cristo. E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem. É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir. 
 A humilhação de Cristo O levou à exaltação. O caminho que nós percorremos é o mesmo. Quem se humilhar, será exaltado. 
 Vamos ver 3 pontos (que eu acabei de citar) nessa passagem para termos o mesmo modo de pensar: 1) para viver, 2) para crescer e 3) para receber.   PARA VIVER [hoje] – vv. 1-4   No capítulo 1, Paulo dá atenção aos inimigos externos da igreja, deixando clara a ameaça que a igreja sofre deste mundo hostil (1.28-30). No capítulo 2, Paulo muda a direção (a palavra “portanto” faz essa marcação) e começa a tratar de um problema tão ameaçador quanto, que é a divisão dentro da igreja. Se vocês querem vencer a hostilidade do mundo, os ataques e ameaças dele, vocês precisam permanecer unidos, juntos. Somente se estiverem unidos aqui dentro, é que poderão vencer lá fora.   Nos versos 1 e 2, Paulo traça um paralelo entre o amor de Cristo pela igreja (os crentes) e o amor dos crentes uns pelos outros. Vv.1-2: “Portanto, se existe alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão, 2 então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, e sendo unidos de alma e mente”. 
 Paulo está fazendo uma alusão ao interesse de Cristo pela Igreja, lembrando os filipenses da sua posição de crentes: vocês são amados por Cristo e estão em Cristo. E, sendo amados por Cristo e estando Nele, vocês se amam vivendo Nele.   Se existe “alguma exortação em Cristo” (encorajamento, como sentido mais próximo da palavra “exortação”), então tenham “o mesmo modo de pensar”. Se existe “alguma consolação de amor”, o amor que o Senhor da Igreja nutre pelo Seu povo, então tenham “o mesmo amor”. 
 Se existe “alguma comunhão do Espírito”, o Espírito em quem vocês foram batizados em um só corpo, unidos a Cristo e uns com os outros, então sejam “unidos de alma e mente”. Note que vivermos unidos uns com os outros, nos amando, nos encorajando, “tendo o mesmo modo de pensar” (não uma uniformidade intelectual monótona, mas uma unidade em amor, usando nossos dons [que são diversos] para a edificação da igreja, pensando em fazer tudo para a glória de Deus) só é possível porque Cristo nos ama, porque Ele nos une como Seu corpo. 
 Não existe outra maneira de um crente viver. Nosso modo de pensar é identificado na nossa demonstração de amor uns pelos outros, o quanto nos humilhamos em favor do próximo.   No meio desse paralelo entre o amor de Cristo e uns pelos outros, Paulo acrescenta (final do v.1): “se há profundo afeto e sentimento de compaixão”. Essa frase está ligando o amor de Cristo pelo Seu povo (v.1) com a vida prática desse amor no meio da igreja (v.2). Paulo está usando termos muito intensos aqui nessa conexão. “Profundo afeto” tem o sentido literal de “entranhas humanas”, ou seja, aquilo que representa a parte mais profunda, mais íntima, o sentimento mais intenso possível. Foi esse tipo de sentimento de compaixão, esse modo de pensar, que motivou Jesus a Se entregar pelo Seu povo (como veremos daqui a pouco). É um sentimento intensamente pessoal. Então, esse é o tipo de amor que tem que ser demonstrado no meio do povo de Deus. É esse amor que faz com que tenhamos o mesmo modo de pensar, que sejamos unidos de alma e mente. É esse amor, essa disposição de humildade que o Espírito aplica em nossos corações como uma marca da comunhão que temos com Ele.   Vv.3-4 Depois que Paulo faz esse apelo aos filipenses, ele coloca o ‘dedo na ferida’ deles, mostrando os males que estavam ameaçando a vida e a unidade da igreja, que estavam ameaçando o mesmo modo de pensar deles: egoísmo e vaidade. 
 V.3: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade...”. O egoísmo que Paulo acusa aqui nos leva para o Éden. O fruto que o pecado trouxe para Adão e Eva foi proteger seus próprios interesses. Eles acusaram o outro da sua falha, tentando camuflar seu pecado. “A culpa foi dela”; “a culpa foi dele”. Nada muito diferente de hoje. O egoísmo é uma doença espiritual que afeta todas as pessoas. Nós temos que tomar muito cuidado, vigiar a todo instante, pois caímos facilmente nas presas do egoísmo, de olharmos somente para nós mesmos. Nossa tendência nunca é assumir a culpa, mas colocá-la nos outros, numa tentativa de justificarmos nossos pecados. Quando ficamos irados e temos uma explosão de raiva; quando nos isolamos e não queremos falar com ninguém; quando reagimos com indiferença à necessidade de alguém; quando consideramos as oportunidades que temos para nos reunir como povo de Deus não são tão importantes. 
 Essas são manifestações que mostram o nosso egoísmo, nosso  orgulho, fruto do nosso pecado. Isso mostra uma realidade interior de quem está recebendo glória na nossa vida, se é Deus ou se somos nós mesmos.   O que nos leva ao segundo termo usado por Paulo, “vaidade”, que tem uma conotação mais profunda do que vaidade. Paulo está usando uma expressão que se aproxima mais de “vanglória”. Ao longo dessa carta, o apóstolo faz uso do termo “glória” com frequência, se referindo a Deus ou ao corpo ressurreto de Cristo. 
 Então, vanglória (a glória para si mesmo) é uma inclinação orgulhosa do homem para tomar o lugar de Deus em seu próprio coração. O egoísmo (próprio interesse) leva você à vanglória (a tomar o lugar que é de Deus). 
 Em Isaías 42.8 diz: “Eu sou o Senhor: este é o meu nome. Não darei a mais ninguém a minha glória...”. 
 Se Deus é tão claro em dizer que não dá a Sua glória a mais ninguém, por que insistimos em ter a glória Dele para nós? - Nossa falta de amor; - Falta de diligência no trabalho; - Nossa preguiça, postergando responsabilidades; - Falta de compromisso em sustentarmos a igreja, em servirmos os outros; - Nossa desobediência à Palavra de Deus, de não passarmos tempo com o Senhor diariamente em leitura e oração; - Crianças, quando vocês desobedecem aos seus pais; - Pais, quando vocês não instruem seus filhos na Palavra de Deus; - Jovens, solteiros, quando desconsideram o conselho de homens e mulheres mais maduros, ou se vocês se perdem nas impurezas das telas dos seus celulares e notebooks; - Todas essas são maneiras de dizermos que a glória é nossa, e não de Deus. 
 A vanglória tira nosso senso do interesse alheio, tira das outras pessoas a dignidade que elas têm por terem sido criadas à imagem de Deus. A vanglória destrói uma vida com o Senhor e destrói a vida comunitária da igreja.   A solução para isso é a humildade. 
 Vv.3-4: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, 4 não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros”. A mensagem é clara: a atitude de vocês, o interesse pelos outros, têm que ser humilde. É fazer o necessário para que eu não fira o meu irmão. Mais importante do que o que eu penso, é como eu posso amar mais meu irmão. Mais importante do que o que eu quero fazer, é como eu posso servir melhor meu irmão. Isso nos leva a ter o mesmo modo de pensar e, por consequência, nos leva a uma vida de humildade. Quando nos interessamos pelos interesses dos outros, quando amamos, servimos, estamos refletindo uma humildade santa e mostrando como nós somos vistos diante de Deus, como Suas criaturas, como Seus servos. A humildade nos coloca no nosso devido lugar. Se entendemos que toda a glória pertence a Deus, nossa atitude será de serviço humilde. A prática da humildade dá às outras pessoas a dignidade que elas têm como criadas à imagem de Deus. Essa é a prática que se espera existir no meio do povo de Deus. Considerar os outros superiores a si mesmo e ter em vista, também, os interesses do próximo, é um desafio para que vejamos a nós mesmos em nossa correta condição, como criaturas de Deus que foram criadas, não para reter a glória para si, mas para refletir a glória do Seu Criador.   - Se dispor a cuidar das marmitas para as famílias que acabaram de ter filhos; - Dar o seu dinheiro para ajudar no conserto do carro de um irmão que quebrou; - Usar seu tempo para caminhar junto, para discipular outras pessoas; - Cuidar de pessoas, famílias, que estão em conflito, sendo o elo de reconciliação entre elas; - Todas essas coisas exigem muito do nosso esforço, em renunciar planos, tempo com família, amigos; mas fazer tudo sem esperar nada em troca, por amor. Tenham o mesmo modo de pensar para viver.   PARA CRESCER [à imagem de Cristo] – vv. 5-8 O verso 5 faz a transição entre a maneira como temos que viver e o motivo pelo qual vivemos desse jeito. Cristo é o nosso exemplo, e vivemos tendo o mesmo modo de pensar para crescer à imagem Dele. V.5: “Tenham o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus...”. É como se Paulo estivesse pedindo para a igreja de Filipos completar a frase: “Tenham o mesmo modo de pensar...?” ... “De Cristo Jesus”. Isso mesmo. Correto. (Se você for ao acampamento nessa semana e brincar de torta na cara, atenção, é possível que você tenha que completar a frase...).   A palavra “pensar”, nesta carta, é uma palavra-chave. Ela significa a combinação de atividades intelectuais e afetivas, que toca tanto a mente como o coração, e conduz a uma ação positiva. Algumas traduções trazem a palavra ‘sentimento’; outras traduzem como ‘atitude’. O ponto é que o sentido do texto tem a conotação dessas duas coisas: sentimento e atitude. É uma atividade que toca em nossos afetos, sentimentos e no faz agir em favor de alguém. A partir do verso 6, nós vemos qual foi o sentimento de Cristo por nós que O fez agir em nosso favor. Qual foi o “modo de pensar de Cristo Jesus”.   No versículo 6, Paulo começa afirmando que Jesus é Deus (“... mesmo existindo na forma de Deus...”). “Forma” vem da palavra grega morphe, que significa a natureza verdadeira e exata de algo, que possui todas as características e qualidades de algo. O apóstolo está afirmando a divindade eterna de Cristo. Ter a forma de Deus é ser igual a Deus. Jesus é Deus. Agora, continuando o verso 6: “... mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. 7 Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos”. Percebam que no verso 7 Cristo assume uma outra forma, a forma de servo. Ele tem a forma de Deus e assume a forma de servo. Jesus é plenamente Deus e assume uma natureza plenamente humana. Porém, numa condição de servo. A palavra “forma” no verso 7 é a mesma usada no versículo 6. Então, assim como Jesus tem a natureza verdadeira e exata da divindade, com todas as suas características e qualidades, Ele assume a natureza verdadeira e exata da humanidade, com todas as suas características e qualidades. Jesus é, também, plenamente Homem. Ele é Deus e Homem. Cristo é o Deus-Homem. E a palavra “servo” tem, literalmente, o significado de escravo, alguém que está em sujeição. Ele recebe a forma de escravo. Cristo vai muito mais além do que podemos imaginar. Ele não somente se torna um homem, mas um homem em sujeição, um servo. 
 O Deus Criador se torna o Servo Sofredor. 
 Jesus “não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo”. O ser igual a Deus não O fez se apegar aos Seus privilégios divinos a todo custo. Ele não usou da Sua divindade como algo a ser explorado para o Seu próprio benefício ou vantagem. Em vez disso, o modo de pensar de Cristo Jesus foi de servir, de Se entregar. Ele considerou os nossos interesses mais importantes do que o Seu próprio interesse. O interesse de Cristo foi, durante toda a Sua vida, ser “desprezado e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores e que sabe o que é padecer. E, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is 53.3). Esse foi o “profundo afeto e sentimento de compaixão” que Jesus teve por nós, porque somente assim nós poderíamos ter sido salvos. E esse é o nosso alvo: termos o modo de pensar de Cristo para crescermos em nossa vida de santidade e sermos como Ele.   Quando Ele assume a forma de servo, Ele não deixa de ser Deus. V.7: “Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo...”. Cristo não perde Sua divindade quando encarna. Ele acrescenta a Si mesmo a natureza humana. 
 O esvaziamento de Cristo não faz Ele perder, mas ganhar. Ilustração: se você for a uma concessionária de veículos e pedir para fazer um test-drive com uma caminhonete 0km em uma estrada de terra depois de um dia de chuva (ou seja, lama). A caminhonete está brilhando, novinha. Você faz o test-drive e volta com o carro para a concessionária cheio de lama. A beleza do carro não foi destruída, nem mesmo diminuída, mas a sua beleza foi coberta pela lama. A glória do carro está tão presente nele como estava antes do test-drive, mas esta glória não pode ser vista pelo que é por causa da lama que a encobre. Receber a lama acrescentou algo que resulta na glória aparecer menos, enquanto, de fato, é apenas mais que foi acrescentado. A natureza humana de Cristo faz o papel da lama (mas sem pecado; é uma camada pura da humanidade): apenas encobre a glória da Sua divindade, sem excluí-la. Ele se esvazia como? Assumindo, acrescentando.   Agora, mesmo não perdendo Sua natureza divina, não significa que Ele não tenha tido alguma perda. Mateus 27.46 registra qual foi a perda de Cristo. Jesus clama na cruz: 
 
  “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”. 
 Essa foi a maior perda da História: Deus Pai abandonando o Deus Filho na cruz. Por um momento, o Filho Se sentiu distante, desamparado do Pai. O relacionamento tão profundo de amor um pelo outro, agora, em algum grau, está rompido. E Jesus quis fazer isso. Ele quis vir a esta terra, Se tornar um homem, um servo, sofrer e morrer em nosso lugar. Ninguém O obrigou.   Nós somos orgulhosos, egoístas demais para aceitar perder. Temos muita dificuldade para nos lembrar da vitória que temos garantida em Cristo diante de uma perda nesta terra. Jesus se dispôs a perder algo do céu (o relacionamento íntimo com o Pai) para vir a este mundo se tornar um Servo Sofredor. E nós não queremos perder algo desta terra, que tem prazo de validade, para alcançar o céu, que é eterno. As coisas terrenas ofuscam as coisas celestiais. As perdas da terra ofuscam o ganho do céu. Deus nos livre que nossos olhos espirituais tenham uma visão turva, embaçada daquilo que verdadeiramente nos importa. Não ganhar mais do que os outros; não ganhar uma discussão; não vencer uma batalha de egos; não querer mostrar mais inteligência; não querer ter mais reconhecimento. MAS GANHAR CRISTO. É isso o que importa. E fazemos todo o necessário para que esse seja o modelo da nossa vida.   Mas a humilhação de Jesus não para na Sua encarnação. (Parênteses): Não quero dizer que a humanidade é algo ruim. Ser um ser humano, em si, não é ruim. Deus criou o homem, e viu que era muito bom (Gn 1.31). Ele criou o homem perfeito e santo. A encarnação de Cristo é uma humilhação pelo fato do Criador ter que se igualar à Sua criação; do Deus Altíssimo ter que descer ao nível da criatura. Nunca ninguém desceu tão baixo como Jesus, porque nunca ninguém veio de tão alto como Ele. Nunca ninguém saiu da luz de Deus para a escuridão da morte, como o Salmo 18.9 diz: “Ele baixou os céus e desceu, e teve sob os pés densa escuridão”. E este é o ápice da humilhação de Cristo: a Sua morte. 
 Final do verso 7-8: “E, reconhecido em figura humana, 8 ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. 
 Jesus não se humilhou até a morte apenas, mas até a morte de cruz, a morte amaldiçoada, pública e vergonhosa. Morrer na cruz era uma punição severa para os homens, mas também era estar debaixo da maldição de Deus. 
 Paulo, escrevendo aos Gálatas, diz: 
 
 “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar – porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro’” (Gl 3.13). 
 A humilhação era tanta, que o próprio Cristo diz, como está no Salmo 22: 
 
 “Mas eu sou verme e não um ser humano; afrontado pelos homens e desprezado pelo povo. 7 Todos os que me veem zombam de mim; fazem caretas e balançam a cabeça, dizendo: 8 ‘Confiou no Senhor! Ele que o livre! Salve-o, pois nele tem prazer’” (vv. 6-8).   Já pararam para pensar a que ponto Jesus se submeteu? Quão profunda foi a Sua obediência, se colocando debaixo da ira santa do Pai? Tornando-se um servo com o propósito de beber cada gota do cálice da ira de Deus? O nosso Senhor se submeteu a tudo isso por nossa causa. Is 53.5-7,10: “... ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas somos sarados. 6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele [e não sobre nós] a iniquidade de todos nós. 7 Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. 10 [...] Ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer”.   Em nenhuma religião o deus falso dessa falsa religião dá a sua vida por alguém. São apenas exigências. “Faça isso”, “faça aquilo”, mas não existe um modelo perfeito. Tudo é sempre centrado no homem. O cristianismo tira esse peso dos nossos ombros. Ele é a única religião verdadeira, onde o próprio Deus dá a Sua vida pelos Seus escolhidos. Existem muitas exigências, mas todas elas foram cumpridas pela obediência perfeita de Cristo e, na cruz, todas elas foram consumadas, quando Jesus bradou: “Está consumado!”. Jesus foi obediente em tudo o que o Pai exigiu do Seu povo e, agora, em Cristo, você pode ser visto por Deus como alguém que obedece perfeitamente a Sua Palavra, por meio de Cristo e por causa da Sua obra na cruz. Agora, nós podemos viver vidas transformadas.   Crente, se você tem vivido na prática de algum pecado, arrependa-se dele, olhe para o Cristo fez e imite o Seu Redentor. Você pode crescer no modo de pensar de Cristo se você O imitar, se andar como Ele andou. E se você está aqui hoje e não é um crente, não confessa Cristo como o Seu Salvador, meu apelo a você agora é: arrependa-se dos seus pecados e coloque a sua fé em Jesus. Creia Nele hoje! Não espere ter uma vida melhor, curtir a juventude, conquistar bens, carreira ou alguma formação. A mensagem do evangelho é uma mensagem urgente: esse Cristo que morreu, também ressuscitou e subiu ao céu. E Ele voltará para buscar os que entregam suas vidas a Ele, que confiam Nele e vivem para Ele. E ninguém sabe o dia e a hora que Ele irá voltar. Por isso, não espere. Vá até Cristo hoje e peça perdão pelos seus pecados. Peça a ajuda do Espírito Santo para que guie você no caminho de Cristo.   Para crescermos no mesmo modo de pensar como corpo de Cristo, precisamos imitar o nosso Salvador, tendo o mesmo modo de pensar Dele, crescendo à imagem Dele. “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4.15).   PARA RECEBER [exaltação] – vv. 9-11   A nossa esperança é que nossa caminhada não termina na humilhação, mas sim, na exaltação. Tenham o mesmo modo de pensar para viver, para crescer e para receber. O que, para nós, às vezes pode parecer uma perda (Cristo desamparado na cruz), na verdade, é uma vitória. V.9: “POR ISSO”. O que vem a seguir nesses versos tem como fundamento o que veio antes deles. V.9: “Por isso também Deus o exaltou sobremaneira...”. A exaltação de Cristo é resultado da Sua humilhação. Porque Ele desceu, também subiu. Porque Ele perdeu, também ganhou. Porque foi perseguido, zombado, blasfemado, também recebeu (continuação do verso 9) 
 
 “o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai”. Por causa da humilhação de Cristo na cruz, por amor, mostrando o verdadeiro sentimento de compaixão por pecadores como nós, mostrando o caráter amoroso do próprio Deus, por isso, Deus O ressuscita e O exalta sobremaneira, dando a Jesus o governo sobre todas as coisas, sobre toda criação, e dando a Ele o nome que está acima de todo nome. O Deus Criador que se fez o Servo Sofredor, agora é o Rei Vencedor! A morte de Cristo O faz vitorioso sobre a própria morte, sobre o pecado e sobre Satanás. Na cruz, é cumprida a profecia que o filho da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Na Sua ressurreição, Cristo recebe toda a autoridade sobre tudo e todos. É Ele quem tem as chaves da morte e do inferno. Ele é quem inaugurou o novo e vivo caminho que nos leva até Deus, o Pai. Ele é o caminho que nos conduz na luz e na verdade. Tudo está debaixo do Seu domínio. E Cristo será adorado para sempre. Todo joelho vai se dobrar diante Dele. Alguns vão se dobrar em adoração e louvor; outros se dobrarão porque o Rei chegou e a rebelião deles vai resultar em julgamento. Mas TODOS, sem nenhuma exceção, TODOS se dobrarão diante do Rei que venceu, e que voltará em breve, vestido em glória, com todo o Seu poder. Que o Senhor produza em nossos corações cada vez mais a humilde santa do Filho de Deus, para nos dobrarmos diante Dele em adoração hoje, para ressuscitarmos no Último Dia para sermos exaltados com Ele.   Jesus fez uma promessa para aqueles que seguirem os Seus passos (Ap 3.21): “Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”. Ter o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus resulta na garantia de reinarmos com o Rei da Glória para sempre.   CONCLUSÃO   Meus irmãos, tudo o que fazemos, falamos, pensamos, tem que ter como fim último a glória de Deus. Tudo o que Cristo fez foi, como diz o final do verso 11, “para a glória de Deus”. 
 Vamos viver esse modo de pensar, para continuarmos crescendo em amor, serviço e humildade uns com os outros e para recebermos a coroa da justiça que nos está guardada. 
 Que todos possam saber que a luz de Cristo brilha em nós, “para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”, para onde nós iremos viver por toda eternidade. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Filipenses 2:1-11: Tenham o Mesmo Modo de Pensar

O encorajamento de Paulo era para que eles vivessem em Cristo.

E ele usa uma expressão que reflete esse chamado aos crentes: “tenham o mesmo modo de pensar”. Esse é o fio condutor dessa passagem. É um chamado a viver em unidade como igreja, crescendo à imagem de Cristo para receber a glória que está por vir.

