Tiago 1:1-12: A provação da fé

Série: Uma Fé Viva 01 de Novembro de 2026 – IBJM
Tiago tem despertado amor e ódio ao longo da história. A carta de Tiago é amada por muitos cristão porque ela é tão prática. Tiago é claro e concreto. As coisas para ele são preto ou branco:
“Isso é pecado. E isso é o certo. Se nossa fé é viva, nós vamos viver assim, e não assim”.
É por isso que muitos cristãos amam Tiago. Ele nos ensina a como viver para o que Deus que nós amamos.
Mas Tiago não despertou só amor. Algumas pessoas reagiram de forma muito negativa ao que ele escreveu. Até Lutero, o grande Reformador, chegou a chamar a carta de Tiago de “uma epístola de palha [sem valor], pois não tem nada da natureza do evangelho”.
Lutero ficou muito incomodado com o fato de Tiago falar do nome de Jesus explicitamente só duas vezes, e não falar nenhuma vez da morte e da ressurreição de Cristo. E Lutero não está sozinho. Alguns estudiosos dizem que Tiago não tem teologia. Eles veem essa carta como um conjunto de ordens morais sem a graça de Deus.
Como eu espero mostrar ao longo dessa série, essa visão negativa não é a visão correta. Nós devemos nos aliar ao primeiro grupo: o grupo que ama Tiago.
É verdade que Tiago não passa tempo lidando com a obra de Cristo na cruz, a morte dele em nosso lugar e a justificação pela fé somente, como Paulo faz em Romanos, por exemplo. Mas isso não significa que Tiago não acreditava nessas verdades maravilhosas.
Tiago está escrevendo uma carta para lidar com uma situação específica de um grupo específico. Ele assume que aqueles crentes se lembram de como o Senhor nos salvou do julgamento pelo sangue de Cristo, e se concentrar em mostrar como nós devemos agora que nós cremos no evangelho da graça.
Tiago não é um legalista. Tiago é um evangélico. Um evangélico que crê no evangelho que salva e que santifica.
A carta de Tiago é um chamado a não termos uma vida dividida. O cristão não fica com um pé em cada barco: um pé na fé e um pé no pecado; um pé na igreja e um pé no mundo.
Tiago é uma convocação a uma devoção total (em todas áreas da nossa vida) àquele que morreu na cruz para nos salvar e nos santificar.
Tiago é um pastor pregando para que nós tenhamos uma fé viva—uma fé que se manifesta em atitudes concretas. É por isso que tantos cristãos amam Tiago. E é por isso nós devemos amar Tiago.
Vamos ouvir com fé o que Deus tem a nos falar através desse pregador inspirado chamado Tiago. Vamos usar a saudação do versículo 1 para falar dele, o autor, e para quem ele está escrevendo.
SAUDAÇÃO: AUTOR e RECEPTOR (1.1)
Como era o costume na época, a carta começa com o nome do autor.
1. O AUTOR
[1] Tiago...
Existem vários Tiagos na Bíblia. Esse Tiago não era um dos doze apóstolos, que era irmão do apóstolo João.
O Tiago dessa carta era o líder da igreja em Jerusalém (Atos 15) e irmão de Jesus por parte de mãe. Depois que Maria teve Jesus, que foi gerado pelo Espírito Santo, Maria teve, pelo menos, outros 6 filhos com José.
Nós sabemos disso porque Mateus escreveu no evangelho dele que, quando as pessoas viram Jesus fazendo milagres e falando com tanta sabedoria, elas desprezaram Jesus e disseram:
Não é este o filho do carpinteiro? A sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago [que escreveu essa carta], José, Simão e Judas? Todas as suas irmãs não vivem entre nós? Então, de onde lhe vem tudo isto? (Mateus 13:55-56)
Tiago era provavelmente o irmão mais velho de Jesus porque ele vem como o primeiro da lista nesse versículo de Mateus. E aqui, já na primeira palavra da carta, no nome do autor, nós vemos o poder da graça soberana de Deus.
Tiago cresceu na mesma casa que Jesus, mas apesar de ter tido contato com Jesus por anos, apesar de ver toda a sabedoria e a piedade perfeita do irmão mais velho dele (e o Filho de Deus!), Tiago cresceu sem crer. Nós sabemos disso pelos evangelhos também (João 7.5). Foi só depois da ressurreição que Tiago creu em Jesus.
