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![Série em Jó: Sofrimento Soberano
28 de Junho de 2026 – IBJM
Eu vou começar com uma história que pode dar um pouco de medo, mas eu entendo que essas histórias são usadas por Deus para o nosso bem—e nós não precisamos ter medo. E vou contar essa história também porque ela tem uma conexão com o discurso de Eliú que nós vamos ouvir hoje. É a história de um homem chamado Bart Ehrman. É uma história real. Ele ainda está vivo. Em 2008, Bart Ehrman escreveu um livro chamado “O problema com Deus”. Subtítulo do livro: “como a Bíblia falha em responder nossa pergunta mais importante: porque nós sofremos”. Ele começa o livro dizendo: O problema do sofrimento me perseguiu por muito tempo. Foi o que me levou a refletir sobre religião quando eu era jovem e o que me fez questionar minha fé mais tarde. No fim das contas, foi a razão pela qual perdi a fé. Ele conta como durante o ensino médio ele “nasceu de novo”. Ele levava a fé muito a sério. Ele foi estudar teologia em um Instituto chamado Moody, onde Lauren estudou. É um lugar fiel à Palavra. Depois ele foi estudar em uma Universidade chamada Wheaton, onde John Piper estudou. É uma Universidade fiel à Palavra também. Ele conta que ele conseguia recitar livros inteiros do Novo Testamento de cor. Ele serviu como pastor de jovens de um igreja. Até que, ele diz: Comecei a perder a fé. Hoje, já a perdi completamente. Não frequento mais a igreja, não creio mais e não me considero mais cristão. (Bart D. Ehrman, God’s Problem (New York: HarperCollins, 2008, 1-3). Esse homem chamado Bart Ehrman perdeu a fé em Deus por causa do problema do sofrimento. Que tristeza. Que tragédia. O terremoto que aconteceu na Venezuela essa semana foi uma grande tragédia. Abandonar a Deus é ainda pior. Ao longo da minha vida, eu vi pessoas perdendo a fé. Pessoas que pareciam fervorosas, mas com o tempo, mudaram. Pessoas que, como Bart Ehrman, conhecem a Palavra de Deus, mas resolveram abandonar o Senhor. Povo de Deus, • Satanás não está brincando. Ele quer levar Jó para o lado dele como ele já fez com muitos. • O mundo não está brincando. Esse sistema rebelde a Deus quer seduzir você e levar você a só pensar nas coisas terrenas e • E o nosso pecado também é sério e quer nos levar para longe de Deus. O que está acontecendo no final do livro de Jó é uma operação de resgate. Eu quero dizer para vocês com todas as letras: nunca um filho verdadeiro de Deus abandonou o Senhor por causa do sofrimento. Isso nunca aconteceu até hoje. E nunca vai acontecer. Não vai acontecer com Jó. E não vai acontecer com você, crente. Filipenses 1:6—Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus. Você não precisa ter medo. O que você precisa é continuar olhando com fé para esse Deus grande que enviou Cristo Jesus para sofrer por você. • A intenção de Satanás com o sofrimento é nos afastar do Senhor. • A intenção de Deus com o sofrimento é nos aproximar do Senhor. Pode não ser um processo simples e rápido, como nós estamos vendo com Jó. Mas é um processo garantido pelo sangue de Cristo. Jó vai sair dessa experiência com uma fé mais pura, mais profunda e mais forte—o que tem sido a experiência dos cristãos ao longo dos séculos. E para isso, Deus está usando a palavra dele através de Eliú. Eliú começa o último discurso com um: APELO GERAL (36:1-4) [1] Eliú seguiu falando [nada de Jó nem os amigos interromperem] e disse: [2] “Mais um pouco de paciência, e eu lhe mostrarei que tenho mais argumentos a favor de Deus. [3] Trarei o meu conhecimento de longe e atribuirei a justiça ao meu Criador. Eliú está indo para o olho do furacão—os argumentos de Jó contra Deus, contra a justiça de Deus. Eliú não tem medo dos questionamentos de Jó—como nós também não devemos ter medo das pessoas confusas, nem daqueles que acusam Deus. Eliú sabe quem é o Deus dele. O problema principal de Jó no sofrimento é, como nós ouvimos do autor do livro no capítulo 32, que Jó “pretendia ser mais justo do que Deus” (Jó 32:2). Eliú, com amor e sabedoria, irá resgatar Jó. Ele termina esse apelo geral dando a razão por que ele deve ser ouvido: [4] Porque, na verdade, as minhas palavras não são falsas; quem está diante de você é senhor do assunto.” Eliú! Quem você pensa que é?—“quem está diante de você é o senhor do assunto”. Uma tradução mais literal é ainda mais forte: em vez de “senhor do assunto”, o texto diz: [4] (...) quem está diante de você é perfeito em conhecimento.” Uma expressão que Eliú vai usar no próximo capítulo para falar de Deus (37:16). Mas Eliú não acha que ele é Deus. Claro que não. Ele acabou de dizer que Deus é o Criador dele. Eliú está simplesmente dizendo que ele fala em nome Deus e que, por isso, as palavras dele (início do versículo 4) “não são falsas”. Eliú é como um profeta, e quando um profeta fala, ele fala com a autoridade e a verdade de Deus—o Deus perfeito em conhecimento. Eliú vai usar duas coisas em seus argumentos a favor de Deus: a humanidade e uma tempestade. Eliú vai mostrar que Deus é digno da sua confiança mesmo quando ele leva você a sentir dor. Bart Ehrman está enganado. A verdade está com Eliú. ARGUMENTO NO. 1: A JUSTIÇA DE DEUS COM A HUMANIDADE (36:5-15) TESE (36:5-6) Nesse mundo, muitas vezes as pessoas “grandes”—as pessoas importantes—desprezam os pequenos (cf. Matthew Henry). Mas Deus, não. [5] “Eis que Deus é grande e não despreza ninguém; ele é grande na força da sua compreensão. [6] Não poupa a vida do ímpio, mas faz justiça aos aflitos. • Deus é justo com o ímpio—ele não poupa. • E Deus é justo com o aflito que confia nele—ele faz justiça. Eliú está falando: “Jó, você está aflito. Deus faz justiça, Jó. Espere.” Você está aflito? Tem alguém aflito aqui hoje? Deus faz justiça. A vinda do Senhor Jesus a esse mundo é a Prova das provas que esse Deus grande não despreza os pequenos. Eliú vai desenvolver a tese dele do versículo 6. Eliú vai mostrar como Deus lida de forma correta com esses dois grupos: os ímpios—aqueles que não confiam em Deus, e os justos—aqueles que confiam. 1. OS JUSTOS (36:7-12) Nós, às vezes, nos distraímos. Já aconteceu com você? Você ficou hipnotizado com alguma coisa no celular, e seu filho ficou sem a sua supervisão—e acabou caindo e se machucando. Esse perigo, você não corre com Deus. [7] Deus não tira os seus olhos dos justos; Ele nunca se distraí e deixa você sem a supervisão dele... [7] (...) pelo contrário, os assenta no trono com os reis, para sempre, e eles são exaltados. Pelo contrário, não só Deus não se distraí e deixa você cair no chão, mas ele vai levar você para o céu. Nenhuma ovelha se perde pelo caminho até chegar na morada que Jesus preparou. Eliú não está dizendo que Deus nunca vai permitir que você rale o joelho nesse mundo. No versículo seguinte (versículo 8), ele está falando de aflição. Nesse mundo, Jesus disse, “vocês terão aflições” (João 16:33). Mas no mundo do “para sempre” (final do versículo 7, pela eternidade), você e Jó serão exaltados—eternamente libertados das aflições. Mas por que, nesse mundo, Deus deixa eu me machucar com as aflições? Por que, às vezes, o meu joelho ainda está cicatrizando da semana passada—as feridas do meu coração ainda nem fecharam—e Deus não me segura e deixa eu me ralar de novo? Como Deus pode ser justo e bom fazendo isso? A sabedoria de Eliú realmente vem do céu. Ouça a resposta dele. Ele passa em câmera lenta pelo processo divino da purificação pela aflição. São 4 R’s. Primeiro R: Reconhecer o pecado. A aflição nos faz reconhecer o nosso pecado: [8] Se [crentes] estão presos com correntes e amarrados com cordas de aflição, [9] ele [Deus] lhes faz ver as suas obras, as suas transgressões, e que se mostraram arrogantes. Permitam-me usar de novo a imagem do seu coração como um tanque de água: quando a vida está mais calma, parece que o tanque está limpo, mas tem uma camada de terra (do pecado) no fundo. A aflição agita o nosso coração (o tanque), a terra sobe e agora nós conseguimos ver que nós somos menos limpos do que nós imaginávamos. Agora nós conseguimos (versículo 9) “ver as [nossas] transgressões”. E quando nós reconhecemos que ainda tem (usando as palavras de Eliú) muita terra da arrogância no tanque do nosso coração, nossa confiança em nós mesmos diminui, e nós ficamos mais abertos para o segundo R. Segundo R: Receber a palavra. [10] Abre-lhes também os ouvidos para a instrução Sabe quando você vai para um lugar muito alto parece que você ficou meio surdo. Parece que seu ouvido está entupido. E você precisa fazer aquela manobra de tampar o nariz e forçar a respiração para voltar a ouvir. A aflição é a manobra de Deus para nos fazer ouvir melhor a voz dele. A aflição deixa o nosso ouvido mais receptivo para a palavra de Deus. Que benefício abençoado! A aflição produz um tipo de humildade no coração dos crentes que faz com que as palavras das Escrituras saltem das páginas e nós ouvimos a voz de Deus mais de perto. Vocês que passaram ou estão passando por aflição sabem o que é esse fenômeno. Os salmos de Davi parecem que foram escritos para você. Os aflitos saem do culto pensando: “Esse sermão foi para mim”. A aflição é a manobra de Deus para nos tornar mais sensíveis a Palavra de Deus. Mas tem mais. Deus ainda não terminou: você reconhece o pecado, recebe a palavra e: Terceiro R: Retornar à piedade Continuação do v.[10] (...) e ordena que se convertam da iniquidade. Converter não necessariamente no sentido de ser salvo—de justificação. Converter aqui é mudar o sentido em que eu estava andando: da iniquidade para a piedade; da arrogância para a humildade. Ter em mente esse processo de purificação ajuda você a tirar o máximo de proveito espiritual na sua aflição. Em vez de ficarmos tentando descobrir—por que isso está acontecendo comigo?, que geralmente não nos leva a lugar nenhum, uma pergunta melhor é “como Deus está me purificando?” e assim aproveitamos a aflição para nos aproximarmos mais de Deus. Reconheça o pecado. Receba a Palavra. Retorne à piedade. Quarto R: Recompensar com prazer. Os primeiros 3 R’s foram nossos. O quarto R é de Deus: [11] Se o ouvirem e o servirem, acabarão os seus dias em felicidade e os seus anos em delícias. Deus recompensa com felicidade. Eliú não está falando de prosperidade material. Ele está falando de alegria espiritual. Ele está falando desse prazer que os crentes têm de andar com Cristo—tendo muito ou tendo pouco, mas tendo Cristo. Diferente do que esse mundo quer nos convencer, a verdadeira felicidade está na santidade. O maior prazer que um ser humano pode ter é crer e obedecer a Deus. O pecado é um mentiroso, como a serpente no jardim: promete o mundo e entrega a morte. [12] Porém, se não o ouvirem, serão passados pela espada e morrerão na sua cegueira. Uma das coisas mais difíceis nessa vida é mortificar o orgulho e cultivar humildade. Produzir humildade no coração é como fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Impossível ao homem, mas possível a Deus. Deus não vai deixar você se afastar dele para sempre, meu amigo. Ele irá enviar resgatadores na sua vida. Ele vai enviar aflição para purificar você. Ele vai enviar algum Eliú—alguma pessoa para corrigir você e trazer você de volta. Não rejeite o resgate do Senhor. Receba as aflições e os Eliús em sua vida como sinais do amor de Deus por você. Eliú está corrigindo a visão que Jó tem da aflição. Vamos aproveitar essa oportunidade para corrigir a nossa também. Eliú está defendo a justiça de Deus mostrando como ele lida com a humanidade. Até o versículo 12, ele estava falando dos justos—aqueles que tem fé em Cristo. Agora Eliú se vira para lidar com o segundo grupo: 2. OS ÍMPIOS (36:13-14) A resposta daqueles que não creem em Cristo, quando eles sofrem, é a rebeldia. É triste, é uma tragédia, mas assim é o coração humano sem Deus: [13] “Os ímpios de coração alimentam a ira; e, quando são aprisionados por Deus, não clamam pedindo socorro. [14] Perdem a vida na sua mocidade e morrem entre os prostitutos cultuais. Aqueles que não confiam no Senhor respondem ao sofrimento com ira (v. 13)—ira contra as pessoas, ira contra o mundo, e (no fundo), ira contra Deus. Em vez dessa humilhação santa que o sofrimento produz no coração do cristão, aqueles que não amam a Cristo respondem com raiva e ressentimento. Essa ira faz eles ficarem duros e não irem até Deus em oração—pedindo perdão e ajuda. Veja o restante do versículo 13: [13] (...) e, quando são aprisionados por Deus, não clamam pedindo socorro. O fim desse processo de endurecimento é se entregarem ao pecado: [14] Perdem a vida na sua mocidade e morrem entre os prostitutos cultuais. Eliú usa o exemplo de prostitutos cultuais—pessoas que abraçam religiões com rituais imorais, para mostrar que aqueles que não confiam em Deus morrem na idolatria. Esse é um processo tão triste, mas não tão raro. Ele acontece também naqueles que chegaram a professar fé em Cristo um dia, mas depois acabam abandonando o Senhor porque Deus não deu a vida que eles queriam. O sofrimento faz isso—ele revela o que está no fundo do nosso coração—na camada mais embaixo. O sofrimento não apagou a fé que eles tinham. O sofrimento apenas revelou que eles não tinham fé. Fé em Cristo como seu bem mais precioso, aquele que morreu na cruz para resgatá-los do seu pecado. Eliú tem um objetivo em mente para trazer a maneira como os ímpios respondem ao sofrimento. Ele quer que Jó não faça isso! Eliú termina o argumento a favor da justiça de Deus na humanidade voltando para os justos—como Jó e como você que confia em Jesus como seu Redentor e Senhor. 3. OS JUSTOS (36:15) E aqui nós percebemos o efeito doce que a aflição tem no coração daqueles que amam a Deus. [15] Deus livra o aflito por meio da sua aflição e pelo sofrimento lhe abre os ouvidos.” A sua dor pode ser amarga, mas o que ela produz em você é doce. O remédio da aflição tem um gosto horrível—pode até dar vontade de cuspir (eu não quero tomar isso!), mas quando você aceita e engole, ele produz a cura que você precisa. Deus livra o aflito por meio da sua aflição. Livra de quê? Do que Eliú está falando? Eliú está falando da libertação da escravidão do pecado—uma libertação que, se não acontecer, leva à morte. A aflição liberta. E nesse sentido, ela salva. Ela nos tira do caminho do pecado e nos devolve para o caminho da fé. Ela puxa o nosso braço e fala: “Vira, é por aqui”. Davi disse a mesma coisa no Salmo 119: Antes de ser afligido, eu andava errado, mas agora guardo a tua palavra (Salmo 119:67). Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos (Salmo 119:71). Você, crente no Senhor Jesus, sofre, como todas as pessoas sofrem nesse mundo. A diferença é que o Espírito Santo faz você responder com essa humildade em reconhecer que você ainda tem pecado, e você recebe a palavra, e retorna à santidade. Em outras palavras, você sofre e você continua crendo. Você percebe: “Eu sou um cristão verdadeiro. Eu sei que eu estou longe do que eu deveria ser, mas eu não vou abandonar o meu Senhor por nada. Eu amo Jesus. Ele me salvou. Ele morreu por mim. Eu vou segui-lo até o fim” e sua experiência de perseverar fortalece a sua fé. Mas repare que a sua fé só foi fortalecida porque você passou pela aflição. Você só foi santificado porque você sofreu. Deus livrou você do pecado levando você pela aflição. É assim que Eliú quer que Jó veja a aflição dele e é assim que Deus quer que você veja a sua aflição. Não enxergar Deus como um inimigo, como Jó está fazendo. Mas enxergar a Deus como um Pai e amigo que está santificando e salvando você. A partir do versículo 16, Eliú faz um apelo pessoal. Se até o versículo 15, Eliú deu argumentos a favor de Deus, agora Eliú dá alertas à Jó, mas são alertas à favor (não contra!) Jó. APELO PESSOAL (36:16-25) [16] “Assim também a você Deus procura tirar da angústia e levar para um lugar espaçoso, em que não há aperto, e para o conforto de uma mesa cheia de comida saborosa. Satanás quer apagar sua fé com o sofrimento, mas Deus quer aumentar sua fé com o sofrimento. Jó e IBJM, é o amor de Deus que fez ele trazer aflição para purificar você. Deus está usando as cordas da aflição para puxar você para perto dele. Mas... tem um “mas” importante. Você precisa responder corretamente a provação. O sofrimento não é justificativa para pecar. [17] Mas você se enche do juízo do perverso, e, por isso, o juízo e a justiça o alcançarão. [18] Tenha cuidado para que a ira não o leve a zombar, [é o que Jó está fazendo] nem permita que a grande quantia do resgate o desvie. Não é muito fácil de entender o que Eliú quer dizer com essa última frase, mas parece que ele está falando para Jó não deixar que o custo de se arrepender—de se humilhar diante de Deus—esse custo de reconhecer que foi arrogante e pedir perdão, não deixe que esse custo alto faça com que você se desvie de Deus. Não abandone o caminho da santidade—do arrependimento e da fé—só porque a porta é estreita e o caminho é apertado, como o Senhor Jesus disse (Mateus 7:14). Eliú tem mais alertas de amor: [19] Será que ele levaria em conta as suas lamúrias e todos os seus grandes esforços, para que você se veja livre da sua angústia? [20] Não suspire pela noite, em que povos serão tirados do seu lugar. Várias vezes, Jó desejou, Jó suspirou pela morte—Eliú usa a “noite”, a escuridão da noite como uma ilustração para a morte. Jó fez isso algumas vezes. Um exemplo (Jó falando com Deus): Por que me tiraste do ventre de minha mãe? Eu deveria ter morrido antes que um olho me visse! (...) Deixa-me em paz, para que por um pouco eu tome alento, antes que eu vá para... a terra das trevas e da sombra da morte, terra de escuridão, de trevas profundas, terra da sombra da morte e do caos (Jó 10:18,20-22). Você já ficou tão cansado de uma aflição, tão cansado de não ver mudança e de ter que suportar aquela dor, que você desejou morrer? Você desejou ir para o céu, não principalmente por causa de Jesus, mas principalmente para ficar livre da dor? Jó também. Eliú está vindo para nos dizer: “Não suspire pela morte. Deus sabe o dia em que ele deve levar você para casa. Suspire por santidade, suspire por graça, suspire por Deus”. O último apelo nesse primeiro argumento. Um alerta de um amigo que ama: [21] Cuidado! Não se incline para a iniquidade, você parece preferir a iniquidade à sua miséria.” Não é muito fácil ouvir isso, mas esse é um bom teste do nosso amor pelo Senhor: eu prefiro sofrer do que pecar? Ou eu prefiro pecar para não ter que sofrer? Viver como cristão no trabalho, na escola, no mundo é arriscado. É custoso. Que enorme pressão nós sofremos da Babilônia para pecarmos contra o Senhor. Mas é melhor sofrermos perseguição ou desprezo ou sermos isolados ou perdermos o emprego ou o respeito das pessoas do que pecar. Que o Senhor nos ajude a sermos como os 3 amigos de Daniel: entre se dobrar à estátua que Nabucodonosor fez (e pecar) ou serem jogados na fornalha ardente (e sofrer), eles preferiram sofrer e morrer. Entre iniquidade e miséria, eles escolheram miséria. O Espírito Santo para fazer isso em nós. Impossível aos homens, mas possível a Deus. Eliú termina o apelo pessoal a Jó desfilando diante dele a grandeza de Deus e chamando Jó a exaltar esse Deus! [22] “Eis que Deus se mostra grande em seu poder! Quem é mestre como ele? Ninguém, Deus é o Mestre dos mestres e tem todo o conhecimento. [23] Quem lhe prescreveu o seu caminho ou quem pode lhe dizer: ‘Cometeste uma injustiça’? Ninguém deveria dizer isso, mas é o que Jó está fazendo: “O Senhor cometeu uma injustiça me fazendo sofrer!”. Eliú chama Jó, então, a adoração. [24] Lembre-se de exaltar as obras de Deus, que as pessoas celebram. [25] Toda a humanidade olha para elas; as pessoas as contemplam de longe. Em vez de acusar Deus de injustiça, nós devemos exaltar Deus pela grandeza dele. Eliú está se preparando para o segundo argumento. Nesse primeiro argumento, Eliú mostrou que Deus tem todo o poder e toda a sabedoria para lidar de forma justa com toda a humanidade—justos e injustos—incluindo as suas aflições, crente. Depois de usar a maneira como Deus manifesta a justiça dele na humanidade, agora Eliú vai usar um fenômeno da natureza—uma tempestade—para mostrar como Deus manifesta a grandeza dele. A intenção de Eliú é levar Jó ao lugar de submissão humilde que ele precisa para lidar com o grande sofrimento dele. Eliú termina esse apelo pessoal e já emenda o segundo argumento. ARGUMENTO NO. 1: A JUSTIÇA DE DEUS NA HUMANIDADE. ARGUMENTO NO. 2: A GRANDEZA DE DEUS NA TEMPESTADE (36:26-37:13) [26] Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular.” Como Moisés disse no: Salmo 90: de eternidade a eternidade, tu és Deus (v. 2). Eliú quer expandir a visão que nós temos de Deus. Ele quer esticar o nosso entendimento de quem Deus é. Uma coisa que nos leva a acusar Deus de injustiça e nos rebelarmos contra Deus em vez de adorarmos e nos submetermos, é termos uma visão pequena de um Deus que é, na verdade, grande. Bem grande. Infinitamente grande. E para mostrar a grandeza de Deus, Eliú usa uma tempestade. Assim que Eliú terminar de falar, Deus irá falar com Jó do meio de um redemoinho. É possível, então, que uma tempestade está se aproximando e Eliú usa essa tempestade para falar da grandeza de Deus. A mesma tempestade de onde Deus irá falar pessoalmente com Jó (Talbert, 189). Eliú descreve o nascimento da tempestade. Crianças, aula de ciências para a glória do grande Deus: como a chuva acontece? [27] “Ele [Deus] atrai para si as gotas de água [evaporação] que de seu vapor destilam em chuva, [condensação] [28] a qual as nuvens derramam e gotejam sobre a terra em grande abundância [precipitação] (Ash, 366). E a chuva se transforma em tempestade. Eliú fala de forma poética: [29] Pode alguém entender como ele estende as nuvens e como os trovões ecoam em sua tenda? [30] Eis que ele espalha sobre elas o seu relâmpago e encobre as profundezas do mar. Os céus proclamam a glória de Deus (Salmo 19:1), incluindo quando Deus cria uma tempestade. Professor Nani, se eu falar alguma coisa errada nessa aula de física para glória de Deus, você me corrige depois. Primeiro, você tem o raio—que é a descarga elétrica. As partículas de gelo e água ficam colidindo, criando atrito e separando as cargas elétricas. Quando a diferença de carga fica muito grande, acontece um disparo—uma corrente elétrica gigante viaja pelo céu. Às vezes, os raios são entre as nuvens. Às vezes, de uma nuvem para a terra. Segundo, você vê o relâmpago—um clarão no céu. Esse é o efeito visual do raio. Deus acende o céu e faz aquele risco branco viajar a uma velocidade de 300 mil quilômetros por segundo—o suficiente para dar 7 voltas no planeta Terra em 1 segundo. Terceiro, depois de ver o relâmpago, você ouve o trovão—aquele estrondo gigante. O que acontece é que quando o raio corta o céu, ele atinge uma temperatura de 30 mil graus celsius (5 vezes mais quente que a superfície do Sol). Esse calor faz o ar se expandir com uma violência e uma velocidade absurda e gera uma onda de choque que faz aquele barulho. Professor Nani, depois você me fala que nota eu tirei. Corrija com misericórdia, por favor. Deus faz esse espetáculo de força, luz, calor, barulho e poder o tempo todo no mundo. Para quê? Por que Deus cria tempestades? Aqui vem o primeiro propósito: para julgar e alimentar. [31] Pois por estas coisas ele julga os povos e lhes dá alimento em abundância. [32] Enche as mãos de relâmpagos e os arremessa contra o adversário. [33] O fragor [o estrondo] da tempestade dá notícias a respeito dele, dele que é zeloso na sua ira contra a injustiça.” • Algumas vezes, Deus usa para julgar—para destruir, como ele fez no dilúvio e em outras ocasiões na Bíblia e na história. • Em outras vezes, Deus usa para alimentar—para construir, e a chuva rega a terra e as árvores dão fruto. De qualquer forma, é Deus revelando a glória dele em suas obras. Jó está confuso no sofrimento dele. Ele começou a acusar Deus de não ser bom. Ele começou a duvidar da justiça de Deus. Eliú está ajudando Jó e a nós. Sabe aquele estrondo enorme da tempestade (versículo 33), ele dá notícias sobre Deus. A tempestade é a ilustração de Deus para mostrar o zelo que ele tem para lidar com a injustiça. Um Deus com tanto poder—como essa tempestade que está se aproximando mostra—é um Deus que tem a força necessária para lidar com o mal. Você pode confiar e esperar nesse Deus. E qual é reação esperada de um ser humano diante da tempestade? Capítulo 37:[1] “Diante disto, o meu coração treme e salta do seu lugar. Um raio já caiu perto de você? O trovão já estourou bem perto de você? Aquele estrondo violento que explode e faz as crianças (e os adultos) ficarem com os olhos esbugalhados. Eliú tem uma recomendação para Jó e para nós: aproveitem as tempestades para ver e ouvir a glória de Deus? [2] Ouçam atentamente o trovão de Deus, o estrondo que sai da sua boca. [3] Ele o solta por baixo de todos os céus, e o seu relâmpago chega até os confins da terra. [4] Depois deste, ruge a sua voz, troveja com o estrondo da sua majestade, e ele já não retém o relâmpago quando se ouve a sua voz. [5] Com a sua voz Deus troveja maravilhosamente; ele faz grandes coisas, que nós não compreendemos. [6] Porque ele diz à neve: ‘Caia sobre a terra’; e à chuva e ao aguaceiro: ‘Sejam fortes’. Eliú solta mais um propósito de Deus com a tempestade: ser louvado. [7] Assim, ele torna inativas as mãos de todos, para que reconheçam as obras dele. [8] Os animais entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas. Em uma tempestade—ainda mais em uma ambiente como da época de Jó—todo mundo (homens e animais) se escondem nas suas casas. É o momento de parar e admirar o poder dele. É a oportunidade de reconhecer a obra de Deus e exaltar o nome dele, de se maravilhar com um Deus que tem tanto poder. A tempestade revela a majestade de Deus. É o Leão da Tribo de Judá rugindo com o estrondo da sua voz. Eliú disse que no versículo 1 o coração dele treme. Esse é um tremor bom. É o tremor e temor da sabedoria—daqueles que adoram o Senhor. Jonathan Edwards foi um homem de Deus que viveu no século XVIII durante um período de avivamento espiritual. Ele dá o testemunho dele sobre o efeito de uma tempestade no coração dele antes e depois da conversão. Ouça o que ele disse, por favor. Antes [da conversão], eu sentia um pavor incomum diante dos trovões e ficava aterrorizado ao ver uma tempestade se aproximando; mas agora, pelo contrário, isso me trazia alegria. Eu sentia Deus, por assim dizer, logo aos primeiros sinais de uma tempestade; e aproveitava esses momentos para parar e observar as nuvens, ver os relâmpagos cruzarem o céu e ouvir a voz majestosa e imponente do trovão de Deus — algo que, muitas vezes, me proporcionava grande deleite, conduzindo-me a doces contemplações do meu grande e glorioso Deus (Iain Murray, Jonathan Edwards, 36-37, citado em Talbert, 193). Essa é a experiência que Eliú quer nos levar: doces contemplações do nosso grande e glorioso Deus. Eliú continua contemplando a majestade de Deus na tempestade, agora nas temperaturas mais baixas. [9] De suas recâmaras sai a tempestade, e os ventos fortes trazem o frio. [10] Pelo sopro de Deus se dá a geada, e uma grande extensão de água congela. [11] Carrega de umidade as densas nuvens, e do meio delas irradia o seu relâmpago. [12] Então as nuvens, segundo o rumo que ele dá, se espalham para uma e outra direção, para fazerem tudo o que lhes ordena sobre a superfície da terra. E Eliú repete um dos propósitos de Deus na maneira como ele lida com a natureza: [13] E tudo isso ele faz vir para disciplina, se convém à terra, ou para exercer a sua misericórdia.” Antes, Eliú disse que Deus usa a tempestade e as chuvas para julgar e alimentar. Aqui ele falar de exercendo “disciplina” ou “misericórdia”. Deus usa para manifestar sua ira e seu amor. Ele se vira para Jó e, de novo, faz um apelo pessoal—de irmão para irmão: APELO PESSOAL (37:14-20) [14] “Dê ouvidos a isto, Jó; pare e pense nas maravilhas de Deus. Pare e pense nas maravilhas de Deus. Olhe para as obras de Deus e medite na grandeza do nosso Deus, e deixa essa meditação ter efeito no seu coração, Jó. Não fique esperneando e acusando Deus de injusto. Deus criou você não para acusá-lo, mas para adorá-lo. Eliú está usando a grandeza de Deus para produzir essa submissão alegre a um Deus que é envolto em mistério e majestade e glória. Mas ele ainda não terminou. Agora ele tenta causar esse efeito de humilhação santa em Jó com perguntas. (Que, por sinal, é exatamente a estratégia de Deus com Jó no próximo capítulo—encher Jó de perguntas). [15] Será que você sabe como Deus comanda as nuvens e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem? Imagine Jó ouvindo, olhando para o chão e respondendo bem baixo para ele mesmo: “Não”. [16] Será que você sabe algo sobre o equilíbrio das nuvens e sobre as maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento? “Não”. [17] Você, cujas roupas ficam aquecidas quando há forte calor por causa do vento sul, [18] será que você pode ajudar Deus a estender o firmamento, que é sólido como espelho de metal fundido? “Não”. Nesse espírito, Eliú termina seu apelo pessoal à Jó: [19] Ensine-nos o que devemos dizer a ele, porque nós, envoltos em trevas, não podemos expor a nossa causa diante dele. [20] Será que alguém deveria contar a Deus que eu quero falar com ele? Se alguém fizesse isso, seria devorado.” Eliú está mostrando a audácia e a ousadia de querer discutir e acusar Deus de estar errado. Eliú está sendo humilde. E ele quer que Jó acompanhe essa atitude. Ele está lembrando Jó que todos nós somos feitos do barro. Eliú não está dizendo que ninguém deve orar—que ninguém deve falar com Deus. Eliú está falando da postura de Jó de exigir que Deus dê explicações. Que Deus prove que Jó tem pecado para sofrer daquele jeito. Uma das últimas coisas que Jó falou para Deus foi: Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! (Jó 31:35) A postura de Jó parece a de um cliente irritado que comprou um produto que não funciona e quer falar com o gerente da loja. Ele chega na loja cuspindo fogo: “Avisa o gerente que eu quero falar com ele agora!”. Se aproximar de Deus assim, com essa arrogância, é perigoso. Se alguém fizesse isso, seria devorado (37:20). CONCLUSÃO: A TREMENDA MAJESTADE DE DEUS (37:21-24) Eliú termina seus discursos do jeito em que ele falou durante todo o tempo. Implacavelmente centrado em Deus. [21] “Eis que ninguém pode olhar para o sol, que brilha no céu, uma vez passado o vento que o deixa limpo. [22] Do norte vem o áureo esplendor, pois Deus está cercado de tremenda majestade. [23] Quanto ao Todo-Poderoso, não o podemos compreender. Ele é grande em poder, porém não perverte o juízo e a plenitude da justiça. Vocês lembram o que Eliú disse no início: que ele tinha argumentos a favor de Deus, para atribuir justiça ao Criador. Foi o que ele fez. Eliú usou a maneira como Deus lida com a humanidade—justos e injustos—e a maneira como Deus usa a tempestade para revelar a grandeza dele. Eliú tem um propósito em desfilar a majestade de Deus diante de Jó. Ele quer produzir humilhação santa em Jó—um temor reverente. [24] Por isso, as pessoas o temem; ele não olha para os que se julgam sábios.” É a versão de Eliú para “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pedro 5:5). Nós não somos mais sábios do que Deus para governar esse mundo e nossas vida melhor. Eliú quer colocar o coração de Jó de volta ao lugar certo—prostrado, submisso, humilde, bendizendo o nome de Deus, como Jó fez no início. Jó nos lembra que, mesmo nos homens e mulheres mais santos desse mundo, ainda há muito espaço para crescer na fé—ainda há pecados a serem mortificados e santidade a ser cultivada. A tribulação de Jó não criou pecado dentro do coração de Jó. A tribulação somente expôs o que estava lá dentro. Jó não está sofrendo porque pecou, mas agora, durante o sofrimento, Jó está pecando. Ele não está respondendo corretamente ao sofrimento. Eliú muda a discussão em uma direção bem melhor. A grande questão no sofrimento não é “Por que Deus fez isso comigo?”. A grande questão é: “Como eu respondo ao sofrimento que Deus trouxe?” (Talbert, 192). CONCLUSÃO Uma coisa é certa. Ou melhor, duas coisas: que Jó ama a Deus (foi assim que o livro começou) e que Deus ama a Jó. Deus não vai desistir de Jó. Deus não vai deixar Satanás levar Jó para o lado dele. Deus não vai deixar nem mesmo o pecado de Jó e o seu pecado, crente, separar você dele. Como João Batista disse de forma maravilhosa: convém que ele cresça e eu diminua (João 3:30). Que esse seja o nosso lema de vida—na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na vida e na morte. Quando nós estamos prostrados diante desse Deus grande, nosso coração está no lugar em que ele sempre deve estar: o lugar de temor e louvor a um Deus que está cercado de tremenda majestade. Você não precisa ter medo. O que você precisa é continuar olhando com fé para esse Deus grande que enviou Cristo Jesus para sofrer por você. • A intenção de Satanás com o sofrimento é nos afastar do Senhor. • A intenção de Deus com o sofrimento é nos aproximar do Senhor. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_2272ccc8dd6741bbb08f37afdd17824a~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 36-37: A Humanidade, uma Tempestade e o Grande Deus