Read More
Programação Fevereiro 2026 Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Programação Fevereiro 2026

Programação Fevereiro na IBJM

Read More
25 de Janeiro de 2026 – IBJM       Deus quer que todos saibam que Ele é o Senhor.  Mais de 60 vezes no livro de Ezequiel, existe esta frase “ E vocês saberão que eu sou o Senhor ” (v.8b), ou uma frase similar.   —Deus quer enfatizar que ele é o único Deus soberano reinando sobre tudo.         Porém, existe um problema fundamental no mundo de Deus—o problema da idolatria.   —Algumas semanas atrás, no estudo de quinta, nós vimos este problema, olhando no texto de Romanos 1, onde nos diz sobre nós seres humanos:   •    Que, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, •    Que o coração insensato deles se obscureceu •    E que trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens (por ídolos)   — A grande realidade é que TUDO pode se tornar um ídolo  (não só um estátua e não só coisas ruins) —Pode ser o dinheiro, o sexo, ou o poder —Pode ser café, um relacionamento, ou o trabalho —Podemos ter o ídolo do conhecimento  teológico, ou o ministério  na igreja —O que eu mais noto em minha vida é o ídolo das boas circunstâncias, coisas funcionado, tudo dando certo       A GRANDE IDEIA que veremos neste texto é: O problema grave da idolatria e o desejo e direito de Deus ser o nosso Deus.   —Nós, primeiro, vamos olhar em mais detalhe este problema fundamental da idolatria (tanto para Israel como para nós) —Segundo, vamos ver duas respostas de Deus para com este problema —E finalmente, veremos o propósito divino em tudo isso   1. O problema de Israel e também o nosso  pode ser visto nos versos 1-3 —Um pouco do contexto aqui do livro para nos ajudar: —Ezequiel é um profeta que se encontra no exílio (597a.c.) com povo de Israel, sendo que uma pequena porção ficaram em Jerusalém.   —Israel vai atrás de falso profetas, que profetizam o que eles querem ouvir, e prometem um retorno em breve para Jerusalém —Ezequiel, em oposto, avisou que Jerusalém seria destruído e exílio prolongado.   —No nosso texto, os anciões ( líderes  representantes do povo) se aproximaram do profeta Ezequiel Uma das tarefas do profeta era levar as perguntas do povo a Deus e buscar dele alguma resposta.   —Nós não sabemos qual foi sua pergunta. Talvez foi sobre o futuro da cidade de Jerusalém ou quanto tempo ainda permaneceriam no exílio. Em vez de responder o que lhes interessava, Deus tinha uma acusação contra eles. —Eles tinham um problema grave. Um problema do coração.   —Deus respondeu ao problema mais profundo deles—não o que eles queriam perguntar mas o que deveriam ter perguntado e precisavam saber.           SEU PROBLEMA: “ídolos do coração” Interessante que ele fala dos seus ídolos dentro do coração     —Deus já tinha acusado Israel de idolatria nos capítulos anteriores (cap.8), apontando para imagens, coisas externas ao coração, mas agora vai a raiz do problema— o coração.   —Do coração, flui todas as nossas ações—tudo que fazemos, pensamos, sentimos, falamos, adoramos   — Uma boa definição de ídolo do coração=“qualquer coisa/pessoa que me governe que não seja o verdadeiro Deus” Não sabemos exatamente quais eram o ídolos do coração do povo de Israel. Provavelmente estavam sendo governados pela religião pagã da Babilônia, onde estavam exilados.   —Irmãos, nossos corações estão sempre sendo governado por algo ou alguém, e o que controla meu coração também controla minha reação ás pessoas e as situações na vida—é meu senhor   —Note como Deus descreve a idolatria de Israel:               Levantaram ídolos dentro de seu coração (v.3)      —Foi uma ação ativo, intencional em que eles se comprometerem a algo.   —E eles…            Puseram tropeços diante de si      —Eles focaram internamente—colocaram diante da sua face—aquele ídolo   Paul Tripp ilustra no livro Instrumentos nas Mãos do Redentor, o seguinte:   —Imagine que alguém coloque a mão no rosto e esteja olhando entre os próprios dedos. Ele vive assim. O que acontecerá com sua visão? Se torna um obstáculo (um tropeço).   —O ídolo tem que ser removido. Tripp diz: “Até que o ídolo seja removido, ele distorcerá e obscurecerá todas as outras coisas na vida da pessoa.”        —O texto diz sobre estes ídolos, “Que os leva a cair (tropeçar) em iniquidade.” Se você peca, um ídolo está por trás deste pecado. Toda vez que você peca, você está sendo governado por um ídolo.   —Se você peca na ira, ou na ansiedade, ou na murmuração, ou numa palavra feia, um deus falso está governando no seu coração.   —Note a cegueira da idolatria na vida de Israel—o mesmo pecado que os levou ao exílio eles ainda estavam praticando! E eles achavam que podiam continuar adorando a falsos deuses no coração e consultar ao Deus verdadeiro ao mesmo tempo.   P. Será que é possível vir para um culto de igreja e erguer as mãos e cantar, e orar e ao mesmo tempo ter um ídolo do coração? —Acredito que sim. Por isso deveríamos avaliar nossos corações para ver se temos ídolos do coração. Algumas perguntas:   —O que me falta na vida e que acredito que me faria feliz se tivesse? Ou o que, se me fosse tirado, me deixaria infeliz ou devastado?   —Do que não consigo viver sem? O que consome meus pensamentos e atividades?   P. Você acha loucura o povo de Israel ter oferecido seus filhos em sacrifício aos deuses pagãos? —Irmãos, note bem: Não é o ídolo em si que governava eles, mas o que ele oferece. Talvez eles desejavam prosperidade, ou sucesso, ou fertilidade ao olhar para um estátua e entregar o seu filho para ser queimado no altar. É loucura como o ídolo os cegou.   —Mas nós também somos cegados pelos nossos ídolos. Talvez nosso ídolo seja um aumento no trabalho. Está controlando nossos corações, consumindo nossos pensamentos acerca de como alcançar.   —O que estamos buscando deste aumento? Talvez estabilidade, ou reputação, ou segurança e este é nosso verdadeiro ídolo.   —Talvez nosso ídolo seja nossos filhos. O bem estar deles, o sucesso deles. Mas o ídolo se revela quando gritamos com nosso filho pecando com nossas palavras. O que estamos buscando neste ídolo dos filhos? O que esperamos que ele nos dê? Talvez paz, conforto. E este é o nosso deus falso naquele momento.   —Deus tem acusado o seu povo de terem ídolos no coração. —E Deus então pergunta: “Será que eu (o verdadeiro Deus) deveria permitir que eles (com falsos deuses no seu coração) me consultem?”   —A resposta óbvia e justa é: Não!! Mas Deus responde…   2. A primeira resposta de Deus  está nos versos 4-6             Deus diz no final do v.4 que se alguém vier consultar a Deus com ídolos no coração,  “responderei segundo a multidão dos seus ídolos ”. —Deus está dizendo, “Por causa da multidão de ídolos no coração, a única coisa da qual vou falar com você é sua idolatria.”              Ele vai fazer isso para conquistar o coração idólatra do seu povo (v.5) —Podemos ver aqui o grande e maior mal dos ídolos é que eles nos afastam do verdadeiro Deus— “afastaram de mim para seguirem os seus ídolos” (v.5b) E Deus está agindo para trazer-los de volta á Ele!   —Que maravilhosa graça!! Deus poderia decidir não responder ou responder imediatamente com ira e julgamento.   —Mas Deus…responde COMO?               Arrependam-si dos seus ídolos! (v.6) —Esta é a resposta de Deus para o grave problema dos ídolos do coração Convertam-se, afastem, desviem o rosto (o olhar do coração, o foco)   “Conversão”=implica uma reorientação fundamental da vida e uma reordenação das prioridades, e confianças.   —Israel, ache sua segurança e satisfação e paz em Mim! Minha promessas! Minha aliança! Pare de procurar contentamento, ou salvação naquele ídolo ou seja lá o que você espera que ela te dê. Podemos dizer o mesmo para nós mesmos.   —Se a idolatria é trocar Deus por uma imagem, uma glória inferior, o arrependimento é uma troca do ídolo pelo Deus infinitamente glorioso. Troque por um contemplar da glória de Deus por meio do conhecimento dEle. Se deleite novamente no evangelho de Cristo e na sua identidade como filho de Deus!   Aquilo que você buscou no ídolo—segurança, paz, conforto—busque novamente no único Deus que pode te dá. —Ore,  “Sacia- nos de manhã com a tua bondade..” (Sl 90)   —A primeira resposta aqui no texto para com os ídolos do coração era: Arrependa-se! E isso é algo, cristão, que temos que fazer regularmente momento após momento quando percebemos que o ídolo invadiu o lugar que só Deus merece governar—nosso coração.   3. A segundo resposta de Deus  está nos versos 7-10 —Se Israel não se arrepender, se ela insistir em manter os ídolos no coração, Deus diz,  “eu, o Senhor responderei por mim mesmo”  (v.7b). —Por meio de julgamento!         Deus voltará o rosto contra  aquele que não desviar o rosto do seu ídolo (v.8) —Fará de Israel um sinal=denota um evento ou objeto destinado a comunicar uma mensagem ou a motivar um comportamento E um provérbio=quando no futuro ouvisse a palavra “Israel”, seria associado com um desastre imposto por Deus   —Deus eliminará o indivíduo não arrependido do meio do seu povo Isso significa expulsão da presença do povo e de Deus E provavelmente morte —Amigos, o mesmo se aplica hoje para o idólatra que não se arrepende dos seus ídolos.   —Há várias listas no NT de pessoas que, por causa dos seus pecados não arrependidos, não herdarão o reino de Deus. Quero citar 2 exemplos: I Coríntios 6.9-10 diz: “Ou vocês não sabem que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não se enganem: nem imorais, nem idólatras , nem adúlteros, nem afeminados, nem homossexuais, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus.”   E Apocalipse 21.8 diz:  “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos imorais, aos feiticeiros, aos i dólatras  e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que está queimando com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.”   —O julgamento de Deus é certo (está marcado) para todo pecador que guardar ídolos no coração e se recusa a se arrepender.         Nos versos 9-10, vemos que Deus julgará o povo dando o que eles querem (v.9-10). Deixa eu explicar isso. —Quando Deus diz,  “eu, o Senhor, enganei esse profeta”,  ele quis dizer que ele pode e, de fato, governa até sobre a mente do profeta para que o profeta acredite numa mentira. Mas Deus o faz de uma maneira que Ele mesmo não  está mentindo.   John Piper nos ajuda aqui quando diz, “Deus é capaz de controlar mil circunstâncias e influências, de modo que um profeta pecador possa pensar uma mentira, sem que o próprio Deus minta ou comprometa  de alguma forma a sua perfeita veracidade .”   —Temos um exemplo deste tipo de julgamento em 2 Tessalonicenses 2:11 eles  “não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo  que Deus lhes envia a operação do erro, para darem crédito à mentira.”   —O ponto aqui é que Deus está julgando o seu povo que permanece acolhendo ídolos no coração. Os profetas, guiados por seus ídolos, falam mentiras (13.2-3) E o povo, guiado por seus ídolos, dão ouvidos ás mentiras (13.19), porque é o que eles querem ouvir   P. Você é assim? Só fala o que os outros querem ouvir em vez de falar a verdade em amor? Só ouve aquilo que quer ouvir? —Arrependa do seu ídolo do coração!   —Temos visto o grande problema dos ídolos do coração As respostas de Deus de nos arrependermos ou haverá julgamento. E por fim, nós vemos grande propósito divino nisso tudo   4. O grande propósito de Deus para o Seu povo  pode ser visto no verso 11 —As palavras, “Para que…” indicam propósito (o propósito do julgamento e do chamado ao arrependimento)   —Para que Israel não se desvie mais de mim (com ídolos) e contamine com transgressões Para que vivam como o meu povo e Eu como o Seu Deus “Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus”=são palavras de Deus acerca da sua aliança com seu povo, espalhados em todas as Escrituras   —A gloriosa esperança aqui: Deus deseja ser nosso Deus e que nós sejamos Seu povo (na prática) E é direito exclusivo dEle. Pois Ele é Senhor.   P. Mas como isso pode se tornar uma realidade? Como que pecadores como nós, inclinados á idolatria, podemos ser um povo em que Deus é nosso Senhor?   —Em Ezequiel 11.19-20 Deus promete dar “um só coração”. Veja comigo. Note o contraste com aqueles que não recebem este novo coração no verso 21. P. Como é possível ter este novo coração, este “um só coração” que é governado pelo Deus verdadeiro? —Isso é possível somente por meio do Filho de Deus, que é o próprio Deus que veio até nós   —Jesus viveu perfeitamente livre de qualquer ídolo do coração, pois ele tinha “um só coração” E nenhum ídolo o impediu de fazer a vontade de Deus Pai, inclusive a sua morte na cruz.   —A idolatria é uma enorme ofensa contra o único Deus que existe—um Deus santo e justo. E Jesus recebeu a punição merecida por nós devido á nossa idolatria     —Lembre-se da punição daquele idólatra que não se arrepender Ele será “eliminado”, cortado, separado, morto É o que Jesus experimentou: separação, abandonado, morto   —Jesus, Deus o Filho, experimentou este julgamento severo na cruz Para que todo o que crer nele, se torna povo Dele e Ele é o seu Deus.   —Unidos á Cristo, pela fé nEle, temos este novo coração e seremos o seu povo e ele será o nosso Deus   Eu imagino que a maioria de nós aqui temos este novo coração—somos povo dEle.   Conclusão: Quero lhe encorajar com estas palavras: Vivam para que todos saibam que Ele é Senhor, Ele é Deus!!   —Aquilo que nos controla é o nosso senhor. Ídolos mentem e se fazem senhores em nosso coração Mas só existe um SENHOR.   —Só um SENHOR morreu por mim Para me trazer de volta a Ele mesmo.   —Quando nos não administramos bem o nosso tempo, ou brigamos no trânsito, ou reclamamos de nossa circunstâncias, OU qualquer outra atitude que não agrade a Deus, existe um ídolo do coração. E precisamos constantemente nos arrepender para que todos saibam que Ele é o SENHOR.   I Tessalonicenses 1.9-10 descreve bem a nossa conversão quando diz:  “deixando os ídolos, vocês se converteram a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro e para aguardar dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Ezequiel 14.1-11: Ídolos do coração

A grande realidade é que TUDO pode se tornar um ídolo (não só um estátua e não só coisas ruins)
—Pode ser o dinheiro, o sexo, ou o poder
—Pode ser café, um relacionamento, ou o trabalho
—Podemos ter o ídolo do conhecimento teológico, ou o ministério na igreja

Read More
11 de Janeiro de 2026 – IBJM INTRODUÇÃ O Essa passagem é uma conversa entre três homens. Até aí, nada de diferente: três homens falando uns com os outros. O que deixa essa passagem diferente é que os três homens estão pendurados enquanto conversam—pendurados em uma cruz! Isso é diferente. Mas não é o fato de três homens crucificados conversando que faz essa passagem bem diferente. Durante o Império Romano, milhares, talvez milhões de pessoas foram crucificadas. Existe uma coisa nessa passagem que deixa ela muito diferente—diferente de qualquer conversa entre homens crucificados. É o homem que está na cruz do meio. Ele é muito diferente. Por um lado, ele é igual a nós: ele também é de carne e osso. Mas como nós vamos ver na passagem, ele é tão diferente, tão diferente, que nós podemos dizer que, como ele, não existe ninguém. Ele é único. Existe mais uma coisa interessante nessa passagem: cada um de nós está representado nessa conversa entre 3 homens crucificados. Os ladrões de cada lado de Jesus representam relacionamentos diferentes com Jesus. Um dos malfeitores, nós devemos copiar. O outro, nós devemos rejeitar—se nós queremos ser salvos. Nós não sabemos os nomes desses dois criminosos. A Bíblia não nos dá o nome deles. Então eu vou usar a minha liberdade e ser bem criativo: eu vou chamar o primeiro malfeitores de malfeitor sem fé. E outro malfeitor, de malfeitor com fé. Esse é o cenário da passagem de hoje: três homens em três cruzes – um malfeitor sem fé, um malfeitor com fé e Jesus entre eles. Você precisa tomar uma decisão de que lado você vai ficar: do lado de quem tem fé ou do lado de quem não tem fé. Qual dos dois malfeitores representa seu relacionamento com Jesus? Cada um de nós precisa escolher como nós vamos lidar com o nosso pecado e com Jesus, o Salvador dos pecadores. Se você está começando esse sermão do lado de quem não tem fé, eu tenho orado para que o Senhor use a Palavra dele para transferir você de um lado para o outro—do lado da morte para o lado da vida; do lado da condenação para o lado de salvação e do perdão e do paraíso. Deus tem poder para fazer isso. Jesus continua salvando. Essa passagem é uma demonstração maravilhosa e poderosa do que Jesus pode fazer por pecadores como nós. J. R. Ryle foi pastor na Inglaterra no século 19. Ele disse que essa passagem “merece ser impressa em letras de ouro”. (Ryle, Meditações no Evangelho de Lucas, 539). Ele tem razão. Quantas pessoas o Senhor levou para o céu por causa do testemunho desse ladrão que se arrependeu e creu? Quanta esperança nós podemos ter no Deus que salva malfeitores arrependidos, mesmo nos últimos minutos da sua vida! Vamos ouvir a conversa entre esses 3 homens de novo e, a medida que nós ouvimos, nós vamos ver a beleza de uma fé verdadeira se manifestando na vida de um malfeitor que está há 2 mil anos no paraíso desfrutando da presença do Salvador que estava na cruz do lado. Mas primeiro, 1.	O MALFEITOR SEM FÉ FALA COM JESUS (V. 39) [39] Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra Jesus, dizendo: — Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também. Esse malfeitor não conhece a Jesus. Se ele soubesse quem estava crucificado do lado dele, ele não falaria desse jeito. Que jeito ruim para falar com Jesus. Tão ruim, que Lucas chama esse jeito de blasfêmia. Por trás da pergunta dele, ele está dizendo: “Você não diz que você é o Cristo!? Então, você tem que se salvar e nos salvar”. Ele realmente não entende. Jesus não se salva exatamente porque ele é o Cristo. Ele não desce da cruz porque ele quer nos salvar. Para aqueles que não têm fé, Jesus na cruz prova que ele não é o Cristo. Para aqueles que têm fé, Jesus na cruz prova que ele é o Cristo (cf. James Edwards, O Comentário de Lucas, 862). O malfeitor sem fé não entende: Cristo precisa perder a vida para nos dar vida. Para nos salvar, ele precisa sofrer. Para nos libertar, ele precisa ser preso e pendurado em uma cruz. Ó, malfeitor sem fé! Se você tivesse fé! Tão perto de Jesus (na cruz do lado) e ao mesmo tempo tão longe. Que isso não seja dito sobre nós! “Ah, aquele homem, aquele menino... tão perto da Palavra de Deus, mas com o coração tão longe”. “Ah, aquele mulher, aquela menina... tão perto da igreja, mas com o coração tão longe”. “Ah, veja a eles—tão perto do evangelho da graça, mas com o coração tão longe”. Esse malfeitor, você não quer imitar. Por favor, não! É por isso que a Bíblia compara falta de fé à cegueira. Porque sem fé, a verdade está diante dos nossos olhos, mas nós não conseguimos ver. Sem fé, Jesus oferece nos amar e nos perdoar, mas nós rejeitamos o único que pode nos salvar. Sem fé, mesmo tão perto e com todas as oportunidades do mundo para ser salvo, nós permanecemos perdidos. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). Mas com fé, tudo muda! Com fé, muda tudo! Como a fé é preciosa! Mais preciosa do que o ouro, como o apóstolo Pedro disse (1 Pedro 1:7). O malfeitor do outro lado também é um malfeitor, mas a fé dele faz toda a diferença. Ele entendeu quem é o homem que está crucificado no meio deles. Esse é o malfeitor que nós devemos imitar. Agora, 2.	O MALFEITOR COM FÉ FALA COM O MALFEITOR SEM FÉ (VV. 40-41) [40] Porém o outro malfeitor o repreendeu, dizendo: — Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual sentença? A primeira coisa que ele faz é repreender o malfeitor sem fé. Que falta de temor—falta de temor a Deus—falar com Jesus com tanta incredulidade! Dando ordens para Jesus se salvar e salvar a ele. Na Bíblia, ter fé e temer a Deus são atitudes inseparáveis. Quase sinônimos. Quem tem fé teme a Deus. Quem teme a Deus é porque confia em Deus—é porque tem fé. O que é o temor a Deus—o temor do Senhor? Alguém já definiu o temor a Deus como desejar mais o sorriso de Deus do que o sorriso do mundo e estar mais preocupado em desagradar a Deus do que desagradar o mundo. Essa é uma boa definição. Temer a Deus é ser controlado, governado, dominado, satisfeito e preenchido por Deus. O temor a Deus é um tipo de medo bom. Não é o medo que um funcionário tem de desagradar um chefe bravo e mal. É o medo que um filho tem de desagradar um pai amoroso e bom. O temor ao Senhor é parte essencial da fé: O que faz alguém lutar contra pensamentos pecaminosos—seja de imoralidade, seja de raiva—quando ninguém mais sabe o que você está pensando? O que faz alguém lutar é o temor do Senhor. Ele sabe que Deus está vendo e ele não quer desagradar o Pai amoroso que ele tem. O que faz alguém fazer o que é certo e puro, mesmo quando ninguém sabe o que ele está fazendo? O que faz alguém não olhar para o que não deve? Eu digo a vocês: é o temor do Senhor. Ele quer viver para agradar o Deus de amor que ele tem. O temor do Senhor—esse tipo de medo santo—traz paz. Ele deixa a consciência limpa. Ele faz nosso espírito ficar mais leve. Ele eleva a alma ao céu e nos dá alegria. Temer a Deus nos faz sermos dominado pela grandeza e a beleza de Deus e querer viver para ele. O temor do Senhor afeta o que você sente, o que você fala e o que você pensa e o que você faz. Você não quer mais e mais desse temor? Nós vemos esse temor santo se manifestando no malfeitor com fé. O temor do Senhor—ou a fé—do malfeitor se manifesta de duas maneiras. Primeiro, a fé se manifesta na confissão. Fé em Cristo faz você confessar seus pecados: [41] A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal nenhum. O malfeitor com fé sabe quem Jesus é. Ele sabe que Jesus é santo. Ele reconhece que Jesus “não fez mal nenhum”. Jesus é inocente. Esse é um conhecimento essencial para a fé que salva. Reconhecer que Jesus não tem pecado. Sabe quantas vezes, só no capítulos 23 de Lucas, alguém fala que Jesus é inocente? Sete vezes! Até Pilatos diz que não viu em Jesus crime algum e Herodes concorda que as acusações contra Jesus são falsas. Olha isso! Até quem não tem fé reconhece que Jesus não tem pecado. Mas só reconhecer que Jesus não tem pecado não é suficiente para nos salvar. Mas é essencial. Porque só um Salvador santo pode nos salvar. Se Jesus pecou, então ele também precisa de um Salvador. Mas o malfeitor com fé tem razão: Jesus não fez nenhum mal. Jesus não é mais um mal-feitor. Jesus é um bem-feitor. Um Benfeitor perfeito. Jesus só fez o bem. Jesus só faz o bem. E Jesus só fará o bem na sua vida, cristão. Jesus é o bem em carne e osso e em perfeita divindade. É por isso que todas as coisas cooperam para o seu bem. E por isso, Jesus se qualifica para ser o Cordeiro sem defeito—o sacrifício perfeito que um Deus perfeito exige para pagar o preço infinito dos nossos pecados. Porque aqueles que têm fé, além de reconhecerem que Jesus não tem pecado, eles reconhecem também que eles têm pecado—que eles são diferentes de Jesus. Essa é a primeira manifestação da fé: a confissão. Você tem reconhecido o seu pecado? O malfeitor reconhece: [41] A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que os nossos atos merecem; Nós devemos imitar o malfeitor com fé. Nós devemos confessar nossos pecados. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1João 1:8-9). Imite o malfeitor do lado certo—do lado da fé. Reconheça e confesse seu pecado. Esse é o primeiro passo que a fé dá. O reconhecimento do pecado é o que me faz reconhecer que eu preciso de um Salvador. Eu preciso ser perdoado. Sem ver meu pecado, eu não consigo ver Jesus com fé. Eu quero dizer para vocês que não existe tanta diferença assim entre nós e esses dois ladrões na cruz. Nós também somos “mal-feitores”. Nós também somos feitores (praticantes) de mal e por isso nós também precisamos de um Salvador. Você perdeu a paciência com alguém na sua casa essa semana? Jesus disse que ficar com raiva de alguém ou insultar alguém é uma obra má e nos faz sujeitos ao julgamento. Alguma vez alguém elogiou você e você não deu glória a Deus perfeitamente no seu coração ou você buscou chamar a atenção das pessoas (na internet ou mesmo pessoalmente) com alguma coisa que você fez? Isso nos faz ladrões—ladrões do pior tipo. Ladrões da glória de Deus—daquilo que é tem mais valor nesse mundo. A boa notícia da Bíblia é que existe salvação para malfeitores como nós. Mas para isso, você precisa reconhecer o seu pecado. Você tem reconhecido seu pecado? Quando a nossa consciência nos acusa, quem ganha? O orgulho ganha (e eu suprimo e não falo com Deus nem com os outros? Ou a humildade ganha (e eu reconheço e confesso um pecado)? Quando alguém traz um pecado seu ao seu conhecimento: existe um reconhecimento da sua parte? Ou a culpa é sempre dos outros, da circunstância, das dificuldades? O cristão é, por natureza, um confessor. Confessar os próprios pecados—a Deus e aos outros—é uma manifestação essencial da fé. Aqueles que creem em Cristo conhecem seus pecados e confessam. Como o ladrão crucificado do lado de Jesus fez. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos (1 João 1:8). Se confessamos nosso pecado, estamos do lado da verdade, e o homem da cruz do meio é fiel e justo para perdoar você, pecador. O malfeitor com fé sabia disso. É por isso que ele falou o que ele falou para Jesus: 3.	O MALFEITOR COM FÉ FALA COM JESUS (V. 42) [42] E acrescentou: — Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino. O primeiro malfeitor teve coragem, mas foi a coragem do pecado: ele desafiou Jesus, ele insultou Jesus. [39] (...) — Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós também. O segundo malfeitor também teve coragem, mas foi um tipo de coragem diferente. Ele teve a coragem da fé: ele confiou em Jesus e teve a coragem de pedir para Jesus: “Rei Jesus, me salve!”. Veja o que a fé é capaz de fazer: a fé abre os nossos olhos para vermos quem Jesus é. Como um erudito da Bíblia chamado Plummer disse: “Alguns viram Jesus ressuscitar mortos e não creram. O ladrão vê Jesus sendo morto e crê” (Bock, Luke, 1856 citando Plummer, 1896, 535). A fé faz isso. Ela abre os nossos olhos. E é isso o que nós mais precisamos: ter nossos olhos abertos para a beleza de um Rei crucificado por nós. Porque o nosso problema mais fundamental não é falta de evidência. O nosso problema mais fundamental é falta de fé. Você que tem fé, cristão, você recebeu um presente muito valioso. Cuide bem dela. Alimente sua fé com a Palavra regularmente. Fortaleça sua fé com oração constantemente. Estimule sua fé com comunhão. Expresse sua fé com música. Concretize sua fé servindo os irmãos. Os dois malfeitores fizeram o mal. Mas aqui está a diferença: um rejeitou Jesus, o outro confiou em Jesus. Essa é a segunda manifestação da fé: Segunda, a fé se manifesta na confiança. A fé faz você fazer duas coisas: primeiro (como nós vimos), confessar o seu pecado (v. 41). E segundo, a fé faz você confiar no seu Salvador (v. 42). O malfeitor com fé não apenas entendeu quem Jesus é. Ele recebeu Jesus por quem ele é—Cristo, Rei, Salvador. Isso é confiar em Jesus—isso é fé: receber pessoalmente Jesus. Esse malfeitor entendeu que a morte de Jesus não é a derrota de Jesus. A cruz é o lugar da vitória do Rei. Ele está pedindo para Jesus se lembrar dele quando Jesus vier no seu Reino. Ele entendeu que a morte iria levar Jesus nós só para a sepultura, mas para o trono. Esse malfeitor creu na acusação que os romanos colocaram na placa em cima da cabeça de Jesus: “Este é o Rei dos judeus”. O que para os romanos era um deboche, para esse ladrão—e para nós—é o nosso descanso. Jesus é o Rei que salva malfeitores que (1) confessam os pecados e (2) confiam nele. O ladrão sem fé exige que Jesus desça da cruz para salvá-lo. O ladrão com fé pede para Jesus se lembrar dele depois da ressurreição—“quando você viver no seu Reino”. O malfeitor sem fé quer ser salvo da morte física. O malfeitor com fé quer ser salvo da morte espiritual. Aqueles que não têm fé querem ser salvos da cruz e do sofrimento. Aqueles que têm fé querem ser salvos do pecado e entrar no Reino de Jesus com ele. Que coragem santa fazer esse pedido: — Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino (v. 42). Ele fez esse pedido porque ele acreditou que o homem que estava crucificado do lado dele era um Salvador capaz de se lembrar de pecadores com amor e perdoá-los. Essa é uma transação espiritual salvadora: você entra com confissão e Jesus entra com compaixão. Você coloca sua confiança em Jesus e Jesus coloca a justiça dele em você. Você não tem nenhum bom motivo para ficar do lado errado e imitar o ladrão sem fé. Você tem todos os motivos do mundo para ficar do lado certo—do lado da fé: confessar o seu pecado e confiar no seu Salvador. Se você ainda não está convencido disso, ouça agora o que o homem da cruz do meio irá falar. A conversa entre esses 3 homens termina com ele se pronunciando. Eu vou dizer uma coisa para vocês: as palavras de Jesus são um escândalo! O escândalo mais doce que ouvidos humanos podem experimentar. O escândalo de um Salvador que leva malfeitores para o paraíso com ele. O escândalo da graça livre e soberana de Deus! 4.	JESUS FALA COM O MALFEITOR COM FÉ (V. 43) O ladrão fez um pedido: (...) — Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino. [Versículo 43] Jesus lhe respondeu: — Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso. Esse Jesus é um homem é diferente! Quem pode falar desse jeito? Que homem pode prometer uma coisa dessas? “Você estará comigo no paraíso”. Só um homem pode. Um homem que também é Deus. Um homem que é o Cristo. Um homem que tem um Reino com R maiúsculo. Eu disse que ele era diferente. Ele é único. Ele é o único que tem poder para salvar. Ele é o Rei. Por favor, veja essa cena: as autoridades religiosas de Israel se juntam aos governantes romanos e prendem Jesus. Julgam Jesus injustamente e condenam Jesus à morte. Eles insultam Jesus, debocham de Jesus, tratam Jesus como se ele fosse o pior dos malfeitores. Eles amarram Jesus em um poste e mandam açoitá-lo. Tiram-no dali e o fazem levar a cruz em que ele será pendurado. Eles pregam as mãos e os pés de Jesus na cruz e levantam Jesus e esperam até ele morrer. Eles fazem o que eles querem com Jesus. Olhando para essa cena com olhos sem fé, o poder está com os judeus e os romanos e o mundo. Jesus perdeu. Acabou. Mas se você continuar olhando, e olhar a cena com os olhos da fé, você verá onde realmente está o poder. Se você olhar com fé, você vai ver que quem está controlando tudo. Quem é realmente o Rei. Quem está no controle de tudo é o homem crucificado na cruz do meio. Jesus está sendo crucificado no meio de malfeitores para cumprir a profecia sobre ele em Isaías 53: [Ele, o Messias] derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores. Contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu (‭‭Isaías‬ ‭53‬:‭12).‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬ A ironia santa de toda essa cena é que o homem que está preso na cruz está governando livremente todo o Universo. Enquanto ele está morrendo, ele está dando vida eterna aos malfeitores que confessam e confiam. Enquanto ele está pendurado, sofrendo terrivelmente, ele está prometendo o paraíso para um ladrão que se arrependeu. Ele pode prometer o paraíso porque ele é o dono do paraíso. Ele é o dono do céu. E da terra. E do mar. E de tudo o que neles há. Olhando para essa cena com fé, nós conseguimos ver quem realmente está no controle—governando a história. HOJE! Nos evangelhos de Mateus e Marcos nós temos uma informação sobre o malfeitor com fé que deixa essa passagem ainda mais gloriosa. Mateus e Marcos dizem que, quando esses três homens—Jesus e os dois malfeitores—estavam carregando a própria cruz para serem crucificados, os dois malfeitores estavam insultando Jesus. Os dois! Mateus 27:44—Também os ladrões que haviam sido crucificados com ele o insultavam. Isso significa que o malfeitor com fé foi para cruz sem fé. Mas ali, naquela cruz, pendurado, Deus amou aquele malfeitor. Deus ama salvar malfeitores. E o Espírito Santo moveu o coração daquele homem. Melhor: o Espírito Santo tirou o coração de pedra e colocou um coração de carne. Tirou um coração parado e colocou um coração que bate—um coração que tem fé. E nos últimos minutos da vida daquele criminoso, ele se arrependeu e creu. Ele confessou seu pecado e confiou no seu Salvador. Mas tem mais! Veja isso: o ladrão pediu para Jesus: “Quando você vier”. Um pedido mais amplo, no futuro. Quando você viver no seu Reino. Quando... E o que Jesus responde: — Em verdade lhe digo que HOJE(!) você estará comigo no paraíso. Quando? Jesus diz: “Hoje! Em verdade (é certo!) lhe digo: ‘Hoje!’. Eu tenho poder para salvar você, malfeitor. Você confia em mim e eu salvo você. Nós estaremos juntos daqui a pouco no céu!” Que história de salvação desse ladrão! Ele começa o dia em uma cruz e termina o dia no paraíso! Ele começa o dia nesse mundo mal e termina em um mundo de amor! Ele começa o dia cheio de pecado e termina o dia sem pecado nenhum! Ele começa o dia em enorme agonia e termina o dia em infinita alegria! Como nós ouvimos semana passada que o Caique pregou: a morte, para o crente, é realmente lucro (Filipenses 1:21). A história de salvação desse ladrão nos dá esperança. Ninguém está fora do alcance dos braços desse Salvador. Enquanto temos fôlego nos pulmões, há esperança. Jesus salva crianças. Crianças, confessem seus pecados e confiem nesse Salvador maravilhoso! Jesus salva crianças. E Jesus salva pessoas no leito de morte—mesmo que seja uma cruz de morte! Não vamos parar de orar por aqueles que nós amamos, mas que ainda não confiam no Senhor. Não vamos desistir. A história desse ladrão está aqui para nos dar esperança. Jesus pode salvá-lo. Ele tem poder. E se você está ouvindo essa mensagem e pensa: “Eu não tenho certeza se eu vou para o paraíso com Jesus”. Ou se você diz: “Eu já tentei. O meu caso é perdido. O pecado já me dominou”, eu quero dizer para você que Jesus não concorda com você. Ele tem autoridade para perdoar pecados e a capacidade para purificar você. O que você precisa fazer? Eu devolvo a pergunta para você: o que o ladrão fez para ir para o paraíso? Ele creu. (Ponto). Ele confessou o pecado e confiou no Rei-Salvador. Tudo o que ele precisou fazer foi olhar para aquele homem crucificado na cruz do meio com fé. Esse é o escândalo da graça livre e soberana de Deus—a graça que salva malfeitores. A graça que tem o tamanho que nós precisamos: o tamanho de Deus. Charles Spurgeon disse: Não existe nada pequeno em Deus. A misericórdia dele é como ele mesmo—ela é infinita. Você não pode medi-la. A misericórdia dele é tão grande que ela perdoa grandes pecados de grandes pecadores, depois de um grande tempo pecando, e então ela concede grandes favores e grandes privilégios, e nos eleva a grandes alegrias no grande céu do grande Deus (Spurgeon, Morning & Evening, Morning, August 17). Eu quis pregar esse texto em um dia de batismo para nos lembrar também que o batismo não salva. O nosso irmão malfeitor foi da cruz direto para o paraíso. Ele não foi batizado, mas ele vai passar a eternidade com Jesus. Ele nunca participou de uma ceia na terra, mas ele estará nas Bodas do Cordeiro. Porque o poder não está naquela água. O poder está naquele sangue—na morte de Cristo na cruz. Comer pão e tomar o cálice não tem poder para remover nossos pecados. Rituais não salvam. Quem salva é Cristo. O que me salva é confiar que Jesus morreu pelos meus pecados naquela cruz. E não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4:12). E: (...) “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Romanos 10:13). CONCLUSÃO A cena que encerra a vida de Jesus na terra funciona como uma ilustração de toda missão do Senhor Jesus. Jesus entre malfeitores nos lembra que ele veio a esse mundo para viver entre malfeitores e para salvar malfeitores. Como Jesus mesmo disse, depois que ele salvou um homem baixinho corrupto chamado Zaqueu (um outro malfeitor!). Jesus disse: Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido (Lucas 19:10). E foi o que ele fez. Até o último minuto da vida dele. Mesmo pendurado em uma cruz. Mesmo sofrendo o maior sofrimento que um ser humano pode sofrer—debaixo da condenação de Deus como o nosso Substituto, Jesus estava lá—salvando. E ele continua salvando até hoje. A pergunta mais importante da sua vida é: de qual dos dois lados você está? Do lado com fé ou do lado sem fé? Imite o malfeitor certo. Confesse seu pecado. E confie em seu Salvador. E seja salvo. Nenhum pecado é grande demais. Nenhum tempo pecando é grande demais. Jesus é o grande Salvador de grandes pecadores. Ele é o Salvador que você precisa. Você confessa e confia, e o homem na cruz do meio concede a você o paraíso com ele. Esse é o escândalo da graça do Rei que perdoa malfeitores que se aproximam dele com fé. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Lucas 23.39-43: O Ladrão na Cruz do Lado