Isso nos lembra que uma fé viva não é determinada pela família que você nasceu. Uma fé viva é um dom exclusivo da graça soberana de Deus.
Você que crê no nome do Senhor Jesus, você não tem fé porque você é uma boa pessoa. Você tem fé porque Deus amou você. Ele abriu seus olhos para você se tornar, como Tiago se define na continuação do versículo 1, em um:
[1] (...) servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo...
NOSSA IDENTIDADE: SERVOS
Tiago coloca Deus e Jesus lado a lado. Ele reconhece que o irmão dele também é Senhor. Ele também é Deus.
Interessante que Tiago não se identifica como “líder da igreja em Jerusalém”. Nem fala “irmão de Jesus”. Ele se coloca como servo (ou escravo) de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
Tiago irá nos chamar por toda a carta a nos entregarmos completamente ao Senhor Jesus—de corpo e alma—todo o nosso ser. A colocarmos todas as áreas da nossa vida debaixo do senhorio de Jesus—a viver em uma obediência que flui da fé.
E Tiago praticou o que ele pregou. Não de forma perfeita, porque perfeito só existe um, mas Tiago viveu como alguém que entendeu que ele é um servo de Cristo, que ele foi comprado com o sangue de Cristo e que ele pertencia a Cristo.
A piedade de Tiago era tão evidente que o apelido dele era Justo: Tiago, o Justo. Uma piedade—uma entrega a Jesus—que custou caro para Tiago.
Pelos documentos do início da história da igreja, Tiago foi assassinado por judeus anti-cristãos no ano de 62 DC. Ele entendeu que ele era possessão de Jesus. Jesus é o Senhor. Nós somos servos. Nossa vida é dele.
Cristão, você foi comprado por preço—um alto preço. Agora nós somos dele. Tudo o que nós temos e tudo o que nós somos é dele. Você foi santificado (separado, reservado) para o uso seu Senhor Jesus Cristo.
Um dos itens da veste sagrada do sumo-sacerdote era a mitra—uma cobertura que ele coloca na cabeça e que tinha uma lâmina de ouro com os dizeres: “Santidade ao Senhor”. Você também carrega essa frase na sua testa. E nas suas mãos. E nos seus pés. E no seu coração.
Tudo o que nós fazemos e tudo o que nós somos, nós somos dele. Quando você está sozinho em algum lugar ou em volta de muitas pessoas, crente, essa frase está gravada em você: “Santidade ao Senhor”. Você foi separado para o uso de Jesus.
Tiago começa, na saudação inicial, se identificando com uma das principais identidades do crente na Bíblia: servos. Servos de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
E para quem Tiago está escrevendo?
2. OS RECEPTORES
[1] Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Diáspora. Saudações.
Doze tribos é uma referência ao povo de Israel: as 12 tribos de Israel. Tiago está usando essa expressão porque ele escrevendo para judeus que se converteram ao Senhor Jesus: judeus cristãos.
Tiago está dizendo: “vocês são as doze tribos, vocês são o Israel de Deus”, o povo que Deus está salvando para ele—um povo composto por judeus (que estão recebendo essa carta) e gentios.
Tiago fala não só para QUEM ele está escrevendo, mas ONDE eles estão:
[1] às doze tribos que se encontram na Diáspora.
Diáspora se tornou o termo usado para falar dos judeus que estavam dispersos (espalhados) pelo mundo, fora da terra de Israel. Tiago está escrevendo para os judeus que estão espalhados pelo Império Romano e que, pelo conteúdo da carta, eram pobres e estavam sofrendo e sendo perseguidos.
Nós não somos tão diferentes assim desses judeus cristãos pobres, perseguidos e espalhados:
• Assim como eles, nós também estamos longe da nossa pátria—da nossa pátria celestial.
• Assim como eles, nós também precisamos lidar com o desprezo que o mundo tem pelos cristãos.
• Assim como eles, nós vivemos debaixo de governantes corruptos e ímpios.
• Assim como eles, nossa esperança não está nesse mundo, mas na volta do Senhor e no dia em que ele estabelecerá o reino dele para sempre.