Eu quero dizer para vocês com todas as letras: nunca um filho verdadeiro de Deus abandonou o Senhor por causa do sofrimento. Isso nunca aconteceu até hoje. E nunca vai acontecer. Não vai acontecer com Jó. E não vai acontecer com você, crente.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
21 de Junho de 2026 – IBJM
Martyn Lloyd-Jones foi um pastor na Inglaterra. Ele nasceu em 1899 e foi para a glória se encontrar com o Senhor em 1981. O Senhor se agradou de usar Martyn Lloyd-Jones de muitas maneiras, mas como todo cristão em sua peregrinação nesse mundo, ele teve seus dias de escuridão emocional. Em uma dessas temporadas de deserto espiritual, com a alma mais seca, Deus enviou os escritos de um outro homem de Deus chamado Richard Sibbes, que também foi pastor na Inglaterra, mas 300 anos antes—em 1600s. Martyn Lloyd-Jones (quando ele tinha 70 anos) deu o seguinte testemunho sobre Richard Sibbes: Richard Sibbes foi um bálsamo para a minha alma em um período da minha vida em que me via esgotado e extremamente exausto e, por isso, estava especialmente vulnerável aos ataques do diabo. Lloyd-Jones disse que Deus usou as palavras de Richard Sibbes para “me aquietar, acalmar, confortar, encorajar e curar”. É o que Jó está precisando nesse momento. É o que nós precisamos tantas vezes nessa vida. Nós precisamos de Richard Sibbes e Eliús nos lembrando do que Deus disse no Salmo 46: Aquietem-se e saibam que eu sou Deus (Salmo 46:10). Deus pode aquietar nosso espírito agitado e esgotado como o de Jó. Deus sabe o remédio certo e a dose exata que nós precisamos para termos nossa saúde espiritual e nossa sanidade emocional restaurada. A obra de Deus em Jó—e em nós—ainda não acabou. Eliú terminou o primeiro discurso no capítulo 33. Ele deu oportunidade para Jó falar. Veja: Jó 33:32—Se você tem alguma coisa a dizer, diga; fale, porque gostaria de lhe dar razão. Mas Jó não quis falar nada. O capítulo 33 começa com: [1] Eliú disse mais: Jó gritou: “Deus não faz nada. Deus não fala nada! Deus está em silêncio!”. Agora é a hora de Jó ficar em silêncio e absorver as palavras de Eliú e começar a se aquietar. O Senhor está trabalhando no coração de Jó. O processo de humilhação santa em Jó começou. Jó é crente. Mas ele está doente. Fisicamente, também. Mas especialmente, espiritualmente. Hoje nós vamos ver mais dois discursos de Eliú. Ele usa a mesma estrutura do discurso que vimos no domingo passado. 1. Apelo 2. Alegação de Jó contra Deus 3. Refutação de Eliú contra Jó (e a favor de Deus) 4. Apelo CAPÍTULO 34: SEGUNDO DISCURSO Eliú começa apelando para ser ouvido: 1. APELO: ESCUTEM! (34:2-4) [2] “Vocês que são sábios, ouçam as minhas palavras; vocês que são instruídos, escutem o que vou dizer. [3] Porque o ouvido avalia as palavras, assim como o paladar prova a comida. Jó também tinha usado essa ilustração (Jó 12:11). Como nossa língua tem papilas gustativas que discernem o sabor, nossos ouvidos (ou nossa mente) discerne o sabor das palavras—se elas são boas ou ruins. Eliú se apoia nessa experiência humana universal e apela: [4] Escolhamos para nós o que é direito; conheçamos entre nós o que é bom.” Esse é o apelo de Eliú: por favor, escutem porque eu escolhi o alimento bom que vem do Senhor. 2. ALEGAÇÃO DE JÓ (34:5-9) [5] “Porque Jó disse: ‘Sou justo, e Deus tirou o meu direito. [6] Apesar do meu direito, sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora não tenha cometido nenhum pecado.’” Eliú está sendo um repórter fiel. Esse é um resumo justo do que Jó disse. Jó disse que ele é justo várias vezes. E ele também disse também que Deus tirou o direito dele—que Deus não trata a ele com justiça. A implicação do que Jó disse é que Deus está sendo injusto de fazer Jó passar por todo esse sofrimento. Jó está dizendo: “Eu sou justo. Deus, não”. Eliú não consegue mais ouvir o nome de Deus ser atacado. Ele é intenso na repreensão a Jó: [7] “Será que existe outro homem semelhante a Jó que bebe a zombaria como se fosse água? [8] Ele segue o caminho dos que praticam a iniquidade e anda com homens perversos. [9] Pois disse: ‘De nada adianta ao homem ter o seu prazer em Deus.’” Eliú está falando a verdade. Jó realmente chegou a dizer que não adianta ter prazer (ter fé) em Deus porque ele destruir todo mundo, como se Deus fosse injusto e não tivesse critério nenhum para salvar e julgar as pessoas. Eu vou ler um trecho do que Jó disse no capítulo 9: Eu sou íntegro, mas não me importo comigo, não faço caso da minha vida. Para mim, é tudo a mesma coisa; por isso, digo: [Deus] destrói tanto os íntegros como os perversos. Se um flagelo mata de repente, [Deus] rirá do desespero dos inocentes (Jó 9:21-23). Deus rirá do desespero dos inocentes. “Que isso, Jó!?”. De que deus você está falando? Jó é crente, mas ele está doente. Jó é um adorador verdadeiro do Senhor, mas ele disse coisas falsas—absurdamente falsas—sobre Deus. As alegações de Jó contra Deus são graves. “Não adianta confiar em Deus. Olha o que ele faz com quem ama a ele!” Matthew Henry, um pastor puritano do século XVIII, chamou essas falas de Jó de “expressões indecentes”. Essa é uma boa expressão para as palavras de Jó: “expressões indecentes”. Eliú usa um vocabulário parecido com o de Elifaz—o que faz algumas pessoas pensarem que Eliú tem o mesmo problema dos 3 amigos de Jó, acusando Jó injustamente. O que Elifaz disse para Jó é realmente parecido: Jó 15:16—quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água!” Não é isso que Eliú está dizendo. Veja o final do versículo 7. Ele não diz que Jó bebe iniquidade. [7] (...) que bebe a zombaria como se fosse água? E ele explica no versículo 9 qual é a zombaria. O que Jó disse (falou) contra Deus. As semelhanças existem, mas as diferenças são maiores. Os 3 amigos de Jó acusam Jó de ter praticado muita iniquidade e por isso ele está sofrendo. Eliú se concentra nas palavras de Jó (zombaria) contra Deus depois do sofrimento. Eliú está sendo intenso com Jó, é verdade. Como Deus também será intenso com Jó a partir do capítulo 38. Como Isaías foi intenso com Israel diante da rebeldia deles. Como Jesus e os apóstolos foram intensos em algumas situações. Às vezes, o amor é intenso. Especialmente quando são ditas coisas indecentes contra Deus. A intenção de Eliú com a intensidade é boa. Eliú é um instrumento de Deus para aquietar e curar Jó. 3. REFUTAÇÃO DE ELIÚ (34:10-33) Eliú, o defensor da glória do Senhor, precisa ajudar Jó a colocar os pensamentos sobre Deus no lugar. Jó está indo por um caminho perigoso. Eliú quer resgatar Jó como um pastor vai buscar uma ovelha que se desgarrou e precisa voltar para o aprisco. A acusação de Jó contra Deus se concentra na justiça (ou na injustiça) de Deus. Jó dizendo que Deus não está governando como deveria. Deus não está qualificado para ocupar o trono do Universo. Falando assim, parece muito forte. Mas é isso que Jó está dizendo. A APLICAÇÃO DA MURMURAÇÃO Uma coisa, então, que nós precisamos fazer é parar e nos perguntar: “Eu estou bebendo dessa zombaria também? Eu estou respondendo ao meu sofrimento como se Deus fosse injusto? Como se eu pudesse governar o mundo e a minha vida melhor do que Deus? Eu sou uma pessoa que se submete a Deus, mesmo quando o que acontece na minha vida é diferente do que eu imaginei?” Existe um tipo de espírito murmurador que nós podemos desenvolver que não casa com um cristão que tem um Salvador tão maravilhoso. Um tipo de espírito murmurador que está sempre reclamando da vida, reclamando das pessoas, reclamando do trabalho, reclamando da igreja, reclamando do mundo, reclamando de tudo o que não é do que jeito que eu acho que deveria ser. No livro de Judas, a Palavra de Deus descreve os falsos mestres dizendo: Esses tais são murmuradores, pessoas descontentes que andam segundo as suas paixões (Judas 16). Toda murmuração, por trás, traz uma acusação contra Deus: “Eu faria melhor. Se fosse eu governando, eu faria diferente e melhor”. Nós precisamos, com a ajuda do Espírito Santo, nos esvaziar desse tipo de insatisfação pecaminosa e nos enchermos de gratidão piedosa. Povo de Deus, nós não somos murmuradores. Nós somos adoradores. • Existe espaço para ficarmos insatisfeitos com o pecado. • Existe espaço para lamentarmos por coisas tristes. • Mas não pode existir espaço para murmurarmos da vida. • Não pode existir espaço para acusarmos Deus de ser injusto e não nos dar o que nós merecemos. Mas o sofrimento cria essa tentação. É o que está acontecendo com nosso irmão na fé chamado Jó. Que o Senhor mande Richard Sibbes e Eliús e a Palavra dele para nos tirar desse caminho perigoso e nos levar de volta para o aprisco da verdade. Eliú irá provar que Deus está qualificado. Deus está perfeitamente e infinitamente e divinamente qualificado para se sentar no trono como grande Rei e governar nossa vida, nossa família, nossa igreja, nosso país, nosso mundo, e o Universo que ele criou. Jó alega que Deus não está sendo justo. Eliú vai se concentrar na justiça de Deus e provar com 4 atributos de Deus que ele está qualificado para governar o mundo com justiça—para a glória dele E para o nosso bem. 1. BONDADE. SEU DEUS É BOM (VV. 10-12) [10] “Por isso, vocês que têm entendimento, me escutem: longe de Deus o praticar ele a maldade, e longe do Todo-Poderoso o cometer injustiça. [11] Pois Deus retribui ao homem segundo as suas obras e paga a cada um conforme o seu caminho. No 12 ele repete o que ele disse no versículo 10: [12] Na verdade, Deus não pratica o mal; o Todo-Poderoso não perverte o direito. O Todo-Poderoso nunca faz nada injusto porque ele é bom. “Longe de Deus o praticar a maldade”. É impossível Deus fazer algo mal. Eu vi esses dias um vídeo de um cantor em um diálogo com a igreja: Ele dizia: “Deus é bom”. E as pessoas respondiam: “O tempo todo”. O cantor dizia: “O tempo todo”, e as pessoas diziam: “Deus é bom”. Deus é bom o tempo todo. O tempo todo, Deus é bom. É uma verdade simples. Mas é uma verdade que tem força para afetar nosso coração agitado e cansado. Uma verdade que Jó precisa pregar para Jó nesse tempo de angústia, eu preciso pregar para mim e você precisa pregar para você. Geralmente, o que nós mais precisamos em nosso sofrimento não é de uma verdade nova que nós não conhecíamos. Nós precisamos nos agarrar a uma antiga verdade com fé renovada. Deus é bom o tempo todo. Deus é bom quando tudo vai bem. Deus é bom quando tudo vai mal. O tempo todo, Deus é bom. Deus é bom quando você está rindo. Deus é bom quando você está chorando. A bondade de Deus não é como a maré: às vezes alta, às vezes baixa. A bondade de Deus é como o Monte Everest: firme, alto, constante. A quantidade de fé que nós temos na bondade de Deus pode variar, mas deixe-me lembrar você de uma coisa: a quantidade da bondade de Deus que ele derrama na sua vida não varia. Bondade é um atributo de Deus. E por isso, ele se qualifica para se sentar no trono e reinar. 2. SOBERANIA. SEU DEUS É SOBERANO (VV. 13-17) Eliú tem duas perguntas com uma mesma resposta: [13] Quem lhe entregou [a Deus] o governo da terra? Quem lhe confiou o universo? Ninguém. Ninguém entregou o governo da terra a Deus. Deus governa por direito—ele é o Criador. Não existe um outro deus que criou o mundo e depois pediu para Deus: “Você pode cuidar para mim?” Deus é o Governante absoluto—soberano, supremo e sozinho. Ninguém acima dele. Ninguém no mesmo nível de autoridade do que ele. Nem Lula. Nem Trump. Nem as Nações Unidas. Deus reina. Sem competidores. Sem iguais. E sem precisar de ajuda, obrigado. Mas Jó já não sabe disso? Jó não já sabe que Deus é soberano? Ele sabe. Quando ele perdeu os filhos, ele não disse: “o Senhor o deu, mas Satanás o tomou. Ele disse: O SENHOR o deu e o SENHOR o tomou (Jó 1:21). E ele bendisse o nome do Senhor (Challies, Seasons of Sorrow, 29). Jó sabe que Deus é absolutamente soberano sobre os desastres e as doenças e o diabo e todas as dificuldades que ele está enfrentando. Ele sabe, mas ele está se esquecendo. Não é exatamente o que está acontecendo comigo quando eu fico preocupado? O que está acontecendo com o nosso coração quando nós ficamos ansiosos? Eu me distraio ao ponto de me esquecer que o meu Deus está no trono governando com soberania absoluta sobre o mal e bondade infinita sobre mim. Sempre, mas especialmente nesses momentos, quando o meu coração está agitado e exausto, eu preciso de um Eliú. Eu preciso do Espírito trazendo à minha mente que Deus é Deus—que ele é soberano E bom. Esses dois atributos precisam viver abraçados na minha mente. UM BENDITO TRAVESSEIRO [293] Eu comecei essa série em Jó falando de um homem chamado Tim Challies. Tim Challies é um cristão que pouco anos atrás perdeu o filho dele, Nick, de 20 anos. Nick estava praticando esporte com os amigos do seminário e caiu morto. De repente. Do nada. Deus levou o Nick. Tim Challies, o pai, disse o seguinte de como ele estava processando a morte do filho: Se há algum travesseiro em que eu esteja repousando a cabeça nestes dias, é o travesseiro da bondade de Deus. Continuo dizendo: "Deus é bom o tempo todo". Talvez eu diga isso com tristeza, perplexidade e uma fé incompleta. Talvez eu diga isso como uma pergunta: "Deus é bom o tempo todo, certo?". Mas estou dizendo. Não entendo necessariamente como Deus é bom nisso, ou por que levar meu filho é coerente com a bondade dele, mas sei que é. Se a morte de Nick não foi uma falha na soberania de Deus, também não foi uma falha na bondade dele. Se não houve um momento em que Deus deixou de ser soberano, não há um momento em que Ele deixou de ser bom — bom para comigo, bom para minha família, bom para Nick, bom segundo a Sua perfeita sabedoria. Deus não pode não ser bom! (Challies, Seasons of Sorrow, 29). Povo de Deus, que sua mente agitada descanse nesse bendito travesseiro que tem a espuma da soberania e da bondade do seu Deus. “Deus não pode não ser bom”. Eliú agora cria uma possibilidade impossível para mostrar para Jó o absurdo de questionar o direito de Deus reinar. A possibilidade que ele cria é: [14] Se Deus pensasse apenas em si mesmo [se ele não fosse bom] e fizesse voltar para si o seu espírito e o seu sopro, [15] toda a humanidade morreria ao mesmo tempo, e o homem voltaria para o pó.” Esse é o tamanho da nossa dependência de Deus e o tamanho da soberania de Deus sobre nós. Agora vem com conclusão de Eliú para Jó e para nós: [16] “Portanto, se você tem entendimento, escute isto; dê ouvidos ao som das minhas palavras. [17] Se Deus odiasse o direito [como Jó está dizendo], será que poderia governar? E será que você quer condenar aquele que é justo e poderoso? [como Jó está fazendo]. Deus irá fazer a mesma pergunta para Jó daqui a pouco: Será que você [Jó] está querendo anular a minha justiça? Ou me condenará, para se justificar? (Jó 40:8). Jó está confuso. Um tipo de confusão pecaminosa e perigosa. O sofrimento embaralha os nossos pensamentos sobre Deus e o resultado nunca é bom. Nós questionamos Deus ou, pior, condenamos Deus—“o Senhor está reinando de forma injusta”. Está certo vasos de barro acusarem o oleiro de estar errado? Deus não vai deixar Jó—um filho que ele tanto ama—continuar nessa direção. Deus não vai deixar você, crente, continuar nessa direção, se você começar a se desviar do caminho da fé que leva a glória. 4 atributos: bondade, soberania. 3. IMPARCIALIDADE. SEU DEUS É IMPARCIAL (VV.18-20) E por isso ele está qualificado para o trono: [18] Será que alguém diria a um rei: ‘Você não vale nada!’? Ou diria aos príncipes: ‘Seus perversos!’? Não, ninguém em sã consciência diria essas coisas. [19] Quanto menos dirá isso àquele que não privilegia os príncipes, e que não favorece o rico em prejuízo do pobre; porque todos são obra de suas mãos. [20] De repente, morrem; no meio da noite, as pessoas são abaladas e passam, e os poderosos são levados por uma força invisível. Governantes humanos podem privilegiar pessoas por interesse próprio. Eles podem fechar os olhos para pecados de pessoas ricas ou poderosas por algum tipo de pressão ou benefício. Com o Deus Todo-Poderoso, não. Deus não fica inibido com os ricos e poderosos desse mundo. Ele irá julgar a todos com justiça perfeita, isso nós podemos ter certeza. Hoje em dia, ladrões de galinha são presos enquanto políticos corruptos vivem soltos. Naquele grande dia, no grande Dia do Juízo, Elon Musk estará do lado do mendigo das ruas do centro de Sumaré. Os dois serão julgados com justiça divina. Um juiz precisa ser imparcial para julgar com justiça. Deus é. Quarto atributo: 4. ONISCIÊNCIA. SEU DEUS É ONISCIENTE (VV. 21-28) E um Deus onisciente—que sabe tudo—está perfeitamente qualificado para reinar sobre nossa vida e nosso mundo: [21] Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e veem todos os seus passos. Não tem nada que alguém pense, sinta ou faça que Deus não sabe. Deus tem acesso completo a todos os seres humanos. [22] Não há trevas nem sombra profunda o bastante, onde os que praticam a iniquidade possam se esconder. [23] Pois Deus não precisa observar o homem por muito tempo antes de o fazer comparecer em juízo diante dele. O versículo 25 diz que Deus: [25] (...) conhece as obras deles; [dos homens] Juízes e líderes e governantes podem cometer erros. Eles podem ser injustos por falta de informação. Isso acontece mais vezes do que nós sabemos. A JUSTIÇA É CEGA m 1975, um homem chamado Ricky Jackson ficou 40 anos preso por um crime que ele não cometeu. 40 anos. Ele foi preso injustamente quando ele tinha 18, e libertado com 57 anos. Ele foi acusado de matar um homem em uma farmácia. A única testemunha que a polícia tinha era um menino de 12 anos que disse que viu. Quase 40 anos depois, com peso na consciência, o menino de 12 anos—agora com 50, confessou que ele não viu nada. Ele estava no ônibus da escola há 2 quarteirões do crime, mas ele foi coagido e manipulado para mentir e falar que viu o que ele, na verdade, não viu. O juiz, sem a informação certa, julgou errado. Mas não só os juízes. Todos nós podemos fazer erros de julgamento por falta de informação. Tomamos decisões erradas que, se nós tivéssemos acesso a mais dados, nós tomaríamos um decisão diferente. Com Deus, isso nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Ele é onisciente. Ele sabe todas as coisas sobre todas as pessoas. Como é bom saber que o Juiz do Universo sabe tudo e irá fazer justiça. Que esperança e segurança você pode ter quando você é injustiçado: os olhos de Deus estão vendo. Ele conhece tudo. Ele irá julgar. [28] e assim fizeram com que o grito dos pobres subisse até Deus, e este ouviu o lamento dos aflitos.” Deus ouve o lamento dos aflitos. Às vezes, ele faz justiça ainda nessa vida. Sempre, ele fará justiça quando Jesus voltar. Mas é difícil para nós lidar com essa espera—o tempo entre o grito de ajuda e o momento em que Deus age. Esse silêncio de Deus, essa falta de ação de Deus, está deixando Jó inconformado—agitado e exausto. E muitas vezes, nós ficamos também. Depois dos 4 atributos de Deus—Deus é (1) bom, (2) soberano, (3) imparcial e (4) onisciente—Eliú termina lidando com a “velocidade de Deus”. 5. A VELOCIDADE DE DEUS (vv. 29-30) A velocidade em que Deus age. [29] “Se ele [Deus] se calar, quem o condenará? [Como Jó está fazendo!] Se encobrir o rosto, quem poderá vê-lo? Mas ele está acima dos povos e das pessoas, [30] para que o ímpio não reine, e não haja quem iluda o povo.” Às vezes, Deus parece estar escondido. Às vezes, parece que Deus está quieto. É só olhar para esse mundo e ver a quantidade de maldade que Deus, aparentemente, não está fazendo nada. E uma conclusão que nós podemos chegar é que Deus está sendo lento. Devagar demais para falar e fazer alguma coisa. O argumento de Eliú aqui—esse defensor da glória de Deus—é que ninguém pode condenar Deus quando ele parece lento para falar e para julgar. Mesmo quando não estamos vendo o que Deus está fazendo, ele continua trabalhando. Ainda que pareça que ele está demorando, ele irá julgar “[30] para que o ímpio não reine”. Ele sabe o tempo certo para falar e fazer. Esperar é difícil. Mas durante a espera, nós não podemos acusar Deus dizendo que ele está sendo negligente ou lento. Condenar Deus porque ele está aparentemente atrasado para agir é errado. É pecado. E é o que Jó está fazendo. E a maneira como lidamos com o pecado é nos arrependendo. É assim que Eliú termina esse discurso: chamando Jó para se arrepender. Depois do (1) apelo, da (2) alegação de Jó contra Deus, da (3) refutação de Eliú contra Jó, Eliú termina apelando para Jó reconhecer que ele disse o que não deveria contra Deus. 4. APELO DE ELIÚ PARA JÓ (34:31-37) Esses versículos são difíceis de traduzir e entender. A NAA começa o versículo 31 como se fosse uma hipótese: “Se”. Uma outra maneira de entender é como se Eliú estivesse dizendo para Jó o que Jó deveria dizer para Deus (Hartley, Job, 459). Em vez de: [31] “Se alguém se dirige a Deus, dizendo: Seria: [31] “Dirija-se a Deus, dizendo: [31] (...) ‘Sofri, não vou pecar mais; [32] ensina-me o que não consigo ver; se cometi injustiça, jamais voltarei a praticá-la’, Eliú está chamando Jó a admitir que falou o que não deveria para Deus e que ele deve se arrepender. Que é o que Jó irá fazer daqui a uns capítulos. No versículo 33, Eliú nos lembra que Deus é livre e Jó não pode exigir coisas de Deus como ele está fazendo. [33] será que Deus deve recompensá-lo segundo o que você quer ou não quer? No final do versículo, Eliú fala de forma pessoal a Jó. As duas últimas linhas: [33] (...) Escolha você [Jó], e não eu [Eliú]; diga o que você sabe; fale’? Na última linha, o ponto de interrogação poderia vir antes: Diga, o que você sabe? Fale.” O que nós pensamos e falamos para Deus é sério. Intimidade com Deus é bom. Irreverência, não. Expressões indecentes contra Deus não são aceitáveis para se dirigir àquele que está no trono. Eliú se vira para aqueles que estão ouvindo e diz: [34] “Os homens que têm entendimento me responderão, o sábio que me ouve dirá: [35] ‘Jó falou sem conhecimento, e nas palavras dele não há sabedoria.’ Esse diagnóstico de Eliú é o mesmo diagnóstico que Deus irá fazer de Jó e, no final do livro—depois de se arrepender do que falou contra Deus—é o mesmo diagnóstico que Jó irá fazer dele mesmo. Jó vai dizer: “Na verdade, falei do que eu não entendia”. (Jó 42:3). Mas Jó ainda não chegou nesse ponto. O Espírito Santo está trabalhando em Jó. Ele é quem nos convence do pecado. Esse é o desejo de Eliú, e por isso, Eliú diz: [36] Quem dera Jó fosse provado até o fim, porque ele respondeu como homem iníquo. [37] Pois ao seu pecado acrescenta rebelião; entre nós, em tom de zombaria, bate palmas e multiplica as suas palavras contra Deus.” Eliú é bem diferente dos 3 amigos de Jó. Eliú leva a discussão para outra direção. Os amigos de Jó diziam que Jó é um homem iníquo—que pratica iniquidade. Eliú se concentra nas palavras de Jó (Talbert, Beyond Suffering, 183). Eliú fala que Jó respondeu COMO um homem iníquo, como Jó disse para o esposa no início quando ela disse para Jó: “Amaldiçoe a Deus e morra!” e Jó disse, “Você fala como uma louca”, e não “você é louca”. Jó está acusando Deus de não ser qualificado para se sentar no trono. Que audácia! Quem somos nós para dizer como Deus deve governar? Eliú é um instrumento de Deus para trazer arrependimento a Jó. Jó um crente verdadeiro. Mas às vezes, crentes verdadeiros, no meio da tribulação, pensam e falam coisas falsas sobre Deus. Mas Deus não vai deixar Satanás levar Jó para o lado dele. Assim como Jesus disse para Pedro: Simão, Simão, eis que Satanás pediu para peneirar vocês como trigo! (Lucas 22:31). Sacudir violentamente como é feito com o trigo (Bíblia de Estudo NAA, 1888). Mas Jesus continuou: Eu, porém, orei por você, para que a sua fé não desfaleça (Lucas 22:32). Jesus não vai deixar sua fé desfalecer—morrer. Você pode ser sacudido, crente, como Jó e como Pedro. A terra do pecado que estava no fundo do seu coração pode sujar sua santidade, como aconteceu com Pedro, que negou o Senhor 3 vezes, e como está acontecendo com Jó, que disse coisas absurdas contra Deus. Mas Jesus não vai deixar Satanás arrancar vocês das mãos dele. No final, Jesus sempre vence. Como é bom saber o resultado final! Você luta pela sua fé, sabendo que ela não vai desfalecer. O mesmo Jesus que orou por Pedro é o Jesus que ora por nós—que intercede por nós, que vai fazer o que for necessário para que você ande em arrependimento e fé até o fim. É essa obra da graça que Jó está experimentando e todos nós, crentes incompletos com fé incompleta, experimentamos. Jó está ouvindo tudo o que Eliú está falando. Ele não interrompe. Ele não se justifica. Mas ele ainda não chegou no lugar que Deus quer trazer Jó: aquele lugar de humilhação santa onde o pecado se torna a pior coisa do mundo e a graça de Deus é melhor do que a vida. Eliú não terminou com Jó porque Deus não terminou ainda de lidar com Jó. CAPÍTULO 35: TERCEIRO DISCURSO Nesse terceiro discurso, Eliú pula o apelo inicial de “escutem-me!”. Ele vai direto para a: 1. ALEGAÇÃO DE JÓ (35:1-3) [1] Eliú disse ainda: [2] “Você acha que é justo dizer: ‘A minha justiça é maior do que a de Deus’? Eliú é um repórter fiel. Ele não está inventando nada. Jó realmente falou com Deus como se ele fosse mais justo do que Deus. É um enorme atrevimento, mas Jó disse. O versículo 3 também reflete as palavras de Jó: [3] Porque você diz: ‘De que me serviria ela? Que proveito tenho, se eu não pecar?’ Não adianta nada temer a Deus e ser piedoso se, no final, olha o que acontece! Olha esse sofrimento! Olhe o que Deus fez comigo! Não é que Jó prefere pecar do que ser santo (Talbert, 184). É que Jó sente que Deus não está tratando a ele com a justiça e a bondade que ele espera de um Deus que se diz justo e bom. Eu confio em Deus e vivo para ele, e olha o sofrimento terrível que ele traz na minha vida! Existem resquícios de incredulidade no coração de Jó (e no nosso) que Deus precisa tratar. Eliú cita a alegação de Jó contra Deus. Agora vem a refutação de Eliú contra Jó: 2. REFUTAÇÃO DE ELIÚ (35:4-13) [4] Eu darei a resposta a você e aos seus amigos também. Eles estão na porta da cidade, ao ar livre. Jó está ali. Os amigos de Jó também. E provavelmente outras pessoas ouvindo. Eliú aponta para cima e diz: 2.1 A TRANSCENDÊNCIA DE DEUS E AS AÇÕES DOS HOMENS (35:4-8) [5] Olhe para o céu [onde Deus habita] e veja; contemple as altas nuvens acima de você. [6] Se você peca, que mal causa a Deus? Se as suas transgressões se multiplicam, que prejuízo isso poderia trazer a ele? [7] Se você é justo, o que está dando a ele ou o que ele recebe da sua mão? Eliú está usando mais um atributo de Deus. Deus é transcendente (Talbert, 183). Não tem nada que aconteça na terra que possa fazer Deus ser mais Deus ou tornar Deus menos Deus. Deus é imutável—ele não aumenta nem diminui. O Criador não depende de nada na criação. Ele transcende o universo. Nesse sentido: • Versículo 6 (do lado negativo), os pecados que as pessoas cometem não causam prejuízo a Deus. As pessoas podem roubar, matar, blasfemar e fazer o que quiserem, Deus permanece intacto em sua glória. Sem nenhum prejuízo. • Versículo 7 (do lado positivo), nosso bom comportamento, nossas boas obras, não deixam Deus mais rico ou maior. Ele já é infinitamente perfeito. Ele não está precisando de nada para se tornar melhor. Ele é Deus. Por isso, o versículo 8 é o resumo e a conclusão: [8] A sua impiedade só pode fazer mal ao homem; e a sua justiça só pode dar proveito ao filho do homem. Nós somos afetados se nós pecamos ou vivemos em piedade. As pessoas a nossa volta são afetadas—muito afetadas—se nós pecamos ou amamos. Mas nosso pecado não pode danificar o ser de Deus e nossas obras não podem comprar Deus para colocá-lo em dívida conosco. • Isso não significa que Deus não se importe em como nós vivamos. • Também não significa que nossas atitudes não afetem nosso relacionamento com Deus. O ponto de Eliú—e da boa teologia—é dizer que Deus está acima da criação e nada nesse mundo pode retirar ou acrescentar alguma coisa a divindade de Deus. Nenhum de nós pode dizer para Deus: “Eu vou me comportar bem para o Senhor me dar o que eu tanto quero”, como um pai promete um envelope do álbum da copa no final do dia se o filho obedecer. Com Deus, não é assim. Ele é o Criador exaltado, nós somos as criaturas. O que Eliú está fazendo aqui é colocando Jó de volta no lugar dele. Eliú está basicamente dizendo: “Jó, não é você que está no trono, meu irmão. É ele. Nós estamos aqui embaixo. Ele está lá em cima”. Às vezes, é o que nós mais precisamos. Querer disputar o trono com Deus nunca dá certo—nunca nos dá paz e é sempre pecado. Depois de lidar com as nossas ações, Eliú agora vai lidar com as nossas orações. Depois de dizer que Deus é transcendente e não tem obrigação de responder às nossas ações como nós queremos, Eliú vai falar que Deus é justo e não tem obrigação de responder às nossas orações quando elas não são feitas da maneira correta. Eliú agora vai refutar a alegação de Jó—de que não adianta viver em santidade porque Deus não responde—falando da: 2.2 A JUSTIÇA DE DEUS E AS ORAÇÕES DOS HOMENS (35:9-13) [9] “Por causa das muitas opressões, as pessoas clamam; clamam por socorro contra o braço dos poderosos. Essa é a situação que Eliú está criando em nossa mente: uma pessoa que está sendo oprimida e clamando por socorro. Deus é cheio de misericórdia e salva aqueles que vão até a ele com fé. Mas o que Eliú quer que Jó e nós entendamos é que Deus não tem nenhuma obrigação de responder a um clamor se essa pessoa se aproxima dele errado, só porque ela está sofrendo. Aqueles que estão sofrendo clamam, mas... [10] Mas ninguém diz: ‘Onde está Deus, que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite, [11] que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?’ Muitos clamam, pedem ajuda a Deus, mas não reconhecem quem Deus é—que é ele quem nos faz mais sábios que o restante da criação (sejam animais na terra ou aves no céu). Muitas pessoas clamam a Deus, mas elas realmente não se importam com Deus. Elas querem o conforto, mas não querem o Deus Confortador (Talbert, 186). Essa pergunta do versículo 10 não é uma pergunta para adquirir informação: “Onde está Deus?”. É uma pergunta para adquirir comunhão—relacionamento. “Onde está o meu Deus, que me fez—eu quero a presença dele?”. Querer as benção de Deus sem querer Deus é ofensivo a Deus. [12] Clamam, porém ele não responde, Agora é a causa do silêncio de Deus: [12] (...) por causa da arrogância dos maus. [13] Só gritos vazios Deus não ouvirá; o Todo-Poderoso não lhes dará atenção.” Eliú termina aplicando e apelando a Jó. 3. APELO DE ELIÚ PARA JÓ (35:14-16) [14] “Jó, ainda que você diga que não o vê, a sua causa está diante dele; por isso, espere em Deus. [15] Mas agora, porque Deus na sua ira não está punindo, nem fazendo muito caso das transgressões, [16] você abre a sua boca com palavras vazias, amontoando frases sem sabedoria.” Eliú está chamando Jó a não ir até Deus irritado, mas sim, quebrantado. Enquanto Jó (ou nós) nos aproximamos de Deus com arrogância, ele não deve esperar que Deus responderá. Deus é um Deus que ouve orações! Ele é! Salmo 65:2—Ó tu que escutas a oração, a ti virão todas as pessoas. 1João 5:14—E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. Jeremias 29:12—Então vocês me invocarão, se aproximarão de mim em oração, e eu os ouvirei. Deus ouve orações. O que Eliú está dizendo é que existe uma diferença gigante entre o clamor de um coração humilde e o gritos vazios de um espírito arrogante—exigindo que Deus faça alguma coisa. Quem está no trono é ele, não nós. Deus está tirando Jó do caminho do orgulho. As palavras de Eliú não são macias, mas elas são necessárias. Provérbios 27:5-6—Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama... São palavras que ferem para nos curar. Elas são feitas por quem ama. Às vezes, é o que nós precisamos para voltarmos a termos alegria e descanso no Senhor. CONCLUSÃO Em muitos aspectos, Jó é um exemplo para nós: • Ele não abandonou Deus, mesmo diante de tanta dor. • Ele não desistiu de buscar o Senhor, mesmo diante da aparente demora do Senhor em responder. Em alguns aspectos, Jó aponta para Jesus: • Como aquele que depois de humilhado será exaltado. • Como o sofredor inocente que é vindicado—reconhecido com um adorador verdadeiro. Mas em um aspecto muito importante, Jó é diferente de Jesus. Em nosso sofrimento, quando o tanque do nosso coração é sacudido, a terra do pecado que estava no fundo sobe e nós precisamos da obra do Espírito para nos purificar—para retirar os resquícios de pecados que restam em nós. É o que Jó precisa. Mas Jesus, no sofrimento dele, não precisou de nenhuma purificação. O tanque do coração de Jesus foi sacudido com mais força do que o coração de Jó e qualquer outro ser humano na história. Até a terra tremeu de tão forte que foi a sacudida que Deus submeteu Jesus na cruz. Mas mesmo ali, na cruz, na maior provação que um homem já passou, tendo seu coração sacudido com toda a força da mão de Deus, a única coisa que nós vemos no coração de Jesus é pureza. Pureza, pureza, pureza. Não existe nenhuma camada da terra do pecado no fundo. Jesus é completamente cheio da santidade de Deus. • Por causa dele, nós podemos ser salvos da nossa arrogância e zombaria. • Por causa dele, nossas orações são ouvidas. • Por causa dele, nós somos perdoados e purificados. • Por causa do sofrimento dele, um dia nós nunca mais sofreremos. • Por causa da morte dele, nós viveremos com ele, o Rei da Glória, em um mundo de perfeita justiça e amor. Que o Espírito Santo nos aquiete, nos acalme, nos conforte e nos cure porque ele é Deus. Ele é perfeitamente qualificado para o trono. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_7b95a995e8594ea38afa3f724639a833~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 34-35: Qualificado Para o Trono