O malfeitor do outro lado também é um malfeitor, mas a fé dele faz toda a diferença. Ele entendeu quem é o homem que está crucificado no meio deles. Esse é o malfeitor que nós devemos imitar.

Read More
4 de Janeiro de 2026 – IBJM A “alegria” é um dos principais temas da carta aos Filipenses. Paulo inicia a carta no capítulo 1, versículo 3 e 4 orando por seus irmãos filipenses, dizendo:   [Filipenses 1:3] Dou graças ao meu Deus por tudo o que lembro de vocês, ⁴ fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vocês, em todas as minhas orações.     E ele encerra a carta, no capítulo 4, verso 4, exortando os mesmos irmãos da seguinte forma:   [Filipenses 4:4] Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se!   Além dessas duas, Paulo menciona palavras como alegria, ou regozijo, mais 14 vezes nessa carta.   16 vezes em apenas 4 capítulos. Isso fez com que a carta aos Filipenses ficasse conhecida como “a carta da alegria”.   Mas o que pode parecer chocante é que Paulo fala tanto sobre alegria em um momento de muita dificuldade e sofrimento no seu ministério e na sua vida.   Paulo escreveu a “carta da alegria” quando estava algemado na prisão.   Mas as algemas de Paulo não foram capazes de prender sua alegria no Senhor! O seu isolamento carcerário não foi capaz de isolar o seu coração para longe do seu Senhor e dos seus irmãos.   O coração de Paulo era exprimido pela adversidade, e o que transbordava dele era alegria.     Naturalmente a pergunta que nos surge é: como? Como Paulo consegue falar sobre alegria num momento como esse?   Por que, Paulo, em um momento de tanto sofrimento, fala tanto sobre alegria?   Ele mesmo responde no capítulo 4:   [Filipenses 4:11] aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. ¹² Sei o que é passar necessidade e sei também o que é ter em abundância; aprendi o segredo de toda e qualquer circunstância, tanto de estar alimentado como de ter fome, tanto de ter em abundância como de passar necessidade. ¹³ Tudo posso naquele que me fortalece.   A alegria de Paulo, definitivamente, não estava na circunstância! Este homem de Deus aprendeu o segredo de toda e qualquer circunstância! Aprendeu estar contente em toda e qualquer situação.   Se houvesse um livro de autoajuda lançado com o título “Os cinco passos para passar por toda e qualquer circunstância”, eu penso que rapidamente se tornaria um best-seller.   Se houvesse então um remédio “alegrezina” ou “contentamengézico”, para dar dose de alegrias e contentamento em momentos de angústia, penso que também traria muitos bilhões à indústria farmacêutica.   A boa notícia é que a resposta não está na autoajuda. E não está em nenhum medicamento.   A resposta está aqui, nas Escrituras. Mais especificamente, a resposta está em Cristo!   Em Filipenses 1 veremos que parte do segredo de Paulo estar contente em toda e qualquer circunstância é que ele aprendeu que nenhuma circunstância é um fim em si mesmo, mas cada circunstância é um meio para um propósito maior: CRISTO SER ENGRANDECIDO!   A alegria de Paulo não estava nas circunstâncias. A alegria de Paulo estava em Cristo: “Tudo posso naquele que me fortalece”. E por causa de Cristo, a forma como ele encarava as circunstâncias era diferente.   As circunstâncias não tinham propósito de lhe trazer alegria. De lhe trazer conforto. De lhe trazer esperança.   As circunstâncias tinham propósito de fazer com que Cristo fosse engrandecido. E isso mudou a forma com que Paulo enxergava cada uma delas!   Portanto, vamos olhar para esse texto de Filipenses 1 e buscarmos aprender a maneira adequada com que nós deveríamos olhar para circunstâncias da nossa vida. Inclusive quando as circunstâncias podem ser uma possibilidade de morte.   Paulo inicia esse trecho com uma resolução! Uma firme convicção.   A RESOLUÇÃO DE PAULO (vs. 19-20) [Filipenses 1:19] Porque estou certo de que, pela súplica de vocês e com a ajuda do Espírito de Jesus Cristo, isso resultará em minha libertação. ²⁰ Minha ardente expectativa e esperança é que em nada serei envergonhado, mas que, com toda a ousadia, como sempre, também agora, Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.   ·       A CERTEZA DA LIBERTAÇÃO (vs. 19) Lembrem-se do contexto aqui. Paulo estava preso por sua fidelidade em proclamar o evangelho de Cristo.   Este homem que antes era um perseguidor daqueles que seguiam a Jesus, agora vivia para proclamar que Jesus era o Salvador, o Messias prometido! E estava preso por proclamar essa mensagem.   Então, ele, enquanto preso, escreve uma carta para seus irmãos da cidade de Filipos. Paulo tinha um carinho especial pela igreja dos filipenses. ·       Foi a primeira igreja fundada por Paulo em suas viagens missionárias. ·       Foi em Filipos, que Paulo também ficou preso, com Silas, e milagrosamente foram salvos e pregaram para o carcereiro que foi salvo junto com sua família, conforme lemos em Atos 16. ·       E conforme vamos lendo na carta aos Filipenses, essa foi uma igreja que perseverou em apoio ao ministério de Paulo, mesmo quando este estava preso. Paulo amava esses irmãos! Assim como era por eles amado também.   E nesse contexto de prisão, amor, relacionamento, perseverança... Paulo expressa uma confiança no verso 19:   Somando as orações de seus irmãos com a soberana ajuda do Espírito Santo (que ele chama aqui de “Espírito de Jesus Cristo”), o resultado  seria sua libertação. Paulo esperava que por causa das orações, e do poder do Senhor, ele seria liberto.   Talvez, tanto ele, quanto os filipenses, estivesse em mente a experiência poderosa que ele mesmo passou na prisão em Filipos, sua libertação milagrosa!   Então pelas orações dos irmãos e pela ação de Deus, Paulo esperava que seria liberto.   Agora, um pequeno parêntese aqui, antes de avançarmos. Meus irmãos, que equação poderosa para confiarmos nos nossos dias de angústia! A oração dos irmãos + a ação do Espírito Santo!   Se tem algo que deveríamos buscar consolo nos momentos difíceis é: saber que temos irmãos orando por nós E que o Senhor soberanamente está trabalhando!   Eu sei que muitos de vocês já desfrutam disso. Mais de uma vez ao perguntar para algum irmão que está passando por situações difíceis eu ouço: as orações dos irmãos têm nos sustentado! O Senhor está cuidando de nós!   Uau, que maravilhoso viver assim! Que consolo precioso para os dias difíceis. Poder contar com as orações, e ser lembrado do cuidado soberano do Senhor!   Era isso que Paulo estava lembrando ali na prisão. Que os seus irmãos estavam orando, e Deus estava agindo por meio do seu Espírito.   E, ao que tudo indica, Paulo realmente foi liberto da prisão depois dessa carta.   MAS, percebam que apesar de Paulo expressar essa confiança de libertação, não era nessa circunstância que estava a sua ESPERANÇA!   ·       A VERDADEIRA EXPECTATIVA E ESPERANÇA (vs. 20) Ele deixa muito claro qual era sua ARDENTE expectativa e esperança:   ²⁰ Minha ardente expectativa e esperança é que em nada serei envergonhado, mas que, com toda a ousadia, como sempre, também agora, Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.   A expectativa e esperança de Paulo, apesar de ele ter uma certeza da sua libertação, não estava na libertação! Estava em Cristo ser engrandecido. Sua ardente expectativa e esperança era que Cristo fosse engrandecido, quer ele fosse liberto ou não.   Para Paulo o motivo de vergonha não seria estar preso por causa de Cristo.   Paulo não diz “em nada serei envergonhado, mas que, com toda a ousadia, serei liberto!”   Não é isso que ele diz. Ele diz:   [1.20] em nada serei envergonhado, mas [PELO CONTRÁRIO] que, com toda a ousadia, como sempre, também agora, Cristo será engrandecido   Mais que ser liberto ou não, o interesse de Paulo era que Cristo fosse engrandecido naquela circunstância.   Porque a circunstância não era um fim em si mesmo! Estar preso ou ser liberto não era um fim. Era apenas um meio. Um meio para que, de alguma forma, seja qual fosse a conclusão, Cristo fosse engrandecido.   Esse alvo de engrandecer Cristo era tão claro e grande diante de seus olhos, que ele escreve de uma maneira que carrega camadas e camadas de intensidade desse desejo. Percebam, verso 20:   1.     Paulo diz que essa era sua EXPECTATIVA. Que Cristo fosse engrandecido. Mas não era só expectativa.   2.     Era expectativa E ESPERANÇA, que Cristo fosse engrandecido. Mas não uma leve, ou inofensiva, expectativa e esperança.   3.     Era uma ARDENTE expectativa e esperança de que Cristo fosse engrandecido. Mas não uma ardente e expectativa e esperança com medo, com covardia, de que isso acontecesse.   4.     Era uma ardente expectativa e esperança, COM TODA OUSADIA, que Cristo fosse engrandecido. Mas não uma ardente expectativa e esperança, com ousadia, de que... talvez... dessa vez... Cristo fosse engrandecido.   5.     Não! Era uma ardente expectativa e esperança, com toda a ousadia, COMO SEMPRE, também agora, Cristo seria engrandecido!   Paulo usa 5 elementos para construir essa poderosa sentença afim de refletir o poder de que Cristo é sim, engrandecido pelo seu povo, seja qual for o meio, qual for a circunstância que eles passem!   Mas... o versículo ainda não acabou. Paulo acrescenta ainda mais uma camada de intensidade!   Paulo conclui sua sentença com um sexto elemento. Um final chocante:   6.     Sua ardente expectativa e esperança, era que com toda ousadia, como sempre, também agora, Cristo seria engrandecido, quer por SUA VIDA, quer por SUA MORTE!   Paulo está dizendo que, seja ele preso, seja ele livre, quer ele permaneça vivo, ou quer ele VENHA A MORRER... a sua esperança é que Cristo fosse engrandecido. Não importa o que acontecesse!   Essa é a firme e convicta resolução de Paulo. Sua ardente e expectativa e esperança.   O FUNDAMENTO DA RESOLUÇÃO (vs. 21) O que Paulo vai fazer agora em seguida é fundamentar a sua resolução!   “Paulo, por quê? Por que diante de todo esse cenário, ESSE é o seu desejo? Essa é a sua esperança? Por que você enxerga a situação dessa forma?”   E Paulo responde, dando o fundamento da sua resolução, em um dos versículos mais conhecidos da Bíblia:   [Filipenses 1:21] Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Como se ele dissesse: “Por isso eu tenho a esperança de que Cristo será engrandecido se eu viver ou se eu morrer. Porque para mim a vida é Cristo, e a morte é lucro”.   O versículo 20 é uma resolução. O 21 é a base, a razão, o fundamento dessa resolução. E os versículos 22 a 24 Paulo desenvolve esse fundamento, o que nos ajuda entender o que ele realmente está dizendo.   Então agora, vamos olhar para essas duas declarações de Paulo, que (1) viver é Cristo e que (2) morrer é luco, e entendê-las a luz de seus desenvolvimentos nos versos 22 a 24. Depois concluiremos com a própria conclusão de Paulo, nos versos 25 e 26.   Vamos começar pela segunda declaração desse versículo: morrer é lucro! O que Paulo quer dizer quando declara que para ele, “morrer é lucro”? O que ele quis dizer quando diz que “Cristo seria engrandecido pela sua morte”?   ·       MORRER É LUCRO (vs. 23) A resposta está no versículo 23:   [Filipenses 1:23] Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.   A vida e a morte, e as maneiras de Cristo ser engrandecido em Paulo, fazia com que o apóstolo entrasse em um dilema.   Por um lado, está a realidade de estar vivo e poder engrandecer Cristo com a vida, que será o próximo ponto do sermão.   Mas por outro está o lado de partir, de morrer, e ESTAR COM O PRÓPRIO CRISTO! Estar com Cristo é incomparavelmente melhor do que qualquer coisa nessa vida!   Essa é a resposta para pergunta, do porquê morrer é considerado lucro para Paulo! Porque ao morrer, ele estaria na presença de Cristo, seu Senhor, Salvador, Rei!   O valor de estar na presença de Cristo é algo que não tem comparação com nada nessa vida.   Ora, imagina você ter R$100.000,00 (cem mil reais)! Cem mil reais têm valor! É um valor alto em dinheiro.   Mas imagina você ter $100.000.000 (cem milhões de dólares)! É um valor muito maior! O lucro desse valor é incomparavelmente maior!   Poder engrandecer Cristo com a sua vida tem muito valor! Vamos passar um bom tempo vendo isso no texto.   Mas ESTAR com Cristo, é incomparavelmente maior e melhor!   Na verdade, só tem sentido engrandecer Cristo na sua vida, se por trás disso, existe um desejo no seu coração de estar com o próprio Cristo!   Se você faz as coisas em nome do Senhor, mas o seu coração não o deseja verdadeiramente, algo está muito errado!   É como um marido que trabalha muito em nome de prover para sua esposa e seus filhos uma boa condição de vida. Mas ele não se deleita da presença, da companhia, da sua esposa, e dos seus filhos. Ele não manifesta o prazer em estar com a esposa, com os filhos.   Ele pode fazer muitas coisas em nome da família. Mas se não há desejo, prazer, alegria em estar com a família, o que ele está fazendo, não tem sentido! Tem algo muito errado aí!   Paulo sabia que se ele morresse, o que ele teria, era de um valor imensurável: ele estaria na presença do seu Salvador, a quem ele tanto amava e proclamava!   A verdade dessa sentença traz duas aplicações importantes para nós:   1.     Você tem desejo de estar com Cristo? Avalie, sonde, verdadeiramente o seu coração... Para você, se a morte batesse hoje na sua porta, você realmente a veria como lucro?   Para você, estar com Cristo é realmente incomparavelmente melhor do que qualquer coisa nessa vida?   Se isso não é uma realidade no seu coração, talvez você esteja distraído demais com as paisagens dessa curta peregrinação, meu irmão!   Se isso não é uma realidade no nosso coração, um sinal amarelo deve acender! Devemos pedir ajuda do Espírito Santo, para sondarmos o nosso coração, e percebermos o que os nossos olhos estão distraídos que não contemplando a Cristo e resultando em um desejo de estar com ele!   Mas, se isso não é uma realidade para você, pode ser um cenário ainda pior do que estar distraído! Um coração que não almeja verdadeiramente Cristo pode ser evidência de olhos que nunca contemplaram verdadeiramente Cristo.   Meus irmãos, como é triste e perigoso a possibilidade de vivermos vidas religiosas, sem fé verdadeira! Como é possível trabalhar, fazer tantas coisas com a justificativa de estar fazendo por motivos nobres, estar fazendo até em nome de Cristo... Mas o coração está longe dele! O desejo está longe de ser estar na presença dele! Estar agarrado nas coisas desse mundo, como uma árvore com raízes tão profundas, que pode passar a tempestade que for, que ela não desgarra do solo! Jesus já disse que esses ouvirão dele “apartai-vos de mim, eu não os conheço!”.   Se for esse o seu caso, se arrependa diante do Senhor! Se arrependa de desejar as coisas desse mundo e rejeitar aquele que veio para te dar vida! Coloque sua fé em Cristo verdadeiramente! Faça dele o seu tesouro!     Que haja em nosso coração um desejo verdadeiro de estar com Cristo! Uma convicção verdadeira de que estar com ele é incomparavelmente melhor!   Essa é a primeira aplicação da sentença de Paulo acerca da morte. A segunda aplicação é:   2.     Seja encorajado a enfrentar a morte, meu irmão! Filipenses 1:21,23 traz um importante ensino sobre a vida após a morte: Todo crente quando morre, automaticamente, tem sua alma levada ao Senhor.   Na volta de Cristo seu corpo será ressuscitado, e sua alma se unirá ao corpo para viver para todo o sempre com Cristo.   Mas, desde já, quando um crente fecha os olhos desse lado do céu, no segundo seguinte, ele se encontra do outro lado, na presença do seu Senhor.   Por isso que, o ladrão que estava ao lado de Jesus, também sendo crucificado, após professar uma fé verdadeira em Jesus como Deus e Rei, ouve do seu Senhor:   [Lucas 23:43] — Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.   Paulo não estava preocupado com a morte, porque a morte lhe daria o que o seu coração mais almejava: Cristo! Estar com Cristo!   Jhon Owen escreveu: “A morte do crente é o meio ordenado por Deus para libertá-lo totalmente do pecado e introduzi-lo na presença gloriosa de Cristo.” (Meditations and Discourses on the Glory of Christ).   Thomas Watson também escreveu: “A morte é uma amiga que abre a porta do céu ao crente.”   Morrer significava que Paulo estaria com o seu Senhor. E ele também tinha esperança de que a sua morte, nano somente a sua vida, engrandeceria Cristo!   Eu quero meditar sobre isso, e aplicar para você, meu irmão, que crê verdadeiramente no Senhor, ele é o seu Salvador, mas quando você pensa na morte, ou até mesmo você esteja passando por uma circunstância que parece que a morte está próxima, você fica preocupado, talvez até com medo...   Eu quero te ajudar a ser encorajado a enfrentar a morte com confiança! Porque Cristo é engrandecido em nossa morte!   Cristo seria engrandecido pela morte de Paulo por, pelo menos, duas razões:   1.     Testemunho: ao morrer em perseguição, sem negar a Cristo, mas mantendo nele sua alegria e fé mesmo diante da morte, Paulo estava deixando claro para o mundo à sua volta, a razão da sua esperança, que nada poderia o separar de Cristo, nem mesmo a morte (como ele escreve em Romanos 8) e que Cristo era o seu bem de maior valor!   As pessoas a volta de Paulo saberiam que aquele homem estava morrendo por confiar e proclamar o evangelho de Jesus!   Deus é glorificado quando um crente persevera até o fim, sendo levado as vezes até a morte, por não negar e abandonar o seu Salvador, que se entregou por ele.   Deus é glorificado na morte de homens e mulheres fiéis a ele.   E essa não é uma realidade somente sobre os mártires.   Você já deve ter tido a experiência de ter ido em um velório de um crente verdadeiro, aquele homem ou mulher que ninguém tinha dúvida do quanto amava o Senhor e o quanto viveu para a glória do seu Senhor.   O que geralmente acontece nesse tipo de velório? As pessoas têm sim um sentimento de tristeza, pela saudade que a pessoa amada vai deixar, pelo carinho que tinha, pelo amor.   Mas ao mesmo tempo tem um sentimento de esperança e alegria em saber que aquela pessoa está com o Senhor! Que depois de tanto tempo amando a Cristo, agora ela está com aquele quem deu a vida por ela!   E as conversas das pessoas ali giram em torno de dar testemunhos de como o Senhor trabalhou na vida daquele querido irmão/irmã que partiu. E vão glorificando a Deus por tudo que foi feito através da vida daquele(a) irmão(ã).   Então o TESTEMUNHO é uma razão do porquê Cristo é engrandecido pela morte dos crentes.   