Enquanto nós estamos na Diáspora, longe da Jerusalém Celestial, vivendo ainda na “Babilônia Terrena”, o Senhor Jesus quer que nós vivamos uma vida piedosa, uma vida digna do evangelho—confiando nele, mortificando o pecado em nós, pregando o evangelho para os outros, amando uns aos outros e vivendo como servos de Cristo.
Depois de se apresentar (Tiago, servo de Deus e de Jesus) e escrever o nome dos destinatários (judeus cristãos espalhados), Tiago abre o conteúdo da carta lidando com uma questão que você, cristão, terá que enfrentar sem parar: provações. Várias provações.
A passagem de hoje se concentra em como nós devemos encarar as provações. Deus chama você a ter 3 atitudes espirituais quando a sua fé é provada.
A primeira é:
1. ALEGREM-SE (1.2-4)
[2] Meus irmãos, tenham por motivo de grande alegria o fato de passarem por várias provações...
“Grande alegria” não é a atitude natural de um ser humano na provação—nos momentos em que a vida está difícil. Nossa carne quer responder com murmuração (reclamar), ou nos desanimar, ou nos revoltar (eu não acredito que isso está acontecendo!), ou falta de esperança, ou sentir pena de nós mesmos (eu não merecia estar passando por isso).
Mas povo de Deus, nós temos o Espírito de Deus. E com o Espírito, nós podemos responder com atitudes espirituais; não naturais, mas sobrenaturais: ter grande alegria em várias provações é sobrenatural... e possível!
Vocês sabem com quem Tiago aprendeu isso? Do irmão mais velho dele, o Senhor Jesus Cristo. Jesus disse no Sermão do Monte:
— Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem [tenham grande alegria!], porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.
Tiago não está dizendo que você deve ficar muito feliz porque sua vida está muito difícil. Seu coração está sendo esmagado, pressionado, apertado, mas você não pode tirar o sorriso do rosto. Não é isso que Tiago está falando.
Tiago está falando de algo mais profundo e poderoso. A razão da sua alegria não está na dor que você está sentido. Ela está em outro lugar. A razão para a sua grande alegria está no que Deus está fazendo em você.
(...) Tenham por motivo de grande alegria o fato de passarem por várias provações, [Por quê?] [v.3] sabendo [porque vocês sabem] que a provação da fé que vocês têm produz perseverança. [4] Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem que lhes falte nada.
A razão (a motivação) para você não se desesperar quando as coisas estão difíceis, mas se alegrar, é porque Deus está usando a sua provação para algo bom, muito bom: para produzir perseverança.
Perseverar é não desistir. Perseverar é continuar confiando em Deus. E ao longo do tempo, conforme você passar por situações em que sua fé é testada e você persevera, você se torna uma pessoa espiritualmente mais madura. Você vai aprendendo a confiar mais e mais no seu Deus. E assim sua fé se torna mais forte. Mais firme.
Esse é o propósito de Deus com a provação que você está passando agora: Deus está santificando você.
Final do v.[4] (...) para que [propósito: “para que”] vocês sejam perfeitos e íntegros [santos!], sem que lhes falte nada.
O EXERCÍCIO DA FÉ
É o mesmo princípio de uma academia de musculação. Vocês sabem como funciona. Um jovem chamado José se matricula na academia. Quando ele chega, o braço dele é fino, mole e ele não tem muita força.
Mas ele começa a se exercitar. A levantar peso: 2 quilo, 4 quilos (e vai aumentando com o tempo), 8 quilos. O peso que ele está segurando faz uma pressão para baixo, mas ele levanta. E de novo, e de novo. E no dia seguinte, de novo. E na semana seguinte, de novo.
O que vai acontecer com o braço do João ao longo do tempo. Ele vai ficar mais firme, mais forte, maior. É isso que Deus está fazendo com a sua fé, crente, com o peso das provações que ele coloca em você.
A cada provação que você entrega a Deus (que você levantar e entrega para ele nele)—o “músculo” da sua fé fica mais firme. Mais forte. Sua fé cresce. Isso se chama amadurecimento espiritual.
Com o tempo, o que cada uma dessas provações está fazendo é tirando a sua fé de você e colocando a sua fé em Deus. Você fica mais e mais convencido de que você realmente pode confiar em Deus. Que Deus é realmente fiel. Que ele realmente vai cuidar de você.