Deus pode aquietar nosso espírito agitado e esgotado como o de Jó. Deus sabe o remédio certo e a dose exata que nós precisamos para termos nossa saúde espiritual e nossa sanidade emocional restaurada. A obra de Deus em Jó—e em nós—ainda não acabou.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
14 de Junho de 2026 – IBJM
Ninguém esperava por isso. Só Deus para fazer uma coisa dessas. Jó e seus 3 amigos—Elifaz, Bildade e Zofar—ficaram discutindo por 29 capítulos: • Os amigos de Jó bateram nele sem parar com palavras: “Jó, Deus é justo. Você está sofrendo desse jeito porque você pecou contra o Senhor. Abandone seu pecado e seja abençoado!”. • E Jó insistindo: “Não, não e não. Eu não pequei contra o Senhor para sofrer desse jeito. Deus não está sendo justo em me tratar assim!”. A discussão foi esquentando, esquentando, até que ela chegou a uma temperatura insuportável de se tolerar. Volte para o final do capítulo anterior. Esse foi o ápice da revolta de Jó com Deus: Jó 31:35—Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! E o capítulo 31 termina com as sóbrias palavras (final do versículo 40): Jó 31:40—(...) Fim das palavras de Jó. Mas em vez de Deus se levantar e repreender Jó por ter dito coisas absurdas contra ele. Em vez de ter um versículo 41 dizendo: “E por Jó ter acusado Deus dessa maneira, Deus matou Jó”. Deus nos surpreende. Jó 32:[1] Aqueles três homens pararam de responder a Jó, porque ele se considerava justo. [2] Então se acendeu a ira de Eliú... Ah!? “Eliú” quem? Eliú? Quem é esse homem? De onde ele surgiu? Em vez de Deus falar ou julgar, Deus envia um homem para preparar Jó para se encontrar com Deus. Deus é quem dita os termos. Nós vimos isso no início do livro. Foi Deus quem trouxe o nome de Jó para a conversa celestial com Satanás e os anjos. Foi Deus quem terminou o que Satanás podia e não podia fazer. Ele é soberano. Deus é incontrolável no sentido mais divino da palavra. Ninguém pode forçar Deus a fazer o que ele não quer fazer. E ninguém pode impedir Deus de fazer o que ele quer. Deus é Deus. E esse Deus Soberano e Todo-Poderoso é também um Deus de graça e amor. Ele é o Deus que perdoa você. Ele é o Deus que salva você. É esse Deus que Eliú irá mostrar para Jó e para nós hoje. Um Deus que nos surpreende. Um Deus cheio de mistério e misericórdia. Um Deus implacavelmente justo e imensamente gracioso. Eliú, esse quarto amigo de Jó, tem 4 discursos. Veja comigo: O primeiro discurso está nos capítulos 32 e 33. Jó 34:1—Eliú disse mais: Jó 35:1—Eliú disse ainda: Jó 36:1—Eliú seguiu falando e disse: Eliú emenda 4 discursos sem ninguém interromper—nem Jó, nem os amigos de Jó. Pelo jeito, Eliú tem bastante coisa a dizer. E ele quer porque quer ser ouvido. Mas antes de Eliú abrir a boca, o autor do livro de Jó abre o capítulo nos apresentando quem é esse homem chamado Eliú. APRESENTAÇÃO DE ELIÚ (32:1-5) [1] Aqueles três homens pararam de responder a Jó, porque ele se considerava justo. [2] Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. Ele ficou indignado [irado] contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus. [3] Eliú também ficou irado com os três amigos de Jó, porque, mesmo não tendo o que responder, eles o condenavam. [4] Eliú, porém, havia esperado para falar a Jó, pois os outros eram mais velhos do que ele. [5] Quando Eliú viu que aqueles três homens já não tinham o que responder, ficou irado. Existem 3 palavras chaves nessa apresentação de Eliú que funcionam como sinais (como placas de trânsito) que o autor está nos dando para guiar (dirigir) em nossa interpretação do livro de Jó. 3 palavras-chaves: A PRIMEIRA É RESPONDER. • No versículo 1, ele diz que os 3 homens pararam de responder. • No versículo 3, ele diz que os 3 amigos de Jó não tinham o que responder. • No versículo 5, ele diz que os 3 homens não tinham o que responder. A mensagem é: alguém precisa responder a Jó. Jó disse coisas sérias e graves contra Deus. Vocês, amigos de Jó, não conseguiram respondê-lo. [11] “Eis que esperei que vocês falassem e dei ouvidos às suas considerações, enquanto, quem sabe, buscavam o que dizer. [12] Dei atenção ao que diziam, mas nenhum de vocês conseguiu refutar Jó, nem responder aos seus argumentos. (...) [15] “Jó, os três estão pasmados, já não respondem, faltam-lhes as palavras. [16] Será que devo esperar, pois não falam, estão parados e nada mais respondem? [17] Também eu de minha parte vou responder e darei a minha opinião. Elifaz, Bildade e Zofar não conseguiram responder a Jó. Eliú está dizendo: agora é a minha vez. “Darei a minha opinião”. A SEGUNDA PALAVRA-CHAVE É IRA. Ela aparece 4 vezes nesses 5 versículos. O autor quer fixar isso em nossa mente. Eliú está irado. • Eliú está irado com Jó porque Jó pretende ser mais justo que Deus (versículo 2). • E (versículo 3) Eliú está irado com os amigos de Jó, porque eles condenam a Jó sem ter o que responder e (versículo 5) porque eles não só condenavam, mas ficaram sem saber como responder a Jó. Eliú está irado. Eu vou comentar mais sobre a ira de Eliú daqui a pouco. A TERCEIRA PALAVRA-CHAVE É JUSTO. • No versículo 1, ele fala que Jó se considerava justo. • E no final do versículo 2, ele fala que Jó se considerava mais justo do que Deus. A justiça de Deus é um dos temas centrais do livro de Jó—e da nossa vida. Uma das nossas reações mais comuns no sofrimento é questionar a justiça de Deus. • Você pode confiar em Deus mesmo quando seus planos são destruídos, seus sonhos evaporam, sua vida vira de cabeça para baixo e o mundo parece mergulhar na maldade e Deus aparentemente não faz nada? • Deus é ou não é justo? Essa é uma das lições que Deus quer nos ensinar com o livro de Jó. Como ver quem Deus é quando ele torna nossa vida difícil—às vezes, muito difícil. E Eliú é um instrumento nas mãos de Deus para nos mostrar quem é o nosso Deus. ELIÚ: BOM OU MAU? Quem é esse Eliú? Ele é do bem ou ele é do mal? Parecem existir mais opiniões sobre Eliú do que areia da praia do mar: • Alguns entendem que ele é um jovem nervosinho e arrogante que sabe menos do que ele pensa. Um tagarela que basicamente repete os mesmos argumentos de Elifaz, Bildade e Zofar, e até pior. • Outro veem Eliú como alguém que está no meio do caminho—às vezes ele está certo, às vezes errado. • E no outro espectro, alguns veem Eliú de forma positiva—alguém que tem razão no que está falando e deve ser ouvido por Jó e por nós. Como entender Eliú? Essa não é a decisão mais fácil do mundo, mas eu estou convencido de que a resposta certa é a última alternativa: Eliú é do bem. Nós devemos ver Eliú como um mensageiro enviado por Deus. Eliú fala como um profeta—um verdadeiro profeta. Eliú é como um João Batista preparando o caminho para a chegada do Rei—a entrada de Deus no capítulo 38. Eliú estende o tapete vermelho e prepara o coração de Jó e o nosso para Deus entrar na história e falar. Vou listar rapidamente algumas razões para ouvirmos Eliú de forma positiva: Primeiro, Deus não corrige Eliú no final do livro. Deus diz no final do livro que está irado com Elifaz, Bildade e Zofar, mas ele não inclui Eliú (Jó 42:7). Seria muito estranho Eliú ter falado um monte de besteira como os amigos de Jó e Deus não falar nada. Segundo, Eliú fala mais vezes que os amigos de Jó. Eliú fala 4 vezes. Os amigos de Jó falam 3. Seria estranho o autor do livro de Jó, chegando perto do fim, dar mais espaço para Eliú do que para os outros amigos só para Eliú repetir os argumentos ruins dos amigos. Terceiro, Eliú é o único que tem um nome hebraico e uma genealogia. Essa é uma maneira do autor nos mostrar a importância desse homem chamado Eliú. [2] Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. Existe um Rão na Bíblia. Ele parece no livro de Rute. Ele foi tataravô de Boaz, que por sua vez foi Bisavô do Rei Davi. Uma genealogia de peso. Até o nome de Eliú tem peso de glória. Eliú significa: “Ele é o meu Deus!”. Que é o título desse sermão e, eu diria, é um resumo de todo argumento de Eliú nesses 6 capítulos—do 32 ao 37. Eliú está defendendo o Deus dele e o seu Deus! Quarto, os argumentos de Eliú são diferentes dos argumentos do amigos. Eliú não é um papagaio, copiando o que Elifaz, Bildade e Zofar falaram. Na verdade, Eliú muda radicalmente a direção da discussão. Ouçam o que Eliú fala com os amigos de Jó: [14] Ora, ele [Jó] não me dirigiu palavra alguma, e eu não lhe responderei com as palavras que vocês [Elifaz, Bildade e Zofar] usaram. Eliú está falando a verdade. Ele não vai repetir os mesmos argumentos furados. Eliú está absolutamente convencido de que (1) os amigos de Jó estão errados em acusar Jó e (2) Jó está errado em acusar Deus. Eliú apresentar, com um autor cristão disse, “uma terceira perspectiva revolucionária: o sofrimento não está necessariamente ligado à justiça de Deus” (Talbert, Beyond Suffering, 170). Não existe essa ligação sempre entre seu sofrimento e seu pecado. A questão é como nós respondemos ao sofrimento que um Deus justo envia ou permite em nossa vida. Eliú é o primeiro a perceber o real problema na vida de Jó: não os supostos pecados que Jó cometeu antes das calamidades, mas as palavras pecaminosas de Jó depois das calamidades. Pronto! Finalmente as perguntas de Jó serão respondidas. Ou pelo menos algumas delas. “Eliú começa a responder. E Deus vai completar” (Ash, Job, 326). Mas Deus costuma nos surpreender. Nem sempre ele responde como esperamos. Um último comentário, sobre a ira de Eliú, antes de ouvir as palavras dele. SOBRE A IRA DE ELIÚ Se tem uma coisa que o autor de Jó quer que saibamos é que Eliú está muito irado: 4 vezes em 5 versículos—irado, irado, irado, irado. Como entender essa ira de Eliú? É difícil lidar com esse assunto porque a ira humana é sempre perigosa e, geralmente, pecaminosa. Tiago nos alerta dizendo que “a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:20). Quase sempre, quando ficamos irados, é porque a nossa vontade não é feita. Nós ficamos nervosos porque as pessoas não fazem o que nós queremos ou porque elas não concordam com o nosso ponto de vista “brilhante” ou simplesmente porque a vida não é do jeito que nós gostaríamos. Ira é uma obra da carne em Gálatas 5. No coração humano, a ira é quase sempre pecaminosa. Mas nem sempre. Paulo fala, em Efésios 4, fiquem irados e não pequem (Efésios 4:26). E nós vemos essa ira boa se manifestando nos profetas, nos apóstolos e especialmente e perfeitamente em Jesus. • Em Mateus 23, Jesus chama os fariseus várias vezes de hipócritas e em João 8 de “filhos do diabo”. • Em Marcos 3, Jesus fica indignado com a dureza de coração dos judeus em não querer que um homem com a mão ressequida fosse curado porque era sábado. • E quando Jesus entra no templo e vê aquela feira, aquela baderna na Casa de Oração, Jesus fica irado. Ele faz um chicote, espalha das moedas, vira as mesas e expulsa todo mundo. Assim como existe um temor bom (o temor do Senhor) e um temor ruim (medo e falta de confiança no Senhor), existe a ira santa e a ira pecaminosa. Que tipo de ira Eliú está experimentando? Pelo texto, pelo que o autor de Jó nos conta no início desse capítulo e no final do livro, Eliú está experimentando a ira certa—essa indignação santa de ver o nome de Deus sendo desonrado. Eliú não está tendo um ataque de fúria porque a vontade dele não é feita. Ele está piedosamente revoltado porque Deus não está sendo glorificado. As razões que o autor dá para Eliú estar irado são boas: • Jó está acusando Deus de ser injusto. Jó está dizendo que o Rei do Universo não está governando direito. Isso é grave, bem grave. • E os amigos de Jó estão falando coisas absurdas em nome de Deus—agindo como falsos mestres. A GLÓRIA DA IRA Aqui, me parece, está a chave para entender quando a nossa ira é justificada e quando não é: a ira correta (santa) é a ira centrada na glória de Deus. É uma indignação porque o nome santo de Deus está sendo blasfemado e a vontade de Deus (revelada na Palavra) está sendo atacada. • Quando nós ouvimos sobre a prática do aborto—o assassinato de crianças no ventre das mães, nós devemos ficar irados. • Quando nós ouvimos sobre pessoas sendo abusadas e maltratadas e traficadas, nós não devemos ficar indiferentes. Nós devemos ficar irados. • Quando nós ouvimos pessoas debochando da Palavra de Deus e do nome de Jesus, nosso coração não deve ficar parado. Nós devemos ficar irados. A chave para experimentarmos a ira santa é ter o nosso foco, não em nós mesmos, mas em Deus e temperar nossa indignação com compaixão. O que deixou Eliú desse jeito—irado—foi ouvir a honra de Deus ser atacada por muito tempo. Eliú é um defensor da glória de Deus. Nisso, ele é um exemplo para nós. Povo de Deus, tem tanta coisa que sacode o nosso coração. Tem tantas coisas que nos deixam agitados: política, economia, tecnologia... Copa do Mundo! Que nossa maior paixão seja ver o nome do nosso Deus sendo exaltado e o conhecimento da glória dele enchendo a terra como as águas enchem o mar. Esses 5 primeiros versículos são fundamentais para interpretarmos os discursos de Eliú. Chegou a hora de ouvirmos esse jovem cheio de fervor e amor por Deus. Depois da apresentação de Eliú, vem o apelo de Eliú. 1. APELO: ESCUTEM! (32:6-33:7) Ele começa com a razão de ele ter ficado quieto até agora: RAZÃO PARA O SILÊNCIO: EU SOU MAIS NOVO [6] Então Eliú, filho de Baraquel, o buzita, tomou a palavra e disse: “Eu sou de menos idade, e vocês são idosos. Por isso, tive receio e fiquei com medo de dar a minha opinião. [7] Pensei assim: ‘Que falem os que têm mais idade, e que a multidão dos anos ensine a sabedoria.’ Eliú foi humilde. Ele agiu corretamente. Ele não interrompeu. Ele esperou e ouviu os mais velhos (cf. v.4). Crianças e jovens da IBJM, ouçam os mais velhos. Peçam a opinião deles. Antes de tomar decisões importantes, perguntem o que seus pais pensam, especialmente se eles são cristãos. É bem provável que eles tenham razão. Perguntem o que homens e mulheres sábios pensam. Peça a opinião de pessoas mais velhas na igreja. Geralmente, com as rugas e os pés de galinha e o bigode chinês e os cabelos brancos (ou a falta de cabelo), vem a sabedoria. Geralmente. Mas nem sempre. Eliú faz um comentário sábio sobre a sabedoria: RAZÃO #1: A SABEDORIA VEM DE DEUS, NÃO DO TEMPO [8] Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso lhe dá entendimento. Deus é quem dá entendimento e sabedoria! [9] Os de mais idade não são os sábios, nem são os velhos os que entendem o que é reto. [10] Por isso digo: Escutem o que vou dizer, e também eu darei a minha opinião.” Esse é o apelo de Eliú: “Escutem o que vou dizer!” Por que nós devemos escutar você, Eliú? Você é mais novo, o que você tem a oferecer que Elifaz, Bildade e Zofar não tem? Resposta: a sabedoria que vem de Deus. Eu falei antes com as crianças e jovens da IBJM. Agora eu quero falar com você, homens e mulheres mais velhos. Nós que fazemos parte do grupo dos de mais idade—mais experiência. DEUS, NÃO O TEMPO Idade não é fonte de sabedoria. Deus é a fonte de sabedoria. Eliú está certo. Foi exatamente isso que nós vimos naquela poesia de amor à sabedoria no capítulo 28. É o sopro do Todo-Poderoso—a Palavra de Deus—que dá sabedoria. Isso significa que o tempo por si só não me deixa mais sábio. O tempo com Deus, na Palavra, em oração, com o povo de Deus, sim, isso me deixa mais sábio. Mas o tempo sozinho, não. Por isso, nós mais velhos, sejamos humildes e aprendamos com os mais jovens também. Ter menos idade não é necessariamente sinal de menos sabedoria, como fica claro no caso de Eliú, que é mais sábio que os 3 amigos de Jó. Crianças e jovens, aqui vai um encorajamento para vocês: • Vocês não precisam esperar sua pele enrugar para ter sabedoria. • Vocês não precisam esperar ficar velho para ser sábio. Coma as palavras desse livro todos os dias da sua vida. Beba os provérbios. Ore os salmos. Estude as cartas. Medite nas narrativas. Memorize versículos. E vocês serão jovens e sábios, como Eliú. Daniel e seus 3 amigos tinham por volta de 14 anos quando foram exilados na Babilônia. E que jovens cheios de sabedoria! A igreja e esse mundo precisam desesperadamente de jovens que não ficam desperdiçando sua vida com coisa inúteis, mas que se dediquem a viver para Cristo. A SABEDORIA DA CRUZ Essa vida de sabedoria começa na mensagem da cruz dele: 1Coríntios 1:21—Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, Deus achou por bem salvar os que creem por meio da loucura da pregação. Essa vida de sabedoria começa quando você crê na loucura da pregação. Loucura para o mundo. Para nós, Cristo crucificado é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Você confessa sua tolice a Deus. Confia que o Senhor Jesus foi morto pelas nossas tolices. E se revista da sabedoria que ele oferece na Palavra. Eliú vai mudar a direção da discussão. E a direção será bem mais centrada em Deus porque a fonte da sabedoria de Eliú não é a cultura desse mundo ou que as pessoas pensam, mas o que Deus pensa sobre a cultura e as pessoas e o sofrimento e a justiça e o pecado e a fé e o amor. RAZÃO #1PARA OUVIRMOS O JOVEM ELIÚ: A SABEDORIA VEM DE DEUS, NÃO DO TEMPO. RAZÃO #2: ELIÚ VAI EXPLODIR Parece que Eliú vai morrer se ele não falar. Sabe quando você quer muito contar alguma coisa para alguém? Você esperou, esperou, esperou e agora você não aguenta mais esperar—você sente que vai explodir se não falar. Esse é Eliú: [18] Porque tenho muito que falar, e o meu espírito me constrange. [19] Eis que dentro de mim sou como o vinho, sem respiradouro, como odres novos, prestes a arrebentar. [20] Permitam, pois, que eu fale para poder desabafar; abrirei os lábios e responderei. Povo de Deus, que nós sejamos como o vinho em odres novos, sem respiradouro, com o evangelho da graça fermentando, borbulhando, dentro de nós, prestes a nos arrebentar, se nós não falarmos de Jesus para as pessoas. Mas nem sempre parece que é o que queremos fazer. O profeta Jeremias passou por uma crise. Ele pregava só para ser ignorado. Sendo zombado o tempo todo. Até que ele cansou e disse: “Não me lembrarei mais de [Deus] e não falarei mais em seu nome” (Jeremias 20:8). Ele pensou: “Chega! Eu estou cansado de pregar e ninguém ouvir. A partir de agora eu vou ficar quieto. Acabou”. Nós entendemos essa tentação. Talvez você esteja ouvindo isso e se identificando: “Antigamente eu falava mais do Senhor. Antigamente eu evangeliza mais. Parece que aquele primeiro amor esfriou”. Que aconteça conosco hoje o que aconteceu com Jeremias logo depois que ele disse que não ia mais falar de Deus. Ele disse: “Eu não vou mais falar de Deus. Chega!”. Não deu certo! O Espírito Santo acabou com os planos de silêncio dele: Jeremias 20:9—Quando pensei: “Não me lembrarei dele e não falarei mais em seu nome”, então isso se tornou em meu coração como um fogo, encerrado nos meus ossos. Como Jeremias e como Eliú, que o Senhor nos incomode até o ponto que seja impossível ficarmos com a boca fechada. Que a mensagem maravilhosa de um Salvador maravilhoso borbulhe dentro de nós até arrebentar e sair pela nossa boca. Cristo crucificado é a sabedoria de Deus e o poder de Deus para salvar um mundo morto em seus pecados. E Deus salva. Com poder. De graça. Pela fé. Para a glória dele. Meu irmão, minha irmã, vamos abrir a nossa boca—para orar e proclamar. Que o Senhor perdoe nossa apatia. E que Senhor faça nosso coração fervilhar de amor pelo Senhor e pelas pessoas. Eliú tem mais 3 razões para ser ouvido: No versículo 21, ele promete ser imparcial: RAZÃO #3: EU SEREI IMPARCIAL [21] Não tratarei nenhum de vocês com parcialidade e não vou lisonjear ninguém. [22] Porque não sei lisonjear; se assim fizesse, em breve me levaria o meu Criador. No versículo 3 (entrando no capítulo 33), ele promete ser verdadeiro: RAZÃO #4: EU SERERAZÃO #4: EU SEREI VERDADEIROI VERDADEIRO [3] Os meus argumentos provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber. [4] O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida. E no versículo 6 e 7, ele promete não ser pesado (como os amigos de Jó foram): RAZÃO #5: EU NÃO SEREI PESADO [6] Eis que diante de Deus sou igual a você; também eu fui formado do barro. [7] Por isso, não tenha medo de mim; a minha mão não será pesada sobre você. Você pega uma seringa, coleta o sangue de Eliú em um frasco e mede a temperatura, o sangue de Eliú está fervendo (borbulhando) pela glória de Deus. • Ele fala que será imparcial por causa do Criador dele (último versículo do capítulo 32). • Ele fala que será verdadeiro porque o Espírito de Deus que dá vida a ele (33:4). • E ele fala que não será pesado porque ele é igual a qualquer pessoa diante de Deus, ele é formado do barro como nós (33:6). Eliú quer ajudar Jó a entender que Deus é maior e melhor do que ele imagina. Não é isso o que nós mais precisamos nessa vida? Entender que Deus é maior e eu posso confiar nele, mesmo quando eu não entendo tudo. Que Deus é melhor do que o pecado, sempre, e que eu devo fazer a vontade do Espírito e não a da carne. • Você que tem lutado para lidar com frustrações na sua vida, como Jó. • Você que tem sido acusado injustamente e está cansado, como Jó. • Se as coisas não estão saindo do jeito que você esperava, como Jó. • Se sua provação está levando mais tempo do que você acha razoável, como Jó. Então você precisa ouvir esse profeta de Deus chamado Eliú. Deus ama Jó. E Deus ama você, crente. E por isso ele envia Eliús em nossa vida para nos lembrar que ele é bom. Eliú irá começar a responder as perguntas que fazemos quando sofremos. A estrutura que Eliú segue para lidar com Jó é a seguinte: 1. Apelo (que nós vimos até aqui). 2. Ele cita a alegação de Jó—que tipo de acusação Jó está fazendo contra Deus. 3. Eliú refuta (corrige) o pensamento de Jó. 4. E por último, outro apelo: Eliú chama Jó (e nós) a respondermos com fé. Apelo. Alegação. Refutação. Apelo, de novo. 2. ALEGAÇÃO DE JÓ (33:8-11) [8] Na verdade, você [Jó] falou diante de mim; eu ouvi o som das suas palavras, dizendo: [o que Jó disse?] [9] ‘Estou limpo, sem transgressão; sou puro e não tenho iniquidade. [10] Eis que Deus procura [ou inventa] pretextos contra mim e me considera seu inimigo. [11] Prendeu os meus pés com correntes e observa todas as minhas veredas.’ É verdade. Foi o que Jó disse. Várias vezes. Jó insiste que ele é inocente e que Deus está tratando-o como um inimigo. Vou dar um exemplo. Jó falando com Deus: Jó, capítulo 13—Quantas culpas e pecados tenho eu? Mostra-me a minha transgressão e o meu pecado. Por que escondes o teu rosto e me consideras teu inimigo? Também prendes os meus pés com correntes, observas todos os meus caminhos e traças limites à planta dos meus pés (vv. 23-24,27). A implicação das palavras de Jó é que Deus está sendo injusto em tratar Jó desse jeito. Agora vem a: 3. REFUTAÇÃO DE ELIÚ (33:12-30) [12] “Devo lhe dizer que nisto você [Jó] não tem razão; porque Deus é maior do que o homem. Eliú está dizendo: “Jó, você está errado”. Os amigos de Jó também acham que Jó está errado. Mas aqui está a diferença—a grande diferença! Eliú não vai dizer que Jó tem pecados escondidos e por isso está sofrendo. Eliú vai dizer que Jó está pecando com as palavras na maneira como ele está lidando com Deus durante o sofrimento. Eliú irá mostrar para Jó que Deus é maior. Para nós entendermos melhor o argumento de Eliú a partir de agora, nós precisamos lidar com a última frase do versículo 13. [13] Por que você [Jó] discute com ele [Deus], afirmando que ele não presta contas de nenhum dos seus atos? A NAA diz (mais literalmente) que “Deus não responde [não presta contas] das suas palavras [ou atos]?”. Uma outra possível tradução para o versículo 13 é o que a NVI faz: [13] Por que você [Jó] discute com ele [Deus], afirmando que ele [Deus] “não responde às palavras dos homens”? [não as palavras de Deus]. No contexto, essa tradução faz mais sentido. Porque agora Eliú irá defender a Deus mostrando que Deus fala com os homens, sim. Nós é que muitas vezes não ouvimos como deveríamos. Jó fala: “Deus não responde às nossas palavras”. Eliú responde: [14] Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso. Eliú irá corrigir os pensamentos de Jó sobre Deus provando que o nosso Deus é um Deus que fala. O seu Deus, crente, é um Deus Comunicador. Eliú irá defender Deus falando de duas maneiras em que o seu Deus fala com você: 3.1 SEU DEUS FALA ATRAVÉS DE REVELAÇÃO (33:15-18) COMO? [15] Em sonho ou em visão de noite, quando o sono profundo cai sobre as pessoas, quando adormecem na cama, [16] então lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução... Que Deus usou sonhos e visões para falar ao seu povo é bíblico. A Bíblia está cheia de exemplos. Deus falou através de sonho com Abraão, com José, com Daniel. Deus deu visões para Isaías e João. Deus usou sonhos e visões muitas vezes ao longo da história de redenção. Mas para aplicarmos corretamente essa passagem à nós hoje, nós precisamos passar por Jesus e a nova aliança—o tempo em que vivemos na história da redenção. O livro de Hebreus começa dizendo: Antigamente, Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o universo (Hebreus 1:1-2). A maneira como Deus fala ao seu povo hoje é através das palavras do Filho registradas nesse livro. O ponto principal do argumento de Eliú não são os sonhos e ou as visões em si, mas o fato de que Deus fala. Você senta com o seu coração aflito e espírito quebrantado. Esse livro é aberto—na sua casa, na igreja, no trabalho, na prisão, onde você estiver—e Deus fala. E Deus fala com um propósito específico. Um propósito que Jó não está considerando como deveria. PARA QUÊ? [17] para afastar o ser humano dos seus planos e livrá-lo do orgulho [ou seja, para a santificação]; [18] para guardar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada [ou seja, para a salvação]. O propósito de Deus em falar conosco não é simplesmente transferir informação. O propósito de Deus é a nossa salvação, nossa santificação, nossa transformação. Deus não fica satisfeito em ver o pecado escravizando você. Deus não irá desistir enquanto a imagem do Filho dele não estiver formada em você, crente. Deus tem o desejo santo de ver o nome dele sendo glorificado em nós—e isso acontece quando nós confiamos e obedecemos a Deus e andamos na luz como Jesus andou. Quando esse livro é aberto, nossa oração (com expectativa) deve ser: “Senhor, me livra do meu orgulho (v. 17). Senhor, me salva (v. 18). Senhor, me dá arrependimento verdadeiro e fé profunda e zelo pela tua glória e amor pelas pessoas e alegria no Senhor”. • No tempo dos patriarcas e profetas, Deus usou sonhos e visões para se revelar. • Agora, no tempo do Filho, Deus usou, está usando e irá usar a palavra de Cristo—a palavra revelada. Esse é o primeiro modo em que Deus fala: através de revelação. Segundo modo: 3.2 SEU DEUS FALA ATRAVÉS DA DOR (33:19-28) COMO? [19] “Também no seu leito é castigado com dores, [Deus usa a linguagem da dor] com incessante conflito em seus ossos; [20] de modo que abomina o pão, e detesta até a comida mais saborosa. [21] A sua carne, que se via, agora desaparece, e os seus ossos, que não se viam, agora aparecem [de tanta magreza!]. [22] A sua alma está perto da morte, e a sua vida se aproxima dos que trazem a morte.” O argumento de Eliú aqui é poderoso. Eliú inverte a maneira de Jó pensar na dor. O seu sofrimento não é um sinal do silêncio de Deus. O seu sofrimento é um sinal de que Deus está falando com você. Eliú está invertendo um pensamento tão comum que nós temos quando a vida está difícil. Onde está Deus quando eu estou sofrendo? A resposta de Eliú, o profeta de Deus é: Deus está no seu sofrimento—falando com você. C. S. Lewis tem uma frase famosa em seu livro “O Problema da Dor”. Ele disse: Deus sussurra para nós em nossos prazeres, ele fala à nossa consciência, mas ele grita em nossa dor: a dor é o megafone de [Deus] para despertar um mundo surdo. (citado em Talbert, Beyond Suffering, 347 e Ash, Job, 339). Deus usa a linguagem da dor para conseguir nossa atenção e falar conosco—nos despertar para o que realmente importa nesse vida. E como Eliú fez com a primeira linguagem de Deus—a revelação, ele faz agora com a dor. Ele explica para que Deus usa a dor. Quando Deus leva você pelo vale da aflição, ele não está punindo você, mas salvando você. PARA QUÊ? [23] “Se com ele houver um anjo intercessor, um dos milhares, para declarar ao homem o que é certo, [24] então Deus terá misericórdia dele [Deus é misericordioso] e dirá ao anjo [Deus usa esse seres espirituais]: ‘Livre-o, para que não desça à cova; já achei um resgate para ele.’ [25] Então a sua carne recupera o vigor da infância, e ele volta aos dias da juventude. Deus salva. E nós respondemos com louvor e gratidão: [26] Ele ora a Deus, que se agrada dele; com alegria vê a face de Deus, e Deus lhe restitui a sua justiça. [27] Depois, cantará diante de todos e dirá: ‘Pequei, perverti o direito e não fui punido como merecia. O sofrimento deve causar essa humilhação santa diante de Deus. Em vez de responder: eu não mereço sofrer assim!, o sofredor santamente humilhado diz: eu merecia sofrer muito mais. Spoiler: Jó vai responder com essa humildade linda em breve! Espere mais alguns capítulos. Eliú termina falando do propósito salvador e santificador com a nossa dor: [28] Deus livrou a minha alma de ir para a cova, e a minha vida verá a luz.’” Mas vamos voltar no versículo 23: Eliú descreve essa operação de salvação como Deus tendo misericórdia de um pecador e enviando um anjo (um mensageiro) que salva o pecador-sofredor com um resgate. Essa mensagem não o evangelho em forma de semente? A mensagem de que Deus salva por misericórdia por meio de alguém que ele envia (um mensageiro) com um resgate. O desejo de Jó por um intercessor—um mediador, um advogado—será respondido. Será respondido quando Deus for até Jó falar com ele daqui a pouco. E será (e foi) respondido quando Deus enviou um mensageiro Jesus Cristo com o resgate que nós precisamos—a vida dele na cruz para nos livrar da cova funda e eterna da condenação. O ponto de Eliú é: Deus usa a linguagem da dor não necessariamente para punir, mas para nos santificar e salvar. A dor é o “chacoalhador” de Deus. A LAMA NO FUNDO Todos nós temos pecados no fundo do nosso coração. Pecados que ficam escondidos—que nós não suspeitamos que existem—mas que tem o poder de destruir—a nós e as pessoas a nossa volta; e desonrar ao nosso Deus. Imagine o coração humano como um tanque cheio de água e com uma camada de terra no fundo. Quando o tanque está parado—a vida está estável—a água parece limpa. Mas quando o tanque é mexido, sacudido, chacoalhado, a terra sobe, a água já não é mais tão transparente assim, e fica claro que o tanque não está limpo como parecia (Ash, Job, 329). O nosso coração é esse tanque. A sacudida de Deus é o sofrimento. As dificuldades revelam que ainda temos orgulho para nos arrepender, medo para ser substituído por fé, raiva para ser substituída por paciência, vaidade para ser trocada por humildade. Quando Deus sacode sua vida, ele faz isso porque ele ama você. O que seria de nós sem as provações? Se com as provações, ainda tem tanta terra no fundo do nosso coração—tanto orgulho, o que seria de nós se nossa vida fosse sempre tranquila? Salmo 119:71—Foi bom que eu tivesse passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos. Deus usa o megafone da dor—das dificuldades para chamar nossa atenção para ouvir ele falando e remover mais um pouco da terra do nosso coração. É o modo santo de Deus nos santificar. Pela terceira vez nesse primeiro discurso, Eliú enfatiza o propósito santo de Deus em usar a nossa dor para nos livrar do pecado e nos salvar. 3.3 DEUS FALA PARA A NOSSA SALVAÇÃO (33:29-30) [29] “Eis que Deus faz tudo isto duas e três vezes no seu trato com o ser humano, [30] para reconduzir da cova a sua alma e iluminá-lo com a luz dos viventes.” Como Deus é paciente! Ele lida com os nossos mesmos pecados duas vezes, três vezes (v. 29), cem mil vezes, cem milhões de vezes. Deus é muito paciente. E muito gracioso. Com a ajuda do Espírito Santo, nós precisamos ter um Eliú dentro de nós pregando para nós durante o sofrimento: Isso é para o seu bem, Alex. Isso é para a sua santificação. Isso é para aumentar sua alegria no Senhor! Depois (1) do apelo para ser ouvido, (2) da alegação de Jó contra Deus, (3) da refutação de Eliú contra Jó, Eliú termina apelando de novo. Eliú apela para Jó ouvir e crer e viver assim. 4. APELO DE ELIÚ PARA JÓ (33:31-33) [31] “Agora, Jó, preste atenção e escute o que vou dizer; fique calado, porque vou falar. [32] Se você tem alguma coisa a dizer, diga; fale, porque gostaria de lhe dar razão. [Eliú ama Jó.] [33] Se não, escute o que vou dizer; fique calado, e eu lhe ensinarei a sabedoria.” Eliú não está dizendo que Jó está sofrendo porque ele pecou contra Deus. O argumento dele é diferente. Ele está dizendo que Deus usa o sofrimento para santificar ainda mais Jó. A perspectiva de Eliú é radicalmente diferente. O sofrimento não é um instrumento de punição de Deus na vida de Jó. O sofrimento é um instrumento de santificação na vida de Jó. E na sua vida, crente no Senhor Jesus. O apelo de Eliú para Jó é o apelo de Deus para nós. As palavra de Eliú tem a sabedoria do alto, a sabedoria de Deus. Alguns de vocês estão sofrendo muito. Outros estão sofrendo menos. Mas todos nós temos que lidar com aflições. Seja nos relacionamentos quebrados, nas contas bancárias quebradas, nos corpos quebrados ou nos planos quebrados. A mensagem de Deus através de Eliú é: Deus nos quebra para nos consertar. Deus nos derruba para nós levantarmos com menos confiança em nós mesmos e mais confiança (fé) nele. Deus mexe, sacode, chacoalha o nosso coração para trazer o pecado para superfície e nos levar a limpeza do arrependimento e a fé. Sua dor não é o sinal do silêncio de Deus. O que Eliú está ensinando a Jó e a nós que a nossa dor é o sinal do amor de Deus. CONCLUSÃO O seu Deus não está quieto, meu irmão. Ele fala com você: • Ele fala pela revelação do Filho na Palavra. • Ele fala com o megafone da dor. E sempre, sempre que ele fala, a intenção de Deus é santa: a sua salvação e a sua santificação. Esse é o seu Deus. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_e0e8f22bae6e4e609eb6dc5d8bb2e6e6~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 32-33: Ele é o Meu Deus!