A segunda razão que Cristo é engrandecido na morte é:   2.     A própria experiência pessoal do crente ao partir para se deleitar plenamente de Cristo!   Cristo morreu para restaurar a comunhão entre Deus e seu povo. Quando um crente morre, agora ele experimenta, mais do que nunca, essa preciosa comunhão!   E essa é mais uma evidência da vitória de Cristo, e onde ele é engrandecido!   ·       A vitória de Cristo é celebrada quando um pecador se arrepende, e coloca sua fé nele como salvador, sendo assim justificado para sempre!   ·       A vitória de Cristo é celebrada quando o pecador justificado agora vive em santidade, possibilitada pela presença do Espírito em sua vida.   ·       E a vitória de Cristo é celebrada quando esse pecador justificado, santificado, chega até a presença do seu Senhor, para desfrutar de plena comunhão conquistada por ele! Foi para esse fim que Cristo se sacrificou! E ele é engrandecido quando isso se cumpre!   E aqui então eu quero encorajar você, meu irmão, que está com o coração preocupado diante da morte! Não é raro alguns crentes verdadeiros quando estão perto da morte sofrerem lutas em seus corações.   Eu quero te encorajar, a enfrentar a morte com confiança! Porque a morte já foi tragada pelo seu Salvador! E agora a morte é sua amiga, em te levar na presença do seu Rei!   O que você deve fazer para enfrentar essa batalha diante da morte é se apegar as promessas de Cristo, as verdades preciosas do Evangelho! Se fortalecer nas orações e súplicas de seus irmãos. E desfrutar dessas poderosas certezas:   1.     Se a sua fé está em Cristo, ele será engrandecido na sua morte! 2.     Se a sua fé está em Cristo, você estará com ele ao morrer! Se você morrer hoje, ainda hoje você estará com ele no paraíso! E isso é incomparavelmente melhor!   Então você pode descansar e enfrentar a morte, com confiança no Senhor.   E por isso Paulo não estava preocupado se permaneceria preso. Ou até mesmo se morreria. Bastava saber que Cristo seria engrandecido, seja o que acontecesse.     Mas... ainda tinha outro lado. Outro desfecho poderia acontecer: Paulo poderia continuar vivendo. Talvez não fosse o momento para ele morrer.   Se esse fosse o caso, Paulo tinha a mesma convicção: Cristo seria engrandecido. Agora, pela sua vida. E para isso Paulo disse: “O viver é Cristo”.   Vamos entender essa outra declaração de Paulo. O que significa “viver Cristo”?   ·       O VIVER É CRISTO (vs. 22-24) Vamos ler os versículos 21 a 24:   [Filipenses 1:21] Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. ²² Entretanto, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho frutífero. Assim, não sei o que devo escolher. ²³ Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. ²⁴ Mas, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver.     Nos versos 21 e 23 Paulo mostra que é melhor estar com Cristo. Mas nos versos 22 e 24 ele começa com: “entretanto”... “mas”...   Mesmo sabendo que era melhor passar pela morte e estar com Cristo, Paulo enfatiza que em contraste com isso, havia uma outra opção, um outro lado...   Esse outro lado era permanecer vivo e SER UM SERVO. Era Paulo não pensar em si mesmo e no desfrute que teria na presença do Senhor, e pensar nos outros, a quem ele poderia abençoar com “o seu trabalho frutífero”.   Essas duas realidades, de um lado estar com Cristo, e do outro abençoar seus irmãos, era um dilema para Paulo.   Mas, mesmo sabendo que é incomparavelmente melhor estar com Cristo, por causa de seus irmãos, ele entende que é mais necessário que ele continue a viver.   E aqui Paulo está explicando o que é viver Cristo!   “A morte é lucro” significa estar com Cristo.   E “Viver é Cristo” significa viver PARA Cristo! Viver COMO Cristo! Viver como um servo!   Viver Cristo significa em outras palavras, o que Paulo escreveu aos Gálatas:   [Gálatas 2:19] Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; ²⁰ logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.   Viver Cristo significa Cristo viver em mim! Viver Cristo significa viver como Cristo viveu! Viver Cristo significa viver como servo. Assim como Cristo, o Rei, foi servo sofredor!   Paulo escreveu exatamente isso no capítulo 2 de Filipenses. Ele mostrou como Cristo trilhou um caminho pelo qual todo crente devesse passar! Um modo de pensar, uma maneira de viver, que espelhasse exatamente o que Cristo fez: foi servo!   Avancem para o capítulo 2. Do verso 3 ao verso 11:   [Filipenses 2:3] Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, ⁴ não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. ⁵ Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, ⁶ que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. ⁷ Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana, ⁸ ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. ⁹ Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, ¹⁰ para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, ¹¹ e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.     Qual foi o caminho de Cristo?   Ele vivia na glória, mas deixou a glória, para assumir o caminho de servo! Ele se entregou para servir, no nível máximo, entregando a própria vida para nos salvar.   Paulo sabia que se ele morresse, ele estaria na glória com o seu Senhor. Mas Paulo sabia que tinha esse outro caminho, o caminho trilhado pelo seu Senhor! O caminho do serviço. Paulo renunciou o que era melhor para si, para então se entregar em serviço.   Sabendo que assim como Cristo foi recebido na glória pelo Pai, ele seria recebido na glória pelo Pai!   Paulo entendeu que viver, é Cristo. Que ao viver Cristo, ao viver como Cristo, Cristo seria engrandecido pela sua vida.   ·       Três exemplos de viver Cristo em Filipenses E se Cristo foi a manifestação máxima de uma vida de serviço que trouxesse glória ao Pai, podemos ver três exemplos em Filipenses de como isso deve ser imitado por aqueles que seguem a Cristo!   Eu quero olhar para esses três exemplos reais de homens que viveram Cristo em suas vidas, que viveram como servos engradecendo o Senhor, para que seja um encorajamento para nós HOJE, vivermos Cristo em nossas vidas. Vivermos para engrandecer a ele!   O primeiro exemplo é o próprio Paulo.   1.    PAULO (vs. 1:12-14) Volte alguns versículos no capítulo 1. Veja como Paulo estava enxergando sua vida, o fato de estar preso, como oportunidade de engrandecer a Cristo:   [Filipenses 1:12] Quero ainda, irmãos, que saibam que as coisas que me aconteceram têm até contribuído para o progresso do evangelho, ¹³ de maneira que toda a guarda pretoriana e todos os demais sabem que estou preso por causa de Cristo. ¹⁴ E os irmãos, em sua maioria, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar a palavra com mais coragem.    Paulo não estava consumido por vingança, tristeza, ou angústia em estar preso injustamente.   Paulo estava enxergando aquela circunstância como providência do Senhor em fazer com que o evangelho progredisse! Os guardas e todos os demais ali sabiam que ele estava preso POR CAUSA DE CRISTO. Cristo estava sendo testemunhado naquela situação injusta em que Paulo foi colado!   Além do mais, tem o efeito colateral, o efeito dominó! Não só Paulo estava pregando ali para as pessoas no cárcere.   Mas os seus irmãos, que não estavam presos, não estavam amedrontados em também sempre presos! Pelo contrário, estavam sendo estimulados pelo Senhor por conta da prisão de Paulo, a falarem do evangelho com mais coragem!   E assim, com Paulo pregando Cristo na prisão, e os irmãos encorajados com isso pregando Cristo fora da prisão, Cristo estava sendo engrandecido pela vida de Paulo.     Outro exemplo de como viver Cristo, e fazer ele engrandecido é o pupilo de Paulo, seu companheiro de ministério, Timóteo.   2.    TIMÓTEO (2:19-23) Vejam como Paulo o descreve no capítulo 2, versos 19 ao 23.   [Filipenses 2:19] Espero no Senhor Jesus enviar-lhes Timóteo o mais breve possível, a fim de que eu me sinta animado também ao receber notícias de vocês. ²⁰ Porque não tenho ninguém com esse mesmo sentimento e que se preocupe tão sinceramente por vocês. ²¹ Todos os outros buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. ²² Quanto a Timóteo, vocês conhecem o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como um filho trabalha ao lado do pai. ²³ Portanto, este é quem espero enviar, tão logo eu saiba como vai ficar a minha situação.    Quando Paulo expressa seu plano de enviar Timóteo para visitar os Filipenses enquanto este estava preso, olha como ele descreve esse jovem homem de Deus!   ·       Alguém que se preocupava com os Filipenses! ·       Mais do que isso, alguém que tinha o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus! Que não buscava seus próprios interesses, mas sim os de Jesus Cristo. ·       Alguém que SERVIU ao evangelho.   Timóteo estava vivendo Cristo! Estava vivendo como servo! Estava se importando mais com os outros, do que com seus próprios interesses. Estava engrandecendo Cristo com o seu viver.   E por fim, o terceiro exemplo em Filipenses é o próximo homem citado por Paulo:   3.    EPAFRODITO (2:25-30) [Filipenses 2:25] No entanto, julguei necessário enviar-lhes Epafrodito, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas, e, da parte de vocês, mensageiro e auxiliar nas minhas necessidades. ²⁶ Ele tinha muita saudade de todos vocês e estava angustiado porque vocês ficaram sabendo que ele adoeceu. ²⁷ De fato, adoeceu e estava à beira da morte. Mas Deus se compadeceu dele — e não somente dele, mas também de mim —, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. ²⁸ Por isso, tanto mais me apresso em mandá-lo, para que, vendo-o novamente, vocês fiquem alegres e eu tenha menos tristeza. ²⁹ Recebam-no, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrem sempre os que são como ele. ³⁰ Porque, por causa da obra de Cristo, ele quase morreu, arriscando a própria vida, para suprir a ajuda que vocês não podiam me dar pessoalmente.   Este homem, Epafrodito, é mencionado nessa única vez na Bíblia. Mas vejam como ele é descrito por Paulo como um exemplo de alguém que vive Cristo!   ·       Epafrodito era cooperador e companheiro de lutas no ministério de Paulo. ·       Um auxiliar de suas necessidades. ·       Alguém que também se preocupava com os filipenses, sentindo saudades e angustiado porque eles estavam preocupados com o seu estado de saúde ·       E Paulo diz que ele quase morreu PELA OBRA DE CRISTO!   E como? Como Epafrodito quase morreu por causa da obra de Cristo? Servindo! Sendo servo! Como o seu Senhor Jesus, o servo! Epafrodito arriscou a própria vida para suprir a ajuda que Paulo precisava.   Aplicação: Vivam Cristo! Vivam para Cristo ser engrandecido! Sejam servos.   Meus irmãos, não tem segredo! A maneira de viver Cristo é viver como Cristo! Servindo. O nosso chamado é o mesmo de Paulo, de Timóteo, de Epafrodito!   O nosso chamado é considerarmos a morte como lucro, para estarmos com o Senhor.   E enquanto vivermos, considerarmos a vida, um meio para engrandecermos a Cristo. Vivemos Cristo renunciando os nossos interesses para vivermos pelos outros!   Como muitos de vocês sabem, meu sogro e a minha sogra se mudaram essa semana para Curitiba. Desde quando meu sogro tomou a decisão, nós entramos em contato com um pastor de uma igreja em Curitiba, avisando da ida deles, para que os irmãos pudessem recebê-los.   No mês passado meu sogro foi visitar a empresa na qual ele trabalhará, e a sua expectativa era aproveitar a viagem para ter um primeiro contato já com a igreja. Como era durante semana, não teria culto, e então ele perguntou se o pastor poderia tomar um café com ele.   A resposta do pastor diante do nosso contato foi não apenas tomar um café com o meu sogro, mas chamá-lo para jantar em sua casa junto de sua família. - Ele ofereceu hospedagem para aquela semana. - Ofereceu hospedagem para quando meu sogro fosse definitivamente com a minha sogra, até que eles se acertassem no novo lar. - Ofereceu ajuda caso precisasse ir receber os móveis no apartamento enquanto meu sogro ainda não chegava. - Ofereceu ajuda com a mudança.   Hoje será o primeiro culto deles com os irmãos na igreja. O pastor ofereceu que fossem ter um momento de comunhão após o culto.   O que esse pastor está fazendo com todas essas iniciativas? Ele está vivendo Cristo! Está servindo! Está abrindo mão de seus interesses para ajudar um irmão que ele sequer conhecia!   Ele está engrandecendo Cristo com a sua vida.   Eu como genro, filho, fiquei com o coração cheio de alegria e gratidão ao Senhor pelo seu cuidado e pelo amor de irmãos queridos que ainda nem conheço.   Mas sabe o que também encheu meu coração de alegria e gratidão?   Eu estava essa semana almoçando com uma família de amigos, que certa vez se mudaram de outra cidade aqui para Sumaré e foram membros da IBJM... e eu estava compartilhando toda essa situação com eles, do acolhimento dessa igreja lá de Curitiba aos meus sogros.   E sabe o que esse amigo me respondeu ao ouvir todo esse relato?   “Uau... isso parece a IBJM!”   Isso encheu o meu coração de alegria e gratidão ao Senhor! Louvado seja o Senhor!   Que vocês perseverem assim, meus irmãos! Continuem sendo marcados, conhecidos, por uma vida de serviço, por uma vida sacrificial, por uma vida de amor aos outros! - Realizando mudança daqueles que chegam em nossa cidade. - Ajudando os noivos que vão se casar, fazendo decoração, cerimonial, música, festa... - Servindo nos ministérios da igreja! - Organizando o sítio antes das confraternizações. - Limpando o sítio depois das confraternizações. - Ficando na churrasqueira para as famílias comerem. - Preparando pratos para as famílias comerem. - Ajudando os papais e mamães com os desafios dos bebês recém-nascidos. - Cuidando dos enfermos! - Sustentando aqueles irmãos que estão cuidando dos pais enfermos!   Quantas e quantas oportunidades nós temos para vivermos como servos!   Continuem vivendo uma vida de serviço! Porque isso é viver Cristo! E assim, Ele, Cristo, será engrandecido pela nossa vida! Pela vida da nossa igreja!     A CONCLUSÃO DA RESOLUÇÃO: VIVENDO ENGRANDECENDO CRISTO (vs. 25-26) Talvez quando eu comecei o expor o versículo 21, você pode ter se perguntado, por que eu comecei expondo sobre “morrer é lucro” antes de expor sobre “viver é Cristo”. Paulo diz primeiro “o viver é Cristo” e depois “o morrer é lucro”.   Mas eu comecei por “morrer é lucro” e depois expliquei “o viver é Cristo”, justamente, porque “viver Cristo” foi a conclusão de Paulo!   Quando Paulo compara os dois lados, ele se vê em um dilema do que escolher. Mas logo ele conclui que deveria viver! Viver Cristo.   [Filipenses 1:25] E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vocês, para que progridam e tenham alegria na fé. ²⁶ Desse modo, vocês terão mais motivo para se gloriarem em Cristo Jesus por minha causa, pela minha presença, de novo, no meio de vocês.   Mesmo meditando sobre a alegria incomparável que é partir dessa vida e estar com o Senhor, ele conclui sendo convencido de que deveria continuar viver para servir.   Em meio as lutas e sofrimento da prisão, diante da possibilidade de partir e estar com o Senhor, Paulo é convencido de que deveria viver e seguir servindo seus irmãos, pois isso traria progresso e alegria na fé deles.   E qual seria o resultado disso? O que resultaria essa escolha de uma vida de sacrifício e serviço?   Aquilo que ele tinha expectativa e esperança que aconteceria: Cristo seria engrandecido!   Os filipenses se gloriariam em CRISTO JESUS, por causa de Paulo.   Cristo receberia glória de seus irmãos na fé, à medida que fossem servidos pela vida e ministério de Paulo. Mesmo que isso fosse à custas de seus sofrimento em estar preso, ou qualquer outro que encarasse em seu ministério.   É por isso que Paulo tinha essa resolução, essa ardente expectativa e esperança que Cristo seria engrandecido de um jeito ou de outro em seu corpo:   ·       Porque se ele morresse, morreria por seguir Cristo, morreria em fidelidade a Cristo, morreria e desfrutaria de Cristo. E Cristo seria engrandecido.   ·       Mas se ele vivesse, viveria Cristo, viveria para Cristo, viveria como Cristo. E Cristo seria engrandecido!   Quer pela vida, quer pela morte… não importava a circunstância!   O que importava era que, seja o que acontecesse, fosse usado de alguma maneira para trazer glória ao seu Senhor!   “Viver é Cristo” e “morrer é lucro”, essas duas declarações de Paulo, significam que que O QUE MAIS IMPORTA NA SUA VIDA É CRISTO. E O QUE MAIS IMPORTA NA SUA MORTE, É CRISTO!   Quando você passa a enxergar dessa forma, você aprender a estar contente em toda e qualquer situação! Quando entendemos que as situações não são fim em si mesmas, mas apenas meios para, de alguma forma, fazer Cristo ser engrandecido, então podemos viver sempre contentes no Senhor!   Porque a nossa alegria deixa de estar no que está acontecendo na nossa vida, e passa a estar naquele a quem queremos trazer glória em cada acontecimento das nossas vidas.   Salmo 16, lemos mais cedo no culto:   ¹ Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio. ² Digo ao Senhor: "Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente."   ⁵ O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice; tu sustentas a minha sorte.   ⁸ Tenho o Senhor sempre diante de mim; estando ele à minha direita, não serei abalado. ⁹ Por isso o meu coração se alegra e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro.   ¹⁰ Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. ¹¹ Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita, há delícias perpetuamente.   Alguém como o salmista, alguém como Paulo, cujo coração está no Senhor, cuja convicção é de que o Senhor é o seu bem, nenhum outro, que ele é a sua herança, que na sua presença há plenitude de alegria, delícias perpetuamente… alguém assim, pode considerar a morte lucro! Pode passar por tribulações, falando de alegria.   Alguém assim, pode viver ou morrer, com a ardente expectativa e esperança, acima de qualquer circunstância, em fazer Cristo ser engrandecido!   Viver e morrer, para trazer glória àquele que nos deu vida. Que Cristo seja engrandecido. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Filipenses 1.19-26: Cristo seja engrandecido

A boa notícia é que a resposta não está na autoajuda. E não está em nenhum medicamento. A resposta está aqui, nas Escrituras. Mais especificamente, a resposta está em Cristo!