Cada vez que você desiste de quer controlar uma situação e descansa no seu Senhor soberano, sua fé se torna mais firme e mais forte. Essa experiência amadurece a sua fé.
Essa é a razão que Tiago dá para você ter grande alegria quando sua fé é testada. Você sabe que Deus está usando essa situação difícil para tornar você uma pessoa mais madura—mais parecida com o Senhor Jesus.
No final das contas, nossas provações tornam a nossa fé mais viva! Isso é motivo de “grande alegria”.
Essa é a primeira atitude espiritual na provação: ALEGREM-SE!
2. AJOELHEM-SE (1.5-7)
Ajoelhem-se para orar. Claro, ajoelhar é um simples ato exterior. O que realmente importante é o ato interior—a atitude espiritual de orar.
[5] Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações, e ela lhe será concedida.
Essa sabedoria que nós precisamos pedir a Deus está conectada com o que Tiago acabou de falar. Ele está falando da sabedoria que nós precisamos para perseverar e passar pelas provações com alegria.
Tiago nos incentiva a nos ajoelharmos e pedirmos ajuda a Deus nos lembrando quem Deus é.
Imagine que o seu vizinho ganhou uma herança de 500 milhões de reais. E ele é muito amigo seu. Ele veio até você e disse: “Se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa, por favor, me avise. É só você vir aqui e bater na porta. Eu terei muita alegria em dar para você”.
Se você estivesse precisando de alguma coisa e tivesse certeza de que ele ajudaria você com a maior boa vontade, você falaria com ele? Então!
Você tem uma Pessoa que vive mais perto do que o seu vizinho milionário e é bem mais generoso. E diferente do vizinho imaginário, essa Pessoa realmente existe: é o seu Deus.
Se você for até a casa dele em oração e bater na porta, ele vai abrir e dar o que você precisa.
Vocês sabem com quem Tiago aprendeu isso? Do irmão mais velho dele, o Senhor Jesus Cristo. Jesus disse no Sermão do Monte:
— Peçam e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta será aberta para vocês... (Mateus 7.7).
Por que nós oramos tão pouco, povo de Deus? Por que nós não pedimos mais a Deus? Por que nós não batemos mais na porta dele e pedimos: “Senhor, me ajuda. Eu não estou conseguindo me alegrar como deveria. Eu não estou conseguindo lidar com essa situação. Me ajuda, me dê sabedoria, me dê fé”.
Não é maravilhoso saber que o dono de tudo o que existe é a Pessoa mais generosa do mundo? Que incentivo nós temos para nos ajoelhar e orar e pedir para o nosso Pai o que nós, seus filhos, estão precisando!
Você tem um Deus generoso, meu irmão necessitado. Seu Pai tem um reservatório de sabedoria maior que os céus na casa dele. Nós precisamos bater mais nessa porta. Nós precisamos viver mais tempo ajoelhados.
A POSIÇÃO CORRETA: FÉ
Mas existe uma maneira certa de se ajoelhar. Não basta dobrar os joelhos. Deus quer que nós dobremos o coração. Porque o que realmente importa não é a posição do corpo, mas a posição da alma. Nós devemos nos aproximar de Deus com fé, porque sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11.6):
[6] Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando,
Ele emenda a explicação para não duvidar com uma ilustração usando o mar:
[6] (...) pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. [7] Que uma pessoa dessas não pense que alcançará do Senhor alguma coisa, [8] sendo indecisa e inconstante em todos os seus caminhos.
Deus quer que nós aproximemos dele confiando em quem ele disse que é: generoso, amoroso, misericordioso e poderoso.
Nosso coração deve estar firme como uma rocha na praia, agarrados à bondade de Deus, e não se mover cada hora para um lado, como uma onda do mar agitada pelo vento.
Eu preciso fazer dois comentários sobre o que Tiago está dizendo (e o que ele não está dizendo):
Primeiro, Tiago não está dizendo que Deus só ouve quem tem uma fé perfeita.
Não é isso que ele quer dizer com duvidar. Como se Tiago estivesse dizendo:
Se você está lutando para confiar em Deus em uma situação difícil, não ouse se aproximar do Senhor em oração, ele não vai ouvir você.
Não é isso que Tiago está falando. Tiago está criticando as pessoas que têm um coração dividido. Essa é a ideia da palavra “indecisa” no versículo 8. Ele está falando das pessoas que não se decidem se vão seguir a Deus ou não.