Ele é soberano. Deus é incontrolável no sentido mais divino da palavra. Ninguém pode forçar Deus a fazer o que ele não quer fazer. E ninguém pode impedir Deus de fazer o que ele quer. Deus é Deus.

2 Coríntios 4:1-15: O Ministério Moldado Pela Cruz de Cristo
O ministério cristão é um ministério cruciforme para que outros experimentem a vida em Cristo, para a glória de Deus.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
31 de Maio de 2026 – IBJM
Se você tivesse a chance de fazer um pedido (só um pedido!) a Deus, o que você pediria? Você pode pedir qualquer coisa (o que você quiser!), qual seria o seu pedido a Deus? Riqueza? Saúde? Paz? A pergunta — “qual seria o seu pedido a Deus?” — funciona como um raio-X da nossa alma. Essa pergunta revela o que mais arde em nosso coração. O que Jó mais quer de Deus é a confirmação da salvação. O pedido de Jó para Deus—o último apelo dele—é: “Senhor, me responde e declara que eu sou um homem justificado (inocente!), que eu sou um crente verdadeiro e que todas as acusações contra mim são falsas!”. Esse não é um bom pedido? Esse não é o melhor pedido? Ouvir de Deus que nós temos um relacionamento com Deus! O que pode ser mais importante nessa vida do que saber que está tudo certo entre mim e Deus? O raio-X do coração de Jó revela que o coração dele não é mais de pedra. É um coração de carne, como a profecia de Ezequiel diz. Mas o raio-X do coração de Jó revela algumas manchas. Como o nosso raio-X também mostraria. A maneira como Jó fala com Deus, algumas vezes, é ruim. Às vezes, bem ruim. Alguns pensamentos de Jó sobre Deus estão errados. E por isso, Deus irá corrigi-lo daqui a alguns capítulos. Mas é tão claro que Jó ama a Deus. Jó é um crente lutando para confiar em Deus vivendo em um mundo cheio de maldade, mistério e dor. Cada de um nós está na mesma luta. Nós sabemos como a luta vai terminar e quem vai ganhar. Por isso, você continua lutando. Hoje é a última vez que o lutador da fé Jó irá falar. Vejam o final do versículo 40: [40] (...) Fim das palavras de Jó. No final do livro, depois que Deus finalmente fala, Jó faz breves comentários. Mas esse é o último discurso dele. Os capítulos 29 e 30 funcionam como uma preparação para o capítulo 31. É agora que Jó vai deixar claro o que ele espera de Deus. O capítulo 31 é o último apelo de Jó para Deus. A estrutura e as palavras que Jó usa nesse capítulo têm um propósito: Jó quer criar em nossa mente o cenário de uma sala de tribunal. Do lado da acusação, 3 homens estão sentados: Elifaz, Bildade e Zofar. Eles já apresentaram todas as suas provas contra Jó. Eles têm certeza de que Jó é um hipócrita, e que ele precisa se arrepender. O parecer deles é: Jó é culpado de grande pecado. É por isso que ele está passando por esse grande sofrimento. Jó (o acusado) ouviu tudo. E Jó tem certeza de que ele é inocente de todas acusações. Agora ele vai se levantar da cadeira de réu para falar. É a última oportunidade que ele tem para se defender. Ele tem sido acusado pelos amigos injustamente. E o que é pior: ele sente que Deus está atacando a ele injustamente com tanto sofrimento. Jó vai apresentar sua declaração oficial de inocência e esperar o Juiz (Deus) se pronunciar. Mas “esperar” parece uma palavra leve demais. Jó não quer mais esperar. Jó cansou de esperar. Jó cria uma situação para forçar Deus a falar. A ousadia de Jó, especialmente no final desse apelo, chega a ser desconfortável. É o momento mais tenso do livro até agora. Jó estrutura sua fala em 3 partes: • Ele tem uma abertura do versículo 1 a 4. • Depois ele faz uma série de (o que nós vamos chamar de) votos de inocência. • E no final é como se ele pegasse esses votos de inocência que ele fez, escrevesse em um documento, assinasse e entregasse nas mãos do Juiz—nas mãos de Deus—para ele dar o veredito: culpado ou inocente. 3 partes: (1) ABERTURA do APELO, (2) VOTOS de INOCÊNCIA e (3) ENTREGA do DOCUMENTO 1. ABERTURA DO APELO (vv. 1-4) Jó 31:[1] Fiz uma aliança com os meus olhos: de não olhar para uma virgem. [2] Do contrário, qual seria a minha porção do Deus lá de cima, e que herança receberia do Todo-Poderoso desde as alturas? [3] Por acaso, não é a perdição para o ímpio, e a desgraça para os que praticam a maldade? [4] Será que Deus não vê os meus caminhos e não conta todos os meus passos? Um homem que teme é o Senhor é um homem que carrega esse senso da presença de Deus para onde quer que ele vá. Sozinho em casa e trancado em um quarto. Ou na sala de aula ou no trabalho. Uma pessoa que teme o Senhor vive sempre diante do Senhor. Jó é assim. Pode parecer um pouco estranho ele começar falando da pureza dele no versículo 1. Jó começa dizendo que fez uma aliança para não olhar para uma virgem, ou, como a versão anterior da tradução da Almeida dizia: “não fixar os olhos numa donzela”, para mostrar o nível de compromisso que ele tem com a santidade—um compromisso que envolve todo o ser dele: o comportamento E os sentimentos E os pensamentos. O conceito que Jó tem de piedade casa com o que conceito que o Senhor Jesus tem. Jesus disse no Sermão do Monte: — Vocês ouviram o que foi dito: “Não cometa adultério.” Eu, porém, lhes digo: todo o que olhar para uma mulher com intenção impura, já cometeu adultério com ela no seu coração (Mateus 5:27-28). Santidade não é só o que você não faz com o corpo. Santidade inclui o que você faz com seu coração: seu ser interior. Nossa mente é como um ninho. Quando chocamos os ovos do pecado tempo suficiente—pensamentos de pecado—nossos sentimentos esquentam e aquecem os ovos daquele pecado—seja sexual ou pecados de outra natureza—raiva, ganância, vaidade. É só uma questão de tempo: o ovo do pecado vai esquentar o suficiente no coração para quebrar e nascer o pecado no comportamento. Essa é a vida do pecado que gera em nós morte: Ele é concebido nos pensamentos, considerado nos sentimentos e consumado no comportamento. Jó começa com esse exemplo para mostrar que a pureza moral dele não é superficial. Ele se entrega a Deus com o mais profundo do seu ser. Terminada a abertura, Jó entra em seus VOTOS de INOCÊNCIA. 2. VOTOS de INOCÊNCIA (vv. 5-34) A formato que Jó dá para esses votos geralmente é: Se eu cometi tal pecado, então, eu mereço o tal julgamento. (Às vezes ele dá também a explicação de por quê o julgamento é merecido). Porque isso seria um pecado digno de punição. Os votos de inocência são também declarações de automaldição: Se eu vivi nesse pecado, Então que Deus me puna! Porque é o que eu mereço. A largura e a profundidade da piedade de Jó é impressionante. D. A. Carson, um escritor cristão, e certamente um homem de Deus, disse que ele gostaria de poder falar para Deus pelo menos metade das coisas que Jó fala (Talbert, Beyond Suffering, 158). Ou Jó realmente tem uma consciência limpa e é muito piedoso, ou ele é um hipócrita da pior qualidade. Não existe outra alternativa. DESAFIAR, NÃO DESANIMAR Que o Senhor use esses votos de Jó, não para nos desanimar (essa santidade é impossível!), mas para nos desafiar—para gerar em nós um desejo renovado de buscar mais o Senhor. Jó é pó, como nós. Cada milésimo de segundo que ele viveu para a glória de Deus, ele fez isso pelo Espírito de Deus. Sem Cristo, nós não podemos fazer (João 15:5). Com ele, nós podemos viver para ele. Vamos a lista: são 10 pecados. E para cada pecado, Jó está dizendo: “Eu não vivia assim!” Primeiro pecado: 1. FALSIDADE (vv. 5-6) [5] Se andei com falsidade ou se o meu pé se apressou para o engano [6] — que Deus me pese numa balança justa e conhecerá a minha integridade! Jó está dizendo que ele não tem uma vida dupla. Ele tem uma vida inteira—ele tem “integridade”. Ser íntegro não é ser sem pecado. Ser íntegro é ser inteiro—é ser um só: é não ter duas vidas: uma pública e uma outra (diferente) privada. Jó ama a Deus em público e ele ama a Deus no privado. A partir do segundo voto, Jó passa a ser mais específico. O segundo pecado que Jó não abraçou é a: 2. COBIÇA (vv. 7-8) [7] Se os meus passos se desviaram do caminho, se o meu coração segue os meus olhos, [se ele cobiça tudo o que ele vê] e se alguma mancha se apegou às minhas mãos, [8] então [julgamento] que outros comam o que eu semeei, e que seja arrancado o que se produz no meu campo. É como se cada ato do pecado sujasse nossas mãos. Jó está mostrando as mãos dele e dizendo: “Pode olhar, Senhor. Não tem nenhuma mancha. Minhas mãos estão limpas. Eu não vivo cobiçando o que eu não tenho, e pecando para ter”. A cobiça é como a serpente sussurrando uma mentira no nossos ouvidos: “Deus não deu a você o suficiente”. E Jó está dizendo: “Eu não ouço a serpente. Eu ouço a tua Palavra, Senhor”. Crente, você tem Cristo. Você já tem o suficiente. Você tem a Pessoa que você precisa para você ser a pessoa mais feliz do mundo. Terceiro: 3. ADULTÉRIO (vv. 9-12) Jó é fiel à aliança que ele fez com a esposa: [9] Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, [começa no coração] se fiquei rondando a porta do meu próximo, [10] então [o julgamento] que a minha mulher moa os cereais para outro homem, e que outros se deitem com ela. [11] Pois [ele dá a explicação para merecer essa punição] eu teria cometido um crime hediondo, um delito a ser punido pelos juízes. [12] Isso seria fogo que consome até a destruição e arrancaria toda a minha colheita pela raiz. A santidade de Jó é profunda e larga. Ela afeta todas as áreas da vida dele. Ele vive para Deus no casamento e no trabalho. O quarto pecado lida com os relacionamento daqueles que trabalhavam para Jó: 4. INJUSTIÇA (vv. 13-15) [13] Se não reconheci o direito do meu servo ou da minha serva [se fui injusto] quando eles reclamavam contra mim, [14] então que faria eu quando Deus se levantasse no tribunal? E, se ele me interrogasse, que lhe responderia eu? [15] Aquele que me formou no ventre de minha mãe não os fez também a eles? Ou não é o mesmo Deus que nos formou no ventre materno? Jó vê cada ser humano como alguém criado à imagem de Deus, como ele, e por isso é digno de ser tratado com justiça e amor. Jó não olha para as pessoas de cima para baixo. Povo de Deus, é assim que o Senhor quer que vejamos as pessoas que nos servem. Quando você está em um restaurante, trate o garçom com dignidade e respeito. Quando você for no mercado, em uma loja, no posto de gasolina, na portaria, trate as pessoas com dignidade. Vocês que são líderes no trabalho, tratem seus liderados com amor. Eles não são instrumentos para o seus projetos pessoais. Eles são seres humanos criados à imagem de Deus! Criados do mesmo material que nós fomos feitos. Jó vive de maneira fiel à Deus no casamento, no trabalho e no mundo. O quinto pecado que Jó foge é a: 5. AVAREZA (vv. 16-23) Jó não é pão-duro. Ele reflete a generosidade de Deus com os necessitados. [16] Se retive o que os pobres desejavam ou deixei que os olhos das viúvas esperassem em vão; [17] ou, se sozinho comi o meu bocado, sem reparti-lo com os órfãos [18] — porque desde a minha mocidade eu os criei como se fosse pai deles, durante toda a minha vida fui o guia das viúvas —; [19] se vi alguém perecer por falta de roupa ou notava que o necessitado não tinha com que se cobrir; [20] se ele não me agradeceu do fundo do coração, quando se aquecia com a lã dos meus cordeiros; [21] se eu levantei a mão contra o órfão, sabendo que eu tinha o apoio dos juízes, [22] então [a punição—a automaldição] que a omoplata caia do meu ombro, e que o meu braço seja arrancado da articulação. [23] Porque [a explicação] o castigo de Deus seria para mim um assombro, e eu não poderia enfrentar a sua majestade. As viúvas e os órfãos corriam perigo constante. Sem um marido ou sem os pais, essas mulheres e essas crianças estavam expostas à falta de abrigo, falta de comida e falta de roupa. Mas não se eles estivessem perto de Jó. Ele era um guia para as viúvas e um pai para os órfãos. Jó pegava a lã dos cordeiros dele e fazia roupas para os necessitados. Dividia a marmita dele com quem estivesse com fome. Como Jesus, ele era cheio de compaixão. Eu fico tão encorajado quando vejo nas assembleias as ofertas que a igreja tem dado àqueles que tem passado necessidades em nossa igreja, como Jó fazia. Que o Senhor aumente mais e mais nossa alegria em ajudar quem precisar. Sexto pecado: 6. MATERIALISMO (vv. 24-25) Apesar de tão comum em nosso tempo, o materialismo não é um pecado moderno. [24] Se no ouro pus a minha esperança ou se eu disse ao ouro fino: ‘Você é a minha garantia’; [25] se me alegrei por ser grande a minha riqueza e por ter a minha mão alcançado muito; Jó confiava em Deus, não nas riquezas—mesmo quando ele era muito rico. E isso é muito difícil. Jesus disse que: É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus (Mateus 19:24). Paulo disse que: O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1 Timóteo 6:10). Existe uma razão por que Jesus e Paulo disseram isso. As riquezas criam essa sensação de segurança e se tornam um obstáculo para dependermos de Deus. Foi assim com o jovem rico. É assim com muitos hoje. Mas não foi assim com Jó. Com a graça de Deus, é possível ter riquezas em casa e ter fé no coração. Jó usava o dinheiro dele, não como um substituto de Deus—onde ele colocava a esperança dele, mas como um instrumento de Deus, onde ele usava para abençoar as pessoas. Tanto que, mesmo depois que ele foi de milionário para mendigo, Jó disse pela fé: — Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:21) O próximo pecado também está ligado à adoração e à idolatria. Se o materialismo é colocar nossa confiança nas riquezas em vez de em Deus, o paganismo (a idolatria) é colocar confiança em objetos da criação em vez de confiar no Criador. 7. PAGANISMO (vv. 26-28)
[26] se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, que caminhava em seu esplendor, [27] e o meu coração se deixou seduzir em segredo, e eu lhes atirei beijos com a mão, [28] também isto seria um delito a ser punido pelos juízes, pois eu teria negado a Deus, que está lá em cima. O homem é realmente um ser religioso. Se ele não confiar em Deus, ele vai colocar a confiança dele em um amuleto, um objeto, ou nele mesmo. Sem fé, ele não fica. Nós estamos sempre confiando em alguma coisa ou em alguém. Jó está afirmando diante de Deus e dos amigos e dos anjos e de quem mais quiser ouvir: “Eu confio em Deus somente”. A piedade de Jó é profunda. E larga. Ele continua lidando com o coração nas mais diversas áreas da vida. Ele é um homem inteiro—íntegro—que se entrega a Deus. 8. VINGANÇA (vv. 29-30 O oitavo pecado da lista de Jó lida com o espírito vingativo—esse sentimento de ódio por aqueles que nos tratam mal. [29] Se me alegrei com a desgraça do que me odeia e se exultei quando o mal o atingiu [30] — eu que não deixei a minha boca pecar, rogando praga para que morresse —; Uma atitude de vingança é uma atitude contrária ao evangelho. Uma das maneiras em que Deus descreve o evangelho da salvação é usando a ideia de reconciliação. A Bíblia descreve o nosso relacionamento com Deus antes da fé em Cristo como um relacionamento de inimizade. E como Deus lidou conosco quando nós éramos inimigos dele? Eu vou responder com: Romanos 5:10—Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho... Deus não lidou com vingança. Não foi o nosso sangue que ele derramou. Deus lidou conosco com a morte do Filho dele. O sangue que Deus derramou foi o sangue do Filho dele. Foi esse o efeito do amor de Deus no coração de Jó. Jó não lidava com aqueles que eram contra ele com vingança. Jó não tinha alegria na desgraça deles. Se você tem alimentado amargura no seu coração—se você tem uma certa raiva de alguém sedimentada no fundo da sua alma—você precisa deixar o Senhor Jesus tirar isso de você? Medite no evangelho que transforma você de um inimigo em um amigo de Deus ao custo do sangue do Filho de Deus, e se liberte da prisão que é viver com um desejo de vingança. Um desejo por justiça é apropriado no coração do crente. Uma alegria egoísta em ver a desgraça dos inimigos é absolutamente inapropriada (Ash, Job, 317). 9. FALTA DE HOSPITALIDADE (vv. 31-32) [31] se as pessoas que moram na minha tenda não disseram: “Quem nos dera encontrar alguém que não se saciou da carne provida por ele” [32] — pois o estrangeiro não pernoitava na rua; as minhas portas estavam sempre abertas para os viajantes! —; O coração e a casa dele estavam sempre abertos para quem precisava. Crente, sua hospitalidade reflete o caráter de Deus. Quando você abre as portas da sua casa—para as reuniões do Pequeno Grupo, para almoçar ou lanchar com as pessoas, para conhecer melhor aqueles que ainda não conhecem o Senhor—você está manifestando o caráter do seu Deus hospitaleiro. Deus criou tudo. Tudo é dele. E ele abre as portas desse mundo, nos convida para entrar e viver aqui e cuida de todas as nossas necessidades. É muita generosidade e hospitalidade. Jó dava carne, cama, cobertor e o que fosse necessário para cuidar das pessoas. JÓ É UM FARISEU? Antes de passarmos para o momento em que Jó vai entregar para Deus o documento da sua inocência, nós precisamos parar e lidar com uma pergunta: Está certo o que Jó está fazendo? Ele não está sendo um homem orgulhoso desfilando a piedade dele diante de Deus e das pessoas? Ele não está agindo como um fariseus—“obrigado, Senhor, porque eu não sou um pecado como os outros”? Vejam como eu sou um homem santo! Jó não está sendo orgulhoso em falar tanto da santidade dele? Eu acho que não. O objetivo de Jó em falar da piedade dele—da fidelidade dele à Deus—não é receber aplausos das pessoas. Nem é dizer que ele merece ser justificado pelas obras dele. Jó não é um Nabucodonosor, como o peito estufado dizendo: — Não é esta a grande Babilônia que eu construí para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade? (Daniel 4:30) Não é esse o espírito em Jó. O peito de Jó não está estufado. O peito de Jó está machucado pela dor, pelas acusações, pela perda dos filhos e pelo silêncio de Deus. Jó é um homem desesperado, se sentindo injustiçado e sofrendo sem entender por quê. O espírito de Jó é mais de um homem perseguido se defendendo. O Rei Davi fez a mesma coisa: Salmo 7—(...) julga-me, Senhor, segundo a minha justiça e segundo a integridade que há em mim. Que cesse a maldade dos ímpios. Fortalece o justo, pois sondas a mente e o coração, ó Deus justo (vv. 8-9). Esse é o espírito de Jó: “Senhor, eu ando na luz, não nas trevas. Me trata como alguém que vive para o Senhor”. O último pecado da lista de Jó. O último voto de inocência: 10. FALTA DE CONFISSÃO (vv. 33-34) [33] se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando a minha iniquidade em meu íntimo, Isso prova que Jó não está dizendo que ele não tem pecado. O que ele está dizendo é que ele é inocente das acusações que fizeram contra ele. Ele está dizendo que ele é um crente que vive em arrependimento e fé. Ele não esconde os pecados. Ele confessa e abandona. Provérbios 28:13-14—Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia. Feliz é aquele que sempre teme o Senhor; mas o que endurece o seu coração cairá na desgraça. Jó usa o exemplo de Adão para dizer o que ele não faz. Quando Adão e Eva pecaram, eles tentaram encobrir as transgressões como eles fizeram com as folhas de figueira para cobrir a nudez. Mas com o pecado, encobrir e ocultar nunca nos fará prosperar espiritualmente. Jó aprendeu que Deus proveu uma maneira para lidar com o nosso pecado. Nós vemos isso logo no início do livro de Jó. Jó 1:5—Quando se encerrava um ciclo de banquetes, Jó chamava os seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos (sacrifício) segundo o número de todos eles. Pois Jó pensava assim: “Talvez os meus filhos tenham pecado e blasfemado contra Deus em seu coração.” Jó entendia o conceito do evangelho de um sacrifício substitutivo. Crente, Jesus é o Cordeiro de Deus. Ele é o seu sacrifício substitutivo. É por isso você pode confessar e ser perdoado. É por isso que o apóstolo João fala: Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1João 1:8-9). Jesus não veio para o que se acham justos, mas para pecadores. Mas esconder o pecado é a atitude padrão do ser humano quando peca (Ash, Job, 318). Por vários motivos, um deles está no versículo 34: [34] porque eu tinha medo da grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, fazendo com que eu me calasse e não saísse da porta… Porque se nós confessarmos, a imagem que as pessoas têm de nós pode mudar. A nossa reputação pode ficar mais manchada. O temor do que as pessoas vão pensar pode nos levar a esconder o pecado. Quero lembrar vocês de duas coisas que podem nos ajudar a confessar sem temer que as pessoas verão as manchas no raio-X da nossa alma. Primeiro, Deus já nos perdoou em Cristo. Ele considera o raio-X perfeito de Jesus para lidar conosco. Você se lembra o que Deus pensa daqueles que confessam e creem: “Esse é um filho meu. Perdoado. Essa é filha minha. Perdoada”. Segundo, quando você confessa um pecado para uma pessoa, você está sempre confessando o pecado para um outro pecador. Não é só você que está lutando. • Você luta contra preocupação e ficar ansioso? Eu também. • Você precisa mortificar seu orgulhoso e a falta de amor com as pessoas? Você e todo o resto da humanidade. • Você precisa lidar com pensamentos que ofendem a Deus? Você e todos os seres humanos que respiram. Como Paulo disse em Filipenses 3, ninguém obteve a perfeição... ainda. Um dia, em breve, nós vamos descansar—para sempre!—dessa luta. Mas aqui, nesse corpo, nesse mundo, nessa vida, nós vamos precisar lutar. E lutar juntos. Que a nossa igreja seja um lugar onde nós, pecadores, possam confessar pecados, sermos ajudados, sermos perdoados uns pelos outros, e corrermos juntos para aquele que nunca pecou e se entregou por nós como o nosso substituto. Nas conversas depois do culto, nos discipulados, no tempo de compartilhar pedidos de oração no PG, quando for apropriado, sejamos íntegros e, como Jó, vamos confiar no Deus que perdoa pecadores que confessam seus pecados porque o Cordeiro foi morto em nosso lugar. Chegamos. Tudo o que Jó disse até agora, desde o capítulo 29, tinha o objetivo de chegar aqui. Chegamos na: 3. ENTREGA DO DOCUMENTO (vv. 35-37) Jó interrompe os votos dele usando a mesma expressão que ele usou no início da defesa (no capítulo 29): [35] Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! Quem me dera! Jó não aguenta mais esperar. Nós temos o texto das palavras de Jó, não temos nem áudio nem vídeo. Mas diante de tudo o que Jó falou, eu imagino Jó aqui chorando, ofegante, agitado, desesperado para que Deus fale com ele. A espera está insuportável. Jó chegou no limite dele. Acabou. O versículo 35 é o versículo mais tenso de todo o livro de Jó. A ousadia de Jó é desconfortável. Jó entrega oficialmente o documento nas mãos do Juiz de toda a terra, do Deus Todo-Poderoso, exigindo um parecer. [35] Quem dera que eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! A atmosfera está carregada. Densa. Se alguém tivesse uma faca, seria possível cortar o ar. Jó chama Deus, o Todo-Poderoso, de “meu adversário”. E desafia Deus a escrever a acusação e provar que Jó é culpado. Vocês lembram o cenário: nós estamos em uma sala de tribunal. As acusações contra Jó foram apresentadas. Jó se defendeu de todas elas. Ele se levanta da cadeira de réu, faz um discurso brilhante, faz votos de inocência, declarações de automaldição se ele estiver mentindo, escreve tudo, assina no final da folha e diz: Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! Jó está tão confiante de que ele é inocente, tão confiante, que ele continua dizendo: [36] Por certo que a levaria [a acusação] sobre o meu ombro, e a poria sobre mim como se fosse uma coroa. [37] Eu lhe mostraria o número dos meus passos; como príncipe eu me aproximaria dele. A confiança de Jó de que ele é inocente é tão grande, que ele diz que ele pegaria a lista de acusações contra ele e desfilaria ao redor do pescoço—sobre os ombros, e como uma coroa, a vista de todo mundo. Ele não tem medo das acusações serem verdadeiras. A confiança dele de que ele é inocente é tão grande, que ele se aproximaria de Deus como um príncipe—cabeça levantada, firme, com honra—porque ele sabe que está falando a verdade. Jó desafia Deus a provar que ele é culpado. Eu disse que o momento é tenso. O mais tenso até aqui. Deus está me tratando como um culpado. Ele precisa provar. Se ele não conseguir provar, então ficará provado que Deus é culpado de injustiça comigo! Como um pastor chamado Christopher Ash disse: • É como se Jó estivesse abrindo um processo de impeachment contra Deus. • Deus está sendo convocado para comparecer no tribunal e dar explicações sobre como ele tem governado a vida de Jó. • Jó está chamando o Criador do Universo para prestar contas do que ele está fazendo com ele. Jó está confiante que de ele é justo, e Deus não está agindo com justiça (Ash, Job, 319). O desejo de querer ser justificado por Deus é bom. A maneira como Jó está manifestando esse desejo não é boa. Jó em breve será repreendido seriamente por isso. O que Jó faz agora é estranho. Ele volta a fazer um voto de inocência no final com uma declaração de maldição contra ele mesmo. 11. EXPLORAÇÃO (vv. 38-40) [38] Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem; [39] se comi os seus frutos sem pagar ou se causei a morte aos seus donos, [40] [o julgamento, a maldição:] que ela produza espinhos em vez de trigo, e joio em lugar de cevada. Jó está agitado. Ofegante. Ele não pensa de forma perfeitamente linear. Ele está desesperado para que Deus fale logo e acabasse com esse suspense infernal de ele ser acusado e Deus não fazer nada. O voto anterior foi interrompido no meio para Jó entregar o documento de defesa dele assinado para Deus. Esse último voto (bônus) tem a intenção de retomar o que ele estava falando (em mais um voto) e terminar repetindo, de novo, e outra vez, e novamente, que ele é inocente e que, se ele não for, que ele seja amaldiçoado como a raça humana merece. Repararam nas palavras que Jó usa nesses últimos versículos. No versículo 35, ele tinha falado de “Adão”. Ele fala de “terra” no versículo 38. No versículo 39, ele fala de comer “frutos” e causar “morte”. No versículo 40, da terra produzindo “espinhos”. Que outro capítulo na Bíblia—e que Jó teria conhecimento da história—fala de Adão, terra, fruto, morte, e o Criador fazendo nascer espinhos da terra em sinal de maldição? Jó está usando a linguagem de Gênesis 3 para dizer que, se ele é culpado, que o Criador derrame sobre ele a maldição que a raça humana merece usando o cenário da primeira maldição que entrou nesse mundo. Jó não deixa escolha para Deus. Se Deus continuar em silêncio, isso vai provar que Jó estava certo porque o acusador (Deus) não conseguiu refutar os argumentos do acusado (Jó). Mas como nós vamos ver, ninguém pode controlar Deus. E ninguém pode ser mais justo que Deus. Jó será repreendido pelo que ele falou sobre Deus. APLICAÇÕES Agora, pense no que Jó mais deseja nessa defesa: ele quer ouvir do juiz (Deus) que ele é um homem inocente aos olhos de Deus—ele quer ser declarado justo, mesmo não sendo um homem perfeito, porque ele tem fé. Qual é o nome que nós damos—melhor, qual é o nome que Bíblia dá—para esse ato de declaração de Deus (o Juiz) de que uma pessoa é justa aos olhos dele? Justificação. Justificação não é uma doutrina abstrata que os teólogos gostam de discutir para se divertir. Justificação é o que pecadores como nós mais precisamos nesse mundo! É como ter certeza de que Deus vê você como inocente (justo, sem culpa) diante dele. E a Palavra de Deus ensina que isso acontece quando você crê que você deveria ser condenado por Deus, mas Jesus tomou seu lugar na cruz. Os votos de automaldição de Jó contra ele mesmo nos lembra do que o Senhor Jesus fez por nós. Jó disse: “Se eu pequei, que eu seja amaldiçoado”. “Se eu pequei, que eu morra”. Foi o que Jesus fez. Como uma diferença: “Se ELE pecou, que EU seja amaldiçoado”. ‘Se ELE pecou, que EU morra”. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2Coríntios 5:21). Pela fé, você recebe essa justiça e pode entrar no tribunal de Deus com a confiança de um príncipe. A defesa de Jó nos ensina também a necessidade da santificação. Jó usa a santificação dele como uma evidência de que ele ama a Deus. Não como uma causa para Deus perdoá-lo, mas como uma prova de que ele tem um coração transformado—um coração que tem fé. Hebreus 12:14 diz que “sem [santificação] ninguém verá o Senhor”. Sua vida transformada—seu desejo de andar na luz é a evidência de que você é um cristão verdadeiro. Mas além da importância da justificação e da necessidade da santidade, Jó nos ensina a possibilidade da santidade. É possível você viver para Deus—é possível você andar pela fé, andar na luz, andar em santidade, como Jó andou. Foi para isso também que Jesus morreu e ressuscitou. CONCLUSÃO A defesa de Jó é uma ilustração viva de que a justificação pela fé se manifesta em santificação—em uma vida transformada. Ainda com manchas do pecado, mas um raio-X de um coração de carne, pulsando de desejo por Deus. Porque o evangelho perdoa você e purifica você. O evangelho salva e santifica você. O evangelho transporta você para o Reino e transforma você na imagem do Rei. Jó, o sofredor inocente, será vindicado por Deus, como o nosso Senhor Jesus foi também. É por causa da sua fé nele, você pode ter confiança para se aproximar de Deus e saber que o Juiz já declarou você justo. E viver seus dias aqui para ele. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_33ba3ebabe8341b48f1837f07a4856a2~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 31: O Último Apelo
O que Jó mais quer de Deus é a confirmação da salvação. O pedido de Jó para Deus—o último apelo dele—é: “Senhor, me responde e declara que eu sou um homem justificado (inocente!), que eu sou um crente verdadeiro e que todas as acusações contra mim são falsas!”.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
05 de Abril de 2026 – IBJM Na providência de Deus, a próxima passagem do livro de Jó era sobre a Páscoa. Jó enche os pulmões para declarar: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25). Eu não calculei isso. Mas não foi coincidência, foi providência. O nosso Deus é o dono de cada dia do nosso calendário. Nada nesse mundo é por acaso. Vamos orar. (...) Povo de Deus, eu trago boas notícias nesta manhã Eu anuncio à vocês, mais uma vez, o resultado do grande conflito entre Jesus e a morte. Na cruz, naquela Sexta-Feira Santa, a morte deu um golpe mortal em Jesus. Sim! Mas no domingo, Jesus ressuscitou dos mortos, se levantou e matou a morte. Essa é a mensagem da Páscoa: Jesus venceu. A morte perdeu. Até aquele domingo de Páscoa, 2 mil anos atrás, a morte tinha acumulado um histórico de invencibilidade. Mas naquele dia, a morte perdeu pela primeira vez. Foi a primeira vez. Mas não será a última. A mensagem da Páscoa é também a mensagem de como você pode vencer a morte. Existe só uma maneira, mas se você usá-la, a morte vai perder para você. Essa é a promessa de Deus nesse texto de Jó. A passagem de hoje lida com a morte de dois ângulos diferentes. Ou de lados opostos:
• No capítulo 18, Bildade – um dos amigos de Jó – fala da morte do ponto de vista de quem perde. • No capítulo 19, Jó fala da morte do ponto de vista de quem ganha.