Read More
Série Natal 2025 
 14 de Dezembro de 2025 – IBJM 
 Vamos começar hoje uma série de 2 sermões sobre o Natal. No Natal deste ano, eu gostaria de fazer duas viagens no tempo para meditarmos ainda mais sobre o que significa ter um Salvador como o nosso que, além de receber títulos como:   “Maravilhoso Conselheiro”, “Deus Forte”, “Pai da Eternidade”, “Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).   É chamado também de “Cordeiro de Deus”.   Além de ser chamado de “Emanuel (Deus conosco)”, “Filho de Deus”, “Rei dos reis” e “Senhor dos senhores”, ele é também chamado de “Cordeiro”.   Eu gostaria de fazer duas viagens no tempo: a primeira viagem é para o passado. Vamos voltar no tempo—2 mil anos antes de João Batista ver Jesus e dizer: “Eis o Cordeiro de Deus”, e vamos ver uma das primeiras passagens da Bíblia, em Gênesis, em que aparece a palavra “cordeiro”.   A segunda viagem no tempo, no próximo domingo, é para o futuro—para o livro de Apocalipse, para o final da história desse mundo, para um evento que a Bíblia chama “as Bodas do Cordeiro”. Um dia de casamento: o dia em que Noiva e Noivo se casarão e viverão felizes para sempre, como toda boa história termina.   Mas nesse domingo nós estamos indo na outra direção no tempo. Vamos voltar 4 mil anos em relação ao nosso Natal de 2025.   Vamos voltar para o dia em que Abraão também fez uma viagem—uma viagem para um monte. Certamente, a viagem mais difícil que Abraão fez em toda a vida dele.   Você já deve ter passado por isso: Deus chama você a fazer coisas que, no momento, parecem sem sentido, mas que depois você acaba entendendo a razão.   Gênesis 22 é uma passagem carregada—muito carregada—de emoção. Ela tem 3 personagens principais: Abraão, Isaque e Deus. E desses três, você sabe qual é o principal.   A passagem se divide em 3 grandes eventos. E Deus é quem lidera a história. Ele é quem conduz.   1.     DEUS PROVA (VV. 1-10)   Deus prova a fé de Abraão. Moisés—o autor de Gênesis—começa nos explicando o que está acontecendo aqui:   [1] Depois dessas coisas, Deus pôs Abraão à prova e lhe disse: — Abraão! Este lhe respondeu: — Eis-me aqui! [2] Deus continuou: — Pegue o seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá à terra de Moriá. Ali, ofereça-o em holocausto, sobre um dos montes, que eu lhe mostrar.   Nós precisamos ter isso em mente durante toda a passagem. Deus está provando Abraão. Deus está testando a fé de Abraão.   Não porque Deus não sabe o que está dentro do coração de Abraão. Deus sabe de todas as coisas. Mas porque Deus quer ensinar a ABRAÃO, Deus quer ensinar ao povo de ISRAEL—que recebeu o livro de Gênesis no deserto—e Deus quer ensinar a IGREJA (nós, hoje!)—quem ele é e como nós andamos com ele.   Se você pega a sua Bíblia, abre em Gênesis 22, lê e vê Deus dizendo para Abraão pegar o filho dele e sacrificá-lo, isso já é suficiente para chacoalhar você. Parece uma ordem sem sentido: “Abraão, mate seu filho”.   Mas para nós sentimos ainda mais a força do teste que Abraão está passando—para nós sentirmos ainda melhor o peso da emoção, nós precisamos voltar ainda mais no tempo antes de continuar na viagem de Abraão até o monte Moriá. Vamos fazer um flashback e voltar algumas décadas na vida de Abraão.   A VIDA DE ABRAÃO   Nós não sabemos quase nada da infância e da juventude de Abraão. Na verdade, nós não sabemos quase nada dos primeiros 75 anos de Abraão.   • Nós sabemos que Abraão morava em Ur dos caldeus (Gênesis 11:27). • E que Abraão adorava outros deuses (Josué 24:3).   Nós não sabemos quase nada, mas essa informação é muito importante para entender a história de Abraão.   Abraão veio de uma família pagã. Abraão foi criado no meio da idolatria. Abraão orava para deuses que não existem. Abraão prestava culto para deuses falsos. Abraão e a família dele adoravam ídolos—obra de mãos humanas.   • Mas quando Abraão não amava a Deus, Deus amou Abraão. • Quando Abraão não buscava a Deus, Deus buscou Abraão.   Quando Abraão não confiava em Deus, Deus chamou Abraão com um chamado irresistível—como ele fez com você, crente.   Deus deu uma ordem específica para Abraão:   — Saia da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai e vá para a terra que lhe mostrarei (Gênesis 12:1)   E Deus fez promessas específicas para Abraão. Deus prometeu dar a Abraão uma terra, um descendente e abençoar todas as famílias da terra através dele.   A Palavra de Deus realmente tem poder para mudar o nosso coração, porque a frase seguinte no texto de Gênesis, depois das promessas que Deus fez à Abraão é:   Partiu, pois, Abrão, como o Senhor lhe havia ordenado (Gênesis 12:4).   Abraão tinha 75 anos de idade quando ele partiu.   Passam-se vários anos, e nada de Sara engravidar. E Abraão começa a balançar. Mas Deus conhece o nosso coração. Ele sabe o que nós precisamos ouvir na hora em que nós precisamos ouvir.   Deus aparece para Abraão em uma visão e diz:   Não tenha medo, Abrão, eu sou o seu escudo, e lhe darei uma grande recompensa (Gênesis 15:1).   Abraão não entende. O Senhor fez grandes promessas para ele, mas até agora nada.  Abraão está confuso. Ele começa a pensar se o servo dele (em vez de um filho) será o descendente prometido.   Mas Deus diz: “Não. O herdeiro será gerado por você”.   Então o Senhor levou-o para fora e disse: — Olhe para os céus e conte as estrelas, se puder contá-las. E lhe disse: — Assim será a sua posteridade (Gênesis 15:5).   O texto diz:   Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi atribuído para justiça (Gênesis 15:6).   Abraão creu no Senhor. Abraão creu! Abraão é um crente.   Mas passam-se vários anos, e nada de Sara engravidar. Em vez de confiar no Deus que trabalha para aquele que espera nele, Abraão e Sara criaram um plano. Um esquema humano.   Essa é a nossa tentação. Em vez de esperar no Senhor, nós queremos resolver com as próprias mãos. Já que Sara não estava conseguindo ter um filho, Abraão se deita com Agar, a serva egípcia, e ela tem um filho: Ismael.   Mas não é assim que nós andamos com Deus. Não por obras nossas obras, nosso esforço, nossos esquemas. Com Deus, você anda pela fé.   Deus precisa ensinar a Abraão, a Israel, e a nós que, para andar com Deus, nós precisamos aprender a esperar e confiar nele.   E Deus vai nos ensinar. Deus é paciente.   Passam-se mais vários anos, e nada de Sara engravidar... ainda. Para ser mais exato, passam-se 25 anos. Agora Abraão tem 99 anos. Sara tem 90 anos. Pronto, Deus trouxe Abraão e Sara até o ponto onde eles não têm mais para onde ir. Não tem mais o que fazer. Não é humanamente possível um casal de idosos de 90 anos terem um filho.   Agora, ou Deus faz, ou Deus faz. Deus acabou com as alternativas humanas.   Você já deve ter passado por isso: você tentou de tudo, mas não adiantou nada. Ou quase nada. Você lutou, lutou, mas nada mudou. E agora que Deus esvaziou você de você mesmo, se acontecer alguma coisa agora, ou foi Deus ou foi Deus. Não tem como você ou ninguém atribuir o mérito a alguma outra pessoa. Agora a glória só tem um lugar para ir—ou melhor: só tem uma pessoa para receber.   E Deus aparece, de novo, para Abraão e Sara. Abraão se prostra no chão e Deus repete a promessa:   — Eu sou o Deus Todo-Poderoso... Farei uma aliança entre mim e você e darei a você uma descendência muito numerosa... Você será pai de muitas nações (Gênesis 17:1-4).   Pronto, agora sim. Deus repetiu a repetição do que ele já tinha repetido. Agora Abraão e Sara entenderam! Agora eles vão confiar e esperar no Senhor, certo? Ainda não.   Deus fala que Sara terá um filho, mas Abraão não consegue entender. Abraão ri e pensa com ele mesmo:   “Pode nascer um filho a um homem de cem anos? E será que Sara, com os seus noventa anos, ainda poderá dar à luz?” (Gênesis 17:17)   Então Abraão disse para Deus: — Quem dera que Ismael vivesse sob a tua bênção! (Gênesis 17:18)   Ismael!? Abraão, Deus está falando que Sara terá um filho, e você continua com essa história de Ismael?   Mas tenhamos paciência com Abraão: o que Deus está prometendo é realmente absurdo: uma mulher de 90 anos tendo um filho com um homem de 100 anos?   Abraão insiste com essa ideia de Ismael, mas Deus insiste que ele vai cumprir a promessa dele:   Deus respondeu [a Abraão]: — Na verdade, Sara, a sua mulher, lhe dará um filho, e você o chamará de Isaque (Gênesis 17:19).   Deus dá o prazo de um ano. E Deus cumpre o prazo. Essa senhorinha de cabelo branco, pele bem enrugada, fica barriguda. Só Deus pode fazer uma coisa dessas.   Sara tem um filho: Isaque, o filho da promessa, o filho da aliança, o filho que não foi obra da carne, mas foi obra de Deus.   Depois desses 25 anos de história de Abraão com Deus, de altos e baixos, de fé firme e fé balançando, e muitas reviravoltas, parece que a história está caminhando para eles viverem felizes para sempre, como toda boa história termina.   Gênesis 21:8—Isaque cresceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete.   Depois de tanta espera, um grande banquete é mais do que esperado! Eu fico imaginando se Abraão e Sara conseguiam tirar o sorriso do rosto pelos próximos 25 anos.   Que luta! Que espera! Que história! Mas a história de Abraão, Isaque e Deus ainda tem mais um capítulo. O capítulo mais importante de todos: Gênesis 22.   Gênesis 22:[2] Deus continuou: — Pegue o seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá à terra de Moriá. Ali, ofereça-o em holocausto, sobre um dos montes, que eu lhe mostrar.   A passagem está carregada de emoção. Existe um peso nas palavras. Cada palavra coloca pressão na fé de Abraão.   — Pegue o seu filho , seu único  filho, Isaque, a quem você ama , e vá à terra de Moriá. Ali, ofereça-o em holocausto..   A fé de Abraão foi testada várias vezes nesses 25 anos. Mas Deus deixou o maior teste para o final. Deus não poderia ter pedido mais de Abraão. Deus não poderia ter criado um teste mais difícil.   Sacrificar o descendente? Quando finalmente Deus deu Isaque para Abraão, Deus agora fala: “Eu vou tomá-lo de você”. O que Deus está fazendo? Deus vai matar o milagre?   Eu não sei se Abraão conseguiu dormir naquela noite. O texto não diz o que se passou na mente de Abraão. Mas depois de muitos anos andando com o Senhor, ele sabe que ele pode confiar em Deus mesmo quando ele não entende tudo. Mesmo quando parece que ele não entende nada.   Mas a fé não é irracional. A nossa fé é racional. Nada faz mais sentido do que crer em um Deus desse—tão poderoso, tão bondoso, tão amoroso—mesmo quando as coisas não parecem fazer muito sentido.   Você pode confiar em Deus, não porque você entende tudo o que Deus está fazendo, mas porque você entende quem Deus é. Abraão creu em Deus e, de novo, ele partiu para o lugar que Deus ordenou.   O horário em que Abraão se levantou mostra a disposição dele de obedecer o Senhor.   [3] Na manhã seguinte, Abraão levantou-se de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, levou consigo dois dos seus servos e Isaque, seu filho. Rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.   [4] No terceiro dia, Abraão ergueu os olhos e viu o lugar de longe.   A distância de Berseba (onde ele estavam) para Moriá (onde estava o monte) era de 72 quilômetros. Eles ficaram 2 dias viajando. “No terceiro dia”, eles chegaram.   [5] Então disse aos servos: — Esperem aqui com o jumento. Eu e o rapaz iremos até lá e, depois de termos adorado, voltaremos para junto de vocês.   Vocês repararam no que Abraão disse? Ele não disse: “Depois de termos adorado, eu voltarei para junto de vocês”. Ele disse: “voltaremos”. “Nós voltaremos”. Abraão cria que Isaque voltaria também.   Abraão não sabia o que Deus faria, mas Abraão sabia quem Deus é. Ele sabia que Deus é capaz de transformar morte em vida. Foi o que ele fez quando ele tirou vida do ventre (morto) da Sara. Ele poderia fazer com Isaque também. Foi assim que o autor de Hebreus interpretou essa passagem. Eu vou ler:   Hebreus 11:17-19—Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque. Aquele que acolheu as promessas de Deus estava a ponto de sacrificar o seu único filho, do qual havia sido dito: “A sua descendência virá por meio de Isaque.” Abraão considerou que Deus era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos, de onde também figuradamente o recebeu de volta.   A passagem é carregada de emoção. Veja a maneira como Moisés conta o que aconteceu:   [6] Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho. [Não só: “Isaque”. “Isaque, seu filho”]. Ele, por sua vez, levava nas mãos o fogo e a faca. Assim, os dois caminhavam juntos.   Isaque carregando a lenha para queimar. Abraão carregando a faca para sacrificar—para matar—o próprio filho. Moisés não precisava ter acrescentado esse final: “os dois caminhavam... juntos ”.   Mas Moisés quer nos ajudar a não só entender  a história, mas sentir  a história. Sentir o peso do que Deus está prestes a fazer.   Pai e filho caminhando juntos em direção ao matadouro. Por um momento, se imagine no lugar de Abraão. Você caminhando junto com o seu filho para amarrá-lo, pegar uma faca, e sacrificá-lo.   Esse diálogo é de partir o coração:   [7] Isaque rompeu o silêncio e disse a Abraão, seu pai: — Meu pai! Abraão respondeu: — Eis-me aqui, meu filho! Isaque perguntou: — Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? [8] Abraão respondeu: — Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. E os dois seguiam juntos.   Abraão aprendeu a andar pela fé. Ele não sabe o que irá acontecer, mas ele sabe em quem ele pode crer. Deus proverá. Deus proverá para si o cordeiro.   Não é interessante que Abraão diz: “Deus proverá para si ”? Deus proverá para ele mesmo porque o culto, a adoração, o sacrifício—é oferecido para ele. Nós oferecemos, sim, é você quem oferece o culto a Deus, mas é porque Deus está provendo para você o que você precisa entregar para ele.   Andar com Deus é assim. Nós temos milhões de necessidades. Deus não tem nenhuma. Ele é absolutamente autossuficiente. E da autossuficiência dele, ele ama suprir (prover!) para nossas necessidades. Assim, você recebe a graça que você precisa e ele recebe a glória que ele merece.   Adorar a Deus não é dar para Deus o que ele não tem. Adorar a Deus receber de Deus tudo o que nós precisamos e se prostrar em louvor.   Mas de quem Abraão está falando? Quem é o cordeiro que Deus proverá para si? O que parece é que Abraão está falando de Isaque de forma figurada.   Sem revelar o que Deus chamou ele a fazer, Abraão olha para Isaque, sem filho, seu único filho, a quem ele ama, e ele vê um cordeiro prestes a ser sacrificado.   [9] Chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado. Ali Abraão edificou um altar, arrumou a lenha sobre ele, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha. [10] E, estendendo a mão, pegou a faca para sacrificar o seu filho.   Se essa história estivesse em um livro, o capítulo terminaria aqui. Se fosse um filme, a tela ficaria escura. E haveria uma pausa. Um silêncio mortal. Literalmente, mortal.   A história já é carregada de emoção, mas esse é o ponto máximo de tensão. E nós chegamos no segundo grande evento de Gênesis 22. O Deus que prova é também o Deus que provê.   Versículos 1 a 10: Deus prova. Versículos 11 a 14:   2.     DEUS PROVÊ (VV. 11-14)   Deus prova a sua fé. Mas ele é o Deus que também provê o sacrifício.   [11] Mas do céu [do céu, onde Deus habita] o Anjo do Senhor o chamou: — Abraão! Abraão!   A Anjo do Senhor fala duas vezes por causa da urgência: Abraão! Abraão! Pare! Pare!   Ele respondeu: — Eis-me aqui! [12] Então lhe disse: — Não estenda a mão sobre o menino e não faça nada a ele [nada!], pois agora sei que você teme a Deus, porque não me negou o seu filho, o seu único filho.   Abraão passou no teste da fé. Ele passou com louvor. Louvor, não para ele, como nós vamos ver daqui a pouco. Abraão confiou e obedeceu a Deus.   Mesmo sem saber exatamente o que Deus faria, ele sabia que Deus faria o que é verdadeiro, o que é respeitável, e justo e puro e amável porque Deus é verdadeiro e respeitável e justo e puro e amável.   Abraão aprendeu a andar com Deus. Nós podemos aprender também.   [13] Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos. Abraão pegou o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. [14] E Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor Proverá”. Daí dizer-se até o dia de hoje: “No monte do Senhor se proverá.”   Andar com Deus é andar pela fé. Antes de erguer os olhos e ver o carneiro preso, Abraão creu. Abraão obedeceu.   Abraão não sabia como Deus iria prover, mas ele sabia que Deus é o Deus que provê.   E Deus proveu.   Abraão deu o melhor nome que aquele lugar poderia receber: “O Senhor Proverá”. E a partir do nome daquele lugar, uma mensagem começou a correr pelo mundo por anos, ao ponto de Moisés 700 anos depois dizer no versículo 14 “até o dia de hoje”: “No monte do Senhor se proverá”.   Isaque escapou da morte e o carneiro foi morto. Você consegue imaginar o impacto que ter visto o carneiro preso teve quando aquela imagem bateu nos olhos de Abraão?   Esse é o nosso Deus. O Deus que, da morte, tira vida. Da rocha no deserto, ele faz jorrar água. Na sua provação, ele dá provisão.   Você pode confiar em Deus mesmo quando, como Abraão, você não sabe o que ele vai fazer. Você pode confiar em Deus mesmo quando, como Abraão, ele leva você por um caminho que parece que irá levar a morte.   Porque Deus, do sofrimento, ele tira benção. Da provação, ele traz glória a ele e graça para você.   Nós temos mais glória para ver no alto do Monte Moriá, mas antes eu quero continuar com vocês na história, descer do monte junto com Abraão e Isaque e depois nós voltamos para contemplar mais da glória do Deus que prova, o Deus que provê e, por último:   3.     O DEUS QUE PROMETE (VV. 15-18)   Deus prova sua fé. Deus provê o sacrifício. Deus promete salvação.   [15] Então do céu [onde Deus habita] pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou Abraão [16] e disse: — Porque você fez isso e não me negou o seu filho, o seu único filho, juro por mim mesmo [não tem como ser um juramento mais solene: Deus jurando por Deus], diz o Senhor...   A oferta do Pai Abraão, entregando seu Isaque, nos lembra da oferta do nosso Deus e Pai entregando o filho dele. Paulo provavelmente estava pensando nessa frase do Anjo quando ele disse em Romanos 8:   Romanos 8:32—Aquele que não poupou [“não negou”] o seu próprio Filho, mas por todos nós o entregou, será que não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?   Sim, ele dará graciosamente tudo o que você precisa.   Agora, depois da fé de Abraão ter passado pelo fogo da provação e ter saído do outro lado pura, Deus repete as 3 promessas que ele fez quando ele chamou Abraão pela primeira vez (em Gênesis 12):   Primeiro, Deus promete do descendente dele criar uma nação:   [17] que certamente o abençoarei e multiplicarei a sua descendência como as estrelas dos céus e como a areia que está na praia do mar.   Segundo, Deus promete cidades—a Terra Prometida—mas para isso, eles terão que expulsar os inimigos:   Continuação do v.[17] (…) Sua descendência tomará posse das cidades dos seus inimigos.   O mundo de Abraão é diferente do mundo de Adão antes da queda. Agora, existem inimigos—os descendentes da Serpente. Para o reino de Deus avançar neste mundo, inimigos precisarão ser derrotados e a Serpente esmagada.   Terceira e última promessa repetida: benção mundial. Deus promete que nem uma nação da terra ficará sem a benção através do descendente de Abraão:   [18] Na sua descendência serão benditas todas as nações da terra, porque você obedeceu à minha voz.   Deus provou a fé de Abraão. Deus proveu o sacrifício para Abraão. Deus prometeu salvação para Abraão e cada nação na face da terra. O final é feliz, como toda boa história termina.   [19] Então Abraão voltou para onde estavam os seus servos, e, juntos, foram para Berseba, onde fixou residência.   Antes de subirmos o Monte Moriá de novo, nós temos aqui uma lição fundamental para nós aprendermos a andar com Deus pela fé. E a lição é a seguinte:   FÉ PRODUZ OBEDIÊNCIA   A fé verdadeira sempre se manifesta em obediência sincera. A fé invisível se manifesta em atos de obediência visíveis. Isso é andar com Deus.   Ouçam, por favor, como Tiago interpreta essa passagem de Gênesis 22:   Tiago 2:21-23—Por acaso não foi pelas obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu o seu filho Isaque sobre o altar? Você percebe que a fé operava juntamente com as suas obras e que foi pelas obras que a fé se consumou.   Por isso que Tiago disse que:   2:[17] (...) a fé, se não tiver obras, por si só está morta.   Vejam como o Anjo começou e como ele terminou as promessas para Abraão:   [16] [o Anjo] disse: — Porque você fez isso e não me negou o seu filho, o seu único filho, juro por mim mesmo... [porque você obedeceu]   E ele termina:   [18] Na sua descendência serão benditas todas as nações da terra, porque você obedeceu à minha voz.   “Porque você obedeceu”. Essa é uma obediência que flui da fé. Obediência é a materialização da fé. Nas palavras de Tiago: as obras são a consumação da fé.   Andar com Deus é andar pela fé. E onde a fé pisa, ela deixa a marca da obediência. Por onde a fé passa, fica o aroma das boas obras. Quando a fé é plantada no coração, brotam frutos. Frutos de amor.   MAS TUDO É GRAÇA   Mas Abraão não tem do que se orgulhar. Assim como você também não tem do que se orgulhar da sua obediência, cristão.   Sabe por quê?   Efésios 2:8-9—Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom [presente!] de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.   Assim como Abraão, quando você estava longe de Deus, Deus chamou você. Quando você não amava a Deus, Deus amou você.   A fé é sua, mas ela foi um presente de Deus quando você não tinha fé. A obediência é sua, mas é a fruto da obra do Espírito em você.   A nossa obediência não compra uma gota de mérito diante de Deus. A nossa obediência não paga um centavo da nossa dívida infinita por causa do nosso pecado contra Deus.   A sua obediência—suas boas obras—são a manifestação de que sua fé está viva, mas elas não fazem você mais justo diante de Deus.   Abraão foi declarado justo por Deus quando ele saiu daquela tenda, olhou para as estrelas no céu e creu nas promessas de Deus. Você foi declarado justo por Deus quando você saiu da tenda da incredulidade, olhou para Cristo—a Estrela da Manhã—e creu nas promessas de salvação de Deus.   Mas onde que Gênesis 22 é uma passagem de Natal?   Nós vimos que essa passagem está carregada de emoção. Mas essa passagem está carregada também de glória. Ela está carregada com peso de glória porque ele está carregada de Cristo.   Junto com Isaías 53, Gênesis 22 é a passagem mais evangélica que eu conheço no Antigo Testamento. Não importa o lado que você vire, você vai encontrar com Jesus.   Eu quero mostrar para vocês Cristo em (1) Abraão, em (2) Isaque, no (3) Carneiro, no (4) Anjo, no (5) Monte, no (6) Tempo e na (7) Promessa.   Deus cria padrões ao longo da história para nos ensinar quem ele é, como ele salva e como nós andamos com ele.   Até agora nós estávamos carregando a lenha. Agora nós vamos colocar fogo e oferecer adoração ao Senhor. Gênesis 22 é uma passagem quase toda vermelha: ela está encharcada com sangue do Senhor Jesus.   Vamos subir o Monte mais uma vez:   1.     VOCÊ PODE VER JESUS OLHANDO PARA ABRAÃO   Abraão confiou em Deus, mas em alguns momentos, a fé dele balançou. Jesus confiou em Deus, e em nenhum momento da fé dele balançou.   Abraão passou uma noite de grande agonia quando Deus chamou Abraão para sacrificar o filho dele. Jesus passou uma noite de agonia maior no Getsêmani, quando ele mesmo iria enfrentar algo pior do que a morte: ele iria beber o cálice da ira de Deus na cruz.   Abraão ouviu do céu a voz do Anjo do Senhor chamando por ele: “Abraão! Abraão!” no momento em que ele mais precisava. Jesus, no momento em que ele mais precisava, ele ouviu do céu um silêncio ensurdecedor.   A fé de Abraão foi testada. A de Jesus, foi ainda mais. E Jesus creu em Deus. E para esse Jesus que você deve olhar firmemente nesse Natal e todos os dias da sua vida, ele,   O Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à direita do trono de Deus (Hebreus 12:2).   No final das contas, Abraão foi salvo porque creu em Jesus—o descendente dele que iria salvá-lo. Abraão foi salvo pelo seu tata-tataraneto Jesus Cristo.   2.     VOCÊ PODE VER JESUS OLHANDO PARA ISAQUE   Abraão ofereceu seu filho, seu único filho, a quem ele ama, Isaque.   Quando Jesus foi batizado por João Batista, uma voz do céu disse:   — Este é o meu Filho amado, em quem me agrado (Mateus 3:17).   Deus não poderia ter pedido um teste maior de Abraão: o filho a quem ele amava. E Deus não poderia der dado um presente maior para nós: o filho dele, o filho unigênito, o filho a quem ele ama com toda a força do amor de Deus.   É impossível ler no versículo 6, Isaque carregando a lenha para o sacrifício e não pensar no Senhor Jesus carregando a própria cruz (João 19:17).   3.     VOCÊ PODE VER JESUS OLHANDO PARA O CARNEIRO   Eu disse que Gênesis 22 é uma passagem que nos ensinar a andar pela fé. Mas existe uma segunda lição que Deus está ensinando nessa passagem. Uma lição que está no coração de como nós andamos com Deus.   [13] Abraão ergueu os olhos e viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos. Abraão pegou o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho.   Deus está ensinando a necessidade de um sacrifício substitutivo. Deus está ensinando que, para nos salvar da morte, nós precisamos de um substituto.   Alguém deve morrer “no lugar de” Isaque. “No lugar do” Alex. No seu lugar. Alguém precisa pagar o preço do nosso pecado contra Deus. E Deus proveu esse alguém.   Isaías 53:7,10—Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca. Como cordeiro foi levado ao matadouro e, como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, ele não abriu a boca... Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias...   “O Senhor Proverá”. Mas agora você pode mudar o tempo verbal. O Senhor Proveu. Essa é a boa notícia do Natal. O Senhor que proverá proveu para a nossa maior necessidade: a necessidade de um substituto.   Nós somos salvos pela fé nele. 
 Nós somos salvos porque ele morreu como o nosso substituto. 
 Nós somos salvos pela fé no sacrifício dele, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1:29).   E é pelo sangue do cordeiro que Deus que salva você.   4.     VOCÊ PODE VER JESUS OUVINDO PARA O ANJO DO SENHOR   O Anjo do Senhor no Antigo Testamento é uma manifestação do Filho de Deus antes de sua encarnação no ventre de Maria.   O Anjo do Senhor é divino como Deus, mas distinto de Deus, como a Segunda Pessoa da Trindade é—divina como o Pai, mas distinta do Pai.   O Anjo do Senhor fala com a autoridade de Deus, se identifica como Deus e recebe adoração como Deus.   No início do capítulo, DEUS fala para Abraão sacrificar Isaque. No final do capítulo, o Anjo do Senhor fala para Abraão: “você não ME  negou o seu filho” (v. 16).   O que deixa essa passagem ainda mais poderosa: Pai e Filho, juntos—como Abraão e Isaque, juntos—ensinando seu povo o que Jonas aprendeu dentro da barriga do peixe: que a salvação pertence ao Senhor.   Vocês se lembram quem chamou Abraão e interrompeu o sacrifício de Isaque?   [11] Mas do céu o Anjo do Senhor [Jesus] o chamou: — Abraão! Abraão!   Jesus interrompeu. O plano não era para Isaque morrer. Porque Isaque não pode nos salvar. Abraão iria entender isso mais para frente.   • O Anjo do Senhor interrompeu o sacrifício, porque o Natal já estava planejando antes da fundação do mundo. • E quando chegou o dia planejado, Jesus se encarnou no ventre de Maria. • E quando chegou o dia planejado, Jesus foi preso (como Isaque) no altar da cruz para ser sacrificado.   E naquele dia, quando chegou a vez de Jesus, o sacrifício não foi interrompido. O sacrifício não podia ser interrompido.   Deus precisava fazer com o Filho dele o que Abraão não precisou. O Anjo do Senhor, a Segunda Pessoa da Trindade, o Filho de Deus sem pecado, foi oferecido para morrer e nos dar vida.   Você pode ver Jesus olhando para Abraão, para Isaque, para o carneiro, para o Anjo do Senhor.   5.     VOCÊ PODE VER JESUS SUBINDO NO MONTE MORIÁ   Além de Gênesis 22, só existe mais uma referência ao Monte Moriá, o monte onde Deus disse para Abraão sacrificar seu Isaque. Essa referência está escondida no livro de 2 Crônicas que fala que o monte Moriá fica em Jerusalém, onde o templo foi construído (3:1).   Dois mil anos depois de Abraão e 2 mil anos atrás, um Pai também levou o Filho até o topo de monte em Jerusalém—Calvário. Também tinha madeira, mas não era lenha. O altar tinha um formato diferente: o altar tinha a forma de uma cruz. E ali o Senhor proveu.   [14] E Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor Proverá”. Daí dizer-se até o dia de hoje: “No monte do Senhor se proverá.”   Essa mensagem—“No monte do Senhor se proverá”—continua correndo pelo mundo, como aconteceu na época de Abraão e Moisés. E nada pode parar essa mensagem de chegar aonde Deus ordenar.   “No monte do Senhor se proverá” é o evangelho. Deus proveu no Monte Calvário—no Moriá final, o Moriá da salvação.   Ainda tem mais. Além de ver Jesus no lugar, Gênesis 22 mostra Jesus também no tempo.   6.     VOCÊ PODE VER JESUS CONTANDO OS DIAS   Volte, por favor, para o versículo 4:   [4] No terceiro dia, Abraão ergueu os olhos e viu o lugar de longe.   O autor de Hebreus interpreta a história de Isaque como a ilustração de uma ressurreição. Ele diz que:   Abraão considerou que Deus era poderoso até para ressuscitar Isaque dentre os mortos, de onde também figuradamente o recebeu de volta (Hebreus 11:19).   Ou seja, Isaque experimentou um tipo de ressurreição no terceiro dia.   O profeta Oseias fala da volta de Israel da morte do exílio para a vida na terra prometida também em termos de uma ressurreição:   Depois de dois dias, nos dará vida; ao terceiro dia, nos ressuscitará, e viveremos diante dele (Oseias 6:2-3).   Deus cria esse padrão ao longo da história: ressurreição ao terceiro dia. E você sabe quem avisou que ressuscitaria no terceiro dia e que ressuscitou? O mesmo homem que nasceu no Natal.   Jesus nasceu para morrer. Ele morreu para ressuscitar. Ele ressuscitou para reinar. E ele reina para nos salvar.   7.     VOCÊ PODE VER JESUS CRENDO NA PROMESSA   Deus prometeu que um descendente de Abraão iria abençoar todas as famílias da terra. Não através de muitos descendentes, mas um único descendente (Gálatas 3:16).   Jesus é o descendente, o Filho perfeito de Abraão. E se você coloca sua fé em Cristo hoje, você se torna parte da família de Abraão, parte do povo de Deus.   As promessas de uma grande nação, uma terra onde Deus habitará com seu povo e benção para todas as nações são cumpridas completamente e finalmente no Senhor Jesus Cristo. 
 Essa passagem é carregada de peso de glória porque ele está carregada de Cristo. Gênesis 22 é o evangelho da salvação pela graça por meio da fé em Jesus e nele somente. É a mensagem do Natal.   CONCLUSÃO   Andar com Deus é andar pela fé.   Pela fé, você confessa seus pecados a Deus. Pela fé, você recebe a Cristo como seu Substituto, seu Sacrifício Salvador. Pela fé, você busca obedecer a Deus, mesmo quando você não consegue entender por que Deus está levando você por esse caminho.   Tem um trecho de uma música chamada “Confiança” que diz:   Ajuda-me a confiar, mesmo quando a confiança me faltar.   Nós podemos orar assim. Nós podemos confiar em um Deus assim.   Deus não poderia ter pedido um bem maior para Abraão: o filho amado dele. Deus não poderia ter entregado um bem maior: o filho amado dele.   Aquele que é a expressão exata do ser dele. Aquele para quem Deus fez todas as coisas. Aquele que, se você colocar 10 mil mundos como o nosso de um lado da balança e Jesus do outro lado, Jesus tem mais peso de glória.   Ele é mais precioso do que tudo o que existe no céu, na terra e no mar. E ainda assim, Deus entregou. Deus ofereceu. Deus sacrificou.   Povo de Deus, vou dizer uma coisa para vocês: Deus é generoso.   Andar com Deus é andar pela fé de que “O Senhor Proverá”. E como toda boa história (real!) termina, ela termina feliz: o Senhor proveu. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Gênesis 22: O Senhor Proverá