Aquelas pessoas que só buscam a Deus quando estão desesperadas. Elas vivem de forma completamente independente do Senhor—não se importam com a Palavra de Deus e as coisas de Deus e em obedecer a Deus pela fé no dia a dia delas. Mas no desespero, elas gritam por socorro.
É para essas pessoas que Tiago está dizendo: “Não pense que você pode tratar Deus assim e Deus vai ouvir. Esse tipo de oração de coração dividido—um olho em Deus e um olho no mundo—não pense que você irá alcançar alguma coisa do Senhor vivendo assim.
Tiago não está condenando você, cristão de consciência sensível, que sabe que sua fé não é perfeita. Tiago está condenando aqueles que são indecisos, que não decidem se vão viver para Deus ou para o mundo, que não querem largar o mundo e o pecado para abraçar a Cristo pela fé.
A fé (entre aspas) dessas pessoas não é centrada em Deus. A “fé” delas é mais um desejo de quer ter seus problemas resolvidos, em vez de um espírito submisso a um Deus soberano que controla, sozinho, o universo e a nossa vida.
E aqui vai meu segundo comentário: a maneira como você se aproxima de Deus com fé não é olhando para a sua fé. É olhando para Jesus.
John Bunyan, autor do livro O Peregrino, disse que esse é o nosso maior problema na oração: nós nos esquecemos que nós estamos indo até o Pai em nome do Filho. Nós nos esquecemos que nós somos recebidos por Deus por causa de Jesus.
A nossa ousadia de nos aproximar do trono da graça não é a nossa vida perfeita nem a nossa fé perfeita. A nossa ousadia em sermos ouvidos está no Filho perfeito de Deus. Deus nos ama e nos ouve e nos recebe porque nós nos chegamos a Deus em oração no nome do nosso irmão mais velho. Com as vestes de justiça dele, nós podemos entrar no Santo dos santos—abrir a porta da sala do trono—e nosso Pai nos recebe com alegria.
Na próxima vez em que você orar, você pode usar alguns segundos antes de abrir a boca para orar e se lembrar que foi Jesus, o Filho de Deus, seu Salvador, que abriu a porta para você entrar e ter comunhão com Deus em oração. Se você confia que o Senhor Jesus foi morto no seu lugar naquela cruz, não tem mais nada que você precisa fazer para se aproximar de Deus para orar.
E se você está ouvindo isso e reconhece que tem vivido uma vida dividida—você está com um pé no mundo e um pé na fé, você precisa parar e se arrepender. Você precisa ir até o Senhor em oração, mas dessa vez, com o desejo de ser perdoado por ter tratado um Deus tão bom assim. E confiando que a morte do Filho dele é a única coisa que pode pagar pelo seu pecado contra Deus.
E eu vou dizer uma coisa para você: Deus é muito generoso e bom. Se você bater na porta dele e pedir perdão e pedir ajuda, sabe o que ele faz? Ele perdoa. Ele ajuda. E ele faz de você um filho dele.
Nós passamos por várias provações. Nós temos várias necessidades. Nós precisamos de sabedoria. Ajoelhem-se e, com fé, em nome de Jesus, vamos orar: “Pai, me ajuda”. O braço dele é forte, o coração dele é disposto, o trono dele é o trono da graça.
Primeira atitude espiritual na provação: alegrem-se. Segunda: ajoelhem-se.
3. AVALIEM-SE (1.8-11)
Avaliem-se como Deus avalia vocês. Não usem as lentes que o mundo usa. Eles só dão valor para as coisas terrenas; as coisas aqui de baixo e não as lá do alto. Vocês devem se enxergar e enxergar a vida como Deus enxerga. Isso é sabedoria.
Tiago usa a nossa condição econômica como o exemplo de provação. Tanto a pobreza quanto a riqueza provam a nossa fé, mas de maneiras diferentes (Plummer, Living Faith, 72).
Tiago começa com os mais pobre. Ele tem um enorme encorajamento para você, crente, que não tem muitas posses:
[9] O irmão de condição humilde glorie-se na sua exaltação...
Tiago não está falando para todos os pobres no mundo. Ele está falando para os pobres que creem em Jesus. Ele está falando com aqueles que além de serem pobres economicamente, reconhecem que são pobres em espírito e precisam de Deus e seguem a Cristo.