Vamos começar ouvindo o amigo de Jó.
[1] Então Bildade, o suíta, tomou a palavra e disse:
Bildade aquece a garganta antes de pregar para Jó. Os primeiros 4 versículos são esse aquecimento.
1. PERGUNTA: “QUEM VOCÊ PENSA QUE É?” (JÓ 18:1-4) Bildade está fazendo duas coisas: a primeira é dizendo o quanto ele está ofendido com as palavras de Jó:
[3] Por que somos considerados como animais e passamos por tolos [estúpidos] aos seus olhos? A segunda é ofendendo Jó: sendo ofendido e ofendendo:
[4] Você, que se despedaça em sua ira, pensa que a terra será abandonada por sua causa?
Você pensa que as rochas devem ser tiradas do seu lugar?” Se eu tivesse que resumir as 4 perguntas desses 4 versículos em uma única pergunta, eu diria que Bildade está perguntando: “Jó, quem você pensa que é?”
2. RESPOSTA: “EU SEI: UM ÍMPIO!” (JÓ 18:5-21) Do versículo 5 até o final do capítulo, Bildade responde a própria pergunta: “Jó, eu sei quem você é: você é um ímpio!”—uma pessoa que não conhece a Deus. Veja como ele começa:
[5] “Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e a chama do seu fogo não resplandecerá.
E como ele termina:
[21] Tais são, na verdade, as moradas do ímpio, e este é o paradeiro daquele que não conhece Deus.”
Entre esses dois versículos, Bildade prega para o seu amigo Jó (um ímpio— não-convertido, na mente dele) um sermão sobre o inferno (Ash, Job, 199)—sobre o destino daqueles que não conhecem a Deus. Ele começa mostrando como a vida do ímpio termina em trevas e escuridão:
[5] “Na verdade, a luz do ímpio se apagará, e a chama do seu fogo não resplandecerá. [6] A luz se escurecerá na sua tenda, e a sua lâmpada sobre ele se apagará.
Bildade entende que Jó está cavando a própria cova:
[7] Os seus passos vigorosos se estreitarão, e a sua própria trama o derrubará. Ele emenda uma ilustração, descrevendo aqueles que não conhecem a Deus como animais que serão capturados e presos quando eles menos esperam.
[8] Porque por seus próprios pés é lançado na rede e andará sobre as suas malhas. [9] A armadilha o apanhará pelo calcanhar, e o laço o prenderá. [10] A corda está escondida na terra para apanhá-lo, a armadilha se encontra no seu caminho. A vida do ímpio é como andar em uma floresta de madrugada—na escuridão. Mas tem um laço escondido na terra. De repente, alguém (Deus) puxa a corda e amarrar seu tornozelo e você fica de cabeça para baixo. Eu prefiro crer que Bildade não era batista, mas no resto do sermão sobre o inferno, ele tem 3 pontos—do versículo 11 ao final. Ele fala da vida de Jó e daqueles que não andam com Deus como uma vida de MEDO, MISÉRIA e MORTE—3M’s: MEDO: [11] Terrores o amedrontam de todos os lados e o perseguem a cada passo. MISÉRIA: [12] A calamidade virá faminta sobre ele, e a miséria estará alerta ao seu lado. MORTE: [13] Ela devorará os membros do seu corpo; serão devorados pelo primogênito da morte. [14] O ímpio será arrancado da segurança de sua tenda, e será levado ao rei dos terrores. Bildade se aproveita da imagem que alguns povos pagãos tinham da morte. Eles viam a morte como um deus que tem o lábio de baixo tocando a terra e o lábio de cima tocando o céu—e que vai andando por esse mundo devorando todo o mundo (Bíblia da Fé Reformada, 786). Ele volta à esses 3M’s—MISÉRIA, MEDO E MORTE—nos próximos versos, incluindo citações sobre a morte dos filhos de Jó para ter certeza de que Jó entende que a tragédia familiar dele—de ter perdido os 10 filhos em único dia—é resultado da vida dele de rebeldia contra Deus: [15] Nenhum dos seus irá morar na sua tenda; enxofre será espalhado sobre a sua habitação. (...) [19] Não terá filho nem posteridade entre o seu povo, nem sobrevivente algum ficará nas suas moradas. Ele conclui com uma frieza que dá até medo. O coração de Bildade é: “Jó, eu não queria estar na sua pele”. [20] Do seu dia se espantarão os do Ocidente, e os do Oriente serão tomados de horror. [21] Tais são, na verdade, as moradas do ímpio, e este é o paradeiro daquele que não conhece Deus.” UM BOM COMUNICADOR, UM MAL PREGADOR Bildade pode ser um bom comunicador. Ele descreveu bem o inferno. Mas ele não é um bom pregador. Ele aplicou mal. Muito mal. Jó não é um ímpio condenado ao inferno. Jó é um crente conquistado para o céu. Foi o que Deus disse no início do livro. Jó é o oposto de um ímpio: ele teme a Deus e se desvia do mal (Jó 1-2). UMA APLICAÇÃO MELHOR: O INFERNO NA CRUZ, O CÉU PARA NÓS Bildade errou feio na aplicação. Muito feio! Bildade errou porque ele não entende que é possível, nesse mundo, um crente verdadeiro sofrer. Nessa vida, pessoas piedosas experimentam os terrores do inferno. E sem entender isso, não existe salvação. Não existe salvação porque nós precisamos de um Salvador que seja perfeitamente piedoso E enfrente os terrores do inferno em nosso lugar (Ash, Job, 199). Essa é a única maneira de sermos salvos. Graças a Deus, Bildade está errado! Jesus — um crente perfeito! — experimentou o horror do inferno na cruz para nos levar para o céu. Que é o lugar onde Jó está há milhares de anos. Que é para onde nós que confiamos na morte desse Salvador vamos. JÓ NÃO COMEÇA BEM Mas nós vivemos nos esquecendo da Sexta-Feira Santa e do Domingo de Páscoa. Nós vivemos nos esquecendo do amor de Deus e acabamos caindo em momentos de menos confiança—menos confiança de que nós temos um Salvador tão poderoso que ele derrotou até a morte; um Salvador tão amoroso, que ele se entregou aos horrores da cruz porque ele quis nos comprar para ele. E quando nós nos esquecemos, nossos sentimentos são jogados de um lado para o outro, como o barco dos discípulos no Mar da Galileia durante a tempestade. Eu sei que eu disse que as palavras de Jó no capítulo 19 são melhores que as palavras de Bildade no capítulo 18. É verdade. Eu mantenho o que eu disse. Mas antes de Jó se lembrar da melhor mensagem do mundo—a mensagem da Páscoa, Jó abre o coração dele. Ele fala como ele está se sentindo. E ele não está bem. A TOALHA ESTÁ JOGADA NO CHÃO Vocês lembram como terminou o último capítulo em que Jó falou? O capítulo terminou com a esperança de Jó terminando. Jó jogou a toalha no chão. Jó terminou chorando e dizendo: Onde está, então, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? Ela descerá até as portas do mundo dos mortos, quando juntos descansarmos no pó (Jó 17:15-16) Isso deve explicar por que nessa resposta de Jó, pela primeira vez, Jó não fala com Deus. Ele não se dirige a Deus nenhuma vez, como ele fez todas as outras vezes. Isso é triste. Mas a graça de Deus no coração do crente pode parecer adormecida, mas ela nunca está morta. O Espírito Santo dá sempre um jeito de levantar você, mesmo quando você acha que não vai conseguir ficar de pé. A resposta de Jó tem duas partes. Primeiro, vamos ouvir o coração de Jó para depois ouvir o sermão de Jó. Não é só Bildade que sabe pregar. Jó também sabe. E o sermão de Jó é bem melhor. Celestialmente melhor. Mas antes do sermão, o coração: como Jó está se sentindo? 1. O CORAÇÃO DE JÓ (19:1-19) Depende. Depende em relação a quem. Jó fala dos sentimentos dele em relação a 3 grupos. Primeiro, em relação aos amigos, ele se sente ESMAGADO. 1.1 ESMAGADO PELOS AMIGOS (19:1-6) [1] Então Jó respondeu: [2] “Até quando vocês vão me atormentar e me esmagar com as suas palavras? [3] Já dez vezes vocês me insultaram e não se envergonham de me injuriar. [4] Se eu tivesse realmente cometido algum erro, isso interessaria somente a mim. Uh... Jó está quase apelando: “Se eu pequei, não é da conta de vocês!” Jó está tenso. Eles acusaram Jó de arrogante. Jó devolve a acusação. (Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência). [5] Se vocês querem se engrandecer contra mim [“seus arrogantes!”] e usam a minha vergonha como argumento contra mim, [6] então saibam que Deus foi injusto comigo e me cercou com a sua rede.” Jó continua convencido até a última fibra da alma dele que ele não tem um pecado escondido que justifique a maneira como ele está sofrendo. Apesar dos amigos acusarem Jó sem parar, ele não dá o braço a torcer. Ele não aceita de jeito nenhum. Mas nós precisamos reconhecer que existe um problema enorme nas palavras de Jó: porque ele acha que ele não fez nada de errado para sofrer assim, ele acha que Deus está fazendo algo errado. Ele fala no versículo 6 que Deus está sendo injusto com ele. Não tem como Deus ser injusto. Assim como não tem como Deus pecar. Assim como não tem como Deus fazer algo que não seja sábio. Assim como não tem como Deus mentir, ou não cumprir alguma promessa. Deus é o padrão e a definição do que é ser justo, santo e bom. Jó cruzou a linha. Ele não deveria ter falado de Deus desse jeito. Mas Jó é honesto. É como ele se sente. E no fundo, no fundo, ele fala desse jeito, mas pelas outras coisas que ele fala, ele sabe que Deus é, sim, justo, santo e bom. Toda essa confusão na mente é justamente porque ele sabe que Deus é justo, mas parece que Deus está tratado a ele de forma injusta. E nessa confusão, ele se sente cercado pelo Deus que ele ama. Em relação aos amigos, esmagado. Em relação a Deus, cercado. 1.2 CERCADO POR DEUS (19:7-12) O versículo 6 terminou com Jó dizendo: [6] e [Deus] me cercou com a sua rede. Do versículo 7 até o 12, Jó explica por que ele tem essa sensação de que Deus está cercando a ele. No versículo 8, ele fala de Deus fechando o caminho de Jó: “Eu não consigo passar!” No versículo 10, ele diz: [10] Arruinou-me de todos os lados, e eu me vou; tirou-me a esperança, como se arranca uma árvore. A toalha de Jó ainda está no chão. Deus arrancou a esperança do coração de Jó com violência de uma árvore sendo arrancada do solo com raiz e tudo. Nesse momentos mais baixos, Jó vê Deus como alguém que está contra ele. Não é à toa que ele está mal. [11] Acendeu contra mim a sua ira e me trata como um dos seus adversários. [12] Juntas vieram as suas tropas; prepararam contra mim o seu caminho e acamparam ao redor da [cercando] minha tenda.” POR MIM OU CONTRA MIM? De novo, Jó está errado. Deus não é como um exército adversário com milhares de homens nos cercando para nos matar. Essa imagem casa bem com Satanás, não com Deus. Mas é como Jó se sente: como Deus pode dizer que me ama e ainda me tratar desse jeito? Talvez você já tenha pensado isso. Talvez você esteja pensando isso. Provavelmente nós não vamos falar isso em voz alta porque nós sabemos que é errado. Quando terminar o culto, você provavelmente não vai chamar alguém e dizer: “Deus não está me tratando como deveria!”. Talvez. Às vezes. Mas, mais provavelmente, nós pensamos isso e sentimos isso. Mesmo que não seja tão claro em nossa mente. • Nossa falta de alegria no Senhor é um sinal de que não estamos convencidos de que Deus está nos tratando como ele deveria. • Nossa preocupação, nossa ansiedade, são sinais de que não estamos seguros de que Deus irá cuidar de nós. • Nosso desânimo, nossa falta de motivação, são manifestações do nosso coração de que nós não estamos satisfeitos com a vida que o Senhor está nos dando. Mas a graça de Deus tem suas maneiras de nos surpreender. A graça tem suas maneiras de se desviar da nossa multidão de pensamentos errados e achar uma brecha para tocar em nosso coração, como a mulher com hemorragia fez e conseguiu tocar nas vestes de Jesus. E foi curada. A graça de Deus no coração do crente pode parecer adormecida, mas ela nunca está morta. É o que nós vamos ver em Jó. É o que nós orando e buscamos que aconteça em nós. E em nossos irmãos ao nosso redor e ao redor do mundo. MAIS UM SENTIMENTO Mas antes, Jó tem mais um sentimento para compartilhar conosco no caldeirão de confusão que é o coração desse irmão. (Gostaram da rima?) Às vezes, é triste ouvir como um crente está se sentindo e saber que ele não está bem. Mas é sempre importante saber—porque assim nós podemos orar uns pelos outros, encorajar, ajudar e chegar até o fim da corrida da fé juntos. Nem que seja, na força que Deus supre, carregando o outro no ombro como um soldado ferido. • Jó disse que ele se sente esmagado pelos amigos. • Ele se sente cercado por Deus. • E, para piorar, ele se sente abandonado por todos. Um sentimento que, nesse caso, condiz com a realidade. Ele foi realmente abandonado. 1.3 ABANDONADO POR TODOS (19:13-19) Do versículo 13 ao 19, Jó nos dá uma longa lista daqueles que o abandonaram. Parece que não sobrou ninguém. Nos versículos 13 e 14 são os irmãos e parentes. Nos versículos 15 e 16 são os servos: “João, vem cá. Por favor, vem me ajudar”, mas eles ignoram. [16] Chamo o meu servo, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. No versículo 17, é a própria família que não suporta ficar perto do fedor de Jó: [17] O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos meus irmãos. O versículo 18 é o cúmulo do desprezo para uma sociedade em que honrar os mais velhos é o ensino mais básico que existe: [18] Até as crianças me desprezam, e, quando tento me levantar, zombam de mim. [19] Todos os meus amigos íntimos me detestam, [ele deve estar falando de Elifaz, Bildade e Zofar] e até os que eu amava se voltaram contra mim. Solidão não é só um fenômeno físico. Você pode ter pessoas sentadas do seu lado (como agora), mas ainda assim se sentir sozinho. Às vezes, somos nós que nos isolamos. E isso não é bom. Deus não nos fez para ficarmos longe da família, da igreja e dos amigos. Nós somos seres coletivos. Mas às vezes, nós somos isolados pelos outros. Às vezes, quando nós mais precisamos de ajuda. Qualquer semelhança com o Senhor Jesus na cruz não é mera coincidência. Naquela Sexta-feira Santa 2 mil anos atrás, ele também foi abandonado e se tornou repugnante e detestável às pessoas em volta dele. Como Jó, mas ainda pior. E se tem algo nessa vida que consome nossa energia são os problemas de relacionamento. Muitas vezes, eles nos derrubam mais do que a dor física. E por causa dessa dor, depois de abrir o coração, Jó decide pregar um sermão. 2. O SERMÃO DE JÓ (19:20-29) E por causa de tanta dor, ele começa com um apelo. Muitos pregadores deixam o apelo para o final. Jó traz para o começo. 2.1 APELO (19:20-22) Ele lamenta o estado de pele e osso que ele está: [20] Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne; escapei só com a pele dos meus dentes. E implora com o coração partido em pedaços: [21] Tenham pena de mim, meus amigos, tenham pena de mim, porque a mão de Deus me atingiu. [22] Por que vocês me perseguem como Deus me persegue e não cessam de devorar a minha carne?” Jó se sente esmagado, cercado, abandonado. Jó está na miséria. Ele faz um apelo por misericórdia. Mas ele só recebe massacre. Jó não tem para onde ir. Ou tem? Tem. Jó tem para onde ir. Crente, você sempre tem para onde ir: • Existe um refúgio na tempestade e uma fortaleza na batalha. • Existe um Sumo-Sacerdote que se compadece das suas fraquezas. • Existe um Profeta que tem palavras de graça e amor. • Existe um Rei que tem poder para levantar até mortos do chão. Ele existe. E ele vive. E porque ele vive, você pode crer no amanhã. E porque ele vive, você tem para onde ir. 2.2 EVANGELHO (19:23-27) Jó continua o sermão. O primeiro ponto foi um apelo para os amigos. O segundo ponto é o evangelho para ele. Jó faz o que você deve fazer quando você estiver no chão. E quando você se levantar de manhã. E quando você colocar sua cabeça no travesseiro à noite. E todos os dias de sua vida. Pregue para você mesmo as promessas de Deus em Cristo Jesus. A promessa do perdão pela fé em Cristo, a promessa da vida eterna, a promessa da ressurreição, a promessa do céu, a promessa da glória, a promessa de que, um dia, você verá a Deus. Jó prega as promessas do evangelho—para ele mesmo! Vocês lembram que Jó tinha jogado a toalha no chão. Agora ele se abaixa e pega a toalha. Ele desistiu de desistir! QUEM DERA! [23] “Quem dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem dera fossem gravadas em livro! [24] Que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! Esculpidas em rocha para nunca serem apagadas. “Quem dera que minha inocência, minha justificação, fosse registrada para sempre!” Jó, seu desejo foi ouvido e concedido. Deus é um Deus que ouve orações. E um Deus que é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3:20). O que ele fez por Jó, então, foi registrar as palavras em um livro que dura mais do que a rocha. Um livro mais sólido que as montanhas. Um livro mais eterno do que essa criação. O livro que você tem nas mãos, agora. Por essa nem Jó esperava! As palavras dele se tornaram as palavras de Deus! Agora nós precisamos perguntar para ele: “Jó, por que você resolveu pegar a toalha que você jogou chão, se levantar, sacudir a poeira e voltar ao bom combate da fé? Jó, o que fez sua fé ressuscitar? Por que você está assim, com mais confiança?” O EVANGELHO DO REDENTOR VIVO [25] Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. [26] Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. [27] Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade o meu coração desfalece dentro de mim.” O pêndulo da fé de Jó pode oscilar de um lado para o outro, mas ele está preso no alto. Fixado no céu. A fé dele não vai cair e se despedaçar. • Deus pode ferir você com o cajado da provação, mas na ponta desse cajado tem mel para alimentar sua fé. • Deus pode fazer com que você beba o remédio amargo da dor, mas no fundo do copo tem uma camada de açúcar (natural!) para adoçar sua vida com as promessas dele (Adaptado de: Thomas Watson, All Things for Good, 30). Esses versículos dariam uma série de 10 sermões, mas vamos acampar pelo menos 10 minutos para contemplar a glória de Deus nesse sermão curto que Jó está pregando para ele (e para nós!). Eu vou resumir o evangelho que Jó prega em 3 promessas: 1. SEU REDENTOR ESTÁ RESPIRANDO (v. 25) [25] Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Como é bom saber que nós podemos saber (com segurança!) que nosso Redentor está vivo. “Porque eu sei”. Nós vivemos em um tempo em que uma das piores coisas que você pode fazer é dizer que sabe alguma coisa com certeza, especialmente sobre religião e Deus e o céu e o destino eterno das pessoas. A atmosfera do nosso mundo respira é que todos os caminhos levam a Deus, nenhum caminho é melhor do que o outro. Escolha o que for melhor para você. Em um mundo de dúvidas e confusão, como é bom saber que você pode ter certeza de que existe um Redentor, e que ele está vivo! Mas de quem Jó está falando? No contexto dessa passagem, Jó está falando de Deus. Ele fala que esse Redentor se levantará sobre a terra no versículo 25, e no versículo 26, ele fala ele verá a Deus, o Redentor vivo que irá se levantar. Deus é chamado de o Redentor de Israel várias vezes no Antigo Testamento. E o que é um redentor? A palavra que Jó usa aqui é a mesma palavra que é usada para Boaz no livro de Rute (hebraico: goel). Essa palavra assume um relacionamento entre o redentor e o redimido. No Antigo Testamento, o redentor tinha obrigações por causa desse relacionamento próximo: • Se um parente tem uma dívida, o redentor deve ajudar. • Se um parente se tornou servo de alguém, ele deve pagar o preço para libertá-lo. • O redentor é aquele que compra de volta a herança que uma pessoa precisaria vender porque está muito pobre. • O redentor tem até a obrigação de vingar a morte inocente de um parente. O redentor deveria fazer o que fosse necessário para proteger e salvar um parente próximo (Talbert, Beyond Suffering, 122, citando Michael Barrett, Beginning in Moses, 196-7). Você ouve tudo isso, e em quem você está pensando? Quem é o Redentor fez tudo o que era necessário para nos proteger e nos salvar? O mesmo que morreu na cruz na sexta e ressuscitou no domingo. CRISTO REDENTOR Jesus cumpre todas as obrigações de um Redentor, e por livre e espontânea vontade. Ele é o nosso “parente mais próximo” que entrou em uma aliança conosco para nos proteger e nos salvar. Jesus é o cumprimento da declaração de fé de Jó. Mas para nos redimir—para nos proteger e salvar da morte, Jesus precisou ser engolido pela morte. E como Jonas ficou na barriga do grande peixe por três dias, Jesus ficou na escuridão do estômago da morte por três dias. Mas quando Deus ordenou, no domingo: “— Devolva meu Filho!”, a morte obedeceu. Ela não tem escolha! E Jesus foi devolvido à terra. E quando ele se levantou, ele matou a morte. Na cruz, na sexta, ele entregou toda a vida que ele tinha. No domingo, na sepultura, Deus devolveu a vida que ele tinha, agora com ainda mais glória. E para nunca mais morrer. Esse evangelho que você precisa pregar para você: Se o meu Redentor enfrentou a morte para me salvar, como eu posso pensar que ele não fará tudo o que for preciso para me proteger e me ajudar e me levar para casa? Eu sei que o meu Redentor vive. Essa é a primeira promessa. A segunda promessa do evangelho de Jó é: 2. SUA MORTE TAMBÉM VAI MORRER (v. 26) [26] Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Agora Jó está falando da ressurreição dele—da nossa ressurreição. Jó não tem muita esperança de ser vindicado nesta vida. É por isso que ele quer que a declaração de inocência dele seja escrita com ferro em uma rocha. Para continuar registrado mesmo depois que ele morrer. Mas ele tem esperança—a esperança certa do evangelho—de que ele será declarado justo quando ele morrer e estiver diante de Deus. Jó guarda no coração a esperança da ressurreição. Veja que reviravolta na história. No capítulo anterior, Bildade disse que Jó seria devorado pela morte (Jó 18:13-14). Mas Jó está dizendo: “Não, Bildade! É o meu Deus—meu Redentor—quem irá devorar (tragar)”. A teologia de Jó está mais de acordo com a Bíblia: 1Coríntios 15:54-55—Tragada [engolida] foi a morte pela vitória [de Cristo]. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? A nossa vitória sobre a morte não foi conquistada por nós. Isso é importante ficar claro. Ela foi conquistada pelo Matador da morte—o Senhor da vida, o Senhor Jesus. Em 1 Coríntios 15, Paulo descreve a batalha que nós temos contra a morte. Ele fala da morte segurando um aguilhão—uma vara com uma ponta de ferro afiada no fim. Paulo fala que: o aguilhão da morte é o pecado (v. 16). Ou seja, o pecado é a arma (o aguilhão) que a morte tem na mão para nos matar. Quando Jesus morreu pagando pelos nossos pecados, ele tirou o aguilhão da mão da morte. É por isso que Paulo pergunta: Onde está, ó morte, o seu aguilhão? E a morte fica muda. “Fala, morte! Onde está o pecado—a arma—que você usou para derramar tanto sangue?” A morte não tem resposta. Mas como Jesus não tem pecado, depois que ele pagou pelos pecados, ele se levantou em triunfo. A por causa da sua fé nele, a vitória dele sobre a morte é sua também. 1 Coríntios 15:57—Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a mensagem da Páscoa: a morte perdeu, Jesus venceu. E por isso nós vamos ressuscitar também. A terceira promessa é a razão por que o evangelho é uma boa notícia. 1. Seu Redentor está respirando. 2. Sua morte também vai morrer. 3. Você verá a Deus. Sem essa promessa, a vida eterna seria um castigo e o céu não seria céu. Mas louvado seja o Senhor, o final do versículo 26: 3. VOCÊ VERÁ A DEUS (v. 27) Final do v.[26] em minha carne verei a Deus. [27] Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; Jó não tem dúvidas de que ele verá a Deus. E ele não quer que nós tenhamos dúvida. Ele repete 3 vezes “eu verei”, “eu verei”, “eu verei”. Por que ele faz isso? Porque ele verá a Deus! E nós veremos a Deus! Com olhos glorificados, com os olhos da fé, nós veremos a Deus na face gloriosa de Jesus Cristo. É sempre por meio dele. Você vê a Deus quando você vê Jesus com fé. Isso é verdade hoje, nesta manhã. E será assim por toda a eternidade. Jesus disse para Filipe: “Quem vê a mim, vê o Pai” (João 14:9). Eu não quero, nunca jamais, diminuir o sofrimento que vários de vocês estão passando. E vão passar. Mas a promessa de que você verá a Deus, em sua carne, com seus olhos, tem força divina para levantar você do chão e continuar esperando no Senhor. • Você lê o diagnóstico que você temia no resultado do exame. • Você vê pessoas que você ama—sua própria família—abandonando a fé. • Você é chamado para uma reunião com o RH e é demitido. • Você é rejeitado pelas pessoas que você achava que amavam você, como Jó. Nessa hora, nesse momento, você precisa de alguma coisa para se agarrar e poder levantar. O que nós precisamos é o que Jó precisa e o que Deus prometeu para todos nós. Mais alguns dias, e eu verei a Deus. Mais alguns dias nesse mundo, e eu verei o meu Rei. Só mais alguns dias, e eu verei o meu Redentor em toda a sua glória. Mais alguns dias, e a única coisa que eu vou experimentar pelos próximos bilhões de anos é amor dele. Você pode continuar mancando. Talvez mancando a vida inteira como Jacó depois que ele lutou com Deus. Mas a promessa de ver a Deus tem a força divina para levantar do chão o coração mais pesado entre nós. Jó está mais confiante. Eu espero que nós também. As promessas do evangelho do Redentor são maravilhosas. Mas Jó ainda não terminou o sermão dele. Nem eu, o meu. Faltam dois versículos. Jó começou com um apelo aos amigos, passou pelo evangelho e termina voltando para os amigos. Mas em vez de um apelo, ele termina com um aviso. 2.3 AVISO (19:28-29) [28] “Se vocês [os 3 amigos dele] disserem: ‘Como o perseguiremos?’ E: ‘A causa deste mal se acha nele mesmo’, ... que é o que eles estão falando o tempo todo: “o seu sofrimento é culpa sua, Jó, do seu pecado”. [29] então tenham medo da espada [símbolo de julgamento], porque tais acusações merecem o seu furor, para que vocês saibam que há um juízo.” Agora foi a vez de Jó ameaçar os amigos: “Deus vai julgar vocês. Vocês é que estão cavando a própria cova”. Jó tem razão. É o que nós vamos ver no final do livro. Os amigos de Jó estão debaixo da ira de Deus, como estão todos aqueles que não recebem pela fé o Redentor que absorveu o juízo de Deus na cruz. Que esse não seja o caso de nenhum de nós aqui! O Redentor de Jó pode ser o seu Redentor também. Creia que ele recebeu a espada do julgamento de Deus na cruz no seu lugar—que os cravos nas mãos e nos pés que ele recebeu eram seus, e você pode afirmar com toda a certeza que uma alma humana pode ter: Porque eu sei que o meu Redentor vive; em minha carne verei a Deus (Jó 19:25-26). CONCLUSÃO Essa é a mensagem da Páscoa. A mensagem de como Deus derrotou a morte através de Jesus Cristo e como você pode derrotar esse inimigo que parece invencível. Ele não é. Jesus matou a morte quando ele morreu naquela cruz e ressuscitou daquele sepulcro. Por causa da nossa fé nele, a vitória dele é a nossa vitória. Uma vitória que nós devemos continuar proclamando nos quatro cantos da nossa casa e nos quatro cantos desse mundo. Só nós, crentes no Redentor, temos a melhor mensagem que poderia entrar em ouvidos humanos: Morte, você perdeu. O nosso Redentor venceu. E ele vive. E quando ele voltar, você nunca mais vai existir, morte. Nem você, nem os outros membros da sua família: nem o luto, nem o pranto, nem a dor (Apocalipse 21:4). Mas nós viveremos para sempre com ele. E os nossos olhos verão a Deus. Nós sabemos disso porque o nosso Redentor vive. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
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Jó 18-19: Meu Redentor Vive!