Essa passagem é carregada de peso de glória porque ele está carregada de Cristo. Gênesis 22 é o evangelho da salvação pela graça por meio da fé em Jesus e nele somente. É a mensagem do Natal.

Read More
Série em Jó: Sofrimento Soberano 
 07 de Dezembro de 2025 – IBJM 
 É muito ruim ficar desesperado. É uma sensação horrível. Uma pessoa definiu para mim recentemente desespero como você caindo de repente em um poço escuro que nunca termina.   O desespero é essa uma mistura de pavor, angústia e uma falta de esperança diante da incerteza com o que vai acontecer. Ou, o que é ainda pior: o desespero me diz que eu posso ter certeza de que as coisas nunca vão mudar.   É horrível essa sensação de estar caindo em um poço que nunca tem fim. A sensação de ficar desesperado. E assim que Jó está:   6:[26] Por acaso vocês pensam em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?   Cristãos também precisam lidar com desespero. Jó é um crente real, um homem de Deus, um adorador verdadeiro, mas Jó, como todos nós, tem seus dias difíceis. Às vezes, suas semanas difíceis. Às vezes, seus meses e anos difíceis.   Como nós podemos usar a sabedoria de Deus para lidar com o desespero em nosso interior e com os desesperados ao nosso redor?   Existem algumas coisas que, se você fizer, só vão piorar a situação e atrapalhar. Existem algumas coisas que, se você fizer, podem realmente ajudar.   A resposta de Jó nessa passagem nos ajuda a lidar com o desespero, nos ajuda a lidar com os desesperados e, no meio de tudo isso—ela nos ajuda a lidar com Deus.   A resposta de Jó ao seu amigo Elifaz dura 2 capítulos, mas Jó não responde só a Elifaz. No capítulo 6, ele fala com Elifaz e seus amigos. Mas no capítulo 7, Jó para de falar com seus amigos e pela primeira vez no livro, Jó fala com o seu Deus.   Essa passagem está dividida em duas partes:   • Capítulo 6: Jó responde a Elifaz. • Capítulo 7: Jó responde a Deus.   Jó 6:[1] Então Jó respondeu:   Mas que tipo de resposta Jó está dando? Veja qual é a primeira coisa (ou o primeiro som) que sai da boca de Jó:   Jó 6:[1] Então Jó respondeu: [2] “Ah!”   “Ah!”. “Ah!” é o suspiro de dor da alma. O desabafo de um desesperado. As palavras no papel não tem som nem tom. Mas esse “Ah!” descreve bem como Jó está.   [2] “Ah! Se a minha queixa, de fato, pudesse ser pesada...   Esses dois capítulos são uma queixa. Esse é o tipo de resposta de Jó nessa passagem: uma queixa. Jó tem uma longa reclamação a fazer. Ele está muito frustrado. Ele está muito decepcionado com Elifaz. E Jó está muito decepcionado com Deus também.   Eu já falei demais. Vamos deixa Jó falar. Quando alguém está sofrendo, nós podemos amar essa pessoa ouvindo com atenção o que ela tem a dizer.   1.     QUEIXA CONTRA OS AMIGOS (JÓ 6)   O capítulo 6 é a queixa contra os amigos dele, mas veja o que Jó faz: antes de falar diretamente com Elifaz, primeiro Jó fala com Jó. O trecho do versículo 2 ao 13 é um desabafo de Jó em voz alta. Jó começa falando com ele mesmo.   Se você já ficou perto de um alguém desesperado ou se você parar para pensar em seus momentos de desespero, você já presenciou ou experimentou essa cena.   Nós falamos coisas como: “Não! Não! Não! Eu não acredito! Por quê!? Por quê!? Por quê!?” Como quem você está falando, quando você está falando assim? Você está falando com você mesmo.   Eu resumiria esse desabafo de Jó em 4 palavras:   1.1  “EU NÃO AGUENTO MAIS” (6:2-13)   Jó não aguenta mais porque o sofrimento está insuportável.   [2] “Ah! Se a minha queixa, de fato, pudesse ser pesada, e contra ela, numa balança, se pusesse a minha miséria, [3] esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares.   Jó está falando com ele mesmo, mas esse desabafo está relacionado ao que Elifaz falou antes. Vamos voltar no tempo:   No capítulo 1 e 2, Jó perdeu tudo: todos os bens, todos os filhos e toda a saúde. E Jó respondeu confiando no Senhor. Jó e seus amigos ficam 1 semana sentados no chão chorando sem falar uma palavra.   Mas depois dessa semana de silêncio, o capítulo 3 começa com Jó falando. E Jó está mal. Muito mal. Ele fala coisas como: “Morra o dia em que eu nasci!”.   Jó reconhece que as palavras dele no capítulo 3 não foram ponderadas. Veja o final do versículo 3:   Jó 6:[3] (...) Por isso é que as minhas palavras foram precipitadas.   Ele reconhece. Mas Elifaz parece que tem um coração duro como uma pedra. Insensível.   Elifaz lidou com sofrimento de Jó como se ele tivesse em uma aula de ciências, analisando um sapo morto no laboratório: “Aqui está o coração. Aqui está o pulmão. Aqui o estômago”.   Elifaz agiu com frieza. Emocionalmente distante. Analisando o sofrimento de Jó como se fosse um exercício acadêmico sobre a existência do mal, abrindo o coração de Jó e analisando como em uma sala de aula.   Elifaz não deu espaço para Jó lamentar, espaço para ele ficar confuso diante de tanta dor. Espaço para ele usar palavras que não são as melhores porque o espírito dele não está dos melhores.   Por isso que Jó começa assim!   “Ah! Se vocês pegassem toda a areia dos mares e colocassem de um lado da balança, e pegassem o peso da minha dor e colocasse do outro lado, o meu sofrimento seria ainda mais pesado”.   “Se vocês fizessem isso, vocês veriam que eu tenho toda a razão em reclamar!”   Jó continua o desabafo dele. E para descrever como ele se sente, ele usa Deus. Veja como Jó enxerga a Deus:   [4] Porque as flechas do Todo-Poderoso estão cravadas em mim, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se armam contra mim.   Jó vê Deus como um inimigo. Alguém que está escondido com um arco e flecha na mão. Como se Deus estivesse atrás de uma árvore, ele coloca veneno na ponta da flecha, mira em Jó e solta e a flecha crava em Jó. E Ele pega mais uma flecha na aljava. Mira. Solta. E acerta. Várias vezes. Jó fala de “flechas”, no plural.   Flechas que não acertaram o corpo de Jó e pararam. As flechas penetraram mais fundo. As flechas acertaram o espírito dele. A dor foi pior.   Jó está certo em ver Deus como Todo-Poderoso (soberano). Mas Jó está errado em ver Deus como um inimigo. Nós vamos voltar para esse ponto daqui há pouco. Mas a questão aqui é: para Jó, Deus está contra ele.   Esse é um pensamento que surge quando você está sofrendo, ansioso, deprimido, desesperado. Você pensa (como Jó): “Eu sei que Deus é Todo-Poderoso (porque ele é Deus!). Então ele de alguma maneira está por trás da minha dor. Se ele está deixando essas flechas com veneno entrarem na minha alma, é porque ele está contra mim”.   Para quem está pensando desse maneira, veja se o final do versículo 4 não faz sentido:   [4] (...) os terrores de Deus se armam contra mim.   Como se Deus tivesse um exército poderoso armado e cercando Jó para atacá-lo. Faz sentido ele usar a palavra “terror”: os “terrores de Deus”. Jó está com medo de Deus. Isso explica boa parte do desespero de Jó.   Pare para pensar: se Deus é soberano (Todo-Poderoso), mas ele está contra mim, eu tenho todas as razões do mundo para ficar com medo. Um Ser que tem poder para fazer o que ele quiser comigo (e não tem nada que eu possa fazer para impedir) está contra mim?   Esse é um pensamento desesperador. Jó está com medo de Deus. Medo do que Deus pode fazer.   MEDO (NÃO TEMOR!) DO SENHOR   Sinceramente, você já sentiu medo de Deus? Eu não estou falando do temor do Senhor. O temor do Senhor é algo bom. O temor do Senhor é o princípio do saber (Provérbios 1:7). O temor do Senhor é esse senso de quer agradar a Deus, ser controlado por Deus, obedecer a Deus, confiar em Deus. Nós queremos mais e mais temor do Senhor.   Jó teme a Deus. Foi assim que o livro de Jó começou:   Jó 1:1—Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó. Este homem era íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal.   Jó teme a Deus. Mas agora Jó está também com medo de Deus. Meu irmão, minha irmã, você também não sente medo de Deus às vezes? Medo do que ele poder fazer? Ele é Todo-Poderoso. Soberano. Ele pode usar o poder e a autoridade dele para tirar coisas (e pessoas) da nossa vida que nós amamos. Se ele quiser, ele tira.   Sinceramente, você já não teve medo do que Deus pode fazer?   Eu comecei essa série em Jó contando o caso de um cristão chamado Tim Challies. O filho dele Nicolas, de 20 anos—um jovem maravilhoso—estava fazendo seminário, ia se casar em 6 meses com uma jovem preciosa, mas um dia, de repente, ele caiu no chão morto. Ninguém sabe o que aconteceu. Ele simplesmente morreu.   Tim Challies disse que ele ficou com medo de Deus. Ele é um crente piedoso, mas depois que ele viu Deus levando o filho que ele tanto amava, ele teve que lidar com os mesmos pensamentos que Jó teve que lidar. Tim Challies disse o seguinte:   Eu temo a Deus, mas nesses dias, eu também me vejo... com medo de Deus... com medo das maneiras em que ele pode exercer o poder dele. Afinal, apenas há algum tempo atrás, Deus exerceu a soberania dele levando meu filho.   Minha vida de tranquilidade... foi interrompida por uma perda tão grande que eu nunca teria me permitido sequer imaginar. Em um momento, Deus desferiu um golpe... que quase me esmagou...   Se Deus tomou a vida do meu filho amado com tanta velocidade, com tanta facilidade... o que mais ele pode tomar de mim? Quem mais ele pode tomar? E como eu vou aguentar uma perda dessas? (Challies, Seasons of Sorrows, 43-44).   Esse homem ama o Senhor. Ele crê na soberania do Senhor. Ele está se submetendo a Deus. Mas ele está sendo honesto também. Como Jó está sendo honesto.   Quando Deus exerce a soberania dele não só nos dando, mas tomando coisas e pessoas preciosas para nós, nós precisamos de muita graça dele para aguentar.   Nós vamos lidar mais com esse ponto daqui há pouco. Tenha paciência. Vamos ouvir mais Jó. Ele continua se defendendo, dizendo que ele tem razão, sim, de reclamar.   Jó faz um interrogatório para ele mesmo. Ele faz 4 perguntas seguidas e em todas elas, a resposta é “não!”.   [5] Será que o jumento selvagem zurra quando está junto à relva?   Não. Se o jumento tem comida, ele não zurra lamentando. Próxima:   [5] (...) Ou será que o boi berra junto ao seu pasto?   Não. Boi com pasto não berra de fome. Agora ele passa dos animais para as comidas:   [6] Pode-se comer sem sal o que é insípido? Não! Ou haverá sabor na clara do ovo? Não!   A mensagem de Jó é: “Então! Eu estou zurrando, berrando, porque Deus me tirou tudo! Eu tenho razão em estar desesperado. O meu sofrimento é insuportável!”   E uma vez que ele provou que o sofrimento dele é insuportável, do versículo 8 ao 13, Jó volta a falar em morrer, como ele faz no lamento do capítulo 3:   [8] Quem dera que se cumprisse o meu pedido, e que Deus me concedesse o que desejo! [9] Que fosse do agrado de Deus esmagar-me, que soltasse a sua mão e acabasse comigo! [10] Isto ainda seria a minha consolação, e eu saltaria de contente na minha dor, que é implacável; porque não tenho negado as palavras do Santo.   Diferente do que Elifaz está dizendo, Jó não tem negado as palavras de Deus. Jó não está dizendo que ele não é um pecador. Mas ele está se defendendo da acusação de Elifaz de que ele está sofrendo porque ele pecou contra Deus—que ele estava negando as palavras do Santo Deus.   E como toda pessoa confusa e desesperada, Jó voltar a perguntar “por quê”?   [11] Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?   “Deus, me mata logo. Eu não aguento mais”.   O desabafo de Jó em voz alta está terminado. E a esperança de Jó está terminada também.   [13] Não encontro socorro em mim mesmo; foram afastados de mim os meus recursos.   E nós chegamos na queixa de Jó aos amigos deles. Do versículo 14 até o final do capítulo 6.   Eu resumiria a queixa de Jó contra os seus amigos também em 4 palavras:   1.2  “VOCÊS SÃO UNS ENGANADORES” (6:14-30)   [14] “Ao aflito deve o amigo mostrar compaixão, mesmo ao que abandonou o temor do Todo-Poderoso. [15] Meus irmãos me enganaram;   Jó chama seus amigos de irmãos. Irmãos! Eles são próximos. Eles têm um relacionamento íntimo. Mas eles enganaram Jó. Vieram para consolar, mas o que ele estão fazendo não se faz. Em vez de palavras para confortar, eles estão usando as palavras para acusar.   Quando alguém distante não demonstra compaixão por você, você se sente maltratado. É ruim. Mas quando é alguém próximo que não ama você no sofrimento, é horrível. Você se sente enganado. E sua dor aumenta ainda mais.   A partir do versículo 15, Jó compara os amigos dele a uma miragem no deserto. Ele cria essa ilustração de um ribeiro tão cheio que transborda na época da chuva, mas quando vem o calor, a época em que os viajantes no deserto mais precisam de água, eles chegam perto para matar a sede, mas toda a água secou.   [17] torrente que seca quando o tempo aquece, e que no calor desaparece do seu lugar.   [20] Ficam envergonhados por terem confiado; quando chegam ali, ficam decepcionados.   Os viajantes confiaram que encontrariam água, mas quando chegam perto: nada. Nem uma gota. Que decepção!   Jó aplica a ilustração aos amigos:   [21] Assim também vocês não me ajudaram em nada;   Jó está olhando para os três amigos nos olhos e dizendo: “Vocês são como uma miragem no deserto. Vocês são uma decepção. Vocês são uma enganação. De longe parecem um lago. Parecia que vocês teriam água para oferecer à minha alma seca. Mas quando vocês chegam perto e abrem a boca, eu não recebo uma gota de consolo de vocês”.   Quando Jó mais precisava da compaixão, quando ele está passando pela maior aflição da vida dele, o coração dos amigos dele é duro e seco como uma pedra.   Jó não está sozinho. Ele têm os amigos em volta dele. Mas ele se sente sozinho. Ele se sente isolado. Enganado. Decepcionado.   É possível ter pessoas fisicamente perto, mas se sentir emocionalmente isolado: • Às vezes, a culpa é nossa porque nós não nos abrimos com ninguém. • Às vezes, a culpa é das pessoas por perto que não demonstram compaixão.   No caso de Jó, o problema estava nos amigos. Quando Jó mais teve sede do amor leal deles, quando ele chegou perto, ele viu um rio vazio como na época de seca do Sertão Nordestino. Só terra e pó e ossos secos e morte.   Os amigos não estão respondendo bem ao sofrimento de Jó. Mas Jó fica impaciente com eles também. Agora o interrogatório é com os amigos. Jó atira, de novo, 4 perguntas seguidas e, de novo, as respostas são todas “não”.   [22] Por acaso pedi que me dessem recompensa? [Não]. Ou que da riqueza de vocês me trouxessem algum presente? [Não]. [23] Será que pedi que me livrassem do poder do opressor?  [Não]. Ou que me resgatassem das mãos dos tiranos?  [Não].   Eu pedi alguma coisa difícil para vocês? Eu pedi para vocês comprarem meus bens de volta? Eu pedi para vocês me livrarem dos caldeus que levaram meus camelos? Eu só pedi compaixão. Consideração. Compreensão. Isso é pedir muito!?   Jó termina a interação dele com Elifaz desafiando os amigos a mostrarem o pecado que eles estão dizendo que Jó tem. O tom da conversa está esquentando.   [24] Ensinem-me, e eu me calarei; mostrem-me em que tenho errado. [25] Como são persuasivas as palavras retas! Mas o que é que a repreensão de vocês repreende? [26] Por acaso vocês pensam em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento? [27] Até sobre um órfão vocês lançariam sortes e seriam capazes de vender um amigo!   Jó!? Jó, agora é você está fazendo acusações pesadas: Vocês são capazes de vender um amigo e como os irmão de José fizeram com ele. Como Judas fez com Jesus. Jó está certo em rejeitar as acusações dos seus amigos. Ele está certo também em questionar a atitude dura dos amigos. O que Jó não está certo é de começar a devolver na mesma moeda.   Mas essa é uma atitude comum de quem está machucado, ferido e desesperado. Uma das respostas frequentes do nosso coração quando nós nos sentimos injustiçados é ficamos irados.   Quando você for ajudar alguém que está frustrado, provavelmente vai sobrar para você também. Peça a Deus a porção de um primogênito—uma porção dobrada da graça da paciência, não deixe de tentar ajudar, mas não se surpreenda se uma pessoa machucada machucar você. E se você é a pessoa machucada recebendo ajuda, cuidado para não ferir justamente quem Deus enviou para curar você.   Mas o caso de Jó não é exatamente esse último. Os amigos de Jó não estão curando Jó. Jó pode não ter o melhor tom, mas ele tem razão nas críticas contra os amigos. Eles estão sendo injustos, insensíveis e errados com Jó.   No final, o clima melhora um pouco. Jó apela para eles considerarem que ele está sendo sincero:   [28] Agora, pois, tenham a bondade de olhar para mim e vejam que não estou mentindo na cara de vocês. [29] Por favor, mudem de parecer, e que não haja injustiça; mudem de parecer, e a justiça da minha causa triunfará. [30] Há iniquidade em meus lábios? Será que a minha boca não consegue discernir coisas perniciosas?   Jó termina se defendendo da acusação de Elifaz. Jó está dizendo: “Eu não tenho pecado escondido. Vocês estão me acusando falsamente!”   APLICAÇÃO   Antes de entrar no capítulo 7: o que nós podemos aprender com um homem desesperado se queixando de como o amigo dele está tratando mal a ele? Que sabedoria o Senhor tem para nós aqui para lidarmos com o desespero e os desesperados?   Certamente nós podemos aprender muitas lições. Eu vou deixar uma:   CUIDADO COM A SUA CORREÇÃO   Busquemos sabedoria em quando corrigir as pessoas. Você não precisa ser uma peneira com buracos tão pequenos, tão pequenos, que não você deixa escapar nada de errado que as pessoas falam sem corrigir.   Especialmente quando você está lidando com alguém que não está bem.   Jó disse para seus amigos:   [26] Por acaso vocês pensam em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?   Nós precisamos ter essa categoria de um desesperado dizendo palavras ao vento. A pessoa está muito confusa, muito frustrada. Deixe as palavras dele voarem e irem embora. Você não precisa capturar cada palavra, analisar e dar o seu parecer. Deixa o vento levar as palavras embora, mesmo que elas não sejam as melhores.   Quando as pessoas estão sofrendo muito, geralmente elas estão confusas também. Elifaz deveria ter deixado Jó lamentar pelo sofrimento dele. Elifaz deveria ter dado espaço para Jó derramar sua confusão sem muito correção. Pelo menos naquele momento.   Mais um testemunho do Tim Challies, que perdeu seu filho precioso de 20 anos. Nos primeiros dias depois da morte do filho dele, estava tão difícil de suportar a dor de não ter mais o filho por perto, que ele confessou para um amigo:   “Quando eu penso no céu, eu estou pensando menos em me encontrar com Jesus e estou pensando mais em ver o Nicolas (o filho dele). Eu estou ansioso para ver meu Salvador, mas eu estou morrendo de vontade de ver meu menino. Eu devo parecer um completo pagão”.   O amigo responde de forma gentil: “Não. Você parece um pai que está de luto”. (Challies, Seasons of Sorrows, 122).   Essa foi uma resposta de amor. Ele não deveria ter corrigido o Tim: “Você parece um pagão mesmo. Como você pode pensar desse jeito?”   O Tim sabe que Jesus é o centro do Universo e do céu e de tudo o que existe. Mas no meio de tanta dor, ele quer muito ver o filho de novo. Ele não precisa de correção. Nesse momento, ele precisa de compaixão.   Que o Senhor nos dê sabedoria para corrigir uns aos outros em amor, mas que ele nos dê sabedoria também para deixar as palavras de alguém angustiado serem levadas pelo vento e ignoradas. Pelo menos enquanto o poeira da dor não tiver baixado.   Provérbios 12:18—Palavras precipitadas são como pontas da espada [elas ferem!], mas as palavras dos sábios são remédio [elas curam!].   Jó cansou de falar com Elifaz. Ele está decepcionado com o seu amigo. Muito decepcionado. Em vez de Elifaz carregar o fardo do sofrimento junto com Jó e deixar a vida dele um pouco mais leve, Elifaz aumenta o peso com acusações falsas e conselhos ruins.   2.     QUEIXA CONTRA DEUS (JÓ 7)   Capítulo 7. Agora Jó quer falar com Deus. Mas de novo, antes de falar com Deus, ele entra em um monólogo. Jó começa falando com ele mesmo, de novo. Pelo menos é isso que parece.   Às vezes é difícil de saber com quem Jó está falando. Mas é o que parece: que ele está, de novo, desabafando em voz alta.   Mais palavras de um desesperado sendo lançadas ao vento. Vamos deixa Jó falar. Quando alguém está sofrendo, nós podemos amar essa pessoa ouvindo com atenção o que ela tem a dizer.   Se vocês me permitem resumir os versículos de 1 a 6, de novo, em 4 palavras, eu diria que Jó está dizendo:   2.1  “MINHA VIDA É VAZIA” (7:1-6)   Jó 7:[1] Não é verdade que a vida do ser humano neste mundo é uma luta sem fim?   No versículo 2, ele se compara a um escravo que sonha com uma sombra para descansar, mas que tem que suportar o calor do Sol. Jó anda por essa vida como um escravo acorrentado pelo pé com uma bola de ferro de sofrimento, debaixo do calor da provação, sem uma sombra para respirar.   Nem à noite, na hora de dormir e descansar, ele consegue dormir e descansar:   [4] Ao deitar-me, pergunto: quando me levantarei? Mas a noite é longa, e estou farto de me virar na cama, até o amanhecer.   • Você já deitou para dormir, cansado de tanto ficar preocupado durante o dia, doido para descansar, mas o sono foge de você? • Você fica como Jó—virando de um lado para o outro na cama como uma panqueca na panela e não consegue pregar os olhos? • Ou você demora muito para dormir e demora pouco para acordar?   Interessante que só nesses últimos dias eu ouvi de 3 pastores diferentes—homens que eu sei que andam com o Senhor—que estão com dificuldade para dormir e descansar à noite, mesmo estando exaustos. Um deles eu vi hoje de manhã no espelho.   Ler a Bíblia e orar não nos deixam completamente imunes às noites mal dormidas. Nos ajudam, é parte da batalha, mas não eliminam completamente a angústia na alma que, às vezes, seguram nossas pálpebras e não nos deixam dormir.   Jó descreveu a dor por dentro. Agora ele descreve a dor por fora:   [5] O meu corpo está vestido de vermes e de crostas terrosas; a minha pele racha e de novo forma pus.   O reservatório de esperança de Jó secou, como a ilustração do ribeiro na época do calor que ele usou com os amigos.   [6] Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e se findam sem esperança.   O segundo desabafo em voz alta terminou. Finalmente, Jó vai falar com Deus:   [7] “Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver a felicidade.   É bom que Jó está indo a Deus para lamentar. Não é bom que ele esteja sem esperança, mas é bom se abrir e ser honesto com Deus. Deus está ouvindo. Ele sempre ouve. E na hora certa, ele responde. E da maneira certa, ele responde.   É a primeira vez que Jó fala com Deus. E não será a última. Mas Deus só irá falar com Jó no capítulo 38. Ainda tem muito chão para Jó caminhar. As discussões com os amigos estão só começando.   No capítulo 6, Jó falou com Elifaz. No capítulo 7, Jó fala com Deus.   Eu estou resumindo o sentimento de Jó de 4 em 4 palavras.   Jó começou com o desabafo de um desesperado: “EU NÃO AGUENTO MAIS” (6:1-13). Depois ele se queixou dos amigos: “VOCÊS SÃO UNS ENGANADORES” (6:14-30). Depois Jó voltou a desabafar em voz alta: “MINHA VIDA É VAZIA” (7:1-6). Agora Jó vai se queixar com Deus. Em 4 palavras:   2.2  “DEIXA-ME EM PAZ!” (7:7-21)   “Deus, me deixa em paz!”   Eu estou tirando essa frase do que o próprio Jó falou no versículo 16. Segunda parte do versículo 16:   [16] (...) Deixa-me em paz, porque os meus dias são um sopro.   Jó não está só decepcionado com Elifaz. Jó está decepcionado com Deus. Ele começa comparando a vida dele a um sopro:   [7] “Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida é um sopro;   No versículo 9, ele compara a vida a uma NUVEM, que uma hora está no céu e na hora seguinte já desapareceu.   A mentalidade de Jó é: já que a vida é tão curta—um sopro, uma nuvem—e eu estou sofrendo tanto, então eu não vou perder tempo e vou falar tudo o que eu estou sentindo. E ele não está se sentindo bem:   [11] Por isso, não reprimirei a minha boca. Na angústia do meu espírito, falarei; na amargura da minha alma, eu me queixarei.   Jó não consegue ver Deus como alguém que pode ajudá-lo:   • No versículo 13 ele fala de Deus assustando a ele com pesadelos. • No versículo 15, Jó se sente sendo torturado:   [15] Por isso, prefiro ser estrangulado; antes a morte do que esta tortura.   Jó vê Deus como alguém que está usando uma força desproporcional para dominá-lo, como se Jó fosse um mostro do mar que Deus precisasse usar de violência para domá-lo?   [12] Será que eu sou o mar ou algum monstro marinho, para que me ponhas sob guarda?   Jó se sente sufocado. E por isso ele volta a falar que ele não quer mais viver:   [16] Estou farto da minha vida; não quero viver para sempre. Deixa-me em paz, porque os meus dias são um sopro.   “Senhor, me deixa! Me deixa em paz! Eu não aguento mais”.   Vocês lembram que no capítulo 6, Jó fez um interrogatório com ele mesmo. E depois ele fez um interrogatório com os amigos. Agora ele faz um interrogatório com Deus—ou melhor, contra  Deus.   Veja se essa primeira pergunta de Jó lembra você de alguma outra passagem na Bíblia?   [17] “Que é o homem, para que tu lhe dês tanta importância, para que dês a ele atenção, [18] para que a cada manhã o visites, e que a cada momento o ponhas à prova?   Essa passagem se parece muito com o Salmo 8, o salmo que foi o chamado à adoração do culto de hoje. Em um momento do salmo, Davi diz:   Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que dele te lembres? E o filho do homem, para que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que [os anjos] e de glória e de honra o coroaste (Salmos 8:3-5).   O texto é muito parecido com Jó, mas a aplicação do texto é oposta: Davi fala “que é o homem, para que dele te lembres?” porque Deus é um tão magnífico e tão glorioso e nós somos tão pequenos e pecadores, por que o Senhor se importa conosco e nos ama e nos colocar para cuidar do mundo que ele criou? Quem somos nós para sermos tão amados por um Deus tão grande?   A aplicação de Jó é oposta: Por que o Senhor se importa em ficar me atacando e me ferindo? Quem sou eu para o Senhor gastar seu tempo para me derrubar? Me deixa em paz!   Jó vê Deus agindo como um inimigo dele. O interrogatório não terminou. Ele tem mais perguntas:   [19] Até quando não desviarás de mim o teu olhar? Até quando não me darás tempo de engolir a minha saliva? [20] Se pequei, que mal fiz a ti, ó Espreitador da humanidade? Por que fizeste de mim o teu alvo, tornando-me um peso para mim mesmo? [21] Por que não perdoas a minha transgressão e não tiras a minha iniquidade?   Ele conclui:   Pois agora me deitarei no pó; e, se me procuras, já terei desaparecido.   A reclamação de Jó para Deus é: se eu fiz alguma coisa errada, então me mostra, mas tira a sua mira de mim. Jó chega a chamar Deus de “Espreitador”.   “Príncipe da Paz” é um título maravilhoso para Jesus. Mas “Espreitador da humanidade” não é um bom título para Deus. Mas é como Jó se sente. Ele se sente vigiado por Deus, mas como se Deus não tivesse olhos de amor, mas os olhos de um atirador.   Jó imagina Deus como um sniper—para modernizar a ilustração do arco e flecha. Um atirador de elite. Deus está escondido em cima de um prédio, abaixado, com a mira em Jó. O laser vermelho está no peito de Jó. Ou melhor, no espírito de Jó.   É por isso que Jó está tão desesperado, angustiado e amargurado. Ao ponto de falar para Deus:   “Senhor, me deixa em paz! Para de olhar para mim. Me dá um tempo para respirar”.   Na mente de Jó, Deus vê a ele como um alvo—como um inimigo a ser derrubado; alguém que Deus está pronto para mirar, atirar e abater.   DEUS E O DESESPERO   E aqui vem a lição mais importante dessa queixa de Jó: a principal questão no nosso desespero é como nós estamos enxergando quem Deus é.   Jó é crente. Jó teme a Deus. Mas o sofrimento está fazendo Jó se convencer de que existe um conflito entre ele e Deus. Mas não existe! Não existe!   Não existe conflito entre Deus e você, crente. O conflito de Deus é com Satanás, não com você, crente angustiado. E o seu conflito é com Satanás, não com Deus, crente desesperado.   Cristão, desconfie do seu desespero. Não acredite nele. (Piper faz essa aplicação em: https://www.desiringgod.org/articles/depression-fought-hard-to-have-him ).   O desespero mente. Ele não conta a verdade para você. O desespero é um tipo de Serpente, que entra rastejando na sua mente e quer enganar você.   O desespero diz: “Não tem jeito, você está perdido”, mas não é verdade! O desespero diz: “Deus não vai ajudar você, você está abandonada”, mas não é verdade!   O desespero é mentiroso por natureza. Ele mente para você sobre quem Deus é e sobre quem você é para Deus.   OUÇA O REI CRUCIFICADO   Não faz muito mais sentido ouvir um Rei que escolhe morrer no seu lugar do que ouvir a serpente do desespero que só torna sua vida mais miserável? Então!   Quando o desespero diz: “Deus não se importa, é por isso que sua vida está assim”. Ou ainda pior, quando o desespero quer realmente acabar com sua esperança e diz: “Deus está contra você”, não acredite!   Ah! se Jó soubesse como Deus vê a ele! Deus disse sobre você, Jó, no capítulo 2:   “Não há ninguém como [Jó] na terra. Ele é um homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal” (Jó 2:3).   Ah! Crente desesperado, crente angustiado, se você soubesse como Deus vê você em Cristo. Crente desesperado, se você soubesse que Deus olha para você com o mesmo amor que ele tem pelo Filho dele!   Não existe mais nenhum conflito entre Deus e você. Deus já resolveu tudo na cruz.   Jó perguntou no final dessa passagem:   Jó 7:[21] Por que não perdoas a minha transgressão e não tiras a minha iniquidade?   A resposta de Deus para Jó (e para você, cristão) é: “Eu já perdoei você. Quando você creu no meu Filho, eu perdoei você”.   CONCLUSÃO   Quando o desespero falar para você que Deus está contra você para derrubar você, olhe para o seu Rei levantado no madeiro e fala para o seu desespero ficar quieto. Expulse a serpente do desespero do jardim do seu coração.   Deus não é um Espreitador da humanidade. Ele é o Salvador dos pecadores. Ele não veio para nos ferir. Ele veio ser ferido por nós.   Crente, rejeite as palavras do seu desespero. O seu desespero é um Elifaz. Ele acusa você dizendo que existe um conflito entre Deus e você e é por isso você está sofrendo.   Mas isso não é verdade. Não existe mais nenhum conflito entre Deus e você. Agora só existe amor. Você não precisa ficar desesperado.   Você não precisa ficar com medo de Deus. Porque além de Todo-Poderoso, Deus é também Todo-Amoroso conosco em Cristo Jesus.   Em vez de acreditar no seu desespero, não é muito melhor você acreditar em um Salvador que aceitou sofrer a agonia da morte por você, que aceitou ter os pregos cravados nas mãos por você, e que carregou o peso do seu pecado—que pesa mais do que a areia dos mares, até aquele madeiro e que disse: “Está consumado!”?   Desconfie do seu desespero. E confie no Príncipe da Paz. Deus está espreitando você, sim, mas Deus olha para você com olhos de amor, mesmo durante o sofrimento. Especialmente durante o sofrimento.   Essa é a verdade que o desespero esconde de nós, mas que cruz desabafa em voz alta. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Jó 6-7: Desconfie Do Seu Desespero