Se vocês me permitem esticar o que Tiago está falando para os cristãos pobres—aqueles que vive em uma condição humilde—nessa frase tão compactada ele. Tiago está dizendo:
“Você, crente, que não tem muito dinheiro, lembre-se que sua pobreza na terra é temporária. Em breve, você será exaltado: você irá para o céu viver na presença do Senhor. E diferente da sua pobreza, sua exaltação será eterna. Você será um bilionário espiritual por toda a eternidade. Sua pobreza aqui é um pingo na sua história. Você irá viver em um oceano de trilhões de litros de riqueza para sempre. Não deixe sua pobreza nesse mundo abalar a sua fé, meu irmão. Avalie-se usando a perspectiva de Deus—a perspectiva do céu! Alegre-se, glorie-se porque sua exaltação está próxima!”
Para os pobres, Tiago tem um encorajamento. Para os ricos—aqueles que tem mais recursos, Tiago tem uma exortação:
[10] e o rico, [implicitamente: “glorie-se”] na sua humilhação,
E de novo, ele emenda a explicação com uma ilustração.
[10] (...) porque ele passará como a flor do campo.
Ou seja, as riquezas são temporárias também. Elas vão passar, como a flor do campo passa. No versículo 11, ele narra, passa a passo, como a flor do campo passa:
[11] Porque o sol se levanta com seu calor ardente, a planta seca, a sua flor cai e a formosura do seu aspecto desaparece.
Conclusão da comparação:
[11] (...) Assim também o rico murchará em seus caminhos.
O estado de riqueza, conforto, abundância de bens é temporário. Carros são simples caixas de metal com tecnologia, mas eles vão enferrujar. Roupas serão comidas pelas traças. Celulares vão desparecer. Toda riqueza desse mundo irá desidratar e secar como as plantas secam com o sol.
Se vocês me permitem expandir o que Tiago está dizendo para os ricos nessa frase ainda mais compacta.
“Não deixem que a quantidade de dinheiro na sua conta seja a sua segurança. Não deixe que seu carro seja sua alegria. Não deixe que sua casa seja o seu refúgio e fortaleza. Não façam isso. Lutem contra essa tentação. Sua segurança, sua alegria e sua fortaleza estão em Cristo!”
Em uma palavra: Tiago está nos chamando a termos contentamento—a estarmos contentes no Senhor Jesus, independente da quantidade de dígitos na conta bancária ou o ano do carro ou os metros quadrados da casa ou a marca do celular. Tudo isso vai passar, secar, murchar, cair, desaparecer.
Nós não vamos levar nada que nós temos nesse mundo para o outro mundo. Como Jó disse quando ele perdeu tudo:
— Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1:21).
E vocês que têm pouco nesse mundo, que não acumularam bens ao longo da vida. Quando você estiver com o Senhor, sua riqueza será maior do que a de 10 mil Elon Musks. Seu futuro eterno, cristão pobre, será indescritivelmente rico.
Vocês sabem com quem Tiago aprendeu isso? Do irmão mais velho dele, o Senhor Jesus Cristo. Jesus disse no Sermão do Monte:
— Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o Reino dos Céus (Mateus 5:3).
É com a promessa do Reino dos Céus que Tiago termina esse trecho.
UMA PROMESSA: A COROA (1.12)
[12] Bem-aventurado é aquele que suporta com perseverança a provação. Porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.
Tiago volta ao tema da perseverança na provação para nos lembrar o que você vai receber quando você chegar ao fim da sua corrida da fé: a coroa da vida.
A coroa da vida é um símbolo da vida eterna. Tiago está colocando a recompensa diante de nós para nos animar a não parar. A perseverar. Quando você cruzar a linha de chegada, o juiz estará com um sorriso para receber você e coroar você com a presença dele.
Deus irá continuar colocando provações na sua vida para exercitar os músculos da sua fé e fazer você chegar até o fim. Esse é um processo lento e doloroso, mas na vida dos crentes, é a maneira de Deus tornar sua comunhão com Cristo mais doce e sua fé mais viva.
SAMUEL RUTHERFORD
Foi o que aconteceu com um homem chamado Samuel Rutherford. Como você, ele também teve a fé dele provada (testada), e saiu do outro lado da fornalha ainda mais pura—ainda mais viva.