Na cruz, na sexta, ele entregou toda a vida que ele tinha. No domingo, na sepultura, Deus devolveu a vida que ele tinha, agora com ainda mais glória.

Reunião de Oração: Fiel Até o Fim
Série de Exposições em 2 Timóteo
Quinta 19h30
Abril - Maio
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
29 de Março de 2026 – IBJM Não é ruim fazer as coisas só por obrigação? Fazer coisas que você não entende por que precisa fazer. Você não vê sentido naquilo. • Crianças, se vocês não entendem por que estudar matemática, vocês podem até fazer o dever de casa, mas será se arrastando. Não será com o espírito certo. • Adultos, se você não vê sentido no seu trabalho, você pode até se levantar de manhã e trabalhar porque você precisa, mas é só por obrigação. Muitas vezes, é o que você precisa fazer, mas é muito ruim viver assim. • Se você não vê a razão de fazer aquilo, você pode até fazer por um tempo, mas assim que aparecer uma dificuldade, você vai parar. Quando nós não vemos propósito no que está acontecendo, nós vamos acabar desistimos. É por isso que a nossa luta para manter a esperança viva, especialmente durante o sofrimento, é uma luta por propósito, uma luta por sentido. “Eu estou passando por isso por uma razão”. Jó tem alguns momentos de lucidez, mas ele volta a perder a esperança porque ele volta a perder o propósito. Ele não vê sentido em estar sofrendo tanto. Jó está vivendo por obrigação. E para piorar a situação, os amigos de Jó só pioram a situação. Na explicação deles, para a vida de Jó voltar a fazer sentido, ele precisa confessar o pecado que ele está escondendo e se arrepender. O que nós sabemos que não é verdade. SEGUNDA RODADA: ELIFAZ x JÓ Nós vamos olhar para 3 capítulos hoje: • No capítulo 15: Elifaz fala (e não ajuda). • E nos capítulos 16 e 17, é a vez de Jó responder. Ele continua sua busca por sentido. Vamos começar com Elifaz. É a segunda vez que ele fala. Elifaz foi o primeiro dos 3 amigos de Jó que abriu a boca lá atrás, nos capítulos 4 e 5. Elifaz abre a segunda rodada do debate entre Jó e seus amigos. ELIFAZ FALA (JÓ 15) A opinião de Elifaz sobre o que está acontecendo com Jó não mudou. Mas o coração mudou. O coração dele esquentou. Sabe quando, nos desenhos animados, uma pessoa está irritada e ela começa a ficar mais vermelha. Esse é Elifaz. Ele vem para cima de Jó com mais força. ACUSAÇÃO: VOCÊ É UM TOLO (15:1-16) Elifaz quer provar para Jó que ele é um tolo. [1] Então Elifaz, o temanita, tomou a palavra e disse: [2] “Será que um sábio daria respostas vazias? Será que encheria a si mesmo de vento leste? [3] Argumentaria com palavras que de nada servem e com razões das quais nada se aproveita? Na resposta anterior de Elifaz, no capítulo 4, Elifaz começou mais educado, mais gentil, mais leve. Ele começou perguntando para Jó: Você não tem confiança no seu temor a Deus? (Jó 4:6) “Jó, espere que Deus irá trocar seu choro por riso. Deus irá trocar seu luto por dança. Espere, Jó”. O tom foi melhor. Mas em vez de continuar a encorajar Jó a confiar no temor de Deus que ele tem, Elifaz perde a paciência e acusa Jó de não ter mais esse temor. Ele acusa Jó de ser um BLASFEMADOR: 1. VOCÊ É UM BLASFEMADOR (VV. 4-6) [4] Mas você destrói o temor de Deus e diminui a devoção a ele devida. [5] Pois o que você fala se inspira em sua iniquidade, e você adota a língua dos astutos. Em Gênesis 3, Satanás é descrito como uma serpente, “o mais astuto dos animais” (Gênesis 3:1). No versículo 6 ele coloca a culpa das acusações deles no próprio Jó: [6] A sua própria boca o condena, e não eu; os seus lábios dão testemunho contra você.” Esse golpe foi forte, mas foi só o primeiro. Além de blasfemador, Elifaz chama Jó de arrogante: 2. VOCÊ É ARROGANTE (VV. 7-10) O espírito de Elifaz é: “Jó, quem você pensa que você é”. [7] “Será que você é o primeiro homem que nasceu? Por acaso, você foi formado antes dos montes? [8] Será que você ouviu o conselho secreto de Deus e detém toda a sabedoria? A resposta que Elifaz espera de Jó é: “Não, eu não ouvi o conselho secreto de Deus. Eu não sei nada”. Mas Elifaz age como se ele tivesse ouvido e soubesse alguma coisa. Mas ele não ouviu o conselho secreto de Deus! Nós ouvimos porque nós lemos os primeiros capítulos de Jó. Elifaz acusa Jó de ser arrogante, mas quem está sendo arrogante é ele. No versículo 11, ele chama Jó de ingrato: 3. VOCÊ É UM INGRATO (V. 11) [11] “Você faz pouco caso das consolações de Deus e das suaves palavras que dirigimos a você? Elifaz só pode estar brincando: “suaves palavras”!? Ele massacra Jó—as palavras deles parecem mais tijolos sendo arremessados, e ele chama de “suaves palavras”. Elifaz não tem espelho em casa. Essa é a maneira do autor do livro de Jó nos lembrar que nós precisamos de Deus e dos outros para perceber nossos pontos cegos—pecados que não estamos vendo, mas que se o Senhor nos der a humildade necessária, nós podemos reconhecer para tirar da nossa vida. É como o pedaço de alface no dente. Como a maionese no bigode. Todo mundo que olha para você vê, mas você, não. Que o Senhor nos ajude a ouvir as pessoas quando elas apontarem nossos pecados. E quando nós formos falar do pecado dos outros, que nossas palavras sejam realmente “suaves palavras”. Além de blasfemador, arrogante e ingrato, Elifaz chama Jó de nervosinho. 4. VOCÊ É UM NERVOSINHO (VV. 12-13) [12] Por que você se deixa levar pelo seu coração? Por que os seus olhos flamejam, [13] para que você dirija contra Deus o seu furor? E por que deixa que tais palavras saiam de sua boca?” A última acusação que Elifaz tem para o seu amigo é: 5. JÓ, VOCÊ É UM IMUNDO (VV. 14-16) [14] “Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo? [15] Eis que Deus não confia nem nos seus santos! Nem os céus são puros aos seus olhos, [16] quanto menos o homem, que é abominável e corrupto, que bebe a iniquidade como a água!” Que palavras suaves para um amigo, Elifaz: abominável, corrupto, bebedor de iniquidade. Esse é mais um exemplo dos amigos de Jó usando a verdade no lugar errado—com a pessoa errada. Não é completamente falso o que Elifaz está falando. Por causa do pecado, a humanidade está corrompida. Isso é verdade. É verdade também que Deus é absolutamente santo. O profeta Habacuque disse: Tu és tão puro de olhos, que não podes suportar o mal nem tolerar a opressão (Habacuque 1:13). E que as pessoas no mundo que não conhecem a Deus consomem pecado como água—eles vivem o tempo todo bebendo iniquidade—é verdade também. Elifaz está certo nessas coisas. Mas pegar essas verdades—Deus é santo e o homem é impuro—e aplicar para Jó para explicar o sofrimento dele, isso não é verdade. Jó não está sofrendo porque ele é uma pessoa imunda aos olhos de Deus. A opinião de Deus sobre Jó é que ele é um homem cheio de temor, piedoso e que ama a ele. Na mente de Deus, Jó foi lavado pelo sangue do Cordeiro que irá morrer por ele. Isso não significa que Jó está respondendo perfeitamente ao sofrimento. Algumas coisas que os amigos de Jó estão falando contra Jó, eles até têm razão. Jó disse que Deus não está sendo justo com ele. Jó não pode pensar ou falar isso. Mas agora, pegar uma resposta ruim de Jó nesse tempo de intenso sofrimento, esquecer as várias resposta de fé que Jó deu durante a vida dele, e declarar: “Jó, você é um blasfemador, arrogante, ingrato, nervosinho e imundo”, isso é errado. Muito errado. Isso é maldade. VERDADEIRO, MAS INCOMPLETO Se nós queremos viver com sabedoria nesse mundo—amando a Deus e amando as pessoas—nós precisamos ter essa categoria de um “crente incompleto”. (Hartley, Job, p. x) Crentes que, às vezes (muitas vezes?), não respondem como deveriam. Sabe por quê? Porque todos nós estamos nessa categoria: “os incompletos”. Simplesmente nos lembramos desse fato nos ajuda a termos misericórdia dos outros crentes incompletos. Alguém que luta contra os pecados, que se arrepende, crê em Cristo, e continua. Alguém que se levanta e cai. E levanta e cai. E levanta e cai. Alguém que não é mais do que era—escravo da carne e do mundo, mas alguém que ainda não é o que um dia será, no céu. Mas Elifaz ainda não terminou. A resposta de Elifaz para Jó tem duas partes. Nós vimos a primeira. Até o versículo 16, foi a ACUSAÇÃO contra Jó. Do versículo 17 até o fim do capítulo, Elifaz tem a EXPLICAÇÃO para o sofrimento de Jó. EXPLICAÇÃO: VOCÊ ESTÁ RECEBENDO O QUE VOCÊ MERECE (15:17-35) Elifaz aqui está se juntando a Bildade, o segundo amigo. Elifaz usa a tradição — “o que os sábios anunciaram” — para defender a explicação dele. INTRODUÇÃO: TRADIÇÃO (17-19) [17] “Escute o que eu vou explicar; vou contar-lhe o que eu vi, [18] o que os sábios anunciaram, sem ocultar nada, tendo-o recebido dos pais deles... A estratégia de Elifaz é pintar um quadro aterrorizante da vida do ímpio para ver se Jó se convence de que ele precisa se arrepender e sair dessa vida de pecado para voltar a ter paz com Deus. MEDO DE PERDER (20-22) Ele descreve o ímpio como alguém que vive constantemente com medo de perder o que tem: [20] “O ímpio é atormentado todos os dias, no curto número de anos que se reservam para o opressor. [21] O som dos horrores está nos seus ouvidos; na prosperidade lhe sobrevém o destruidor. [22] Não crê que possa escapar das trevas, e sim que a espada o espera. Nem todos aqueles que não amam a Deus vivem com esse medo de perder tudo, mas muitos, sim. Deus colocou a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3:11). Em seus momentos de silêncio, quando eles desligam a televisão e a música e o celular, quando eles consultam sua consciência no travesseiro, vem esse desespero. Eles sabem que as coisas entre ele e Deus não estão certas. Eles vivem com esse senso de tormento, horror, medo. Essa é a explicação de Elifaz para o sofrimento de Jó. Jó estava na prosperidade, mas ele perdeu tudo porque ele abandonou a Deus. Porque Jó se rebelou contra o Todo-Poderoso: A RAZÃO DA DOR (25-26) [25] [Essa é a razão:] Porque ele levantou a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso; [26] arremete contra ele obstinadamente, protegido por um grosso escudo. Nos versículos seguintes, Elifaz descreve o resultado daqueles que não amam a Deus—para dar uma indireta não tão indireta assim—em Jó e ver se ele se arrepende de uma vez. Elifaz usa exemplos do que aconteceu com Jó para cutucar o amigo (ou ex-amigo): A CONSEQUÊNCIA DA IMPIEDADE (27-34) • No versículo 28, ele fala de casas virando ruínas, como aconteceu com Jó. • No versículo 29, ele escreve o ímpio indo da riqueza para a pobreza e perdendo seus bens, como aconteceu com Jó. • No versículo 30, ele fala de chama de fogo e sopro de Deus. Fogo consumiu as ovelhas que Jó tinha e um vento forte derrubou a casa do filho mais velho de Jó em uma reunião de família e todos os filhos morreram. Ele emenda essa descrição insensível com uma exortação para Jó: [31] Que ele não confie na vaidade, enganando a si mesmo, porque a vaidade será a sua recompensa. Ele descreve de novo a destruição repentina da vida do ímpio e termina com uma descrição, não da vida, mas do coração daqueles que não confiam em Deus: [35] Concebem o mal e dão à luz a iniquidade; o coração deles só prepara enganos.” A teologia de Elifaz não mudou em relação a primeira vez que ele falou, mas ele está mais negativo, mais irritado. Na primeira vez, ele passou um tempo enorme descrevendo a vida maravilhosa daqueles que amam a Deus para Jó. De seis angústias ele [Deus] o livrará, e na sétima o mal não tocará em você. Na fome ele livrará você da morte... Saberá que a sua tenda está em paz; percorrerá as suas posses e não achará falta de nada. Em robusta velhice você descerá à sepultura... Veja bem! Isto é o que investigamos, e assim é. Ouça e medite nisso para o seu bem (Jó 5:19-20,24,26-27). A teologia de Elifaz continua sendo uma teologia da prosperidade, mas agora ele inverteu. Em vez de falar das bençãos daqueles que amam a Deus, ele quer convencer Jó a se arrepender falando das maldições daqueles que não amam a Deus. O que vocês acham da teologia de Elifaz? “Os justos serão recompensados e os ímpios serão punidos”. É verdade? Eu posso criar um problema, e depois nós tentamos resolver? ELIFAZ E SALOMÃO O problema é o seguinte: existem muitas passagens na Bíblia que concordam com a teologia de Elifaz. A teologia de Elifaz está na Bíblia. Por exemplo (Talbert, Beyond Suffering, 112-3): Provérbios 12:21—Nenhuma desgraça sobrevirá ao justo, mas os ímpios, o mal os apanhará em cheio. Não parece Elifaz falando? Mas é Salomão em sua sabedoria. Mais um: Provérbios 10:27—O temor do Senhor prolonga os dias da vida, mas o tempo dos ímpios será abreviado. O que esse provérbio está dizendo é que temer a Deus faz uma pessoas ter uma vida mais longa, mas os ímpios morrem antes. Parece que Salomão concorda com os amigos de Jó. Mas só parece. Salomão não concorda. PROVÉRBIOS SÃO PROVÉRBIOS, NÃO PROMESSAS Provérbios descrevem o que geralmente acontece nesse mundo, não o que sempre acontece, sem exceção. Provérbios são verdades gerais, não promessas. Eles dizem—de forma bem resumida—o que geralmente acontece, mas não é a intenção de Salomão e de Deus descrever todas as situações e exceções em uma frase. É por isso que o livro de Jó e de Eclesiastes são tão importantes para nos dar sabedoria, junto com Provérbios e Salmos. Jó e Eclesiastes nos lembram que a vida é cheia de exceções. E mistérios. Essa interpretação equilibrada que os amigos de Jó não tem. Em um sentido, ler a Bíblia é como fazer um bolo. Você precisa trazer todos os ingredientes necessários na quantidade necessária para dar certo. Se você usar farinha, ovo, açúcar, mas deixar o fermento de fora, o bolo não será bem um bolo. Praticamente todas as heresias—os ensinos falsos da Bíblia—são fruto de alguém que pegou uma doutrina e sem incluir outros ingredientes doutrinários necessários, acabou chegando a conclusões falsas. TENHA CERTEZA DE QUE VOCÊ PODE ESTAR ERRADO Nós podemos aprender uma coisa com Elifaz. Uma coisa que Elifaz nem considera. É que nós podemos estar errados. Elifaz está batendo o pé com força. Jó acabou de mostrar no capítulo anterior que existem situações em que aqueles que amam a Deus sofrem e aqueles que ignoram a Deus se dão bem. Mas entrou por um ouvido e saiu pelo outro e Elifaz nem considerou o que Jó disse. Ele simplesmente repetiu a opinião dele com mais agressividade. Essa estratégia pode funcionar em um debate entre políticos, mas não funciona se nós queremos amar as pessoas e glorificar a Deus. Uma coisa Elifaz nos ensinou pelo mal exemplo: para aplicar a Palavra de Deus a nossa vida, nós precisamos usar os ingredientes doutrinários necessários para o bolo no final nos fazer bem. Jó ouviu o que Elifaz disse. Agora é a vez de Jó falar. JÓ FALA (JÓ 16-17) Nós vamos dividir a resposta de Jó em 4 partes: ACUSAÇÃO, EXPLICAÇÃO, CLAMOR E TOALHA. Nas primeiras duas partes, Jó faz a mesma coisa que Elifaz. Jó tem uma ACUSAÇÃO e uma EXPLICAÇÃO. Mas tanto a acusação quanto a explicação de Jó são diferentes. ACUSAÇÃO: VOCÊS SÃO UNS TORTURADORES (16:1-6) Elifaz acusou Jó de ser um blasfemador. Jó devolve e acusa Elifaz de ser um torturador. [1] Então Jó respondeu: [2] “Tenho ouvido muitas coisas como estas. Todos vocês são consoladores que só aumentam o meu sofrimento. Dentro dessa acusação de Jó, o assunto desses 6 versículos é o consolo que Jó tanto quer e tanto precisa. O tema do consolo, que apareceu no primeiro ciclo de conversas, volta. Se tem uma coisa que nos ajuda a lidar com a dor é o consolo de Deus através dos amigos. Você já foi abençoado assim. Alguém levantou você do chão com palavras. Mas o consolo que Jó tanto quer e precisa, os amigos dele não oferecem. No versículo 2 ele chama os amigos de consoladores “miseráveis” (ESV, Job 16:2)—“que só aumentam o sofrimento”. Mas com o Espírito Santo em nós, nós podemos ser consoladores misericordiosos, não miseráveis. E uma das maneiras em que nós podemos unir nosso coração aos nossos irmãos é nos colocando no lugar do outro. É o que Jó fala no versículo 5: [5] Poderia fortalecê-los com as minhas palavras, e a consolação dos meus lábios abrandaria a dor de vocês. Gastar alguns segundos fazendo esse exercício de troca—se colocando no lugar do outro—nos ajuda na direção de sermos consoladores misericordiosos, não miseráveis: • E se fosse eu que estivesse com câncer... • E se fosse eu que tivesse perdido minha mãe ou meu pai... • E se fosse eu que tivesse sido tratado dessa maneira... • E se fosse eu que tivesse perdido o emprego, perdido o casamento, perdido a família... E assim nossas palavras, com a força do Espírito, pode ser suaves palavras que consolam. Como Elifaz fez, depois da acusação, Jó tem uma explicação. Uma explicação para o sofrimento dele. A explicação de Elifaz para a dor de Jó é o pecado de Jó. A explicação de Jó para a dor dele não é o pecado dele. É o Deus dele. Deus é a causa da minha dor. EXPLICAÇÃO: A RAZÃO DA MINHA DOR NÃO É O MEU PECADO; É O MEU DEUS (16:7-14) Por um momento, Jó para de falar com seus amigos, olha para o céu e fala com Deus: PARA DEUS (7-8) [7] “Na verdade, esgotaste as minhas forças; tu, ó Deus, destruíste toda a minha família. [8] Testemunha disto é que me deixaste enrugado; a minha magreza já se levanta contra mim e me acusa cara a cara.” Para Jó, Deus é a causa da dor dele. E é com Deus que Jó quer lidar e falar e chorar. Deus destruiu a família dele e deixou ele tão magro por causa dos tumores que ele nem mais parece quem ele é. Mas diferente do que Jó fez antes, Jó não fala muito tempo com Deus. Dois versículos: 7 e 8. A partir do versículo 9, Jó volta a falar com os amigos dele. PARA OS AMIGOS SOBRE DEUS (9-14) [9] “Na sua ira me despedaçou e me perseguiu; rangeu os dentes contra mim e, como meu adversário, aguça os olhos. (...) [11] Deus me entrega aos ímpios e me faz cair nas mãos dos perversos. Jó gasta menos tempo falando com Deus (talvez porque Deus não esteja respondendo), mas apesar de não estar falar com Deus, vocês percebem qual é o assunto de Jó? Quem Jó acha que despedaçou a ele “na sua ira”? E persegue a ele? E range dos dentes contra ele? E age como um adversário? Deus. Jó pode até ter parado de falar com Deus, mas ele continua falando sobre Deus. Um cristão, mesmo na dor, mesmo quando ele pensa que Deus está tratando ele mal, o coração dele é puxado para Deus. Mas os pensamentos dos crentes sobre Deus nem sempre são certos: • Jó está certo em entender que Deus é soberano sobre o sofrimento dele. • Mas Jó está errado em concluir que Deus está irado, rangendo os dentes e perseguindo Jó como um adversário. O adversário é Satanás, não Deus. A mente de Jó não está operando bem. Ela está cheia de imagens negativas sobre Deus. Jó imagina Deus como um animal feroz e faminto—um leopardo escondido na mata, esperando a hora de dar o bote, agarrar a gazela pelo pescoço e sacode ela até ela cair morta. [12] Eu vivia em paz, porém ele me esmagou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; ele fez de mim o seu alvo. • No versículo 13, ele imagina Deus como um flecheiro inimigo. • No versículo 14, um guerreiro que vem correndo na direção ele com violência. [14] Ele me fere com golpes e mais golpes; arremete contra mim como um guerreiro.” Se Elifaz acusou Jó de ser um blasfemador. E se Jó acusou Elifaz de ser um torturador. Agora, Jó acusa Deus de ser um destruidor. Um despedaçador de saúde, família e vida. Se Jó fosse um blasfemador e ingrato e imundo como Elifaz está dizendo, Jó entenderia. Deus está sendo justo. Deus está punido um homem que está se rebelando contra ele. Essa é a tese dos amigos de Jó. Mas Jó tem certeza de que ele é inocente. É por isso que Jó está tão atordoado e confuso. TRANSIÇÃO: EU SOU INOCENTE! (16:15-17) [16] O meu rosto está vermelho de tanto chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte, [17] embora não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha oração.” Jó não está dizendo que ele não tem nenhum pecado. Jó está dizendo que ele não é o ímpio, arrogante e ingrato que os amigos estão dizendo que ele é. “Eu confio no Senhor. Eu amo o Senhor. Eu temo a Deus e me desvio do mal. Mas eu sou tratado por Deus como se eu fosse um pecador horrível”. A explicação de Jó para a dor dele não é o pecado dele. É o Deus dele. UMA MISTURA CONFUSA A mente de Jó é como liquidificador que jogou verdades e mentiras dentro, bateu e agora tudo está misturado. Alguns ingredientes são bons—Deus é soberano. É para Deus que Jó tem que ir. Esse ingrediente faz parte da receita para lidarmos com a nossa dor. Mas Jó jogou dentro do liquidificador essa ideia de que Deus está injustamente irado com ele, que Deus está sendo cruel. Esse ingrediente está envenenando a alma de Jó. Sempre que nós fazemos isso, o resultado não é bom. O resultado é desânimo, depressão, amargura, ansiedade, medo e muitos outros males. Mas algo lindo de se ver na vida de um cristão como Jó é que ele sabe para quem ele tem que ir. Existe um sussurro dentro do crente que diz para ele mesmo: — Senhor, para quem iremos? O senhor tem as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que o senhor é o Santo de Deus (João 6:68-69). Às vezes, você vai correndo para Jesus. Às vezes, você vai mancando. E demora mais tempo para chegar nele. Mas você vai. O cristão pode, às vezes, ter explicações erradas para a dor dele. Mas um instinto que o Espírito Santo colocou nele e que ninguém pode tirar é esse: “Eu que quero falar com Deus, eu quero ouvir Deus, eu quero Deus”. Por causa desse instinto, Jó não se contenta em explicar. Jó começa a clamar. Ele vai da explicação para um clamor: O CLAMOR (16:18-17:5) Como o sangue de Abel que foi derramado injustamente e ainda clama por justiça (Gênesis 4:10), Jó não quer que a morte dele seja em vão (Harley, The Book of Job, 263). [18] “Ó terra, não cubra o meu sangue, e não haja lugar em que se oculte o meu clamor! “Terra, quando eu morrer, proclame a minha inocência pelo mundo!” Mas Jó sabe que a terra não tem poder para fazer nada. Quem tem poder para responder e agir é o Deus de toda a terra. Prova que Jó sabe disso, é o que ele fala agora: [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa. O SOLUÇO DA GRAÇA Essa maneira de falar é a maneira de alguém que tem confiança. Nós estamos vendo—ou ouvindo—aqui uma faísca de esperança. O fogo da fé de Jó pode não estar queimando a todo vapor, mas tem uma brasa naquele coração. Que mistério e que maravilha é o coração do homem e o Espírito de Deus. Em um minuto, o crente Jó está olhando para Deus como um flecheiro, um guerreiro, um adversário, um destruidor. No outro minuto, ele vem com essa declaração: [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa—“meu advogado”. Bem-vindo ao mundo real. Ao mundo real dos crentes reais com sofrimentos reais. Sim, em alguns momentos, em alguns minutos, tudo na vida parece escuro, seco, sem vida. Mas em outros minutos, o Espírito de Deus abre uma fresta do coração do crente para que entre luz—e a esperança volta. Você está lendo um Salmo, cantando uma música, ouvindo a pregação da Palavra e sua fé se levanta do chão e se agarra em Jesus de novo. Esses momentos podem parecer um soluço. De repente, aparentemente do nada, ele surge dentro de você e você não consegue controlar: você confia, você adora, você louva. É o soluço da graça. Parece que foi do nada, mas não foi. Foi ele. Foi Deus. • Que isso seja um encorajamento para você, cristão deprimido e sem esperança. • Ou você que está ansioso e com medo e com dificuldade de confiar no Senhor. • Ou você que está apático e triste por não ver mais sua fé queimando como antes. O que você deve fazer é continuar clamando e orando e lendo e ouvindo. Continuar indo até ele, mesmo que você esteja mancando. Abanando o seu coração como um carvão em brasa até o fogo voltar a pegar. O Espírito de Deus pode fazer um pavio fumegando voltar a queimar. Hoje. Agora. Mas nós pulamos uma pergunta importante: DE QUEM ELE ESTÁ FALANDO? [19] Já agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas se encontra quem advoga a minha causa. De quem Jó está falando? Quem é essa testemunha — esse advogado? O tema da justificação—de quer ser declaro justo por Deus—que apareceu no primeiro ciclo volta. Quem é essa Pessoa que irá defender Jó no tribunal de Deus e provar que ele é um crente verdadeiro, um homem justificado, um adorador do Senhor e não um ímpio como os amigos de Jó acusam, nem um interesseiro como Satanás acusa. A Testemunha—o Advogado—que irá defender Jó é Deus. Deus é aquele que está no céu, nas alturas. • Mas Jó não disse há pouco tempo que Deus irá declarar a ele culpado (Jó 9:20)? • Ele não disse que Deus está contra Jó (Jó 10:2)? • Ele não disse que Deus quer matá-lo? Como agora ele acha que Deus irá defendê-lo? Deus irá testemunhar contra Deus? Bem-vindo ao mundo real. Ao mundo real dos crentes reais com sofrimentos reais. Sim, os crentes têm momentos de escuridão e eles não conseguem ver a Deus como deveriam. Mas quando a luz entra, quando o Espírito Santo abre uma fresta da porta do coração e entra glória com poder, quando ele vê um pouco da majestade do Rei, isso é suficiente para ressuscitar a esperança nele e Deus muda de destruidor para Defensor. Mas me permita dizer mais: bem-vindo também ao evangelho—o evangelho real dos crentes reais em um mundo real. Jó 16:19 é a mensagem da cruz. Não deveria ser uma surpresa para nós ouvirmos um crente como Jó dizer que a esperança dele é que Deus defenda Jó de Deus. Esse não é o evangelho? O Deus Pai envia o Deus Filho para ser nosso Advogado no tribunal de Deus. 1João 2:1-2—Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados. Na cruz, o Deus Filho defende a causa do povo de Deus diante de Deus. O Deus Filho testemunha a nosso favor. O sangue dele nos defende. O sangue se levanta para testemunhar a nosso favor no tribunal. DIANTE DO TRONO DE DEUS NOS CÉUS Em 1863, uma jovem de 22 anos escreveu um hino sobre essa verdade libertadora e gloriosa: existe alguém no céu que intercede por nós. Como o versículo 19 diz: “Já agora”. O título que ela deu para o hino foi: “O Advogado”. Nós cantamos esse hino na IBJM. Por favor, ouça essa letra: Diante do Trono de Deus nos céus Tenho perfeita intercessão Do sumo sacerdote o Amor Que advoga em meu favor Meu nome em suas mãos está Escrito em seu coração E enquanto no céu Ele estiver Seguro ali eu estarei Se sou tentado a desviar E vejo a culpa que há em mim Contemplo os céus e vejo então Aquele que morreu na cruz O justo Salvador morreu Pra minha vida libertar Satisfazendo o Santo Deus Que me perdoa ao ver Jesus Vejo o Cordeiro que ressurgiu Sua justiça e perfeição O Grande Imutável Eu Sou O Rei da Graça, o Rei dos Céus Unido a Ele não morrerei Comprado por seu sangue fui Minha vida oculta em Cristo está Em Cristo meu Deus, Salvador Em Cristo meu Deus, Salvador. Cristão, que Testemunha, que Advogado nós temos no céu. Quando a culpa dos nossos pecados nos derrubar, seja porque Satanás nos acusa ou pessoas nos acusam ou nossos próprios pensamentos nos acusam, existe um lugar—uma Pessoa—que nós podemos ir que irá nos defender “diante do trono de Deus nos céus” usando a morte dele em nosso lugar. Se você ainda não tem um Advogado para defender você no dia em que todos nós teremos que comparecer diante do trono de Deus nos céus, você precisa contratar o Senhor Jesus Cristo. Quem de nós poderá dizer para Deus: eu nunca pequei, eu mereço o céu? Mas aqui vai a parte importante: Jesus não aceita nada em troca—ele não aceita dinheiro, nem boas ações. Você contrata a ele pela graça por meio da fé. O que ele exige é que você confie nele. E em troca ele dá para você a justiça dele, o perdão dele e no dia do julgamento, ele vai defender você diante do Juiz. Jó está certo. O Advogado é o próprio Deus. Ainda não estava claro para Jó naquele momento como está claro para nós agora com o Novo Testamento e a vinda do Senhor Jesus, mas os instintos de Jó são os instintos de um crente. Mas a esperança de Jó não durou muito tempo. O capítulo 16 termina e o capítulo 17 começa com Jó vendo a morte vindo na direção dele para buscá-lo: Jó 16:[22] Porque dentro de poucos anos eu seguirei o caminho de onde não voltarei.” Capítulo 17:[1] O meu espírito vai se consumindo, os meus dias vão se apagando, e só tenho diante de mim a sepultura. Ele até volta a falar com Deus, em mais segundo soluço da graça: VOLTA A DEUS (17:3-5) [3] “Dá-me, ó Deus, um penhor, e sê o meu fiador diante de ti; quem mais haverá que possa se comprometer comigo? Senhor, me dá uma garantia (um penhor) que eu não estou esperando o Senhor à toa. Me promete que o Senhor irá me justificar. Mas o clamor a Deus dura pouco. De novo. Ele vai só tem o versículo 5. No versículo 6 nós temos outro “mas” que derruba Jó de vez no chão. No boxe, quando o treinador vê que o boxeador dele está apanhando tanto sem conseguir se defender, ele joga a toalha no chão no meio do ringue para avisar o juiz: nós desistimos. Nós aceitamos a derrota. Jó não aguenta mais apanhar e, no desespero, ele joga a toalha também. Acusação, Explicação, Clamor e, por último: TOALHA (17:6-16) Do versículo 6 ao 10 ele volta a falar da dor: COM DOR (6-10) [6] Mas ele me pôs por provérbio dos povos; tornei-me como aquele em cujo rosto se cospe. É impossível ler esse versículo e não pensar no Senhor Jesus sendo cuspido pelos judeus e romanos antes de ser crucificado. Sem Jó saber (mas Deus sabendo), o sofrimento de Jó nos prepara para o Salvador-Sofredor mais inocente que Jó. [7] Os meus olhos se escureceram de mágoa, e todos os meus membros são como a sombra. Jó fica pensando mais na dor e menos no Defensor que ele tem, e isso leva Jó a cair de novo no fundo do poço: SEM ESPERANÇA (11-16) [11] “Os meus dias passaram, e fracassaram os meus planos, os desejos do meu coração. Deus rasgou os planos de Jó. A família dele foi destruída, os bens destruídos, a saúde destruída. Jó sabe que precisa de esperança, mas ele não acha. Ele só consegue ver a morte. A morte é a família dele: [13] Mas, se eu aguardo a sepultura por minha casa; se faço a minha cama nas trevas; [14] se digo à cova: ‘Você é o meu pai’, e aos vermes: ‘Vocês são a minha mãe e a minha irmã’, [15] onde está, então, a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver? [16] Ela descerá até as portas do mundo dos mortos, quando juntos descansarmos no pó.” Dizem que a esperança é a última que morre. Jó termina dizendo: “a minha esperança morreu”. Parece que dessa vez Jó desistiu. Mas tem coisas que os crentes sofrendo falam que nós não deveríamos anotar. Algumas coisas que eles falam, nós deveríamos deixar para lá. CONCLUSÃO Nós perdemos a esperança quando nós não vemos razão no sofrimento. Jó não vê sentido em sofrer desse jeito sem ouvir uma resposta de Deus. É por isso que ele joga a toalha. Você provavelmente teve seus dias em que você jogou a toalha. Ou ficou com vontade de jogar. Mas o Espírito Santo nunca deixa um santo desistir. Um crente (como Jó) pode até jogar a toalha. Mas ele não vira as contas e vai embora. Ele fica olhando para toalha. Ele fica se perguntando se ele não deveria pegar a toalha do chão, jogar para fora do ringue e voltar para o combate da fé. Ele fica se perguntando se vale a pena não desistir. Nós sabemos a resposta: “Vale”. É claro que vale a pena não desistir. Com uma Testemunha no céu como Jesus, como esse um Advogado e Defensor como o Senhor Jesus, vale a pena. Vale a pena continuar buscando a Deus. Vale a pena continuar clamando e buscando o Senhor. Quando nós olhamos para ele—para o sofrimento do Senhor Jesus e o amor dele, a vida faz sentido. Até no sofrimento. Com ele, a vida vale a pena. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_4088e781ee1148e69cdc4af719f32164~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 15-17: Minha Testemunha Está no Céu
Quando nós não vemos propósito no que está acontecendo, nós vamos acabar desistimos.