Como nós podemos usar a sabedoria de Deus para lidar com o desespero em nosso interior e com os desesperados ao nosso redor?

Read More
Série em Jó: Sofrimento Soberano 
 23 de Novembro de 2025 – IBJM No capítulo anterior, nós nos sentamos no chão com Jó e ouvimos o lamento dele. Jó está muito mal. Depois de ter passado uma semana da maior tragédia da vida dele—das maiores tragédias, foram várias—Jó está mal.   Jó respondeu muito bem assim que ele perdeu todos os bens e todos os filhos. Jó respondeu bem também quando ele ficou com o corpo coberto de tumores malignos. Ele bendisse o nome do Senhor. Ele declarou a soberania de Deus sobre o sofrimento dele e se submeteu à vontade do Senhor. Mas depois de uma semana, ele ficou muito angustiado e deprimido.   Isso é bem normal. Às vezes, nós começamos respondendo bem, mas conforme o tempo passa e os pensamentos passam em nossa mente, as coisas ficam mais difíceis. Talvez Jó tenha começado a pensar:   • “Eu perdi o os bens que eu levei a vida inteira para construir”. • “Eu nunca mais vou poder ver meus filhos e falar com eles”. • “Eu nunca mais vou ter a saúde que eu tinha”.   É muito difícil o que está acontecendo com Jó. Mas é muito normal.   O que você diz para alguém assim? Como você consola as pessoas que você ama quando eles estão sofrendo tanto? O que nós podemos falar que realmente irá ajudar? E o que você precisa ouvir quando é o seu coração que está pesado e triste? O que nos ajuda a levantar e o que nos deixa ainda mais para baixo?   UM EXEMPLO A NÃO SER SEGUIDO A passagem de hoje é um exemplo de como NÃO consolar quem sofre. Deus usa também exemplos que não devem ser imitados para nos ensinar a viver. Elifaz, o amigo de Jó, é um exemplo do que nós NÃO devemos fazer.   O autor do livro de Jó nos dá uma indicação de que nós devemos interpretar as palavras dos amigos de Jó, como um todo, de maneira negativa. No final do livro, depois de todos os ciclos de conversas entre Jó e seus amigos, Deus fala o seguinte para Elifaz:   A minha ira se acendeu contra você e contra os seus dois amigos, porque vocês não falaram a meu respeito o que é reto (Jó 42:7).   O que deixa as passagens onde os amigos de Jó falam difícil de entender é que nem tudo o que eles falam é falso. Tem verdades no meio das mentiras. Tem coisas certas no meio das erradas.   COMO INTERPRETAR O MEIO DE JÓ? Como andar pelas palavras de Elifaz, Bildade e Zofar sabendo quais são os frutos bons que devemos comer e quais são os frutos podres que devem cuspir?   Nem sempre é fácil responder essa pergunta, mas o que o autor de Jó faz para nos ajudar a interpretar é nos dar informações chaves no início (capítulos 1 e 2) e no fim do livro (capítulo 42). O começo e o fim de Jó são as duas lentes que nós precisamos usar—o tempo todo!—para interpretar os diálogos entre Jó e seus amigos no meio.   Do capítulo 3 ao capítulo 31 as únicas pessoas que falam são Jó e seus três amigos. Satanás não aparece mais no livro. E Deus só volta a falar no capítulo 38.   Nós vamos ver que esses diálogos entre Jó e seus amigos estão mais para uma discussão acalorada do que para uma conversa respeitosa. A temperatura das discussões e vai aumentando ao longo do tempo. E para transmitir ainda mais as emoções dessas discussões, o autor escreveu tudo em poesia, a linguagem do coração.   OS AMIGOS SÃO AMIGOS   Mas aqui vai uma informação chave do início do livro para usarmos agora. Seria errado nós assumirmos que os amigos de Jó não amam a Jó; que eles tem uma intenção ruim e eles querem machucar Jó ainda mais.   Eles vieram de longe, deixaram tudo para trás, gastaram tempo e recursos para ver Jó e chorar com Jó. Por uma semana, eles não abriram a boca. Só derramaram lágrimas com o amigo deles.   Mas a intenção deles com a viagem até Jó não era só chorar. Eles vieram fazer mais. Volte, por favor, para perto do final do capítulo 2.   Jó 2:11—Quando três amigos de Jó ouviram que todo este mal havia caído sobre ele, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita. Tinham combinado ir juntos [para fazer duas cosias:] (1) condoer-se dele e (2) consolá-lo.   Condoer-se eles já fizeram. Agora eles vão começar a executar a segunda parte do plano: consolá-lo. A primeira parte, eles fizeram bem. A segunda parte (consolar Jó), eles fizeram mal. Quando eles abrem a boca, é um verdadeiro desastre.   UM SERMÃO RUIM   Nós podemos aprender com Elifaz como NÃO consolar nossos irmãos. Nós vamos olhar para esse discurso de Elifaz como um sermão. Elifaz prega um sermão de 3 pontos para Jó. Eu vou pregar um sermão a partir do sermão de Elifaz.   Vocês vão perceber que Elifaz soa como um típico evangélico brasileiro. A teologia de Elifaz é a teologia mais popular em nosso país. Uma teologia que tem sérios problemas e, por isso, causa sérios problemas na vida das pessoas.   A intenção de Elifaz é boa. Mas o resultado é catastrófico. Eu imagino que todos nós já falamos o que não deveríamos. Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria engolido uma montanha de palavras que eu disse. Mas depois que elas já saíram, eles não voltam mais. Elas são como água derramada no chão. Não tem como recuperar.   Mas o que nós podemos fazer é buscar a sabedoria do Senhor para que nossas palavras sejam um consolo para os nossos irmãos e os levante, em vez de empurrá-los ainda mais para baixo.   Elifaz tem um sermão de 3 pontos para Jó:   1.     VOCÊ ESTÁ COLHENDO O QUE VOCÊ PLANTOU (4:1-11)   Elifaz é o primeiro a falar porque ele é o mais velho:   [1] Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse: [2] Se alguém tentar falar, você terá paciência para ouvir? Mas quem poderá conter as palavras?   Elifaz não consegue mais ficar quieto. Depois de ouvir Jó se lamentando no capítulo 3, desejando não viver mais e triste e revoltado e amargurado e confuso e nesse furacão de sentimentos, Elifaz até que começa relativamente bem.   Ele lembra Jó do passado de piedade dele:   [3] Veja bem! Você [Jó] ensinou a muitos e fortaleceu mãos cansadas. [4] As suas palavras sustentaram os que tropeçavam, e você fortaleceu joelhos vacilantes.   Mas rapidamente Elifaz já começar a falar o que não deve:   [5] Mas agora, quando chega a sua vez, você perde a paciência; ao ser atingido, você fica apavorado.   “Jó, você já ajudou tantas pessoas a lidarem com a dor. Mas quando é a sua vez de aplicar para você os seus próprios conselhos, você fica desse jeito!”   Essa não é a melhor coisa para se dizer para alguém que está sofrendo. Elifaz poderia ser mais sensível. Esse é o tipo de comentário que não ajuda. “Calma, Jó, porque você está assim. Quando chega a sua vez de sofrer, você não aguenta?”   Elifaz faz várias perguntas e revela a teologia que ele está usando para entender o sofrimento de Jó:   [6] Você não tem confiança no seu temor a Deus? Não tem esperança na integridade dos seus caminhos? [7] Pense bem: será que algum inocente já chegou a perecer? E onde os retos foram destruídos? [8] Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles colhem.   E logo depois (versículo 9 a 11) ele usa a ilustração de um leão, que mesmo sendo forte e poderoso, com um sopro Deus pode acabar com a vida deles. Deus destrói os ímpios (mesmos eles sendo poderosos) como ele faz com leão.   Elifaz está dizendo: “Jó, os maus é que morrem de repente. Os inocentes, não”. É por isso que ele está perguntando para Jó no versículo 6:   [6] Você não tem confiança no seu temor a Deus? Não tem esperança na integridade dos seus caminhos?   Jó, se você teme o Senhor, você não vai morrer de repente. Isso é coisa que acontece com os ímpios, não com os justos.   [7] Pense bem: será que algum inocente já chegou a perecer? E onde os retos foram destruídos?   Elifaz não está dizendo que os inocentes nunca vão morrer. Todo mundo vai morrer um dia. Ele sabe. Elifaz está dizendo que os retos não são destruídos de repente.   Em que mundo Elifaz vive? Os inocentes perecem, sim. A história da humanidade começa com Caim matando Abel, em Gênesis 4, o primeiro capítulo depois da Queda. E Abel é inocente! Parece que Elifaz tem a memória seletiva.   [8] Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles colhem.   A teologia dele é: “Você colhe o que você planta”. Você planta o mal, você colhe o mal. Você planta o bem, você colhe o bem.   Implicitamente, Elifaz está falando para Jó: “Jó, pare de semear o mal. Volte a semear o bem, como você fazia no passado, e você vai colher o bem de novo”.   Mas qual é o problema com essa teologia? Não é verdade que nós colhemos o que nós plantamos? Isso está na Bíblia! A teologia de Elifaz está na Bíblia! O apóstolo Paulo fala a mesma coisa:   Gálatas 6:[7] Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois aquilo que a pessoa semear, isso também colherá.   Qual é o problema da teologia de Elifaz? O problema é Elifaz toma um princípio e generaliza para todos os casos. Ele usa esse princípio para interpretar a vida de Jó, mas esse princípio não se aplica a Jó.   Paulo é mais cuidadoso na aplicação. Paulo aplica para o que colheremos na eternidade:   Gálatas 6:[8] Quem semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna. [9] E não nos cansemos de fazer o bem, porque no tempo certo faremos a colheita, se não desanimarmos.   Paulo está falando do colheita do dia do julgamento. Ele está falando daqueles que vão colher vida eterna (salvação) e aqueles que vão colher corrupção (condenação). Elifaz não faz isso. Elifaz acha que todas as pessoas, sem exceção, nessa vida, colhem o que plantam, sempre. Essa é uma teologia míope. Que só enxerga de perto, não de longe (para a eternidade).   Sim, nós colhemos o que nós plantamos. Nós vivemos em um mundo em que nossos atos têm consequências. Se você roubar uma loja, você vai preso. Se você for preguiçoso, você é demitido. Se você comer muita porcaria, isso pode fazer um estrago na sua saúde. Tudo isso é verdade.   Mas nem sempre quem rouba é preso. Nem sempre uma pessoa que é demitida é porque ele foi preguiçosa. Existem milhares de outras causas possíveis. Mutas vezes, nós temos problemas de saúde simplesmente porque nós estamos em um mundo onde nossos corpos não funcionam como deveriam depois de Gênesis 3.   Nós sabemos que Jó não está colhendo sofrimento porque ele plantou o mal. É exatamente o contrário. Jó está sofrendo justamente porque ele é piedoso. Elifaz está falando demais. Mais do que ele sabe.   Não existe uma causa direta entre o seu pecado e o seu sofrimento, sempre. Às vezes, sim. Sempre, não. A teologia de Elifaz não é completamente falsa, mas a aplicação que ele faz à vida de Jó é completamente falsa.   Eu já ouvi cada história de pessoas que enxergam toda a vida com teologia de Elifaz. Alguém tosse e começa a ficar gripado, o outro já fica desconfiado: “Você precisa se arrepender para Deus tirar esse mal de você”. Surge um problema na família, “Tem pecado aí, meu irmão. Larga isso para Deus abençoar”.   O autor do livro de Jó está expondo a falta de sabedoria em aplicar esse princípio em todos os casos. No caso de Jó, nós sabemos com certeza: “Jó não está sofrendo por causa de um pecado específico que ele cometeu”.   Que o Senhor nos lembre de que nós não sabemos tudo o que ele está fazendo nesse mundo e na vida das pessoas.   NÓS NÃO SABEMOS! A providência de Deus, a maneira como Deus governa o mundo e as nossas vidas, está cheia de mistérios. O caráter de Deus não é um mistério:   O Senhor Deus [é] compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade (Êxodo 34:6).   Ele é. Ele é santo, soberano, sábio e cheio de amor. O caráter de Deus não é um mistério. Mas a providência dele—porque Deus faz e permite algumas coisas nesse mundo—muitas vezes, é um mistério.   Elifaz acha que consegue explicar a causa do sofrimento de Jó, mas ele errou feio. Elifaz pode ter boas intenções, mas sem boa teologia, ele não está ajudando Jó. Ele está sendo um exemplo de como NÃO consolar quem sofre.   O primeiro ponto do sermão de Elifaz para Jó foi: “Você está colhendo o que você plantou”. Não. Não no caso de Jó.   Segundo ponto do sermão de Elifaz (e a segunda maneira de como NÃO consolar quem sofre):   2.     ACEITE LOGO QUE VOCÊ PECOU (4:12-5:7)   Elifaz começa esse segundo ponto no capítulo 4, versículo 12 e ele vai até o capítulo 5, versículo 7. Elifaz avança o argumento dele nesse sermão ruim que ele está pregando para Jó.   Eu diria que esse sermão parece mais CONTRA Jó do que PARA Jó. Elifaz está mais para ACUSADOR do que para CONSOLADOR).   O argumento de Elifaz é:   “Jó, nós sabemos que nós colhemos o que plantamos. Esse foi meu primeiro ponto. Então, Jó, você está sofrendo esse mal porque você plantou pecado. Aceite logo isso. Ninguém sofre do nada. O sofrimento não brota do chão (do nada). Não fique tentando ser justo. A única explicação para o seu sofrimento é o seu pecado”.   A introdução de Elifaz para esse segundo ponto é muito estranha. Elifaz está começando a ficar esquisito.   INTRODUÇÃO: “EU TIVE UM SONHO” (4:12-16) Ele fala do sonho que ele teve – que parece mais um pesadelo:   [12] Uma palavra me foi trazida em segredo, e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela. [13] Entre pensamentos de visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre as pessoas, [14] sobrevieram-me o espanto e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram. [15] Então um espírito passou por diante de mim; e se arrepiaram os cabelos do meu corpo. [16] Ele parou, mas não reconheci a sua aparência. Um vulto estava diante dos meus olhos; houve silêncio, e ouvi uma voz:   O sonho de Elifaz parece mais um pesadelo: ele fala de espanto, ossos tremendo, um espírito passando, vulto diante dos olhos. A visão de Elifaz se parece mais com Halloween do que com o Natal.   A impressão que dá é que Elifaz quer dizer “Deus me disse que...” e falar a revelação que ele recebeu. Ele não chega a dizer isso, mas ele fala no versículo 12 que “uma palavra foi trazida para ele em segredo”.   “Ouça, Jó. Eu vou contar para você o que Deus me disse”.   Alguém já se aproximou de você e fez alguma coisa parecida? “Deus me disse...”. “Eis que te digo...” Eu tenho uma palavra do Senhor para você...”. Qualquer semelhança com os consoladores de hoje não é mera coincidência.   Elifaz criou todo esse suspense. O que será que ele irá dizer? Ele tem realmente uma palavra do Senhor?   “REVELAÇÃO”: “PODE UM MORTAL SER JUSTO?” (4:17-21)   [17] Pode um mortal ser justo diante de Deus? Pode alguém ser puro diante do seu Criador?   Não dá para entender ainda o que Elifaz quer fazer com essas perguntas. Nós precisamos continuar ouvindo o argumento dele e daqui a pouco ficará mais claro.   Mas antes de deixar mais claro, Elifaz quer impressionar Jó. E para impressionar Jó com o ponto dele, ele vai da santidade de Deus para a santidade dos anjos para a nossa santidade para mostrar que nenhum ser humano (incluindo Jó) pode ser justo diante de Deus.   [18] Eis que Deus não confia nos seus servos e aos seus anjos atribui imperfeições; [19] quanto mais àqueles que habitam em casas de barro, [que somos nós, nosso corpo é como uma casa de barro que vai secar e voltar ao pó] cujo fundamento está no pó, e que são esmagados como a traça! [20] Nascem de manhã e à tarde são destruídos; perecem para sempre, sem que ninguém se importe com isso. [21] Se o fio da vida lhes é cortado, morrem e não alcançam a sabedoria.   Se nem os anjos são tão santos quanto Deus, quanto mais nós, seres humanos, que somos frágeis como as traças. Elifaz usa os anjos no começo do capítulo 5 para mostrar para Jó que não tem para onde ele fugir.   5:[1] Grite agora, para ver se há quem responda! E para qual dos santos anjos você se voltará?   Por trás, Elifaz está dizendo: “Jó, nem os anjos podem ajudar você, meu amigo. Nem eles são santos o suficiente”. Agora está um pouco mais claro o que Elifaz quer fazer com a pergunta do versículo 17 (uma pergunta que irá ecoar por todo o livro de Jó):   [17] Pode um mortal ser justo diante de Deus?   É possível alguém ser declarado justo diante de Deus?   É verdade que nem um ser humano tem uma vida perfeitamente justa e pura. Mas não é esse o ponto de Elifaz aqui. Elifaz não está repetindo Romanos 3:23 nas palavras dele—"porque todos pecaram e carecem da glória de Deus”—para nos levar a Cristo. O objetivo de Elifaz é muito menos nobre.   O que Elifaz está fazendo é usando essa verdade para acusar Jó de ter algum pecado escondido: “Jó, todos os seres humanos vão em algum momento pecar. Nenhum mortal é justo. Jó, você também não é. Você acabou pecando feio e é por isso que você está sofrendo muito”.   Elifaz quer convencer Jó que ele está sofrendo porque ele pecou e não admite.  O que nós sabemos, porque o autor do livro de Jó nos contou no capítulo 1 e 2, que não é verdade.   Elifaz teve um sonho e entendeu que era uma palavra do Senhor, mas o que Elifaz fala se parece mais com o que Satanás disse.   Foi Satanás que disse que nenhum ser humano anda, de forma genuína, em justiça e pureza, diante de Deus (Ash, Job, 107). Foi o discurso de Satanás para acusar Jó de ser um interesseiro.   Satanás disse que não existe adoração genuína e Deus. É tudo uma farsa. Algumas pessoas fingem ser justas, elas fingem ser piedosas, mas não é sincero. A visão de Elifaz se parece mais com a morte do Halloween do que com a vida do Natal.   Nós chegamos no capítulo 5. Elifaz ainda está no segundo ponto do sermão. Ele quer convencer Jó a aceitar que Jó está sofrendo tudo isso porque ele tem algum pecado escondido. Na mente de Elifaz, essa é a única explicação para Jó estar sofrendo desse jeito.   O segundo ponto de Elifaz é: “aceite logo que você pecou (segunda parte do capítulo 4) porque ninguém sofre do nada (primeira parte do capítulo 5—até o versículo 7).   NINGUÉM SOFRE DO NADA (5:1-7)   A falta de sensibilidade e compaixão de Elifaz agora chega ao ápice. Que o Senhor tenha misericórdia de nós quando formos consolar alguém! Que ele coloque um trava em nossa boca para não fazermos o que Elifaz faz. Vamos até o versículo 5. Veja o que Elifaz faz:   5:[2] Porque a ira mata o insensato, e a inveja destrói o tolo. [3] Eu mesmo vi o insensato lançar raízes, mas logo declarei maldita a sua habitação. [4] Os filhos dele estão longe do socorro; são oprimidos nos tribunais, e não há quem os livre. [5] A sua colheita, o faminto a devora, arrebatando até o que se encontra no meio de espinhos; e o sedento suga os seus bens.   Olha o que Elifaz está fazendo!? Não é possível! Ele está dando exemplos do que acontece com aqueles que são tolos—que vivem no pecado e não temem a Deus.   • No versículo 4, Elifaz diz que os filhos do tolo estão longe do socorro. Eles morrem. • No versículo 5, ele fala que os tolos perdem todos os seus bens.   Você se lembra de alguém que acabou de perder todos os filhos e todos os bens? Jó! É como se você—que está andando com o Senhor—chegasse para um amigo para falar: “Nós acabamos de voltar do médico. Ele disse que nosso filho tem uma doença rara e ele só tem mais 2 meses de vida”. E você ouvisse do seu amigo. “Ah é? Aconteceu a mesma coisa com o meu vizinho, um homem horrível. Eu acho que Deus está punindo a ele”.   Que falta de sensibilidade enorme! Ó Senhor, tenha misericórdia de nós. Nós dê a compaixão do Senhor Jesus pelas pessoas.   Mas Elifaz ainda não terminou esse segundo ponto.   [6] Porque a aflição não vem do pó, e o sofrimento não brota do chão. [7] Mas o ser humano nasce para o sofrimento, como as faíscas das brasas voam para cima.   Ou seja: “Jó, ninguém sofre do nada. O sofrimento não brota do chão (do nada). Cada aflição nossa é consequência de algum pecado nosso. (Essa é a teologia de Elifaz, não da Bíblia!).   Jó, nós somos pecadores; é certo que nós vamos sofrer porque nós cometemos algum pecado. É impossível você evitar pecar para sempre. Uma hora você vai pecar, e quando isso acontecer, você irá sofrer (Belcher, Job, 44). É tão certo quanto as faíscas da brasas voam para cima.   Elifaz está mais para acusador do que para consolador.   Mas me permita repetir uma coisa importante: Elifaz ama Jó. Ele veio de longe para ficar com Jó. Na mente de Elifaz, ele pensa estar fazendo bem à Jó. Mas ele não está. Boa intenção misturada com má teologia dá um prato que contamina nossa. Nós precisamos da pureza da Palavra de Deus para nos alimentar e nos consolar.   E aqui, antes do terceiro ponto do sermão de Elifaz, uma aplicação importante para nós:   Nós devemos interpretar nossas experiências a partir das Escrituras, e não dar um peso excessivo às nossas experiências.   Nossas experiências não podem ter um peso maior do que a Palavra de Deus.   Veja o padrão problemático que Elifaz tem. Veja se ele não coloca peso demais nas experiências—acima até da verdade de Deus:   • 4:[8] Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles colhem. • 4:[12] Uma palavra me foi trazida em segredo, e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela. [Uma revelação extra.] • 5:[3] Eu mesmo vi o insensato lançar raízes, mas logo declarei maldita a sua habitação.   “Segundo eu tenho visto”. “Uma palavra me foi trazida em segredo”. “Eu mesmo vi”.   A sabedoria de Elifaz parece que vem do próprio Elifaz. Ele é a fonte. As experiências dele. O que ele viu. O que ele sonhou. O que ele ouviu.   Sempre que nós colocamos nossas experiências acima das Escrituras, nós estamos andando em terreno perigoso. Um terreno escorregadio, em vez do solo firme da Palavra de Deus.   Povo de Deus, nós somos o povo da Palavra de Deus. Nós usamos as Escrituras para interpretar nossas experiências, não o contrário.   Se o povo de Deus seguisse essa ordem, nossas decisões seriam mais prudentes. Nossas palavras seriam mais sábias. Nós estaríamos menos confusos e mais seguros. E nossa vida traria mais glória a Deus.   A fonte dos nossos conselhos e do nossos consolos é a Palavra infalível de Deus, não a nossa leitura falível do que acontece conosco e com os outros.   Elifaz tem mais um terceiro e último ponto em seu sermão para Jó—ou seu sermão CONTRA  Jó. Esse é o ponto mais difícil de lidar porque Elifaz fala algumas coisas lindas e verdadeiras, mas porque a teologia dele é simplista, ele não aplica de forma sábia e humilde. E ele acaba estragando tudo.   Primeiro Ponto: VOCÊ ESTÁ COLHENDO O QUE VOCÊ PLANTOU (4:1-11). Segundo Ponto: ACEITE LOGO QUE VOCÊ PECOU PORQUE NINGUÉM SOFRE DO NADA (4:12-5:7).   3.     SE VOCÊ CONFESSAR, AS COISAS VÃO MELHORAR (5:8-27)   “Se você se arrepender, as coisas vão se resolver, porque Deus está disciplinando você para o seu bem”. Esse é o terceiro ponto de Elifaz. Basta você confessar, e o mar agitado da sua vida irá se acalmar como uma tarde serena em uma praia isolada.   Será que esse é o problema de Jó—e de todos os cristãos que sofrem? Basta confessar que a vida vai melhorar?   Mas nós precisamos admitir: o versículo 8 ao 16 é o melhor trecho de tudo o que Elifaz disse até agora. Ele fala verdades maravilhosas sobre Deus, mas a maneira como ele aplica é, de novo, desastrosa.   O argumento dele nesse trecho é mostrar que Deus tem poder para reverter situações: Deus exalta quem se humilha e humilha quem se exalta. (O que é verdade!).   DEUS REVERTE   Eu vou ler o trecho. É lindo!   [8] Quanto a mim, eu buscaria a Deus e a ele entregaria a minha causa. [9] Deus faz coisas grandes e insondáveis, maravilhas que não se podem enumerar. [Amém, Elifaz!] [10] Faz chover sobre a terra e envia águas sobre os campos. [Sim, Elifaz!] [11] Põe os abatidos num lugar alto e conduz os enlutados a um lugar seguro. [Amém, Elifaz!] [12] Deus frustra os planos dos astutos, para que não possam realizar seus projetos. [Amém!] [13] Ele apanha os sábios na própria astúcia deles, e o conselho dos que tramam não chega a vingar. [Amém, Deus faz isso!] [14] De dia eles encontram as trevas, e ao meio-dia andam tateando como se fosse noite. [15] Porém Deus salva da espada que lhes sai da boca, salva os necessitados das mãos dos poderosos [Amém, Elifaz!].   Fora de contexto, esse trecho é maravilhoso. Parece até Ana orando depois que ela engravidou de Samuel. Parece a oração de Maria quando ela ficou grávida de Jesus.   Elifaz quer dar esperança para Jó. Olha o que ele disse no versículo 16:   [16] Assim, há esperança para os pobres, e a iniquidade tapa a sua própria boca.   Elifaz está dizendo:   “Jó, calma! Por que você está apavorado desse jeito? Há esperança! Você está pobre. Você perdeu tudo. Você está abatido e enlutado. Mas Deus reverte as situações mais difíceis. Deus tem poder para fazer coisas grandes e insondáveis, Jó. Esperança, meu irmão!”   É verdade! Elifaz tem razão. Ele tem toda a razão.   Vocês sabiam que o único versículo de Jó que é citado diretamente no Novo Testamento está nesse trecho de Elifaz. Paulo cita Elifaz para nos chamar a rejeitarmos a sabedoria do mundo e nos humilharmos diante da sabedoria de Deus:   Que ninguém engane a si mesmo! Se algum de vocês pensa que é sábio neste mundo, faça-se louco para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Pois está escrito: “Ele apanha os sábios na própria astúcia deles.”   Paulo está citando Jó 5:13: palavra por palavra.   Como Paulo pode citar Elifaz—um consolador tão ruim? Paulo pode citar Elifaz porque isso que Elifaz está dizendo é verdade. O problema, neste trecho, não está no que ele fala, mas em como ele aplica a Jó logo em seguida.   Aqui está a ironia: Elifaz fala que Deus apanha os sábios na própria astúcia deles, mas Elifaz não percebe que ele está agindo com a sabedoria do mundo, não a sabedoria de Deus.   Apesar desse trecho do versículo 8 ao 16 ser um trecho lindo que fala muitas verdades sobre Deus, a maneira como Elifaz usa na vida de Jó mostra a falta de sabedoria dele.   Ele acha que Deus está disciplinando Jó por causa de um pecado:   DEUS ESTÁ DISCIPLINANDO VOCÊ (5:17-27)   [17] Bem-aventurado é aquele a quem Deus disciplina! Portanto, não despreze a disciplina do Todo-Poderoso. [18] Porque ele faz a ferida e ele mesmo a faz sarar; ele fere, e as suas mãos curam.   Vocês percebem o que Elifaz está fazendo? Ele está dizendo: “Jó, Deus está disciplinando você. Humilhe-se. Confesse seu pecado. Deus está disciplinando você para o seu bem. Não despreze a disciplina do Senhor. Se você se humilhar e se arrepender e confessar, então Deus vai sarar você”.   Mas quem disse que Deus está disciplinando Jó por alguma coisa que ele fez? Deus não está disciplinando Jó. Não no sentido de corrigir Jó porque ele estava desobedecendo, como um pai que disciplina o filho.   Não é isso que está acontecendo. Nós sabemos disso porque o autor nos contou nos capítulos 1 e 2. O sofrimento de Jó não tem nada a ver com pecados escondidos de Jó.   Elifaz pode até ter boa intenção, mas ele está sendo arrogante. Ele acha que sabe mais do que ele realmente sabe.   Nós devemos ter muito cuidado em declarar as razões por que as pessoas estão sofrendo. Como se sempre existisse essa relação imediata entre o pecado de alguém e o sofrimento dela.   Quando acontece uma tragédia, muitas pessoas correm para declarar seus vereditos—seja na internet ou nas igrejas:   • Esse terremoto aconteceu porque o povo daquela terra tem muito pecado. • O COVID foi o julgamento de Deus. • O furacão tal foi o julgamento de Deus por causa da imoralidade daquela região. • Aquela pessoa está doente porque tem pecado naquele coração.   Pode ser. Pode não ser. Eu não sei. Ninguém sabe. Se Deus não revelar, não tem como nós sabermos.   Deuteronômio 29:29—As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e aos nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.   Que o Senhor nos dê humildade de não falarmos mais do que Deus falou. Elifaz está seguro de que Deus está disciplinando Jó por causa do pecado dele. Mas Elifaz está errado.   Mas Deus não disciplina? Sim, Deus disciplina! Deus é um pai amoroso que nos disciplina.   Hebreus 12—Deus os trata como filhos. E qual é o filho a quem o pai não corrige? Deus... nos disciplina para o nosso próprio bem, a fim de sermos participantes da sua santidade. (vv. 7, 10).   Sim, Deus nos disciplina para o nosso bem. Às vezes, nós sabemos que Deus está nos disciplinando. Às vezes, a relação entre o nosso pecado e Deus nos corrigindo parece clara, especialmente quando é conosco—em nossa própria vida. Mas nós declararmos isso sobre a vida de outras pessoas é geralmente presunção.   A falta de teologia bíblica junto com a falta de compaixão fazem Elifaz falar o que não deve.   O final do sermão de Elifaz é a teologia da prosperidade misturada com falta de sensibilidade. Vamos continuar aprendendo com Elifaz como NÃO consolar quem sofre.   Elifaz promete duas coisas para Jó: primeiro, você terá uma vida sem problema:   [19] De seis angústias ele o livrará, e na sétima o mal não tocará em você. [20] Na fome ele livrará você da morte; na guerra, do poder da espada. [21] Você estará abrigado do açoite da língua e, quando vier a destruição, não ficará com medo.   Segunda promessa: você terá uma vida não só sem problema, mas cheia de bençãos (e veja a falta de sensibilidade de Elifaz):   [24] Saberá que a sua tenda está em paz; percorrerá as suas posses e não achará falta de nada. [– mas Jó acabou de perder tudo.] [25] Saberá que a sua descendência se multiplicará, [mas Jó acabou de perder todos os filhos.] e que a sua posteridade será como a erva da terra. [26] Em robusta velhice você descerá à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo no tempo certo. [mas Jó está cheio de tumores.]   Esse último ponto de Elifaz é: “Tenha esperança, Jó. As coisas vão se resolver, mas você precisa fazer se arrepender”.   Elifaz parece um pregador da prosperidade. Elifaz é um excelente exemplo de como NÃO consolar alguém.   Não Elifaz, Jó não tem pecados escondidos para se arrepender. Assim você, além de não ajudar, está afundando Jó ainda mais. Ele termina o sermão dele com um “Veja bem!”:   [27] Veja bem! Isto é o que investigamos, e assim é. Ouça e medite nisso para o seu bem.   Eu não duvido que Elifaz deseja o bem de Jó. Mas vocês percebem o perigo de uma teologia simplista, míope e desequilibrada. Na mente de Elifaz (e de muitos evangélicos) os bons se dão bem e os maus se dão mau.   Nem sempre. Não existe uma relação direta (sempre!) entre pecado e sofrimento.   Muitas vezes, crentes piedosos sofrem grandes golpes nessa vida. É o caso de Jó! E de muitos outros. Não é a intenção de Elifaz, mas o que ele está fazendo com Jó é quase cruel.   Essa mensagem de que “se você andar com Deus, você terá uma vida sem sofrimento; se você andar com Deus, você será muito abençoado” pode parecer boa de início.   Mas essa teologia simplista e triunfalista é como algodão-doce. Você come dela e ela pode saciar por 15 minutos. Mas não tem a sustância (os nutrientes espirituais) que você precisa para enfrentar a vida—com todas as lutas que ela traz. 
 A teologia da prosperidade é como uma droga: ela traz uma sensação rápida de alívio, mas depois que passa o efeito, ela deixa a pessoa ainda mais vazia. Ainda pior.   A mensagem de Jesus é diferente da mensagem de Elifaz. A mensagem de Jesus é mais saudável e mais realista. A mensagem de Jesus é uma mensagem centrada na vitória dele sobre o mal:   João 16:33—No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.   CONCLUSÃO   Nós devemos rejeitar essa teologia simplista e triunfalista de Elifaz. Ela tem sérios problemas e irá trazer sérios problemas para a nossa vida.   E o maior dos problemas, a teologia de Elifaz não tem espaço para inocentes sofrendo sem ter cometido pecado. Mas nós precisamos dessa categoria em nossa teologia. Essa categoria de que, sim, inocentes sofrem. Porque é nessa categoria que está o Salvador que nós precisamos.   Elifaz fez a pergunta no capítulo 4, versículo 7:   4:[7] (...) será que algum inocente já chegou a perecer?   Um escritor cristão disse bem: “A Bíblia responde essa pergunta com uma cruz enorme e eterna” (Ash, Trusting God, 58).   Será que algum inocente já chegou a perecer? A resposta de Elifaz é “não”. Mas a resposta de Deus é: “Sim, veja meu Filho morto por vocês no madeiro”.   O Deus imortal que se fez homem mortal e morreu como inocente no lugar dos culpados. No nosso lugar.   E por causa da nossa fé nele, nós somos declarados justos diante de Deus. Por causa da nossa fé nele, nós considerados puros (perfeitamente puros!) diante do nosso Criador.   Essa é a nossa esperança, nossa única esperança: que um inocente morra para nos salvar. E essa é a esperança que a cruz oferece. Essa é a mensagem que nos dá consolo de verdade. É dessa teologia que nós precisamos. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) 
 Sumaré - São Paulo

Jó 4-5: Como Não Consolar Quem Sofre

A passagem de hoje é um exemplo de como NÃO consolar quem sofre. Deus usa também exemplos que não devem ser imitados para nos ensinar a viver. Elifaz, o amigo de Jó, é um exemplo do que nós NÃO devemos fazer.

Read More
bottom of page