Samuel Rutherford nasceu em 1600. Ele foi um pastor escocês. durante um período politicamente turbulento. Ele não aceitou algumas exigências do governo sobre o culto e acabou sendo expulso da igreja que ele foi pastor por 9 anos, ele foi exilado e preso em outra cidade. Durante esse período de prisão, ele começou a escrever cartas.
Charles Spurgeon disse que as cartas do Samuel Rutherford são “a coisa mais perto da inspiração que podem ser achadas no escritos dos homens”. Para Spurgeon, nada chega mais perto da Bíblia. Depois que eu comecei a ler essas cartas, eu entendi por que Spurgeon disse isso.
Samuel Rutherford era um homem muito piedoso. Mas ainda resta pecado nos homens mais santos nesse mundo. No início, quando ele foi preso, ele não estava conseguindo, como o versículo 2 nos chama, ter “grande alegria por passar por várias provações”.
Samuel Rutherford confessou: “Como um tolo, eu cheguei a esbravejar com Cristo e caluniá-lo na frente de outros, acusando-o de falta de bondade”.
Mas o Espírito Santo estava trabalhando no espírito dele. Depois de algum tempo, ele começou a ver aquela provação como um presente do Senhor. É possível quase ouvir a alegria dele nas palavras que ele escreveu.
Em uma das cartas, ele disse:
Embora esta cruz honesta [ele está falando da provação] tenha ganhado algum terreno sobre mim... agora, para o encorajamento de todos vocês, ouso dizer: ‘Bem-vinda, bem-vinda, doce, doce cruz de Cristo!’
Eu realmente penso que as correntes do meu Senhor Jesus são todas revestidas de ouro puro, e que sua cruz é perfumada e que cheira a Cristo, e que a vitória será pelo sangue do Cordeiro e pela palavra de sua verdade... Bem-aventurados aqueles que se contentam em receber golpes com o Cristo que chora conosco... Não farei mais recriminações, e que ele perdoe tudo o que ficou para trás, pois sou pobre.
Em outra carta, ele disse:
“Meus adversários me enviaram aqui [para a prisão] para que eu festejasse em banquetes de amor com o meu Majestoso, Exaltado, Exaltado, Príncipe e Senhor Jesus... O que mais eu posso querer quando eu tenho o grande céu em meus pequenos braços? Ó, quão doces são os sofrimentos... por Cristo!... São nossos olhos fracos e embaçados e olharmos para o lado errado que nos fazem errar”.
Samuel Rutherford foi eventualmente libertado. Mais para o fim da vida dele, ele foi novamente perseguindo e intimado a comparecer diante do Parlamento para responder a uma acusação de traição. Ele estava com 60 anos, e já bem doente e sabendo que ele morreria logo. Ele enviou uma carta para o governo respondendo:
“Já recebi uma intimação de um Juiz e Tribunal Superior; devo responder a essa primeira convocação e, antes que chegue o dia marcado por vocês, estarei onde poucos reis e grandes personalidades chegam”.
E foi o que aconteceu. Ele suportou com perseverança a provação e recebeu do Senhor dele a coroa da vida, a qual ele prometeu para você que também ama o Senhor.
Fonte: https://banneroftruth.org/us/about/banner-authors/samuel-rutherford/, Letters of Samuel Rutherford, Banner of Truth, p. 30-38.
CONCLUSÃO
O seu dia de descanso vai chegar e você nunca mais terá que suportar provações. Mas nessa vida, o plano do seu Deus sábio e soberano é usar as provações para amadurecer você, para preparar você para se encontrar com ele.
Servos e servas do Senhor, na provação:
• Alegrem-se.
• Ajoelhem-se e orem com fé.
• Avaliem-se como Deus nos avalia, com a perspectiva da eternidade.
Tudo nesse mundo vai secar e murchar e desaparecer. Mas a sua fé (viva!) irá levar você um estado de exaltação que nunca vai terminar: a glória de ver e viver com o Senhor.
Você chegou até aqui. O Senhor vai ajudar você a chegar até o fim.
Aquele que prometeu isso a vocês é fiel. Perseverem.
Igreja Batista Jardim Minesota
Rua Clotildes Barbosa de Souza, 144
Jardim Santa Maria (Nova Veneza) Sumaré - São Paulo



Comentários