É por isso que a nossa luta para manter a esperança viva, especialmente durante o sofrimento, é uma luta por propósito, uma luta por sentido. “Eu estou passando por isso por uma razão”.
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
22 de Março de 2026 – IBJM
Shane Barnard é um cantor cristão. Ele deu um testemunho muito bonito sobre a fé da mãe dele. Ele estava em um ônibus, viajando, quando ele recebeu uma mensagem da mãe no celular: Seu pai teve um ataque cardíaco. Ele está no hospital. Ele está vivo, mas está mal. Shane pega um avião e vai se encontrar com a mãe e o pai no hospital. Eles oram e oram para que o Senhor poupe a vida do pai. A mãe dele tinha acabado de se converter aos 70 anos. Uma senhora cristã recém-convertida. Eles estão em um quarto pequeno do hospital. O pai entubado. Até que o médico chega e avisa: “Ele faleceu”. Deus tinha outros planos e não respondeu com “sim”. A mãe começa a ficar desesperada, começa a bater no peito do marido, chorando. Shane abraça a mãe e a leva para sentar na cadeira. Ela ainda chorando, ainda transtornada, ela começa a falar baixinho: O Senhor o deu. O Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor. Como assim? O que faz alguém que acabou de perder a pessoa que mais amava nesse mundo, ainda em grande dor, ir até aquele que tomou o marido dele—Deus—e bendizer o nome dele? A explicação está em um fenômeno chamado fé. Quando Deus abre os olhos de alguém para que essa pessoa veja o seu pecado e veja o Cristo crucificado para salvar você, o seu mundo muda. Sua vida vira. Você entra em um relacionamento com Deus de amor e confiança e adoração. E o sofrimento nessa vida, em vez de apagar sua fé, ele intensifica. O cristão, no meio da dor, em vez de correr DE Deus, ele corre PARA Deus. É a experiência mais profunda e poderosa que uma pessoa pode experimentar. Essa experiência se chama fé. Mas a corrida da fé não é plana. Eu imagino que essa senhora que perdeu o marido teve dias de mais tristeza. E dias de mais confiança. A nossa corrida da fé é como uma Montanha-Russa. Altos e baixos. Jó continua muito ferido e muito frustrado com o que Deus está fazendo com ele. Ao mesmo tempo, (como a mãe do Shane) Jó sabe para onde ir: para Deus. A resposta de Jó tem 3 capítulos. Nós vamos dividir a resposta de Jó no meio: • O capítulo 12 e até mais ou menos a metade do 13, Jó está implorando com os amigos para eles pararem de fazer o que ele estão fazendo—falando coisas falsas. • Da segunda metade do capítulo 13 até o final do 14, Jó está implorando com Deus para Deus parar o que ele está fazendo—tratando Jó como um inimigo. Primeiro, vamos à resposta de Jó aos amigos. Essa é a resposta mais longa de Jó até agora. E a mais nervosa também. Jó está cansado de ouvir essas acusações falsas—de que ele tem algum pecado escondido. Agora ele parte para o ataque. 1. JÓ REPREENDE OS AMIGOS (12:1-13:12) Jó tem 3 argumentos para provar que a teologia deles é uma teologia que só quem vive de olhos fechados pode abraçar. ARGUMENTO #1: MUITAS VEZES, OS BONS SE DÃO MAL E OS MAUS SE DÃO BEM (12:1-12) Diferente do que os amigos insistem. [1] Então Jó respondeu: [2] Na verdade, vocês são o povo, e com vocês morrerá a sabedoria. Jó começa sendo sarcástico: “Uau, vocês são muito sábios. O dia em que vocês morrerem, o mundo vai ficar sem sabedoria. Como nós vamos sobreviver sem vocês, o trio dos sabichões da Terra!?” Antes de atacar de novo, ele se defende: [3] Mas eu também tenho entendimento; em nada sou inferior a vocês. Quem não sabe coisas como essas? Agora vem o ataque. Vocês lembram o fundamento do pensamento dos amigos de Jó: “Deus sempre pune os maus. Se você está sofrendo, é porque você está em pecado”. Jó fala: “Ah é!? Então me explica isso”: [4] Eu sou motivo de riso para os meus amigos — eu, que invocava a Deus, e ele me respondia; o justo e o reto são motivo de riso. Jó está dizendo: “Eu sou um exemplo de que a teologia de vocês não funciona! Eu sou um homem bom—que temia a Deus—, mas que estou sofrendo humilhação. Agora ele ataca o outro lado da teologia deles: muitas vezes, são os maus é que se dão bem: [6] Os opressores têm paz em suas tendas, e os que provocam a Deus estão seguros; o deus deles é a sua própria força. Jó está expondo a cegueira do conselho dos amigos. Sinceramente, a única maneira de alguém defender essa ideia de que os “maus sempre se dão mal e os bons sempre se dão bem” é se a pessoa andar pelo mundo de olhos fechados. • O mundo está cheio de ateus e falsos mestres que tem um travesseiro fofo, uma saúde forte, uma casa boa, um conta bancária cheia de números. • E o mundo está cheio de adoradores do Senhor que estão mal. Esses dias eu recebi a notícia de que um irmão nosso teve a oportunidade de assinar um documento com uma fraude para beneficiar a empresa em que ele estava. Ele disse: “Não, eu não posso assinar isso. Seria errado”. Sabe o que aconteceu com ele? Ele foi demitido. Ele sofreu, não por causa do pecado. Foi exatamente o contrário! Agora ele está desempregado porque ele foi fiel, e não pecou! E os desonestos vão achar um outro que assine o documento falso. Nós vivemos em um mundo injusto. Eu pulei o versículo 5. Jó repreende a atitude deles também: [5] No pensamento de quem está seguro [ele está falando dos amigos dele] há desprezo pela desgraça, um empurrão para aquele cujos pés já vacilam. Esse é o jeito de Jó falar: pimenta nos olhos dos outros é refresco. Eu estou escorregando nas minhas lágrimas, não consigo para em pé, e em vez de vocês segurarem, vocês vem e me empurram. Em vez de me consolar, vocês me condenam. Essa ideia de que “os maus sempre se dão mau e os bons sempre se dão bem” é tão absurda que até os elefantes e os pardais, se eles pudessem falar, ensinariam a eles uma teologia melhor: [7] Mas pergunte agora aos animais, e cada um deles o ensinará; pergunte às aves do céu, e elas lhe contarão. [8] Ou fale com a terra, e ela o instruirá; até os peixes do mar lhe contarão. [9] De todos estes, quem não sabe que a mão do Senhor fez isto? Todo mundo sabe que a mão do Senhor governa o mundo que ele fez. Até os animais sabem disso. Deus é Deus. Deus nunca comete injustiças, mas Deus é soberano sobre os injustos e suas injustiças. A vida de cada um de nós, junto com todas as moléculas desse Universo, estão nas mãos de Deus. [10] Na sua mão está a vida de todos os seres vivos e o espírito de todo o gênero humano. A experiência da nossa vida—é só você abrir os olhos—prova que os amigos de Jó são como os fariseus do tempo de Jesus. Eles são guias cegos que vão levar as pessoas cair: o mundo está cheio de gente boa sofrendo e gente má se dando bem. E Deus está por trás de tudo. O segundo argumento de Jó (a partir do versículo 13) para provar que a teologia simplista deles é incapaz de nos ajudar a entender a nossa vida é que: ARGUMENTO #2: DEUS É IMPREVISÍVEL (12:13-25) O mundo é muito mais complicado do que eles pensam. Deus muitas vezes usa o poder e a sabedoria dele de uma forma destruidora—como fez com Jó—e ninguém sabe explicar por que (apesar do amigos acharem que sabem). [13] Com Deus estão a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento. Jó e seus amigos (e nós!) concordamos que “com Deus estão a força e a sabedoria”: • Deus tem a sabedoria para saber exatamente o que fazer. • E ele tem o poder para fazer o que ele sabe que tem que fazer. Não existe nenhuma limitação em Deus. Mas aqui vem a divergência. Os amigos de Jó acham que eles podem explicar tudo nessa vida, incluindo todo o sofrimento desse mundo. E todas as tragédias e mortes e desastres na natureza. Jó não concorda. Deus é muitas vezes imprevisível. Ele usa a força e a sabedoria dele para criar calamidades e ninguém é capaz de entender tudo. [14] O que ele derruba não pode ser reconstruído; (...) [15] Se ele retém as águas, elas secam; se ele as solta, elas devastam a terra. Quem de nós é capaz de explicar e prever tudo o que Deus irá fazer no mundo? Aparentemente os amigos de Jó conseguem. Jó usa agora vários grupos de pessoas em posição de liderança—poderosos aos olhos dos homens—mas que Deus derruba com um sopro como se eles fossem um castelo de cartas. [17] Ele leva os conselheiros embora, descalços, e faz os juízes de tolos. Nos versículos 18 a 21, ele fala de reis e sacerdotes e anciãos e príncipes e poderosos. Os líderes desse mundo são com peças de xadrez nas mãos de Deus. E Deus coloca as peças onde ele quer. E ele sempre vence. Não só líderes, mas Deus faz isso com nações inteiras: [23] Deus engrandece as nações e depois as destrói; dispersa-as e de novo as congrega. Deus é imprevisível. Esse é o ponto de Jó. Essa teologia que se propõe a explicar tudo o que Deus está fazendo é, no melhor caso, simplista demais. No pior caso, pura arrogância. A verdade é que existe muito mistério em como Deus governa o mundo. A teologia de Jó é melhor que a dos amigos. Às vezes, reconhecer que você sabe menos é sinal de sabedoria. Jó está usando desse argumento—do poder destruidor e imprevisível de Deus—para se defender diante dos seus amigos. É como se Jó estivesse dizendo: “Vocês não são capazes de explicar o meu sofrimento. Deus usa o poder dele para derrubar as pessoas—como ele está fazendo comigo!—e ninguém sabe o porquê. Eu estou cansado de falar com vocês! Eu quero falar com Deus!” Que é o que parece que vai acontecer no início do capítulo 13. Jó repete o que ele disse no início do capítulo 12. Jó 13:[1] Eis que os meus olhos viram tudo isso, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam. [2] O que vocês sabem eu também sei; em nada sou inferior a vocês. E fala do desejo dele de lidar diretamente com Deus: [3] Mas falarei ao Todo-Poderoso e quero defender-me diante de Deus. Mas foi um alarme falso. Jó ainda não vai falar com o Todo-Poderoso. Ele guardou um último ataque contra os seus amigos. Ele tem mais um argumento contra a teologia cega deles ARGUMENTO #3: VOCÊS DEFENDEM A DEUS COM MENTIRAS Jó está nervoso: [4] Vocês, porém, cobrem a verdade com mentiras; todos vocês são médicos que não valem nada. [5] Quem dera vocês ficassem completamente calados! Vocês poderiam passar por sábios! O problema é que eles abrem a boca, sai um monte de besteira, e todo mundo fica sabendo que eles são tolos. Eles só aumentam a dor de Jó com palavras duras e acusações e mentiras. [7] Será que vão dizer perversidades em favor de Deus? Vão dizer mentiras a favor dele? [8] Serão parciais por ele? Argumentarão a favor de Deus? Até o versículo 10, a acusação que Jó tem contra os seus amigos é a seguinte: vocês criaram esse esquema teológico de que Deus é justo e por isso se alguém sofre é porque essa pessoa está merecendo sofrer porque ela pecou. Esse não é o meu caso. Vocês mentem para defender a justiça de Deus! É bom nos lembrarmos que Deus, no final do livro de Jó, Deus concorda com Jó e não com os amigos. Jó, então, vira a mesa: os amigos dele querem colocar medo em Jó dizendo que ele é um pecador que esconde os pecados diante de Deus. Jó diz que eles que estão pecando e eles que deveriam ter medo de Deus e falar esse monte de besteira em nome de Deus. [11] A grandeza dele [de Deus] não os amedrontaria? E o terror dele não cairia sobre vocês? [12] As máximas de vocês são provérbios de cinza [esfarelam na mão]; as defesas de vocês são muralhas de barro. É só empurrar um pouco que ela cai no chão e quebra. Foi o que Jó fez. Ele derrubou a muralha de barro da teologia deles com 3 empurrões—3 argumentos: 1. Pessoas que amam o Senhor também sofrem. 2. Deus governa de forma imprevisível. 3. Vocês mentem só para manter a definição de justiça de Deus (errada!) que vocês têm. Chega! Vocês são guias cegos e não me ofereceram nada de útil. Eu quero falar com Deus. Esse é o espírito de Jó. Nós entramos em uma transição. Do versículo 13 ao 19, Jó está se preparando para falar com Deus. TRANSIÇÃO: DOS AMIGOS PARA DEUS (13:13-19) [13] Calem-se diante de mim, e eu falarei; que venha sobre mim o que vier. [14] Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a minha vida nas minhas mãos. Mas é nessa transição que Jó entra em uma montanha-russa. A partir do versículo 15 (até o final do próximo capítulo!), Jó vai passar por muitos altos e baixos. Em alguns momentos, ele está lá no alto—mais perto do céu (com esperança), e em outros momentos ele está embaixo, mais perto do fundo do poço, querendo morrer. Ele começa no alto. O versículo 15 não parece muito com alguém que está no alto: [15] Eis que ele me matará, já não tenho esperança; mesmo assim defenderei a minha conduta diante dele. Mas se você está usando uma Bíblia da igreja (NAA), você vai perceber que nesse versículo que logo depois da palavra “esperança” tem um número 1. Se você for para o final da página, você vai ler o seguinte: 113:15 Uma variante textual traz ainda que ele me mate, nele esperarei. Essa é a tradução considerada tradicional. É a tradução da NVI e várias outras traduções da Bíblia. AINDA QUE ELE ME MATE! Essa diferença de tradução está em uma letra do texto original—em hebraico. Essa letra diferente muda a tradução de “NÃO esperarei” para “NELE esperarei”. Eu entendo que nós devemos seguir a tradução que está no final da página—que é a tradução mais tradicional: “Ainda que ele me mate, nele esperarei”. Ela casa melhor com o versículo seguinte, que é mais positivo: [16] Também isto será a minha salvação: o fato de um ímpio não comparecer diante dele. Isso significa que, neste ponto, Jó está no alto. Jó está dizendo: “Ainda que Deus me mate, eu não vou parar de confiar nele. Eu não vou parar de esperar nele. O meu Deus pode me destruir, eu nunca vou abandoná-lo”. Essa é uma declaração impressionante de fé: Jó reconhece que Deus está por trás do sofrimento dele. Como a mãe do Shane reconheceu no hospital E como você reconhece na sua vida, crente. Você sabe que Deus está no controle do seu sofrimento, que de alguma maneira, ele está causando a dor, e ainda assim, o que você faz é correr para ele. O crente tem uma confiança no amor de Deus, mesmo quando o amor dele dói. A atitude de Jó se parece com a experiências que, às vezes, os pais têm quando disciplinam seus filhos. PAIS E FILHOS Você ama demais aquela criança fofa. Mas ela desobedeceu. Você precisa ensiná-la que o pecado tem consequência. Você a leva para o quarto e explica: “Você desobedeceu o papai. Isso não honra o Senhor”. Você coloca ela no colo e dá uma palmada—o suficiente para ser um pequeno alerta, não para machucá-lo. Com os mais dramáticos, é aquela choradeira. Mas qual é a primeira coisa que ele faz? Ele vai na minha direção e me abraça e se agarra no meu pescoço. Ela não foge. Não vira as costas para mim. Não pensa em me dar uma palmada também. Eu causei uma dor nele, e ele corre para mim. Esse é Jó com Deus. Esse somos nós com Deus Pai. Deus não está disciplinando Jó. A dor de Jó não é por causa do pecado. Mas o princípio se mantém: Jó vai em direção daquele que lhe causou dor. Ainda que ele me mate, nele esperei. A IMORTALIDADE DA FÉ Essa é uma das declarações mais poderosa de fé em toda a Bíblia. Essa declaração de Jó prova que Satanás estava errado: Jó não confia em Deus só porque Deus deu um monte de coisas para ele. Jó confia em Deus mesmo que Deus tire tudo dele—até a vida! Uma pessoa religiosa que não é salva não faz isso. Ele quer Deus só por causa das coisas que Deus pode dar para ela nessa vida. Mas Jó não é um religioso não-convertido. Jó é um adorador-sofredor. Se você estava pensando: “Poxa, Jó começou tão bem! Ele estava lidando tão bem com o sofrimento!” O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:21) Mas Jó agora está tão confuso e tão frustrado. Onde foi parar aquela fé de Jó? A fé de Jó não foi parar em lugar nenhum. Ela continua no coração dele. No coração regenerado dele. No novo coração que Deus deu a ele. Jó está aplicando essa verdade—O Senhor dá, O Senhor toma, bendito seja o nome do Senhor!—a ele mesmo. Ele fez essa declaração de adoração quando Deus tirou a vida dos filhos. Agora ele aplica a ele mesmo: Ainda que ele me mate [—e tire a minha vida], nele esperei. Qual é a explicação para você correr em direção a quem feriu você? O que faz uma pessoa ter certeza de que Deus está por trás daquela dor e, ainda assim, correr para o Causador da sua dor? A explicação não é uma explicação natural. Pessoas naturais não vivem assim. A explicação é uma obra sobrenatural do Espírito de Deus. Deus abriu os olhos do seu coração agora você consegue ver quem Deus é. CEGOS CURADOS Quando o Espírito remove a nossa cegueira, nós podemos até ficar com os olhos embaçados por causa das lágrimas, nós podemos até ficar com os olhos fechados por um tempo por causa da dor, mas em algum momento, nós vamos abrir os olhos e ver—pela fé—aquele que nos amou e se entregou por nós naquela cruz. • O cristão é alguém que foi tão cativado pela beleza de Deus, • tão capturado por esse Deus de amor e poder; • o cristão é aquele que foi tão consumido por Cristo, que nada nesse mundo consegue rasgar a união que ele tem com o seu Senhor. A fé é um fenômeno tão resistente na alma de um cristão que nem a própria morte consegue remover essa realidade dele. Ainda que ele me mate, nele esperei. JÓ É UMA SOMBRA Mas Jó é mais do que um exemplo para nós. Jó funciona também como uma sombra daquele que virias sofrer por nós. Jó aponta para Jesus. Ouvir Jó dizendo: “Ainda que ele me mate, eu esperarei nele” é um eco do Senhor Jesus no Getsêmani. Com a alma ainda mais angustiada do que de Jó ou qualquer outro ser humano, prostrado no chão, suando sangue, Jesus disse: — Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice! [O cálice da morte] Contudo [“Ainda que o Senhor me mate”], não seja como eu quero, e sim como tu queres (Mateus 26:39)—“Eu confiarei no Senhor”. Ouvir Jó a ponto de ser morto por Deus e dizendo—“nele esperarei—é ouvir o Senhor Jesus no Getsêmani. O sofrimento e a fé de Jó nos preparam para receber o nosso Salvador que sofreu e esperou em Deus, ainda que Deus tenha tirado toda a vida dele. É para esse Deus que Jó está olhando. É esse Deus que Jó quer seguir. TRAJETO NÃO RETO Mas a trajetória da fé não é uma linha reta. Não é uma escada que você sempre sobe. Essa trajetória se parece mais com uma montanha-russa. Nesse ponto, Jó está mais no alto. Ele termina essa transição antes de falar com Deus com ousadia: [18] Tenho já bem-encaminhada minha causa e estou certo de que serei justificado. Jó está confiante de que será justificado. Ele tem uma defesa preparada para convencer Deus de que ele não deveria estar sofrendo dessa maneira. É verdade que Jó está frustrado com Deus também, mas a maneira como ele fala com Deus é diferente da maneira como ele fala com os amigos. Existe uma reverência de crente no coração de Jó. 2. JÓ RECLAMA COM DEUS (13:20-14:22) Os amigos de Jó ficam para trás. Agora Jó vai lidar diretamente com Deus. Ele começa fazendo dois pedidos: PEDIDOS INICIAIS (13:20-28) [20] Concede-me somente duas coisas, ó Deus, e assim não me esconderei de ti: [21] tira a tua mão de cima de mim, e não me amedronte o teu terror. Jó vê Deus como se fosse um urso bravo que está preso junto com você em uma jaula. Você está constantemente com medo de ser atacado. Mas ainda assim, Jó quer falar com Deus. É como se o sofrimento, por lado, empurrasse você para longe de Deus, mas a sua fé puxa você de volta e você quer entender do Senhor o que está acontecendo. Jó tem mais pedidos: [22] Interpela-me, e eu responderei; ou deixa-me falar, e tu responderás. Jó vai começar a descer na Montanha-Russa da Esperança. Conforme ele começa a falar com Deus, ele começa a ir para baixo de novo. Jó foi realmente contaminado pela teologia dos amigos. Ele não concorda que a explicação para todo sofrimento é que Deus está punindo aquela pessoa porque ela pecou. Ele rejeita essa teologia. Mas ao mesmo tempo, a mente dele às vezes opera dessa maneira: [23] Quantas culpas e pecados tenho eu? Mostra-me a minha transgressão e o meu pecado. (...) [26] Pois decretas contra mim coisas amargas e me atribuis as culpas da minha mocidade. No versículo 24, Jó pergunta para Deus: [24] Por que (...) me consideras teu inimigo? Jó vê a Deus como alguém que ficou anotando os pecados dele por todos esses anos e agora resolveu derramar tudo de uma vez nele. O capítulo 13 termina com Jó se comparando (no final do versículo 28): [28] (...) como a roupa que é comida pela traça. Esse pensamento de se enxergar como alguém que é consumido rapidamente—como uma camisa sendo comida por traças—faz ele entrar em uma reflexão sobre a brevidade da vida no capítulo 14. O capítulo começa com essa reflexão pessimista (mas realista também!) sobre a vida: A BREVIDADE DA VIDA (14:1-12) [1] O ser humano, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. [2] Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece. (...) [5] Visto que os dias do ser humano estão contados, o número dos seus meses está nas tuas mãos; traçaste limites além dos quais não passará. A vida é tão curta! E tão imprevisível. Que o Senhor nos dê um coração sábio para contarmos nossos dias e não desperdiçarmos nosso breve tempo aqui. Mas como Jó vê Deus de forma tão negativa, Deus não é alguém que cuida de nós, mas alguém que nos vigia para destruir. Como ele tinha chamado Deus no capítulo 7 de “Espreitador da Humanidade” (Jó 7:20). E, então, ele faz mais um pedido: [6] Desvia dele o teu olhar, para que tenha repouso, até que, como o trabalhador, tenha prazer no seu dia. Segura. A Montanha-Russa da Esperança de Jó agora vai acelerar. Mas vai acelerar para baixo. Ele usa a natureza para mostrar que até as árvores têm mais esperança que os humanos. Olha a comparação que ele faz: [7] Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, voltará a brotar, e não cessarão os seus rebentos. [8] Se as suas raízes envelhecerem na terra, e o seu tronco morrer no chão, [9] ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova. Não é verdade? Uma árvore é cortada. Fica o toco. Com o tempo, com água, a árvore “ressuscita”. Ela tem uma segunda vida. Com o ser humano não é assim: [10] Mas [mas, diferente das árvores], se alguém morre, fica prostrado; o ser humano expira e para onde vai? [11] Como as águas do lago evaporam, e o rio se esgota e seca, [12] assim o ser humano se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono. Se o Senhor nos cortar a vida, acabou. Nossos dias nesse mundo acabaram para sempre. Neste ponto, Jó está com os olhos só na morte e nesse mundo. Jó não está olhando para o céu e para Deus como ele deveria. A conclusão dele é: “O ser humano morre e acabou. Essa é a minha vida aqui. Viver desse jeito não é vida”. Às vezes os crentes chegam nessa escuridão. Mas a trajetória da esperança de Jó na Montanha-Russa ainda não terminou. Esse ponto tão baixo não é o fim. Jó começa a subir, de novo! O Senhor ressuscita a esperança dele na ressurreição: A RESSURREIÇÃO DA ESPERANÇA NA RESSURREIÇÃO (14:13-17) [13] Quem dera [Ouça a esperança! Quem dera!] me escondesses na sepultura e me ocultasses até que a tua ira passasse! Quem dera me fixasses um prazo e depois te lembrasses de mim! Jó não desistiu. Ele se desespera sem desistir. “Quem dera!” é a virada da montanha-russa para cima. Para a direção do céu. Para uma nova vida. Para a ressurreição. Jó cria um cenário hipotético onde ele fica escondido na sepultura—morto, esperando a ira de Deus passar. A ira de Deus passa, e Deus se lembra de Jó, chama a Jó. Como Jesus chamou Lázaro da sepultura: “Lázaro, venha para fora!” (João 11:43) e Lázaro se levantou e viveu de novo. O cenário que Jó cria é mais real do que ele imagina. [14] Quando alguém morre, será que volta a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que viesse a minha mudança. Essa palavra mudança poderia ser traduzida como renovação. A mudança de volta à vida—a minha ressurreição. Veja se a experiência de Jó não se parece com a experiência de Lázaro saindo do túmulo com o chamado de Jesus: [15] Tu me chamarias, e eu te responderia; terias saudades da obra das tuas mãos; Vocês percebem o caráter pessoal dessas palavra: “TU ME chamarias, e EU TE responderia”. Isso é relacionamento pessoal com Deus. Isso é fé. Me permitam fazer algumas perguntas pessoais para nós: • Nós podemos dizer isso sobre o nosso relacionamento com Deus? • Deus é para mim é um sistema religioso ou ele é o meu Pai, meu Deus, que me chama e eu respondo? • Eu vou na igreja porque é a coisa certa a fazer no domingo? Ou por que eu amo a Deus e a Palavra dele e as pessoas que ele colocou na minha vida? • Eu leio a Bíblia porque é simplesmente o meu dever ou porque eu amo o Deus da Bíblia e o Salvador Jesus que ela revela? A fé é uma realidade espiritual pessoal. Se você não experimentou essa fé, vá até o Senhor peça para ele perdão, peça ajuda, e coloque sua fé no Cristo crucificado pelos seus pecados. É você não será nunca mais um pessoa natural. O que Jó faz agora é impressionante. A montanha-russa está acelerando, mas agora na direção certa—para o alto, para o céu, para Deus—para a salvação. Jó está pregando o evangelho para ele mesmo! O EVANGELHO DE JÓ [16] e até contarias os meus passos e não levarias em conta os meus pecados. [17] A minha transgressão estaria selada num saco, e terias encoberto as minhas iniquidades. • Segunda parte do versículo 16: Isso não é o evangelho? Deus não levando em contas os seus pecados porque o seu Rei já pagou por todos eles na cruz! • Primeira parte do versículo 17: Isso não é o evangelho? Deus colocando a sua transgressão no saco gigante da graça e lançando-o no mar e o seu pecado vai parar no fundo do mar e aquele peso enorme da sua culpa não está mais sobre os seus ombros! • Segunda parte do versículo 17: Isso não é o evangelho? Deus encobrindo as suas iniquidades com o sangue de Cristo, e porque agora cada milímetro da sua montanha de pecados está banhada de vermelho com o sangue de Cristo, tudo está coberto e pago e você está justificado diante do Juiz de toda a terra! Jó pregando o evangelho para Jó—e para nós! Jó reconhece que o pecado é um problema. Jó não entende por que Deus está tratando ele dessa forma. Jó está contaminado pela teologia dos amigos, mas nisso Jó está certo, que: • Mesmo que você tenha pecado, Deus é capaz de não levar em conta se você crê nas promessas de perdão em Cristo. • Mesmo que você tenha pecado, Deus é capaz de selar sua transgressão, cobrir sua iniquidade, e você pode ficar na presença de Deus sem medo. Ele não vai destruir você porque ele já destruiu o seu pecado no corpo do Filho ele. No caso de Jó, era um futuro certo. No nosso caso, é um passado certo. Mas de qualquer forma, seja você um crente do Antigo Testamento ou um crente do Novo Testamento, o lugar onde Deus lida com o seu pecado é o mesmo: a cruz de Cristo—a morte do Deus Filho no lugar. Que lindo é ouvir Jó pregando o evangelho! É por isso que ele está com mais esperança. É por isso que ele está indo para o alto na montanha-russa: porque ele está pregando verdades sobre o que Deus fez e faz e fará por nós em Cristo Jesus. A fé é um fenômeno tão resistente na alma de um cristão que nem a própria morte consegue remover essa realidade dele. Mas a trajetória da fé não é uma linha reta. Jó despenca de novo. O carro da montanha-russa volta a descer, e a descer com força. De novo, mais um “mas!” no início do versículo 18, e a direção do coração de Jó muda para baixo. A MORTE DA ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO (14:18-22) Deus me chamaria, Deus me perdoaria, Deus me salvaria, mas... [18] Mas como o monte que desmorona e se desfaz, e a rocha que se move do seu lugar, [19] como as águas gastam as pedras, e as cheias levam o pó da terra, assim destróis a esperança humana. Jó deprimido de novo. [20] Tu prevaleces para sempre contra o ser humano, e ele passa; mudas o semblante dele e o despedes. [21] Os seus filhos recebem honras, e ele não sabe; são humilhados, e ele não percebe. [22] Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e a sua alma lamenta apenas por si mesma. Parecia que ele estava melhor. Mas de novo entraram esses pensamentos ruins sobre Deus e a vida e o mundo. E agora Jó não está mais pregando o evangelho para ele. Ele voltou a pensar em Deus como um Destruidor, não como um Salvador cheio de amor. Isso explica por que ele está mal. Cristão, o que você pensa determina como você se sente. Pensamentos sobre o perdão de Deus em Cristo vão fazer você subir—sua alma se elevar a Deus: • Pensamentos sobre a vitória de Cristo sobre o mal e a morte, • E a promessa de que você irá viver para sempre com o seu Senhor, • E você, em breve, nunca mais irá pecar porque você está com seu Rei na glória—esse pensamentos levam você para o alto e você sobe na Montanha-Russa da Esperança. Mas se você criar pensamentos em sua mente que não são verdadeiros — "Deus não se importa, minha vida sempre será assim, nada faz sentido” — você irá descer. CONCLUSÃO Mas evangelho significa boas-notícias. E a boa-notícia é que nenhum crente para no meio do caminho. Jó terminou o capítulo 14 no fundo. Mas esse não é o último capítulo da história dele. O Senhor Jesus prometeu não deixar nenhuma ovelha para trás. Ele irá levar todas para casa. Ele disse: De fato, a vontade de meu Pai é que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia (João 6:40). O desejo de Jó de ser justificado e ressuscitado foi selado por aquele que morreu e ressuscitou. O mesmo que comprou a sua ressurreição, cristão. Mas cristão, é muito importante você entender que a trajetória da sua vida—da sua fé e da sua esperança—é como uma montanha-russa. Você vai para baixo e para cima. Às vezes você fica até de cabeça para baixo. Às vezes, de repente, sua vida dá uma virada para onde você nunca imaginou ser possível. Como a vida de Jó. Mas tem mais um fato importante: assim como toda montanha-russa, se você se segurar e perseverar e esperar, você vai chegar no destino final. A corrida da fé, como seus altos e baixos, é sempre um movimento em direção à Jesus, nosso destino final. Nem acontece tudo da maneira como você imaginou. Mas Deus irá levar você para o lugar que ele prometeu quando você se segurou a Cristo com fé e confiou o perdão dos seus pecados e toda a sua vida para ele. (Ilustração adaptada de: Preachers Talk - A podcast by 9Marks & The Charles Simeon Trust: On Using Analogies As Illustrations (Ep. 99), 20 Nov 2025). Ele vai ressuscitar você. Ele vai levar você para a casa. Continue segurando nele com força pela fé porque ele não vai largar você. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_8d86a77fd5514c709b78e5802fc53151~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 12-14: Ainda que Ele me Mate
O cristão, no meio da dor, em vez de correr DE Deus, ele corre PARA Deus. É a experiência mais profunda e poderosa que uma pessoa pode experimentar. Essa experiência se chama fé.

Encontrando Cristo no Antigo Testamento
Encontrando Cristo no Antigo Testamento - Conferência com David King
11 de Abril de 2026

Escola Bíblica na IBJM
Janeiro - Abril 2026 Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo
![Série em Jó: Sofrimento Soberano
15 de Março de 2026 – IBJM
Joseph Caryl foi um pastor puritano durante o século XVII. Ele pregou uma série em Jó que durou 24 anos em um total de 424 sermões. Eu estou contando o caso desse pastor para deixar vocês mais tranquilos. Alguns de vocês podem pensar—“ele vai pregar só o capítulo 11 hoje!?”. Eu não vou levar 24 anos para terminar o livro de Jó. Meu plano é levar, no máximo, 15 anos. Não... Nós vamos andar um pouco mais rápido. Meu plano é pregar 20 sermões. Bem menos que 424. De nada. Eu amo vocês também. O recheio do livro de Jó—entre o pão da introdução e o pão da conclusão—trata de uma série de diálogos entre Jó e seus três amigos. No final aparece um quarto amigo chamado Eliú. E depois de Eliú, antes do livro terminar, Deus finalmente fala com Jó. Mas a maior parte do tempo (do capítulo 3 até o 31), Jó está conversando com seus três amigos: Elifaz, Bildade e (hoje nós vamos ouvir pela primeira vez) Zofar. A temperatura das conversas está aumentando. Eu vou ilustrar a atitude de Zofar com um incidente que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. OPERAÇÃO COBRA Os aliados planejaram uma operação que eles chamaram de Operação Cobra. O objetivo era romper a barreira que os alemães tinha feito para encurralar as tropas aliadas na Normandia. Dia 24 de julho de 1944, 1.500 aviões de bombardeiro dos Estados Unidos chegaram na Normandia para lançar bombas e abrir uma brecha nas defesas dos alemães. Mas por causa da fumaça dos ataques do dia anterior e alguns erros humanos, alguns pilotos lançaram as bombas no lugar errado. Em vez de acertar as tropas alemães, eles acertaram o próprio exército americano que estava no solo. Eles acabaram matando o general, mais de 100 soldados e quase 500 ficaram feridos. Esse tipo de erro militar, quando um país mata (sem a intenção) pessoas do seu próprio país, ficou conhecido como Fogo Amigo. É o que Zofar está fazendo. Zofar está disparando fogo amigo contra Jó. Ele não tem uma intenção má. Mas ele está derrubando Jó. Ele está matando Jó com as palavras dele. Não basta ter boa intenção. Nossos palavras precisam refletir a verdade. A verdade de quem Deus é e como ele se relaciona conosco. A fumaça da nossa ignorância e da nossa arrogância pode nos levar a causar grande estrago em nossos relacionamentos—incluindo pessoa que nós amamos—dentro de casa e dentro da igreja. O MAIS FRIO DOS TRÊS Eu disse que a temperatura das discussões está aumentando, mas pode dentro, Zofar é o mais frio dos 3 amigos. O coração dele é uma enorme pedra de gelo—duro e frio. Jó dele perde tudo o que ele tinha, perde todos os 10 filhos, está com o corpo coberto de tumor do pé a cabeça e Zofar usa as palavras dele para fazer uma coisa: atacar Jó. Quem tem amigos assim não precisa de inimigos. Vocês vão ouvir um sermão em um texto que Deus diz que está errado. São palavras inspiradas por Deus. Ele quer nos ensinar através da resposta de Zofar. Mas ele quer nos ensinar como não falar e como não sentir e como não pensar sobre quem Deus é e sobre quem nossos amigos em Cristo são. Na resposta de Jó nos capítulos anteriores, nós vimos que os pensamentos de Jó não estavam muito organizados. O quebra-cabeça de 1.000 peças que Jó tinha montado com a imagem de Deus foi embaralhado e misturado. Jó está confuso. Zofar é como Bildade e Elifaz. Eles não estão confusos. Na verdade, eles parecem bem convictos do que eles pensam. Mas só porque alguém tem certeza de que está certo não significa que essa pessoa está certa. Zofar é também bem-organizado. Se você olhar para o texto, você vai conseguir perceber a resposta bem arrumada de Zofar. Ele está fazendo 3 coisas com Jó: • Do versículo 1 ao 6, ele faz uma acusação. • Do versículo 7 ao 12, Zofar dá uma aula. Uma aula de teologia. • E do 13 até o 20, ele termina pregando um sermão para Jó. 1. UMA ACUSAÇÃO (vv. 1-6) Zofar começa atirando—disparando contra Jó: [1] Então Zofar, o naamatita, tomou a palavra e disse: [2] Será que todas essas palavras ficarão sem resposta? Por acaso, tem razão o falador [chamando Jó de tagarela]? [3] Você pensa, Jó, que o seu palavreado fará calar os homens? E, quando você zomba, pensa que não haverá ninguém que o envergonhe? Eu sei que nós não temos o tom de voz no papel, mas só de ler essas palavras nós conseguimos ouvir os batimentos cardíacos de Zofar mais acelerados. Ele está inconformado, irado, alterado com Jó. A mente de Zofar não está em consolar Jó, em ajudar Jó a lidar melhor com a dor e os pensamentos dele. A mente de Zofar está em vencer a discussão. Provar que ele está certo e provar que Jó está errado. Esse não é o lugar certo do nosso coração se nós quisermos ajudar as pessoas. Quando o nosso coração está nesse lugar—irado, alterado—nós não conseguimos realmente ouvir o que as pessoa estão dizendo. Nós só ficamos pensando no que nós vamos responder. Espingarda engatilhada só esperando a hora de interromper, elevar a voz, disparar de volta e vencer a disputa derrubando meu adversário—que, na verdade, é uma pessoa que eu amo, mas estou tratando como se fosse meu adversário. Isso é fogo amigo. Ah, mas você também... E você sempre faz a mesma coisa... Você nunca fala nada de bom... Você já fez isso em uma discussão ou em um conflito? Eu não estou realmente ouvindo a pessoa e me colocando no lugar dela. Eu estou só esperando uma brecha nas palavras para entrar e atirar, como meus olhos cheio de fumaça por causa do meu orgulho. Se nós queremos ajudar crentes sofrendo que estão falando o que não devem—como é o caso de Jó e de tantas pessoas à nossa volta—nós precisamos colocar as espingardas no chão e nos armarmos de oração, amor e um ouvido amigo. Veja a prova do crime de Zofar. A prova de que ele não está nem ouvindo o que Jó está falando: [4] Pois você diz: ‘A minha doutrina é pura, e sou limpo aos olhos de Deus.’ Vocês sabem quando Jó falou isso? Nunca. Nenhuma vez. Não foi isso que Jó disse. Jó nunca disse que a doutrina dele é pura. Jó está bem confuso. E Jó nunca disse: “eu sou limpo aos olhos de Deus”—como se ele não tivesse nenhum pecado: perfeição. Jó disse que ele é inocente no sentido de que ele não cometeu um pecado que justificasse esse sofrimento tão grande, mas não que ele é “limpo”—completa perfeição. Jó sabe que ele é um pecador. Mas Jó sabe também que ele é um adorador—um crente verdadeiro. Foi só isso que ele disse. Zofar representa Jó falsamente. Nós precisamos tomar cuidado, mesmo quando nós discordamos de alguém, de não colocar palavras na boca daquela pessoas que ela não falou como Zofar está fazendo. Nossos sentimentos mais aflorados nos levam a fazer isso. E isso não é certo. Zofar continua acusando Jó e ainda pensa que Deus está junto com Zofar querendo derrubar Jó. [5] Mas quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra você, [6] e lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme! Zofar quer que Deus fale com Jó. Jó também quer falar com Deus. Mas Jó quer falar com Deus para se defender. Mas Zofar está seguro de que Deus irá condenar Jó. Que amigo é esse Zofar! Mas o pior ainda está por vir. Eu não acredito que Zofar fez isso: Final do v.[6] (...) Saiba, portanto, que Deus permite que seja esquecida parte da sua iniquidade. Ou, como uma outra tradução da Bíblia diz: Saiba, portanto, que Deus impõe a você menos do que a sua culpa merece [ESV] Isso é crueldade. Zofar perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Ele olha para Jó, esse crente confuso, passando por um sofrimento enorme, e ele diz: “Jó, fique sabendo, meu amigo, que você está recebendo ainda menos do que você merece. Você deveria sofrer ainda mais por causa do seu pecado. Jó, você merece uma vida ainda pior”. Como a vida de Jó poderia ser ainda pior? O que mais Deus poderia ter feito com Jó? (Talbert, Beyond Suffering, 107). Jó está segurando a vida por uma corda fina e Zofar acha Jó perde ainda mais dor. Às vezes, quando eu pergunto para alguém: “Como você está?”, a pessoa responde: “Melhor do que eu mereço”. Eu diria que essa é uma resposta teologicamente correta. Não tem nenhum problema você responder assim. Demonstra um coração que reconhece que não merece nada do Senhor e Deus tem sido misericordioso. Mas não vamos aplicar esse pensamento para alguém que está no meio de uma grande dor. Alguém está chorando por alguma perda: “Meu amigo, você sabe que, por causa do seu pecado, sua vida deveria ser pior”. Ainda mais quando não existe uma relação direta entre o sofrimento daquela pessoa e um pecado dela, como é o caso de Jó e o caso de muitos de vocês. A névoa da ignorância e da arrogância de Zofar impede que ele veja Jó corretamente—com os olhos do amor, da graça e da verdade. Nesse mundo, ser acusado injustamente é uma experiência tipicamente cristã. Cristo, nosso Senhor, foi acusado de maioral dos demônios. Na cruz, debocharam dele. É difícil ser acusado injustamente, mas não deveríamos ficar surpresos. Zofar é um poço de insensibilidade. Ele chega a ser cruel. Um exemplo para nós de como não lidar com cristãos que sofrem, mesmo quando eles falam algumas coisas que não deveriam. Que cada um de nós: [E]steja pronto para ouvir, mas seja tardio para falar e tardio para ficar irado (Tiago 1:19). Incluindo as pessoas que estão iradas. Essa é uma arte espiritual difícil, mas possível com a ajuda do Senhor. Zofar terminou a acusação. Agora ele resolve dar uma aula para Jó. Uma aula sobre Deus. Nem tudo na teologia de Zofar é ruim. Zofar pega o início do versículo 6: [6] e [Deus] lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois a verdadeira sabedoria é multiforme! E ele expande em uma aula. Zofar fala para Jó puxar a cadeira e se sentar que agora o professor Zofar irá ensinar sobre a verdadeira e multiforme sabedoria de Deus: 2. UMA AULA (vv. 7-12) [7] Será que você pode desvendar os mistérios de Deus ou descobrir a perfeição do Todo-Poderoso? Não, ninguém pode. Esse é um bom ponto, Zofar. [8] A sabedoria de Deus é mais elevada do que os céus; o que você poderá fazer? Nada. É verdade. Zofar, você tem razão. Continuação do v.[8] (...) Ela é mais profunda do que o abismo; o que você poderá saber? É verdade também. Zofar tem razão de novo. [9] A sua medida é mais longa do que a terra e mais larga do que o mar. Qual é o problema no que Zofar disse? Nenhum. No conteúdo, nesse ponto da teologia dele, ele está certo. Ele parece até o apóstolo Paulo em Romanos 11 (Ash, Job, 133): Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos! “Pois quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? (Romanos 11:33-34). Zofar está dizendo que a sabedoria de Deus é mais alta que o céu, mais profunda que o abismo, mais longa que a terra e mais larga que o mar. Deus é infinitamente sábio. Amém, Zofar. Deus é! Agora Zofar aplica essa sabedoria a Jó e a nós: [10] Se ele passa, prende alguém e chama a juízo, quem o poderá impedir? É verdade, ninguém pode impedir se Deus pegar alguém para julgar. Deus é mais forte, não tem como lutar contra Deus e vencer. Mas por que Zofar está falando isso? Agora Zofar coloca as cartas na mesa: [11] Deus conhece os homens falsos [como você, Jó] e, sem esforço, vê a iniquidade [como a sua iniquidade, Jó]. [12] Mas os tolos se tornarão sábios quando a cria de uma jumenta selvagem nascer homem. Zofar é um zombador. Não tem graça o que ele está fazendo: Sabe quando os tolos se tornarão sábios? Quando uma jumenta tiver um filho e nascer um bebê—um ser humano. Ou seja. Nunca. Zofar usa verdades sobre quem Deus é para atacar Jó. Infelizmente, para a nossa tristeza, é possível usar teologia correta da maneira errada. É possível ferir pessoas com a verdade. Infelizmente nós temos essa capacidade. • Deus é infinitamente sábio, Jó. Essa parte é verdade. • Então, Jó, ele sabe da sua falsidade e por isso pegou você para julgar e acabar com você. Essa parte não é nada verdade! Jó não está sofrendo por causa da falsidade dele. É por isso que nós precisamos de sabedoria. Nós precisamos de boa teologia—de conhecimento da Bíblia—e de sabedoria para aplicar (viver!) o conhecimento. Porque é possível usar verdades sobre Deus de maneira errada. Eclesiastes 9:18—Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas. Armas de guerra—como no caso dos 1.500 aviões de bombardeio na Segunda Guerra Mundial—sem a sabedoria necessária (sem a informação necessária) é perigoso e destrói muitas coisas boas e muitas pessoas que Deus criou. É o que Zofar está fazendo com Jó. É o que nós não queremos fazer na IBJM. TRAVE NO OLHO O que nós podemos fazer para evitar que, mesmo sem querer, nós acabamos disparando fogo amigo? Nosso Mestre pregou um sermão 2.000 anos atrás que podemos nos ajudar hoje—e teria ajudado Zofar também. Esse sermão está no evangelho de Mateus. Vamos abrir lá. Mateus 7:1-5—[1] Não julguem, para que vocês não sejam julgados. [2] Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos. [3] — Por que você vê o cisco no olho do seu irmão, mas não repara na trave que está no seu próprio? [4] Ou como você dirá a seu irmão: “Deixe que eu tire o cisco do seu olho”, quando você tem uma trave no seu próprio? [5] Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu olho e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. Esse é um dos problemas de Zofar que nós queremos evitar. Zofar julga Jó—aplica palavras duras à Jó—que ele não aplica antes para ele mesmo. E assim ele não percebe o que ele está fazendo. Ele quer humilhar Jó com a multiforme sabedoria de Deus, provando para Jó que ele não sabe nada e que a sabedoria de Deus é infinita. Mas aparentemente Zofar sabe tanto quanto Deus. Porque ele tem explicação para tudo, inclusive para o sofrimento de Jó. Ele pergunta para Jó: [7] Será que você pode desvendar os mistérios de Deus (...)? A resposta que ele espera de Jó é: “Não, eu não posso desvendar os mistério de Deus”. Mas, aparentemente, Zofar pode desvendar todos os mistérios, tanto que ele sabe que Jó é um tolo e que está cheio de iniquidade—quando nós sabemos que Jó é um homem íntegro e reto que teme a Deus e se desvia do mal, como Deus falou sobre Jó 3 vezes nos primeiros 2 capítulos. O Senhor Jesus tem a sabedoria que nós precisamos: [1] Não julguem, para que vocês não sejam julgados. [2] Pois com o critério com que vocês julgarem vocês serão julgados; e com a medida com que vocês tiverem medido vocês também serão medidos. Se Zofar tivesse aplicado para ele mesmo antes de aplicar para Jó, ele não teria desperdiçado essa oportunidade excelente de ficar calado. Antes de tirarmos o cisco do olho do nosso irmão, nós devemos nos assegurar que não tem um tronco de madeira dentro do nosso, como Jesus disse. • Para de falar desse jeito gritando comigo! Quando você está falando do jeito errado também. • Aquela fulana é fofoqueira, né? Mas você não percebe que você está fazendo uma fofoca sobre a fulana fofoqueira. Zofar está sendo ignorante (ele não tem conhecimento) e arrogante (ele não tem humildade para reconhecer que ele não tem conhecimento para julgar Jó). Essa fumaça de ignorância e arrogância na mente de Zofar impedem ele de perceber que ele está disparando contra o próprio amigo. EM NOME DE DEUS Eu vejo mais duas implicações importantes para nós aqui: Primeiro, como nós devemos ser cuidadosos para falar em nome de Deus. Se Deus falou, nós devemos falar. Mas como Calvino disse, se Deus não falou, nós devemos nos calar. Existem muitas pessoas corajosas que disparam um tal de “Eis que te digo” e dão uma profetada. Falam em nome de Deus o que Deus não falou. Mas existem versões mais sutis do mesmo problema. Nós podemos falar mais do que nós deveríamos quando nós realmente não sabemos o que Deus pensa. Em nossos conselhos. Em nossas respostas às perguntas das pessoas. Eu lembro de uma vez em uma sala de aula, no seminário, um aluno fez uma pergunta para o professor. Foi uma pergunta difícil. O professor ouviu. Parou. Ficou um tempo em silêncio. E todo mundo ficou em silêncio para ouvir o que ele iria falar. E depois de um tempo ele disse: “Eu não sei”. Uau! Isso é humildade. Foi tão encorajador ficar sem saber a resposta daquela pergunta. “Eu não sei” é uma excelente resposta quando “eu não sei”. Ninguém sabe tudo. Só Deus é Deus. Nós seremos mais amorosos se nós incluirmos mais em nosso vocabulário a essa expressão bendita de 3 palavras: “Eu não sei”, porque nós realmente não sabemos muitas coisas. Sejamos humildes e reconheçamos a nossa ignorância. Mas existe um outro lado dessa equação. Quando você está no lado de quem ouve. E essa pessoa está falando algo cheia de convicção como se fosse o que Deus pensa. Especialmente aqueles que têm uma consciência mais sensível, podem confundir a voz de pessoas que dizem falar em nome de Deus com a voz de Deus. Seria como se Jó agora começasse a acreditar que ele realmente tem um pecado escondido que ele não está confessando. Mas ele não tem! Que o Senhor nos ajude a calibrarmos a nossa consciência para ficarmos sensível ao que realmente é pecado e termos liberdade nas áreas em que Deus não disse que é pecado. Zofar terminou de dar aula. Agora ele vai pregar (Anderson, Job, 171). Ele muda o chapéu de professor para pregador. • Zofar começou fazendo uma acusação. • Depois ele deu uma aula. Uma aula sobre a infinita sabedoria de Deus—que ele esqueceu de ensinar para ele mesmo. • E ele termina—a partir do versículo 13—com um sermão. Um sermão de 8 versículos com o título: “Arrependa-se”. Esse é o tema da pregação de Zofar. 3. UM SERMÃO (vv. 13-20) [13] Se você dispuser o coração e estender as mãos para Deus; [14] se lançar para longe a iniquidade de suas mãos e não permitir que a injustiça habite na sua tenda, [Jó, se você se arrepender...] [15] então você levantará o seu rosto sem mácula, estará seguro e não temerá. Agora vêm as promessas da prosperidade. Zofar pinta um quadro bonito para a vida de Jó depois que ele se arrepender: [16] Pois você esquecerá os seus sofrimentos e só lembrará deles como de águas passadas. [17] A sua vida será mais clara que o meio-dia; ainda que haja trevas, serão como a manhã. [18] Você se sentirá seguro, porque haverá esperança; olhará ao redor e dormirá tranquilo. [19] Você se deitará, e ninguém irá atemorizá-lo; e muitos procurarão obter o seu favor. Zofar parece um pregador neopentecostal. E ele termina com uma ameaça. Prosperidade se você tiver fé e se arrepender. Versículo 20: [20] Mas [Mas!] os olhos dos ímpios desfalecerão, sem que encontrem refúgio; a única esperança deles será morrer. Que é exatamente como Jó está se sentindo: vendo a morte como a esperança dele. Zofar termina dando uma cutucada em Jó. Como se Jó precisasse disso nesse ponto da vida dele. Resumo do sermão: arrependa-se e prospere. Esse sermão de Zofar muito ruim. E vejam que triste ironia: Zofar acha que está falando em nome de Deus, mas as palavras dele se parecem mais com as palavras de Satanás. A maneira de Zofar pensar é a maneira como Satanás pensa (Hartley, 204; Ash, 158). ZOFAR E SATANÁS Qual foi a acusação de Satanás nos primeiros capítulos de Jó? Satanás disse: “Jó só adora o Senhor porque o Senhor colocou uma cerca em volta de vida dele. Ele tem tudo do bom e do melhor. Jó é um interesseiro. Tire as coisas boas de Jó e a fé dele vai embora também”. Agora vem Zofar e diz para Jó buscar o Senhor para ter uma vida tranquila de novo. Para ter as coisas boas de volta. Vocês percebem? Se Jó acreditar na pregação de Zofar, Jó irá provar que Satanás tinha razão—que Jó realmente só quer Deus porque ele quer as coisas que Deus pode dar. A pregação de Zofar cria interesseiros, não adoradores. A pregação da prosperidade—a mensagem do receba a Jesus e receba junto dinheiro, saúde e coisas desse mundo—pode criar pessoas religiosas, mas não pessoas regeneradas. Porque essa mensagem atrai as pessoas para os presentes que elas querem de Deus e não para o próprio Deus. Essa mensagem não produz salvação. Essa mensagem deixa as pessoas em seus pecados e longe de Deus. A mensagem de Jesus muito mais difícil e muito melhor! O Senhor Jesus diz: venham a mim e você irá sofrer pelo meu nome, o mundo irá rejeitar você, você receberá junto comigo perseguição e provação e acusação. Mas (tem um “mas” também!) eu estarei com você. Eu amarei você. E quando chegar o seu dia de deixar esse mundo, eu vou trazer você para a casa para viver comigo para sempre. Eu serei o seu Deus e você será o meu povo. E naquele dia, você nunca mais saberá o que é sofrer. Essa é a mensagem que produz salvação. Sem querer fazer um trocadilho—mas já fazendo—esse é ganho enorme que você recebe quando você perde alguma coisa nesse mundo: você ganha a confirmação da sua fé. Você, cristão, já experimentou isso: você perdeu algo precioso—um filho, alguém que você ama muito, você perdeu sua saúde, seu emprego, seus bens, sua reputação, mas o que você vê no seu coração é um desejo pelo Senhor Jesus—por honrar a ele e estar com ele, mesmo ele tirando algo de você. Em vez de querer abandonar o Senhor, o que você quer é viver mais perto dele. E essa experiência confirma sua fé. Ela prova que você não é um interesseiro, mas um adorador verdadeiro! Essa é uma experiência doce: Esse senso de que Jesus é mais real que tudo. O céu é mais real que a terra que você está pisando. E a graça de Deus é melhor do que a vida. Você, cristão, sofre, chora, cai no chão, lamenta, mas durante o sofrimento, você percebe que o seu coração quer Deus. Como o coração de Jó. E na perda, você ganha. Você ganha a confirmação preciosa do Espírito Santo: Eu realmente amo o Senhor. Minha fé não é perfeita, mas minha fé não é uma farsa. Eu balanço. Eu tremo. Eu fico confuso. Eu penso o que eu não devo. Eu falo o que eu não devo. Eu sinto o que eu não devo. Mas eu quero Cristo. CONCLUSÃO Se Jó tinha a esperança de que um dos amigos dele iria realmente consolá-lo, agora essa esperança acabou. Um amigo acusando você é difícil. Dois amigos acusando é ainda pior Mas três é demais! Mas a esperança de Jó está em outro lugar. Jó tem um Amigo mais chegado que um irmão. Um homem que é chamado na Bíblia de homem de dores que sabe o que é padecer. Um amigo que em vez de disparar julgamento na nossa direção, se colocou na direção do bombardeiro do julgamento divino que nós merecíamos. Nosso general se entregou ao fogo para nos salvar do nosso real inimigo—Satanás, e o pecado, e a morte. Sim, nós devemos chamar as pessoas ao arrependimento. E se você está abraçando o pecado em vez de empurrar o pecado de sua vida, você precisa estender suas mãos a Deus hoje, pedir perdão, e confiar que Cristo foi julgado na cruz no seu lugar. Mas tenhamos muito cuidado para não sermos como Zofar. Achar que nós sabemos mais do que nós realmente sabemos. E julgarmos outros pecadores. E dispararmos fogo amigo. E atingirmos as pessoas que nós deveríamos proteger e ajudar, não derrubar. Que o Espírito Santo dissipe a fumaça da ignorância e da arrogância na nossa frente com o sopro da Palavra da verdade. Julgar as pessoas pelo sofrimento que elas estão passando, como se uma vida difícil fosse sinal de pouca fé, não é a sabedoria que Deus nos ensina. Geralmente, o contrário é verdadeiro. Deus reserva o sofrimento para ser glorificado naqueles em que andam bem próximo dele. Jesus nos chama todos os dias: “Siga-me”. E o caminho em que nós seguimos a ele irá nos levar ao céu. Mas até chegar lá, serão muitas batalhas, muitas perdas, muita lágrimas e muita dor. Às vezes, nós teremos que enfrentar até fogo amigo. Mas toda vez que você sofre e continua crendo no amor do Senhor, como Jó, você traz glória a ele. A sua fé é uma evidência de que Jesus é realmente melhor do que tudo o que você pode desfrutar nesse mundo. É por isso que, na Bíblia, sofrer por Cristo é visto não como um sinal de condenação, mas como uma evidência da graça de Deus em sua vida. O apóstolo Paulo disse: Filipenses 1:29—Porque vocês receberam a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele. Igreja Batista Jardim Minesota Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144 Jardim Santa Maria (Nova Veneza)
Sumaré - São Paulo](https://static.wixstatic.com/media/2ad19c_19d7a2b5efd5456491fb77668488c758~mv2.jpeg/v1/fill/w_265,h_265,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/Image-empty-state.jpeg)
Jó 11: Fogo Amigo
Jesus nos chama todos os dias: “Siga-me”. E o caminho em que nós seguimos a ele irá nos levar ao céu. Mas até chegar lá, serão muitas batalhas, muitas perdas, muita lágrimas e muita dor. Às vezes, nós teremos que enfrentar até fogo amigo.